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quarta-feira, 14 de novembro de 2018

“SUS É UM CRIME CONTRA A HUMANIDADE”, AFIRMA DR REY DURANTE ENTREVISTA


O renomado cirurgião plástico Robert Rey, conhecido pelo reality show norte-americano “Dr. 90210”, chamou a atenção da imprensa depois de fazer uma visita inesperada ao presidente eleito Jair Messias Bolsonaro nesta sexta-feira, 09.

Antes da corrida eleitoral, chegou a declarar diversas vezes que almejava ser candidato à Presidência da República. No fim, disputou uma vaga à deputado federal por São Paulo pelo PRB, recebendo 13.312 votos. Não se elegeu, mas continua com vontade de ajudar o Brasil:

Em entrevista concedida ao site MBL News, Dr. Rey falou sobre sua intenções para o Sistema Único de Saúde. Rey se colocou à disposição do novo governo para contribuir como ministro da Saúde. Confira:

Tendo como referência o economista Milton Friedman, Rey acredita em um governo menor e empreendedor. “Eu trago o sistema roxo, the purple plan, dos republicanos americanos. É mais ou menos assim: você dá um vale para as pessoas. Os mais jovens, que possuem uma saúde melhor, ganham um vale menor. Aqueles que são mais velhos, ou possuem doenças crônicas, recebem um vale maior. Com esses vales, existirá dez ou doze companhias de seguro privado brigando entre si. Nós sabemos, como capitalistas, que só a competição abaixa o preço. Só! O governo aumenta preços, por isso o Brasil é um país tão caro“, explicou.

“Eu sou gênio? Não. Eu estudei ciências políticas e economia em Harvard“, conta Rey, que também se formou cirurgião plástico pela importante instituição, uma das melhores do mundo. “Eu simplesmente trago o sistema [de saúde] de primeiro mundo pro Brasil“, diz Rey, que já atuou como cirurgião em diversos países. “Não sabia se ele [Bolsonaro] iria me receber hoje. Tínhamos um horário marcado. Eu queria só oferecer meu serviço como médico internacional, trazendo o sistema americano. E com o tempo, pouco a pouco, iríamos desfazer o SUS. Em outras palavras: todo brasileiro teria sistema privado de saúde. Se ele [Bolsonaro] estiver interessado, estou aqui para servir minha nação“, explicou, informando que se coloca também a disposição para representar o Brasil como embaixador.

Sobre a polêmica proposta de fechar o SUS, Rey explica: “É um crime contra a humanidade. O que eu vi no SUS é de chorar, eu vi horrores. Esperar 2 anos para um mamograma? Isso é sentença de morte.” Robert Rey se identifica como direita. “Na verdade sou até um pouquinho mais à direita do que o nosso queridíssimo presidente Bolsonaro“, avalia. Ao chegar na casa do presidente eleito às 9h00 da manhã, conta que se deparou com 25 jornalistas: “Tinha 25 repórteres lá, eu nem estava esperando isso. Acabou em toda mídia. Claro que eles são de esquerda e vão me ridicularizar mas não tem problema, minha vida foi muito difícil e não importa se eles me gozam. Eu to aqui para servir o Brasil. Eu amo a nossa nação“.


Fonte: MBL News



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A TRAVESSIA DO CAMINHO – Susana Carizza


A Travessia do Caminho 


Impossível atravessar a vida... Sem que um trabalho saia mal feito, Sem que uma amizade cause decepção, Sem padecer com alguma doença. 

Impossível atravessar a vida... Sem que um amor nos abandone, Sem perder um ente querido, Sem se enganar em um negócio.

Esse é o custo de viver. O importante não é o que acontece, mas, como você reage.

Você cresce... Quando não perde a esperança, nem diminui a vontade, nem perde a fé. Quando aceita a realidade e tem orgulho de vivê-la. Você cresce... Quando aceita seu destino, e mesmo assim, tem garra para mudá-lo. Quando aceita o que ficou para trás, construindo o que tem pela frente e planejando o que está por vir.

Cresce quando se supera, se valoriza e sabe dar frutos. Cresce quando abre caminho, assimila experiências... E semeia raízes… 

Cresce quando se impõe metas sem se importar com comentários,  nem julgamentos... 

