Total de visualizações de página

domingo, 10 de maio de 2020

MINHA MÃE – Vicente Celestino




Ligue o vídeo abaixo:


MINHA MÃE


Minha mãe meiga e sincera
Minha mãe que ainda me espera
Na velha casa que amei
Saí com outros meninos
Embaracei-me nos destinos
E nunca mais regressei

Eu julgava que as pessoas
Fossem todas muito boas
Que de mim tivessem dó
Nunca mais por onde andasse
Encontrei quem me cuidasse
E vi que mãe, é uma só

Uma só que infelizmente
Sofre tanto pela gente
Que a faz cedo envelhecer
Porém, seu pranto é secreto
E o seu filho predileto
É o que mais a faz sofrer

Mãe, roubaram os meus brinquedos
Devassaram os meus segredos
E só me deixaram a dor
A dor queima como brasa
Quero voltar para casa
Onde é doce o teu amor

Os meus cabelos grisalhos
De desgostos e trabalhos
Não são para o teu olhar
Ante esse olhar de bondade
Tenho a infância a mocidade
E o direito de chorar

Os amigos me deixaram
As mulheres me enganaram
Mal, o mundo, só me fez
Chega de tantos fracassos
Quero voltar aos teus braços
E ser criança outra vez


VOZ:Vicente Celestino 
COMPOSIÇÃO: Marina Ghiaroni

* * *



PALAVRA DA SALVAÇÃO (182)


5º Domingo da Páscoa – 10/05/2020

Anúncio do Evangelho (Jo 14,1-12)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: ”Não se perturbe o vosso coração. Tendes fé em Deus, tende fé em mim também. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fosse, eu vos teria dito. Vou preparar um lugar para vós, e quando eu tiver ido preparar-vos um lugar, voltarei e vos levarei comigo, a fim de que onde eu estiver estejais também vós. E para onde eu vou, vós conheceis o caminho”. Tomé disse a Jesus: “Senhor, nós não sabemos para onde vais. Como podemos conhecer o caminho?” Jesus respondeu: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim. Se vós me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai. E desde agora o conheceis e o vistes”.
Disse Felipe: “Senhor, mostra-nos o Pai, isso nos basta!” Jesus respondeu: “Há tanto tempo estou convosco, e não me conheces, Felipe? Quem me viu, viu o Pai. Como é que tu dizes: ‘Mostra-nos o Pai?’ Não acreditas que eu estou no Pai e o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo, não as digo por mim mesmo, mas é o Pai, que, permanecendo em mim, realiza as suas obras. Acreditai-me: eu estou no Pai e o Pai está em mim. Acreditai, ao menos, por causa destas mesmas obras. Em verdade, em verdade vos digo: quem acredita em mim fará as obras que eu faço, e fará ainda maiores do que estas. Pois eu vou para o Pai”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

---
Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Padre Roger Araújo:

---

Temos morada no coração de Deus



“Na casa de meu Pai há muitas moradas”  (Jo 14,2)

Sabemos que o Evangelho deste domingo antecede à Paixão e Morte de Jesus. Então, por que colocá-lo no contexto de Ressurreição? E a razão está centrada na atuação mesma de Jesus. Ele antecipou, na sua vida pública, que o destino definitivo do ser humano é o coração de Deus. Somos de Deus; em Deus, já “somos seres ressuscitados”.

O grupo mais próximo de Jesus está vivendo um momento de máxima tensão e medo. O ambiente está carregado: a traição de Judas, o anúncio da negação de Pedro, a revelação da Sua partida. Apesar do temor e da inquietação pairando no ar, Jesus diz coisas que nunca dissera antes: palavras condensadas, luminosas, mobilizadoras, procurando quebrar o clima pesado e convidando os seus amigos à calma, à confiança e revelando que na casa do Pai há muitas moradas. Todos estão (estamos) envolvidos por este amor providente e cuidadoso do Deus Pai e Mãe; no seu coração cabem todos.

O contexto tenso vivido pelos discípulos nos revela que o medo e a angústia estão presentes no ser humano desde as origens. Todo ser humano atravessa certos momentos da vida marcado pela experiência do medo e, em algumas ocasiões, de angústia.

O medo é uma vivência forte e intensa que sentimos diante da presença de um perigo, mais ou menos imediato e concreto.

A angústia, que no seu sentido original latino (“angustus”) significa estreito, apertado, sem espaço, é um estado afetivo doentio que aparece como reação diante de um perigo desconhecido, difuso, mas que afeta e trava toda o nosso ser, até seu último neurônio.
O medo e a angústia podem impregnar nossa vida e pode provir das causas mais diversas: medo diante da enfermidade, do fracasso, dos problemas afetivos e econômicos, da pandemia... Seja como for, o medo e a angústia podem fazer-se presentes em nós e bloqueiam nossas vidas, paralisando toda iniciativa e criatividade.

Quando estamos atravessando uma crise grave, como aquela vivida por Jesus e seus discípulos na véspera da Paixão, é reconfortante entrar na profundidade de nosso ser e deixar ressoar estas palavras: “não se perturbe o vosso coração; tende fé em Deus, tende fé em mim também”.

