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quarta-feira, 24 de maio de 2017

SEXTA MUSICAL É 26/05 NA AABB COM O CASAL SÉRGIO E ZANZA

Sérgio canta com Zanza e interage com a plateia na AABB


Quem ainda não viu Sérgio Pezza e Zanza Oliver interagindo com o público vai poder ver nessa sexta-feira, 26/05, a partir de oito da noite, na Cabana do Tempo da AABB Itabuna.

Nessa noite o clube libera a entrada e o estacionamento interno para sócios e não sócios. “Quem curte boa música pode vir toda sexta com os amigos, a família e até as crianças que todo mundo vai entrar e gostar”, garante a presidente Maruse Dantas.

“A Cabana do Tempo tem bar e restaurante próprios do clube”, informa Raul Vilas Boas, vice-presidente social da AABB. “Sai mais em conta que outras casas de nível de Itabuna já que não cobramos couvert artístico nem 10% de gorjeta”, completa o dirigente.

A AABB Itabuna fica na Rua Espanha s/n, travessa da Avenida Europa Unida, no São Judas. Quem vem do litoral, o acesso é pela Ponte Calixto Midlej (Vila Zara). E quem vem do interior, segue pela Beira-Rio, via Shopping e Conceição. Os telefones do clube são (73) 3211-4843 e 3211-2771 (Oi fixo).

  
Contato – Raul Vilas Boas: (73) 9.8888-8376 (Oi) / (73) 9.9112-8444 (Tim)


Assessoria de Imprensa - Carlos Malluta: (73) 9.9133-4523 (Tim) / (73) 9.8877-7701 (Oi)

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terça-feira, 23 de maio de 2017

NUMA SEXTA-FEIRA SANTA – Ariston Caldas

Numa Sexta-feira Santa


            Sentia, perfeitamente, os atrativos de Abgail; eram muitos, da cabeça aos pés.

          O sorriso dela era um fulgor, boniteza de esbanjar; e os seios? “Vige Maria!”. Mas, somente sentia, não imaginava, muito menos com maldade.

            Abgail era prima-carnal dele, filha de Socorro, mulher de respeito, bondosa, quase sua mãe, irmã do pai que fora um sujeito bom de verdade: “Deus o tenha no reino dos céus”. Daí, nunca havia pensado coisas estranhas a respeito da prima, e nem podia ser diferente, menina de bons modos, bem educada em casa e no colégio, perto de se formar em professora, 17 anos.

            Os dois eram assim, assim, desde novinhos, ela com sete; ele com nove; correram picula, tomaram banho de rio. Nesse tempo Abgail nem ligava mais para bonecas, preferindo as peraltices pelo terreiro, pelo quintal,  entre as plantações; e ele sempre junto dela. Depois foram morar bem longe um do outro, ficaram adultos. O tempo correu e agora residiam aqui; ela, num bairro; ele no centro da cidade. Abigail ficou muito bonita, mais do que quando era menina, um conjunto de formas que só vendo. E ele sentia isso. Nunca imaginara que a prima se embelezasse tanto. A tia Socorro era muito bonita, mas nem se comparava à filha.

          Por que Abgail era sua prima carnal? Se pelo menos fosse parente em terceiro grau... Mesmo em segundo. Sendo carnal ele não podia nem devia dar uma arriscada, um piscar de olho. Nem pensava nessas coisas, mesmo com os impactos da beleza da moça,  de seus atrativos cheirando a perigo. Ademais, ele era um rapaz de bons princípios, educado num colégio de Beneditinos onde aprendera o significado do sinal da cruz, muita matemática, ler bem, escrever bem. Mas, não sabia por que, deu para sonhar com Abgail. Eram sonhos estranhos, cheios de sensações; acordava abatido, afogado de gozo e incriminando a hipótese de tudo aquilo transformar-se em verdade. Parecia astúcia do diabo tentando uma ignomínia entre ele e a prima. Não podia. Nem pensar.

