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quarta-feira, 11 de abril de 2018

À MARGEM DA INTERVENÇÃO NO RIO: VALORES MORAIS (V) - Marcos Costa


11 de Abril de 2018
Marcos Costa

Recente pesquisa Datafolha assinala que 76% dos cariocas aprovam a intervenção federal. Não é nosso objetivo comentar o mérito desta, mas a adesão dos cariocas reforça a atualidade dos temas aqui tratados: Valores Morais.

As declarações do ministro Jungmann (“El País”, 27-2-18) sobre a perda dos valores e a contradição da juventude, que ao mesmo tempo em que clama contra a violência consome drogas, põem em foco o problema que aqui tratamos, um dos mais graves da nossa sociedade.

Ora, os valores morais são os fios com que se fabrica o tecido social de uma nação. Mostramos, no último artigo, a família como umas das pilastras-mestras do tecido social. Tradição e propriedade completam essa trilogia sobre a qual se edificaram as nações cristãs.

Tradição, família e propriedade são, pois, os pilares da nova ordem que, conscientemente ou não, as gigantescas manifestações públicas de 2016, nas principais cidades do País, cobravam de nossos homens públicos: “Queremos nosso Pais de volta”.

Os progressistas e a esquerda reconhecem a importância dessa trilogia

Como bem observou Max Delespesse, conhecido progressista belga, em livro com o significativo título Tradition, Famille, Propriété. Jésus et la triple contestation, “observadores superficiais poderiam surpreender-se diante da trilogia ´tradição-família-propriedade´ como se se tratasse de um amálgama artificial. Na realidade, a junção destes três termos não se deveu ao acaso. […] ‘Tradição-família-propriedade’ é um bloco coerente que se aceita ou se rejeita, mas cujos elementos não podem ser separados” (Max Delespesse, Tradition, Famille, Propriété. Jésus et la triple contestation, Fleurus, Paris, 1972, pp. 7, 8).

No mesmo sentido, é muito frequente a mídia de esquerda referir-se à trilogia tradição família propriedade como sendo a ponta de lança da reação conservadora em nosso Brasil.

O ensinamento dos Papas: valores morais são o alicerce

São Pio X, na Encíclica Il Fermo Proposito, de 11 de junho de 1905, insistiu em que “a civilização do mundo é a Civilização Cristã, tanto mais verdadeira, mais duradoura, mais fecunda em frutos preciosos, quanto é mais autenticamente cristã”1;

E na Carta Notre Charge Apostolique, de 25 de agosto de 1910, ele recordava: “Não se deve inventar a Civilização, nem se deve construir nas nuvens a nova sociedade. Ela existiu e existe: é a Civilização Cristã, é a sociedade católica. Não se trata senão de a instaurar e restaurar incessantemente nas suas bases naturais e divinas, contra os ataques sempre renascentes da utopia malsã, da revolta e da impiedade: ‘Omnia instaurare in Christo’ (Ef. I, 10)”2.

Por sua vez, Leão XIII ressalta o valor da propriedade privada:

“A teoria socialista da propriedade coletiva deve absolutamente repudiar-se como prejudicial àqueles mesmos a que se quer socorrer, contrária aos direitos naturais dos indivíduos, como desnaturando as funções do Estado e perturbando a tranqüilidade pública. Fique, pois, bem assente que o primeiro fundamento a estabelecer para todos aqueles que querem sinceramente o bem do povo é a inviolabilidade da propriedade particular” (grifos nossos).3

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Não pretendemos esgotar a fundamentação doutrinária da trilogia tradição família propriedade no âmbito de um artigo. Daremos apenas alguns traços essenciais que ajudem o brasileiro (aquele que saiu às ruas em 2016, em gigantescas manifestações) na busca da verdadeira solução dos nossos problemas.

Saber ver as raízes de uma crise como a nossa já representa 80% da solução e exclui as utopias da esquerda ou da pseudo-direita.

Resta-nos uma pincelada sobre a importância da tradição.

Face às contradições atuais: tradição, por que não?

A tradição não é só um passado. Pelo contrário, ela cabe no presente. Escreve o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, em artigo para a “Folha de S. Paulo”:

“A verdadeira tradição não é — em princípio — só pelo passado enquanto passado, nem só pelo presente enquanto presente. Ela pressupõe dois princípios:

a – que toda ordem de coisas autêntica e viva tem em si um impulso contínuo rumo ao aprimoramento e à perfeição;

b – que, por isto, o verdadeiro progresso não é destruir, mas somar; não é romper, mas continuar para o alto.

Em suma, a tradição é a soma do passado com um presente que lhe seja afim. O dia de hoje não deve ser a negação do de ontem, mas a harmônica continuação dele.