É a experiência do encontro com o Ressuscitado que nos pacifica, mesmo em situações de crises, fracassos, horizontes sem saída..., quando o medo e a angústia se manifestam com mais força.

A serenidade é uma vivência profunda, íntima, salutar... De repente, alcançamos uma paz inspiradora, uma paz que ninguém pode nos comunicar; uma alegria serena que pacifica nosso interior. Basta permanecer nessa paz, na nossa morada interior. Por isso, Jesus fala de lugares, de moradas..., espaços que pacificam e nos livram das angústias e medos. E o coração de Deus é a morada pacificadora por excelência. O “lugar” do ser humano é Deus; viemos de Deus e retornaremos a Ele. “Só Deus basta” (S. Teresa).

É da nossa condição humana buscar um espaço, um lugar hospitaleiro e acolhedor, o lugar onde nos situamos no mundo e onde podemos ser encontrados. Como é bom experimentar que todos temos lugar, espaço! Deus mesmo se faz espaço amoroso para nós, nos concede um lugar inspirador.

Sabemos que o ser humano não teria como sobreviver sem um lugar, sem um espaço. Assim como somos seres de inteligência, sensibilidade, relação, etc., também somos seres de lugares (“homo locus”); não qualquer lugar, mas aquele onde possamos nos descobrir capazes de amar e sermos amados, de acompanhar e sermos acompanhados, de contribuir e sermos criativos, de realizar e sentir-nos realizados.

espaço faz parte do ar que respiramos em nível fisiológico e biológico, como faz parte das nossas experiências interiores.

A nossa sociedade parece estar indo à deriva justamente porque não sabe mais reconhecer “espaços diferentes e vitais”, porque tudo se torna igual e os lugares não falam mais, pois carecem de sentido e se revelam como lugares vazios. Os espaços são violados, os “lugares sagrados” são profanados, os “ambientes” carregados de sentido e de história já não revelam mais nada...

Esse é o primeiro sintoma de uma visão humana desastrosa e desastrada. Na insignificância e no achata-mento dos espaços está o primeiro e mais grave esmagamento do pensamento e da consciência, a ruptura das relações sociais, a frieza ecológica e o definhamento das experiências religiosas.

Neste mundo disperso, carente de espaços humanizadores, o evangelho de hoje nos dá referências e amparo. E a primeira referência que nos pacifica é a “casa”. “Na casa de meu Pai há muitas moradas”.

Caminhamos para a “casa” de Deus, sendo “casa” do mesmo Deus. Podemos, então, afirmar que quem realmente habita “nossa casa” não é o “eu”, mas Deus. “Em nós, Deus está em sua casa” (Mestre Eckhart). Esta morada interior é o espaço de transcendência, de oração, de admiração, de mistério, de silêncio; morada aberta e acolhedora, ambiente da comunhão, da comunicação, da intimidade; é a partir desta morada carregada de presenças que se vai ao Pai (Grande Morada).

Nesse sentido, a casa é mais do que uma realidade física, feita de quatro paredes, portas, janelas e telhado. Casa é uma experiência existencial primitiva, ligada ao que há de mais precioso na vida humana, que é a relação afetiva entre aqueles que a habitam e com aqueles que nela são acolhidos.

Casa, espaço do mundo que nós escolhemos, preparamos, organizamos, adornamos e fazemos a moradia a partir da qual contemplamos a Terra e o Céu. Por isso ela é reveladora de nossa identidade. “Dize-me como é tua casa e te direi quem és”. Ela é o espelho mais honesto dos nossos hábitos, o abrigo dos nossos medos, a nossa fotografia. É por este motivo, talvez, que muitos fogem da própria casa: não querem enxergar a si mesmos.

casa nos ajuda a fincar raízes neste mundo e em nós mesmos; ela é lugar de referência e nos fornece orientação; ela anima nossa espera e alimenta o encontro; conserva nossa história, acolhe e guarda na  memória as nossas alegrias e as nossas tristezas, as nossas conquistas e os nossos fracassos...

Estar em casa é estar no seu espaço, na sua intimidade, no lugar de plena liberdade e espontaneidade. Ela é o cenário principal do enredo e dos episódios de nossa vida; é o lugar seguro que nos possibilita repouso e revigoramento afetivo, bem-estar e proteção... Casa representa segurança e refúgio das ameaças que vêm de fora; ela nos oferece um espaço estabilizador e nutridor, suscitando vigor e saúde integral. Sem ela facilmente perdemos a calma e o equilíbrio, tornando-nos presas fáceis da agitação, da perturbação, do medo e da angústia.

O lugar cotidiano da casa se converte na epifania do divino, no lugar concreto do encontro com Aquele que faz de nossa casa, Sua morada.
Nossas moradas provisórias nos revelam que todos somos peregrinos em busca da morada definitiva; nosso coração anseia pelas moradas eternas: o coração do Pai, onde cabem todos.

Textos bíblicos: Jo. 14,1-12
Na oração:  casa é também a instância configuradora de nossa experiência de fé.
Diante de tantos ruídos e imagens que nos violentam, a casa torna-se o lugar da escuta, do silêncio, da interioridade e da comunhão com o Transcendente, através de mediações simples como uma escuta musical atenta, uma boa leitura ou o exercício diário da oração.
- Entre em sua casa e deixe que o Espírito transite livremente por ela, afastando todo temor, tristeza e angústia...

