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terça-feira, 14 de agosto de 2018

ÓDIO COMUNISTA EXTERMINOU A FAMÍLIA ROMANOV - Paulo Corrêa de Brito Filho

14 de agosto de 2018

Capa da revista Catolicismo, Nº 812, agosto/2018

O extermínio da Família Imperial russa, perpetrado pelo ódio do comunismo igualitário, hoje disfarçado na defesa dos direitos humanos…

♦  Paulo Corrêa de Brito Filho

Cem anos se passaram desde o brutal extermínio da família imperial russa. Mas a lembrança de tal barbárie, que muitos procuram encobrir, nunca passará. Devemos tê-la bem presente a fim de jamais alimentarmos ilusões sobre tirânicos ditadores, como os que planejaram e executaram esse monstruoso crime.


O comunismo igualitário não podia suportar a existência de uma família nobre, que governara a imensa Rússia por diversas gerações. Alguns meses após a tomada do poder, Lenin ordenou esse massacre, um dos mais vergonhosos da longa lista de crimes contra a humanidade perpetrados pelo comunismo.

Para manter aceso o ódio de seus sequazes, os chefes bolcheviques de 1918 precisavam praticar atos radicalmente sanguinários, como a execução do Tzar Nicolau II e de sua família. Registrando tal necessidade revolucionária, Leon Trotsky escreveu em suas memórias: “A severidade da punição [a chacina da família imperial] mostrou a todos que continuaríamos a lutar sem piedade, sem nos determos diante de nada. Não se tratava apenas de amedrontar, aterrorizar e infundir o senso de desesperança no inimigo, mas também de sacudir nossas fileiras, demonstrando que não havia outra saída: vitória total ou ruína definitiva”.

Este foi o início de uma história escrita com sangue, a qual prosseguiu do mesmo modo e acrescentando muitos outros instrumentos, como prisões, torturas, fome e guerras fratricidas. Não só na Rússia, mas também nos diversos países que tiveram suas populações subjugadas pela tirania comunista. E o sangue continua a ser derramado ainda hoje, onde quer que se insista em implantar ditaduras semelhantes à soviética.

Em memória deste centenário, cerca de cem mil russos fizeram em 17 de julho último uma peregrinação na cidade de Yekaterinburg   [foto ao lado]. Eles passaram pelo local da casa-presídio onde a família Romanov e alguns de seus servidores foram chacinados, e percorreram 21 quilômetros até o lugar onde, em 1918, os comunistas dissolveram os cadáveres em ácido e os incineraram, antes de enterrarem os restos mortais.

Tais fatos não podem cair no esquecimento, sob pena de nos deixarmos surpreender futuramente pela multiplicação de perversidades semelhantes. A revista Catolicismo, na sua missão de relembrar verdades esquecidas, narrar grandes fatos silenciados, publicar crimes que seus autores pretendem ocultar, não poderia deixar passar o centenário do massacre da família Romanov sem recordar as atrocidades então praticadas. Com esse objetivo, nosso colaborador Renato Murta de Vasconcelos elaborou a matéria de capa da edição deste mês [foto no topo]. Aconselho a todos sua aquisição ou sua leitura por meio de nosso site ( http://catolicismo.com.br/ ).

Movimentos que se apresentam como “sociais”, agindo em nome dos “direitos humanos”, das “minorias” ou dos “marginalizados”, com muita frequência partem para a criminalidade. Eles não têm a menor clemência em relação aos sofrimentos humanos, praticam qualquer tipo de violência para alcançar seus objetivos. “Bons sentimentos” nunca se coadunaram com a “ditadura do proletariado”, que sempre foi o objetivo comunista, mesmo quando alegam a defesa de “direitos humanos”. Deus não tem permitido que o solo brasileiro seja atingido por essas desgraças, mas não faltam agitadores organizados com o objetivo político de tomar o poder e nele se perpetuar. Deus continuará a nos proteger contra esses sanguinários, desde que façamos por merecê-lo.

http://www.abim.inf.br/odio-comunista-exterminou-a-familia-romanov/#.W3MF5s5KjIU

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segunda-feira, 13 de agosto de 2018

ABL:ACADÊMICO ANTONIO CARLOS SECCHIN FALA NA ABL SOBRE CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE



A Academia Brasileira de Letras dá continuidade ao seu ciclo de conferências do mês de agosto de 2018, intitulado Cadeira 41, com palestra do Acadêmico, ensaísta e poeta Antonio Carlos Secchin. A coordenação será da Acadêmica e escritora Ana Maria Machado. O tema escolhido foi Drummond: poesia e aporia.

