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sexta-feira, 4 de setembro de 2020

ITABUNA CENTENÁRIA UM POEMA: A Queimada – Castro Alves

 


A Queimada

Castro Alves


Meu nobre perdigueiro, vem comigo,

Vamos a sós, meu corajoso amigo,

Pelos ermos vagar.

Vamos lá dos gerais, que o vento açoita,

Dos verdes capinais n’agreste moita

A perdiz levantar!...

 

Mas não!... pousa a cabeça em meus joelhos,

Aqui, meu cão! Já de listrões vermelhos,

O céu se iluminou.

Eis súbito da barra do ocidente,

Doido, rubro, veloz, incandescente,

O incêndio que acordou!

 

A floresta rugindo as comas curva...

As asas foscas o gavião recurva,

Espantado a gritar.

O estampido estupendo das queimadas

Se enrola de quebradas em quebradas,

Galopando no ar.

 

E a chama lavra qual jiboia informe

Que no espaço vibrando a cauda enorme

Ferra os dentes no chão...

Nas rubras roscas estortega as matas

Que espadanam o sangue das cascatas

Do roto coração.

 

O incêndio – leão ruivo ensanguentado,

A juba, a crina, atira desgrenhado

Aos pampeiros dos céus!...

Travou-se o pugilato... E o cedro tomba,

Queimando... retorcendo, na hecatomba,

Os braços para Deus.

 

A queimada! A queimada é uma fornalha!

A irara pula: o cascavel chocalha...

Raiva, espuma o tapir!

E às vezes, sobre o cume de um rochedo,

A corça e o tigre – náufragos do medo,

Vão trêmulos se unir!

 

 

Castro Alves (Antônio Frederico), nasceu em Muritiba, BA, em 14 de março de 1847, e faleceu em Salvador, BA, em 6 de julho de 1871. É o patrono da cadeira nª 7 da ABL, por escolha do fundador Valentim Magalhães.


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quinta-feira, 3 de setembro de 2020

OS ESCÂNDALOS NA IGREJA - Guilherme Ribeiro da Silva


Os Escândalos na Igreja

 

Judas traiu, Pedro negou três vezes, Paulo perseguia, o outro roubava nos impostos... 

Cada qual foi encontrado numa condição de vida, foram chamados, conviveram com Jesus e seguiram suas vidas conforme a experiência de Cristo que fizeram.

De lá para cá muitas coisas aconteceram, inúmeros decidiram seguir Jesus, outros se perderam e, não acreditando, voltaram para trás. Outros tantos, mediante suas míseras condições derramaram suas vidas em nome do testemunho cristão.

Então deixa de ser um católico meia boca, que por conta de um escândalo de um padre ou coisa parecida, chama a Igreja de hipócrita. Hipocrisia é esta fé tão rasa que molha estes teus pés de barro que sustentam um corpo frívolo e uma cabeça vazia.

A santidade e plausibilidade da Igreja independe da condição de seus ministros e líderes. Ela é santa porque nasceu de Cristo e por Ele mesmo é guiada em seus pastores, sejam eles santos ou não.

Os escândalos acontecem e por vezes agitam contra a barca da Igreja. Mas não nos esqueçamos que dentro dela está o Cristo e, sua presença não impede as tormentas, sua presença é que traz a calmaria. (cf. Mc 35,41).

Olhemos à história e lá contemplaremos inúmeros momentos dos quais temos vergonha. Dos escândalos, dos excessos, da falta de caráter, etc... Mas, também, ao olhar à história encontraremos exemplos virtuosos, de homens e de mulheres, de leigos e clérigos, que edificaram a Igreja por meio de suas vidas experimentadas no amor de Cristo.

Como diz o Papa Francisco: "Uma árvore que cai faz muito mais barulho que uma floresta que cresce", para a mídia é mais rentável falar dos escândalos do que dos bons atos. Como dizem os antigos: "notícia boa não vende jornal".

O cristão verdadeiro, autêntico e vigoroso não deixa de procurar a justiça e desejar que ela seja feita, mas também não fica preso ao que de ruim acontece. Antes de tudo, o Senhor nos fez seus mensageiros por meio do batismo. Nos fez mensageiros da Boa Nova.

