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sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

INTERVENÇÃO – Alessandra Vieira


Intervenção


Imagine uma intervenção no morro…
Uma grande intervenção cultural, 
artística, musical, educativa.

Imagine o morro sendo ocupado…
Por vários artistas, músicos, professores, psicólogos,
engenheiros, advogados, médicos e assistentes sociais.

Imagine todos andando armados…
De informação, conhecimentos, 
instrumentos de música, de arte e trabalho.

Militar ia ser só verbo... 
Verbo de agir pra transformar.

Assim como luto… 
Não mais por jovens no caixão lacrado, 
mas como eu luto, tu lutas, nós lutamos!

“Mãos ao alto”… 
Só para agradecer as conquistas!

“Perdeu, perdeu”… 
Porque todos perderam o medo!

No lugar do medo, esperança…
No lugar da inércia, ação...
No lugar do ódio, amor…
No lugar da vingança, ajuda mútua…
No lugar do som dos morteiros, música…

“O sol há de brilhar mais uma vez
A luz há de chegar aos corações
Do mal será queimada a semente
O amor será eterno novamente” ♫ 

Alessandra Vieira

* * *

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

ESPIRITISMO – Francisco Benício dos Santos


Espiritismo 

De como me tornei adepto desta consoladora filosofia


            Viajava eu da antiga Tabocas para Bahia, e ao aportar, num domingo, ao atracar do saveiro, que me conduzia da lancha à terra, “ao cais das amarras”, onde hoje está o prédio dos Correios, lá encontrei Pio, espantado pela coincidência de achar-se ele ali, à minha espera.

            Perguntei-lhe depois de estreitá-lo num longo abraço:

            - Que coincidência agradável?!

            - Já lhe esperava, na sessão disseram-me que você vinha ali...

            Trocei. Era lá possível tal coisa?

            Fomos para a república. Lá estavam todos os amigos e fizeram-me ruidosa recepção.

            À noite, fomos passear, como de costume, e ai voltarmos, não consegui conciliar o sono. Passei a noite insone. Sentia que algo mexia com a minha rede, onde repousava.

            No dia seguinte, segunda feira, havia sessão em um grupo, por Pio e Santos frequentado. Convidaram-me, relutei, porém fui.

            O grupo era em Itapagipe, em casa de um ferreiro de nome Antonio, que era médium, de faculdades desenvolvidas.

            As sessões eram presididas pelo próprio Antonio, que acumulava as qualidades de médium e presidente dos trabalhos.

            Fiquei na terceira fila e bem distante da mesa dos trabalhos.

            Aberta a sessão e feitas as preces do ritual, faz-se silêncio e a concentração precisa para a incorporação das entidades do além.

            Acho-me possuído de medo terrível. O coração dá tais pancadas que parece pretender saltar fora da caixa peitoral.

            O médium estremece, toma de um lápis, escreve algo sobre um pedaço de papel pautado e, virando-se para mim, o entrega. Leio: “Deus vos guie e ilumine os vossos passos. Olimpia”.

            Fico petrificado.

            De novo o médium levanta-se, toma posição de tribuno, enrija-se, alça o peito e com ênfase diz:

            Augusto Conte. “As verdades e as mentiras de Augusto Conte”.

            E eloquente, fluente, faz verdadeira conferencia em torno do tema epigrafado.

            Perora brilhantemente, deixando a plateia deslumbrada, e eu espírita convicto.

            Havia recebido o meu batismo de fogo e encontrado a minha estrada de Damasco.

                        À noite, não consegui dormir. A minha mente despertava para pensar melhor e compreender coisas e fatos que mereciam esclarecimentos e estudos.

            Pio já possuía alguns livros doutrinários e filosóficos, de Kardec e Flamarion. Passei dos de Kardec aos de Leon Denis, e quanto mais lia, mais a leitura me atraía e achava gosto em saborear e assimilar os sublimes conceitos, os belíssimos ensinamentos e a pura moral naqueles livros. Com a fé sempre revigorada, com a chegada de Pio e Santos em Itabuna, fizemos sessões em casa de Santos, e,  tempos depois, fundamos um grupo espírita, que tomou o nome de “Deus na Natureza”, cuja presidência foi ocupada por Santos, servindo de médium a sua esposa, dona Rosa.

            Esse grupo proporcionou-nos belas sessões, depois mudaram para a casa onde tenho hoje e depósito da loja. Neste local, adquirimos biblioteca e organizamos a sociedade em molde mais completo, mais amplo.

