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domingo, 25 de outubro de 2020

PALAVRA DA SALVAÇÃO (207)


30º Domingo do Tempo Comum – 25/10/2020


Anúncio do Evangelho (Mt 22,34-40)

— O Senhor esteja convosco.

— Ele está no meio de nós!

— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.

— Glória a vós, Senhor!

Naquele tempo, os fariseus ouviram dizer que Jesus tinha feito calar os saduceus. Então eles se reuniram em grupo, e um deles perguntou a Jesus, para experimentá-lo: “Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?”

Jesus respondeu: “‘Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento!’ Esse é o maior e o primeiro mandamento. O segundo é semelhante a esse: ‘Amarás ao teu próximo como a ti mesmo’. Toda a Lei e os profetas dependem desses dois mandamentos”.

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.

https://liturgia.cancaonova.com/pb/

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Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Pe Donizetti de Brito:


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No amor, nada é obrigação, tudo é dom!

 


       “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração...”;

“amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mt 22,37-39)

 

Segundo o teólogo Yves Congar “a essência do farisaísmo é absolutizar coisas secundárias”. E disso todos temos experiências: muitas vezes, a nossa vivência cristã está mais focada nos ritos, nas doutrinas, nas normas morais..., e isso acaba atrofiando aquilo que é mais decisivo no seguimento de Jesus Cristo.

Quando nos afastamos do essencial, facilmente nos desviamos para os caminhos da mediocridade piedosa, do ritualismo estéril ou da casuística moral, que não só nos incapacitam para uma relação sadia com Deus, mas nos esvaziam dos sentimentos mais humanos, desfigurando-nos e nos fechando no intimismo que rompe toda proximidade e comunhão com os outros. Todos corremos este risco.

A cena relatada pelo evangelho deste domingo (30o Dom. Tempo comum) tem, como pano de fundo, uma atmosfera religiosa na qual os mestres e letrados classificam centenas de normas da Lei divina em “fáceis” e “difíceis”, “graves” e “leves”, “pequenas” e “grandes”. Impossível mover-se com um coração sadio nesta “teia” de leis.

Diante da pergunta dos fariseus pelo maior mandamento da Lei, Jesus rompe com aquilo que eles tão bem tinham aprendido. Ele acolhe a pergunta que lhe fora feita e aproveita para recuperar o essencial, descobrir o “espírito perdido”: qual é o mandamento principal? onde está o núcleo de tudo?

A resposta de Jesus parte da experiência básica de Israel, onde o coração da fé é o amor: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento”. 

O primeiro mandamento do decálogo bíblico, confirmado por Jesus, antes que imperativo, é revelação; antes que uma ordem, é uma proclamação. Não impõe a obrigação de amar a um “deus” separado, ciumento de sua honra, que se assemelharia a um soberano narcisista e vaidoso. Uma tal caricatura de “deus”, fruto da projeção humana e condicionada por falsas imagens míticas, se torna claramente blasfema. É um dos “deuses” que precisamos “deletar”.

O “primeiro mandamento” revela algo fundamental, do qual a Bíblia irá tomando consciência progressivamente, até chegar a proclamar com intensidade: “Deus é Amor” (1Jo 4,8). Deus, na sua essência, é puro Amor. Daqui se derivam, como em cascata, toda uma torrente de consequências.

Crer é uma questão de amor, e isso significa que, antes de qualquer outra coisa, o fiel se percebe, em seu núcleo mais íntimo, ser e proceder do Amor. Aquele “em quem vivemos, nos movemos e existimos” (Atos 17,28) é Amor. A fé é, antes de mais nada, experiência de ser amado, que leva a deixar-se alcançar e impregnar mais e mais por esse dinamismo do amor, para descansar nele e possibilitar que ele flua e circule, compassiva e eficazmente, para os outros. Portanto, o essencial da vida é o amor.

O que define o cristão não é dizer “Senhor, Senhor”, mas viver a prática compassiva do “vá e faça o mesmo”. Essa é a razão, também, pela qual a vida e a mensagem de Jesus se condensam na prática do amor. 

