O extermínio da Família Imperial russa, perpetrado pelo
ódio do comunismo igualitário, hoje disfarçado na defesa dos direitos
humanos…
♦ Paulo
Corrêa de Brito Filho
Cem anos se passaram desde o brutal extermínio da família
imperial russa. Mas a lembrança de tal barbárie, que muitos procuram encobrir,
nunca passará. Devemos tê-la bem presente a fim de jamais alimentarmos ilusões
sobre tirânicos ditadores, como os que planejaram e executaram esse monstruoso
crime.
O comunismo igualitário não podia suportar a existência de
uma família nobre, que governara a imensa Rússia por diversas gerações. Alguns
meses após a tomada do poder, Lenin ordenou esse massacre, um dos mais vergonhosos
da longa lista de crimes contra a humanidade perpetrados pelo comunismo.
Para manter aceso o ódio de seus sequazes, os chefes
bolcheviques de 1918 precisavam praticar atos radicalmente sanguinários, como a
execução do Tzar Nicolau II e de sua família. Registrando tal necessidade
revolucionária, Leon Trotsky escreveu em suas memórias: “A severidade da
punição [a chacina da família imperial] mostrou a todos que
continuaríamos a lutar sem piedade, sem nos determos diante de nada. Não se
tratava apenas de amedrontar, aterrorizar e infundir o senso de desesperança no
inimigo, mas também de sacudir nossas fileiras, demonstrando que não havia
outra saída: vitória total ou ruína definitiva”.
Este foi o início de uma história escrita com sangue, a qual
prosseguiu do mesmo modo e acrescentando muitos outros instrumentos, como
prisões, torturas, fome e guerras fratricidas. Não só na Rússia, mas também nos
diversos países que tiveram suas populações subjugadas pela tirania comunista.
E o sangue continua a ser derramado ainda hoje, onde quer que se insista em
implantar ditaduras semelhantes à soviética.
Em memória deste centenário, cerca de cem mil russos fizeram
em 17 de julho último uma peregrinação na cidade de Yekaterinburg [foto ao
lado]. Eles passaram pelo local da casa-presídio onde a família Romanov e
alguns de seus servidores foram chacinados, e percorreram 21 quilômetros até o
lugar onde, em 1918, os comunistas dissolveram os cadáveres em ácido e os
incineraram, antes de enterrarem os restos mortais.
Tais fatos não podem cair no esquecimento, sob pena de nos
deixarmos surpreender futuramente pela multiplicação de perversidades
semelhantes. A revista Catolicismo, na sua missão de relembrar
verdades esquecidas, narrar grandes fatos silenciados, publicar crimes que seus
autores pretendem ocultar, não poderia deixar passar o centenário do massacre
da família Romanov sem recordar as atrocidades então praticadas. Com esse
objetivo, nosso colaborador Renato Murta de Vasconcelos elaborou a matéria de
capa da edição deste mês [foto no topo]. Aconselho a todos sua aquisição
ou sua leitura por meio de nosso site ( http://catolicismo.com.br/ ).
Movimentos que se apresentam como “sociais”, agindo em nome
dos “direitos humanos”, das “minorias” ou dos “marginalizados”, com muita
frequência partem para a criminalidade. Eles não têm a menor clemência em
relação aos sofrimentos humanos, praticam qualquer tipo de violência para
alcançar seus objetivos. “Bons sentimentos” nunca se coadunaram com a “ditadura
do proletariado”, que sempre foi o objetivo comunista, mesmo quando alegam a
defesa de “direitos humanos”. Deus não tem permitido que o solo brasileiro seja
atingido por essas desgraças, mas não faltam agitadores organizados com o
objetivo político de tomar o poder e nele se perpetuar. Deus continuará a nos
proteger contra esses sanguinários, desde que façamos por merecê-lo.
A Academia Brasileira de Letras dá continuidade ao seu ciclo
de conferências do mês de agosto de 2018, intitulado Cadeira 41, com
palestra do Acadêmico, ensaísta e poeta Antonio Carlos Secchin. A
coordenação será da Acadêmica e escritora Ana Maria Machado. O tema escolhido
foi Drummond: poesia e aporia.
