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sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

13 DE DEZEMBRO, DIA DE SANTA LUZIA



  
          Santa Luzia foi uma das mais veneradas santas da antiguidade.  Recebeu primorosa educação cristã de modo que se sentiu dominada pelo amor a Cristo emitindo, desde cedo, o voto de perpétua virgindade.

            Mas, sua mãe desejava que Luzia se casasse com um jovem de distinta família, mas pagão. Aconteceu que, após uma romaria ao túmulo de Santa Águeda, Luzia recusou a proposta do matrimônio. Prevendo uma vingança e o martírio, Luzia distribuiu seus bens aos pobres e se preparou para o que viesse com fervorosa oração.

          O jovem que esperava casar-se com Luzia transformou o amor em ódio e denunciou-a ao governador de dois crimes: de não ter cumprido a palavra e de ser cristã. Foi martirizada no dia 13 de dezembro de 303.

            Santa Luzia é invocada como protetora contra as doenças dos olhos. Provavelmente esta conexão se deve ao fato de que o nome de Luzia em latim se liga a palavra luz.

                                Frei Marcos Antônio de Andrade, OFM
                                                                                 Agudos/ SP

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ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS EMPOSSA SUA NOVA DIRETORIA PARA 2020



"Não haverá saída possível se não lançarmos um olhar frontal e desarmado para o presente. Não como súditos ou inimigos, mas enquanto cidadãos para construir, de forma inclusiva e generosa, o bem comum", enfatiza Marco Lucchesi em seu discurso de posse na Presidência da ABL.

A nova Diretoria da Academia Brasileira de Letras, eleita no dia 5 de dezembro, tomou posse no dia 12 de dezembro, às 17h00, no Salão Nobre do Petit Trianon (Avenida Presidente Wilson, 203 - Castelo, Rio de Janeiro).  

O Presidente é o Acadêmico e escritor Marco Lucchesi. Assumiram, ainda, os seguintes Diretores: Secretário-Geral: Merval Pereira; Primeiro-Secretário: Antônio Torres; Segundo-Secretário: Edmar Bacha; Tesoureiro: José Murilo de Carvalho. 
Em seu discurso de Posse, Lucchesi afirmou: "Não haverá saída possível se não lançarmos um olhar frontal e desarmado para o presente. Não como súditos ou inimigos, mas enquanto cidadãos para construir, de forma inclusiva e generosa, o bem comum’.

 
DIRETORIA DA ABL PARA 2020


MARCO LUCCHESI – Sétimo ocupante da Cadeira n.° 15 da ABL, eleito em 3 de março de 2011, na sucessão de Padre Fernando Bastos de Ávila, Marco Lucchesi, nascido no Rio de janeiro em 9 de dezembro de 1963, é o mais jovem Presidente da Academia Brasileira de Letras dos últimos 70 anos. O mais novo, em toda a história da ABL, foi o Acadêmico Pedro Calmon (1902-1985), que assumiu, em 1945, com 43 anos de idade.
Escritor muitas vezes premiado, tanto no Brasil quanto no exterior, Lucchesi é autor de uma obra que abarca poesia, romance, ensaios, memórias e traduções. Publicou mais de 40 livros ao longo de sua trajetória. Professor titular de Literatura Comparada da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), tem pós-doutorado em Filosofia da Renascença na Alemanha. Formado em História pela Universidade Federal Fluminense (UFF), possui mestrado e doutorado em Ciência da Literatura. Seus livros mais recentes são O carteiro imaterial (ensaios), Clio (poesia) e O bibliotecário do imperador (romance). Ganhou três Prêmios Jabuti da Câmara Brasileira do Livro.


MERVAL PEREIRA – Oitavo ocupante da Cadeira n.° 31, eleito em 22 de junho de 2011, na sucessão de Moacyr Scliar, Merval Pereira é jornalista e comentarista da GloboNews e da CBN, e colunista de O Globo. Foi eleito Correspondente Brasileiro da Academia das Ciências de Lisboa em novembro de 2016. Em 1979, recebeu o Prêmio Esso pela série de reportagens “A segunda guerra, sucessão de Geisel”, publicada no Jornal de Brasília e escrita em parceria com o então editor do jornal, André Gustavo Stumpf. A série virou livro, considerado referência para estudos da época e citado por brasilianistas, como Thomas Skidmore. Em 2009, recebeu o prêmio Maria Moors Cabot da Universidade de Columbia de excelência jornalística, a mais importante premiação internacional do jornalismo das Américas.