O amor (ágape) que Deus tem pelo ser humano é totalmente desinteressado, gratuito e livre. Deus envolve a vida de cada um, banhando-a toda de seu amor. O amor nasce em Deus como um rio imenso que envolve o ser humano, iluminando e transformando sua existência; este não se encontra submetido a uma espécie de exigência tirânica, obrigado a cumprir, no limite de suas forças, alguns mandatos alheios a seu ser. O que lhe é pedido consiste, justamente, no que previamente é oferecido a ele: ele é chamado a ser livre e capaz de corresponder ao amor.

Não é o ser humano que é amável; é Deus que é amor. Esse amor é absolutamente primeiro, ativo e criativo, absolutamente livre: não é determinado pelo valor de quem Ele ama. Todo ser humano encontra-se, assim, envolvido pelo amor criativo e providente de Deus.

Esse amor, ativo e primeiro, suscita na pessoa a gratidão, levando-a a corresponder com um amor-serviço. A paixão por Deus implica compaixão pelo ser humano.

Talvez, o que não tem sido totalmente compreendido é que não são dois mandamentos, mas um só: uma mesma realidade, um mesmo amor e um só mandamento. Aliás, se damos um passo mais além, não precisa existir mandamento algum quando há verdadeiro amor.

O amor é raiz e fruto do coração. S. Irineu convida a nos deixar fazer, a permitir que o amor brote do mais profundo de nós mesmos, a ser homens e mulheres unificados e centrados em Deus.

Característica desse amor: voltado para o serviço; o amor sempre se faz serviço, assim como todo serviço é inspirado e sustentado pelo amor. Trata-se da mística do “serviço por puro amor”. 

Sabemos que o amor é uma das palavras mais desgastadas e, no entanto, continua sendo a palavra fundante e mais importante do vocabulário humano; mais importante que a palavra fé. Segundo Mateus, os que se salvam não são aqueles que creram, mas aqueles que amaram (Mt 25). “No entardecer da vida seremos examinados sobre o amor”, dizia S. João da Cruz.

Criados à imagem e semelhança do Deus Amor, trazemos este mesmo amor gravado nas profundezas do nosso ser. Podemos dizer que o selo mais profundo na pessoa é o “selo do amor”. Logo, o que precisamos é ativar esse selo interior do coração que carrega os estigmas do amor. O coração de toda pessoa traz esta tatuagem de amor nas profundezas de seu ser. Mas, é necessário reativá-lo, atualizá-lo... ajudar cada pessoa a configurar-se como tal, pois cada um chega à maturidade de si mesmo quando compreende que, vivendo esse amor, que leva gravado em seu coração, realiza o amor.

O amor evoca energia, atitude, sentimentos positivos, proximidade, solidariedade, compaixão, empatia, amizade, erotismo... O amor tem muitos registros e, por isso, também muitas linguagens que vão configurando atitudes, hábitos do coração: surpresa, louvor, respeito, ação de graças, união, serviço...

O amor não é algo abstrato, uma palavra oca, gasta de tanto ser usada, mas algo pertencente à atitude relacional, à experiência, à comunicação, às atitudes, aos gestos, aos atos e às palavras. Quando o experimentamos, sabemos de seu dinamismo em nossas vidas e direção em nossas condutas. 

O amor em nossa vida, portanto, é um dom e uma missão. Como dom, é fruto da árvore que cresce em nossa natureza como possibilidade que quer ser atualizada (a maçã é a linguagem amorosa da macieira).

Como missão, o amor é aprendizagem, internalização, maturação e crescimento. A arte de amar é o cume de um processo que flui, dando à pessoa uma das características mais essenciais de sua maturidade.

O amor não é uma lei que se impõe de fora, mas uma resposta pessoal Àquele que é em nós. “Um amor que responde a seu amor”. O amor é “mandamento” porque “emana” de dentro, brota da dimensão mais profunda do nosso ser, morada do Deus Amor. Amar é deixar Deus amar em nós. Pois o Deus que vem ao nosso encontro é amor sem medida e não nosso rival; se o cristianismo tem um sentido – viver o amor - este consiste em tornar mais leve o peso da nossa existência.

