Castro Alves (Antônio Frederico), nasceu em Muritiba, BA, em
14 de março de 1847, e faleceu em Salvador, BA, em 6 de julho de 1871. É o
patrono da cadeira nª 7 da ABL, por escolha do fundador Valentim Magalhães.
Judas traiu, Pedro negou três vezes, Paulo perseguia, o
outro roubava nos impostos...
Cada qual foi encontrado numa condição de vida,
foram chamados, conviveram com Jesus e seguiram suas vidas conforme a
experiência de Cristo que fizeram.
De lá para cá muitas coisas aconteceram, inúmeros decidiram
seguir Jesus, outros se perderam e, não acreditando, voltaram para trás. Outros
tantos, mediante suas míseras condições derramaram suas vidas em nome do
testemunho cristão.
Então deixa de ser um católico meia boca, que por conta de
um escândalo de um padre ou coisa parecida, chama a Igreja de hipócrita.
Hipocrisia é esta fé tão rasa que molha estes teus pés de barro que sustentam
um corpo frívolo e uma cabeça vazia.
A santidade e plausibilidade da Igreja independe da condição
de seus ministros e líderes. Ela é santa porque nasceu de Cristo e por Ele
mesmo é guiada em seus pastores, sejam eles santos ou não.
Os escândalos acontecem e por vezes agitam contra a barca da
Igreja. Mas não nos esqueçamos que dentro dela está o Cristo e, sua presença
não impede as tormentas, sua presença é que traz a calmaria. (cf. Mc 35,41).
Olhemos à história e lá contemplaremos inúmeros momentos dos
quais temos vergonha. Dos escândalos, dos excessos, da falta de caráter, etc...
Mas, também, ao olhar à história encontraremos exemplos virtuosos, de homens e
de mulheres, de leigos e clérigos, que edificaram a Igreja por meio de suas
vidas experimentadas no amor de Cristo.
Como diz o Papa Francisco: "Uma árvore que cai faz
muito mais barulho que uma floresta que cresce", para a mídia é mais
rentável falar dos escândalos do que dos bons atos. Como dizem os antigos:
"notícia boa não vende jornal".
O cristão verdadeiro, autêntico e vigoroso não deixa de
procurar a justiça e desejar que ela seja feita, mas também não fica preso ao
que de ruim acontece. Antes de tudo, o Senhor nos fez seus mensageiros por meio
do batismo. Nos fez mensageiros da Boa Nova.
Quanto a condição de cada um de nós, somos vasos de barro e
dentro de nós trazemos um tesouro precioso. O tesouro será sempre tesouro
Independentemente da fragilidade do barro. "Trazemos, porém, esse tesouro
em vasos de barro, para demonstrar que este poder que a tudo excede provém de
Deus e não de nós mesmos" (2Cor 4,7).
Que a verdade possa reinar, retirando de nossos olhos o véu
da maldade e da hipocrisia. Que Deus nos ajude a viver uma fé firme e convicta,
depositando nossa confiança em Jesus que não falha jamais. Em Cristo, o menor
de seus irmãos.
Ao ler que Cristiano Zanin, o advogado do ex-presidente
Lula, está cobrando do Supremo Tribunal Federal (STF) uma decisão “o mais breve
possível” sobre o habeas-corpus que pede a suspeição do ex-juiz Sérgio Moro nos
julgamentos que condenaram Lula, sendo notório que a Segunda Turma está
desfalcada do ministro Celso de Mello por questões de saúde, fiquei com a
sensação de que o advogado está querendo aproveitar-se da circunstância para
conseguir a anulação das condenações.
É sabido que dois ministros da Segunda Turma, Edson Fachin e
Carmem Lucia, já votaram a favor de Moro, restando agora apenas mais dois
votos, os de Gilmar Mendes e Lewandowski, que já deram indicações do que pensam
ao anular um julgamento de anos atrás no processo do Banestado, considerando
Moro parcial.