Em termos mais concretos, nossa tradição cristã é um valor incomparável que deve regular o que é hodierno. Ela atua, por exemplo, para que a igualdade não seja entendida como o arrasamento das elites e a apoteose da vulgaridade. Para que a liberdade não sirva de pretexto ao caos e à depravação. Para que o dinamismo não se transforme em delírio. Para que a técnica não escravize o homem. Numa palavra, ela visa impedir que o progresso se torne desumano, insuportável, odioso.4

Vejamos a sábia advertência de Nosso Senhor

“E ninguém deita remendo de pano cru em vestido velho, porque (este remendo) levaria consigo uma parte do vestido, e ficava pior o rasgão. Nem se deita vinho novo em odres velhos; doutro modo rebentam os odres, e derrama-se o vinho, e perdem-se os odres. Mas, deita-se vinho novo em odres novos; e assim ambas as coisas se conservam”. (Mt 9, 16-17).

Em outras palavras, o tecido velho representa aqui os erros liberais e petistas que nos têm governado. Saibamos, pois, edificar o novo Brasil, reconstruir o tecido social com os valores perenes da tradição família propriedade.

O alicerce de toda civilização é a moralidade: edificando o novo Brasil

“O alicerce de toda civilização é a moralidade. E quando uma civilização se edifica sobre os alicerces de uma moralidade frágil, quanto mais ela cresce, tanto mais se aproxima da ruína. É como uma torre que, assentando-se sobre alicerces insuficientes, ruirá desde que chegue a certa altura. Quanto mais se sobrepõem uns andares a outros, tanto mais está próxima sua ruína. […] O trabalho que a Humanidade tem efetuado desde o século XIV consistiu em enfraquecer os alicerces e aumentar o número de andares”.5

 Desafio à geração atual

Reconstruir o Brasil com base nos valores morais, esses são os fundamentos do tecido social. Os pilares são: tradição, família, propriedade.

Não à ideologia de gênero, que desonra a Família.

Não às invasões de propriedade pelo MST e assemelhados, guiados pela CPT (ramo da CNBB).
Não aos inimigos da tradição cristã brasileira, os quais, seguindo socialismos, bolivarianismos ou petismos, quiseram implantar aqui a ideologia igualitária da foice e do martelo.

Não ao esfarelamento da unidade nacional com a criação de “nações” indígenas e quilombolas como se estes não fossem partes integrantes de nosso Brasil.

Não àqueles que querem colocar um “remendo” nesse tecido social apodrecido pela revolução libertária, igualitária e sensual de nossos dias.

Confiantes em Nossa Senhora Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil, lutemos, rezemos e trabalhemos pelo nosso porvir.
____________
Notas:
São Pio X, Encíclica Il fermo proposito, in ASS, vol 37 (1905) p. 745
São Pio X, Carta Notre Charge Apostolique, de 25 de Agosto de 1910, cit., p. 612.
Leão XIII, Encíclica “Rerum Novarum”, de 15 de maio de 1891 – Editora Vozes Ltda., Petrópolis, pág.12.


terça-feira, 10 de abril de 2018

EDITORIAL DE "O GLOBO" - Garantida a normalidade na prisão de Lula


Apesar de ameaças, nem sempre veladas, ex-presidente se entrega à Polícia Federal, mas o combate à corrupção continua a correr riscos em várias frentes

POR EDITORIAL
10/04/2018 0:00

“Lula foi condenado e preso sem que ruas ficassem intransitáveis pelo país afora. A ação do tal ‘exército do Stédile’, termo do próprio Lula, não passou de obstruções temporárias em algumas estradas e que seriam facilmente removidas caso se tornassem mais sérias. As instituições continuaram a funcionar, e a ordem tem sido garantida por todo o país. Ao se entrincheirar no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, sexta e sábado, Lula deu seu show para a militância, que continua a ouvi-lo como é característico em lideranças carismáticas e de seitas.

Pôde copiar construções de oratória de Martin Luther King Jr., plagiar a carta-testamento de Getúlio Vargas e distribuir ameaças antidemocráticas à imprensa profissional — repetiu a promessa de ‘regular a mídia’ —, enquanto era venerado pela cúpula petista, por seguidores e até pelos pré-candidatos a presidente Guilherme Boulos (PSOL) e Manuela D’Ávila (PCdoB). Lula destilou radicalismos e entregou-se à Polícia Federal, como teria de ser.

Encerrou-se mais uma etapa na luta que organismos do Estado, com amplo apoio da sociedade, travam contra a corrupção. Mas o enfrentamento continua em diversas frentes. Na principal delas, no momento, a do Judiciário, poderá haver outro embate importante, amanhã no Supremo, se de fato for tentado, mais uma vez, mudar a jurisprudência saneadora do início do cumprimento da pena a partir da condenação em segunda instância. Que pode beneficiar Lula e incontáveis presos. Aguardemos.”