            Numa sexta-feira da Paixão ele foi pegar o dendê em casa de Socorro; chegou cedo, a tia havia saído para a Adoração ao Santíssimo, e o marido dela, munido de anzol e capanga, saíra para pescar numa cidade vizinha e só voltaria no dia seguinte. A prima ficou sozinha em casa, cuidando das coisas; vestia um short curtinho e uma blusa de seda com as bordas amarradas acima da cintura mostrando o umbigo miúdo; descalça, o cabelo preso em popa, pequenas mechas soltas caindo pelas orelhas.

            Na chegada ele beijou o rosto de Abgail que passou a boca rente a sua; sentiu cheiro de chiclete, ficou apreensivo; lembrou-se dos sonhos e admitiu uma influência maligna, mas não maldou nada, além disso. Lembrou-se do pai  que devia se encontrar no reino dos céus; a tia estaria rezando na igreja, toda envolvida com as coisas divinas, ajoelhada frente ao altar.

            Abgail conversava alegre, fazia perguntas, destampava e tampava panelas pelo fogão, cruzando as pernas, a cintura delgada com as bordas da blusa amarradas, formando um nó com as pontas soltas. Mas era sexta-feira da Paixão, dia santificado, por isso nem podia sentir certas coisas, quanto mais pensá-las.

            Depois Abgail entrou para o quarto. “Vem pra cá”, disse ela, naturalmente, a fala meiga, soltando o cabelo. Em seguida deitou-se na cama e pendurou os pés para o chão, realçando as coxas avolumadas. “Sente aqui”, acrescentou ela.

          Pedro sentou-se. Socorro chegaria a qualquer momento. Aí Abgail empurrou com a ponta de um pé a porta do quarto. O pai estaria olhando-o lá do reino dos céus. Para os dois. E se pegasse no sono! A tia o flagraria na cama com Abgail. Ela de short bem curto ou já nuinha, desgrenhada, exausta,  bulindo os dedos dos pés.

            No altar da igreja onde Socorro rezava, teria um Cristo enorme pregado numa cruz preta de jacarandá, a fronte arrodeada de espinhos; aos pés da cruz, a mãe de Jesus, debruçada, com um manto roxo, chorando em silêncio.

            Abgail estava agitada, cheirando a suor, os seios pulando dentro da blusa de seda atada à cintura; ele nem tinha ânimo para libertar-se da tentação; Socorro chegaria a qualquer instante, batendo na porta da rua. Abgail teria trancado a porta da rua? Se a tivesse somente encostado, a tia entraria calada direto para o quarto dela, trocar de roupa. E se antes disso ela procurasse por Abgail, como costumava fazer! E se ela fosse logo para o quarto onde os dois se encontravam! “Tentação do diabo”. Só não temia o pai dela, o sabia na vizinha cidade, atrás de peixes.

            O corpo de Abgail era morno e cheirava a suor; os seios dela haviam se libertado da blusa já retorcida sobre a barriga delgada; o short atirado à toa pelo chão, junto a seus pés. O pai, no reino dos céus, desaparecera. Nem para dar um jeitinho e afastar a tentação do demônio. Sozinho naquela fogueira cheirando a chicletes e a suor, a outras coisas perigosas. Como conseguiria energia para libertar-se da situação? No momento, só de cueca, arfando como burro arrochado.

            E era sexta-feira da Paixão. “Tentação do diabo”, entre ele e Abgail, o mesmo sangue, filha da irmã do pai.

            Era cada sonho porreta. Acordou arrasado.


(LINHAS INTERCALADAS - 2ª Edição 2004)

Ariston Caldas

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PESAR DO PAPA PELAS VÍTIMAS DO BÁRBARO ATAQUE TERRORISTA EM MANCHESTER

Mensagem enviada nesta terça-feira 23, pelo secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, ao bispo local

23 MAIO 2017
Manchester Arena (Wikipedia - Fto J4YP34 )

(ZENIT – Roma, 22 maio 2017).-  O Papa Francisco manifestou seu pesar pelas vítimas do atentado terrorista nesta segunda-feira em Manchester, Inglaterra, na saída de um show da cantora Ariana Grande, onde  22 pessoas morreram, incluindo crianças e adolescentes, e 59 ficaram feridas.