Serão fornecidos certificados de frequência.
Secchin adiantou um pequeno resumo do que será sua
apresentação: “A rosa do povo (1945) é dos livros mais populares de Carlos
Drummond de Andrade, contendo muitos poemas de teor político e de grande
comunicabilidade. Um pequeno poema, todavia, surge aparentemente deslocado do
conjunto, e enigmático já a partir do título: “Áporo”. Na conferência, esse
texto será minuciosamente analisado e inserido no contexto geral da obra, na
qual parece soar como peça dissonante, e no contexto literário e social da
década de 1940”.
Cadeira 41 terá mais duas palestras, às quintas-feiras,
no mesmo local e horário, com os seguintes dias, conferencistas e temas,
respectivamente: dia 23, Luís Camargo, Cem anos de “Urupês”, de Monteiro
Lobato: o primeiro best-seller nacional; e 30, Hugo de Almeida, Osman
Lins, 40 anos depois, mais atual.
O CONFERENCISTA
Antonio Carlos Secchin nasceu no Rio de Janeiro, em
1952. Doutor em letras e professor emérito da Universidade Federal do Rio de
Janeiro, desde 2004 ocupa a cadeira 19 da Academia Brasileira de Letras.
Poeta e ensaísta, Secchin publicou, entre outras
obras, João Cabral: a poesia do menos (1985), Poesia e desordem(1996), Todos
os ventos (poemas reunidos, 2002, ganhador dos Prêmios da ABL, da
Biblioteca Nacional e do Pen Clube), Escritos sobre poesia & alguma
ficção (2003), 50 poemas escolhidos pelo autor (2006), Memórias
de um leitor de poesia (2010), Eus & outras (antologia
poética, 2013).
A UFRJ publicou, em 2013, o livro Secchin: uma Vida em
Letras, com cerca de 90 artigos, ensaios e depoimentos sobre sua atuação nos
campos da poesia, do ensaio, da ficção, do magistério e da bibliofilia. Com a
obra Desdizer, lançada ano passado, o autor voltou à poesia 15 anos após a
publicação de Todos os ventos.
Cheguei à
casa de seu Raimundo numa manhã ensolarada; a residência dele fica no topo de
uma ladeira disfarçada e em frente estende-se uma paisagem que é uma beleza,
confrontada com o sair do sol; embaixo, junto à cerca que faz divisória com os
cacauais, há uma represa ampla entre arbustos e flores silvestres. Ele, de fala
mansa, recebeu-me com olhar tranquilo, sorriso leve; sua calma era de espantar,
como se minha presença não fosse, assim, nenhuma novidade.
Calculei,
havia quase 15 anos encontrava-me ausente, distante, andando por este mundo de
meu Deus; e ele, agora, somente com a mulher e o filho mais velho. Seu Raimundo
nunca deixou a fazenda aonde chegou menino, cresceu, casou-se e, certamente,
morrerá, a não ser para assistir missa vez em quando e fazer “fecha” de cacau
na cidade. Os outros filhos dele andam espalhados, o mais novo formou-se em
medicina e reside em Salvador; a filha casou-se com um paulista e pouco vem à
Bahia; outro se meteu com pecuária para as bandas de Minas Gerais, aparece vez
em quando.
Mudanças pessoais
em seu Raimundo, quase nenhuma; ainda usa chinelos de couro, cabelo desarrumado
caindo sobre a testa um pouco mais ampla; camisão de mangas compridas e óculos de
tartaruga num bolso debrunhado, misturados com palhas de milho para cigarro e
um canivete antigo; bigode com fios embranquecidos.