ANTÔNIO TORRES – Nascido na Bahia, Antônio Torres estreou na literatura em 1972, com o romance Um cão uivando para a Lua, considerado pela crítica a revelação daquele ano. Hoje, entre os seus 17 títulos publicados, destaca-se a trilogia formada por Essa terra (1976), O cachorro e o lobo (1997) e Pelo fundo da agulha (2006). Em 1998, foi condecorado pelo governo francês como Chevalier des Arts et des Lettres, pelos seus livros traduzidos na França. Em 2000, teve o reconhecimento nacional ao receber o Prêmio Machado de Assis, da ABL, pelo conjunto da sua obra. Em 2001, ganhou o Prêmio Zaffari & Bourbon. Recebeu ainda, entre outros, o Grande Prêmio Cidade do Rio de Janeiro, da Academia Carioca de Letras, e o Prêmio da Academia Petropolitana de Letras, ambos pelo conjunto da sua obra, da 9.a Jornada Nacional de Literatura, da Universidade de Passo Fundo, RS, pelo romance Meu querido canibal. Em 2007, Pelo fundo da agulha foi um dos ganhadores do Prêmio Jabuti. Seus livros, que passeiam por cenários rurais, urbanos e da História, têm tido várias edições no Brasil e traduções em muitos países; da Argentina ao Vietnã. De 1999 a 2005, foi Escritor Visitante da UERJ – Universidade do Estado do Rio de Janeiro, quando ministrava oficinas literárias, realizava aulas inaugurais e proferia palestras nos campi do Maracanã, da Faculdade de Formação de Professores da UERJ em São Gonçalo e da Faculdade de Educação da Baixada Fluminense da UERJ em Duque de Caxias. 


EDMAR BACHA – Economista, fundador e diretor do Instituto de Estudos de Política Econômica/Casa das Garças, um centro de pesquisas e debates no Rio de Janeiro, nasceu em Lambari, Minas Gerais, de uma família de escritores, políticos e comerciantes. Sexto ocupante da Cadeira n.° 40, eleito em 3 de novembro de 2016, na sucessão de Evaristo de Moraes Filho, concluiu a Faculdade de Ciências Econômicas na Universidade Federal de Minas Gerais e, em seguida, obteve o ph.D. em Economia na Universidade de Yale, EUA. É autor de inúmeros livros e artigos em revistas acadêmicas brasileiras e internacionais. O último livro foi Belíndia 2.0: Fábulas e Ensaios sobre o País dos Contrastes.


JOSÉ MURILO DE CARVALHO – Historiador e professor emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Nascido em Andrelândia (MG), fez sua graduação em Sociologia e Política na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e é ph.D. pela Universidade de Stanford. Atuou como professor visitante e pesquisador em diversas universidades estrangeiras, como Oxford, Leiden, Londres, Stanford e Princeton. É autor de vasta produção de artigos e crônicas publicados em jornais e revistas, no Brasil e exterior, e de livros, como Os bestializados (1987), Pontos e bordados (1998), A formação das almas – o imaginário da República no Brasil (1990), Cidadania no Brasil: o longo caminho (2001) e Dom Pedro II (2007). Seu livro mais recente é O pecado original da República.

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quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

NOSSA SENHORA DE GUADALUPE


Hoje é a festa de Nossa Senhora de Guadalupe.
Em vez de eu falar, hoje Ela nos falará.
Nós a ouviremos, como Juan Diego:

– "Juanito! Juan Dieguito! Menor dos meus filhos, fica sabendo que sou Maria sempre Virgem, Mãe do verdadeiro Deus, por quem vivemos
Desejo muito que se erga aqui um templo para mim, onde mostrarei e prodigalizarei todo o meu amor, compaixão, auxílio e proteção a todos os moradores desta terra e também a outros devotos que me invoquem confiantes.