O ataque foi executado por um homem que morreu detonando “um dispositivo explosivo improvisado”, indicou Ian Hopkins, comissário da polícia de Manchester.

“Sua Santidade o Papa Francisco ficou profundamente entristecido ao saber dos feridos e da trágica perda de vidas causada pelo bárbaro ataque em Manchester e manifesta a sua profunda solidariedade a todos os que foram afetados por este ato de violência sem sentido”, refere a mensagem enviada nesta terça-feira, 23, pelo secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, ao bispo local.

O Santo Padre elogia na mensagem,  os “generosos esforços” do pessoal de segurança e dos serviços de emergência, rezando por todas as vítimas. E conclui: “Tendo em particular atenção as crianças e jovens que morreram, bem como as suas famílias enlutadas, o Papa Francisco invoca as bênçãos do Deus da paz, cura e força para toda a nação.”

Mensagens de solidariedade chegaram também de vários outros líderes religiosos do mundo. O Arcebispo de Westminster, Cardeal Vincent Nichols, Presidente da Conferência Episcopal da Inglaterra e Gales, escreveu: “Choramos a perda de tantas vidas humanas e rezamos pelo descanso eterno de todas as vítimas”.

O bispo anglicano de Manchester, David Walker, condenou o atentado num comunicado divulgado esta manhã. “Um dia para chorar os mortos, rezar com suas famílias e feridos, e reiterar a nossa determinação a fim de que não sejamos derrotados por aqueles que matam e destroem.”

Durante a noite, a primeira-ministra Theresa May condenou o “terrível ataque terrorista” e manifestou solidariedade às vítimas e suas famílias. O Estado Islâmico (Isis) reivindicou a autoria do ataque.



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segunda-feira, 22 de maio de 2017

HOMILIA DO PAPA EM SÃO PEDRO DAMIÁN


Francisco: "A inveja, a calúnia, a inveja é o pecado mais comum de nossas comunidades cristãs"

21 de maio, 2017,
 Jesus Bastante

 - Mansidão e respeito. Esta é a linguagem do Espírito Santo, que tem de estar entre os seguidores de Jesus. Contra isso, "a inveja, o ciúme, a maledicência, a ambição , " que para o Papa, " são o pecado mais comum de nossas comunidades cristãs".

"É a verdade, isto destrói" , disse Francisco durante a homilia na paróquia romana de São Pedro Damián , confiada às comunidades neocatecumenais. Após seu encontro com os meninos, o Papa participou da Eucaristia com a comunidade.

Em uma homilia improvisada, Francisco repetiu algumas das suas maiores preocupações: as lutas internas, o afã por aparentar, pelo poder entre os cristãos. Uns contra os outros.
" Quando nós cristãos, atiramos pedras uns aos outros, o diabo se diverte . Para o diabo, isto é um carnaval", denunciou o papa.

"O Espírito está em nós, e em cada um de nós. O recebemos no Batismo, de Jesus e do Pai , " começou o Papa, que disse que " temos dentro de nós, o próprio Deus, um Deus que nos acompanha , nos diz o que temos que fazer, e como devemos fazer, um Deus que nos ajuda a não desfalecer,  a não cair em tentação. Ele é o advogado que nos defende do Maligno."

Como proteger o Espírito que habita em nossos corações?
"Com a oração de adoração, sentindo como própria, a inspiração do Espírito Santo, que é o que nos diz o que é bom, o que é mau, o que é certo ou errado. Ele leva-nos para a frente," clamou Bergoglio.

Um Espírito que nos faz viver, falar, sentir, "com mansidão e respeito". E  que " a linguagem do cristão que é inspirado pelo Espírito Santo é uma linguagem especial ". "Não fala em  latim, não,  há uma outra linguagem,  é a linguagem da ternura e respeito."