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UM VELHO AMIGO - Helena Borborema

Clique sobre a foto, para vê-la no tamanho original 
Um velho amigo



            Gardênia colocou um ponto final nas páginas que rabiscava. Nem sabia mesmo porque estava passando para o papel aquelas  estórias tantas vezes ouvidas contar. Talvez uma maneira de deixar as horas passarem, de encher o tempo nesses dias acinzentados e frios de inverno. Enquanto vestia um agasalho, foi se chegando automaticamente à janela, de onde vislumbrou uma nesga do manso Cachoeira, estirado como branco lençol um pouco adiante. Veio-lhe então a reminiscência  de sua meninice quando, às margens daquele rio, ficava a mirar a paisagem multicolorida dos lajedos atapetados de lençóis, vestidos,  toalhas que as lavadeiras, e eram muitas, ali espalhavam a secar. Era um vasto mosaico de formas e cores variegadas que alegravam a vista. Ela nascera e se criara perto desse rio. A vida toda foi sua vizinha, por isso o conhecia tão bem, tanto nas épocas calmas como no furor das enchentes. Quantas estórias ouviu sobre grandes nadadores que o desafiaram e foram, implacavelmente tragados pelos redemoinhos e “peraus” traiçoeiros. Saiu-lhe do fundo da lembrança a figura de Exupério, caboclo forte, empregado na roça de sua avó, vítima da enchente. Numa atitude exibicionista, ele lançou-se ao rio num dia de grande cheia, diante de uma assistência  que das margens acompanhava apreensiva a sua fanfarrice. Quis nadar, mas logo perdeu as forças, descendo aos trambolhões, gritando por socorro, enquanto a multidão a tudo assistia aflita e impotente, vendo-o descer rápido, levado pela correnteza até sumir num sorvedouro.

            E as cabeçadas d ‘água!

            Quantas vezes as lavadeiras não saíram correndo, catando rapidamente as peças de roupa estendidas, ao ouvirem o grito de alerta dos boiadeiros que passavam vindos de Ferradas: - Corram! A cabeçada d ‘água vem vindo perto!

            Diante do perigo, todos fugiam espavoridos das margens e a notícia se espalhava:

            - A cabeçada d’ água vem aí!

            De repente, toda a placidez do Cachoeira desaparecia. A massa líquida subia num crescendo violento, não respeitando os limites de suas margens. Em pouco tempo os lajedos desapareciam, árvores eram arrancadas, canoas desatadas de suas amarras e animais arrastados  na correnteza brutal. Enraivecido, ele passava da calma  à violência,  despertando comentários da parte da população que, curiosa,  corria a espiá-lo das margens. As abundantes chuvas na cabeceira e afluentes provocavam o fenômeno inesperado. Um ruído que metia medo avisada que o velho Cachoeira estava enfurecido e disposto a matar quem o enfrentasse.

            Mas agora ele anda calmo. Sua selvageria foi domada, os homens o enquadrara m em seus limites e lhe deram outro visual, até mais bonito. As suas margens à noite perderam a tristeza que a escuridão lhes imprimia. Desapareceram as luzinhas vermelhas e tremulas dos fifós dos pescadores,  substituídas pela claridade das lâmpadas elétricas que se refletem no espelho de suas águas, em imagens invertidas de beleza e fantasia.

            Gardênia ainda olhava o velho Cachoeira, seu amigo de infância, quando ouve, vinda do passado, a voz enérgica de sua mãe: - “Menina, você não toma mais banho no rio. Pode pegar febre maligna!” Ah! Como era bom mergulhar naquelas águas rasas e claras para catar pedrinhas lisas no fundo ou filhotes de camarão escondidos em pequenas locas nos lajedos. São as estórias do rio, são as estórias da terra que lhe chegam à memória com a saga dos imigrantes plantadores de cacau que, acompanhando o caminho do rio e buscando suas margens férteis, nelas se estabeleceram para dar começo à história vibrante da gente Grapiúna.

            E Gardênia busca no vazio aquelas figuras  heroicas do passado. Busca mentalmente ver a casa tosca do pioneiro Félix Severino, a primeira de Tabocas, levantada naquelas margens, marco inicial de uma civilização. E o que foi feito do “sobrado do coronel”, alma e cérebro de Itabuna nascente? Era ali perto do rio que ele também se erguia com a sua sóbria dignidade. Também voltada para o Cachoeira estava a Igreja Matriz. Que ideia fazem as novas gerações dessa Igreja, para cuja construção muita gente piedosa ajudou, carregando pedras na cabeça, numa manifestação humilde de fé? O que é feito desse Templo, símbolo da crença religiosa de um povo? Que lembrança o tempo guardou dos homens valentes que desbravaram essa terra e geraram riquezas? Que sabem deles essas novas gerações? É uma pena, diz Gardênia para si mesma. O tempo irá se encarregando de a tudo envolver no silêncio do esquecimento.