Vai e põe nisto todo o tem empenho.

– Ouve e entende bem uma coisa, tu que és o menorzinho dos meus filhos: o que agora te assusta e aflige não é nada. Não se perturbe o teu coração nem te inquiete coisa alguma. Não estou aqui, eu, tua mãe? Não estás sob a minha sombra? Não estás porventura sob a minha proteção?"

Precisa acrescentar algo mais!? Com a bênção e oração.
Dom Ceslau.


Dom Ceslau Stanula, 
Bispo Emérito da Diocese de Itabuna, escritor, membro da Academia Grapiúna de Letras (AGRAL)

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SEM ESQUECER - Merval Pereira


A operação Mapa da Mina, nome cuja explicação ainda está para ser dada, e representa a própria essência da nova fase da Lava Jato, é um recado para quem acha que já está livre das investigações. Há dois anos e dez meses a Operação Aletheia, que levou o ex-presidente Lula a depor coercitivamente à Polícia Federal no aeroporto de Congonhas, foi iniciada, mas só agora chega a seu fim.

Foram documentos apreendidos naquela ocasião que levaram a essa operação de ontem, e o nome dela é o título da apresentação financeira interna do grupo que foi investigado pela Aletheia. Ainda não se sabe o que significa, mas que o nome é sugestivo, isso é.

Entre os investigados estão os filhos de Lula, Fabio Luis, que o ex-presidente dizia ser “o Ronaldinho dos negócios”, Marcos Claudio, Sandro Luis e Luis Claudio. A “coincidência” de que estavam envolvidos em negócios milionários com Jonas Suassuna e a família Bittar, proprietários no papel do sítio de Atibaia, reforça a suspeita de que o ex-presidente era, na verdade, o proprietário oculto do sítio, que seria um pagamento pelos favores feitos a seus negócios.

Os dois entraram em negócios que tinham o apoio financeiro da empresa de telefonia celular Oi, tudo indica, segundo o Ministerio Público e a Polícia Federal, como recompensa a favores do governo. Há de tudo nesse processo, até a evidência de que o aparelhamento das estatais e das agências reguladoras propiciou a nomeação de diretores da Anatel para favorecer os interesses da Oi, inclusive na fusão com a Brasil Telecom que necessitou de uma mudança legal para ser concretizada.

Outra coincidência é que a juíza Gabriela Hardt, que ficou algum tempo como interina de Sergio Moro em Curitiba, recusou ontem a prisão preventiva de Lulinha, pedida pela Policia Federal. A juíza, que condenou Lula no caso do sitio de Atibaia, é constantemente citada pelos petistas como perseguidora de Lula.

No caso em que Lula foi condenado pela juíza, o interessante é que a acusação contra Lula é de ter se aproveitado de obras de infraestrutura das construtoras OAS e Odebrecht no sítio que usava como sendo seu. Não houve acusação formal de que o sítio fosse de Lula, porque ainda não havia provas suficientes.

Desta vez, a acusação é justamente essa, unindo os pontos do caso, que parecia à maioria mais evidente do que o do triplex. Agora, parece que a investigação encontrou o mapa da mina, que leva a milhões de reais recebidos de diversas maneiras pelos parentes do presidente.

Houve até um email pedindo ao pessoal da empresa de Jonas Suassuna para limpar das mensagens todas as referencias ao governo. Ele ganhou também muitos negócios para sua empresa de produtos digitais, como a Nuvem de Livros, financiada por dinheiro governamental e que não apresentou resultados que justificassem esse aporte, segundo a acusação.

Várias outras empresas envolvidas há muito na Lava Jato aparecem também nessa investigação, confirmando que, conceitualmente, o trabalho de Curitiba ainda tem muito a revelar. Os bancos de dados das diversas operações levam a novas investigações, como já acontecera outras vezes.

Acusações que aparentemente foram descartadas voltam à tona com o prosseguimento das investigações. Foi também uma demonstração de que o Procurador-Geral da República Augusto Aras fez bem em voltar atrás na ideia de reduzir o aparato mobilizado para a Operação Lava Jato.