"Isso pode nos ajudar a pensar qual é o nosso modo de ser cristão. É doce ou irado? Ou amargo? É tão difícil de ver pessoas que se dizem cristãs e estão cheias de amargura ... ", disse ele. Ao contrário, "da linguagem do Espírito Santo, que é o doce hóspede da alma. E respeito, sempre respeitar os outros. Ensina a respeitar os outros."(  saber escutá-los sem julgamento)

Frente a isto, "o Diabo, que sabe como se intrometer no serviço a Deus, e dentro de nós, vai fazer de tudo para que a nossa linguagem não seja doce nem respeitosa. Mesmo dentro da comunidade cristã."

"Quantas pessoas se aproximam de uma paróquia, buscando sua paz, seu respeito e delicadeza, e encontra lutas internas entre os fiéis. As calúnias, a competição, a luta de uns contra os outros .... 'Se eles são cristãos, eu prefiro  ficar pagão ', dizem. E vão dividir novamente. Porque eles não se sentem HABITADOS pelo Espírito e com esta linguagem de ambição, inveja, ciúme, tantas coisas que  aparecem hoje, afastam as pessoas "denunciou o papa.

"Não deixamos que o trabalho do Espírito de atrair as pessoas, permaneça ," assinalou Francisco, que "claramente,  lhes digo este é o pecado mais comum de nossas comunidades cristãs ".

Neste ponto, o Papa voltou-se para a imagem da Virgem da paróquia, que pisa a serpente, que está com a boca aberta e a língua, longa ... e disse : “Far-nos-á bem  saber  que uma comunidade cristã que não age de acordo com o Espírito Santo, com mansidão e  respeito, é como aquela cobra com uma longa língua".

Meio brincando, meio a sério, o Papa recordou "um padre me disse uma vez, falando sobre isso, que na sua paróquia há alguns, que poderiam tomar a comunhão  a partir da porta de entrada,  pois com a língua que têm, chegariam até  o altar ..."

"É a verdade, isto destrói," disse Francisco. " Falemos com mansidão e respeito, e não com as palavras que o diabo nos ensina . Este é o inimigo que destrói a comunidade."

"atirássemos pedras uns contra os outros. O diabo se diverte, isto é um carnaval para o Diabo",Realmente, isso me dói no coração. É como se nos  culminou Francisco, que mais uma vez voltou a pedir de "escutar o Espírito Santo em nós, não raptá -lo , e que o nosso comportamento em relação a todos, cristãos ou não, seja um comportamento de mansidão e respeito, porque o Espírito Santo faz  isto com a gente. "


www.periodistadigital.com

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O FUXICO NO ABC DO ALENCAR OU A NOITE NO BECO DO CABOCLO - Adriana Dantas


          Para entendermos este título, é preciso irmos por partes!

          O Caboclo, que na verdade é mulato, é o sorocabense que se mudou para Itabuna com a mãe, quando tinha três anos de Idade. Portanto, considera-se mais baiano do que paulista. Não por vontade própria, mas por obrigação, teve de escolher a profissão de comerciante, ajudando o padrasto no açougue de sua propriedade.

          Alencar é o seu nome verdadeiro: Alencar Pereira da Silveira. Ficou conhecido por Caboclo porque ele próprio chamava os fregueses de caboclo, quando o nome deles lhe fugia da mente. Já como o feitiço costuma virar contra o feiticeiro, o apelido pegou. Muito conhecido no comércio, por causa do açougue, passou a ser chamado, por todos, dessa maneira.

          O porquê a sigla ABC?

          Bem, quando o consumo do óleo animal passou a ser substituído pelo óleo vegetal, as carnes gordas, como as banhas e toicinhos, sofreram uma queda acentuada no mercado de carne. Percebendo o enfraquecimento do comércio, o Caboclo Alencar, que no fim dos anos 50 assumira o açougue sozinho, resolveu mudar de ramo, aproveitando o ponto para transformá-lo em um bar. Em 1962, no dia 28 de julho (dia do aniversário da cidade), vendendo bebidas e tira-gostos, o bar veio a ser inaugurado. Como nessa época havia casas comerciais com o nome ABC  (como era o caso do ABC da Bicicleta) e por sugestão de um dos seus clientes que também conhecia um bar ABC, em uma outra cidade, Alencar não se deu ao trabalho de pensar muito num outro nome. Assim, o ponto foi batizado com o nome ABC, ou melhor, ABC da Noite, já que, nessa primeira fase, o Caboclo Alencar mantinha o bar aberto até as vinte e uma horas.