Numa parede
da sala, cabide de madeira escura com roupas de campo penduradas, um chapéu de
baeta de aba quebrada na frente; embaixo do cabide, umas botinas amarelas com
manchas escuras. Dona Antonieta, mulher dele, não se esqueceu das saias rodadas
de cós franzido, cabelo liso amarrado em popa, com uma passadeira de metal. Lembrei-me
das feijoadas, dos bolos de aipim, do café torrado na hora: “é donzelo, tome
logo”, ela dizia passando-me a xícara fumegando. “E o cafezinho, dona
Antonieta, nunca me esqueci”. Ela sorriu entrando para a cozinha, “vou fazer um
agora mesmo”. Dona Antonieta está meio-envelhecida, mais gorda ou mais magra,
andar preparando-se para ficar lento, os olhos mostrando alguma perda do
fulgurante. “Ah, meu filho, tempo bom era aquele!”
A paisagem
verde da fazenda, a curvatura do céu dimensionada com o tamanho do lugar,
traziam-me recordações das festas de São João com fogueiras de tronco de jequitibá
incendiando; fogos de artifício iluminando as capoeiras; churrasco, milho verde
assado, canjica, caças, pescaria.
Seu Raimundo, forte naquele tempo, era
fogoso para tudo isso. Bom no tiro, não perdia uma paca, uma perdiz. Nas festas,
todo animado de botinas lustrosas e gravata, forrozava com dona Antonieta, com
a filha, com as moças da redondeza. Minha presençaeu sua casa era uma constância ; dava-me bem
com toda a família, notadamente com Juanita que casou com o paulista, e com
Emanuel que formou-se em medicina.
À direita
da casa existe ainda o curral pequeno, agora meio desmantelado, com um mourão
no meio, apodrecendo. Lembrei-me do garrote caramuru, de mamilo grande pendido
para um lado; da vaca Suana que dava dez litros de leite por dia. Em frente à
casa, no terreiro, existe ainda o tamarindeiro, agora menos frondoso, a crosta
rachada; embaixo dele, num desafio, o banco todo de madeira fincado no chão
limpo entremeado de folhas secas, onde os moradores iam à tardinha para
conversas íntimas; vacas leiteiras pastavam vigiadas pelo garrote mugindo e
cheirando o vento, de focinho para cima. Nas noites de estio e de luar,
encontros para uma prosa, contar estórias, fazer serenata.
Almocei com
seu Raimundo e passamos a tarde conversando sobre cacau, chuva, estiagem,
pragas e outros assuntos interessantes para gente do campo. Ele me deu notícia
de todos seus familiares distantes. Nosso diálogo, a momentos, desvanecia. A boquinha
da noite vinha caindo quando nos despedimos. A represa em frente, como um
painel cinza-escuro, formava uma mancha
no meio do gramado verdejante.
Deixei seu
Raimundo em pé, encostado ao gradil da varanda, enrolando um cigarro de palha.
(LINHAS INTERCALADAS – 2ª Edição 2004)
Ariston Caldas
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Ariston Caldas nasceu em Inhambupe, norte da
Bahia, em 15 de dezembro de 1923. Ainda menino, veio para o Sul do
estado, primeiro Uruçuca, depois Itabuna. Em 1970 se mudou para Salvador onde
residiu por 12 anos. Jornalista de profissão, Ariston trabalhou nos
jornais A Tarde, Tribuna da Bahia e Jornal da Bahia e fundou o
periódico Terra Nossa, da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do
Estado da Bahia; em Itabuna foi redator da Folha do Cacau, Tribuna do
Cacau, Diário de Itabuna, dentre outros. Foi também diretor da Rádio
Jornal.
O Dr. Hélio Martins da comarca de São João del Rei recebeu
um convite do deputado Reginaldo Lopes do PT para o lançamento de Lula-2018. A
resposta foi estupenda, disse exatamente o que todos deveriam dizer:
"Exmo. Senhor Deputado Reginaldo Lopes, em que pese o
profundo respeito que tenho pela atuação parlamentar de V. Exa., não é hora de
lutar para salvar pessoas, mas sim o País, atolado no caos econômico, na
recessão, no desemprego, na violência e na vergonha internacional onde agentes
políticos e públicos protagonizam o maior caso de corrupção de que se tem notícia
na história da humanidade.