Textos bíblicos:   Mt. 22,34-40 

 Na oração: Faça uma leitura das “marcas” do Amor de Deus em sua vida; crie um clima de ação de graças.

- Peça a graça de descobrir profundamente o amor em sua vida. Imagine-se com um cantil ou uma lamparina de azeite percorrendo os caminhos de sua vida, de sua biografia. Ilumina-os, desvelando o amor plantado nos rincões de sua existência: no mais profundo e na superfície de sua história. Pessoas, experiências, circunstâncias, gestos ... Olhe o detalhe, mas também o conjunto de sua existência: você está vivo(a); foi e é amado(a), permanentemente.

- Tome consciência que o Senhor, ao lhe criar, colocou em seu peito um coração capaz de amar. Quê você faz com esse amor, semeado em seu interior?

Peça-lhe que sua presença e seu ser lhe permitam amar mais e melhor. Expanda seu coração: você foi feito para amar. Acolha o amor que recebe e no qual acredita, maior do que você possa pensar, e torne-se canal do amor para os outros, para você mesmo, para Deus.


Pe. Adroaldo Palaoro sj

https://centroloyola.org.br/revista/outras-palavras/espiritualidade/2166-no-amor-nada-e-obrigacao-tudo-e-dom

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sábado, 24 de outubro de 2020

CYRO DE MATTOS Vai receber Medalha Zumbi dos Palmares


                  Cyro de Mattos Vai Receber

Medalha Zumbi dos Palmares

 

          O escritor e poeta Cyro de Mattos vai ser distinguido pela Câmara de Vereadores de Salvador com a Medalha Zumbi dos Palmares, em sessão virtual solene que será realizada no próximo dia 3 de novembro, às 19 horas. O projeto de outorga da Medalha Zumbi dos Palmares ao escritor baiano é de autoria do jurista e vereador Edvaldo Brito, que é membro da Academia de Letras da Bahia.


O Homenageado

         Autor premiado, Cyro de Mattos pertence a instituições culturais importantes, e, entre elas, a Academia de Letras da Bahia e o Pen Clube do Brasil. Tem no seu currículo um enorme acervo literário, com cerca de 50 livros publicados, de vários gêneros, além de ser também editado em Portugal, Espanha, França, Itália e Alemanha. Um dos temas de seus livros é o da valorização do negro com a sua cultura e valores, suas tradições e modos de ser na vida, os quais até hoje vêm sendo alvo da injustiça, preconceito e violência.

        Além de contos, poemas e crônicas que tratam das questões do negro em vários de seus livros, de sua obra destacam-se a narrativa Natal das Crianças Negras, em seis idiomas, editada também na Itália pela Editora Aracne, a história infantojuvenil O Menino e o Trio Elétrico, Prêmio da União Brasileira de Escritores (RJ), também publicada em Milão pela Editora Romar, na tradução da poeta Mirella Abriani, assistente cultural da Casa de Verdi, e Poemas de Terreiro e Orixás, das Edições Mazza, casa especializada na publicação de livros com assuntos do negro.


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sexta-feira, 23 de outubro de 2020

O MAL NÃO PREVALECERÁ - Padre David Francisquini

23 de outubro de 2020

Pe. David Francisquini*


Enquanto o Supremo Tribunal Federal revoga a prisão de uma enfermeira acusada de realizar centenas de abortos clandestinos, condena o Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz [foto] que impediu, via judicial, um só aborto.

A enfermeira encontra-se livre por força de liminar concedida pelo relator do caso no STF, Marco Aurélio Melo, por ter um filho portador de transtorno de espectro autista, dependente de seus cuidados. Para o ministro, a prisão que já durava nove meses excedeu o prazo razoável, pois foi presa em flagrante no ano passado, num hotel, em Belo Horizonte, quando se preparava para praticar ali mais um aborto clandestino.