          Com 41 anos de funcionamento, o ABC da Noite, inevitavelmente, é um bar tradicional na cidade. Localizado na Rua Adolfo Leite, mais conhecida pelo nome  Beco do Fuxico (a viela levou este nome porque cortava as ruas do meretrício: Quartel Velho e rua do Lopes – antiga rua da Garapa – ali costumavam ser marcados os encontros amorosos com as raparigas!), está aberto todos os dias somente das dez ao meio-dia e meia e das dezessete às dezenove horas – horários cumpridos, na íntegra,  pelo metódico Caboclo Alencar e respeitados (que jeito!) pelos assíduos frequentadores. Comparável a um boteco, pois nele não há mesas e o atendimento é feito no balcão, em pé, o ABC da Noite não teria nada de especial, não fossem as bebidas que o Caboclo Alencar põe à venda. Desde o início, as famosas “batidas” têm sido o segredo do bom negócio: frutas da época misturadas com uma cachacinha de primeira,  funcionando como um chamariz para os apreciadores das bebidas quentes. Quem as degusta com prazer, termina sempre encontrando um bom motivo (ou boa desculpa!) para beberica-las: após o trabalho, para aliviar o cansaço do expediente; antes do almoço, para abrir o apetite; no calor do verão, para refrescar; no inverno, para esquentar; nos momentos  de tristeza, para esquecer; nos de alegria, para comemorar... Assim, quem começa com a bebida de gengibre, quer também provar a de caju, a de pitanga, a de cajá... hic! A receita de como prepara-las o Caboclo Alencar não dá a ninguém. “A Coca-Cola também não dá a sua receita, por que eu daria a minha?!” – explica-se.

          Para manter a qualidade das batidas, Caboclo Alencar resolveu reduzir tanto o horário do expediente, quanto o cardápio, pois percebia que não dava conta dos pedidos da clientela. Sem querer ampliar o espaço e nem contratar funcionários, pois se dava por satisfeito com o pequeno empreendimento, decidiu fechar a cozinha, para poder dedicar-se diariamente à sua manufatura predileta. Com notável especialização, por vezes dá-se até ao luxo de inventar novas receitas com frutas exóticas como pêssego, damasco ou ameixa, mesmo assumindo o risco de não vendê-las, pois elas se tornam muito mais caras do que as feitas com frutas regionais. Preparadas com capricho, cada uma delas tem um gosto especial, mas se perguntarmos ao Caboclo de qual batida ele mais gosta, a resposta é imediata: “a que mais gosto é aquela que mais vendo”. E, de fato, esse exímio comerciante tornou-se tão especializado em sua área que não precisa temer a concorrência. Todos os dias, o número de pessoas que se reúne na porta do bar é tão grande que a rua, que já é estreita fica engarrafada. Interessante é notar que, ainda hoje, 98% dos fregueses são homens. Frequentado por profissionais liberais, funcionários públicos,  bancários e comerciantes, o “fuxico” preferido é a política. Até o dono do estabelecimento admite que, se conversa de bar adiantasse, os clientes dele já teriam resolvido, há muito, os problemas do mundo!

