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quarta-feira, 19 de junho de 2019

ITABUNA CENTENÁRIA SORRINDO: Você já foi de esquerda


Tenha mais paciência e tolerância com os petistas. Afinal, você também já foi da esquerda.

Ao nascer, você: 


1. Era incapaz de raciocinar e nada produzia.

2. Nasceu pelado e esperando que alguém te vestisse;

3. Era dependente de todos para tudo. Até para ir para algum lugar, alguém tinha que te levar no colo;

4. A primeira coisa que fez depois que saiu da barriga foi berrar e só sabia berrar para conseguir o que queria;

5 .Não tinha nem educação e nem senso crítico;

6. Era incapaz, não fazia nada e só ficava no berço deitado enquanto os outros faziam tudo.

7. Tirava o sono dos outros.

8. Era uma cagada atrás da outra, mas os outros que tinham que limpar.

9. Não enxergava um palmo à frente e tinha dificuldade de abrir os olhos.

10. Não podia ver uma teta que já queria mamar. 

Kkkkkkk.

(Autor não mencionado)

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terça-feira, 18 de junho de 2019

COISAS DA VIDA – Ariston Caldas



            O maior desejo de Maria era o de ser cantora; nem tanto pela voz. Ela sabia não ser lá essas cosas era pelo charme pela grana – tantos mil por uma apresentação. Nem achava que a voz de algumas cantoras fosse o que dizem por aí, mas estão sempre faturando. Precisava era de um pistolão de peso para encaminhá-la ao cenário artístico; um diretor, um empresário de prestígio, um fazendeiro, um cantor de cartaz. Ser artista era seu maior sonho, comparável somente ao de casar-se com um homem rico com apartamento e carro. Aos quatorze namorou um rapaz mais ou menos assim, mas o romance durou quase nada. Ela descobriu que o sujeito era homossexual e, aí, foi o fim. Depois da desdita, andou perambulando com o dono de uma lanchonete que se quebrou e desapareceu.

            Olhava-se no espelho e sentia que não era feia; não era nenhuma misse, mas reconhecia seus cabelos cacheados atraentes, os olhos sombreados naturalmente, as pestanas longas; além desses atrativos tinha o corpo esbelto e pernas bem feitas, os pés pequenos que ficavam chique em sandálias de tirinhas; os seios, médios-pontiagudos; sabia ainda ser meiga e preparada para os momentos necessários. Sentia essas coisas com o pensamento voando sobre um palco, a multidão à frente, aplaudindo. Ganharia um nome artístico. “Qual?” Um especialista diria. Ia participar de um programa de calouros de porte nacional, patrocinado por uma tv famosa. Era só inscrever-se e tinha um pistolão importante. “Menina bonita como você não deve ficar perdendo tempo numa lojinha qualquer”, disse-lhe o pistolão influente, fazendeiro e dono de uma emissora de rádio. “Quem sabe! Ele é um sujeito poderoso”. Cantaria uma música baiana das melhores, nada daquele romantismo ultrapassado me besta. Teria que ensaiar bem com o conjunto. O pistolão voltou várias vezes; o último encontro deu-se no escritório dele, a boquinha da noite. “sente aqui”. O “aqui” dele era nas próprias pernas. Maria estranhou o convite. “Por quê?” Ela não sentou-se e fingiu não entender; o sujeito levantou-se e, com as duas mãos, apalpou nos seios dela que afastou-se , encostando-se à parede; “peste”, pensou mas não disse. “Bobinha”, disse-lhe ele, avançando macio. “Eu grito”. Ele se acalmou treiteiro. Maria abriu a porta e correu para o elevador, assustada, apavorada com o sujeito que era muito feio e agressivo, rangendo os dentes para ela. Tudo acabou aí.

            Afastou-se do espelho e saiu para o quintal onde foi escovar os dentes na pia junto à cerca lateral; ao lado, a mãe dela, com uma bacia cheia d'água, molhava umas leiras de alface; duas galinhas pedreses ciscavam pelo terreiro; o sol vinha saindo desmanchando as sombras no quintal; o pai, apelidado de Bené, ainda dormia na marquesa antiga comprada quando casou; ele sentia frio e se enrolara até o nariz com uma coberta dorme-bem com duas listras vermelhas atravessadas. Ela sentia o envelhecimento do pai. “Trabalhou com um bicho para criar meninos, ganhando ninharia”. O pistolão teria sido decisivo em sua participação no concurso de calouros, a começar pela compra de roupa bem cara, sapato muito chique, tudo o mais necessário. “E depois? Ora, foi logo antes. Quem mandou ele apalpar meus seios! Sou alguma prostituta? Maria afastou-se espantada e sumiu entrando no elevador que havia chegado.