Cresce quando dá exemplos, sem se importar com o desdém, quando você cumpre  com seu trabalho. 

Cresce quando é forte de caráter, sustentado por sua formação, sensível por temperamento... E humano por natureza!

Cresce quando enfrenta o inverno mesmo que perca as folhas, Cresce quando colhe flores mesmo que tenham espinhos. Cresce quando marca o caminho mesmo que se levante o pó. Cresce quando é capaz de lidar com resíduos de ilusões, Cresce quando é capaz de perfumar-se com flores... E elevar-se por amor!
Cresce ajudando a seus semelhantes, conhecendo a si mesmo e dando à vida mais do que recebe. E assim se cresce…


"Gotas de Crystal 02" uchacrystal@yahoo.com.br

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A FLOR – Castilho

A flor


            Despontou o botão cresceu!
            Entreabriu! Corou!
            Despertou-se! Desdobrou-se de todo!
            EIS A FLOR!

            Nunca a planta pareceu tão maravilhosa!
            Sobretudo, nunca se mostrou assim amável!
            As cores, o cheiro, as formas encantadoras desta efêmera maravilha, apelidada flor, namoram até os espíritos mais rústicos, mais ignorantes, ou menos reflexivos.

            O camponês se detém para considerá-la;
            O menino, que ainda não fala, a pede por acenos;
            A formosa a cobiça para se alindar;
            Mil insetos e vermes folgam de se ir embalar nela aos zéfiros;
            A ave a espreita do seu ninho;
            A abelha lhe vai pedir mel;
            Os olhos do velho, uma saudade;
            O pintor se apressa de retratá-la, a floreira de esculpi-la;
            O destilador de lhe recolher o espírito em cristais;
            O sábio de descrevê-la, estudá-la, enquanto o poeta lhe deve e lhe consagra um canto íntimo.

            E o religioso extrai dela uma das suas orações mais fervorosas!

Autor: CASTILHO
..................

(LÍNGUA PORTUGUESA  Luso=Brasileira
ANTOLOGIA F. T. D. – livro de leitura
Organizado por Mário Bachelet)

LIVRARIA FRANCISCO ALVES
1944


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terça-feira, 13 de novembro de 2018

ITABUNA CENTENÁRIA, UM POEMA: O PERDÃO – Catulo da Paixão Cearense


O Perdão
(A Bastos Tigre)


João Carreiro era um carreiro,
proprietário de um carro
e de uma junta de bois.
Com a dona Chica Constança,
com quem se casou depois,
recebeu-os como herança,
do falecido Ramalho,
seu padrinho e seu avô.
(“Avô? Mas avô de quem?
Já estou contando na certa
com a tua interrogação!)

A pena não se explicou.

Mas tudo fica explicado
numa breve explicação: -
o velho, o avô falecido,
era o da moça!... (Percebe?
Não era avô do João!)
O velho, que já sabia
que o rapaz gostava dela,
e ela, - do rapagão,
não tendo mais que deixar,
morrendo, deixou-lhe a neta
e mais os bois e o carrão.

A Constança, com franqueza,
a neta do Zé Ramalho,
não era a flor da beleza,
mas era a flor do trabalho.

Todo o tesouro, a fortuna,
todo o bem do João Carreiro,
desse homem trabalhador,
todo o afeto, o seu amor,
todo o seu grande ideal,
era a Constança, o seu carro,
a bela junta de bois
que estava lá no curral,
e o seu templo – a sua choça
a casa mais conhecida
de toda gente da roça.

Dizem mesmo algumas bocas
que o nosso belo carreiro
foi um tanto interesseiro,
porque se casou, primeiro
pelo carro e pelos bois...
- Mas não amava a Constança?!
- Amava... Mas todos dizem
que o amor veio depois.

Quem visse aqueles carinhos
com que tratava o seu gado,
ficava desconfiado!

Os bois não eram crianças,
mas também não eram velhos,
pois quando inchavam nas pernas,
para fazerem aparro,
e arrancavam do lameiro
as duas rodas do carro,
com os nervos dos seus pescoços...
eram bem moços... bem moços!...