          A popularidade do ABC da Noite deve-se também ao Carnaval. Segundo conta o próprio Caboclo Alencar, ainda na década de 1960, um engenheiro que construía um trecho da estrada Ilhéus-Una apareceu em Itabuna no início de um dos carnavais, sugerindo a lavagem do Beco do Fuxico, à imitação do Beco Maria Paz,  em Salvador, . Dois dias depois, ao retornar à cidade com um pequeno carro-pipa e os apetrechos necessários, como vassoura e sabão, resolveu dar início ao trabalho de esfregamento. A moda pegou. A população aderiu. A prefeitura apoiou. A festa cresceu. E haja batida para acalmar a sede dos foliões! Entretanto, a festa popularizou-se de tal forma que o Caboclo Alencar, atualmente, prefere fechar o bar durante o Carnaval. “No início era divertido, o povo lavava mesmo a rua com água e vassoura e ainda tinha os blocos que faziam presença na porta do bar. Houve até o bloco A Escolinha do ABC da Noite, que durou sete anos. Hoje, a festa é tão grande que até já se tornou anônima” – avalia.

          Há 52 anos trabalhando como comerciante (doze anos como açougueiro), o Caboclo Alencar ainda não se cansou de trabalhar. “Trabalho porque preciso e também porque não gosto da inatividade, nem física nem psicológica” – declara. Levando uma vida sistemática, estruturando seu dia com as horas de trabalho, dedica boa parte do seu tempo livre aos livros. O seu grande sonho era tornar-se humanista e poder continuar os estudos, pois só pôde concluir o curso primário com o professor Chaloub. (Dessa época, ele ainda lembra o retrato do Presidente da República Getúlio Vargas, pendurado na parede da sala de aula). Mas não gosta de se queixar do destino que a vida lhe reservou, pelo contrário, sente-se feliz por sua conquista profissional.

          “O comércio já me proporcionou boas coisas. Nos tempos bons, cheguei até a comprar um carro e vivia bem. Hoje, com a crise, ganho a média de 20 a 30 reais, por dia, o que também não é tão mal assim, porque vou conseguindo me manter e manter a esposa. Aliás, estabilidade não é problema de dinheiro, mas de consciência. A gente se estabiliza com o que tem.”

          Aos 70 anos de idade e 16 de casado, Caboclo Alencar não teve filhos, e, por isso, sabe que a sua herança vai terminar ficando para Itabuna:

          O ABC DA NOITE DO CABOCLO ALENCAR, NO BECO DO FUXICO.

          Acertei o título?



(ITABUNA Histórias e Estórias. EDITUS Editora da Uesc -Ano 2003)
Adriana Dantas Andrade-Breust

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ACADÊMICO E PROFESSOR ARNALDO NISKIER COORDENA NA ABL O SEMINÁRIO “BRASIL, BRASIS” DE MAIO, INTITULADO “O NOVO CURRÍCULO DA ESCOLA BRASILEIRA”


A Academia Brasileira de Letras dá continuidade a sua série de Seminários “Brasil, brasis” de 2017 com o tema O novo currículo da escola brasileira, sob coordenação do Acadêmico e professor Arnaldo Niskier e as participações de Maria Helena de Castro e Carlos Alberto Serpa. O seminário está programado para o dia 25 de maio, quinta-feira, às 17h30min, no Teatro R. Magalhães Jr., Avenida Presidente Wilson 203, Castelo, Rio de Janeiro.
 O coordenador-geral dos Seminários “Brasil, brasis” de 2017 é o Presidente da ABL, Acadêmico e professor Domício Proença Filho.

Acadêmico Arnaldo Niskier convida para o Seminário "Brasil, brasis"

Saiba mais

ARNALDO NISKIER

Sétimo ocupante da Cadeira nº 18 da Academia Brasileira de Letras (ABL), eleito em 22 de março de 1984, na sucessão de Peregrino Júnior, e recebido em 17 de setembro de 1984 pela acadêmica Rachel de Queiroz, Arnaldo Niskier nasceu no Rio de Janeiro, em 30 de abril de 1935. É diretor-presidente da Consultor Assessoria de Planejamento, desde sua fundação, em 1972.

Licenciado em Matemática e Pedagogia pela Faculdade de Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Arnaldo Niskier trabalhou 38 anos nas Empresas Bloch (Manchete) e na Rede Manchete. Tem doutorado em Educação pela Uerj, é catedrático por concurso da mesma Universidade e também professor titular de História e Filosofia da Educação (aposentado a partir de 1995). 
Jornalista há mais de 50 anos, foi Secretário de Estado de Ciência e Tecnologia; de Educação e Cultura; de Cultura; e Educação do Estado do Rio de Janeiro.