Pe. Adroaldo Palaoro sj

* * *

sábado, 9 de maio de 2020

PESQUISA DE OPINIÃO MAIS QUE OPORTUNA – Marcos Machado


9 de maio de 2020
Marcos Machado

A mídia alarmista e histérica parece ou finge não ter-se dado conta dos novos tempos e dos novos ares que tomaram a opinião pública brasileira nesses últimos anos. Desamparados pelas antigas e poderosas “fadas” que lhes ditavam as palavras de ordem do sucesso, a esquerda e o dito Centrão perderam o norte.
Em 1987, por ocasião dos debates em torno da Assembleia Constituinte — malfadada alfaiataria costurada entre a esquerda e o falso Centrão —, saiu a público o livro Projeto de Constituição angustia o País [capa ao lado], de Plinio Corrêa de Oliveira, com uma denúncia que ganhou as ruas do Brasil.
Tomamos aqui apenas um aspecto da obra, ou seja, a denúncia de que já naquele tempo os políticos profissionais não representavam mais os anseios populares. Em relação a eles, a opinião pública se mostrava, por motivos diversos, bem pouco entusiasmada.
Desde a promulgação da Constituição — da qual os políticos e o STF se servem para impulsionar agendas contrárias aos valores morais — passou muita água debaixo da ponte. Talvez, para surpresa deles, na medida em que o povo foi se politizando, os ponteiros da História giraram no sentido conservador e a distância entre políticos e a opinião pública aumentou consideravelmente.
Hoje temos centenas de grupos anticomunistas, antissocialistas e antiabortistas disseminados por todo o Brasil. Basta observar o número já incontável de blogs de orientação diametralmente oposta ao PT de Lula e ao PSDB de Fernando Henrique.
Com a eleição de um presidente conservador, foi quebrada a harmonia entre os três poderes. Com critérios ditatoriais, o presidente da Câmara dos Deputados pauta a seu bel-prazer os projetos ali apresentados, engavetando os que não convêm à esquerda e ao Centrão.

Rodrigo Maia (presidente da Câmara dos Deputados) e David Alcolumbre (presidente do Senado)
Em entrevista à Gazeta do Povo, o deputado federal Diego Garcia (PR), presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Vida e da Família, lamentou que enquanto Rodrigo Maia presidir a Câmara a pauta moral não caminhará. Isso pode ser comprovado pelas atividades parlamentares de 2019.

Aliás, o próprio Maia declarou no início do ano à Folha de S. Paulo que depois de superar a agenda econômica iria discutir o que fazer com a agenda de costumes. Acontece que os presidentes das duas Casas legislativas, a Câmara e o Senado, são apenas mandatários, como bem explica Plinio Corrêa de Oliveira no citado livro.
Com efeito, a relação entre o eleitor e o candidato por ele sufragado é, em essência, a de uma procuração. Uma vez eleito, o deputado ou senador se torna assim um procurador ou mandatário do eleitor, um executor de sua vontade.
Ele será um procurador fiel se agir de acordo com o programa eleitoral com o qual se apresentou às urnas. E será infiel, caso se desinteresse de fazer prevalecer seu programa nos debates parlamentares.
Ou, pior ainda, caso se manifeste ou vote contra esse programa — em relação ao qual assumiu compromisso com os eleitores — ele rompe o compromisso sagrado de fidelidade. Como quem outorga o mandato é o povo, os presidentes da Câmara e do Senado não podem agir ditatorialmente, excluindo a pauta conservadora.
Cumpre insistir sobre esse ponto essencial: o mandato não confere poderes ditatoriais ao Legislativo, pois, segundo a democracia, quem manda são os eleitores.
A pandemia do vírus chinês expôs mais uma vez o vácuo da mídia alarmista e dos governadores-interventores: a impopularidade de Dória e de outros que se faziam passar por centristas. Por que não se faz uma pesquisa sobre a atual popularidade desses ditadores, fadados a ser colocados em eterna quarentena política?!