Um chamava-se Laranjo,
e era um boi arreliado,
forçudo, mas preguiçoso:
o outro era o Beija-Flor,
que era também de vigor,
mas muito manso e amoroso.

Para pegar o Laranjo
e botá-lo no varão,
era um trabalho estupendo,
eram horas de canseiras;
pois quando o boi pressentia
que o dono vinha agarrá-lo,
corria, como um cavalo,
pelas matas e capoeiras.

Ao passo que o Beija-Flor,
carinhoso, terno e leal,
bastava ouvir o seu grito,
acorria logo aflito,
para encostar-se ao varal.

Enquanto para o Laranjo
fazer uma simples coisa
era preciso que o dono
se esfalfasse de gritar,
o Beija, sempre fagueiro,
obedecia ao carreiro
por um simplíssimo olhar.

Tudo o que o dono dizia,
gesticulando ou falando,
o Beija-Flor entendia.

Quando a carroça caía
num caldeirão do caminho,
o Beija-Flor já sabia
o que tinha de fazer,
sem auxílio do varão.

E quando o outro fingia
que estava fazendo força
para arrancar a carroça
de dentro do caldeirão,
num gemido que soltava,
parece que assim falava:

“O Laranjo está fingindo!
“Não está puxando, nhôr, não!”

Então o cabra levava
tanta varada e ferrão,
que o sangue logo espirrava,
a ensanguentar todo o chão.

À noite daquele dia,
o Laranjo recebia
metade só da ração.
E ainda mais: por pirraça,
na noite daquele dia,
O Beija-Flor só comia
o raro capim mimoso,
que é o novinho e o mais gostoso!

Mas o boi não se emendava,
porque gostava da turra!
Já tinha o ventre lanhado
e o pescoço encalombado
de chupitar tanta surra!

De uma feita, numa luta,
num combate desastrado,
o Laranjo ia matando
o pobre Beija!... Que horror!!!

O diabo tinha ciúme
té mesmo do Beija-Flor!

Foi um combate horroroso!...
Foi um prélio desigual!...

Em menos de dois minutos,
era uma vez um curral!

João que estava sesteando
lá dentro, em sua tapera,
ouvindo aqueles gemidos,
veio saber  que era.

Ao ver os dois animais
com os chifres emaranhados,
como dois alucinados,
e vendo que o Beija-Flor
não lhe levava vantagem,
e já ia, pouco a pouco,
arrefecendo a coragem...
ficou tão doido, tão louco,
que dando um murro tremendo
no vazio do rival,
recebeu, como resposta,
do Laranjo renegado
uma chifrada fatal!!

O golpe foi tão violento
que o homem titubeou,
e, como se fosse um morto,
quase morto ali ficou.

Quando, mais tarde, a mulher
deu ali com o seu marido,
com a rigidez de um cadáver,
naquele chão estendido,
num berreiro abriu a boca,
e lá foi dona Constança,
correndo, como uma louca,
em altos gritos aflitos,
alarmando a vizinhança!

Foi, sem exageração,
qual se tivesse explodido
a cratera de um vulcão!
Pois tanta gente saía
de toda parte a gritar,
que até parece que o mundo,
num incêndio pavoroso,
ia de vez se acabar!

Nos braços dos seus amigos,
num abrir e fechar de olhos,
João Carreiro, inanimado,
foi pra casa carregado,
enquanto foram chamar
a toda pressa o doutor,
o médico do lugar.

Em menos de dez minutos,
já se via a tigelinha,
a brivana do doutor,
muito bem arreadinha,
na porta do vitimado,
pataleando, a rinchar.

Ouvia-se o palpitar
de todos os corações,
quando o doutor se acercou
do leito do moribundo!
E quando, depois do exame,
num sorriso comovido,
disse aos íntimos: “Perdido”,
foi um silêncio profundo!!

O doutor se retirando,
e dando na brivaninha
um leve, pequeno açoite,
proferiu esta sentença: -
“Não passará desta noite”!

Desde o instante da chifrada,
o pobre do João Carreiro
tinha perdido o sentido!!...

Tinha a palavra perdido!!...