O frequente empate na Segunda Turma tem favorecido os réus,
como manda a jurisprudência, e Zanin está disposto a aproveitar essa brecha
para, enfim, conseguir anular as condenações de Lula, o que o tornaria
novamente ficha-limpa, permitindo que se candidate à presidência em
2022.
Lembrei-me, então, de uma palestra que o escritor Deonísio
da Silva fez num ciclo sobre Guimarães Rosa da Academia Brasileira de Letras
(ABL) em 2018, sob o título “O julgamento de Zé Bebelo e a Lava-Jato”, sobre o
romance “Grande Sertão, Veredas”. Deonísio Silva compara Lula a Zé Bebelo e
Moro a Joca Ramiro:
“Zé Bebelo está quase derrotado, comanda nove homens e
quando seu bando conta com apenas três, Riobaldo, para salvar a vida do
ex-chefe e ex-aluno, grita “Joca Ramiro quer este homem vivo”.
Sem saída, Zé Bebelo descarrega a arma no chão antes de ser
preso e, quando os inimigos tiram-lhe o punhal, ele diz: “Ou me matam logo,
aqui, ou então eu exijo julgamento correto legal”.
Diante de Joca Ramiro imponente, montado em cavalo branco,
Zé Bebelo a pé, rasgado e sujo, requer: “Dê respeito, sou seu igual”. Ouve de
Joca Ramiro: “se acalme, o senhor está preso”.
É quando toda a jagunçada vai para a Fazenda Sempre-Verde.
Zé Bebelo, de mãos amarradas, é conduzido em cima de um cavalo preto, na
rabeira da tropa. Relata Deonísio Silva:
“Réu em inusitado julgamento no pátio da Fazenda
Sempre-Verde, o jagunço letrado Zé Bebelo, salvo por Riobaldo, seu
ex-professor, conduz o próprio julgamento. No insólito tribunal, os juízes são
outros cangaceiros, liderados pelo grande chefe Joca Ramiro, todos sob o olhar
misterioso de um jagunço que é jagunça: Reinaldo/ Diadorim.
A Lava a Jato pode inspirar outra leitura deste curioso
episódio de Grande Sertão: Veredas, em que o sertão é assim definido: “Sertão é
onde manda quem é forte, com as astúcias. Deus mesmo, quando vier, que venha
armado!” E mais: “onde criminoso vive seu cristo-jesus, arredado do arrocho de
autoridade.”
“O Brasil também já foi assim. E agora chegamos à
encruzilhada onde tribunais superiores estão decidindo se continuará assim ou
se mudará. Fazendo as vezes de um Sérgio Moro do sertão, o jagunço Joca Ramiro,
conhecido por sua lealdade e senso de justiça por todos os cangaceiros, tem
diante de si um réu audacioso, solerte e a seu modo leal e sagaz.
“Zé Bebelo é um réu que dirige o julgamento, fixa limites de
suas penas e traça as condições para cumpri-la: receber montaria, escolta, água
e comida na viagem para Goiás, onde promete fixar-se, deixando de combater os
ex-companheiros de luta, como vinha fazendo até ali. Mas se consegue obrar
todos estes feitos é porque Joca Ramiro é um juiz ainda mais sagaz do que o réu.”
E sobrevém o desfecho: Zé Bebelo é libertado sob condições que o próprio réu
impõe.”
Julgar o habeas-corpus de Lula sem a Segunda Turma completa,
como pretende o advogado Cristiano Zanin, seria uma afronta. O mais provável é
que o ministro Gilmar Mendes espere a volta dos trabalhos presenciais, no
próximo ano, quando o STF já terá o novo componente da Corte. A
composição final das Turmas pode sofrer alterações, pois o novo ministro, que
deveria assumir o lugar de Celso de Mello, pode ser deslocado para a Primeira
Turma para não ter que enfrentar um julgamento tão difícil.