            Retornando ao interior do seu quarto, vai relendo as notas que escrevera. Muitos anos se passaram desde o dia em que os dois destemidos desbravadores se fixaram na gleba verde das margens do Cachoeira. De lá para cá, as terras do Sul se transformaram num imenso cenário de incontido progresso. Quantos centros  de povoamento brotaram no meio do mato, quantas rodovias rasgaram essas terras! Todo o Sul da Bahia passou a vibrar numa ânsia frenética de crescer e engalanar-se numa roupagem nova. As morosas tropas de trote cadenciados que transportavam sacas de cacau, já quase não são vistas. Os homens trocaram o lombo dos cavalos pela velocidade  dos automóveis. Hoje é a rapidez dos carros e aviões que prevalece, é a pressa de economizar tempo, vencendo rapidamente grandes distâncias, de fazer-se bons e múltiplos negócios.

            Novas riquezas surgiram na região além do cacau,  novos tempos vieram e gente de todos os cantos do país ainda busca esperançosa os favores dessas terras pródigas. O progresso a tudo transformou. Só o homem parece não ter mudado muito. Não será ele ainda o menino do passado, no tempo do “trabuco” o da “repetição”? que dizem os jornais? Não são as notícias de crimes de mortes, de tocaias,  ataques a propriedades, invasão de terras o que enche diariamente as páginas que se lê?

            Gardênia volta à janela a olhar de longe o seu velho amigo. E fica a pensar. Sim, novos e melhores tempos virão. Terão  de vir. Afinal, essas terras foram trabalhadas por homens que as amaram e lutaram com muita vontade de vencer. O seu destino será grande porque os velhos pioneiros, aqueles homens empreendedores, corajosos, não morreram de todo. Eles ainda vivem e labutam no sangue e na alma dos seus descendentes, e com eles há os que vão chegando, como num ciclo perpétuo e renovador, abrindo novos caminhos para novos tempos.

            O velho Cachoeira, que viu acampar nas suas margens os primeiros desbravadores e viu as primeiras casas de Tabocas, assistiu à passagem das primeiras tropas e boiadas, presenciou crimes e gigantesco  trabalho de pioneirismo, será a mesma testemunha muda de uma bela histórica no futuro.

(TERRAS DO SUL)
Helena Borborema
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HELENA BORBOREMA -  Nasceu em Itabuna. Professora de Geografia lecionou muitos anos no Colégio Divina Providência, na Ação Fraternal e no Colégio Estadual de Itabuna. Formada em Pedagogia pela Faculdade de Filosofia de Itabuna. Exerceu o cargo de Secretária de Educação e Cultura do Município.

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segunda-feira, 9 de abril de 2018

O MODELO MORO - Alexandre Garcia


O Modelo Moro 

Um juiz que tem em mãos processos envolvendo tanta gente poderosa e que aceita ser o alvo das perguntas e câmeras de um programa como Roda Viva, da TV Cultura de São Paulo, tem que ser uma pessoa extremamente confiante em sua própria sensatez. O risco é enorme. Qualquer pré-julgamento, qualquer opinião fora dos autos, pode ser argumento para ser contestado pelas defesas - que por tantas vezes já pediram seu afastamento de processos de corrupção. Pois por hora e meia o juiz Sérgio Moro correu esse risco, submetendo-se a perguntas de cinco jornalistas e aos olhares implacáveis das câmeras que acompanharam seus gestos, feições e olhos de todos os ângulos. E não tropeçou nenhuma vez; nenhum vacilo, nenhuma irritação, nenhum arroubo de estrelismo diante das luzes daquele plenário que o cercava.

Em pergunta alguma perdeu a naturalidade. Mostrou que é um juiz equilibrado, calmo, racional, sem paixões e preconceitos. Com profundo conhecimento do mundo que o cerca, respondeu, no entanto com humildade, com simplicidade, passando a imagem de sinceridade nas posições. Em nenhum momento foi além dos limites da lei e de seus deveres como julgador. Depois do que se viu e ouviu na semana passada no Supremo Tribunal, Moro foi um jato de esperança a robustecer a aposta na Justiça, no país que vai perdendo referências civilizatórias. Quando o programa terminou, ficou a impressão de que o Brasil teve muita sorte quando a operação que começou num lava-jato de Brasília, envolvendo pessoas com domicílio no Paraná, tenha ficado na Vara Federal do juiz Sérgio Moro.