Mas, às três horas da tarde,
indo-lhe alguém perguntar
se, antes do seu trespasse,
queria que se matasse
o boi, que já estava preso
no ranchão lá do curral,
recuperando os sentidos,
em voz baixinha falando,
disse, quase soluçando:

“Deixem viver o animal!...
“Matá-lo?! Matá-lo?! Não!!
“É preciso que ele viva,
“para poder perdoar
“toda a minha ingratidão!

“Se eu quisesse me vingar
“dos coices e ponta-pés
“dos homens, desses cruéis
“que escoucearam minh’alma,
“talvez por muito os amar...
“tinha muito que matar!!

“Entre o grande racional
“e o pobre desse animal,
“qual foi mais atroz? Qual foi?!

“Amigos!... Se eu fosse boi...”

Ia dizer uma coisa,
Mas já não pôde falar!

A tarde se despedia!

A torre da Capelinha,
que em sua triste alegria
ao pé do monte floria,
sonorizava no bronze
as lágrimas soluçadas
na hora da Ave-Maria!!

Lá, no fundo do curral,
como longínquo trovão,
veio um profundo mugido,
num grito de maldição,
ou no perdão de um conforto!

O que seria?! O Perdão?!

Quem sabe?!

Só Deus e o morto!!!...


(POEMAS BRAVIOS)
Catulo da Paixão Cearense
.....................
            A musa de Catullo Cearense fala intimamente à alma e ao coração do nosso povo. Em cada estrofe desse poeta singular e milagroso, sente-se palpitar e estremecer o ideal amoroso, a tradição lírica da raça.
            Eis porque as inteligências solares, como Ruy Barbosa, exaltam com tanto carinho os versos límpidos, puros e singelos desse maravilhoso trovador do Sonho e da Beleza, que é Catullo Cearense.

                                                                                                                          Bezerra de Freitas


* * *

LEMBRANÇAS DE SEU AFONSO – Ariston Caldas

Lembranças de seu Afonso

É, a vida é um mundéu, o tempo vai passando, passando, e quando a gente percebe, adeus mocidade!

            Seu Afonso pensava assim deitado numa espreguiçadeira na varanda do fundo, olhando uns assanhaços saltando entre as folhas do mamoeiro rente à cerca. Imagens antigas passavam  súbitas por sua cabeça às volta com boiadas pelos gerais do Oeste baiano, embarbelado, gibão e caneleiras, tudo de couro cru.

            Quando ele passava conduzindo uma boiada, os moradores fechavam as portas e se acotovelavam pelas janelas; posudo num cavalo alazão de crinas largas, ele aboiava e fazia cabriolas. Conhecia toda a redondeza, tinha uma namorada em Ibotirama, “cabocla bonita e cheirosa”. Nem perdia festa de rua, os bailes animados por todo canto. “Tempo bom”, refletia entre sombras antigas, esquecendo os assanhaços saltando pelas folhas do mamoeiro.

            Meditou haver passado toda sua juventude por aquelas bandas desertas  sem asfalto, sem iluminação elétrica; tinha saudade dos banhos  no rio São Francisco cheio de piranhas; nem tinha medo das piranhas; saudade dos jardins de Ibotirama assim de garotas; do mulherio, as meninas decotadas pelas esquinas  depois das dez da noite, Terezinha tinha 19 anos, já de peitos murchos e a dentadura falhada, mas bonita de dar gosto.  As unhas de Lurdes pareciam de um gavião, cabelos fofos, negros e ondulados; quando a conhecera ela usava um vestido branco e ligado. “Uma novilha”. Gostava de Lurdes, tomava cerveja com ela e fizeram uma vez  havia muito tempo. Agora, fora vê-la novamente, depois de uma vaquejada; ela bebia com dois sujeitos; ao notá-lo, afastou-se  deles e o abraçou, puxando-o depois para o quarto ao lado. Um dos sujeitos era meio-gordo e baixo, de costeletas longas, boina preta e meio de banda na cabeça, o outro, mulato espadaúdo, calça até a boca do estômago sustentada por uns suspensórios largos formando um xis nas costas; cabelo de escadinhas partido no meio. Os dois passaram a noite num converseiro infeliz: “mulher vagabunda, bandida, merece uma surra bem dada; isso não se faz com ninguém, somos moleques!” Diziam, entre outras lamúrias. Notou depois que eles se referiam a Lurdes; não gostaram do chamego dela, ainda o rebocando para dentro do quarto; tomou as primeiras providências puxando da cintura um parabélum e colocando-o sobre a banquinha de cabeceira; deitou-se nu e passou a acarinhar o corpo de Lurdes estirada na cama, mas de olho nos dois.