Ainda há muito a fazer, como garantem os procuradores de Curitiba. A montagem do quebra-cabeças, como classificou o procurador Pozzobon, requer muita persistência, e por isso também os processos não devem ser distribuídos por diversos estados, como volta e meia tentam os advogados de defesa.

A tese de que é preciso centralizar as investigações para ter melhores resultados vai se confirmando à medida que as investigações prosseguem. Novos desdobramentos, como os de ontem, mostram à sociedade que a busca dos culpados nas diversas fases da operação Lava Jato não cessa. 

O Globo, 11/12/2019


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Merval Pereira - Oitavo ocupante da cadeira nº 31 da ABL, eleito em 2 de junho de 2011, na sucessão de Moacyr Scliar, falecido em 27 de fevereiro de 2011, foi recebido em 23 de setembro de 2011, pelo Acadêmico Eduardo Portella.

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IGREJA CONVIDA FIÉIS DA AMÉRICA LATINA A REZAREM PELA PAZ NESTE DIA DE GUADALUPE



Redação da Aleteia | Dez 12, 2019

O objetivo da iniciativa é a união dos católicos em oração para que todos os países da região obtenham a graça da paz.

O Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam) convidou as conferências episcopais, organizações eclesiais, comunidades religiosas, movimentos apostólicos e os fiéis em geral a se unirem ao Dia Continental de Oração pela Paz, em favor dos povos da América Latina e do Caribe, neste dia 12 de dezembro, festa de Nossa Senhora de Guadalupe.

O objetivo da iniciativa é a união dos católicos em oração para que todos os países da região obtenham a graça da paz.

“Convidamos vocês a organizar com suas comunidades paroquiais, movimentos apostólicos, conferências episcopais, famílias e amigos, um momento de oração, rezando o terço, participando de uma liturgia da Palavra ou da Eucaristia ou dedicando um tempo durante o dia para rezar por essa intenção”.

O Celam também convidou os fiéis a compartilharem nas redes sociais a sua adesão ao Dia Continental de Oração pela Paz mediante a hashtag #AméricaLatinaRezaPorLaPaz:

“Conte-nos de onde vocês se unirão para rezar pela paz no continente, como celebrarão a festa da Virgem de Guadalupe em seu países. Recordamos que a mensagem da Virgem de Guadalupe é a da harmonia entre todos os povos numa única civilização de amor e dedicação a Deus”.

A nota do Celam termina afirmando:

“Maria aperfeiçoa a inculturação do Evangelho. Ela é o nosso modelo de discípula e missionária a quem confiamos o destino de nossos povos”.




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quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

NATAL - Helena Borborema



            O Natal da menina começava uma semana ou mais antes da data marcada no calendário. Uma alegria íntima, cheia de expectativas, tomava conta do seu espírito, dias e dias antes da festa. A data do nascimento de Cristo não era tão comercial como nos dias atuais, embora não faltasse espírito mercantil entre os adultos. Era uma festa na qual predominava um sentimento de espiritualidade. Não havia ainda a força dominante da mídia para induzir somente ao material, eliminando toda a pureza do sentimento da grande festa cristã. Era esta uma festa de fraternidade, isso se evidenciava no costume de se presentear amigos e vizinhos. Nunca faltavam os cartões de Boas Festas, mesmo para os mais distantes, que não podiam ser esquecidos.

            As casas comerciais, lojas, açougues, farmácias, padarias, armazéns, todos tinham por cortesia distribuir bonitos calendários com os fregueses. As farmácias ainda distribuíam com os compradores os almanaques “Cabeça de Leão”, “Capivarol”, “Saúde da Mulher” e “Biotônico Fontoura”. Entre os vizinhos havia a troca de bolos e compotas caseiros, enviados com o maior esmero. Para os mais chegados, ia o queijo de cuia ou uma garrafa de bom vinho. Dos compadres ou clientes das roças, chegavam gordos perus e leitoas. Enfim, todos tinham alguma coisa para dar e receber, num intercâmbio fraternal.