O atual presidente do STF, ministro Dias Toffoli, deve ir
para a Primeira Turma no lugar de Luis Fux, que assume a presidência em
setembro. Haverá uma disputa interna para saber quem será o quinto membro da
Segunda Turma.
Merval Pereira - Oitavo ocupante da cadeira nº 31 da ABL,
eleito em 2 de junho de 2011, na sucessão de Moacyr Scliar, falecido em 27 de
fevereiro de 2011, foi recebido em 23 de setembro de 2011, pelo Acadêmico
Eduardo Portella.
Há poucos dias um jovem esteve de passagem na minha
residência. Convidei que sentasse enquanto aguardava o amigo que mora no andar
superior.
Naquele momento, estava ouvindo o gorjeio de alguns jacus,
que no final da tarde estavam se abrigando na árvore defronte. Comentei que era
sempre assim: as aves chegavam, inclusive os bem-te-vis, proporcionando aquele
fenômeno que só existia nas matas ou fazendas de cacau.
O jovem retrucou colocando a mão no ouvido, alegando que
aquele barulho se tornava incômodo. Então observei que o cidadão ainda não
tinha desenvolvido a sua sensibilidade para aproveitar aqueles momentos.
O perfil da música erudita ou clássica também não pode ser
considerada chata mas pode chatear-nos se os nossos ouvidos não estiverem
acostumados a ouvi-los, se o gosto e a percepção pela mesma não foram
desenvolvidos em nós.
Devo o gosto pela música clássica ao meu saudoso irmão
Miguel Raimundo. Portanto, a minha cultura musical teve a sua influência. Foi
um homem de grandes virtudes musicais. Tocava divinamente acordeão e participou
do conjunto musical "Voluntários do Ritmo", formado por jovens da sua
época.
Quando o meu irmão vinha passar as férias em Ilhéus era
motivo de "festa" esperado pelos amigos. Assisti vários concertos
sinfônicos na Capital e ouvíamos muitos autores da música clássica na nossa
residência.
A música clássica é a mais pura expressão da alma e a mais
pura arte, onde nela o compositor ultrapassa os limites da linguagem falada e
passa a exprimir sentimentos, situações, acontecimentos e emoções alegres ou
tristes, falando da vida ou da morte, da influência de um ser superior,
elevando a Deus nosso espírito de forma transcendental e se nos apresenta de
maneira tal que nos eleva a uma reflexão introspectiva, e pode nos exprimir
saudades, amor, solidão, melancolia e ternura.
O temperamento e o amadurecimento do compositor
identificam-se com a composição, a exemplo do húngaro Franz Liszt com a
virtuose do piano, seu talento e criatividade.
............
Antônio Baracho, poeta e psicólogo, membro da Academia
Grapiúna de Letras-AGRAL e do Clube do Poeta Sul da Bahia.
Meu companheiro do jornal O Imparcial e meu
professor na Faculdade de Direito, Fernando Perdigão, grande talento e
advogado, disse-me um dia que envelhecer era chegar ao cemitério, percorrer as
alamedas, ler as lápides e verificar que quase todos os nomes que ali repousam
foram contemporâneos, amigos ou conhecidos na paisagem da cidade.
Jorge Amado disse-me que, ao encontrar-se com Pablo Neruda,
futuro Prêmio Nobel de Literatura, seu amigo do tempo de exílio, começou a
perguntar por amigos da vida inteira e ouviu como resposta: “Jorge, não me perguntes
por ninguém. Todos já morreram.”
Este é um dos desgostos de envelhecer: o sofrimento da perda
dos amigos, pesando mais aqueles que nos foram mais próximos, de maior
convivência. E eu disse, num dos 122 livros que escrevi, que “a palavra
felicidade tem como sinônimo a infância”, quando começam as grandes amizades,
que são a melhor coisa da vida. Dentro dela estão o amor, a ternura, a estima,
a solidariedade, o gosto da convivência, o perdão e a fé. Daí o provérbio
universal “quem tem um amigo tem duas almas”.
