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domingo, 30 de dezembro de 2018

PALAVRA DA SALVAÇÃO (111)


Sagrada Família: Jesus, Maria, José – Domingo, 30/12/2019

Anúncio do Evangelho (Lc 2,41-52)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.

— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor.

Os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém, para a festa da Páscoa. Quando ele completou doze anos, subiram para a festa, como de costume. Passados os dias da Páscoa, começaram a viagem de volta, mas o menino Jesus ficou em Jerusalém, sem que seus pais o notassem. Pensando que ele estivesse na caravana, caminharam um dia inteiro. Depois começaram a procurá-lo entre os parentes e conhecidos. Não o tendo encontrado, voltaram para Jerusalém à sua procura. Três dias depois, o encontraram no Templo. Estava sentado no meio dos mestres, escutando e fazendo perguntas. Todos os que ouviam o menino estavam maravilhados com sua inteligência e suas respostas. Ao vê-lo, seus pais ficaram muito admirados e sua mãe lhe disse: “Meu filho, por que agiste assim conosco? Olha que teu pai e eu estávamos, angustiados, à tua procura”.
Jesus respondeu: “Por que me procuráveis? Não sabeis que devo estar na casa de meu Pai?”
Eles, porém, não compreenderam as palavras que lhes dissera.
Jesus desceu então com seus pais para Nazaré, e era-lhes obediente. Sua mãe, porém, conservava no coração todas estas coisas. E Jesus crescia em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e diante dos homens.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.
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Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Santo Evangelho:

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Deus resgatou a nossa humanidade no seio de uma família 
Deus quis habitar entre nós, resgatar a nossa humanidade perdida no ventre e no seio de uma família

“Jesus desceu então com seus pais para Nazaré, e era-lhes obediente. Sua mãe, porém, conservava no coração todas estas coisas. E Jesus crescia em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e diante dos homens” (Lucas 2,51-52).

Hoje, celebramos a Sagrada Família de Nazaré: Jesus, Maria e José. Deus poderia ter escolhido outros caminhos para estar no meio de nós, mas o caminho que salva a humanidade tem um nome, chama-se: família.

Deus, na sua própria natureza é família, a família divina; a Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo é uma família, é o Pai que ama o Filho e do amor do Pai e do Filho brota a força e o poder do Espírito que é derramado sobre toda a humanidade.

Deus criou à nossa imagem e semelhança para que fôssemos família, por isso viemos de uma família e toda a família é sagrada. Deus quis habitar entre nós, resgatar a nossa humanidade perdida no ventre e no seio de uma família.

É preciso acima de tudo e mais do que tudo valorizar, amar, respeitar e cuidar das nossas famílias. Nada mais pode ser sagrado para um pai, para uma mãe e para um filho do que a sua própria família muitas vezes esquecida, deixada de lado ou tratada de qualquer jeito.

Não tem na vida responsabilidade maior do que cuidar da família, transformá-la em um lar sagrado, berço da vida, principalmente da vida nascente, mas é “berço de família” no seu sentido mais amplo e profundo que se deve viver, conviver e brincar, muitas vezes até brigar mas se reconciliar, se perdoar, se amar porque é da família que brota os verdadeiros valores que marcarão para sempre a nossa história.

É na família que aprendemos ou desaprendemos, é na família que se vive a profundidade do amor. Por isso, hoje, no coração de toda a igreja quando se volta a cada dia, mas de modo especial neste domingo volta-se para cuidar e olhar o valor sagrado de cada família.

Não podemos desconsiderar que muitas famílias foram atacadas, dilaceradas, muitas famílias vivem situações difíceis, mas não deixam de ser e ter o seu valor de família.

Cuidemos das famílias que estão caminhando bem, mas cuidemos mais ainda das famílias que enfrentam dificuldades, dramas e situações adversas ao amor divino. Essas famílias não podem ser tratadas como famílias marginalizadas, pelo contrário, elas precisam ser cuidadas como famílias mais amadas, porque ali Jesus quer se fazer também presente.