            Uma abstinência súbita tomou-lhe o corpo de cima a baixo, o rosto queimava. “Estes caras enchem o saco”, Lurdes falou alisando-lhe o rosto queimando, parecendo ter febre. “Você está quente”,  disse ela; depois, desapontada, virou-se para a parede e dormiu.

            Os dois sujeitos se foram embora ao amanhecer. Certamente temiam o chapéu embarbelado, a couraça, o rebenque encastoado e, principalmente, o parabélum pendurado à cintura. “Se eles tentassem uma investida contra mim ou contra Lurdes, eu os queimaria na bala, sem dúvida”.

            Muita apreensão furando o juízo;  a certa altura pensou vestir a calça, ir a eles e indagá-los: o que há, companheiros! Querem calar a boca para que eu possa dormir? Lurdes garantia que nada tinha a ver com eles; provaria ser um homem de verdade! O corpo dela era todo branco na turvação do quarto, espalhado sobre a cama; a momentos,  ele acarinhava os seios dela, a barriga delgada; depois descia uma mão lhe apalpando p púbis de pelo espesso, macio; mas o entusiasmo não chegava, o rosto pegando fogo, os nervos esfarelados. Lurdes até se esforçou;  “você é muito bonito, andava doida para este encontro”, dizia, passando as mãos pelos peitos cabeludos dele, arfando, pelo cangote de boi zebu; depois passou a lambe-lo de cima a baixo, mas o calor parecia assar-lhe o rosto, todo o corpo; nunca havia experimentado reação assim.

            Os dois sujeitos não paravam a goela e o baixinho, que parecia o dono de tudo, falava mais alto,  todo cheio de costeletas,  vermelho, agitado, de boina preta atravessada; sujeito metido a trunfo. Quase se decidiu a sair do quarto, com o parabélum e meter-lhe o cano na testa:  “Cale a boca, filho da puta!” Mas não saiu.

            O sol já estava alto quando se afastou, deixando Lurdes que ainda dormia. Até hoje ele sentia raiva dos dois sujeitos, mais ainda do baixinho de costeletas longas e boina preta. “Moleque enjoado merecia uns tapas pelas fuças.

            Naquele tempo tudo era diferente de hoje, concluiu seu Afonso voltando a dar atenção para os assanhaços que se despediam em bandos do mamoeiro, numa desfilada espetacular, em direção a um bosque verde-escuro, para as bandas do Sul.


(LINHAS INTERCALADAS – 2ª Edição, 2004)
Ariston Caldas

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segunda-feira, 12 de novembro de 2018

FIM DE VIDA AMARGO - Péricles Capanema


11 de novembro de 2018
  Péricles Capanema

Desde há muitos anos a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) tem sido linha auxiliar do PT. O CIMI (Conselho Indigenista Missionário), órgão da CNBB, a mesma coisa, estridência maior a favor da esquerda. A CPT (Comissão Pastoral da Terra), também órgão da CNBB, igual, escarcéu favorecedor do comunismo de arrebentar os tímpanos. Congruentemente, recebiam elogios de morubixabas da esquerda, do tipo Fidel ou Raul Castro — os lobos uivavam em defesa dos pastores. E assim, dentro da Igreja, para tristeza dos católicos, tais entidades têm presença desagregadora. São fermentos de discórdia e fatores de exclusão, pois a maioria dos fiéis se julga rejeitada por elas. Tais fatos se tornaram largamente anacrônicos? Aspectos do Brasil de ontem? O quadro está se movendo.

Diante da inconformidade generalizada contra o lulopetismo, sentimentos que elegeram Jair Bolsonaro, parte da esquerda está se distanciando rápida e ruidosamente do PT e de Lula, buscando assim se viabilizar eleitoralmente para os próximos anos. Seria uma esquerda em que a roubalheira, a malandragem e a incompetência não constituiriam traços repugnantes e dominantes.