Estou na fase dolorosa e sofrida de constantemente sentir
escorrerem lágrimas e chorar com a garganta pela perda de velhos amigos.
Foi com a alma em frangalhos que acompanhei a morte de
Kleber Moreira. Só um ano a mais me separava dele, mas me amarravam a irmandade
da alma desde os tempos do ginasial, passando pela política estudantil, pelas
rusgas afetuosas que só faziam consolidar esse relacionamento. Gostava de
contar histórias e conhecia como ninguém as pessoas e a vida cotidiana do Maranhão.
Ultimamente vivíamos horas e horas revisando histórias passadas.
As marcas maiores de sua personalidade eram o seu caráter, a
sua correção, a sua franqueza, a sua obsessão pela precisão dos detalhes e pela
integridade dos episódios.
Culto, estudioso, detalhista, conhecia como ninguém a
ciência do direito, a jurisprudência e a missão do advogado. Não conhecia o
lado da exaltação nem o da chicana. Seguia os ensinamentos de Rui Barbosa sobre
a conduta profissional: “Não fazer da banca balcão ou da ciência mercatura. Não
ser baixo com os grandes, nem arrogante com os miseráveis.” Ganhou prestígio,
respeito de sua classe, reverência da sociedade e era considerado um dos
grandes advogados do Brasil.
Junto em minha dor a da perda de tantos outros amigos,
Milson Coutinho, grande historiador, extraordinária figura humana; Sálvio Dino,
companheiro de tantas lutas; José Maria Cabral Marques, um dos maiores
educadores do Maranhão, meu colaborador e construtor da equipe do Maranhão
Novo; e Waldemiro Viana, intelectual consagrado, confrade ilustre e filho do
grande poeta Fernando Viana.
A todas as famílias a minha solidariedade neste momento de
tristeza.
E que Kleber Moreira leve para a eternidade a certeza de
minha eterna saudade e da falta que ele vai fazer com sua sabedoria, seus
conselhos e seus exemplos. Com tantos talentos perdidos o Maranhão está menor,
deixando no mármore da imortalidade aqueles que constroem nossa glória
extraordinária figura humana; Sálvio Dino, companheiro de tantas lutas; José
Maria Cabral Marques, um dos maiores educadores do Maranhão, meu colaborador e
construtor da equipe do Maranhão Novo; e Waldemiro Viana, intelectual
consagrado, confrade ilustre e filho do grande poeta Fernando Viana.
José Sarney - Sexto ocupante da Cadeira nº 38 da ABL, eleito
em 17 de julho de 1980, na sucessão de José Américo de Almeida e recebido em 6
de novembro de 1980 pelo Acadêmico Josué Montello. Recebeu os Acadêmicos Marcos
Vinicios Vilaça e Affonso Arinos de Mello Franco.
Para esta pandemia, há uma probabilidade maior de
sobrevivência para aqueles que serão infectados 5 meses depois, como em agosto
de 2020, do que para aqueles que foram infectados 5 meses antes, digamos em
fevereiro de 2020.
A razão para isso é que médicos e cientistas sabem
muito mais sobre COVID-19 agora do que 5 meses atrás e, portanto, são capazes
de tratar melhor os pacientes.
Vou listar 5 aspectos importantes que sabemos agora e
que não conhecíamos em fevereiro de 2020:
1. O COVID-19 foi inicialmente pensado
como causador de mortes por pneumonia - uma infecção pulmonar - e assim
os ventiladores foram considerados a melhor maneira de tratar pacientes doentes
que não podiam respirar.
Agora sabemos que o vírus causa coágulos sanguíneos
nos vasos sanguíneos dos pulmões e outras partes do corpo, o que provoca
oxigenação reduzida.
Agora sabemos que simplesmente fornecer oxigênio por
meio de ventiladores não vai ajudar, mas temos que prevenir e dissolver micro
coágulos nos pulmões.