Serão fornecidos certificados de frequência.

Secchin adiantou um pequeno resumo do que será sua apresentação: “A rosa do povo (1945) é dos livros mais populares de Carlos Drummond de Andrade, contendo muitos poemas de teor político e de grande comunicabilidade. Um pequeno poema, todavia, surge aparentemente deslocado do conjunto, e enigmático já a partir do título: “Áporo”. Na conferência, esse texto será minuciosamente analisado e inserido no contexto geral da obra, na qual parece soar como peça dissonante, e no contexto literário e social da década de 1940”.

Cadeira 41 terá mais duas palestras, às quintas-feiras, no mesmo local e horário, com os seguintes dias, conferencistas e temas, respectivamente: dia 23, Luís Camargo, Cem anos de “Urupês”, de Monteiro Lobato: o primeiro best-seller nacional; e 30, Hugo de Almeida, Osman Lins, 40 anos depois, mais atual.

O CONFERENCISTA

Antonio Carlos Secchin nasceu no Rio de Janeiro, em 1952. Doutor em letras e professor emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro, desde 2004 ocupa a cadeira 19 da Academia Brasileira de Letras.

Poeta e ensaísta, Secchin publicou, entre outras obras, João Cabral: a poesia do menos (1985), Poesia e desordem(1996), Todos os ventos (poemas reunidos, 2002, ganhador dos Prêmios da ABL, da Biblioteca Nacional e do Pen Clube), Escritos sobre poesia & alguma ficção (2003), 50 poemas escolhidos pelo autor (2006), Memórias de um leitor de poesia (2010), Eus & outras (antologia poética, 2013).

A UFRJ publicou, em 2013, o livro Secchin: uma Vida em Letras, com cerca de 90 artigos, ensaios e depoimentos sobre sua atuação nos campos da poesia, do ensaio, da ficção, do magistério e da bibliofilia. Com a obra Desdizer, lançada ano passado, o autor voltou à poesia 15 anos após a publicação de Todos os ventos.

10/08/2018



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VISITA – Ariston Caldas




            Cheguei à casa de seu Raimundo numa manhã ensolarada; a residência dele fica no topo de uma ladeira disfarçada e em frente estende-se uma paisagem que é uma beleza, confrontada com o sair do sol; embaixo, junto à cerca que faz divisória com os cacauais, há uma represa ampla entre arbustos e flores silvestres. Ele, de fala mansa, recebeu-me com olhar tranquilo, sorriso leve; sua calma era de espantar, como se minha presença não fosse, assim, nenhuma novidade.

            Calculei, havia quase 15 anos encontrava-me ausente, distante, andando por este mundo de meu Deus; e ele, agora, somente com a mulher e o filho mais velho. Seu Raimundo nunca deixou a fazenda aonde chegou menino, cresceu, casou-se e, certamente, morrerá, a não ser para assistir missa vez em quando e fazer “fecha” de cacau na cidade. Os outros filhos dele andam espalhados, o mais novo formou-se em medicina e reside em Salvador; a filha casou-se com um paulista e pouco vem à Bahia; outro se meteu com pecuária para as bandas de Minas Gerais, aparece vez em quando.

            Mudanças pessoais em seu Raimundo, quase nenhuma; ainda usa chinelos de couro, cabelo desarrumado caindo sobre a testa um pouco mais ampla; camisão de mangas compridas e óculos de tartaruga num bolso debrunhado, misturados com palhas de milho para cigarro e um canivete antigo; bigode com fios embranquecidos.