            No auditório eu estaria apinhado do e gente, a mesa julgadora presidida por pessoas importantes. Não pôde ir. Sem o pistolão nem pudera pagar a taxa de inscrição, quanto mais comprar um vestido decente, um sapato novo. “Isso influi”. Passou o dia pensando no assunto, no auditório superlotado, no conjunto musical; as amigas do bairro assistindo, os clientes da lojinha admirados, os colegas de trabalhos torcendo, e seu Bené ao lado da mãe dela, todo orgulhoso. “Besteira, perdi tudo só por causa de uma pegadinha nos peitos!”

            Estava na hora de sair para o trabalho, e saiu andando apressada para o ponto do ônibus; um carro passou em velocidade, um vento frio batia em seu rosto e balançava as árvores margeando o caminho. Apalpou os seios com as duas mãos e lembrou novamente do sujeito.


(LINHAS INTERCALADAS)
Ariston Caldas

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O VOO DA ÁGUIA



A águia é a ave que possui a maior longevidade da espécie. Chega a viver 70 anos. Mas para chegar a essa idade, aos 40 anos ela tem que tomar uma séria e difícil decisão.

Aos 40 anos ela está com as unhas compridas e flexíveis, não conseguindo mais agarrar suas presas, seu alimento... O bico alongado e pontiagudo se curva. Apontando contra o peito estão as asas, envelhecidas e pesadas em função da grossura das penas e voar fica cada vez mais difícil!

A águia então só tem duas alternativas: Morrer... ou enfrentar um doloroso processo de renovação que irá durar 150 dias. Esse processo consiste em voar para o alto de uma montanha e se recolher em um ninho próximo a um paredão onde ela não necessite voar. Após encontrar esse lugar, a águia começa a bater o bico no paredão até conseguir arrancá-lo. Após arrancá-lo, espera nascer um novo bico com o qual irá, depois, arrancar suas unhas.

Quando as novas unhas começam a nascer, ela passa a arrancar as velhas penas. E só após cinco meses sai para o famoso voo de renovação e para viver então mais 30 anos.

(Autoria não mencionada)


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segunda-feira, 17 de junho de 2019

VOCÊ E SUA PRÓPRIA CURA – Shelley Young



Sua cura é um processo espiritual.
Esperar que a conclusão venha
através de outra pessoa
é estar colocando sua cura
nas mãos erradas.
É estar jogando fora
seu próprio poder.


Quando você coloca seu foco sobre a cura, você se prende, esperando pela conclusão. Saiba que cabe somente a você encerrar uma fase ou experiência.

 Esperar que o fechamento venha de alguém pode ser uma prática defeituosa. Sua cura é um processo espiritual. Esperar que a conclusão venha através de outra pessoa é estar colocando sua cura nas mãos erradas. É estar jogando seu próprio poder fora. Pior, é colocar a sua cura nas mãos de uma pessoa que talvez já lhe tenha magoado, e provado que não percebe você na sua plenitude, sua verdade e seu valor.

 Então, agora, sua cura se torna dependente da cura e do crescimento de outra pessoa,  e não há garantia de quando ou, se essa pessoa, conseguirá o que é necessário para oferecer  o reconhecimento que você procura. Se alguém o feriu até o ponto em que você precisou se afastar, é altamente improvável que essa pessoa tenha a sabedoria ou o ponto de vista apropriado para lhe dar o que você precisa para a cura. Não é que ela tenha alguma fonte secreta de Amor e consciência que ela estaria escondendo de você. É mais provável que ela simplesmente não o tenha para dar, neste momento de sua missão.

Buscar a cura através de outra pessoa seria muito parecido com se aproximar de um fogão bem quente querendo conforto logo depois que você se queimou nele. Então, o que você faz? Por favor, entenda que você não precisa de nada fora de si para obter a conclusão que está procurando.

 O embrulho mais bonito de uma velha questão ou ferida vem do seu Amor próprio e do reconhecimento de que você merece muito mais. É estar assumindo o papel de Seu Próprio e Amoroso Pai, Seu Guia e Seu Melhor Amigo. A cura e o presente que você está procurando em tudo isso é a percepção de que você não está mais alinhado com as energias que lhe permitiram ser ferido em primeiro lugar, e que essas energias não têm mais nada a oferecer a você. Isso é usar sua experiência como um trampolim para algo muito melhor que honra e celebra quem você é.