É por isso que estamos usando medicamentos como Aspirina e Heparina (anticoagulantes) como um protocolo
nos regimes de tratamento a partir de julho de 2020.
2. Anteriormente, os pacientes caíam mortos na rua ou
mesmo antes de chegarem ao hospital devido a redução do oxigênio no sangue -
SATURAÇÃO DE OXIGÊNIO.
Isso aconteceu pelo que é conhecido como HAPPY
HYPOXIA, onde embora a saturação de oxigênio fosse gradualmente reduzida, os
pacientes com COVID-19 não apresentavam sintomas até que estivessem
criticamente reduzidos, como às vezes em até 70%.
Geralmente ficamos sem fôlego se a saturação de
oxigênio cair abaixo de 90%..
Essa falta de ar não é desencadeada em pacientes COVID
e é por isso que trouxemos pacientes doentes aos hospitais no final de
fevereiro de 2020.
Agora, sabendo o sintoma da Covid-19 que é a hipóxia
feliz ou hipóxia silenciosa, recomendamos monitorar a saturação de oxigênio das
pessoas, com um oxímetro de pulso simples para uso doméstico e levá-las ao
hospital se a saturação de oxigênio cair para 93% ou Menos. Isso
está dando aos médicos mais tempo para corrigir a deficiência de oxigênio no
sangue e uma melhor chance de sobrevivência agora em agosto de 2020.
3. Não tínhamos medicamentos para combater o
coronavírus em fevereiro de 2020. Tratamos apenas complicações causadas por
hipóxia. Portanto, a maioria dos pacientes ficou seriamente infectada.
Agora temos 2 medicamentos importantes FAVIPIRAVIR E
REMDESIVIR , que são ANTIVIRAIS que podem matar o coronavírus.
Usando esses dois medicamentos, podemos evitar que os
pacientes se infectem seriamente e, portanto, curá-los ANTES DE IR PARA
HIPÓXIA. Tivemos esse conhecimento em agosto de 2020 ... não em fevereiro
de 2020.
4. Muitos pacientes com COVID-19 morrem não apenas por
causa do vírus, mas também pela resposta do próprio sistema imunológico dos
pacientes, de uma forma exagerada chamada de TEMPESTADE DE CITOCINA. Essa
violenta tempestade da resposta imunológica não apenas mata o vírus, mas também
mata pacientes. Em fevereiro de 2020 não sabíamos como evitar que isso
acontecesse. Agora, em agosto de 2020, sabemos que os medicamentos
facilmente disponíveis chamados esteroides, que médicos em todo o mundo vêm
usando há quase 80 anos, podem ser usados para prevenir a tempestade de
citocinas em alguns pacientes.
5. Agora também sabemos que as pessoas com hipóxia
melhoram apenas fazendo com que deitem de bruços, o que é conhecido como
posição prona. Além disso, alguns dias atrás, cientistas israelenses
descobriram que uma substância química conhecida como Alpha Defensin, produzida
pelos glóbulos brancos, pode causar micro coágulos nos vasos sanguíneos dos
pulmões e isso poderia ser prevenido por um medicamento chamado
Colchicina, usado por muitas décadas no tratamento da gota.
Portanto, agora sabemos, com certeza, que os pacientes
têm uma chance melhor de sobreviver à infecção por COVID-19 em agosto de 2020
do que em fevereiro de 2020.
Continue tomando precauções.
Saia apenas para o essencial!
Não há festa, chá de bebê ou formatura do jardim de
infância essencial!
Vamos parar de ser superficiais!
É melhor estar infectado daqui a mais 6 meses do que
agora. Vamos dar tempo à ciência para nos ajudar e aos sistemas de saúde a
descongestionar!
Atualmente também é necessário analisar a Saturação
Hospitalar e o desgaste físico e mental do Pessoal de Saúde
(Informações do bate-papo de especialistas do
COVID-19) Dr. Román Barroso.