* * *

sexta-feira, 8 de maio de 2020

MAJOR-BRIGADEIRO JAIME RODRIGUES, ENGROSSA O TOM E FALA TUDO QUE TINHA QUE SER DITO AO STF


“Cumpre advertir que, se as testemunhas que dispõem da prerrogativa fundada no art. 221 do CPP, deixarem de comparecer, sem justa causa, na data por elas previamente ajustada com a autoridade policial federal, perderão tal prerrogativa e, redesignada nova data para seu comparecimento em até 05 (cinco) dias úteis, estarão sujeitas, como qualquer cidadão, não importando o grau hierárquico que ostentem no âmbito da República, à condução coercitiva ou “debaixo de vara”, como a ela se referia o art. 95 do Código do Processo Criminal do Império de 1832.”
Foi uma tentativa infeliz de demonstração de poder, totalmente injustificável e inaceitável, a produção por parte do ministro Celso de Mello de um documento jurídico ameaçando de serem conduzidos “debaixo de vara” três oficiais-generais do Exército brasileiro, do maior grau hierárquico da carreira, altamente conceituados no seio da sua Força, que dedicaram meio século da vida jurando defender a Pátria com o sacrifício da própria vida, convocados apenas como testemunhas para depor em defesa do presidente.
Debaixo de vara, vossas excelências deveriam expulsar os corruptos que hoje enlameiam a Suprema Casa da Mãe Joana, que os senhores bem sabem quais são, pois costumavam acusar-se mutuamente em sessões televisivas que hoje nem mais existem, talvez por vergonha de alguns que se sentem constrangidos de expor-se nessas condições.
A toque de corneta, deveriam sair escorraçadas as centenas de ladrões que frequentam o congresso nacional alguns dias por ano para extorquir a Nação.
Como diz a nota do Ministro da Defesa, As Forças Armadas cumprem a sua missão Constitucional. Marinha, Exército e Força Aérea são organismos de Estado, que consideram a independência e a harmonia entre os Poderes imprescindíveis para a governabilidade do País.
Em linguagem clara: em tese, não são necessários um cabo, um soldado e um jipe. Para isso, bastariam três medidas simples e constitucionais:
1 – a extinção do foro privilegiado;
2 – a apresentação dos corruptos DENUNCIADOS pelo Ministério Público perante uma corte de 1ª instância com juízes do naipe de um juiz Bretas, do Rio de Janeiro, e depois um grupo de desembargadores como os do TRF-4, de Porto Alegre, empregando o regime de urgência semelhante ao utilizado para aprovar as falcatruas no congresso nacional, na calada da noite; e
3 – o prosseguimento dos processos de impeachment contra ministros do supremo, engavetados no senado, com a escolha de um relator honesto e patriota como vários que existem naquela casa.
Vossa excelência faz parte de um grupo de julgadores do mais alto Tribunal da República, que hoje arvoram-se de guardiões de uma Constituição falida que descumprem ao tentar sobrepor-se aos outros dois poderes, e que aplicam a fórceps suas distorcidas decisões, apoiados no fato de serem a última instância e da sua cumplicidade com a banda podre do legislativo.
Nesse tribunal, apenas dois julgadores são verdadeiros juízes de carreira, dentre os quais o senhor NÃO ESTÁ INCLUÍDO.
Lembre-se de que foi alçado a essa condição para servir a um presidente corrupto que só não está preso por benevolência desse tribunal e pela idade avançada.
Como é praxe dessa corte julgar diversas vezes o mesmo assunto até conseguir um resultado que atenda aos seus interesses, como no caso da 2ª instância, o ministro vossa excelência ignorou que, em 22/05/2019, o STF publicou acórdãos impugnando a condução coercitiva para interrogatório.
Sua peça jurídica inicia-se com um erro crasso elementar de sua área, referindo-se ao governo democrático presidido por militares como “regime militar”, forma de governo inexistente juridicamente.
O regime era democracia, pois funcionavam regularmente os três poderes do Estado, segundo a constituição existente; por outro lado, vossa excelência não deveria desconhecer, a não ser por questões ideológicas, que o sigilo naquela situação era indispensável para a preservação da segurança nacional.
Nota-se claramente, no seu sempre prolixo, arcaico e inexato linguajar, a intenção de atingir o prestígio das FFAA, uma vez que inicia sua explanação atacando inexplicavelmente os governos que livraram o Brasil das garras do comunismo, ali colocados pelo clamor da sociedade, que hoje demora em se manifestar, fartamente representada naquela ocasião pelas famílias que foram às ruas aos milhões, pela verdadeira igreja, por toda a imprensa escrita e falada, pelo empresariado, inclusive pelos políticos compromissados com a democracia. Governos que elevaram o Brasil a um patamar internacional muito mais elevado, que não retirou qualquer direito do cidadão, exceto o voto direto para presidente, pois o Congresso e as instituições continuaram funcionando normalmente.
Por saberem que o estado de coisas está se encaminhando para uma situação onde só as FFAA poderão mais uma vez salvar o país, procuram rotular de anti-democráticas, incluindo ministros dessa Corte, as manifestações populares com bandeiras nacionais, mulheres e crianças, sem qualquer incidente de violência, a não ser algumas exceções, talvez causadas pela infiltração de um daqueles militantes agraciados com sanduíches e ajudas de custo.
É muito fácil esconder-se atrás das togas e das leis fabricadas em proveito próprio para impedir um presidente legitimamente eleito por 60 milhões de brasileiros de realizar suas promessas de campanha.
Esses fatos e conceitos por mim assinalados são vox populis.
Se têm dúvida de sua veracidade, façam como o presidente Bolsonaro, saiam às ruas. Certamente não levarão uma facada de um impune e solitário Adélio, mas seguramente conhecerão o verdadeiro clamor do povo. Encomendem uma pesquisa com institutos isentos ou consultem a população em um plebiscito, se para isso tiverem coragem; assim conhecerão as legítimas aspirações da sociedade.

 Texto do Major-Brigadeiro Jaime Rodrigues Sanchez.