Que a graça de Deus hoje dê a cada família o valor de se reconhecer como família, de meditar qual é o seu lugar na sociedade enquanto família e que a bênção do Senhor esteja sobre todas as famílias.
Deus abençoe você!
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Padre Roger Araújo
Sacerdote da Comunidade Canção Nova, jornalista e colaborador do Portal Canção Nova. Contato: padrerogercn@gmail.com – Facebook


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A FESTA DA SAGRADA FAMÍLIA – Dom Ceslau Stanula


Nada estranho que dentro das festas natalinas a Igreja coloca a Sagrada Família. Essa festa não destoa das festas natalinas, porque o Natal é  a festa da Família: O Menino nasce na família e alegra todas as famílias. 

Hoje precisamos de modelos para nos espelhar e encorajar. A Família está de todos lados agredida.

A Sagrada família é para nós o exemplo. Ela está tão simples como a nossa, tão natural como a nossa, tão família-escola das virtudes como a nossa, e tão santuário como a nossa... 

Com orgulho defendamos a nossa família e a todas as verdadeiras famílias.

Parabéns a Família! Parabéns à Família Rainha de todas as pastorais. 

Com a benção e oração pela sua família.

Dom Ceslau.



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Dom Ceslau Stanula – Bispo Emérito da Diocese de Itabuna-BA, escritor, Membro da Academia Grapiúna de Letras-AGRAL

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sábado, 29 de dezembro de 2018

OZ ERA DOCE E DURO AO MESMO TEMPO, COMO O SABRA, FRUTA TÍPICA DE ISRAEL



Morto aos 79, escritor tinha visão de mundo pautada pela contradição estrutural da vida
28.dez.2018
Luiz Felipe Pondé

A primeira vez que conheci Amós Oz foi no kibbutz Hulda em Israel, no início dos anos 1980, para onde ele foi, muito jovem, para “buscar a si mesmo”.

Em meados dos anos 1990, conversamos de novo por ocasião do bar mitzvá do meu filho, assunto que ele levava muito a sério.

Em 1999, encontrei-o mais uma vez, para entrevistá-lo para a Folha. As tradições judaicas e a história de Israel eram dois temas de suma importância para ele —e que viriam a marcar profundamente sua obra, muito vasta e diversificada. 10 16 Amos Oz
Retrato do escritor, ativista e pacifista israelense Amos Oz em 2011, quando veio ao Brasil para conferências no Rio e em São Paulo, pelos 25 anos da Companhia das Letras.

Tenho em minha memória seu temperamento israelense de forma muito clara, doce e duro ao mesmo tempo, como a fruta típica de Israel sabra, nome dado a quem lá nasce, com casca espinhosa por fora e muito doce por dentro.

Oz costumava dizer que quando tinha certezas escrevia textos políticos; quando não tinha (a maior parte do tempo), escrevia ficção. Sua visão de mundo era pautada pela contradição estrutural da vida, pela sede de doçura que todos temos e pela luta em favor dos compromissos em todos os níveis da vida, afetiva, espiritual, social e política. Nessa chave ele via o interminável conflito entre Israel e palestinos.

Em 2002, Oz escreve “De Amor e Trevas”, filmado em 2015 pela atriz israelense Natalie Portman. Na obra autobiográfica, Oz narra o destino trágico da mãe suicida, e como ele romperá com o passado, a fim de “construir a si mesmo”.

Na narrativa, ele reflete sobre o caráter judaico como condenado a uma diáspora contínua, externa e interna, e o conflito israelense atual como parte dessa história muito antiga dos judeus, de não encontrar paz em lugar nenhum. É nesse processo de busca de si mesmo que Oz acabará por viver no kibbutz Hulda.

Em 2006, ele lança “Como Curar um Fanático”, obra de ensaios que recebeu edições posteriores, assimilando o drama do terrorismo islâmico mais recente. A posição de Oz nessa obra é muito clara: não há paz se as partes cederem a um convívio não pautado pelo “amor mútuo”, mas pela decisão de se comprometerem a tolerar a existência do outro.

Além do tema do compromisso, Oz aqui também enunciará sua máxima (aliás, muito judaica) de que uma das melhores formas de lidar com um fanático é usar de ironia e humor com ele, porque o fanático sofre por se levar muito a sério.