 A conclusão é a retirada voluntária de seu apego energético ao que o feriu em primeiro lugar, e então, amorosamente, se guiar para uma linha completamente nova de potencial, onde sua cura completa existe e ocorre através de seu próprio fortalecimento. E o melhor de tudo isso, é que você pode escolher isso agora mesmo, para que possa seguir em frente com o Amor, Respeito e Apoio que você merecia esse tempo todo.




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SÉRIE ‘MÚSICA DE CÂMARA NA ABL’ DO MÊS DE JUNHO APRESENTA CONCERTO DO PIANISTA ROGÉRIO DUARTE


A Academia Brasileira de Letras, dando continuidade à sua série “Música de Câmara na ABL” de 2019, apresenta concerto do pianista Rogério Duarte, no dia 18 de junho, terça-feira, às 12h30min, no Teatro R. Magalhães Jr., Avenida Presidente Wilson, 203, 1º andar, Castelo, Rio de Janeiro. O Presidente da Academia, Marco Lucchesi, fará a abertura do espetáculo. Entrada franca.

PROGRAMA:

PARTE I

1) F. Chopin (1810 - 1849) - Polonaise, Op. 26 N.1
2) C. Debussy (1862 - 1918) - 2 Prelúdios:
- La Fille Aux Cheveaux de Lin
- La Cathédrale Engloutie
3) Aram Khachaturian (1903 - 1978) - Toccata

PARTE II

5) Eduardo Dutra - Prelúdio, Op 16 N. 4
6) Francisco Mignone (1897 - 1986) - 6 Prelúdios para Piano
7) H. Villa-Lobos (1887 - 1959) - Ciclo Brasileiro:
- Plantio do Caboclo
- Impressões Seresteiras
- Festa no Sertão
- Dança do Índio Branco

Saiba mais

Músico, compositor e eventual escritor, Rogério Duarte (22 anos) participou de concursos de poesias, crônicas e composição musical. Formado em música pela rede Faetec, tem experiência com coral e banda de sopros nas áreas de técnica vocal e regência, respectivamente, bem como aulas de piano/teclado.

Rogério Duarte vem-se apresentando em sua experiência com coros, solista e banda sinfônica em importantes teatros e salas de concerto do Brasil. É formado em Licenciatura em Música pela Unirio. Atua como pianista acompanhador/solista e professor. Integra, desde 2017, como pianista, a atração “Bitucanto, um espetáculo em homenagem a Milton Nascimento”, apresentado pelo Coro de Câmara da Escola de Música Villa-Lobos. Atualmente, trabalha como professor de Educação Musical - Colégio QI. Tem experiência na área de Artes, com ênfase em Educação Musical.

17/06/2019


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domingo, 16 de junho de 2019

MENOS REDE SOCIAL MELHORA A SOCIABILIDADE


16 de junho de 2019

Em um dos mais exaustivos estudos sobre os efeitos das redes sociais, as universidades de Stanford e Nova York concluíram que fazer menos uso das redes melhora a saúde mental, a sociabilidade e o ânimo das pessoas.

O estudo acompanhou mais de 2.800 voluntários que se submeteram a diversos testes, e revelou que “a desconexão melhorou a sensação de felicidade e satisfação, reduziu os níveis de ansiedade e depressão”.

Os que suspenderam o uso dedicaram mais tempo aos amigos e aos familiares. Voltando à normalidade depois dos testes, os usuários diminuíram espontaneamente, em 23%, o tempo que dedicavam à rede social.


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PALAVRA DA SALVAÇÃO (135)



Solenidade da Santíssima Trindade – Domingo, 16/06/2019

Evangelho (João 16: 12-15)

- O Senhor esteja com você.
- E com o seu espírito.
- Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + de acordo com São João. 
Glória a vós, Senhor.

Ainda tenho muito a dizer para você, mas agora você não pode fazer isso.
Quando ele vier, o Espírito da verdade vos guiará à plena verdade; porque ele não falará por si mesmo, mas falará o que ouvir, e anunciará a você o que está para vir. Ele me dará glória, porque receberá o que é meu e o anunciará a você.  Tudo o que o Pai tem é meu. É por isso que eu disse: Ele receberá o que é meu e o anunciará a você.

Palavra de Salvação.
Glória a vós, Senhor!