Em sua sentença, o ministro Barroso afirmou que a criminalização do aborto viola os direitos fundamentais das mulheres pobres, já que elas não podem ter acesso às clínicas de luxo… Por sua vez, a ministra Rosa Weber alegou que sendo a sociedade machista, não valoriza e nem reconhece os direitos reprodutivos da mulher… Alexandre de Moraes sentenciou que a soltura da enfermeira para cuidar de um filho menor ressalta que o distanciamento dos fatos a impedirá de atitudes criminosas. (Jornal online: Conexão política, Publicado por Marcos Rocha. Acesso em 17-10-20).

Já o referido caso do Padre Lodi, por ter impedido a realização de um aborto, foi condenado a pagar uma indenização de quase R$ 400 mil por ‘danos morais’ causados aos pais que desejariam abortar o filho. Antes, no Supremo Tribunal de Justiça, a ministra Nancy Andrighi, que se declara católica, na sua sentença afirma que o sacerdote teria abusado de seus direitos ao pedir liminar para que a realização do aborto não fosse levada a cabo.

Enquanto nos é negada a liberdade de ir e vir a propósito da epidemia, de trabalhar, de frequentar a igreja, de impedir que cada qual procure resolver o seu problema de saúde, a magistrada — para condenar o padre — discorre sobre a liberdade que a pessoa tem para proceder um aborto a fim de evitar traumas.


Tal ‘liberdade’, aliás muito particular de se fazer aborto, vem sendo imposta pela agenda esquerdista de todos os naipes ao fornecer os instrumentos legais para o judiciário, sob pretextos diversos, como no caso em pauta, de evitar traumas para a mãe. Contudo, um ponto importante é omitido nessa trama, pois o aborto pode ocasionar traumas ainda maiores como desequilíbrios psíquicos, loucuras, depressões, podendo chegar até mesmo ao suicídio pelo problema de consciência causado, pois está inscrito no coração da mãe a proibição de matar o próprio filho.

O carinho e o afeto maternos são proibidos de ter a sua livre expansão no coração de uma jovem mãe que pede proteção, evitando usar de crueldade. Abusar dessa liberdade é um ato cruel. A Ministra sentenciou que o padre “buscou ao menos por via estatal a imposição de seus conceitos e valores a terceiros, retirando deles a mesma liberdade de ação que vigorosamente defende para si”.

Afirmou ainda que o sacerdote violou a liberdade do casal para fazer prevalecer a sua “posição particular”, tendo pois agredido a honra da família ao denominar a atitude tomada por eles de “assassinato”, além de ter agido de forma temerária ao impor a eles “sentimento inócuo”. A criança a ser abortada, segundo os médicos, não teria condições de sobreviver após o nascimento. O que de fato sucedeu.

Salta aos olhos que a nossa legislação não está sendo feita para favorecer a vida, mas para implantar a cultura da morte. A propósito, levanto algumas questões. Qual a relação entre a interrupção do curso normal de uma criança que virá à luz do mundo com o poder das trevas e o obscurantismo? Já estaríamos na época das trevas? Haveria ainda uma relação entre aborto e drogas, homicídios, amor livre, libertinagem, eutanásia, liberdade dos traficantes?

Esta sentença que caiu sobre o Padre Luiz Lodi é um fato inédito no Brasil, por isso não deixa de ser para os defensores do aborto uma ocasião a ser comemorada. Do ponto de vista judicial, tal medida tem um papel preponderante de inibir a voz da Igreja em questões morais e religiosas, pois ninguém se atreverá a impedir o avanço da agenda pró-aborto, mesmo via judicial, como fez esse zeloso sacerdote.

Pelo que eu saiba, nunca ocorrera na América Latina repercussão tão grave no edifício multissecular do Mandamento da Lei de Deus, ancorado na lei natural, que proíbe matar, principalmente em se tratando de um inocente e indefeso no ventre materno.

Talvez nem todo leitor saiba da existência de entidades que ajudam mulheres entrarem na justiça para receber danos morais reais ou pretensos. Uma delas é o “Fundo Vivas”, que presta auxílio financeiro, por meio de doações a essas mulheres e que tem também como objetivo arrecadar dinheiro para auxiliá-las em situações similares.