* * *

quinta-feira, 7 de maio de 2020

PRIMEIRO – Helena Borborema



            Como de tantas outras vezes no decorrer dos anos, aquele verão tivera dias de fortes chuvas. Em janeiro, por mais de uma semana, o trabalho da lavoura chegou a parar. A mata ficou silenciosa sem os roncos dos caititus e a algazarra dos papagaios e periquitos. Só a chuva pesada e o estrondo dos trovões se faziam ouvir. Tudo era tristeza. Só não para o Rio Cachoeira que, numa ostentação vaidosa, contrastava sua pujança e beleza com aquelas terras lamacentas e sem alegria. Bem alimentado pelas chuvas caídas na cabeceiras, volumoso, poderoso, passava ameaçador, prometendo morte certa a quem se atrevesse a medir forças com ele.  No silêncio que a tudo cercava, ele chegava a rugir, fazendo-se escutar a grande distância. A zuadeira de suas águas parecia o conjunto de mil vozes, vozes misteriosas de um motim invisível, saídas de suas profundezas. Arrogante, nem parecia mais aquele Rio pedregoso, pacato, que modestamente deslizava silencioso na época das estiagens. Mas aqueles sergipanos e sertanejos fortes que calejados que viviam em suas margens, já o conheciam, respeitavam a força de suas cheias, mas não o temiam, tanto assim que, num desafio, o enfrentavam corajosamente. Mesmo com toda a enchente, iam buscar nas suas águas o alimento que a mata úmida e chuvosa lhes recusava. Com tarrafas e jequis lançados ou colocados em pontos escolhidos, a alimentação era certa e abundante.

            Na sua roça, o pioneiro José Alves tinha morrido. Não resistira ao ataque da “febre braba” a “maligna” que descera naquelas matas. Ela era impiedosa. Viera não se sabia de onde, fizera suas vítimas e fora embora. Aquelas terras desbravadas pelo velho sergipano e por ele plantadas com ajuda de parentes e assalariados, que por essas bandas aos poucos chegavam em busca de trabalho, com a sua morte ficaram sob a responsabilidade do filho José Firmino, que tinha vindo de Sergipe com os pais, aos quatorze anos de idade, para a aventura do Sul. Agora já rapaz, caboclo forte, ficara-lhe o encargo de levar pra frente o destino da fazenda e cuidar do sustento da parentela. Assim, na época de muitas chuvas, quando o charque escasseava em casa, a mandioca “embebedada” pelas águas apodrecia sob a terra encharcada e os atoleiros dificultavam o comércio com a Vila de Cachoeira, Firmino complementava o sustento da casa com a pesca no rio que cortava a fazenda.

            Naquele inverno, mais de uma vez se convencera o moço fazendeiro da necessidade de uma junta de bois na fazenda. Só esses animais eram capazes de enfrentar os atoleiros e arrastar as pesadas cargas que as bestas não conseguiam. Em Conquista estava um bom comércio para a compra desses animais. Era só esperar o tempo bom para viajar.


            E o tempo bom veio. Um sol quente enxugou a terra após o período das chuvas. Um céu azul indicava que o verão tinha chegado e o capinzal de um verde esmeralda brilhava.

            Antes de atingir-se o caminho das boiadas que levava a Conquista, quatro viajantes entraram num pedaço de mata fechada, início da grande jornada. José Firmino e seus três acompanhantes, empregados da fazenda, caminharam longo tempo numa semiobscuridade, onde o silêncio seria completo não fosse o ruído abafado dos passos dos animais no tapete musgoso do chão, ou o estalar de ramos partidos. A viagem era feita em silêncio e sob certa apreensão, pois sabiam que atrás de cada árvore podia estar oculto um índio cioso de seus domínios a acompanhar-lhes os passos.

            Vencido o percurso da mata, tinham ainda pela frente alguns dias de viagem até atingirem o planalto conquistense. Cobras venenosas eram vistas com frequência, rastejando no mato. A paisagem foi mudando. A sombra da mata cedera lugar a um descampado ressequido pelo sol, onde uma vegetação arbustiva aparecia de quando em quando. Falava-se na presença de onças naquelas paragens onde, segundo relato dos boiadeiros que por ali guiavam seus rebanhos, já haviam atacado rezes e até homens. Não era fácil, pois, atingir aquelas terras do Sudoeste. Na longa caminhada, os únicos pousos eram as toscas rancharias armadas pelos sertanejos, pois, só mesmo eles cortavam aqueles ermos ao conduzir seus rebanhos de Conquista para Ilhéus.

            A longa viagem chegou ao fim. Os quatro viajantes durante dias tinham atravessado descampados, galgando encostas até que o planalto do Sudoeste fosse atingido.


            - Ei! Ei boi veio danado! Ei bicho brabo!

            A marcha era lenta. O gado se deslocava tangido pelo grupo. O pequeno rebanho que aqueles homens conduziam valia a viagem.

            - Que acha desse gado, Joaquim?

            - As novilhas são bonitas, seu Firmino, e os bois bem fortes. Com aquele capim de engorda lá dos pastos, vão ficar de dar gosto.

            - Gosto maior é quando aqueles acolá estiverem na canga. Vai acabar a nossa dor de cabeça no tempo dos atoleiros. Uma junta de bois estava mesmo nos fazendo falta.