Quanto a condição de cada um de nós, somos vasos de barro e dentro de nós trazemos um tesouro precioso. O tesouro será sempre tesouro Independentemente da fragilidade do barro. "Trazemos, porém, esse tesouro em vasos de barro, para demonstrar que este poder que a tudo excede provém de Deus e não de nós mesmos" (2Cor 4,7).

Que a verdade possa reinar, retirando de nossos olhos o véu da maldade e da hipocrisia. Que Deus nos ajude a viver uma fé firme e convicta, depositando nossa confiança em Jesus que não falha jamais. Em Cristo, o menor de seus irmãos.

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Guilherme Ribeiro da Silva

Poços de Caldas, 25 de agosto de 2020


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quarta-feira, 2 de setembro de 2020

O JULGAMENTO - Merval Pereira


A
o ler que Cristiano Zanin, o advogado do ex-presidente Lula, está cobrando do Supremo Tribunal Federal (STF) uma decisão “o mais breve possível” sobre o habeas-corpus que pede a suspeição do ex-juiz Sérgio Moro nos julgamentos que condenaram Lula, sendo notório que a Segunda Turma está desfalcada do ministro Celso de Mello por questões de saúde, fiquei com a sensação de que o advogado está querendo aproveitar-se da circunstância para conseguir a anulação das condenações.

É sabido que dois ministros da Segunda Turma, Edson Fachin e Carmem Lucia, já votaram a favor de Moro, restando agora apenas mais dois votos, os de Gilmar Mendes e Lewandowski, que já deram indicações do que pensam ao anular um julgamento de anos atrás no processo do Banestado, considerando Moro parcial.

O frequente empate na Segunda Turma tem favorecido os réus, como manda a jurisprudência, e Zanin está disposto a aproveitar essa brecha para, enfim, conseguir anular as condenações de Lula, o que o tornaria novamente ficha-limpa, permitindo que se candidate à presidência em 2022.    

Lembrei-me, então, de uma palestra que o escritor Deonísio da Silva fez num ciclo sobre Guimarães Rosa da Academia Brasileira de Letras (ABL) em 2018, sob o título “O julgamento de Zé Bebelo e a Lava-Jato”, sobre o romance “Grande Sertão, Veredas”. Deonísio Silva compara Lula a Zé Bebelo e Moro a Joca Ramiro:  

“Zé Bebelo está quase derrotado, comanda nove homens e quando seu bando conta com apenas três, Riobaldo, para salvar a vida do ex-chefe e ex-aluno, grita “Joca Ramiro quer este homem vivo”.

Sem saída, Zé Bebelo descarrega a arma no chão antes de ser preso e, quando os inimigos tiram-lhe o punhal, ele diz: “Ou me matam logo, aqui, ou então eu exijo julgamento correto legal”.

Diante de Joca Ramiro imponente, montado em cavalo branco, Zé Bebelo a pé, rasgado e sujo, requer: “Dê respeito, sou seu igual”. Ouve de Joca Ramiro: “se acalme, o senhor está preso”.

É quando toda a jagunçada vai para a Fazenda Sempre-Verde. Zé Bebelo, de mãos amarradas, é conduzido em cima de um cavalo preto, na rabeira da tropa. Relata Deonísio Silva:

“Réu em inusitado julgamento no pátio da Fazenda Sempre-Verde, o jagunço letrado Zé Bebelo, salvo por Riobaldo, seu ex-professor, conduz o próprio julgamento. No insólito tribunal, os juízes são outros cangaceiros, liderados pelo grande chefe Joca Ramiro, todos sob o olhar misterioso de um jagunço que é jagunça: Reinaldo/ Diadorim.

A Lava a Jato pode inspirar outra leitura deste curioso episódio de Grande Sertão: Veredas, em que o sertão é assim definido: “Sertão é onde manda quem é forte, com as astúcias. Deus mesmo, quando vier, que venha armado!” E mais: “onde criminoso vive seu cristo-jesus, arredado do arrocho de autoridade.”

“O Brasil também já foi assim. E agora chegamos à encruzilhada onde tribunais superiores estão decidindo se continuará assim ou se mudará. Fazendo as vezes de um Sérgio Moro do sertão, o jagunço Joca Ramiro, conhecido por sua lealdade e senso de justiça por todos os cangaceiros, tem diante de si um réu audacioso, solerte e a seu modo leal e sagaz.