            Numa parede da sala, cabide de madeira escura com roupas de campo penduradas, um chapéu de baeta de aba quebrada na frente; embaixo do cabide, umas botinas amarelas com manchas escuras. Dona Antonieta, mulher dele, não se esqueceu das saias rodadas de cós franzido, cabelo liso amarrado em  popa, com uma passadeira de metal. Lembrei-me das feijoadas, dos bolos de aipim, do café torrado na hora: “é donzelo, tome logo”, ela dizia passando-me a xícara fumegando. “E o cafezinho, dona Antonieta, nunca me esqueci”. Ela sorriu entrando para a cozinha, “vou fazer um agora mesmo”. Dona Antonieta está meio-envelhecida, mais gorda ou mais magra, andar preparando-se para ficar lento, os olhos mostrando alguma perda do fulgurante. “Ah, meu filho, tempo bom era aquele!”

            A paisagem verde da fazenda, a curvatura do céu dimensionada com o tamanho do lugar, traziam-me recordações das festas de São João com fogueiras de tronco de jequitibá incendiando; fogos de artifício iluminando as capoeiras; churrasco, milho verde assado, canjica, caças, pescaria.

            Seu Raimundo, forte naquele tempo, era fogoso para tudo isso. Bom no tiro, não perdia uma paca, uma perdiz. Nas festas, todo animado de botinas lustrosas e gravata, forrozava com dona Antonieta, com a filha, com as moças da redondeza. Minha presença  eu sua casa era uma constância ; dava-me bem com toda a família, notadamente com Juanita que casou com o paulista, e com Emanuel que formou-se em medicina.

            À direita da casa existe ainda o curral pequeno, agora meio desmantelado, com um mourão no meio, apodrecendo. Lembrei-me do garrote caramuru, de mamilo grande pendido para um lado; da vaca Suana que dava dez litros de leite por dia. Em frente à casa, no terreiro, existe ainda o tamarindeiro, agora menos frondoso, a crosta rachada; embaixo dele, num desafio, o banco todo de madeira fincado no chão limpo entremeado de folhas secas, onde os moradores iam à tardinha para conversas íntimas; vacas leiteiras pastavam vigiadas pelo garrote mugindo e cheirando o vento, de focinho para cima. Nas noites de estio e de luar, encontros para uma prosa, contar estórias, fazer serenata.

            Almocei com seu Raimundo e passamos a tarde conversando sobre cacau, chuva, estiagem, pragas e outros assuntos interessantes para gente do campo. Ele me deu notícia de todos seus familiares distantes. Nosso diálogo, a momentos, desvanecia. A boquinha da noite vinha caindo quando nos despedimos. A represa em frente, como um painel cinza-escuro,  formava uma mancha no meio do gramado verdejante.

            Deixei seu Raimundo em pé, encostado ao gradil da varanda, enrolando um cigarro de palha.


(LINHAS INTERCALADAS – 2ª Edição 2004)
Ariston Caldas
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Ariston Caldas nasceu em Inhambupe, norte da Bahia,  em 15 de dezembro de 1923. Ainda menino, veio para o Sul do estado, primeiro Uruçuca, depois Itabuna. Em 1970 se mudou para Salvador onde residiu por 12 anos. Jornalista de profissão, Ariston trabalhou nos jornais A Tarde, Tribuna da Bahia e Jornal da Bahia e fundou o periódico Terra Nossa, da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado da Bahia; em Itabuna foi redator da Folha do Cacau, Tribuna do Cacau, Diário de Itabuna, dentre outros. Foi também diretor da Rádio Jornal.

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DR. HÉLIO MARTINS: RESPOSTA


O Dr. Hélio Martins da comarca de São João del Rei recebeu um convite do deputado Reginaldo Lopes do PT para o lançamento de Lula-2018. A resposta foi estupenda, disse exatamente o que todos deveriam dizer:


"Exmo. Senhor Deputado Reginaldo Lopes, em que pese o profundo respeito que tenho pela atuação parlamentar de V. Exa., não é hora de lutar para salvar pessoas, mas sim o País, atolado no caos econômico, na recessão, no desemprego, na violência e na vergonha internacional onde agentes políticos e públicos protagonizam o maior caso de corrupção de que se tem notícia na história da humanidade.
Quero, como tantos outros brasileiros com capacidade de discernimento e compreensão, que se faça justiça!