Lembrar:
1. O SARS COV2 só pode entrar em seu corpo e
infectá-lo através das membranas mucosas de seus OLHOS e do TRATO RESPIRATÓRIO
2. O SARS COV2 NÃO penetra pela pele.
Andar por aí com roupas de biossegurança e LUVAS é
ABSURDO!
(exceto se você trabalhar na unidade de pacientes
críticos do hospital)
3. SARS COV2 tem um tamanho de efeito aerodinâmico
minúsculo, NÃO SE AGARRA nas roupas.
Teríamos que nos mover em alta velocidade para que
isso acontecesse.
4. O SARS COV2 não infecta veículos, nem seus
pneus. Ninguém inala ou lambe os pneus de um carro ou a estrutura
externa.
NÃO FAZ SENTIDO PULVERIZAR DESINFETANTE em veículos!
5. No chão e na rua pode ter coronavírus sim. Mas se,
nos nossos sapatos eles grudarem e se, também, forem em quantidade suficiente
para infectar, (teoricamente se lambermos a sola dos nossos sapatos) será
EXTREMAMENTE MELHOR.
6. Os túneis de desinfecção são
perigosos. Nenhum desinfetante projetado para superfícies inertes deve
ser usado na pele humana
7. Muito importante:
SIM Faz sentido usar máscara (para evitar espirar,
tossir partículas com o coronavírus).
SIM Faz sentido lavar muito bem as mãos constantemente
e usar álcool gel.
SIM Faz sentido manter distância entre as pessoas.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo
Mateus.
— Glória a vós, Senhor!
Naquele tempo, Jesus começou a mostrar a seus
discípulos que devia ir a Jerusalém e sofrer muito da parte dos anciãos, dos
sumos sacerdotes e dos mestres da Lei, e que devia ser morto e ressuscitar no
terceiro dia. Então Pedro tomou Jesus à parte e começou a repreendê-lo,
dizendo: “Deus não permita tal coisa, Senhor! Que isso nunca te aconteça!”
Jesus, porém, voltou-se para Pedro e disse: “Vai para
longe, Satanás! Tu és para mim uma pedra de tropeço, porque não pensas as
coisas de Deus, mas sim as coisas dos homens!”
Então Jesus disse aos discípulos: “Se alguém quer me
seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga. Pois, quem
quiser salvar a sua vida vai perdê-la; e quem perder a sua vida por causa de
mim, vai encontrá-la. De fato, que adianta ao homem ganhar o mundo
inteiro, mas perder a sua vida? O que poderá alguém dar em troca de sua
vida? Porque o Filho do Homem virá na glória do seu Pai, com os seus
anjos, e então retribuirá a cada um de acordo com sua conduta”.
“O que poderá alguém dar em troca de sua vida?” (Mt
16,26)
O evangelho deste domingo é continuação daquele do domingo
passado; também hoje, Jesus e seus discípulos se encontram em Cesareia de
Filipe, fora do território da Palestina. O que Mateus relata da boca de Jesus,
nem sequer é aceitável para os seus seguidores. Jesus tinha acabado de
felicitar a Pedro por expressar pensamentos divinos. Agora o critica duramente
por pensar como os homens. A diferença é enorme e só umas linhas de distância,
no mesmo evangelho.
Como Pedro, também nós, seguidores(as) de Jesus, ficamos
escandalizados com a cruz. Nenhum de nós teria escolhido para Jesus
esse caminho. Onde fica a imagem do Messias vitorioso, Senhor ou Filho de Deus?
Apesar das palavras de Pedro, no domingo passado, sua
atitude diante do anúncio da paixão e morte de Jesus demonstra que, nem ele e
nem os outros discípulos, entenderam o que significava a pessoa e a missão do
Mestre de Nazaré. Queriam segui-lo, mas sem as consequências do seguimento.