Seus dirigentes partem do princípio de que não se pode defender o nascituro, mas sim os que livremente procederam a geração de uma criança, isso acima de qualquer princípio moral e ético. Os responsáveis pelo filho em gestação têm o direito de matá-lo, pois um nascimento indesejado iria atrapalhar suas vidas despreocupadas e indiferentes a Deus. Imaginam eles que a liberdade consiste apenas em gozar a vida e ser feliz.

Para eles, o papel do Estado moderno é fazer leis pelas quais cada indivíduo possa afirmar que ‘na minha vida quem manda sou eu’, e ai de quem discordar, poderá de ser punido! A isso eu dou o nome de ditadura do hedonismo, pois a liberdade é para se fazer o bem, e não o que cada um quiser. Há advogados que afirmam que a interrupção da gravidez é um direito da gestante e opção do casal, do qual se pode fazer uso, sem persecução penal posterior e até mesmo sem a interferência de terceiros.

Fatos como esse, poderão abrir precedentes para qualquer pessoa que queira se utilizar de meios legais para o planejamento e a execução do crime de assassinato da vida intrauterina, pois terão a garantia da impunidade. Isso representa de fato um enorme rompimento na história do cumprimento às Leis de Deus, pois é o homem querendo se sobrepor a Deus!

Com certeza atrairá sobre si e sobre nossa nação terríveis castigos. Vozes como a do Padre Luiz Lodi precisam ser ouvidas e apoiadas. Não é permitido que o mal e o erro triunfem sobre a verdade e a virtude! Aqui poderemos parafrasear David dizendo a Saul que não quis estender a sua mão contra ele, pois queria conservar a sua mão sem mancha, sem nenhuma iniquidade, para não pecar contra o ungido do Senhor, mesmo quando Saul o procurava para matar.

Os abortistas não sossegam, não dão tréguas contra a vida do inocente: dos ímpios sairá a impiedade; as mãos dos abortistas estão carregadas de sangue contra as crianças inocentes, clamando a Deus por vingança.

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*Sacerdote da Igreja do Imaculado Coração de Maria – Cardoso Moreira (RJ).

 

https://www.abim.inf.br/o-mal-nao-prevalecera/

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BOM BRASILEIRO General Augusto Heleno


Para mim, bom brasileiro se une a seus concidadãos, em busca de soluções viáveis para os problemas nacionais. Bom brasileiro analisa os desafios a enfrentar e se dedica a construir pontes para o futuro.

Bom brasileiro não se une a organizações estrangeiras, com interesses explicitamente contrários aos nossos, e cujos objetivos são intervir em assuntos internos do Brasil para tirar enormes proveitos econômicos e nos desqualificar internacionalmente.

Bom brasileiro é o que defende a soberania nacional e acredita que a Amazônia Brasileira nos pertence e cabe a nós explorá-la, de forma sustentável, para o bem da nossa gente.

Bons brasileiros discordam, discutem, ponderam, divergem, mas têm orgulho de saber que, durante séculos, gerações que nos antecederam preservaram nosso território, nossa cultura, nossas incalculáveis riquezas e nossa liberdade. Deu pra entender ou precisa desenhar?

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General Augusto Heleno – General do Exército Brasileiro e Ministro de Estado Chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República. Governo Jair Bolsonaro.


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quinta-feira, 22 de outubro de 2020

CARÊNCIA DE AFETO - Zuenir Ventura


Só espero que não se repita mais o que aconteceu este ano, quando, por causa da pandemia, não pude abraçar meu netos Alice e Eric nos seus aniversários. Beijar, então, nem pensar. Até o parabéns teve que ser cantado com máscara. É fácil imaginar o que foi para um beijoqueiro que, como diz minha mulher, beija até cachorro na rua.