“Zé Bebelo é um réu que dirige o julgamento, fixa limites de suas penas e traça as condições para cumpri-la: receber montaria, escolta, água e comida na viagem para Goiás, onde promete fixar-se, deixando de combater os ex-companheiros de luta, como vinha fazendo até ali. Mas se consegue obrar todos estes feitos é porque Joca Ramiro é um juiz ainda mais sagaz do que o réu.” E sobrevém o desfecho: Zé Bebelo é libertado sob condições que o próprio réu impõe.”

Julgar o habeas-corpus de Lula sem a Segunda Turma completa, como pretende o advogado Cristiano Zanin, seria uma afronta. O mais provável é que o ministro Gilmar Mendes espere a volta dos trabalhos presenciais, no próximo ano, quando o STF já terá o novo componente da Corte.  A composição final das Turmas pode sofrer alterações, pois o novo ministro, que deveria assumir o lugar de Celso de Mello, pode ser deslocado para a Primeira Turma para não ter que enfrentar um julgamento tão difícil.

O atual presidente do STF, ministro Dias Toffoli, deve ir para a Primeira Turma no lugar de Luis Fux, que assume a presidência em setembro. Haverá uma disputa interna para saber quem será o quinto membro da Segunda Turma.

O Globo, 30/08/2020

 

https://www.academia.org.br/artigos/o-julgamento


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Merval Pereira - Oitavo ocupante da cadeira nº 31 da ABL, eleito em 2 de junho de 2011, na sucessão de Moacyr Scliar, falecido em 27 de fevereiro de 2011, foi recebido em 23 de setembro de 2011, pelo Acadêmico Eduardo Portella.

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terça-feira, 1 de setembro de 2020

MÚSICA ERUDITA - Antonio Baracho


H
á poucos dias um jovem esteve de passagem na minha residência. Convidei que sentasse enquanto aguardava o amigo que mora no andar superior.

Naquele momento, estava ouvindo o gorjeio de alguns jacus, que no final da tarde estavam se abrigando na árvore defronte. Comentei que era sempre assim: as aves chegavam, inclusive os bem-te-vis, proporcionando aquele fenômeno que só existia nas matas ou fazendas de cacau.

O jovem retrucou colocando a mão no ouvido, alegando que aquele barulho se tornava incômodo. Então observei que o cidadão ainda não tinha desenvolvido a sua sensibilidade para aproveitar aqueles momentos.

O perfil da música erudita ou clássica também não pode ser considerada chata mas pode chatear-nos se os nossos ouvidos não estiverem acostumados a ouvi-los, se o gosto e a percepção pela mesma não foram desenvolvidos em nós.

Devo o gosto pela música clássica ao meu saudoso irmão Miguel Raimundo. Portanto, a minha cultura musical teve a sua influência. Foi um homem de grandes virtudes musicais. Tocava divinamente acordeão e participou do conjunto musical "Voluntários do Ritmo", formado por jovens da sua época.

Quando o meu irmão vinha passar as férias em Ilhéus era motivo de "festa" esperado pelos amigos. Assisti vários concertos sinfônicos na Capital e ouvíamos muitos autores da música clássica na nossa residência.

A música clássica é a mais pura expressão da alma e a mais pura arte, onde nela o compositor ultrapassa os limites da linguagem falada e passa a exprimir sentimentos, situações, acontecimentos e emoções alegres ou tristes, falando da vida ou da morte, da influência de um ser superior, elevando a Deus nosso espírito de forma transcendental e se nos apresenta de maneira tal que nos eleva a uma reflexão introspectiva, e pode nos exprimir saudades, amor, solidão, melancolia e ternura.


O temperamento e o amadurecimento do compositor identificam-se com a composição, a exemplo do húngaro Franz Liszt com a virtuose do piano, seu talento e criatividade.

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Antônio Baracho, poeta e psicólogo, membro da Academia Grapiúna de Letras-AGRAL e do Clube do Poeta Sul da Bahia.