Que todos aqueles que se apropriaram de recursos públicos paguem por tão grave crime, além de devolver o que indevida e criminosamente levaram, privando o cidadão de saúde, educação, segurança, infraestrutura dentre outros. Todos, indistintamente, como republicanamente deve ocorrer, sejam do PT, do PMDB, do PSDB ou de qualquer outro partido político devem responder pelos crimes cometidos. Lugar de ladrão é na cadeia!

Lula foi processado, julgado e condenado no primeiro processo, sob a égide dos princípios constitucionais do devido processo legal e da ampla defesa.

Sou juiz de primeira instância, ou de piso, como gostam de dizer. Juiz de carreira, com muito orgulho! Submetido, como em todos os concursos públicos para membros da Magistratura e do Ministério Público, a provas de conhecimento de elevadíssimo nível de dificuldade, além de exames psicológicos, e rigorosa investigação social. Aqui não tem princípio de presunção de inocência não, senhor Deputado. Qualquer “derrapada”  na vida social tira o candidato do certame. Não somos escolhidos por agentes políticos. Somos independentes, como manda a Constituição. A Magistratura e o Ministério Público brasileiro, a que me refiro, merecem, pois, absoluto respeito!

Desta forma, falar em “golpe” e envolver o judiciário nesta trama é, no mínimo menosprezar inteligência das pessoas.

Me causa total estranheza ver V. Exa. se referir às “elites” como posto em seu texto. Afinal o PT se aliou às “elites” para alcançar o poder. Foram integrantes da ala da “elite” mais elevada deste país que proporcionaram o desvio de dinheiro público em benéfico não só do partido, mas daqueles que já estão condenados ou sendo processados. Basta verificar as doações para campanhas eleitorais passadas.
Então a “elite” que abastece de recursos, é a mesma elite “golpista”? Não há uma gritante incoerência na sua proposição? Não há uma incoerência ideológica por parte daqueles agentes políticos e públicos já condenados ou processados, que pregam distribuição de renda, mas se enriquecem à custa do trabalho alheio das “elites” através do achaque? Este comportamento é moralmente aceitável? Para mim isso tem uma definição: bandidagem! 

Desculpe-me a franqueza, senhor Deputado, mas Lula, assim como aqueles que já estão condenados e aqueles que estão sendo processados, não estão nem aí para o Estado Democrático! De fato querem poder. Só poder. Poder eterno sobre tudo e todos. E poder a todo custo é sinônimo de tirania! Basta! Basta! Basta!

Quem conhece realmente história  sabe muito bem que os criminosos anistiados do passado, não praticaram ações violentas em nome de democracia, mas para impor o regime que entendiam ideologicamente adequado. Ditadura! Igualmente ditadura!

Ainda que compreenda seu alinhamento político partidário, senhor Deputado, não se permita, em homenagem à sua história de vida, descer ao nível da excrescência das mentiras deslavadas, como as protagonizadas publicamente pelo ex-presidente Lula, e tantos outros, desprovidos de dignidade e decoro, sustentando o insustentável.

Desejo ao senhor e sua família um 2018 abençoado. 

Que sua luta seja de fato  pelo povo e não por pessoas!"


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domingo, 12 de agosto de 2018

SE ELAS NÃO SABEM... - Zuenir Ventura


Se elas não sabem... 



...imagine nós, homens. Falo por mim, que consulto a minha sobre qualquer coisa importante. A atual indecisão das mulheres em relação às eleições é recorde, e essa inapetência eleitoral explica muito do estado de (des) ânimo geral. Afinal, elas são 52,5% do eleitorado, ou seja, a maioria que determina o resultado final. O problema é que, segundo pesquisa do Datafolha, 80% das eleitoras ainda não escolheram um nome em quem votar: 54% estão em dúvida, e 26% se declararam a favor do voto em branco ou nulo.

