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domingo, 14 de maio de 2017

DE MÃE, CANÇÃO E ORAÇÃO... Por Eglê S Machado

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DE MÃE, CANÇÃO E ORAÇÃO...

MÃE... TERNURA DE CANÇÃO,
ANJO BOM QUE SEMPRE AMEI
E A PRIMEIRA ORAÇÃO
QUE UM DIA PRONUNCIEI!


Eglê S Machado
Academia Grapiúna de Letras - AGRAL


* * *

MÃE - Antonio Nunes de Souza

Mãe

Não existe pessoa mais dengosa
Com uma paixão primorosa
Revelando somente amor.
Com grande apego constante
Um amor mais que flamejante
Adorando seus filhos com ardor!

É o único dos amores verdadeiros
Sem nenhuma dúvida para terceiros
Desempenhado com grande carinho.
Protege mais que a sua vida
Nunca sua missão será cumprida
Fora ou dentro do seu ninho!

Todos os dias da sua vida
Ela sempre será querida
E amada com muita paixão.
Ela é mais que imprescindível
Pelo seu amor incrível
Que carrega dentro do coração!


Antonio  Nunes de Souza, escritor
Membro da Academia Grapiúna de Letras-AGRAL


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DEUS LHE LEVE E TRAGA - Oscar Benício dos Santos

Deus lhe leve e traga 
Às mães

Deus o acompanhe, meu filho, Ela dizia:
fazendo o sinal da cruz, com a mão,
e, com aquele gesto Ela cobria
nosso caminho com a Sua benção.

Para cada filho que se despedia,
Mamãe, tinha sempre a mesma reação:
o mesmo gesto Sua mão repetia
e co’a boca as preces do coração!

Doce saudade que ainda me afaga,
quando lembro da recomendação
que Ela fazia, e nunca mais se apaga,

ao sair á rua ou à outra plaga,
que ainda hoje soa como canção:
“Vai, meu filho – Deus lhe leve e traga!”

Oscar Benício dos Santos

Faz. Guanabara
(Dia das Mães 2017)


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PALAVRA DA SALVAÇÃO (26)

5º Domingo da Páscoa - 14/05/2017


Anúncio do Evangelho (Jo 14,1-12)
— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: ”Não se perturbe o vosso coração. Tendes fé em Deus, tende fé em mim também. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fosse, eu vos teria dito. Vou preparar um lugar para vós e, quando eu tiver ido preparar-vos um lugar, voltarei e vos levarei comigo, a fim de que onde eu estiver estejais também vós. E, para onde eu vou, vós conheceis o caminho”.

Tomé disse a Jesus: “Senhor, nós não sabemos para onde vais. Como podemos conhecer o caminho?” Jesus respondeu: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim. Se vós me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai. E desde agora o conheceis e o vistes”.

Disse Felipe: “Senhor, mostra-nos o Pai, isso nos basta!” Jesus respondeu: “Há tanto tempo estou convosco, e não me conheces, Felipe? Quem me viu, viu o Pai. Como é que tu dizes: ‘Mostra-nos o Pai’? Não acreditas que eu estou no Pai e o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo, não as digo por mim mesmo, mas é o Pai, que, permanecendo em mim, realiza as suas obras. Acreditai-me: eu estou no Pai e o Pai está em mim. Acreditai, ao menos, por causa destas mesmas obras. Em verdade, em verdade vos digo, quem acredita em mim fará as obras que eu faço, e fará ainda maiores do que estas. Pois eu vou para o Pai”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.


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Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Pe. Paulo Ricardo:

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VIVER COMO RESSUSCITADOS: encontrar-se na própria casa


 “Vou preparar um lugar para vós..., a fim de que onde eu estiver estejais também vós” (Jo. 14,3)

O evangelho deste domingo (5º Dom Pásscoa), tomado de João, não descreve uma aparição do Ressuscitado, mas é o mesmo Ressuscitado que se apresenta e fala para a comunidade dos seus seguidores.