E-mail: antoniobaracho@hotmail.com

Cel. 73 99102 7937


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segunda-feira, 31 de agosto de 2020

O MESTRE KLEBER MOREIRA - José Sarney



Meu companheiro do jornal O Imparcial e meu professor na Faculdade de Direito, Fernando Perdigão, grande talento e advogado, disse-me um dia que envelhecer era chegar ao cemitério, percorrer as alamedas, ler as lápides e verificar que quase todos os nomes que ali repousam foram contemporâneos, amigos ou conhecidos na paisagem da cidade.

Jorge Amado disse-me que, ao encontrar-se com Pablo Neruda, futuro Prêmio Nobel de Literatura, seu amigo do tempo de exílio, começou a perguntar por amigos da vida inteira e ouviu como resposta: “Jorge, não me perguntes por ninguém. Todos já morreram.”

Este é um dos desgostos de envelhecer: o sofrimento da perda dos amigos, pesando mais aqueles que nos foram mais próximos, de maior convivência. E eu disse, num dos 122 livros que escrevi, que “a palavra felicidade tem como sinônimo a infância”, quando começam as grandes amizades, que são a melhor coisa da vida. Dentro dela estão o amor, a ternura, a estima, a solidariedade, o gosto da convivência, o perdão e a fé. Daí o provérbio universal “quem tem um amigo tem duas almas”.

Estou na fase dolorosa e sofrida de constantemente sentir escorrerem lágrimas e chorar com a garganta pela perda de velhos amigos.

Foi com a alma em frangalhos que acompanhei a morte de Kleber Moreira. Só um ano a mais me separava dele, mas me amarravam a irmandade da alma desde os tempos do ginasial, passando pela política estudantil, pelas rusgas afetuosas que só faziam consolidar esse relacionamento. Gostava de contar histórias e conhecia como ninguém as pessoas e a vida cotidiana do Maranhão. Ultimamente vivíamos horas e horas revisando histórias passadas.

As marcas maiores de sua personalidade eram o seu caráter, a sua correção, a sua franqueza, a sua obsessão pela precisão dos detalhes e pela integridade dos episódios.

Culto, estudioso, detalhista, conhecia como ninguém a ciência do direito, a jurisprudência e a missão do advogado. Não conhecia o lado da exaltação nem o da chicana. Seguia os ensinamentos de Rui Barbosa sobre a conduta profissional: “Não fazer da banca balcão ou da ciência mercatura. Não ser baixo com os grandes, nem arrogante com os miseráveis.” Ganhou prestígio, respeito de sua classe, reverência da sociedade e era considerado um dos grandes advogados do Brasil.

Junto em minha dor a da perda de tantos outros amigos, Milson Coutinho, grande historiador, extraordinária figura humana; Sálvio Dino, companheiro de tantas lutas; José Maria Cabral Marques, um dos maiores educadores do Maranhão, meu colaborador e construtor da equipe do Maranhão Novo; e Waldemiro Viana, intelectual consagrado, confrade ilustre e filho do grande poeta Fernando Viana.

A todas as famílias a minha solidariedade neste momento de tristeza.

E que Kleber Moreira leve para a eternidade a certeza de minha eterna saudade e da falta que ele vai fazer com sua sabedoria, seus conselhos e seus exemplos. Com tantos talentos perdidos o Maranhão está menor, deixando no mármore da imortalidade aqueles que constroem nossa glória extraordinária figura humana; Sálvio Dino, companheiro de tantas lutas; José Maria Cabral Marques, um dos maiores educadores do Maranhão, meu colaborador e construtor da equipe do Maranhão Novo; e Waldemiro Viana, intelectual consagrado, confrade ilustre e filho do grande poeta Fernando Viana.

 

O Estado do Maranhão, 29/08/2020

 

https://www.academia.org.br/artigos/o-mestre-kleber-moreira

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José Sarney
- Sexto ocupante da Cadeira nº 38 da ABL, eleito em 17 de julho de 1980, na sucessão de José Américo de Almeida e recebido em 6 de novembro de 1980 pelo Acadêmico Josué Montello. Recebeu os Acadêmicos Marcos Vinicios Vilaça e Affonso Arinos de Mello Franco.