            Martinho Conceição e Oscar Fontes já faziam parte dele e aí tínhamos sessões de assistência aos necessitados.

            A enchente de 1914 levou a casa, e nós nos mudamos para outra, que tomou nova denominação.

            Martinho fazia parte da diretoria do novo grupo espírita, que se chamava “Perseverança”, até que a mudança de Santos levou Martinho a assumir a presidência  e, finalmente, construir um prédio na praça da Boa Vista, onde tem o citado grupo a sua sede do qual eu e Loura fazemos parte.


(MEMÓRIAS DE CHICO BENÍCIO)
Francisco Benício dos Santos

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NESTA QUARESMA... – Aí vai a Lição do Papa Francisco


Preste Atenção... Estamos no Período de Quaresma... Para os que vão ficar 40 dias Sem Beber, Comer Chocolate, Sem Refrigerante, Sem fumar, sem fofocar e Etc... De nada adianta isso Para Ser Uma Pessoa Melhor... Para a Quaresma o Papa Francisco propõe 15 simples atos de caridade que ele mencionou como manifestações concretas de amor: 

...................
  
1. Sorrir; um cristão é sempre alegre!
2. Agradecer (embora não “precise” fazê-lo).
3. Lembrar ao outro o quanto você o ama.
4. Cumprimentar com  alegria as pessoas que você vê todos os dias.
5. Ouvir a história do outro, sem julgamento, com amor.
6. Parar para ajudar. Estar atento a quem precisa de você.
7. Animar a alguém.
8. Reconhecer os sucessos  e qualidades do outro.
9. Separar o que você não usa e dar a quem precisa
10. Ajudar a alguém para que ele possa descansar.
11. Corrigir com amor; não calar por medo.
12. Ter delicadezas com os que estão perto de você.
13. Limpar o que  sujou, em casa.
14. Ajudar os outros a superar os obstáculos.
15. Telefonar ou Visitar mais Seus Pais.

O MELHOR JEJUM

Jejum de palavras negativas e dizer palavras bondosas.
Jejum de descontentamento e encher-se de gratidão.
Jejum de raiva e encher-se com mansidão e paciência.
Jejum de pessimismo e encher-se de esperança e otimismo.
Jejum de preocupações e encher-se de confiança em Deus.
Jejum de queixas e encher-se com as coisas simples da vida.
Jejum de tensões e  encher-se com orações.
Jejum de amargura e tristeza e encher o coração de alegria.
Jejum de egoísmo e encher-se com compaixão pelos outros.
Jejum de falta de perdão e encher-se  de reconciliação.
Jejum de palavras e encher-se de silêncio para ouvir os outros...

Papa Francisco
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DÁDIVA DE VIVER


Por vezes, você caminha pela vida com o olhar voltado para o chão, pensamento em desalinho, como quem perdeu o contato com sua origem divina. Olha, mas não vê... Escuta, mas não ouve. Toca, mas não sente...

Perdido na névoa densa que envolve os próprios passos, não percebe que o dia o saúda e convida a seguir com alegria, com disposição, com olhar voltado para o horizonte infinito, que lhe acena com o perfume da esperança.

Considere que seu caminhar não é solitário e suas dores e angústias não passam despercebidas diante dos olhos atentos do Criador, que lhe concede a dádiva de viver. Sua vida na terra tem um propósito único, um plano de felicidade elaborado especialmente para você. Por isso, não deixe que as nuvens das ilusões e de revoltas infundadas contra as leis da vida, tornem seu caminhar denso e lhe toldem a visão do que é belo e nobre.

Siga adiante refletindo na oportunidade milagrosa que é o seu viver. Inspire profundamente e medite na alegria de estar vivo, coração pulsante, sangue correndo pelas veias, e você, vivo, atuante, compartilhando deste momento do mundo, único, exclusivo e você faz parte dele.

Sinta quão delicioso é o aroma do amanhecer, o cheiro da grama, da terra após a chuva, do calor do sol sobre a sua cabeça, ou da chuva a rolar sobre sua face. Sinta o imenso prazer de estar vivo, de respirar.  Respire forte e intensamente, oxigenando as ideias, o corpo, a alma. Sinta o gosto pela vida.