Trata-se de um texto pós-pascal, pois à medida que vamos entrando no texto caímos na conta que Aquele que fala é o Vivente. A sua voz não é aquela de um morto que apareceu, mas a Voz da Vida. O contexto deste evangelho é o discurso de despedida de Jesus na Última Ceia. Nos versículos anteriores, Ele havia anunciado a traição de Judas, a negação de Pedro, o anúncio da partida. Tudo isso deixou os discípulos desconcertados, abatidos e com medo.

Jesus sente a tristeza e a perturbação dos seus discípulos; esquecendo-se de si mesmo e do que lhe espera, dirige-lhes palavras para animá-los na esperança, fortalecê-los no meio da angústia, devolver-lhes o horizonte de vida. E uma das imagens que Jesus usa para pacificá-los é a da “morada” ou “estâncias” no coração do Pai; imagem que pode oferecer o sentimento de proteção e acolhimento. Uma morada significa muito mais que uma presença. Uma pessoa pode estar presente em seu local de trabalho, na rua..., mas a morada, a habitação ela a tem em sua casa. E Deus quis ter uma morada e uma habitação em nosso interior. Somos sua casa!

“Na casa do Pai há muitas moradas”; há lugar para todos, talvez de formas diferentes, por caminos diversos, mas há lugar abundante. A casa de Deus é ampla, é a casa de todos os seres humanos, casa de reconciliação e justiça, aberta antes de tudo para aqueles que foram e são oprimidos. Aqueles que não cabem na casa deste mundo (os que foram expulsos de suas casas) podem entrar na casa da Vida de Jesus.

Jesus Cristo, durante seu ministério, construiu com suas palavras uma morada para as pessoas, na qual estas se sentiram seguras. Ele falou de tal forma que as pessoas encontraram harmonia consigo mesmas. E elas tinham o sentimento de poder habitar em suas palavras, e por meio de suas palavras, encontrar uma pátria n’Ele. De fato, o ser humano sempre aspirou viver em um espaço onde pudesse se sentir seguro, em paz; um espaço humanizador que lhe permitisse ativar todas as suas potencialidades de vida e deixasse transpare-cer a própria identidade; um espaço onde pudesse se “sentir em casa”.

É da nossa condição humana buscar um espaço, um lugar hospitaleiro e acolhedor, o lugar onde nos situamos no mundo e onde podemos ser encontrados; esse espaço nos ajuda a fazer contato com nossas “moradas interiores”: lugar de intimidade com Deus, espaço de contemplação, ambiente de discernimen-to e construção de decisões.  Nesse sentido, a morada interior já é antecipação da nossa morada eterna, no coração do Pai.

Um dos dramas vivido pelo ser humano no atual contexto social pós-moderno é que ele perdeu não somente seu lar exterior, mas também se afastou de sua morada interior. Comprovamos hoje um “déficit de interioridade”. As pessoas perderam o caminho da direção do seu coração; vivem fora de si mesmas e não conseguem colocar as grandes perguntas existenciais: “de onde venho? Quem sou? Para onde vou?...”. Elas já não sabem mais quem são.

Muitas já não conseguem mais recolher-se e voltar para “dentro de sua morada” para recuperar o centro gravitacional de suas vidas, o ponto de equilíbrio interior; já não são capazes de velejar nas águas da interioridade, passando a viver uma vida superficial e sem sentido. Elas se percebem sem o sentimento de acolhida e proteção, pois perderam seu sentido de pertença, além de não mais saberem o que as sustenta. Não sabem mais onde poderão encontrar segurança e acolhimento.

O que é “estar em casa” para nós hoje, num mundo estranho e em constante mutação? O que significa “morada” para nós atualmente? Que tipo de sentimento está conectado a ela? Onde nos sentimos de verdade em casa?

“A infelicidade do ser humano moderno consiste em que ele não é mais capaz de permanecer em sua cela” (Pascal). “O ser humano só está em casa no mistério de Deus” (Clemenz Schmeing). Nas palavras de Jesus na Última Ceia, Ele deixa transparecer que, só quando cremos que o mistério de Deus habita em nós, é que podemos nos sentir em casa; só podemos permanecer em nós mesmos porque o próprio Deus já está em nós e nos mantém. Nós podemos fazer morada em nós, porque Deus mesmo já fez morada em nós.