Membro efetivo da ABL, Niskier presidiu a Academia no período 1998/1999. Foi membro do Conselho Federal de Educação e do Conselho Nacional de Educação. Presidente da Câmara de Ensino Superior, é professor Emérito da Escola de Comando e Estado Maior do Exército (Eceme); Doutor Honoris Causa da Universidade Federal do Maranhão; Membro da Academia das Ciências de Lisboa (a partir de 2000); além de Presidente do Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional.

Arnaldo Niskier é autor de mais de 50 livros, entre os quais: A nova Educação; Tecnologias educacionais; Educação brasileira: 50 anos de história; O impacto da tecnologia; Qualidade do ensino; Tragédia do ensino púbico; O padre Antonio Vieira e os judeus; e Dr. Roberto (coautor). Na literatura infanto-juvenil, publicou, entre outros, O dia em que o mico-leão chorou; A coragem da tartaruga careta; O saruê astronauta; A Constituinte da nova floresta. Editou, ainda, Maria da Paz e Revelações de Isabela (romances); Uma nova maneira de pensar; A educação da mudança e Magia da educação (crônicas); O Souza e a pasta; Você viu o terremoto?; Um santo remédio; e O mistério do baixinho (contos).
Entre distinções e condecorações, recebeu o da Legião de Honra da França; Ordem do Mérito Militar (Grande Oficial); Ordem do Mérito Naval; Ordem do Mérito Aeronáutico; Ordem do Mérito de Portugal; Ordem do Leão da Finlândia; Colar do Mérito Judiciário – Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro; e Medalha Visconde de Mauá – Associação Comercial do Rio de Janeiro.

MARIA HELENA DE CASTRO

Socióloga e Mestre em Ciência Política pela Unicamp, Maria Helena de Castro é professora aposentada dessa Universidade/IFCH, onde atuou também como pesquisadora do Núcleo do Estudos de Políticas Públicas/NEPP.

Atualmente, é Secretária Executiva do Ministério da Educação e “rapporteur” da GAL junto ao Comitê Diretivo de Educação 2030. Foi Conselheira Titular do Conselho Estadual de Educação de São Paulo (2010-2016) e Diretora Executiva da Fundação Seade de São Paulo até 16 de maio de 2016.

No Governo do Estado de São Paulo atuou, de 2007 a abril de 2009, como Secretária de Educação. Foi, também, Secretária de Assistência e Desenvolvimento Social e Secretária de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico do mesmo Estado.

CARLOS ALBERTO SERPA

Carlos Alberto Serpa formou-se Engenheiro Industrial e Metalúrgico pela PUC-RJ, em 1964. É Presidente da Fundação Cesgranrio desde 1971. Foi agraciado com inúmeras condecorações nacionais e estrangeiras, entre as quais a Medalha do Mérito Educacional no grau de Comendador, a Medalha Educacional Justiniano de Serpa, conferida pelo Governo do Estado do Ceará; Prêmio Cidadania, concedido pelo jornal A Folha Dirigida; a Medalha João Ribeiro, outorgada pela Academia Brasileira de Letras, e a Ordem do Mérito Cultural, concedida, em 2016, pelo Ministério da Cultura.

O professor Carlos Alberto Serpa, de acordo com seu currículo, é um cidadão voltado também para área cultural. Criou o Prêmio Cesgranrio de Teatro e a Orquestra Sinfônica Cesgranrio.