Detenha-se a apreciar as pequeninas coisas que dão sentido à vida. Aquela flor miúda que, em meio à urze, sobrevive linda, perfumosa, a brilhar como se fosse grande. Sinta-se vivo ao apreciar o voo da borboleta ou do pássaro à sua frente. Escute os barulhos da natureza, a água a escorrer no riacho, ou simplesmente aprecie o céu, com suas nuvens a formar desenhos engraçados fazendo-se e desfazendo-se sobre seus olhos. Quão maravilhosa é a vida!

Mas, se o céu estiver escuro e você não puder olhá-lo, detenha-se no micro universo, olhe o chão. Quanta vida há no chão... Minúsculos seres caminhando na terra, na grama... A formiga na sua luta diária pela sobrevivência... A aranha, a tecer sua teia caprichosamente, e tantas coisas para ver, ouvir, sentir, cheirar, para fazer você sentir-se vivo. Observar a natureza é pequeno exercício diário que fará você relaxar, esquecer por instantes as provas, ora rudes, ora amenas, que a vida nos impõe.

Somos caminhantes da estrada da vida, somando, a cada dia, virtudes às nossas caminhadas ainda medíocres, mas que se tornarão luminosas e brilhantes. Aprenda a dar valor à dádiva de viver. Isso fará o seu dia se tornar mais leve e, em silêncio, sem palavras, sem pensamentos de revolta, você terá tido um momento de louvor a Deus. Aprenda a silenciar o íntimo agitado e a beneficiar-se das belezas do mundo que Deus lhe oferece. Aprenda a dar graças pela dádiva da vida.


"Gotas de Crystal" gotasdecrystal@gmail..com

(Autor não mencionado)



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quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

TODO DIA ACONTECE - Antonio Nunes de Souza


Todo dia acontece!


É como uma novela interminável que, diariamente, apresenta um novo capítulo, porém com os mesmos problemas, as mesmas falhas, os mesmos descuidos e, principalmente, as mesmas faltas de vergonha e caráter dos políticos administradores e executivos dos municípios. Principalmente o nosso, que é o que mais me preocupa, fazendo com que esqueçamos que o país está desgovernado nas mãos de bandidos implicados, processados e, absurdamente, cumprindo seus mandatos tranquilamente, protegidos pelas nossas obsoletas e estranhas leis que foram aprovadas por eles mesmos, cheias de aberturas propositais, para que façam seus crimes e saiam imunes!

Refiro-me as reclamações que o povo faz, diariamente, contra os aumentos de ônibus, falta de médicos nos postos, colégios caindo aos pedaços, funcionários não recebendo seus salários, ruas esburacadas, saneamento dos piores, moradias sendo entregues com defeitos graves de construção, falta de creches e as que tem, funcionando em estados deploráveis, e ainda uma segurança precária (ESSA VERGONHA É NACIONAL), nos deixando dentro dessa roda viva, ou circo dos horrores, cotidianamente!
Deixei para falar separadamente os descabidos descontos e atrasos substanciais nos salários dos professores, causando greves constantes, prejudicando milhares de alunos nos cumprimentos dos seus currículos anuais!

Será que é uma praga ter que enfrentar essa podre situação todos os dias e, pelos desejos dos políticos, acreditar que medidas estão sendo tomadas para sanear as pendências?
Parece até que sim, pois, por mais que falem, gritem, esperneiem, etc., continuam segurando essa barra pesadíssima e, pior ainda, reelegendo esses prometedores de palanques, achando tolamente, que desta nova vez eles cumprirão o que não pode ser feito!
Vamos ser mais enérgicos, ter uma atitude mais solidária, defender os nossos direitos, exigir deveres, uma vez que nós é que estamos pagando seus altos salários. Lembrar sempre a eles que nós é que somos os patrões!

Antonio Nunes de Souza, escritor
Membro da Academia Grapiúna de Letras-AGRAL



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GOSTO DE GENTE... – Elires Sartori


Gosto de gente... 


Gosto de gente com a cabeça no lugar... de conteúdo interno, idealismo nos olhos e dois pés no chão da realidade. Gosto de gente que ri, chora, se emociona com uma simples carta, um telefonema.

Gosto de gente que se emociona com uma canção suave, um bom filme,  um bom livro, um gesto de carinho, um abraço de afago. Gente que ama  e curte saudades, gosta de amigos, cultiva flores, ama os animais, admira paisagens , poeira e escuta.