Nossa morada interior é o espaço no qual Deus mesmo habita em nós. Ali, nós somos plenamente nós mesmos, salvos e íntegros. Verdadeiramente em casa. Nós precisamos apenas olhar para dentro. O céu está em nós e ali, no céu interior, está a verdadeira pátria que ninguém pode nos roubar ou pode destruir. E ali, as nossas próprias preocupações e temores não tem nenhum acesso. Ninguém pode nos ferir ali.

Aspiramos um espaço onde possamos ser nós mesmos. Espaço no qual podemos entrar em contato com algo que nos plenifica e nos expande. Vivemos das forças e da energia que emanam da nossa casa interior. Desejamos encontrar-nos conosco mesmos, desenvolver nossas possibilidades, descobrir e clarificar nossa identidade. O sentimento de ser totalmente nós mesmos nos dá a sensação de ter encontrado o suporte numa torrente de vida e de amor. Desse modo, em meio às incertezas deste mundo, podemos experimentar um ambiente de tranquilidade e de acolhimento.

Num mundo de muita superficialidade, onde a imposição do imediato, da rapidez, da produtividade e da eficácia se apresentam como deveres imperiosos, somos chamados, como seguidores(as) de Jesus, a “ser pessoas de interioridade”. Diante da “cultura líquida” na qual vivemos, é urgente gerar espaços que facilitem reabrir as vias da interioridade, possibilitar o retorno à “morada interior”, onde é gestada a nossa identidade e as nossas opções mais sólidas.
Precisamos, sob a ação da Graça, destravar nossa “morada viva e sempre inédita”, de tal maneira que dali brote a novidade que tudo renova e dá sentido à nossa existência.

Texto bíblico:  Jo 14,1-12

Na oração: Existe uma crise de moradia muito mais grave que a falta de casas: é a escassez de pessoas interiormente acolhedo-ras e disponíveis para seus irmãos.
Casa: lugar do lava-pés, do mandamento novo; lugar da Ressurreição e Pentecostes.
           Lugar do encontro com o Senhor; Ele vem. Sua presença causa mudança.
           Deixe ressoar a voz do Senhor: “Eu quero, em tua casa, celebrar a Minha Ceia!”.
Como me sinto em minha casa? Preciso abri-la, arejá-la? Modificá-la? Iluminá-la? É acolhedora? Humanizadora?...

Pe. Adroaldo Palaoro sj



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ITABUNA CENTENÁRIA DIA DAS MÃES 2017: MÃE DO BELO AMOR - Pe. João Otávio Martins

Mãe do Belo Amor


Nossa Senhora do Perpétuo Socorro é o título conferido a Maria, Mãe de Jesus, representada em um ícone de estilo Bizantino venerado desde 1865 em Roma, na Igreja de Santo Afonso, dos Missionários Redentoristas.

Vindo da Ilha de Creta, passando pela Igreja de São Mateus, em Roma, durante trezentos anos este ícone foi venerado e reconhecido pelos sinais prodigiosos operados pela fé de muitos devotos da Mãe do Belo Amor, nosso Perpétuo Socorro. Esta devoção se expandiu graças ao trabalho dos Redentoristas que, desde 19 de janeiro de 1866, a pedido do Papa Pio IX, espalham por todas as paróquias e santuários onde atuam, esta importante devoção.

Santo Afonso escreveu um tratado completo sobre o papel de Maria no plano da salvação chamado: “As Glórias de Maria”. Dizia que Maria, por ser tão amada por Deus e corresponder plenamente ao Seu amor, se tornou novo modelo perfeito de vida cristã. Segundo a biografia de Afonso, a devoção a Maria vem desde a sua infância. A ela dedicou sua vida, seu amor e uma grande obra para que pudéssemos, como ele, venerá-la com a mesma intensidade.