Quero, como tantos outros brasileiros com capacidade de
discernimento e compreensão, que se faça justiça!
Que todos aqueles que se apropriaram de recursos públicos
paguem por tão grave crime, além de devolver o que indevida e criminosamente
levaram, privando o cidadão de saúde, educação, segurança, infraestrutura
dentre outros. Todos, indistintamente, como republicanamente deve ocorrer,
sejam do PT, do PMDB, do PSDB ou de qualquer outro partido político devem
responder pelos crimes cometidos. Lugar de ladrão é na cadeia!
Lula foi processado, julgado e condenado no primeiro
processo, sob a égide dos princípios constitucionais do devido processo legal e
da ampla defesa.
Sou juiz de primeira instância, ou de piso, como gostam de
dizer. Juiz de carreira, com muito orgulho! Submetido, como em todos os
concursos públicos para membros da Magistratura e do Ministério Público, a
provas de conhecimento de elevadíssimo nível de dificuldade, além de exames
psicológicos, e rigorosa investigação social. Aqui não tem princípio de
presunção de inocência não, senhor Deputado. Qualquer “derrapada” na vida
social tira o candidato do certame. Não somos escolhidos por agentes políticos.
Somos independentes, como manda a Constituição. A Magistratura e o Ministério
Público brasileiro, a que me refiro, merecem, pois, absoluto respeito!
Desta forma, falar em “golpe” e envolver o judiciário nesta
trama é, no mínimo menosprezar inteligência das pessoas.
Me causa total estranheza ver V. Exa. se referir às “elites”
como posto em seu texto. Afinal o PT se aliou às “elites” para alcançar o
poder. Foram integrantes da ala da “elite” mais elevada deste país que
proporcionaram o desvio de dinheiro público em benéfico não só do partido, mas
daqueles que já estão condenados ou sendo processados. Basta verificar as
doações para campanhas eleitorais passadas.
Então a “elite” que abastece de recursos, é a mesma elite
“golpista”? Não há uma gritante incoerência na sua proposição? Não há uma
incoerência ideológica por parte daqueles agentes políticos e públicos já
condenados ou processados, que pregam distribuição de renda, mas se enriquecem à
custa do trabalho alheio das “elites” através do achaque? Este comportamento é
moralmente aceitável? Para mim isso tem uma definição: bandidagem!
Desculpe-me a franqueza, senhor Deputado, mas Lula, assim
como aqueles que já estão condenados e aqueles que estão sendo processados, não
estão nem aí para o Estado Democrático! De fato querem poder. Só poder. Poder
eterno sobre tudo e todos. E poder a todo custo é sinônimo de tirania! Basta!
Basta! Basta!
Quem conhece realmente história sabe muito bem que os
criminosos anistiados do passado, não praticaram ações violentas em nome de democracia,
mas para impor o regime que entendiam ideologicamente adequado. Ditadura!
Igualmente ditadura!
Ainda que compreenda seu alinhamento político partidário,
senhor Deputado, não se permita, em homenagem à sua história de vida, descer ao
nível da excrescência das mentiras deslavadas, como as protagonizadas
publicamente pelo ex-presidente Lula, e tantos outros, desprovidos de dignidade
e decoro, sustentando o insustentável.
Desejo ao senhor e sua família um 2018 abençoado.
Que sua luta seja de fato pelo povo e não por
pessoas!"
...imagine nós, homens. Falo por mim, que consulto a minha
sobre qualquer coisa importante. A atual indecisão das mulheres em relação às
eleições é recorde, e essa inapetência eleitoral explica muito do estado de
(des) ânimo geral. Afinal, elas são 52,5% do eleitorado, ou seja, a maioria que
determina o resultado final. O problema é que, segundo pesquisa do Datafolha,
80% das eleitoras ainda não escolheram um nome em quem votar: 54% estão em
dúvida, e 26% se declararam a favor do voto em branco ou nulo.
Não se trata de idiossincrasia feminina, não é uma questão
de gênero. Há motivos específicos de discordância, como a dissonância entre as
preocupações. A saúde, por exemplo, que para elas deve ser prioridade de
governo, não aparece entre os principais temas de que os candidatos prometem
cuidar.