Quando tinha em mãos o caso do escândalo do Banestado(Banco do Estado do Paraná), com evasão em dezenas de bilhões em divisas, o juiz Sérgio Moro foi criticado por excessos e levado, por isso, ao Conselho Superior de Justiça, que arquivou o caso. Com humildade, inscreveu-se em cursos da Polícia Federal para aprender mais sobre lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Sentou-se nos bancos escolares da PF e acabou considerado pelos policiais como um exemplo de juiz que se aproxima da origem da Justiça - o inquérito policial - para aprender. O juiz mostrava então que a toga serve com mais justiça quanto mais conhecimento tiver do crime. Por isso suas sentenças têm sido irrepreensíveis. Ao se expor no programa da TV Cultura, em nenhum momento foi acuado por perguntas de jornalistas que certamente se prepararam para o interrogatório.

Moro virou celebridade mas não sai de si nem levita. Continua sendo um juiz de primeira instância e não um artista. Ainda que se deva repetir que juiz só fala nos autos, a situação por que passa o país precisa de manifestações públicas dele, porque se tornou um símbolo da lei e da justiça  - no país da impunidade, da desordem civil, das leis circunstanciais, em que o princípio de que todos são iguais perante a lei se tornou uma farsa em que fingimos acreditar. Um país que fala em democracia todos os dias é porque tem apenas um arremedo dela. Estados Unidos e Alemanha não ficam falando em democracia - porque é o fato básico, corriqueiro. Sem ordem, sem justiça que desestimule os corruptos e criminosos em geral, jamais chegaremos a ser uma democracia. Sérgio Moro é uma esperança, um modelo, de que sem histrionismo, sem populismo e com simplicidade, revela um modelo para recuperarmos o caminho perdido.
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Alexandre Garcia
Jornalista
Alexandre Eggers Garcia é um jornalista, apresentador e colunista político brasileiro. Foi porta-voz do último presidente do período do regime militar do Brasil, general João Batista Figueiredo. Wikipédia
Nascimento: 11 de novembro de 1940 (77 anos), Cachoeira do Sul, Rio Grande do Sul


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domingo, 8 de abril de 2018

OS IRMÃOS RIELA - Cyro de Mattos


Os irmãos Riela
Cyro de Mattos


                O futebol de Itabuna,  digno de seu passado amador brilhante,  quando era vencedor, dava orgulho à cidade. Agora se tornara em  grande frustração, abatia  o torcedor que  gostaria de comparecer ao estádio para torcer com entusiasmo pelo seu time do coração.  A frustração  que esse torcedor carrega dentro dele hoje   força que  acenda o coração no sentimento da saudade. Lembre-se do tempo em  que esse futebol amador  foi pródigo em oferecer partidas  memoráveis,   portadoras da verdade  como reflexo da vida, dizendo que nesta  existe a alegria dos que vencem, a tristeza dos que perdem, conformismo ou  não dos que empatam em cada batalha.
 
              Os quatro irmãos Riela formaram um capítulo à parte nas partidas disputadas no Campo da Desportiva. Eram conhecidos como  os quatro mosqueteiros do rei, pois constante era o   sentimento de união  entre eles no relacionamento com a vida.  Fernando, Carlos, Leto e Lua eram inseparáveis. A vida só conseguia separá-los quando eles se enfrentavam no campo de jogo, cada um defendendo o seu time.  Carlos e Fernando jogaram no Fluminense, Leto no Flamengo e Lua no Janízaros. Cada um dava o  melhor de si para defender o seu  time. Os quatro eram jogadores dotados de  recursos técnicos invejáveis.  Cada um possuía  a sua característica na intimidade  com a bola.

             Como observei,  fizeram história no Campo da  Desportiva.  Fernando como um ponta-esquerda que driblava numa  velocidade  espantosa, deixava o marcador para trás, batido pelo chão, e o torcedor incrédulo ante a investida impetuosa, fundamental na conclusão da jogada perfeita pela beirada do campo.  O  meia-direita Carlos  tinha boa  visão de jogo, não  olhava para a bola, de cabeça erguida via o companheiro, antevia o lance   e o campo para o lançamento preciso.  Leto jogou no Flamengo  e se sagrou campeão pela seleção de Itabuna, médio-esquerdo implacável na marcação,  com uma  eficiência exemplar anulava o ponta-direita, que pouco pegava  na bola durante os lances acirrados da  partida.

             Lua, o mais novo, era dos quatro  o que mais encantava, ora parecia flutuar em campo na condução da bola, um pássaro que se desvencilhava  do obstáculo e no chão  voava?  Gingava, driblava, enganava, aquele jogador franzino  transvestido  em um artista que desenhava a jogada como num sonho. Fazia a tabelinha com o companheiro, deslizava com a bola, sem tomar conhecimento do adversário,   bailarino ou  vento esperto, ligeiro, que fazia o espetáculo pontilhado de riso e gozo?
     