Como a tal esquerda em formação (o esboço está no PDT, PC do B, PSB, acenos à Rede, parlamentares do PSDB e PPS) tratará a esquerda católica, suja dos pés à cabeça, com os abraços líricos e os auxílios efetivos que propiciou ao petismo? Todos se lembram, durante todos esses anos, ela calou-se vergonhosamente diante do desastre econômico e da gatunagem. As primeiras manifestações sugerem que a tal nova esquerda não faz tanta questão de apoios na esquerda católica. A razão é simples: não quer se sujar e, com isso, arriscar-se a perder votos.

Vejamos. Da nova corrente, o corifeu mais em evidência é Ciro Gomes. Logo após as eleições, o antigo governador do Ceará, agindo em uníssono com fornido grupo de políticos, pôs em prática o plano, que envolveu muitos encontros e articulações de bastidor. Contudo o mais vistoso dele foram as entrevistas.

Delas, comento uma, concedida ao repórter Gustavo Uribe, da “Folha de S. Paulo”. Ali Ciro se lamentou de ter sido “miseravelmente traído” por Lula e seus “asseclas”. Comentou: “A cúpula exacerbada do PT já começou a campanha de agressão. O lulopetismo virou um caudilhismo corrupto e corruptor. Esses fanáticos do PT não sabem, mas o Lula, em momento de vacilação, me chamou para cumprir esse papelão que o Haddad cumpriu. E não aceitei. Me considerei insultado. Fomos miseravelmente traídos. Aí, é traição mesmo. Palavra dada e não cumprida, clandestinidade, acertos espúrios, grana”.

Acusa Lula e a cúpula do PT de falta de caráter, de traição, de serem vendilhões, de duplicidade. E deles quer afastamento para, óbvio, ficar próximo ao povo e ter votos. Expõe o objetivo: “Quero fundar um novo campo, onde para ser de esquerda, não tem de tapar o nariz com ladroeira, corrupção, falta de escrúpulos, oportunismo”.

É ataque ao plantel político que a CNBB e suas organizações vêm favorecendo há décadas. Duas figuras aqui têm papel especialmente simbólico: frei Betto e o ex-frei Leonardo Boff.

Deles, o que diz Ciro Gomes? Boff, primeiro: “Eles podem inventar o que quiserem [ou seja, são mentirosos]. Pega um … [estrume humano] como esse Leonardo Boff. Qual a opinião do Boff sobre o mensalão e o petrolão?” Para o presidenciável, a mera adjacência já irá incomodar o eleitor. Sobre frei Betto, também quis falar: “O Lula está cercado de bajulador. Gleisi Hoffmann, Leonardo Boff, frei Betto”. O primeiro, bajulador e, ademais, estrume humano; o segundo, bajulador sem caráter. Avisos que os quer distantes.

Leonardo Boff, pelo contrário, anseia a proximidade de Ciro. Declarou patético: “Precisamos de uma Arca de Noé onde todos possamos nos abrigar, abstraindo das diferentes extrações ideológicas, para não sermos tragados pelo dilúvio da irracionalidade e das violências”. Só que, na opinião de Ciro, se gente como Boff e frei Betto subirem na arca, o barco afunda.

De outro modo, políticos, como Ciro Gomes, que desejam a imagem de esquerda limpa, inimiga de traficâncias, não buscarão apoio em figuras como Boff e frei Betto. E, em boa medida, eles representam a esquerda católica. Amigos de ditaduras, admiradores de F. Castro, chegando ao ocaso da vida (frei Betto, 74 anos; Leonardo Boff, 79 anos), depois de favorecer o comunismo por décadas, na hora normal de recolher agradecimentos dos favorecidos pelo combate indigno, recebem chibatadas de um corifeu da esquerda: “Não quero estar ao seu lado, vocês me tiram votos e mancham a reputação”. A lógica nos empurra até lá, tal situação respinga na CPT, CIMI, CNBB.
..................
Comentário: 