            Na rua do comércio, isto é, no Buri (Sete de Setembro) e na Praça Adami, o Natal era de muita festa ao ar livre, jogos e quermesses.

            Numa dessas festas, na década de trinta, a Praça Adami foi cenário de dois fatos que causaram alegria às crianças: a instalação do primeiro parque de diversões com sua roda gigante - uma sensação na cidade -, e uma máquina de fazer pipocas - uma novidade. As gambiarras aumentavam o ar de festividade. Semanas antes do Natal, as lojas se enchiam de brinquedos. Nos lares, era uma azáfama com os preparativos da limpeza de assoalhos, pintura de paredes, confecção de arranjos e enfeites. Era tempo de engorda dos Perus cevados especialmente para a ceia, do bolo inglês, dos sequilhos. Mas para a menina, a alegria culminava com a elaboração do presépio que o pai fazia para ela e os irmãos. Deixando de lado qualquer compromisso, ele tirava o domingo mais próximo do Natal para armar com os filhos, embora crianças, o esperando presépio. Era uma festa. Todos colaboravam na confecção, com trabalho e ideias, colocando as inúmeros figurinhas conforme o gosto e a imaginação de cada um. Um bonito painel mandado pintar com cenário da cidade de Belém servia de fundo. Grãos de arroz e milho plantados com antecedência, em latinhas, formavam a grama que dava o verde nas planícies bíblicas. Areia fina trazida da praia, e conchinhas contornavam lagos de espelho. Rebanhos de ovelhas de celuloide ou cerâmica eram espalhados sobre montes feitos de papel amassado pintado de roxo-terra e pastagens.  

            Pronto o presépio, achado bonito, tudo no devido lugar,  o Deus-Menino com os pais na manjedoura, os patinhos na Lagoa, os Reis Magos com seus camelos, pastores, rebanhos, tudo enfim, estava instalada a grande alegria do Natal. Agora era só esperar os presentes e aí vinha a expectativa. No dia previsto, os meninos procuravam acordar bem cedo para pegar Papai Noel em flagrante, mas o velhinho nunca foi “pego” como se diz hoje. Entrava na casa para deixar os presentes junto ao presépio, e saía sem nunca ter sido visto pelas crianças. Este era um mistério que fazia um dos encantos do dia de Natal e motivo de muitas cogitações.

            Fazendo parte dos festejos, estava a visita a outros presépios que muitas famílias armavam e toda criança gostava de ver. O da Igreja era bonito, mas um tanto solene para a menina. As figuras sagradas, os Magos e os animais, uns na manjedoura, outros trilhando uma estrada, guiados por uma grande estrela brilhante, eram admirados com todo respeito, em silêncio. Outros presépios eram também visitados, grandes e bonitos como o de dona América Freire, na Rua Duque de Caxias, e o de dona Gabriela, que ocupavam metade da sala, mas o que mais empolgava a menina era o de dona Chiquinha, na rua Paulino Vieira. Este era a grande atração, não só pelo tamanho, mas pela curiosidade que despertava. Além das tradicionais figuras, havia uma estrada de ferro com a locomotiva, um enorme dragão se balançando de uma árvore, aviões pendurados por finos arames, dinossauros, baleias nadando no lago, um exército de soldadinhos de chumbo com metralhadoras, até um arranha-céu se destacava no meio do modesto casario da cidade de Belém. Aquela profusão de figuras fazia a alegria da menina que não se fartava de buscar com os olhos as coisas e seres exóticos do presépio de dona Chiquinha. Esse presépio, para o espírito de uma criança, era tão bonito que nunca foi esquecido.

            Tempos bons os daqueles Natais de Itabuna! O Natal da Missa do Galo , na porta da igreja de São José , na Praça Olinto Leone, à qual todos podiam ir sem medo, alegres, rezando sob a luz das estrelas, na missa campal, despreocupados porque voltariam incólumes para casa; da troca de presentes que todos podiam dar, das festas de rua de que todos participavam e se divertiam em família, das quermesses, das casas cheirando a folhas de pitangueira, dos presépios armados com  tanta pureza de espírito, com tanto amor e singeleza de coração que tudo se tornava possível, até mesmo a capacidade de deixar uma lembrança que foi guardada como uma das mais lindas recordações de uma menina.