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Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Padre Roger Araújo:
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A Trindade marca encontro com a humanidade


“Quando vier o Espírito da Verdade, ele vos conduzirá à plena verdade” (Jo 16,13) 

Uma das expressões mais constantes nos discursos e na prática do Papa Francisco é o apelo a viver a “cultura do encontro”, inspirado na comunhão intra-trinitária: “Vivei a mística do encontro: a capacidade de ouvir atentamente as outras pessoas; a capacidade de procurar juntos o caminho, o método, deixando-vos iluminar pelo relacionamento de amor que se verifica entre as três Pessoas divinas e tomando-o como modelo de toda a relação interpessoal”.

Na contemplação da Encarnação dos Exercícios Espirituais, S. Inácio nos convida a imaginar a Trindade que, com seu olhar compassivo, acolhe “a grande extensão e a curvatura do mundo” com um abraço apertado e decidido, de tal maneira que nada do que é do mundo é deixado para trás, evitado ou negado.

O que aconteceu no mistério da Encarnação é algo surpreendente e cheio de novidade. A decisão da “humanização” de Jesus brota das entranhas do Deus Comunidade de amor: “ver e considerar as Três Pessoas divinas...”. Ao se revelar Manancial e Fonte de nossa humanidade, não é mais possível crer que o Deus Uno e Trino seja nosso rival, mas amigo; não é possível mais aceitar que Ele seja insensível, mas providente; que seja nossa ameaça, mas alívio; que seja nossa diminuição, mas plenitude; Ele não é o “juiz distante” mas o “Deus encontro”, fonte de nossa liberdade... 

Inspirados na linguagem da “Contemplação da Encarnação”, contemplamos, com o olhar da Trindade, nosso mundo fragmentado, vendo as diversidades em conflito que geram o sofrimento, a exclusão, a morte e os infernos... E esses espaços e fronteiras são cada vez mais extensos e problemáticos; mas, nas profundezas de todos esses “mundos que nos são estranhos” se revela a presença do Filho de Deus “novamente encarnado” (EE. 109). Pois tudo foi alcançado e redimido pelo amor encarnado de Deus.

O mistério da Trindade Amorosa nos conduz à contemplação da realidade na qual vivemos e nos inspira a uma proximidade e um conhecimento mais profundo do “mundo” para o qual somos enviados.

O mais importante nesta festa que estamos celebrando, seria purificar nossa ideia do Deus-Comunhão-de-Pessoas e ajustá-la cada vez mais à realidade que d’Ele Jesus nos quis transmitir. Jesus nos ensinou que, para fazer uma verdadeira experiência de Deus, o ser humano precisa aprender a olhar dentro de si mesmo (Espírito), olhar os outros (Filho) e olhar o transcendente (Pai). Jesus não pregou a Trindade, mas abriu o caminho que conduz ao Pai e nos legou seu Espírito.

Na realidade, a experiência dos primeiros cristãos é que a Trindade podia ser, ao mesmo tempo e sem contradição: Deus que é origem, princípio, fonte de tudo (Pai); Deus que se faz um de nós (Filho); Deus que se identifica com cada um de nós (Espírito). Estão nos falando da Trindade que não se fecha em si mesma, mas pura relação que transborda e se visibiliza na criação inteira, fazendo de cada ser humano sua morada. Deus é sempre Trindade, comunhão de Três Pessoas divinas, pelas quais circula toda a torrente de Vida Eterna.

Também S. Agostinho assim sintetizou esse mistério trinitário: “Aqui temos três coisas: o Amante, o Amado e o Amor”; um Pai Amante, um Filho amado e o vínculo que mantém unidos os dois, o Espírito de Amor. Sendo presença visível desta Comunidade de Amor, Jesus quer que entremos nesse mesmo fluxo do Amor, expansivo e vital. 

A festa do Deus-Trindade, do Deus dos encontros, é especialmente significativo para a o contexto atual, carregado de desencontros, de rupturas e profundas divisões; para quem crê na Trindade, os vínculos, a comunicação e a partilha são especialmente significativos; quem se deixa habitar pela Trindade, acolhe a diversidade e a reciprocidade como nutriente de sua maneira de estar e de viver no mundo; entrar no fluxo de vida da Trindade significa comprometer-se com a vida e não com a cultura de morte; trabalhar com a Trindade implica viver em rede humanizadora, valorizando a solidariedade, a colaboração e a interdependência. Todos esses valores, com suas luzes e sombras, são uma boa porta de entrada para iniciar-nos no conhecimento do mistério do Deus-Trindade anunciado por Jesus.