Realmente, afeto para mim se confunde com afago, se traduz em gesto, é tátil. Quando recebo um telefonema ou e-mail de uma amiga ou amigo, a sensação de falta, ou seja, a saudade aumenta. Entendo o que Gilberto Gil disse uma vez — que só sentia saudade das pessoas quando as encontrava. Aliás, vocês se lembram do resultado da pesquisa que Ancelmo publicou? Mais de 80% responderam que o abraço dos parentes e amigos era do que mais sentiam falta. O que talvez vocês não saibam (eu não sabia) é que existe a “síndrome da cabana”, um estresse que pode acometer as pessoas que estão voltando ao trabalho, ao “normal”, depois, por exemplo, de sete meses confinados em casa.

O fenômeno foi descrito pela primeira vez em 1900 nos EUA, referindo-se aos caçadores que no inverno ficavam muito tempo trancados em suas cabanas e que em seguida retomavam o convívio social. Não é uma boa notícia para todos nós que passamos sete meses isolados e sonhando em retornar à velha rotina. Será que vamos sentir falta do confinamento? Acho que não. Embora pessoal e diretamente não tenhamos sido atingidos pela pandemia, é impossível não ser afetado pelo desfile mórbido que aumenta a cada dia. No momento em que escrevo são mais de 150 mil pessoas, que serão mais quando vocês estiverem lendo.

Acaba de sair o livro “A bailarina da morte”, de Lilia Schwarcz e Heloisa Starling, sobre a gripe espanhola, que, entre 1918-19, matou mais do que a Primeira Guerra, cerca de 50 milhões de pessoas no mundo, e, só no Brasil, entre 35 mil e 50 mil. É de imprescindível leitura não só porque é um admirável trabalho de pesquisa sobre o que aconteceu naquele período tão mal estudado como porque mostra que o país teve um século para aprender e aprendeu pouco.

 O Globo, 21/10/2020

 https://www.academia.org.br/artigos/carencia-de-afeto

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Zuenir Ventura - Sétimo ocupante da Cadeira n.º 32 da ABL, eleito no dia 30 de outubro de 2014, na sucessão do Acadêmico Ariano Suassuna, e recebido no dia 6 de março de 2015, pela Acadêmica Cleonice Berardinelli.

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quarta-feira, 21 de outubro de 2020

UMA BONECA LOURA - Ariston Caldas

Uma boneca loura

(Ariston Caldas)

 

            Era véspera de Natal, chegou em frente a uma vitrine e fascinou-se com uma boneca loura em exposição, de olhos verdes, vestido azul celeste, sapatinhos prateados. Se tivesse dinheiro, a compraria para Verinha, a filha mais nova. “Para presente?”, perguntaria a balconista. “Sim, quero o papel mais bonito que você tiver”, responderia ele, entusiasmado, como se estivesse vendo a caixa com a boneca, num papel bonito, cruzada com uma fitinha vermelha, um adesivo em forma de coração. Chegou a sentir a emoção da menina recebendo o presente.

            Enquanto vislumbrava essas coisas, não tirava os olhos da boneca que parecia gente viva, cabelo dourado cheios de reflexos, uma etiqueta com o preço – 40 Reais. Uma dinheirama para ele. Se fosse trapaceiro e estivesse sozinho, a rua deserta, sem nenhuma pessoa passando, poderia, num lance rápido, apanhar a boneca, saindo depois rua afora, a boneca em baixo do braço, a polícia atrás, pessoas gritando: “Ladrão, ladrão!”. Sentiu um calafrio, mudou de pensamento, mas continuou de olho duro para a boneca de cabelo louro em cachos. Em todo caso, havia conseguido o medicamento para a filha, há três dias queimando de febre. Apalpou a caixa do remédio num bolso traseiro da calça. “Doutor Renato é um sujeito humanitário”, pensou. Na mesma vitrine havia um macaquinho peludo, cor-de-chocolate, de olhos miúdos, bem mais barato que a boneca de sapatinhos prateados.

            Que adiantava o preço menor do macaco se ele se encontrava sem um centavo? Além disso, a filha teria preferência indiscutível pela boneca de olhos verdes, nem tinha dúvidas. Assim, se tivesse que apanhar escondido, seria a boneca.