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domingo, 30 de agosto de 2020

DO CENTRO DE EPIDEMIOLOGIA DE MILÃO



Para esta pandemia, há uma probabilidade maior de sobrevivência para aqueles que serão infectados 5 meses depois, como em agosto de 2020, do que para aqueles que foram infectados 5 meses antes, digamos em fevereiro de 2020.

A razão para isso é que médicos e cientistas sabem muito mais sobre COVID-19 agora do que 5 meses atrás e, portanto, são capazes de tratar melhor os pacientes.

 Vou listar 5 aspectos importantes que sabemos agora e que não conhecíamos em fevereiro de 2020:

1. O COVID-19 foi inicialmente pensado   como causador de mortes por pneumonia - uma infecção pulmonar - e assim os ventiladores foram considerados a melhor maneira de tratar pacientes doentes que não podiam respirar.

Agora sabemos que o vírus causa coágulos sanguíneos nos vasos sanguíneos dos pulmões e outras partes do corpo, o que provoca oxigenação reduzida.

 Agora sabemos que simplesmente fornecer oxigênio por meio de ventiladores não vai ajudar, mas temos que prevenir e dissolver micro coágulos nos pulmões.

É por isso que estamos usando medicamentos como Aspirina e Heparina (anticoagulantes) como um protocolo nos regimes de tratamento a partir de julho de 2020. 

 

 2. Anteriormente, os pacientes caíam mortos na rua ou mesmo antes de chegarem ao hospital devido a redução do oxigênio no sangue - SATURAÇÃO DE OXIGÊNIO.

Isso aconteceu pelo que é conhecido como HAPPY HYPOXIA, onde embora a saturação de oxigênio fosse gradualmente reduzida, os pacientes com COVID-19 não apresentavam sintomas até que estivessem criticamente reduzidos, como às vezes em até 70%.

Geralmente ficamos sem fôlego se a saturação de oxigênio cair abaixo de 90%..

Essa falta de ar não é desencadeada em pacientes COVID e é por isso que trouxemos pacientes doentes aos hospitais no final de fevereiro de 2020.

Agora, sabendo o sintoma da Covid-19 que é a hipóxia feliz ou hipóxia silenciosa, recomendamos monitorar a saturação de oxigênio das pessoas, com um oxímetro de pulso simples para uso doméstico e levá-las ao hospital se a saturação de oxigênio cair para 93% ou  Menos.  Isso está dando aos médicos mais tempo para corrigir a deficiência de oxigênio no sangue e uma melhor chance de sobrevivência agora em agosto de 2020.

 

3. Não tínhamos medicamentos para combater o coronavírus em fevereiro de 2020. Tratamos apenas complicações causadas por hipóxia.  Portanto, a maioria dos pacientes ficou seriamente infectada.

 Agora temos 2 medicamentos importantes FAVIPIRAVIR E REMDESIVIR , que são ANTIVIRAIS que podem matar o coronavírus.

Usando esses dois medicamentos, podemos evitar que os pacientes se infectem seriamente e, portanto, curá-los ANTES DE IR PARA HIPÓXIA.  Tivemos esse conhecimento em agosto de 2020 ... não em fevereiro de 2020.

 

4. Muitos pacientes com COVID-19 morrem não apenas por causa do vírus, mas também pela resposta do próprio sistema imunológico dos pacientes, de uma forma exagerada chamada de TEMPESTADE DE CITOCINA.  Essa violenta tempestade da resposta imunológica não apenas mata o vírus, mas também mata pacientes.  Em fevereiro de 2020 não sabíamos como evitar que isso acontecesse.  Agora, em agosto de 2020, sabemos que os medicamentos facilmente disponíveis chamados esteroides, que médicos em todo o mundo vêm usando há quase 80 anos, podem ser usados ​​para prevenir a tempestade de citocinas em alguns pacientes.

 

 5. Agora também sabemos que as pessoas com hipóxia melhoram apenas fazendo com que deitem de bruços, o que é conhecido como posição prona.  Além disso, alguns dias atrás, cientistas israelenses descobriram que uma substância química conhecida como Alpha Defensin, produzida pelos glóbulos brancos, pode causar micro coágulos nos vasos sanguíneos dos pulmões e isso poderia ser prevenido por um medicamento chamado Colchicina, usado por muitas décadas no tratamento da gota.