O Deus comunhão, que se revelou em Jesus, fundamenta e ilumina a dignidade e liberdade do ser humano, e o capacita a viver relações e interações transformadoras na vida social e na igreja. O Deus dos encontros suscita práticas de diálogo e de reciprocidade no amor, na acolhida e na potenciação da diversidade como riqueza.

Na contemplação do Pai, do Filho e do Espírito, aprende-se a amar, a relacionar-se, a sentir-se família com todos. Como Pai Bom que, no regresso do filho, o abraça com ternura, o cobre de beijos e lhe oferece o perdão gratuitamente. Como o Filho que se inclina para lavar e beijar os pés de cada ser humano, e se entrega como serviço. Como o Espírito que incita e sustenta com seu amor o ser humano, que é vínculo de união, criação e dinamismo, liberdade, fonte do maior consolo, luz na obscuridade, bálsamo para as feridas, criatividade e audácia na missão.

Portanto, a contemplação do mistério do Deus Trindade ativa em nós uma “maneira trinitária de ser e de estar” no mundo; nossa presença e nossa missão fazem do mundo em que vivemos um lugar transparente, santo e luminoso em Deus. A Trindade nos expande e nos lança em direção ao mundo, à humanidade, nos faz mais universais e nos capacita para sermos “contemplativos nos encontros”. 

Na espiritualidade cristã, quem experimenta o encontro com a Trindade, Fonte de vida e amor, começa a “ver” os homens e as mulheres no mundo como a Trindade mesma os vê. Precisamente por ter-se encontrado com a Trindade-Comunhão, a pessoa torna-se mais “encarnada” na realidade e mais comprometida com os irmãos e irmãs no mundo, sobretudo com os mais pobres, os mais sofridos e excluídos; é aquela que mais se compromete com a justiça e é a que mais desenvolve uma criatividade eficaz na história, com obras que nos surpreendem. 

Desde o princípio, fomos criados para o encontro; somos seres comunitários: vivemos com os outros, estamos com os outros, somos para os outros... Somos filhos(as) do encontro e do diálogo e realizamo-nos quando permanecemos em comunhão uns com os outros, na medida em que nos encontramos e nos amamos. “Ser” significa “ser com”, ser com os outros; existir significa coexistir. Nessa coexistência buscamos ansiosamente e descobrimos a nossa identidade.

Fomos criados “à imagem e semelhança” do Deus Trindade, comunhão de Pessoas (Pai-Filho-Espírito Santo). Quanto mais unidos somos, por causa do amor que circula entre nós, mais nos parecemos   com o Deus Trindade. “Se nos amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós e o seu Amor em nós é perfeito” (1Jo. 4,12). Deus colocou em nossos corações impulsos naturais que nos levam em direção ao convívio, à cooperação, à acolhida, à solidariedade... 

Neste novo tempo, a Trindade Santa chama cada um de nós a uma maneira mais aberta e livre de nos relacionar com todos aqueles que são os “outros”. Afinal “somos pessoas para os outros e com os outros”.

A cultura do mundo no qual agora vivemos requer outro tipo de ascética: uma ascética de encontros.

Construir a cultura do encontro passa pelo esforço e aprendizado de sair de si para entrar em relação com a diversidade. Ante um mundo global, diverso, multicultural, qualquer tentativa de homogeneização e uniformidade está fadada ao fracasso. Descobrir que a riqueza está na diversidade é a base sobre a qual se parte para a destruição dos muros e a construção de pontes que facilitem o encontro. Isso não significa perder os próprios valores e a identidade cultural; pelo contrário, quando somos conscientes de nossa própria identidade é quando nos tornamos capazes de entrar em relação com o outro que pensa, sente e ama de maneira diferente. Afinal, “só corações solidários adoram um Deus Trinitário”.
  
Textos bíblicos:  Jo 16,12-15   

Na oração:
“Trindade Santa, para descobrir tua proposta original, ensina-nos a contemplar o mundo inteiro com o teu próprio olhar, respeitoso e fiel à nossa realidade”
(Benjamin Buelta).

 - Sentir-se olhado pela Trindade (impacto na própria interioridade, como Maria);

- Olhar o mundo com o olhar da Trindade (universalidade);

- Evangelizar os sentidos, muitas vezes atrofiados e limitados, para que eles sejam mediação para viver encontros verdadeiramente humanizadores.

Pe. Adroaldo Palaoro sj

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