Em 2012, escreve junto com sua filha Fania Oz-Salzberger “Os Judeus e as Palavras”, livro em que os autores descrevem a condição judaica como um povo que vive nas palavras, não em algum “lugar físico”, mas nos espaços semânticos diversos entre o infinito de significados que os livros sagrados judaicos carregam ao longo do tempo. Um povo, por excelência, hermenêutico.

Já em 2014, com “Judas”, Oz “escolhe” o personagem Judas do Novo Testamento como referência para pensar o lugar dos judeus em relação ao outro: o lugar da contradição e do conflito.

Certa vez, Oz me disse que só Deus é único, o resto é sempre múltiplo. Não há como escapar dessa multiplicidade e desse compromisso com ela.



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ABRAÇO - Meimei


"Abraço deveria ser receitado por médico!
Há um poder de cura no abraço que ainda desconhecemos.

Abraço cura ódio.

Abraço cura ressentimento.

Cura cansaço.

Cura tristeza.

Quando abraçamos soltamos amarras.

Perdemos por instantes as coisas que nos têm feito perder a calma, 
a paz, a alma...

Quando abraçamos baixamos defesas e permitimos que o outro se aproxime do nosso coração.

Os braços se abrem e os corações se aconchegam de uma forma única.
E nada como o abraço...

Abraço de 'Eu Amo Você'.

Abraço de 'Que Bom Que Você Está Aqui'.

Abraço de 'Ajude-me'.

Abraço de 'Até Breve'.

Abraço de 'Que Saudade!'

Abraços...

Quando abraçamos somos mais do que dois; 
somos família, 
somos planos, 
somos sonhos possíveis.

E abraço deveria, 
sim, ser receitado por médico pois rejuvenesce a alma e o corpo."

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MEIMEI - Ilda de Castro

Nasceu: 22/10/1922
Faleceu: 01/10/1946
Seu verdadeiro nome era Irma Castro, nasceu em Mateus Lemos- Minas Gerais.

Extremamente bela e de uma inteligência invulgar, tinha grande facilidade para os estudos e era ávida por novos conhecimentos.
Era uma mulher extremamente caridosa, sempre disposta a levar uma esmola ou uma palavra de conforto aos mais necessitados.
- A palavra "Meimei" foi escolhida pelo seu esposo, quanto juntos assistiram a um filme, trata-se de uma expressão chinesa que significa “Amor puro”.
Por toda a sua caridade, pela sua bondade, abnegação e reto proceder pelas suas preciosas mensagens e ensinamentos e pelo belíssimo trabalho que desenvolve na Espiritualidade Maior, Meimei é o perfeito exemplo de SAL DA TERRA.

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sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

CANTORA MIÚCHA MORRE NO RIO AOS 81 ANOS



Irmã de Chico Buarque e mãe de Bebel Gilberto estava em tratamento contra um câncer e morreu após ser internada nesta quinta-feira (27).

Por G1 Rio
27/12/2018

Cantora Miúcha morre no Rio de Janeiro aos 81 anos

A cantora e compositora Miúcha morreu às 17h30 desta quinta-feira (27), aos 81 anos, no Hospital Samaritano, no Rio. Irmã de Chico Buarque, mãe de Bebel Gilberto, ela tratava de um câncer e sofreu uma parada respiratória.
O enterro será na sexta-feira (28) no Cemitério São João Batista, na Zona Sul do Rio.

Miúcha — Foto: Divulgação / Beti Niemeyer

Ao longo de mais de 40 anos de carreira, lançou 14 discos e fez parcerias com artistas da bossa nova e da MPB.

"Na música, na alegria, no otimismo e na vontade de pensar sempre no lado positivo da vida, Miúcha é um modelo (...) Ela deixou isso de bom para a gente", disse nesta quinta-feira sua irmã Ana de Hollanda, também cantora e compositora, além de ex-ministra da Cultura.