Não se trata de idiossincrasia feminina, não é uma questão de gênero. Há motivos específicos de discordância, como a dissonância entre as preocupações. A saúde, por exemplo, que para elas deve ser prioridade de governo, não aparece entre os principais temas de que os candidatos prometem cuidar.

Além disso, quem não está se sentindo confuso, desconfiado, insatisfeito e descrente com o quadro atual? Quando me perguntam “o que você acha que vai acontecer?”, respondo: “se souber, me fala que também não sei”. Será que o eleitor petista entendeu a última jogada de Lula, desistindo junto ao STF do recurso em que pedia sua liberdade? Alguém é capaz de descobrir qual é a ideologia do centrão? Aliás, o que é mesmo esse ajuntamento de interesses fisiológicos? E qual é a da bela Manuela D’Ávila, sendo tratada mais como miss do que como vice, na verdade, vice de vice, isto é, de Haddad, que, segundo o próprio Lula, tem “cara de tucano”? E o general do Bolsonaro, hein, à extrema-direita do capitão?

A novidade é que, acreditando que a indefinição das mulheres não é irreversível, os candidatos desenvolveram oportuna (ou oportunista) estratégia para atraí-las, oferecendo-lhes o cargo de vice, mesmo sem considerar se elas têm ou tiveram participação nas lutas femininas.

De qualquer maneira, segundo especialistas, o quadro tende a se alterar com a propaganda no rádio e na TV, e com o acirramento da campanha na reta final. Eles acham que as mulheres serão decisivas. Eu também.

                                                                         O Globo, 08/08/2018

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Zuenir Ventura - Sétimo ocupante da Cadeira n.º 32 da ABL, foi eleito no dia 30 de outubro de 2014, na sucessão do Acadêmico Ariano Suassuna, e recebido no dia 6 de março de 2015, pela Acadêmica Cleonice Berardinelli.

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ITABUNA CENTENÁRIA UM POEMA: CONSTRUA- SE - Rene Juan Trossero


Construa-se

Quando cortas uma flor para ti, começas a perdê-la...  
Porque murchará em tuas mãos e não se fará semente para outras primaveras.

Quando aprisionas um passarinho para ti, começas a perdê-lo... Porque não mais cantará no bosque para ti nem criará outros passarinhos em seu ninho!

Quando guardas teu dinheiro começas a perdê-lo... 
Porque o dinheiro não vale por si , mas pelo o que com ele se pode fazer.

Quando não arriscas tua liberdade para tê-la começas a perdê-la... Porque a liberdade que tens se comprova quando te atiras optando e decidindo!

Quando não deixas partir o teu filho para a vida, começas a perdê-lo... 
Porque nunca o verás voltar para ti livre e maduro.

Aprende no caminho da vida a paradoxal lição da experiência: sempre ganhas o que deixas e perdes o que reténs. Grandes artistas obtiveram o melhor das suas obras nos grandes momentos de aflição e dor. 

Faça o mesmo: Mostre o que de grande há em você tirando partido das suas decepções!

CONSTRUA-SE!

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Rene Juan Trossero - escritor e psicólogo argentino, autor de vários livros de autoajuda, suas palavras são muito sábias, com sua poesia aprendemos a conhecer-nos e a outros, construindo uma vida mais completa.

"Gotas de Crystal" gotasdecrystal@gmail.com

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PALAVRA DA SALVAÇÃO (91)


19º Domingo do Tempo Comum – 12/08/2018

Anúncio do Evangelho (Jo 6,41-51)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, os judeus começaram a murmurar a respeito de Jesus, porque havia dito: “Eu sou o pão que desceu do céu”. Eles comentavam: “Não é este Jesus, o filho de José? Não conhecemos seu pai e sua mãe? Como então pode dizer que desceu do céu?”
Jesus respondeu: “Não murmureis entre vós. Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o atrai. E eu o ressuscitarei no último dia. Está escrito nos Profetas: ‘Todos serão discípulos de Deus’. Ora, todo aquele que escutou o Pai, e por ele foi instruído, vem a mim. Não que alguém já tenha visto o Pai. Só aquele que vem de junto de Deus viu o Pai. Em verdade, em verdade vos digo, quem crê, possui a vida eterna.
Eu sou o pão da vida. Os vossos pais comeram o maná no deserto e, no entanto, morreram. Eis aqui o pão que desce do céu: quem dele comer, nunca morrerá. Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que eu darei é a minha carne dada para a vida do mundo”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