 Portanto, agora sabemos, com certeza, que os pacientes têm uma chance melhor de sobreviver à infecção por COVID-19 em agosto de 2020 do que em fevereiro de 2020.

Continue tomando precauções.

Saia apenas para o essencial!

Não há festa, chá de bebê ou formatura do jardim de infância essencial!

Vamos parar de ser superficiais!

É melhor estar infectado daqui a mais 6 meses do que agora. Vamos dar tempo à ciência para nos ajudar e aos sistemas de saúde a descongestionar!

Atualmente também é necessário analisar a Saturação Hospitalar e o desgaste físico e mental do Pessoal de Saúde

 (Informações do bate-papo de especialistas do COVID-19) Dr. Román Barroso.


 Lembrar:

 1. O SARS COV2 só pode entrar em seu corpo e infectá-lo através das membranas mucosas de seus OLHOS e do TRATO RESPIRATÓRIO

 2. O SARS COV2 NÃO penetra pela pele.

 Andar por aí com roupas de biossegurança e LUVAS é ABSURDO!

 (exceto se você trabalhar na unidade de pacientes críticos do hospital)

 3. SARS COV2 tem um tamanho de efeito aerodinâmico minúsculo, NÃO SE AGARRA nas roupas.

Teríamos que nos mover em alta velocidade para que isso acontecesse.

 4. O SARS COV2 não infecta veículos, nem seus pneus.  Ninguém inala ou lambe os pneus de um carro ou a estrutura externa.

 NÃO FAZ SENTIDO PULVERIZAR DESINFETANTE em veículos!

5. No chão e na rua pode ter coronavírus sim. Mas se, nos nossos sapatos eles grudarem e se, também, forem em quantidade suficiente para infectar, (teoricamente se lambermos a sola dos nossos sapatos) será  EXTREMAMENTE MELHOR.

 6. Os túneis de desinfecção são perigosos.  Nenhum desinfetante projetado para superfícies inertes deve ser usado na pele humana


 7. Muito importante:

 SIM Faz sentido usar máscara (para evitar espirar, tossir partículas com o coronavírus).

 SIM Faz sentido lavar muito bem as mãos constantemente e usar álcool gel.

 SIM Faz sentido manter distância entre as pessoas.



(Recebi via Whats)

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PALAVRA DA SALVAÇÃO (199)



22º Domingo do Tempo Comum – 30/08/2020


Anúncio do Evangelho (Mt 16,21-27)

— O Senhor esteja convosco.

— Ele está no meio de nós!

— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.

— Glória a vós, Senhor!

Naquele tempo, Jesus começou a mostrar a seus discípulos que devia ir a Jerusalém e sofrer muito da parte dos anciãos, dos sumos sacerdotes e dos mestres da Lei, e que devia ser morto e ressuscitar no terceiro dia. Então Pedro tomou Jesus à parte e começou a repreendê-lo, dizendo: “Deus não permita tal coisa, Senhor! Que isso nunca te aconteça!”

Jesus, porém, voltou-se para Pedro e disse: “Vai para longe, Satanás! Tu és para mim uma pedra de tropeço, porque não pensas as coisas de Deus, mas sim as coisas dos homens!”

Então Jesus disse aos discípulos: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga. Pois, quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la; e quem perder a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la.  De fato, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, mas perder a sua vida? O que poderá alguém dar em troca de sua vida? Porque o Filho do Homem virá na glória do seu Pai, com os seus anjos, e então retribuirá a cada um de acordo com sua conduta”.

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.

https://liturgia.cancaonova.com/pb/

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Ligue o vídeo abaixo e acompanhe e reflexão do Padre Roger Araújo:



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Na vida de Jesus, a cruz revela seu destino




“O que poderá alguém dar em troca de sua vida?” (Mt 16,26)

 

O evangelho deste domingo é continuação daquele do domingo passado; também hoje, Jesus e seus discípulos se encontram em Cesareia de Filipe, fora do território da Palestina. O que Mateus relata da boca de Jesus, nem sequer é aceitável para os seus seguidores. Jesus tinha acabado de felicitar a Pedro por expressar pensamentos divinos. Agora o critica duramente por pensar como os homens. A diferença é enorme e só umas linhas de distância, no mesmo evangelho.