Miúcha, apelido de Heloisa Maria Buarque de Holanda, nasceu no Rio, e era filha do historiador e jornalista Sérgio Buarque de Holanda e da pintora e pianista Maria Amélia Cesário Alvim.

Quando criança, formou um grupo vocal com seus seis irmãos, incluindo Chico Buarque. Nos anos 60, foi estudar História da Arte na França, onde começou a fazer apresentações musicais na Europa.
Na itália, conheceu a cantora chilena Violeta Parra, que a apresentou a João Gilberto, com quem se casou. Eles foram morar em Nova York, tiveram a filha Bebel e ficaram casados durante 8 anos.

Entre as faixas cantadas por ela que ficaram mais conhecidas estão "Pela luz dos olhos teus", "Maninha" e "Vai levando".

Sua estreia fonográfica foi em 1975, ao cantar no disco "The best of two worlds", de João Gilberto e Stan Getz

Entre os trabalhos mais marcantes como intérpretes estão dois discos com Tom Jobim, em 1977 e 1979, e um álbum solo, "Miúcha" em 1989. Em 1977, ela participou do musical "Os Saltimbancos".

Ela ficou mais conhecida como intérprete, mas também compôs algumas músicas como "Triste alegria" (1979), "Todo amor" (1980) e "No Carnaval de Olinda" (1982).

Bebel Gilberto publicou uma homenagem à mãe no Instagram: "Pra sempre no meu coração. Te amo muito. Descansa meu amor... Saudades". Veja a repercussão da morte de Miúcha.

Miúcha — Foto: Reprodução

Chico Buarque e a irmã Miúcha em momento de descontração nos bastidores do show de Bebel Gilberto em outubro de 1989 — Foto: Cristina Granato / Divulgação

Vinícius de Moraes e Miúcha durante show no Canecão, no Rio de Janeiro, "em 77 ou 78", segundo a cantora — Foto: Chico Nelson/Arquivo pessoal.

MIÚCHA



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MINHAS MEMÓRIAS ESPORTIVAS DO GOLEIRO LUÍS CARLOS - Cyro de Mattos



            O goleiro Luís Carlos deixou-nos na véspera do Natal. Foi jogar nas canchas do céu, defender a cidadela de um time divino e maravilhoso,   neste certamente estarão atuando jogadores amadores inesquecíveis,  que se exibiram com a sua classe e empenho, do lado de cá, no Velho Campo da Desportiva, como Leo Briglia, Santinho, Humberto Cesar, Leto, Abiezer, Tombinha, Valdemir Chicão, Zequinha Carmo, Porroló, Zé Davi e o velocista Nenem, entre outros.
 
              Luis Carlos Alves Franco, casado, pai de três filhos. Um goleiro elástico e elegante quando agarrava a bola ou mandava para escanteio, em defesas sensacionais. Sabia repor a bola em jogo com habilidade. Jogou em vários times importantes do futebol amador: Grêmio, Janízaros, Flamengo e Fluminense. Foi hexacampeão pela seleção de Itabuna no Intermunicipal. Assim que a seleção amadora tornou-se um time profissional para participar do campeonato baiano, ele foi o goleiro de várias temporadas. Numa delas, em 1967, conquistou o título de vice-campeão pelo Itabuna. Jogou também futebol de salão e basquete.

              Começou no Vasquinho, de Gil Néri, o técnico que dirigiu a seleção amadora de Itabuna e se sagrou campeão em vários anos. O Vasquinho disputava o campeonato no campo do bairro de Fátima. Do Vasquinho, ele foi defender o Grêmio, um dos times grandes do campeonato realizado no Campo da Desportiva. No Grêmio atuou primeiro no segundo quadro, até se firmar como goleiro do time principal. Foi campeão pelo Flamengo, duas vezes  pelo Janizaros e tetra pelo Fluminense. Como não existia televisão naquela época, costumava acompanhar o campeonato carioca nas transmissões pelo rádio. As rádios de Salvador não entravam em Itabuna, pouco se sabia dos times profissionais que disputavam o campeonato baiano na Capital. Era um leitor voraz das revistas  “Mundo Ilustrado” e “Manchete Esportiva”, que traziam lances dos times nas partidas do campeonato carioca e estampava fotos dos goleiros fazendo grandes defesas.