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Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Pe. Air José:

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O desafio de "ser pão" para os outros


“Quem come deste pão viverá eternamente” (Jo. 6,51) 

Continuamos no cap. 6 do Evangelho de João. Aumenta a tensão entre os judeus e Jesus. À medida que Jesus vai aprofundando no seu ensinamento, vai aparecendo a enorme diferença existente entre o que eles aprenderam da tradição e o que Jesus lhes quer transmitir. E vão aparecendo as doentias murmurações. “E começaram a murmurar contra Jesus”.   Murmuravam porque Jesus havia dito: “eu sou o pão vivo descido do céu”. É o mesmo verbo para falar das murmurações dos israelitas no deserto contra Moisés, por não lhes dar alimento, como eles tinham no Egito. Jesus lhes recorda que o povo esteve contra Moisés nos momentos difíceis e agora também não confiam nas palavras do próprio Jesus.

Sabemos que a murmuração se expressa de inúmeras maneiras, sutis ou não, formando uma montanha de ressentimentos, queixas, críticas ácidas... Murmurar é contraproducente e nocivo. Alguém que murmura é uma pessoa difícil de conviver e poucas pessoas sabem como responder às queixas feitas por outras que expelem sua fuligem interior. O trágico é que, uma vez expressa, a murmuração leva ao que mais se queria evitar: um afastamento maior. Essa murmuração íntima é sombria e pesada: condenação dos outros, condenação de si mesmo, justificativas... entrando numa espiral de amargura e fechamento.  À medida que a pessoa se deixa arrastar ao interior do vasto labirinto das suas murmurações, fica mais e mais perdida, até que, no fim, acaba achando-se a pessoa mais incompreendida, rejeitada, negligenciada e desprezada do mundo.

Em um coração carregado de murmurações e queixas, o Espírito não tem liberdade de atuar; elas são a fonte poluidora de onde brotam as doentias divisões internas, que atrofiam as forças criativas, petrificam o coração, resistem ao novo e levam ao distanciamento de tudo e de todos. Com isso, a pessoa se blinda, tornando-se rígida, fechada em suas posições, crenças, valores... e não se deixa impactar pelo encontro com o diferente. Como quebrar os ferrolhos das murmurações e estender as mãos para acolher o surpreendentemente novo? Como passar do coração de pedra para a morada da fonte de água viva?

Nesse contexto “carregado”, Jesus vai abrindo um caminho de existência compartilhada, que se expressa na comunicação do pão e que culmina na comunicação de vida. Ele não se deixa afetar pelas murmurações que levam à morte. Jesus, o “Pão da Vida”, tocou as “vidas feridas” com delicadeza e ternura e as transformou. Seus gestos terapêuticos foram o prolongamento da ação criativa de Deus; com palavras e ações Ele inaugurou no meio de nós o Reino de Vida do Pai. Não só optou pela vida e se comprometeu com a vida, mas fez de sua Vida uma entrega radical a favor da vida. Em Jesus acontece algo totalmente novo; Ele traz uma nova maneira de viver e de comunicar vida que não cabe nos nossos esquemas. Quem entra em comunhão de vida com Ele, conhece uma vida diferente, de qualidade nova, expansiva...

A comunhão com Jesus é fonte de vida e vida em crescente amplitude. Quando nos dispomos a caminhar com Ele, sob a ação do seu Espírito, realiza-se em nós um processo de abertura e de superação, de crescimento e de reconstrução de nós mesmos...; tomamos consciência de uma dimensão profunda de nosso interior, que nos permite experimentar uma outra vida, que supera tudo o que vivemos até então.