Como Pedro, também nós, seguidores(as) de Jesus, ficamos escandalizados com a cruz. Nenhum de nós teria escolhido para Jesus esse caminho. Onde fica a imagem do Messias vitorioso, Senhor ou Filho de Deus?

Apesar das palavras de Pedro, no domingo passado, sua atitude diante do anúncio da paixão e morte de Jesus demonstra que, nem ele e nem os outros discípulos, entenderam o que significava a pessoa e a missão do Mestre de Nazaré. Queriam segui-lo, mas sem as consequências do seguimento.

Para compreender Jesus, é preciso deixar de pensar como os homens e começar a pensar como Deus; é deixar de ajustar-nos a este mundo e entrar em sintonia com o modo original de ser e de viver do próprio Jesus; é transformar-nos pela renovação da mente e abertura do coração. Para aceitar a mensagem de Jesus, temos de mudar radicalmente nossa imagem de Deus. 

Quê significado tem para nós, hoje, a morte de Jesus na Cruz? Não é fácil entrar na dinâmica da Cruz. Mas, por outra parte, é impossível compreender a mensagem de Jesus sem compreender a Cruz. Ela é expressão de uma vida doada; por isso se converteu no “sinal chave de nosso seguimento”.

A vida é constantemente chamada a ser Páscoa. Porque, só na vitória da vida entregue, ela ganha sentido, avança, como uma torrente que rega terras secas, ávidas de água, como um fogo que, na noite mais escura, traz uma luz que permite vislumbrar a vida oculta.

A vida é movimento e, portanto, energia expansiva. Podemos consumi-la em benefício do ego (falso eu) e então vem o fracasso. Podemos re-orientá-la em benefício dos outros e da causa do Reino; e então, consumá-la, dando-lhe plenitude. Pois, só uma vida consumada faz fecunda a morte.

Alguém já teve a ousadia de afirmar que a morte é mais universal que a vida; todos morrem, mas nem todos sabem viver, porque incapazes de re-inventar a vida no seu cotidiano. Por isso, viver é uma arte; é necessário re-criar a vida no dia-a-dia, carregá-la de sentido.

A morte do falso eu é a condição para que a verdadeira vida se libere. O “depois da vida” é um grande encontro onde seremos perguntados: “o quanto você viveu sua vida?” 

De fato, aqueles que mais desfrutam da vida são os que deixam a segurança do conhecido e se dedicam apaixonadamente à missão de comunicar vida aos outros. Ter apego à própria vida é destruir-se; entregar a vida por amor não é frustrá-la, mas levá-la à sua completude. Aqui há uma inversão na lógica natural das coisas; ganha-se quando perde, vive-se quando morre, multiplica-se quando divide.

Estranhas atitudes estas que Jesus propõe, tão contrárias em uma cultura como a nossa que nos apresenta a apropriação e a acumulação como meta da existência. Ele, imperturbável, apresenta sua alternativa: perder, vender, dar, deixar, não armazenar, não reter avidamente, desapropriar-se, esvaziar-se, partilhar...

Perder-ganhar, morrer-viver, entregar-reter, doar-receber..., parecem dimensões ou realidades contraditórias, mas captar a profundidade da verdade contida nesta “contradição aparente” é descobrir o Evangelho.

“Morrer”, “perder”, “entregar”, “renunciar”... é este instante de ruptura, onde toda uma vida incubada, trabalhada no silêncio e no sofrimento, marcada de alegrias e tristezas, vitórias e fracassos, desponta luminosa para a vida eterna. Pois vida é um contínuo despedir-se e partir; ela nos desaloja de nossos “lugares estreitos” e nos faz caminhar em direção a novos horizontes.

A vida aumenta quando compartilha e se atrofia quando permanece no isolamento e na comodidade. 

A morte do falso eu é a condição para que a verdadeira Vida se liberte. É preciso passar pela morte do que é terreno, caduco, transitório (aderências afetivas, apegos desordenados...) para deixar emergir a vida interior, a vida divina, a vida de Deus em nós.

O essencial não é encontrar um caminho para alcançar a imortalidade, mas aprender a “morrer em Cristo”.