(RETALHOS)
Helena Borborema

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Helena Borborema - Nasceu em Itabuna. Professora de Geografia lecionou muitos anos no Colégio Divina Providência, na Ação Fraternal e no Colégio Estadual de Itabuna. Formada em Pedagogia pela Faculdade de Filosofia de Itabuna. Exerceu o cargo de Secretária de Educação e Cultura do Município. (A autora)

“Filha do Dr. Lafayette Borborema, o primeiro advogado de Itabuna. É autora de ‘Terras do Sul’, livro em que documento, memória e imaginação se unem num discurso despretensioso para testemunhar o quadro social e humano daqueles idos de Tabocas. Para a professora universitária Margarida Fahel, ‘Terras do Sul’ são estórias simples, plenas de ‘emoção e humanidade, querendo inscrever no tempo a história de uma gente, o caminho de um rio, a esperança de uma professora que crê no homem e na terra’” (Cyro de Mattos)










EDITORA GERAÇÃO LANÇA LIVRO QUE CONTA A HISTÓRIA DE “LUIZA MAHIN”, LÍDER DA MAIOR REVOLTA NEGRA DO BRASIL


Escrita por Armando Avena, autor com nove livros publicados, a obra conta a vida romanceada de Luiza Mahin,  líder da maior rebelião urbana de escravos no Brasil. A história conta  como  os escravos negros tomaram a cidade de Salvador por um dia tendo como objetivo libertar os escravos e criar um estado islâmico no Brasil



A Editora Geração está lançando “Luiza Mahin”, romance que conta a luta e os amores de Luiza Mahin a principal heroína negra da história do Brasil. A obra, escrita por Armando Avena, tem como pano de fundo a Revolta dos Malês, a maior rebelião urbana de escravos no Brasil.

Em janeiro de 1835, aproximadamente mil homens e mulheres, armados e com vestes brancas, tomaram a cidade de Salvador com o objetivo de libertar os escravos e criar um Estado Islâmico. Esses revoltosos eram escravos negros muçulmanos alfabetizados, que se uniram a negros animistas (não-muçulmanos) para assim tomar o poder. A revolta foi planejada em todos os detalhes e até um banco foi criado para financiar as ações.

A narrativa acompanha o movimento dos negros muçulmanos e entrelaça a revolta com a biografia e os amores da líder, Luiza Mahin.

Em meio a seus romances, Luiza Mahin se relacionou com um fidalgo português, que derivou no nascimento de seu filho Luiz Gama, o primeiro poeta negro brasileiro. No romance Luiza Mahin tem ascendência entre os negros, mas é uma mulher livre, uma negra liberta dona de seus amores. Ela foi amante de Ahuna, líder da revolta muçulmana e do procurador da cidade, o branco Angelo Ferraz.

Figura venerada até hoje pelos baianos, considerada um dos símbolos da luta feminina contra a escravidão, a existência de Luiza Mahin ainda provoca debates no âmbito da historiografia oficial, mas no romance de Avena a protagonista é o principal elo de ligação de diversos personagens recorrentes da tradição oral da Bahia que terão suas histórias expostas. Em consequência ao período histórico, a obra retrata aspectos do cotidiano da maior cidade negra do Brasil na época escravista, e a relação de miscigenação imposta entre os Senhores de Engenho e mulheres negras escravizadas.


Sobre o autor:
Armando Avena, nascido em Salvador, é economista, jornalista e escritor. Membro da Academia de Letras da Bahia, é autor de outros nove livros, com destaque para “O Manuscrito Secreto de Marx”, finalista do Prêmio Machado de Assis da Biblioteca Nacional, e “Maria Madalena: O Evangelho Segundo Maria”, publicado pela Geração.


Serviço:
Luiza Mahin
Autor: Armando Avena
Editora Geração
ISBN:
Edição: 2019
Formato:
Número de páginas:
Assunto: romance

Informações à Imprensa – Way Comunicações
Bete Faria Nicastro
Telefones: (11) 3862-1586 / 3862-0483 / 99659-2111

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