            - E esse touro aí, que nome vosmecê vai dar a ele?

           - Porque não o nome de Primeiro, se é o primeiro reprodutor trazido para o capinzal verde das margens do Cachoeira?


(TERRAS DO SUL)
Helena Borborema

..............
Helena Borborema - Nasceu em Itabuna. Professora de Geografia lecionou muitos anos no Colégio Divina Providência, na Ação Fraternal e no Colégio Estadual de Itabuna. Formada em Pedagogia pela Faculdade de Filosofia de Itabuna. Exerceu o cargo de Secretária de Educação e Cultura do Município. (A autora)

“Filha do Dr. Lafayette Borborema, o primeiro advogado de Itabuna. É autora de ‘Terras do Sul’, livro em que documento, memória e imaginação se unem num discurso despretensioso para testemunhar o quadro social e humano daqueles idos de Tabocas. Para a professora universitária Margarida Fahel, ‘Terras do Sul’ são estórias simples, plenas de ‘emoção e humanidade, querendo inscrever no tempo a história de uma gente, o caminho de um rio, a esperança de uma professora que crê no homem e na terra’” (Cyro de Mattos)

* * *

quarta-feira, 6 de maio de 2020

DIA DAS MÃES 2020 - Virgem Maria


VIRGEM MARIA:

Virgem Maria, Mãe de Jesus,
Dá-me um pouco da tua força para a minha fraqueza.
Dá-me um pouco da tua coragem para o meu desalento.
Um pouco da tua compreensão para o meu problema.
Um pouco da tua plenitude para o meu vazio.
Um pouco da tua rosa para o meu espinho.
Um pouco da tua certeza para a minha dúvida.
Um pouco do teu sol para o meu inverno.
Um pouco da tua disponibilidade para o meu cansaço.
Um pouco do teu rumo infinito para o meu extravio.
Um pouco da tua neve para o barro do meu pecado.
Um pouco da tua luminosidade para a minha noite.
Um pouco da tua alegria para a minha tristeza.
Um pouco da tua sabedoria para a minha ignorância.
Um pouco do teu amor para o meu rancor.
Um pouco da tua pureza para o meu pecado.
Um pouco da tua vida para a minha morte.
Um pouco da tua transparência para o meu escuro.
Um pouco do teu Filho Jesus para este teu filho pecador.
Com esses poucos, Senhora, EU TEREI TUDO!

(Conversas com Maria, de Helena Sacadura Cabral)

* * *

terça-feira, 5 de maio de 2020

SANTO ÂNGELO DE JERUSALÉM – Plinio Maria Solimeo


4 de maio de 2020
Neste dia 5 de maio celebramos este grande santo, filho de judeus convertidos, grande pregador e um dos primeiros frades carmelitas na Sicília, hereges o martirizaram por defender a fé católica

Plinio Maria Solimeo

Segundo a legenda áurea que cerca a vida de Santo Ângelo, um casal de judeus de Jerusalém teve uma visão da Santíssima Virgem na qual Ela lhes declarou que o Messias já havia chegado e que era seu Filho, exortando-os a crer n’Ele. Tocados por essa aparição, marido e mulher se dirigiram ao patriarca de Jerusalém, Heráclio de Cesareia, que os colocou entre os catecúmenos; e, uma vez instruídos, ministrou-lhes o batismo com os nomes de José e Maria.

 A Palestina estava então em poder dos cruzados. O Reino Latino de Jerusalém, criado em 1099 pela Primeira Cruzada, esteve a cargo de Godofredo de Bulhão, que adotou o título de Advocatus Sancti Sepulchri (Defensor do Santo Sepulcro) em vez de rei, alegando que nenhum homem deveria usar uma coroa onde Jesus havia sido coroado de espinhos. Esse Reino foi extinto em 1291, quando os últimos cruzados foram expulsos da Terra Santa.

         Em 1185 falecia na Cidade Santa o heroico Balduíno IV, o Leproso, que fora rei de Jerusalém de 1174 até sua morte. Como diz um erudito historiador, “o reino desse infeliz jovem, de 1174 a 1185, não foi senão uma longa agonia. Mas uma agonia a cavalo, face ao inimigo, toda enrijecida no sentimento da dignidade real, do dever cristão e das responsabilidades da coroa nessas horas trágicas em que o drama do rei correspondia ao drama do reino”.1
O Monte Carmelo, berço da Ordem de Nossa Senhora do Carmo, 
marca na Palestina os confins entre a Galileia e a Samaria, 
terminando no promontório homônimo que forma o Golfo de Haifa

Educados nas ciências divinas e humanas
        Nesse mesmo ano de 1185, Maria deu à luz dois gêmeos, que receberam no batismo os nomes de Ângelo e João. Embora seus pais tenham morrido quando os filhos eram pequenos, eles os haviam deixado sob a tutela do Patriarca que os batizara. A sede do patriarcado de Jerusalém era na igreja do Santo Sepulcro, na arquidiocese criada quando a Cidade Santa passou para o poder dos cruzados, a qual possuía quatro dioceses sufragâneas: Tiro, Cesareia, Nazaré e Petra. Quando os dois irmãos tinham apenas dois anos, em 1187, Saladino invadiu Jerusalém e a Sé foi transferida para Acra.