A “vida eterna”, então, não é um prolongamento ao infinito de nossa vida biológica. É a dimensão inesgotável e decisiva de nossa existência. Ela torna-se “eterna” desde já. Para o evangelista João, a “vida” é uma totalidade, ou seja, a vida presente, a vida atual, é uma vida que tem tal plenitude que, com toda razão, podemos chamá-la de “vida eterna”, uma vida com tal força e tão sem limites, que nem a morte mesma terá poder sobre ela.

Precisamos adquirir uma consciência mais profunda da vida do espírito, perceber as pulsações desta vida eterna que está em nós, do mesmo modo que, prestando atenção, percebemos as batidas de nosso coração. A vida, desde o mais íntimo da pessoa humana, deseja ser despertada e vivenciada em plenitude. Vida plena prometida por Jesus: “Quem crê, tem a vida eterna”.

Jesus faz-se alimento que gerar vida nova no mundo; alimentar-nos d’Ele, desperta nossa vida interior, fazendo-nos redescobrir nossa verdadeira riqueza; ao mesmo tempo, fazendo-se “pão partilhado”, Jesus nos ensina a gerar vida, ou seja, Ele nos move a fazer com que nossa própria vida seja “alimento substancioso”, para que outros também tenham vida. A comunhão de vida com Cristo nos faz ter um “caso de amor com a vida”.

Nem sempre sabemos viver: conformamo-nos com uma vida estreita, estéril, fechada ao novo, carregada de “murmurações”. Quando nos saciamos com o Pão, que proporciona vigor inesgotável, nossa vida se destrava e torna-se potencial de inovação criadora, expressão permanente de liberdade, consciência, amor, arte, alegria, compaixão.... É vida em movimento, gesto de ir além de nós mesmos; vida fecunda, potencial humano. Vida com fome e sede de significado, que busca o sentido... Vida que é encontro, interação, comunhão, solidariedade. Vida que é seduzida pelo amor, pela ternura. Vida que desperta o olhar para o vasto mundo. Vida que é voz, é canto, é dança, é festa, é convocação...

Ao afirmar: “Eu sou o pão vivo que desceu do céu”, Jesus nos revela que a vida é sempre uma novidade que rompe velhos barris; ela é um fenômeno que emerge de forma misteriosa; ela se impõe, simplesmente.  Tal realidade desperta fascinação, provoca admiração e veneração... porque a vida é sempre sagrada. Diante dela ficamos extasiados, boquiabertos, escancarados os olhos e afiados os ouvidos. Ela nos atrai por sua força interna. A vida é sempre emergência do novo e do surpreendente. Portador de uma vida inesgotável, somos muito mais que o simples resultado de nossos esforços e lutas. Vivemos para mergulhar em algo diferente, novo e melhor.

Nossa vida não é um problema a resolver, mas uma experiência a acolher, uma aventura a amar e um mistério a celebrar. Afinal, somos discípulos(as) permanentes na escola do Mestre da vida! Nesse sentido, a experiência do Seguimento de Jesus é uma verdadeira “escola de vida”, cuja aprendizagem nos leva ao âmago do nosso ser, para enraizar nossa vida no coração cheio de nutrientes, dele haurir a força da vida divina e deixar-nos plenificar pela graça transbordante de Deus. Nada mais contrário ao espírito do Evangelho que a vida instalada e uma existência estabilizada de uma vez para sempre, tendo pontos de referência fixos, definitivos, tranquilizadores...

Texto bíblico:  Jo 6,41-51 

Na oração: Para viver a partir do ser mais profundo, é preciso dedicar, cada dia, algum tempo de atenção ao próprio coração e aprender a regozijar-se da maravilhosa vida de Deus em cada um. Basta um repouso e o estar presente para fazer acalmar a agitação interior e aproximar-se da fonte da vida.

- Temos nas mãos e no coração a opção de viver “em chave de murmurações” (queixas, ressentimentos e desencantos) ou “em chave de benção”, descobrindo na vida a presença d’Aquele que nos faz estremecer de alegria, desafiando-nos a ser “pão para os outros”.

- Sua vida cotidiana: “pão amargo de murmurações” ou “pão substancioso de bênçãos”?

Pe. Adroaldo Palaoro sj


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