Para compreender Jesus, é preciso deixar de pensar como os
homens e começar a pensar como Deus; é deixar de ajustar-nos a este mundo e
entrar em sintonia com o modo original de ser e de viver do próprio Jesus; é
transformar-nos pela renovação da mente e abertura do coração. Para
aceitar a mensagem de Jesus, temos de mudar radicalmente nossa imagem de
Deus.
Quê significado tem para nós, hoje, a morte de Jesus na
Cruz? Não é fácil entrar na dinâmica da Cruz. Mas, por outra parte, é
impossível compreender a mensagem de Jesus sem compreender a Cruz. Ela é
expressão de uma vida doada; por isso se converteu no “sinal chave de nosso
seguimento”.
A vida é constantemente chamada a ser Páscoa.
Porque, só na vitória da vida entregue, ela ganha sentido, avança,
como uma torrente que rega terras secas, ávidas de água, como um fogo que, na noite
mais escura, traz uma luz que permite vislumbrar a vida oculta.
A vida é movimento e, portanto, energia expansiva.
Podemos consumi-la em benefício do ego (falso eu) e então vem o fracasso.
Podemos re-orientá-la em benefício dos outros e da causa do Reino; e então,
consumá-la, dando-lhe plenitude. Pois, só uma vida consumada faz fecunda a
morte.
Alguém já teve a ousadia de afirmar que a morte é
mais universal que a vida; todos morrem, mas nem todos sabem viver, porque
incapazes de re-inventar a vida no seu cotidiano. Por isso, viver é uma arte; é
necessário re-criar a vida no dia-a-dia, carregá-la de sentido.
A morte do falso eu é a condição para que a
verdadeira vida se libere. O “depois da vida” é um grande encontro onde
seremos perguntados: “o quanto você viveu sua vida?”
De fato, aqueles que mais desfrutam da vida são os que
deixam a segurança do conhecido e se dedicam apaixonadamente à missão de
comunicar vida aos outros. Ter apego à própria vida é destruir-se; entregar a
vida por amor não é frustrá-la, mas levá-la à sua completude. Aqui há uma
inversão na lógica natural das coisas; ganha-se quando perde, vive-se quando
morre, multiplica-se quando divide.
Estranhas atitudes estas que Jesus propõe, tão contrárias em
uma cultura como a nossa que nos apresenta a apropriação e a acumulação como
meta da existência. Ele, imperturbável, apresenta sua alternativa: perder,
vender, dar, deixar, não armazenar, não reter avidamente, desapropriar-se,
esvaziar-se, partilhar...
Perder-ganhar, morrer-viver, entregar-reter,
doar-receber..., parecem dimensões ou realidades contraditórias, mas captar a
profundidade da verdade contida nesta “contradição aparente” é descobrir o
Evangelho.
“Morrer”, “perder”, “entregar”, “renunciar”... é este
instante de ruptura, onde toda uma vida incubada, trabalhada no
silêncio e no sofrimento, marcada de alegrias e tristezas, vitórias e
fracassos, desponta luminosa para a vida eterna. Pois vida é um
contínuo despedir-se e partir; ela nos desaloja de nossos “lugares estreitos” e
nos faz caminhar em direção a novos horizontes.
A vida aumenta quando compartilha e se atrofia quando
permanece no isolamento e na comodidade.
A morte do falso eu é a condição para que a verdadeira Vida
se liberte. É preciso passar pela morte do que é terreno, caduco, transitório
(aderências afetivas, apegos desordenados...) para deixar emergir a vida
interior, a vida divina, a vida de Deus em nós.
O essencial não é encontrar um caminho para alcançar a
imortalidade, mas aprender a “morrer em Cristo”.
Como Jesus encarou a Cruz? Ele não buscou a cruz pela
cruz. Buscou a fidelidade à sua missão que consistia em evitar a proliferação
de cruzes, para si mesmo e para os outros. Pregou e viveu o amor e revelou as
condições necessárias para que esse amor se tornasse realidade nas relações
entre as pessoas.