O arcebispo Heráclio, como verdadeiro homem de Deus, educou nas ciências e na virtude os dois órfãos, como se fossem seus próprios filhos. Ângelo e João corresponderam aos desvelos de seu tutor, mostrando desde cedo grande propensão à virtude e extraordinários dons intelectuais. Aos 15 anos Ângelo já falava grego, latim e hebraico.

No convento do Monte Carmelo
Quando os dois irmãos completaram 18 anos, o Patriarca, prevendo seu fim próximo, propôs-lhes que se tornassem religiosos carmelitas, o que eles fizeram, ingressando no convento da Ordem em Jerusalém. Desejosos, porém, de levar uma vida ainda mais perfeita, obtiveram dos superiores licença para se transferirem para o mosteiro do Monte Carmelo, onde se juntariam aos eremitas que lá viviam em penitência e contemplação. Tal foi o fervor com que ambos se entregaram à vida de santificação, que começaram a fazer muitos milagres, como é atestado na Crônica da Ordem.

O Monte Carmelo, berço da Ordem de Nossa Senhora do Carmo, marca na Palestina os confins entre a Galileia e a Samaria, terminando no promontório homônimo que forma o Golfo de Haifa. A Ordem Carmelitana lá fundada, inicialmente contemplativa, transformou-se em mendicante ao introduzir-se no século XIII no Ocidente, segundo a regra de Santo Alberto, Patriarca latino de Jerusalém. Esse santo ajudou muito na sua fundação em 1209, bem como na redação de suas regras por volta de 1214.

         No convento do Monte Carmelo, os dois irmãos fizeram sua profissão nas mãos do Prior Geral, São Brocardo, que governou os carmelitas por 52 anos e faleceu aos 80. Ele se tornou famoso por seus milagres, ressuscitando um jovem que depois se fez monge carmelita com o nome de Frei Jonas.

Grande taumaturgo
Aos 25 anos, Santo Ângelo foi mandado de volta a Jerusalém para ser ordenado sacerdote. Seu irmão viria a se tornar mais tarde Patriarca da Cidade Santa.

A legenda narra que Ângelo, em sua viagem de volta a Jerusalém, tinha que atravessar o rio Jordão. Mas, como as chuvas haviam-no feito transbordar, deixando muitas pessoas esperando às suas margens, o santo convidou então umas sessenta pessoas a rezarem a Deus, pedindo que os socorresse pelos méritos dos Santos Elias e Eliseu. Imediatamente as águas baixaram, e todos atravessaram o rio a pé enxuto.

         São inúmeros os milagres operados pela intercessão desse santo enquanto esteve em Jerusalém, como que participando da força taumatúrgica dos profetas Elias e Eliseu. Entre os muitos milagres que lhe são atribuídos, podemos citar: fazer retornar à superfície um machado caído na água; a travessia do rio Jordão a pé enxuto, como vimos; a cura de leprosos; a ressurreição de mortos; e fazer cair fogo do céu.


São Domingos e São Francisco, representados no quadro, se encontraram com Santo Ângelo na catedral de São João de Latrão.

Encontro de três santos

No século XIII viveram São Francisco de Assis e São Domingos de Gusmão, os dois grandes santos cujas Ordens religiosas — dos Frades Menores e dos Dominicanos — deram grande empuxe espiritual à Santa Igreja na Idade Média. Ângelo foi enviado a Roma para pedir ao Papa Honório III (o mesmo que confirmou a Ordem Franciscana) a aprovação da nova e definitiva Regra do Carmelo. Entretanto, esse Pontífice só a aprovou inicialmente em 1226, sendo ela depois confirmada por Gregório IX em abril de 1229. Pelo que é provável que nessas datas o santo já tivesse sofrido o martírio.

         Na Cidade Eterna, aonde tinham ido para tratar da aprovação de suas Ordens, São Domingos e São Francisco se encontraram com Santo Ângelo na catedral de São João de Latrão. O Poverello de Assis, apontando para ele, disse ao fundador dos dominicanos, fazendo um jogo de palavras com o nome Ângelo (anjo): “Eis um Anjo de Jerusalém; seu nome está já inscrito no Céu, como mártir”. Dizendo isso, avançou até ele e lançou-se a seus pés. Santo Ângelo, reconhecendo São Francisco por inspiração divina, ergueu-o e disse-lhe: “Que felicidade encontrar-vos, Irmão Francisco, a vós que sois um homem verdadeiramente humilde, e que mereceis portar as marcas sagradas da nossa Redenção!”. Os três santos então se uniram num abraço.

Combate aos hereges cátaros
         Após pregar com muito proveito em São João de Latrão, Santo Ângelo foi enviado à Sicília, a qual estava infestada pelos hereges cátaros. Essa heresia se propagara do Oriente para o Ocidente depois do ano 1000. Era uma seita gnóstica que concebia uma luta entre dois princípios antagônicos — o do bem e o do mal —, afirmando que o mundo procedia do mal. Por isso condenava radicalmente tudo quanto é carnal e terreno, o que levava muitos de seus mais fanáticos a morrerem de fome. Eram contra o matrimônio, razão pela qual os “perfeitos” se abstinham das práticas sexuais a ele inerentes, mas aprovavam as uniões livres. Negavam a ressurreição da carne, eram vegetarianos e condenavam a propriedade privada. Essa total rejeição do mundo, enquanto origem de todo o mal, não deixava lugar para a Redenção e a caridade.