             Os admiradores de Lua não cansavam de dizer que dos irmãos Riela ele era o melhor, o que tinha mais recursos técnicos,  o pequeno maior. Jogou no Janízaros e na seleção de Itabuna quando esta começou o declínio para não mais conquistar o Intermunicipal. O seu  futebol era de tão boa qualidade que foi aproveitado no time profissional do Itabuna.


*Cyro de Mattos é membro efetivo da Academia de Letras da Bahia. Doutor Honoris Causa pela Universidade Estadual de Santa Cruz. Publicado em vários países europeus, Estados Unidos e México.   Contista, cronista, poeta, romancista, ensaísta e autor de livros para crianças  e jovens. Pertence às Academias de Letras de Ilhéus e de Itabuna.

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AGITAÇÃO SOCIAL, VIOLÊNCIA: PRODUTOS DE LABORATÓRIO QUE O BRASIL REJEITA


8 de Abril de 2018
 Na “missa-comício”, pouco antes de sua prisão, Lula conclama seus sequazes a provocarem agitações de Norte a Sul do País

Paulo Roberto Campos

         Na presente conjuntura que atravessa o Brasil, com movimentos de esquerda — que contam com a colaboração do clero progressista adepto da “Teologia da Libertação” — insuflando seus sequazes à rebelião e a incendiar o País como vingança devido à condenação e prisão do ex-presidente Lula, vem a propósito reproduzir aqui um apelo de Plinio Corrêa de Oliveira.

O texto de tal apelo — extraído do livro “Agitação social, violência: produtos de laboratório que o Brasil rejeita” — muito nos auxilia de como enfrentar a atual situação nacional, não nos deixando arrastar pelos tumultos revolucionários desses movimentos esquerdistas.

“Obstáculo a que a Nação se deixe levedar pelos fermentos revolucionários”

Plinio Corrêa de Oliveira

“O povo brasileiro sempre foi conhecido como afetivo, ordeiro e pacífico. Tal feitio de alma lhe vem da tradição profundamente cristã. E constitui um nobre obstáculo a que a Nação se deixe levedar pelos fermentos revolucionários indispensáveis para o êxito do socialismo e do comunismo.

É por isto que as forças da desagregação e da desordem deitam tanto empenho em criar a ilusão do contrário, apresentando nossa população como desordeira, agressiva, revoltada.

Lanço um apelo para que o Brasil da bondade, o Brasil afetivo, o Brasil cristão continue idêntico a si mesmo, e não se deixe arrastar pelas solicitações da violência, seja física, seja moral. Nós brasileiros não somos afeitos à revolta e à subversão, ao contrário do que propalam os agitadores. E por mais razões que tenhamos para estar descontentes, procuramos resolver nossos problemas dentro da paz autêntica, da paz cristã que Santo Agostinho definiu lindamente como sendo a tranquilidade da ordem.

Nosso povo tem bem consciência dos imensos recursos e possibilidades do território nacional, e sabe que o aproveitamento de toda esta potencialidade através de um trabalho empreendedor e confiante, pode tornar o Brasil uma das primeiras nações do mundo no século XXI.

Trabalho que exige esforço árduo, ânimo forte. Mas não foi assim que nossos antepassados dilataram as fronteiras do País? Embora sem a comodidade oferecida hoje pelo progresso, eles galgaram serras, venceram florestas, atravessaram rios e transpuseram pântanos. E extraíram da terra, pelo plantio, pela criação e pela mineração, os recursos de que hoje vivem os brasileiros. Por que não podemos recobrar essa fibra, essa força de alma que nasce da Fé católica que eles nos legaram?

Não será, pois, com revoluções mortíferas, dissensões internas, tensões estéreis entre irmãos, de que haveremos de aproveitar as vastidões ainda inexploradas de nosso território. Mas é com esse espírito empreendedor, ordeiro e cheio de Fé, que podemos alcançar de Deus, por intermédio de Nossa Senhora Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil, a grandeza cristã, que deve ser a nossa, nas novas etapas históricas que se aproximam”.


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PALAVRA DA SALVAÇÃO (73)


2º Domingo da Páscoa – 08/04/2018


Anúncio do Evangelho (Jo 20,19-31)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João.
— Glória a vós, Senhor.

Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e, pondo-se no meio deles, disse: “A paz esteja convosco”. Depois dessas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor.
Novamente, Jesus disse: “A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio”.
E, depois de ter dito isso, soprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem os não perdoardes, eles lhes serão retidos”.
Tomé, chamado Dídimo, que era um dos doze, não estava com eles quando Jesus veio. Os outros discípulos contaram-lhe depois: “Vimos o Senhor!” Mas Tomé disse-lhes: “Se eu não vir a marca dos pregos em suas mãos, se eu não puser o dedo nas marcas dos pregos e não puser a mão no seu lado, não acreditarei”.
Oito dias depois, encontravam-se os discípulos novamente reunidos em casa, e Tomé estava com eles. Estando fechadas as portas, Jesus entrou, pôs-se no meio deles e disse: “A paz esteja convosco”.
Depois disse a Tomé: “Põe o teu dedo aqui e olha as minhas mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado. E não sejas incrédulo, mas fiel”. Tomé respondeu: “Meu Senhor e meu Deus!” Jesus lhe disse: “Acreditaste, porque me viste? Bem-aventurados os que creram sem terem visto!” Jesus realizou muitos outros sinais diante dos discípulos, que não estão escritos neste livro. Mas estes foram escritos para que acrediteis que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e, para que, crendo, tenhais a vida em seu nome.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

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Clique no link abaixo a acompanhe a reflexão de Dom Gil Antônio Moreira, arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora, sobre a Misericórdia Divina:
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Encontro com o Ressuscitado: "tocar" nos crucificados da história

“Põe o teu dedo aqui e olha as minhas mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado...” (Jo 20,27)=

Uma grande ameaça sempre se fez presente na caminhada histórica da Igreja, qual seja, o risco de viver o seguimento de Jesus sem as suas chagas. Crer no Ressuscitado “asséptico”, sem as chagas em suas mãos, em seu lado e em seus pés, é desumaniza-lo. Crer de alguma forma em Jesus, mas um Jesus da glória, um Jesus “espiritual”, separado da vida e da entrega até à morte, é esvaziar o verdadeiro sentido da redenção. Crer no Ressuscitado sem as chagas é esquecer-se das feridas dos pobres, da morte dos oprimidos; é não tocar as chagas da humanidade sofrida, quebrada... Crer no Ressuscitado com as chagas nos compromete em fazer descer da Cruz todos os crucificados da história.

Neste sentido, o evangelho deste 2º domingo da Páscoa, nos apresenta uma profunda experiência pascal da Igreja a partir da “conversão de Tomé”, que é a imagem daquele que aceita a ressurreição de Jesus, mas a entende como uma experiência intimista, sem compromisso de comunhão e sem solidariedade com os mais excluídos e sofredores.

Tomé é aquele que vive isolado, anda solto por aí, sem vínculo comunitário. Enquanto os outros se fecham, ele vive sem comunidade, sem compromisso social, dedicado à sua mística particular. Morreu Jesus, mas não lhe importa as chagas d’Ele, nem o sofrimento dos outros; vive de uma espiritualidade “desencarnada”, com uma fé puramente intimista, sem a visibilidade de um corpo morto, sem a necessidade de precisar tocar as chagas d’Aquele que morreu pelos outros, as chagas de todos os mortos.  Custava-lhe tocar as pegadas e feridas de Jesus crucificado; para ele, é como se Jesus não tivesse sofrido e não trouxesse em suas chagas as chagas da humanidade. Possivelmente, Tomé tivesse uma fé de tipo “new age”, de puras melodias interiores, que não se visibiliza no serviço e no cuidado aos outros.

Jesus respondeu à incredulidade de Tomé mostrando suas feridas; só assim, em contato de corporalidade a corporalidade, em encontro com a Vida triunfante de Cristo, pode realizar-se a experiência de Páscoa.

Tocar o Verbo de Deus”, tocando as chagas dos crucificados: este é o tema deste domingo. Isto é o que devemos todos fazer, se cremos na Ressurreição. Sem chagas do Crucificado não há Páscoa. Sem corporalidade do Ressuscitado não existe cristianismo.

Muitos de nós preferimos continuar buscando uma Igreja bela, de glória, fechada em si mesma, de espaços sem ar de liberdade, preocupada somente com sua doutrina, seus ritos e liturgias celestiais, mas separada da comunidade dos pobres e sofredores ... Temos medo de compartilhar a vida e de “tocar” a ferida de Jesus, que são suas chagas, as chagas da igreja e da humanidade. Se esquecemos isto, esquecemos a Páscoa.

Por isso, o Senhor ressuscitado continua sendo Aquele que traz em suas mãos e lado as feridas de sua entrega, os sinais de seu amor crucificado em favor da humanidade. O Senhor ressuscitado continua sendo Aquele que sofre em todos os sofredores do mundo.