            Olhou para trás, quase assustado, dois soldados de polícia passavam emparelhados, sisudos, calados, lembrou novamente de Verinha ardendo em febre, o remédio no bolso da calça. Saiu apressado. A momento esquecera a boneca, os dois soldados.

            Pela frente, a avenida extensa, iluminada, cheia de vitrinas enfeitadas, árvores de Natal artificiais entremeadas de lâmpadas multicolores, gente passando com sacolas, com pacotes bem-feitos, atados com fitas, certamente levando muitas bonecas louras, macaquinhos marrons mais baratos, de olhos redondos. “Trouxe meu presente?”. Tinha certeza de que Verinha lhe perguntaria assim, quando ele chegasse, sentada num banquinho de madeira, ao lado da cama, embrulhada numa coberta de tacos. “Quando eu ia comprar uma boneca, um grupo de ladrões roubou meu dinheiro”, ele responderia assim, constrangido por mentir e por não haver levado um presente para a filha. Olharia para ela que não iria entender a explicação, tornando-se mais triste, a carinha aureolada pela coberta de tacos. Agora, muita gente passando apressada, buzinas de carros, sinos badalando e a noite cheia de estrelas. A boneca loura continuaria na vitrine? Ou já teria sido vendida? Se não, estaria exposta, de olhos verdes, sapatos prateados. Não tinha nem um tostão, só uma caixa de remédio num bolso da calça. Lembrava do doutor Renato: “Um comprimido pela manhã e outro á noite”. Dois soldados de polícia passando sisudos, um macaquinho peludo bem mais barato, pessoas gritando: “Ladrão, ladrão!”.

            E foi caminhando, ideias difusas chegando e sumindo, arrodeado de sombras, badaladas de sinos anunciando a missa do galo. Aumentou os passos, chegou em casa, bateu na porta assustado. “Como está Verinha? Eu trouxe o remédio”, falou para a mulher, voz meio embargada. “Parece que a febre baixou um pouco. Ela tomou um chá e agora está dormindo”, disse-lhe a mulher ajeitando a popa do cabelo, entrando para o quarto onde a menina se encontrava com febre.


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Ariston Caldas nasceu em Inhambupe, norte da Bahia, em 15 de dezembro de 1923. Ainda menino, veio para o Sul do estado, primeiro Uruçuca, depois Itabuna. Em 1970 se mudou para Salvador onde residiu por 12 anos. Jornalista de profissão, Ariston trabalhou nos jornais A Tarde, Tribuna da Bahia e Jornal da Bahia e fundou o periódico Terra Nossa, da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado da Bahia; em Itabuna foi redator da Folha do Cacau, Tribuna do Cacau, Diário de Itabuna, dentre outros. Foi também diretor da Rádio Jornal.

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terça-feira, 20 de outubro de 2020

GERSON BARACHO, por Antônio Baracho

 


Gerson Baracho

  (In memoriam)

 

As lágrimas silentes

foram-se todas já.

Baixa o silêncio

nessa hora de despedida!

 

Venho de longe

com o olhar nevado

para trazer-te o pranto derradeiro.

 

Não trago flores,

venho sufocado nas lágrimas

que derramaram pelo caminho.

 

Trago-te o meu último beijo

na mística do crente;

revejo aqueles passos taciturnos,

sob o peso imortal da enciclopédia.

 

Além, a mocidade pressurosa,

sugando o mel que brota dos teus lábios.

Retorno a Itapitanga,

onde os teus filhos perpetuam

a tua imagem heroica e permanente,

enaltecendo os teus lindos sonetos.

 

A tua casa,

oh paladino augusto,

lembra o fastígio

de uma Academia!

 

 

Antônio Baracho, Poeta Psicólogo.

Membro da Academia Grapiúna de Letras- AGRAL e do Clube do Poeta Sul da Bahia.

Tel. (73) 98801-1224 / 99102-7937

E-mail: antoniobaracho@hotmail.com

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