Essa seita herética estava em fase de expansão em todo o Ocidente cristão, assumindo no período em que viveu Santo Ângelo várias denominações nos países em que se encontravam: albigenses, búlgaros, patarinos, publicanos. O santo não só pregava aos cátaros, mas também aos judeus, obtendo inúmeras conversões.

Martirizado como vingança do herege

         Na Sicília, Santo Ângelo foi para a cidade de Alicata, sede de muitos hereges daquela seita. Lá havia um conde de nome Berengário, muito respeitado em todo o país, apesar de obstinado cátaro. Levava uma vida extremamente escandalosa, vivendo em incesto com Margarida, sua própria irmã. O santo foi até eles e exprobrou-lhes privadamente a vida infame, incitando-os ao arrependimento. Margarida, tocada pela graça, rompeu a relação pecaminosa e se converteu, mas Berengário permaneceu impassível. Como as admoestações em privado não surtiram efeito, o santo o repreendeu publicamente, ameaçando-o com os castigos de Deus. E o fez com tanta energia, que até os mais íntimos confidentes do conde o abandonaram. Este jurou vingar-se.

         A data do martírio de Santo Ângelo é controvertida. Enquanto vários hagiógrafos a dão como ocorrida em maio de 1220 ou 1226, outros, como o Martirológio Romano Monástico, a fixam para o ano de 1225. Seja como for, ao sair ele da Missa que celebrara na igreja de São Felipe e São Tiago, foi atacado por sicários do conde, que o feriram com cinco golpes de espada, enquanto ele dizia: “Senhor, em vossas mãos encomendo meu espírito”. Muito ferido, foi transportado para uma casa vizinha. Quatro dias depois, dia 5 de maio, entregou sua alma indomável a Deus, após recomendar aos fiéis que perdoassem o assassino.

         Segundo a tradição, Berengário pôs fim aos seus crimes e à sua miserável vida, enforcando-se em sua casa. Ângelo foi sepultado na mesma igreja de São Felipe e São Tiago. Seu sepulcro logo se tornou lugar de peregrinação, e seu culto difundiu-se rapidamente. A Ordem do Carmo passou a venerá-lo como santo, pelo menos a partir de 1456, e o Papa Pio II (1405-1464) aprovou seu culto.

         Em 1657 a região foi assolada por uma peste, o que levou os habitantes do vice-reinado de Nápoles a implorar a proteção de Santo Ângelo. Alicata foi poupada da peste, e em agradecimento seus habitantes construíram uma nova igreja — Santa Maria do Monte Carmelo — para acolher as relíquias do Santo, o que se deu em 1662.

         Os frades carmelitas difundiram a devoção a Santo Ângelo, primeiro na Europa, depois nas Américas. Ele se tornou padroeiro de muitas localidades, inicialmente na Itália e depois em outras regiões da Europa. Os primeiros padres carmelitas da América difundiram a sua devoção, construindo igrejas e dando seu nome a aldeias que se formavam. Seu culto também chegou ao Brasil, onde há cidades que o têm como patrono. Sua veneração se manteve até nossos dias, sendo invocado pelo povo devoto em suas dificuldades.

Defensor do direito de Deus na lei natural

Casa na qual, segundo a 
tradição popular, Santo 
Ângelo residiu em março 
de 1220

         “Na Suma Teológica, São Tomás de Aquino afirma que a lei natural é ‘a participação da lei eterna na criatura racional’. Segundo ele, graças a uma disposição inata — ‘sinderese’ —, o homem tem o ‘conhecimento habitual’ dos primeiros princípios da lei natural, inscritos por Deus em sua alma. Nesta perspectiva, defender a lei natural — que não é senão a participação da lei eterna na criatura racional — equivale a defender os direitos de Deus e, no final, a defender Deus.
“A partir daí, podemos entender a gravidade dos pecados cometidos contra a lei natural, o que também explica por que a Igreja conta entre seus mártires não apenas aqueles que derramaram seu sangue para a defesa da fé, mas também para a lei divina. Por exemplo, São João Batista, São Tomás Morus, São João Fisher, que defenderam a indissolubilidade do casamento e a lei natural.
“Dois santos que a Igreja comemora a 5 e 7 de maio trazem este glorioso halo: Santo Ângelo de Jerusalém e Santo Estanislau, Bispo de Cracóvia”.2 Ambos deram a vida em defesa dessa lei natural, ou seja, dos direitos de Deus sobre as criaturas.3
________________
Notas:
Fonte: Revista Catolicismo, Nº 833, Maio/2020.
1.      René Grousset, Histoire des Croisades et du Royaume Franc de Jérusalem, Paris, Librairie Plon, Les Petits-Fils de Plon et Nourrit, 1935, p. 610.
3.      Outros sites consultados:
http://www.santiebeati.it/dettaglio/51875
https://cleofas.com.br/55-santo-angelo/




* * *