Luiz Guilherme Winther de Castro
12 de novembro de 2018

Dizem que a esquerda sempre foi burra. Pelo jeito, continua sendo e sempre será. Esquerda significa socialismo, comunismo, enfim, ditadura cruel. Ciro Gomes chegou a afirmar que a Venezuela é uma democracia. Pelo que fala e pensa não é nada diferente do tal Beto e do tal Boff. Enfim, eles que se entendam ou desapareçam.
Infelizmente, essa gente ainda infernizará o novo governo, portanto, que nós rezemos e torçamos para que dê certo. Melhor que os últimos quatorze anos, tenho certeza que será, apesar da precária situação que o “pt” deixou o país. O governo Temer conseguiu endireitar um pouco o leme, apesar de ter compactuado com os governos petistas anteriormente.
Quanto ao Ciro Gomes ainda, ele não disse que deixaria a política caso o capitão Bolsonaro ganhasse a eleição? Cumprirá a promessa ou mostrará que está provado que a maioria dos políticos não tem palavra?


* * *

ESPIÃO DA HUMANIDADE – João de Paula


Estamos sempre sendo espionados por alguém superior a nós.

Acredito que o mal não dorme. Acredito que cada um de nós, estamos sujeitos aos imprevistos da vida. Por isso, devemos ser autênticos, amáveis, sinceros, bondosos, corteses e gentis com as nossas amizades; e no trato com as outras pessoas, porque existe o espião da humanidade de plantão.

A prática das boas maneiras vogam muito mais!

A prática das boas ações e socorrer aqueles que mais precisam de ajuda, apoio, saúde, dinheiro, atenção e trabalho vogam muito mais.

Nossos atos e omissões serão prestados contas algum dia ao espião da humanidade. Na verdade, direito tem quem direito anda. Quem é ele? Quem é o espião da humanidade? Quem és tu ? Oh! Bondade. Quem és tu, oh perfeição! Você decide quando fica ao lado do bem ou do mal; ao lado da Justiça ou da Injustiça; e do que define como céu ou inferno.

O fundamental é agir com todo amor e carinho durante nossa jornada terrena, na elevação dos sentimentos, na pratica do bem, na propaganda do bom e do pensamento positivo, na edificação de templos as virtudes e na formação dos nossos desejos e realizações.

Sempre em primeiro lugar; o sentimento e o desejo de tudo que tocarmos nossas mãos seja para a felicidade do próximo, para sua satisfação e alegria. É possível sim, ser feliz. Muito feliz, ou mais.

Vale a pena não esquecer que o espião da humanidade está de plantão; observando suas atitudes e procedimentos, observando seu “sim” e o seu “não” mediante a vida tal como ela é.

Sejamos bons, amáveis, sinceros, dedicados, amigos, benignos, benquistos e agentes celestiais, na edificação do paraíso terrestre, um mundo melhor, um mundo sem doença, sem pobreza e sem conflitos, que são os males que torturam a humanidade.

Se houver imprevisto na nossa jornada e caminhada, se cairmos no inferno, por exemplo, sejamos os revolucionários do amor, ou seja: amando mais, ampliando nossa paciência, nossa fé, nossa tolerância, nossa resistência , nossa gratidão, nossa felicidade em sermos amados de Deus, até o “encardido”, o espião da humanidade do mal, ficar incomodado com nossa bondade e espiritualidade firme em Deus; e mandar expulsar a gente daquele espaço e emitir para Deus, por sermos fiéis e dedicados a Ele.

Tudo é possível! Tudo é possível ao homem de fé. Tudo é possível ao homem generoso, dedicado, fiel e amoroso.

Não desista! Persista, insista, porque um dia o espião maior da humanidade lhe fará Justiça. Deus nos fará justiça.

Seja um homem bom. Uma boa mulher. O casal presente de Deus, para o bem da humanidade. Ofereça sempre flores, porque as flores são belezas de Deus; e quem não gosta de flores, não gosta do bem, belo e verdadeiro, é o espião do mal.

Ninguém é melhor do que ninguém. Pode até ser, no campo físico e materialista, por ter bens e posses, mas quando o senhor da morte vem, ele tomba o rico e o pobre, o rico e o mendigo, o imponente e orgulhoso, porque a entrada e a saída da vida é igual para todos.

Viva! Viva bem... Faça o bem. Seja o iluminado, porque o espião da humanidade está de olho em Você. Deus ou o Diabo. Você decide.

João Batista de Paula
Escritor e Jornalista


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