Dentre os cargos que já exerceu e exerce, destacam-se: Professor associado da PUC-RJ (desde 1964); Diretor do Departamento de Ciências dos Metais e Metalurgia da PUC/RJ (1965 – 1970); Diretor de Admissão e Registro da PUC-RJ (1967-1970); Coordenador Geral do Projeto MEC-Uniplan (1970-1971), quando diagnosticou e depois assessorou a implantação da reforma universitária em todo o país; Vice-Reitor de Desenvolvimento da PUC-RJ (1971-1975); Presidente da Associação Brasileira de Acesso ao Ensino Superior (1971-1981); Presidente da Comissão Nacional de Vestibular Unificado (Convesu) do MEC (1971-1976); Vice-Reitor Administrativo da PUC/RJ (1972-1973); Primary Member da International Association for Educational Assessment (desde 1974); Reitor Interino da PUC-RJ (1974); Conselheiro Estadual de Educação do Estado do Rio de Janeiro (1975-1979); Membro do Conselho Diretor da Associação Brasileira de Educação (desde 1990); Criador do Projeto Sapiens (1990); Presidente da Academia Brasileira de Educação (desde 1992); Reitor da Universidade Gama Filho (1999-2000); Conselheiro da Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação (1996-1998); Membro do Conselho de Desenvolvimento da Pontifícia Universidade Católica/RJ (desde 2002); Membro do Conselho Superior da International Association of University Presidents – Iaup (desde 2007); Presidente da Associação Cultural da Arquidiocese do Rio de Janeiro (desde 2008); Membro do Conselho Diretor das “Faculdades Católicas”, Associação Mantenedora da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (desde 2008); Diretor Geral da Faculdade Cesgranrio (2016); Provedor da Imperial Irmandade de Nossa Senhora da Glória do Outeiro.

18/05/2017





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domingo, 21 de maio de 2017

A PERDA DE UM MESTRE - Arnaldo Niskier


A perda de um mestre


Eduardo Mattos Portella era baiano, mas passou a maior parte de sua existência, de 84 anos, no Rio de Janeiro, onde construiu uma sólida carreira universitária, especialmente na UFRJ. Era o 2º Decano da Casa de Machado de Assis quando faleceu, no dia 2 de maio.

Portella teve uma significativa carreira de homem público, primeiro na Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro (durante o governo Chagas Freitas).

Depois, na Casa Civil do Governo JK, de quem foi um bom amigo. Depois, na Unesco, em Paris, onde chegou a exercer as funções de diretor, com grande destaque. Desde 1962, era o diretor cultural das Edições Tempo Brasileiro.

Em 1979, convidado pelo presidente João Figueiredo, Portella assumiu o Ministério da Educação, Cultura e Desportos. Ficou um ano e meio no cargo. Deixou uma frase que se notabilizou: “Eu não sou ministro, eu estou ministro”.

No discurso de recepção na Casa de Machado, onde foi o sexto a ocupar a Cadeira nº 27, na sucessão de Otávio de Faria, em 18 de agosto de 1981 , o saudoso Afrânio Coutinho, com muita propriedade, destacou: “No Brasil, a Literatura é a mais importante expressão do espírito nacional. Somos um povo literário por excelência. Foi a Literatura que desenvolveu, desde Anchieta, a nossa identidade de povo e de nação. É ela que vem empreendendo, de maneira progressiva e pertinaz, o processo brasileiro de descolonização mental. É ela que melhor reflete em nosso país as formas de sua unidade na variedade”. 

Eduardo Portella foi mais do que um dos nossos maiores críticos de literatura. Foi um crítico de ideias, filosoficamente fundamentado e sustentado; um crítico da Cultura, voltado ontologicamente para tudo o que diga respeito ao homem universal.

A sua família perde o líder e, agora, aumentam as responsabilidades da esposa Célia e da filha Mariana. Que encontrem forças na imortalidade de sua obra.

O Dia, 18/05/2017

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Arnaldo Niskier - Sétimo ocupante da Cadeira nº 18 da ABL, eleito em 22 de março de 1984, na sucessão de Peregrino Júnior e recebido em 17 de setembro de 1984 pela acadêmica Rachel de Queiroz. Recebeu os acadêmicos Murilo Melo Filho, Carlos Heitor Cony e Paulo Coelho. Presidiu a Academia Brasileira de Letras em 1998 e 1999.

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