Dizia Santo Afonso: “Maria, a cheia de Graça que adianta as nossas orações, ampara-nos nas aflições, protege-nos e dá-nos santas inspirações para vivermos profundamente a caridade. Mais ainda, ela anima e fortalece nos momentos mais difíceis. É fiel defensora dos seus filhos”.

No Brasil, temos diversos santuários onde existem novenas, um estilo popular de rezar e cantar a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, invocando as suas bênçãos pelos objetos, pela água, pelos enfermos e por todas as necessidades das pessoas.

Em Campinas, Goiânia (GO), na tradicional “Campininhas” onde chegaram os primeiros Missionários Redentoristas vindos da Alemanha, cresce cada vez mais esta devoção. A cada terça-feira, se deslocam milhares de fiéis de Goiânia e arredores para agradecerem graças alcançadas e pedirem benefícios em oração e súplica a Mãe de Deus e nossa mãe.

Hoje, a Matriz e Santuário de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro de Campinas é um grande centro de devoção onde todos os devotos visitam, rezam e buscam alcançar as graças necessárias. Nas suas angústias, sofrimentos, alegrias e tantas necessidades querem se aproximar do seu Filho Jesus, o Redentor do mundo onde encontramos a salvação e a vida plena.

Somos agradecidos a Deus por termos no Centro-Oeste um santuário que acolhe os devotos de Maria, em seu Perpétuo Socorro. Ao mesmo tempo, pedimos ao Divino Pai Eterno as graças necessárias para que o mesmo seja conhecido a todos os povos do Brasil e do mundo, oferecendo cada vez mais, melhores condições para acolher bem a todos que vão para rezar, agradecer, pedir e contemplar em Maria o Perpétuo Socorro, recebendo pela fé e oração todos os benefícios pedidos.

Rezemos com Santo Afonso: “Toda sois formosa e em vós não há mancha. Ó Mãe puríssima, toda cândida, toda bela, sempre amiga de Deus! Dulcíssima, amabilíssima, imaculada Maria. Sois tão bela aos olhos do Senhor. Olhai-me e compadecei-vos de mim e curai-me. Oh belo imã dos corações, atraí para vós, também, este meu coração. Tende piedade de mim e rogai a meu favor. Amém!” Que a Mãe do Belo Amor, Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, abençoe a todos!


Pe. João Otávio Martins, C.Ss.R.
Missionário Redentorista


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Pe. João Otávio Martins, C.Ss.R. 


Natural de Lagoa Formosa (MG), nasceu em 19 de abril de 1951. Seus pais tiveram 13 filhos e chegaram a Goiás no início da década de 1960 para viver na cidade de Morro Agudo. Foi lá que João Otávio conheceu os Redentoristas. Ingressou no Seminário São José, na Vila Aurora, em 1974, e neste tempo conheceu a Matriz de Campinas, onde atuou pastoralmente na equipe da missa das 10 da manhã de domingo.

Estudou no antigo Colégio Paulo VI e também no Colégio Estadual Castelo Branco. Depois mudou-se para Tietê (SP), onde fez o ensino médio. De volta a Goiânia, cursou a filosofia na primeira turma do Instituto de Filosofia e Teologia de Goiás. Fez o noviciado na antiga Fazenda Arrozal, perto de Trindade, e após os votos residiu no antigo Convento dos Redentoristas, hoje Centro Cultural Gustav Ritter. Neste período em que cursou teologia, trabalhou como escriturário em uma agência bancária em Campinas, e também como vendedor de livros.

Foi ordenado presbítero em 1987, em Morro Agudo, e iniciou então uma caminhada de intensa pastoral: de 1988 a 1990, em Parauabebas (PA); de 1991 a 1996, na Paróquia Nossa Senhora da Guia, no Parque dos Buritis, entre Goiânia e Trindade; de 1997 a 1999, na Paróquia Nossa Senhora Aparecida, em São Sebastião (DF); em 2000 e 2001, como formador dos seminaristas na Nova Vila, e pároco da Paróquia Nossa Senhora da Abadia, em Itauçu; de 2002 a 2003, na Paróquia Santo Afonso, em São Sebastião (DF), e em seguida, na zona rural de Brasília, na Paróquia São Paulo, entre 2004 e 2006.