Gente que tem tempo para sorrir bondade, semear perdão, repartir ternura, compartilhar vivências... Gente que tem tempo para dar espaços  para as emoções  dentro de si, emoções que fluem  naturalmente  de dentro do seu ser. Gente que gosta de fazer coisas que gosta, sem fugir dos compromissos difíceis e inadiáveis, por mais desgastantes  que sejam.

Gente que colhe, orienta e se entende, aconselha, busca a verdade e quer sempre aprender, mesmo que seja de uma criança, de um pobre, de um analfabeto. Gosto de gente  de coração desarmado, sem ódio  e preconceitos baratos, com muito amor dentro de si.

Gente que erra e reconhece, cai e se levanta, Apanha  e assimila os golpes, tirando lições dos erros e fazendo redentora suas lágrimas e sofrimentos. Gosto muito de gente assim... e desconfio  que é desse tipo de gente que DEUS também gosta.

Elires Sartori

 "Gotas de Crystal" gotasdecrystal@gmail..com

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O DIABO E A CARNE - Marco Lucchesi


O diabo e a carne  


Não posso dissociar Carlos Heitor Cony de meu antigo professor do Salesianos, em Niterói, José Inaldo Alonso. Foi este quem me levou ao romance “Pilatos”, fascinado pelo estranho rumor de suas palavras.

Colegas de seminário, Carlos Heitor e José Inaldo não chegaram a padres. E, no entanto, nenhum deles perdeu a visão do mundo como liturgia, cujo centro era Roma. Munidos de adágios latinos, foram bater às portas da Suma teológica, para adoção da dialética tomista. Guardaram ambos a visão técnica e elegância do conceito, mas logo se tornaram agostinianos. Leram O diabo de Papini e Os grandes cemitérios sob a lua, de Bernanos, pintaram quadros e tiveram filhos.

Carlos Heitor Cony fez parte de uma constelação inicial que incluía um traço de diversidade que abarcava tanto a vocação plural de Alceu Amoroso Lima quanto as memórias poéticas de Antonio Carlos Villaça, os romances de Lúcio Cardoso e de Otavio de Farias, os poemas de Murilo Mendes e Jorge de Lima.

Cony criou um mundo literário singular. Homem de ampla cultura, nunca se desligou do presente, do Brasil e do mundo. Quase memória é um de seus livros mais reconhecidos, redesenhou a figura do pai na literatura brasileira e trouxe Cony de volta para uma nova geração de leitores, como quem renasce de um longo silêncio.

E houve ainda O piano e a orquestra. Daí em diante sua obra não saiu de meu campo visual. Admirava o fato de navegar rio acima, contra a corrente, jamais prisioneiro de um lugar, de uma voz, de uma tendência. Espírito rebelde, sempre a ler o mundo a contrapelo. Uma espécie de Papini moderno, com a sua dialética sem concessão, estilo que correspondia a uma atitude complexa diante da modernidade, liquida ou gasosa, à qual aderia com método, ou dela se afastava, com uma leve polêmica de fundo neotomista.

Gostava de ópera e amava as igrejas de Roma, que conhecia em detalhes. Antepunha Lima Barreto a Machado de Assis, os charutos cubanos aos toscanos. Preferia Caravaggio a Guido Reni, Michelangelo a Bernini.  A pincelada mais densa, o corte mais profundo. 

Seu pensamento era um contraste irrequieto, fruto de escolhas excludentes. Um mosqueteiro pronto ao ataque, entre o diabo e a carne.
  
O Brasil foi a sua razão dominante e possuía uma forma toda sua de ler a história recente. Mesmo que nem sempre concordássemos, era impossível não ler seus artigos, não se sentir desafiado pela inteligência de suas posições. Um duelo importante no campo das ideias, justo quando o país se mostra cada vez mais deserto de ideias.
  
Cony gostava de “Os Bruzundangas”, de Lima Barreto, esse país estranho e paralelo ao nosso, íntimo e remoto, misto de rascunho e loucura.  Esse modelo negativo de país é um espantalho que obriga a repensar nossos caminhos. Um momento de intensa crise.

Nesse estranho interregno, sua obra guarda o brilho de um mundo aberto e inacabado.

O Globo, 07/02/2018


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Marco Lucchesi - Sétimo ocupante da cadeira nº 15 da ABL, eleito em 3 de março de 2011, na sucessão de Pe. Fernando Bastos de Ávila , foi recebido em 20 de maio de 2011 pelo Acadêmico Tarcísio Padilha. Foi eleito Presidente da ABL para o exercício de 2018.

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