Jesus anunciou a boa nova da Vida e do Amor e se entregou
por ela. Quem ama e serve não cria cruzes para os outros; é o egocentrismo
e a maldade que geram cruzes.
A realidade, dividida e conflituosa, se fechou à proposta de
Vida apresentada por Jesus, impondo-lhe cruzes em seu caminho e finalmente O
levantou no madeiro da Cruz.
Nela mesma, a cruz é aquilo que limita a vida (as cruzes da
vida), que nos faz sofrer e dificulta nosso caminhar, por causa da má vontade
humana (carregar a cruz de cada dia); ela é a corporificação do ódio, da
violência e da exclusão humana. Mas Jesus continuou amando, apesar do ódio;
continuou investindo sua vida a serviço da vida, apesar da cultura de morte na
qual se encontrava. Assumiu a cruz em sinal de fidelidade para com o Pai e para
com os seres humanos. Por isso, na vida de Jesus a Cruz é salvífica.
Nesse sentido, a cruz de Jesus não é um “peso
morto”; ela tem sentido porque é conseqüência de uma opção radical em favor do
Reino. A Cruz não significa passividade e resignação; ela nasce de
sua vida plena e transbordante; ela resume, concentra, radicaliza,
condensa o significado de uma vida vivida por Jesus na fidelidade ao
Pai. que quer que todos vivam intensamente.
“Renunciar a si mesmo” e “carregar a sua
cruz”, é entrar em sintonia e comunhão com Jesus, assumindo, com seu mesmo
espírito, os sofrimentos que se seguem a uma adesão concreta e responsável à
sua pessoa e à sua causa. É este seguimento fiel que nos introduz na
cruz genuína d’Aquele que foi fiel até o fim.
A partir desta atitude de seguimento precisamos entender
esse “renunciar a si mesmo” que Jesus pede ao discípulo. “Renunciar
a si mesmo” não significa mortificar-se, castigar-se a si mesmo e, menos
ainda, anular-se ou autodestruir-se. Nunca se deve confundir a cruz com
atuações masoquistas, nunca alimentadas por Jesus. “Renunciar a si mesmo” é
descentrar-se, sair de seus próprios interesses, para fixar a existência na
pessoa de Jesus, a quem deseja seguir. É libertar-se de si mesmo para aderir
radicalmente a Ele.
A mortificação tem um lugar importante na vida de quem segue
a Jesus. Não qualquer mortificação, mas aquela que vai libertando a pessoa de
seu egocentrismo, de sua comodidade ou de sua covardia para seguir mais
fielmente a Ele. Buscar sofrimento para “agradar a Deus” não tem sentido; é
tortura inútil, que alimenta nosso “ego” e nos afunda numa espiritualidade
doentia.
A cruz tem sentido quando é consequência de uma
opção autêntica de vida em favor da vida: por exemplo, quando sofremos por
levar adiante uma causa justa, por defender as pessoas que são vítimas das
estruturas sociais, políticas e econômicas injustas, por as-sumir a
radicalidade na vivência do amor, lutando contra toda expressão de ódio,
preconceito, intolerância..., por evitar o mal e denunciar uma injustiça, etc.
A cruz salva quando aponta para a vida.
Texto bíblico: Mt 16,21-27
Na oração: - “Fazer memória” de tantas mulheres
e homens que se associaram à Cruz de Jesus, na solidariedade com os
pobres, na fidelidade à vida evangélica, na descida aos porões das contradições
sociais e políticas, às realidades inóspitas, aos ter-renos contaminados e
difíceis, às periferias insalubres, onde os excluídos deste mundo lutam por
sobreviver. Ali se encontraram com o Crucificado, o “Justo e Santo”, identificado
com os crucificados da história.
- Recordar as cruzes que apareceram na sua vida por causa da
fidelidade ao Evangelho.