Além disso, quem não está se sentindo confuso, desconfiado,
insatisfeito e descrente com o quadro atual? Quando me perguntam “o que você
acha que vai acontecer?”, respondo: “se souber, me fala que também não sei”.
Será que o eleitor petista entendeu a última jogada de Lula, desistindo junto
ao STF do recurso em que pedia sua liberdade? Alguém é capaz de descobrir qual
é a ideologia do centrão? Aliás, o que é mesmo esse ajuntamento de interesses
fisiológicos? E qual é a da bela Manuela D’Ávila, sendo tratada mais como miss
do que como vice, na verdade, vice de vice, isto é, de Haddad, que, segundo o
próprio Lula, tem “cara de tucano”? E o general do Bolsonaro, hein, à
extrema-direita do capitão?
A novidade é que, acreditando que a indefinição das mulheres
não é irreversível, os candidatos desenvolveram oportuna (ou oportunista)
estratégia para atraí-las, oferecendo-lhes o cargo de vice, mesmo sem
considerar se elas têm ou tiveram participação nas lutas femininas.
De qualquer maneira, segundo especialistas, o quadro tende a
se alterar com a propaganda no rádio e na TV, e com o acirramento da campanha
na reta final. Eles acham que as mulheres serão decisivas. Eu também.
Zuenir Ventura - Sétimo ocupante da Cadeira n.º 32 da ABL,
foi eleito no dia 30 de outubro de 2014, na sucessão do Acadêmico Ariano
Suassuna, e recebido no dia 6 de março de 2015, pela Acadêmica Cleonice
Berardinelli.
Quando cortas uma flor para ti, começas a
perdê-la...
Porque murchará em tuas mãos e não se fará semente para
outras primaveras.
Quando aprisionas um passarinho para ti, começas a
perdê-lo... Porque não mais cantará no bosque para ti nem criará outros
passarinhos em seu ninho!
Quando guardas teu dinheiro começas a perdê-lo...
Porque
o dinheiro não vale por si , mas pelo o que com ele se pode fazer.
Quando não arriscas tua liberdade para tê-la
começas a perdê-la... Porque a liberdade que tens se comprova quando te atiras
optando e decidindo!
Quando não deixas partir o teu filho para a vida, começas
a perdê-lo...
Porque nunca o verás voltar para ti livre e maduro.
Aprende no caminho da vida a paradoxal lição da
experiência: sempre ganhas o que deixas e perdes o que reténs. Grandes artistas
obtiveram o melhor das suas obras nos grandes momentos de aflição e dor.
Faça o mesmo: Mostre o que de grande há em você tirando partido das suas
decepções!
CONSTRUA-SE!
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Rene Juan Trossero - escritor e psicólogo argentino, autor
de vários livros de autoajuda, suas palavras são muito sábias, com sua poesia
aprendemos a conhecer-nos e a outros, construindo uma vida mais completa.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo
João.
— Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, os judeus começaram a murmurar a
respeito de Jesus, porque havia dito: “Eu sou o pão que desceu do céu”. Eles
comentavam: “Não é este Jesus, o filho de José? Não conhecemos seu pai e sua
mãe? Como então pode dizer que desceu do céu?”
Jesus respondeu: “Não murmureis entre vós. Ninguém pode
vir a mim, se o Pai que me enviou não o atrai. E eu o ressuscitarei no último
dia. Está escrito nos Profetas: ‘Todos serão discípulos de Deus’. Ora,
todo aquele que escutou o Pai, e por ele foi instruído, vem a mim. Não que
alguém já tenha visto o Pai. Só aquele que vem de junto de Deus viu o
Pai. Em verdade, em verdade vos digo, quem crê, possui a vida eterna.
Eu sou o pão da vida. Os vossos pais comeram o maná no
deserto e, no entanto, morreram. Eis aqui o pão que desce do céu: quem
dele comer, nunca morrerá. Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer
deste pão viverá eternamente. E o pão que eu darei é a minha carne dada para a
vida do mundo”.
Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Pe. Air José:
---
O desafio de "ser
pão" para os outros
“Quem come deste pão viverá eternamente” (Jo. 6,51)
Continuamos no cap. 6 do Evangelho de João. Aumenta a tensão
entre os judeus e Jesus. À medida que Jesus vai aprofundando no seu
ensinamento, vai aparecendo a enorme diferença existente entre o que eles
aprenderam da tradição e o que Jesus lhes quer transmitir. E vão aparecendo as
doentias murmurações. “E começaram a murmurar contra Jesus”.
Murmuravam porque Jesus havia dito: “eu sou o pão vivo descido do céu”. É
o mesmo verbo para falar das murmurações dos israelitas no deserto contra
Moisés, por não lhes dar alimento, como eles tinham no Egito. Jesus lhes
recorda que o povo esteve contra Moisés nos momentos difíceis e agora também
não confiam nas palavras do próprio Jesus.
Sabemos que a murmuração se expressa de inúmeras maneiras,
sutis ou não, formando uma montanha de ressentimentos, queixas, críticas
ácidas... Murmurar é contraproducente e nocivo. Alguém que murmura é uma pessoa
difícil de conviver e poucas pessoas sabem como responder às queixas feitas por
outras que expelem sua fuligem interior. O trágico é que, uma vez expressa, a
murmuração leva ao que mais se queria evitar: um afastamento maior. Essa
murmuração íntima é sombria e pesada: condenação dos outros, condenação de si
mesmo, justificativas... entrando numa espiral de amargura e fechamento.
À medida que a pessoa se deixa arrastar ao interior do vasto labirinto
das suas murmurações, fica mais e mais perdida, até que, no fim, acaba
achando-se a pessoa mais incompreendida, rejeitada, negligenciada e desprezada
do mundo.
Em um coração carregado de murmurações e queixas, o Espírito
não tem liberdade de atuar; elas são a fonte poluidora de onde brotam as
doentias divisões internas, que atrofiam as forças criativas, petrificam o
coração, resistem ao novo e levam ao distanciamento de tudo e de todos. Com
isso, a pessoa se blinda, tornando-se rígida, fechada em suas posições,
crenças, valores... e não se deixa impactar pelo encontro com o diferente. Como
quebrar os ferrolhos das murmurações e estender as mãos para acolher o
surpreendentemente novo? Como passar do coração de pedra para a morada da fonte
de água viva?
Nesse contexto “carregado”, Jesus vai abrindo um caminho de
existência compartilhada, que se expressa na comunicação do pão e que culmina
na comunicação de vida. Ele não se deixa afetar pelas murmurações que levam à
morte. Jesus, o “Pão da Vida”, tocou as “vidas feridas” com delicadeza e
ternura e as transformou. Seus gestos terapêuticos foram o prolongamento da
ação criativa de Deus; com palavras e ações Ele inaugurou no meio de nós o
Reino de Vida do Pai. Não só optou pela vida e se comprometeu com a vida, mas
fez de sua Vida uma entrega radical a favor da vida. Em Jesus acontece algo
totalmente novo; Ele traz uma nova maneira de viver e de comunicar vida que não
cabe nos nossos esquemas. Quem entra em comunhão de vida com Ele, conhece uma
vida diferente, de qualidade nova, expansiva...
A comunhão com Jesus é fonte de vida e vida em crescente
amplitude. Quando nos dispomos a caminhar com Ele, sob a ação do seu Espírito,
realiza-se em nós um processo de abertura e de superação, de crescimento e de
reconstrução de nós mesmos...; tomamos consciência de uma dimensão profunda de
nosso interior, que nos permite experimentar uma outra vida, que supera tudo o
que vivemos até então.
A “vida eterna”, então, não é um prolongamento ao infinito
de nossa vida biológica. É a dimensão inesgotável e decisiva de nossa
existência. Ela torna-se “eterna” desde já. Para o evangelista João, a “vida” é
uma totalidade, ou seja, a vida presente, a vida atual, é uma vida que tem tal
plenitude que, com toda razão, podemos chamá-la de “vida eterna”, uma vida com
tal força e tão sem limites, que nem a morte mesma terá poder sobre ela.