Padre João Otávio também atuou, de 2007 a 2008, na Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, no Lago Sul (DF). Em 2009 foi transferido para Goiânia, onde colaborou na Paróquia Nossa Senhora de Lourdes, da Nova Vila. No ano seguinte, assumiu a Paróquia da Vila Brasília, em Aparecida de Goiânia, onde foi pároco entre 2010 e 2013. Em 2014, foi pároco da Paróquia São Sebastião, em Nova Xavantina (MT). Desde 2015, é pároco da Paróquia Nossa Senhora da Conceição e reitor do Santuário-Basílica Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Goiânia. Foi o responsável pela coordenação do projeto de instalação da Basílica Menor.


Em meio a tantas atividades pastorais, padre João Otávio também realizou estudos acadêmicos. Cursou Ciências Sociais na Universidade Federal de Goiás, e fez pós-graduação em Filosofia na Universidade Católica de Brasília (UCB). Concluiu o mestrado em Ciências da Religião pela PUC/Goiás, no trabalho que resultou no livro “Pesquisa sobre os carreiros”. Foi professor universitário por 5 anos na UCB, e por 8 anos na Fajesu, em Brasília.

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sexta-feira, 12 de maio de 2017

DIA DAS MÃES: QUANDO UM FILHO DIZ NÃO TE METAS NA MINHA VIDA...

Quando o teu (tua) filho (a) disser: pai, mãe não se metam na minha vida!

(Texto criado por um sacerdote)


Hoje que estou aprofundando meus estudos teológicos na Família, seus valores, seus princípios, suas riquezas, seus conflitos, recordo-me de uma ocasião em que escutei um jovem gritar para seu pai: Não te metas na minha vida!

Essa frase tocou-me profundamente. Tanto que, frequentemente, a  recordo e comento nas minhas conferências com pais e filhos. Se, em vez de sacerdote, tivesse optado por ser pai de família, o que diria ante essa exclamação impertinente de meu (minha) filho (a)?

Esta poderia ser a minha resposta : Filho, um momento, não sou eu que me meto na tua vida, foste tu que te meteste na minha!

Faz muitos anos, graças a Deus, e pelo amor que tua mãe e eu sentimos, chegaste às nossas vidas e ocupaste todo nosso tempo. Ainda antes de nasceres, tua mamãe sentia-se mal, não conseguia comer, tudo o que comia, vomitava. E tinha que ficar de repouso.   Tive que me dividir entre as tarefas do meu trabalho e as da casa para ajudá-la. Nos últimos meses, antes que chegasses, tua mãe não dormia e não me deixava dormir. 

Os gastos aumentaram incrivelmente, tanto que grande parte do que ganhava era gasto contigo, para pagar um bom médico que atendesse tua mamãe e a ajudasse a ter uma gravidez saudável, em medicamentos, na maternidade, em comprar-te todo um guarda-roupa etc. Tua mãe não podia ver nada de bebê, que não o quisesse para ti, compramos tudo o que podíamos, contando que tu estivesses bem e tivesses o melhor possível.

Não meter-me na tua vida?!

Chegou o dia em que nasceste: Tivemos que comprar algo para dar de recordação aos que te vieram conhecer, Tivemos que adaptar um quarto para você. Desde a primeira noite não dormimos.   A cada três horas, como se fosses um alarme de relógio, despertavas para te darmos de comer. Outras, porque te sentias mal e choravas e choravas, sem que nós soubéssemos o que fazer, pois não sabíamos o que te tinhas, até chorávamos contigo.   

Não meter-me na tua vida?!

Começaste a andar e não sei quando foi que tive que andar mais atrás de ti; se quando começaste a andar ou quando pensaste que já sabias.   Já não podia sentar-me tranquilo lendo jornal, vendo um filme ou o jogo do meu time favorito, porque quando acordavas, te perdias  da minha vista e tinha que sair atrás de ti para evitar que te machucasses.