Certamente, nós cristãos podemos e devemos afirmar que “tocamos” o Jesus ressuscitado com as mãos da fé, em um espaço novo de “corporalidade mística”. Mas não podemos tocá-Lo só em um plano de “ideias”, de belas experiências interiores, senão na realidade da carne, da vida concreta: temos que tocar as chagas dos crucificados, na vida concreta dos rejeitados da sociedade. Ali está Jesus como Aquele que vem ao nosso encontro como promessa de vida.

Os mesmos sinais de morte (cravos que ataram as mãos e pés de Jesus no madeiro, lança que perfurou seu coração) revelam-se como sinais de vida, mas não para esquecermos deles, senão para tê-los sempre presentes na vida da comunidade, nas experiências de amor ativo que nos leva a descobrir o caminho pascal em todos os sofredores e chagados da história.

Tomé viu, tocou e apalpou as chagas da entrega radical de Jesus. E justamente ali, naquilo que entra pelos sentidos, Tomé se deu de cara com a fé: “Meu Senhor e meu Deus”. Hoje a presença de Jesus está ali onde os que lhe buscam, encontram chagas de dor e morte. Se, em lugar disso, encontram poder, pompa, prestígio, não poderão dizer: “Meu Senhor e meu Deus”.

O Ressuscitado, ao conservar e mostrar as feridas abertas nas suas mãos e no seu lado, quer que saibamos que se apropriou também das nossas feridas; nas feridas do Crucificado, somos movidos a mostrar nossas feridas; porque carregou nossas dores, nossas feridas Lhe pertencem; assim, nossas feridas, sanadas pelas chagas de Jesus, se convertem em sinal de vida, porque abrem possibilidades de futuro.

As feridas são tudo aquilo que é vulnerado, fragilizado e debilitado, que permanece em nós depois de situações de sofrimento, de frustração ou de perda. Há antigas feridas, velhas e enraizadas, que parasitam nossas forças impedindo o fluir de nossa vida. São como sabotadoras que vão fragilizando nossa estrutura interna e tornando a vida amarga. Sua aparição é típica nos momentos de crise.

É no meio das feridas, pessoais e coletivas, que o Ressuscitado se faz presente, exercendo o “ofício do consolador” (S. Inácio). O “ofício de consolar” é a marca do Ressuscitado, é força recriadora e reconstrutora de vidas despedaçadas. Jesus “toca” as feridas e “ressuscita” cada um dos seus amigos e amigas, ativando neles(as) o sentido da vida, reconstruindo os laços comunitários rompidos, e sobretudo, oferecendo solo firme a quem estava sem chão, sem direção...

A partir da experiência do encontro com o Ressuscitado podemos recuperar a dimensão do tato como possibilidade de viver de forma mais humanizadora e plena. Os sentidos, e de maneira especial o tato, nos fazem mais humanos, nos tornam mais sensíveis, nos ajudam na descoberta do corpo ferido do outro, fazem palpável o amor, nos ajudam a reavivar a beleza do transcendente em cada pessoa.

Jesus sabia deste tocar bem concreto: através de suas mãos fez presente o amor do Pai ao tocar com ternura os corpos das pessoas excluídas, violentadas, consideradas indignas de serem tocadas, nem amadas. O mesmo Jesus se deixa tocar em um momento de grande vulnerabilidade: numa situação de angústia e temor, recebe o contato, a proximidade e a carícia de uma mulher que o unge com perfume (Jo. 12, 1-8).

Ressuscitar o tato é sentir-se próximo, acolhedor, terno... Mas, antes é preciso deixar cair as barreiras; nosso mundo está cheio de alambrados, valas, muros e fronteiras; assim nos defendemos daqueles que são de outra raça, cor, religião, classe social... Comecemos apagando nossos preconceitos antes de tentar tocar.

Ninguém toca ninguém “de longe”. Estaremos “tocando o Ressuscitado” quando nos aproximamos d’Ele com uma visita, um telefonema, uma mensagem, uma saudação na rua, um favor, um serviço prestado com amor. Há templos famosos pela liturgia da oração tátil: orfanatos, hospitais, cárceres, periferias, sanatórios, asilos, favelas... Não deixemos de frequentá-los, pois é ali que “tocamos a carne de Cristo”.

Que Tomé e todos nós toquemos o lado aberto de Jesus e suas mãos feridas, de maneira que o contato com o sofrimento do mundo nos transforme e nos faça capazes de expandir a vida de Deus.
Texto bíblico:  Jo 20,19-31

Na oração: contemplar o Ressuscitado significa também “ressuscitar nossos sentidos”, torná-los mais oblativos e abertos para se deixarem impactar pela realidade crucificada.

- À Luz da Páscoa, como você reage diante de tantos crucificados, vítimas de intolerância, preconceito, violência verbal, indiferença?

Pe. Adroaldo Palaoro sj

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