             Jogou ao lado e contra os melhores jogadores do futebol amador de Itabuna. O lateral Albérico, no Grêmio, Zequinha Carmo, Péricles, Tertu, Gagé, Codinho, no Flamengo, para não falar na seleção amadora com Santinho, Pinga, Ronaldo Dantas, Valdemir Chicão, Humberto, Tombinha, Abiezer, Jonga, Leto, Lua, Fernando e Carlos Riela. Ele informou que a seleção amadora de Itabuna fazia a preparação física de madrugada no Campo da Desportiva ou às vezes em alguma praça no centro da cidade. Quando o rio Cachoeira voltava ao curso normal, depois de uma grande cheia, deixava um grande areal perto do poço da Pedra do Gelo. Gostava de jogar pelada no areal. Tombinha, seu companheiro de time no Janízaros, não perdia uma pelada. Santinho era outro que participava das peladas no areal.

             No seu tempo, o clássico local mais disputado era entre o Flamengo e o Fluminense. Em um desses clássicos dos mais disputados, o Flamengo perdia de três a zero no primeiro tempo. O centroavante Caçote virou o jogo no segundo tempo, fazendo quatro gols. Os gols saíram rapidamente. Caçote parecia que estava com um demônio no corpo naquela partida. Fazia um gol atrás do outro. Ele comentou que Seu Astor era um torcedor ferrenho do Fluminense. O filho Fernando Riela estava no Rio de Janeiro e já ia assinar contrato com o Vasco da Gama. O pai mandou chamar o filho para jogar aquele Fla-Flu. Fernando Riela fez misérias nesse jogo, mas o Flamengo teve mais sorte, saiu vencedor e campeão daquela temporada.

              Na época em que passou a jogar futebol como goleiro, Luis Carlos disse que foi beneficiado na posição porque também jogava basquete, o que lhe ajudou na firmeza dos braços. Naquele tempo não existia preparador físico para treinar os jogadores amadores, quem fazia esse trabalho, no fundo do quintal ou em algum jardim, de madrugada, eram os próprios jogadores. Disse Luis Carlos que sempre foi bem recebido em todos os times que jogou, mas no Janízaros conquistou mais títulos. Da seleção amadora de Itabuna lembrava que a de 1966 era um timaço. Foi dela que saiu a base para o Itabuna se tornar um time profissional.

              Quando a seleção vencia fora de casa, informou,  o time era recebido com festa. Tinha até missa na catedral de São José. A festa continuava à noite na sede do Itabuna Social Clube onde hoje funciona o Banco do Brasil. Era ali que acontecia a grande homenagem aos atletas  com discursos de agradecimento, baile com direito à cerveja de graça e muito samba para alegrar a rapaziada. “Era uma verdadeira apoteose, feita de orgulho e felicidade. A nossa seleção transmitia amor a todos”, revelou.
 
              Com tristeza, guarda bons momentos desse tempo que não voltam mais. Existem muitas fotos que foram guardadas com carinho pelo goleiro. Olhando algumas delas hoje, podemos visualizar o Campo da Desportiva lotado nos clássicos, os ares felizes de seus torcedores quando a seleção jogava e sempre ganhava. “Não me lembro que ela tenha perdido um jogo na Desportiva”, disse Luís Carlos.

               Para qualquer jogador da região era uma grande conquista pertencer a um dos times grandes que participava do campeonato no Campo da Desportiva. O goleiro Luís Carlos não conseguiu dormir quando vestiu a camisa do Grêmio pela primeira vez. Aquilo que tanto queria deixava de ser um sonho. Relembrou uma velha Desportiva cheia de lama, o piso esburacado, a grama sem qualquer tratamento. Mas ali era o palco em que desfilaram grandes jogadores durante quase meio século. Muitos deles foram atuar em equipes profissionais de Salvador, alguns até do Rio, São Paulo e Belo Horizonte.