Como Jesus encarou a Cruz? Ele não buscou a cruz pela cruz. Buscou a fidelidade à sua missão que consistia em evitar a proliferação de cruzes, para si mesmo e para os outros. Pregou e viveu o amor e revelou as condições necessárias para que esse amor se tornasse realidade nas relações entre as pessoas.

Jesus anunciou a boa nova da Vida e do Amor e se entregou por ela. Quem ama e serve não cria cruzes para os outros; é o egocentrismo e a maldade que geram cruzes.

A realidade, dividida e conflituosa, se fechou à proposta de Vida apresentada por Jesus, impondo-lhe cruzes em seu caminho e finalmente O levantou no madeiro da Cruz.

Nela mesma, a cruz é aquilo que limita a vida (as cruzes da vida), que nos faz sofrer e dificulta nosso caminhar, por causa da má vontade humana (carregar a cruz de cada dia); ela é a corporificação do ódio, da violência e da exclusão humana. Mas Jesus continuou amando, apesar do ódio; continuou investindo sua vida a serviço da vida, apesar da cultura de morte na qual se encontrava. Assumiu a cruz em sinal de fidelidade para com o Pai e para com os seres humanos. Por isso, na vida de Jesus a Cruz é salvífica.

Nesse sentido, a cruz de Jesus não é um “peso morto”; ela tem sentido porque é conseqüência de uma opção radical em favor do Reino. A Cruz não significa passividade e resignação; ela nasce de sua vida plena e transbordante; ela resume, concentra, radicaliza, condensa o significado de uma vida vivida por Jesus na fidelidade ao Pai. que quer que todos vivam intensamente.

“Renunciar a si mesmo” e “carregar a sua cruz”, é entrar em sintonia e comunhão com Jesus, assumindo, com seu mesmo espírito, os sofrimentos que se seguem a uma adesão concreta e responsável à sua pessoa e à sua causa. É este seguimento fiel que nos introduz na cruz genuína d’Aquele que foi fiel até o fim.

A partir desta atitude de seguimento precisamos entender esse “renunciar a si mesmo” que Jesus pede ao discípulo. “Renunciar a si mesmo” não significa mortificar-se, castigar-se a si mesmo e, menos ainda, anular-se ou autodestruir-se. Nunca se deve confundir a cruz com atuações masoquistas, nunca alimentadas por Jesus. “Renunciar a si mesmo” é descentrar-se, sair de seus próprios interesses, para fixar a existência na pessoa de Jesus, a quem deseja seguir. É libertar-se de si mesmo para aderir radicalmente a Ele.

A mortificação tem um lugar importante na vida de quem segue a Jesus. Não qualquer mortificação, mas aquela que vai libertando a pessoa de seu egocentrismo, de sua comodidade ou de sua covardia para seguir mais fielmente a Ele. Buscar sofrimento para “agradar a Deus” não tem sentido; é tortura inútil, que alimenta nosso “ego” e nos afunda numa espiritualidade doentia.

A cruz tem sentido quando é consequência de uma opção autêntica de vida em favor da vida: por exemplo, quando sofremos por levar adiante uma causa justa, por defender as pessoas que são vítimas das estruturas sociais, políticas e econômicas injustas, por as-sumir a radicalidade na vivência do amor, lutando contra toda expressão de ódio, preconceito, intolerância..., por evitar o mal e denunciar uma injustiça, etc.

A cruz salva quando aponta para a vida. 

Texto bíblico:  Mt 16,21-27 

Na oração: - “Fazer memória” de tantas mulheres e homens que se associaram à Cruz de Jesus, na solidariedade com os pobres, na fidelidade à vida evangélica, na descida aos porões das contradições sociais e políticas, às realidades inóspitas, aos ter-renos contaminados e difíceis, às periferias insalubres, onde os excluídos deste mundo lutam por sobreviver. Ali se encontraram com o Crucificado, o “Justo e Santo”, identificado com os crucificados da história.

- Recordar as cruzes que apareceram na sua vida por causa da fidelidade ao Evangelho.


Pe. Adroaldo Palaoro sj

https://centroloyola.org.br/revista/outras-palavras/espiritualidade/2126-na-vida-de-jesus-a-cruz-revela-seu-destino

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