Precisamos adquirir uma consciência mais profunda da vida do
espírito, perceber as pulsações desta vida eterna que está em nós, do mesmo
modo que, prestando atenção, percebemos as batidas de nosso coração. A vida,
desde o mais íntimo da pessoa humana, deseja ser despertada e vivenciada em
plenitude. Vida plena prometida por Jesus: “Quem crê, tem a vida eterna”.
Jesus faz-se alimento que gerar vida nova no mundo;
alimentar-nos d’Ele, desperta nossa vida interior, fazendo-nos redescobrir
nossa verdadeira riqueza; ao mesmo tempo, fazendo-se “pão partilhado”,
Jesus nos ensina a gerar vida, ou seja, Ele nos move a fazer com que nossa
própria vida seja “alimento substancioso”, para que outros também tenham vida.
A comunhão de vida com Cristo nos faz ter um “caso de amor com a vida”.
Nem sempre sabemos viver: conformamo-nos com uma vida
estreita, estéril, fechada ao novo, carregada de “murmurações”. Quando nos
saciamos com o Pão, que proporciona vigor inesgotável, nossa vida se destrava e
torna-se potencial de inovação criadora, expressão permanente de liberdade,
consciência, amor, arte, alegria, compaixão.... É vida em movimento, gesto de
ir além de nós mesmos; vida fecunda, potencial humano. Vida com fome e sede de
significado, que busca o sentido... Vida que é encontro, interação, comunhão,
solidariedade. Vida que é seduzida pelo amor, pela ternura. Vida que desperta o
olhar para o vasto mundo. Vida que é voz, é canto, é dança, é festa, é
convocação...
Ao afirmar: “Eu sou o pão vivo que desceu do céu”, Jesus nos
revela que a vida é sempre uma novidade que rompe velhos barris; ela é um
fenômeno que emerge de forma misteriosa; ela se impõe,
simplesmente. Tal realidade desperta fascinação, provoca admiração e
veneração... porque a vida é sempre sagrada. Diante dela ficamos extasiados,
boquiabertos, escancarados os olhos e afiados os ouvidos. Ela nos atrai por sua
força interna. A vida é sempre emergência do novo e do surpreendente. Portador
de uma vida inesgotável, somos muito mais que o simples resultado de nossos
esforços e lutas. Vivemos para mergulhar em algo diferente, novo e melhor.
Nossa vida não é um problema a resolver, mas uma experiência
a acolher, uma aventura a amar e um mistério a celebrar. Afinal, somos
discípulos(as) permanentes na escola do Mestre da vida! Nesse sentido, a
experiência do Seguimento de Jesus é uma verdadeira “escola de vida”, cuja
aprendizagem nos leva ao âmago do nosso ser, para enraizar nossa vida no
coração cheio de nutrientes, dele haurir a força da vida divina e deixar-nos
plenificar pela graça transbordante de Deus. Nada mais contrário ao espírito do
Evangelho que a vida instalada e uma existência estabilizada de uma vez para
sempre, tendo pontos de referência fixos, definitivos, tranquilizadores...
Texto bíblico: Jo 6,41-51
Na oração: Para viver a partir do ser mais profundo, é
preciso dedicar, cada dia, algum tempo de atenção ao próprio coração e aprender
a regozijar-se da maravilhosa vida de Deus em cada um. Basta um repouso e o
estar presente para fazer acalmar a agitação interior e aproximar-se da fonte
da vida.
- Temos nas mãos e no coração a opção de viver “em chave de
murmurações” (queixas, ressentimentos e desencantos) ou “em chave de benção”,
descobrindo na vida a presença d’Aquele que nos faz estremecer de alegria,
desafiando-nos a ser “pão para os outros”.
- Sua vida cotidiana: “pão amargo de murmurações” ou “pão
substancioso de bênçãos”?