                 Os meios de comunicação daquela época não eram como hoje. Vivíamos isolados no interior. Ilhéus tinha um aeroporto e navegação marítima, o que facilitava seu contato com o mundo de fora. Se fosse hoje, muitos jogadores amadores do seu tempo fariam carreira em grandes clubes do Brasil, disso não tinha dúvida o goleiro Luís Carlos. A torcida de cada time e da seleção era fiel e vibrante. Quando superlotava o pequeno estádio, onde não cabia uma agulha de tanta gente, tinha torcedor que ficava no galho das árvores, no lado de fora, ao redor do campo; no telhado das casas, no terraço do prédio do Hospital Maria Goreti e no morro onde foi erguida a igreja Maria Goretti,  do bairro da Mangabinha.

                  Antes de se tornar um jogador da Desportiva, ele assistia belas partidas no estádio local e, numa delas, quando ainda era adolescente, viu de perto a atuação do Botafogo com  Mané Garrincha na velha Desportiva. “Ele deu um show de bola e só jogou um pouco no primeiro tempo. E nesse pouco tempo pagou o ingresso.”

                  Falar de alguns companheiros? Pinga era um centroavante arisco, rápido, bom controle de bola, frio na hora de fazer o gol. Zequinha Carmo era o tipo do centroavante rompedor. Deu muitas vitórias ao Flamengo em partidas decisivas. Acreditava em todos os lances, não havia bola perdida para ele. Quando todos pensavam que não ia alcançar a bola, ele a pegava e fazia o gol. Ronaldo Dantas, um zagueiro de estatura pequena, mas com ótima impulsão. Pulava acima dos atacantes altos, parecendo que tinha mola nos pés. Danielzão, por exemplo, não levava uma melhor com ele quando disputavam a bola pelo alto. Tinha uma técnica invejável, saía jogando com calma de dentro da área, depois de driblar o atacante. Abiezer era outra categoria, batia no calcanhar do atacante com toque sutil, sem ninguém perceber. Ele tinha uma técnica de desarmar o atacante que impressionava. Era um atleta magro como uma vara, mas o atacante tinha dificuldade em vencê-lo pelo alto ou com a bola no chão. Era muito eficiente. Fernando Riela, um ponteiro esquerdo que até hoje ele não  viu no Brasil outro igual. Carregava a bola pela linha de fundo, cruzava, pegava o rebote e fazia o gol.

                  Para Luis Carlos, José de Almeida Alcântara foi o prefeito que mais incentivou o futebol amador de Itabuna. Ele apoiava a seleção de Itabuna quando jogava fora de casa. Decretava feriado quando o time retornava com o título de campeão. Como prefeito foi o maior torcedor. Se Luís Carlos fosse formar a melhor seleção com os jogadores de sua geração, escolheria: Plínio, Zé Davi e Ronaldo; Valdemir Chicão, Abiezer e Hamilton; Gajé, Santinho, Jonga, Tombinha e Fernando Riela. “O excesso de bons craques amadores naquele tempo tornava difícil fazer uma escalação com os onze melhores”, observou o goleiro. Ele guarda muitas medalhas conquistadas como campeão dos times que defendeu e pela seleção. Os filhos não se interessam por futebol, mas os netos, quem sabe, poderão se tornar bons atletas, e elas servirem de incentivo para eles. Além das medalhas, o goleiro guarda com carinho e saudade alguns recortes de jornais, trazendo noticias, crônicas e muitas fotos dos tempos áureos do futebol amador de Itabuna na velha Desportiva.

                “A imprensa sempre vivenciou o nosso futebol amador em todos os momentos. Nomes como Lourival Ferreira, Orlando Cardoso, Geraldo Borges, Iedo Nogueira, Lima Galo, Edson Almeida, Raimundo Galvão e Ramiro Aquino souberam muito bem divulgar, valorizar e incentivar o esporte em nossa cidade”,  completou  Luís Carlos.

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Cyro de Mattos é escritor e poeta. Vários livros publicados no exterior. Doutor Honoris Causa pela Universidade  Estadual de Santa Cruz.

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ITABUNA CENTENÁRIA REFLETINDO: A Vida - Bert Hellinger


Profunda reflexão de Bert Hellinger, o alemão que já foi padre, largou o celibato e tornou-se psicoterapeuta e escritor. Atualmente está com 93 anos. Ficou conhecido mundialmente pela criação do método "Constelação Familiar”:


   "A vida decepciona-o pra você parar de viver com ilusões e ver a realidade. 
A vida destrói todo o supérfluo até que reste somente o importante. 

A vida não te deixa em paz, para que deixe de culpar-se e aceite tudo como 'É'. 

A vida vai retirar o que você tem, até você parar de reclamar e começar agradecer. 

A vida envia pessoas conflitantes para te curar, pra você deixar de olhar para fora e começar a refletir o que você é por dentro.

A vida permite que você caia de novo e de novo, até que você decida aprender a lição. 

A vida lhe tira do caminho e lhe apresenta encruzilhadas, até que você pare de querer controlar tudo e flua como um rio. 

A vida coloca seus inimigos na estrada, até que você pare de 'reagir'. 

A vida te assusta e assustará quantas vezes for necessário, até que você perca o medo e recupere sua fé.

A vida tira o seu amor verdadeiro, ele não concede ou permite, até que você pare de tentar comprá-lo.

A vida lhe distância das pessoas que você ama, até entender que não somos esse corpo, mas a alma que ele contém. 

A vida ri de você muitas e muitas vezes, até você parar de levar tudo tão a sério e rir de si mesmo. 

A vida quebra você em tantas partes quantas forem necessárias para a luz penetrar em ti.

A vida confronta você com rebeldes, até que você pare de tentar controlar. 

A vida repete a mesma mensagem, se for preciso com gritos e tapas, até você finalmente ouvir. 

A vida envia raios e tempestades, para acorda-lo. 

A vida o humilha e por vezes o derrota de novo e de novo até que você decida deixar seu ego morrer.

A vida lhe nega bens e grandeza até que pare de querer bens e grandeza e comece a servir. 

A vida corta suas asas e poda suas raízes, até que não precise de asas nem raízes, mas apenas desapareça nas formas e seu ser voe.

A vida lhe nega milagres, até que entenda que tudo é um milagre. 

A vida encurta seu tempo, para você se apressar em aprender a viver. 

A vida te ridiculariza até você se tornar nada, ninguém, para então torna-se tudo.

A vida não te dá o que você quer, mas o que você precisa para evoluir. 

A vida te machuca e te atormenta até que você solte seus caprichos e birras e aprecie a respiração.

A vida te esconde tesouros até que você aprenda a sair para a vida e busca-los.

A vida te nega Deus, até você vê-lo em todos e em tudo.

A vida te acorda, te poda, te quebra, te desaponta... Mas creia, isso é para que seu melhor se manifeste... até que só o AMOR permaneça em ti"

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Bert Hellinger:                                 
  
Nascido em Leimen - Alemanha, morava em Cologne - ‎Itália, sendo parte de uma família católica[1]. Aos 10 anos, foi seminarista em uma ordem Católica. Apesar disso, aos 17 anos se alistou no exército e combateu com os nazistas no front, sendo preso na Bélgica[2]. Aos 20 anos, com o fim da guerra, se tornou padre.
Se formou no curso de Teologia e Filosofia na Universidade de Würzburgo em 1951[2]. Foi enviado como missionário católico para a África do Sul, onde atuou como diretor de várias escolas, como o Francis College, em Marianhill. Em 1954, obteve o título de Bacharel de Artes da Universidade da África do Sul e, um ano depois, graduou-se em Educação Universitária[2].

No final dos anos 1960, abandonou o clero e voltou à Alemanha, onde passou a estudar Gestalt-terapia. Mudou-se para Vienna para estudar psicanálise. Ali, conheceu sua primeira esposa, Herta, uma psicoterapeuta[1].

Em 1973 se mudou para a Califórnia para estudar Terapia Primal com Arthur Janov. Lá, se interessou pela Análise Transacional[1].

Hellinger se divorciou de Herta e casou-se com Marie Sophie, com quem mantém cursos, oficinas e seminários em vários países[2].

(Wikipédia)

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