Não meter-me na tua vida?!

Ainda me lembro do primeiro dia de aula.   Quando tive que telefonar para o serviço e dizer que não podia ir. Já que tu, na porta do colégio, não querias soltar-me a mão e entrar. Choravas e pedias-me que não fosse embora. Tive que entrar contigo na escola, e pedir à professora que me deixasse estar ao teu lado, algum tempo, na sala, para  que te fosses acostumando.   Depois de algumas semanas, já não me pedias que ficasse e até esquecias de se despedir quando saías do carro correndo para te encontrares com os teus amiguinhos.

Não meter-me na tua vida?!

Foste crescendo, já não querias que te levássemos às festas em casa de teus amiguinhos, pedias-nos que parássemos numa rua antes de te deixarmos e que te fôssemos buscar numa rua depois. Porque já eras  top, não querias chegar cedo em casa. Incomodava-te que te impuséssemos regras. Não podíamos fazer comentários sobre os teus amigos, sem que te voltasses contra nós, como se os conhecesses a eles toda a tua vida e nós fôssemos uns perfeitos desconhecidos para ti.

Não meter-me na tua vida?!

Cada vez sei menos de ti por ti mesmo, sei mais pelo que ouço dos demais. Já quase não queres falar comigo, dizes que apenas sei reclamar, e tudo o que faço está mal, ou é razão para que te rias de mim, pergunto: como, com esses defeitos, pude dar-te o que até agora tens tido?  Tua mãe passa noites em claro e, consequentemente, não me deixa dormir dizendo-me que ainda não chegaste e que já é madrugada, que o teu celular está desligado, que já são 3h e não chegas.   Até que, por fim, podemos dormir quando acabas de chegar.   

Não meter-me na tua vida?!

Já quase não falamos, não me contas as tuas coisas, aborrece-te falar com velhos que não entendem o mundo de hoje.   Agora só me procuras quando tens que pagar algo ou necessitas de dinheiro para a universidade, ou para se divertir. Ou pior ainda, procuro-te eu, quando tenho que chamar-te a  atenção.

Não meter-me na tua vida?!

Mas estou seguro que diante destas palavras: não te metas na minha vida, podemos responder juntos: filho (a), não me meto na tua vida, pois foste tu que te meteste na minha. te asseguro que desde o primeiro dia até o dia de hoje, não me arrependo que te  tenhas metido nela e a tenhas transformado para sempre!

Enquanto for vivo, vou meter-me na tua vida, assim como tu te meteste na minha, para ajudar-te, para formar-te, para amar-te e para fazer de ti um homem ou uma mulher de bem!

Só os pais que sabem meter-se na vida de seus filhos conseguem fazer deles, homens e mulheres que triunfam na vida e são capazes de amar!

Pais: muito obrigado!   Por se meterem na vida dos seus filhos. Ah, melhor ainda, corrijo, por terem deixado que os seus filhos se metam nas suas vidas!

E para vocês filhos:   Valorizem seus pais. Não são  perfeitos, mas amam vocês e tudo o que desejam é que vocês sejam  capazes de enfrentar a vida e triunfar como homens de bem!

A vida dá muitas voltas, e, em menos tempo do que vocês imaginam alguém lhes dirá: “NÃO TE METAS NA MINHA VIDA!” A  paternidade não é um capricho ou um acidente, é um dom de Deus, que nasce do Amor! Deus os abençoe! A todos!




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REFLEXÕES DE UM SUPOSTO COXINHA - Artur Xexéo

Reflexões de um suposto coxinha 


“Gente que dividia comigo a mesma ideologia hoje se comporta como inimiga. Um muro foi erguido para me separar desses amigos”

Ando sensível. Acho que já contei isso aqui. Choro à toa. Antes era com comercial de margarina, cenas de novela, trechos do filme. Agora, é lendo jornal. Cada notícia da Lava-Jato, de início, me enche de indignação. Em seguida, fico triste. É aí que choro. Ando tendo vontade de chorar também em discussões com amigos. Gente que tempos atrás dividia comigo a mesma ideologia hoje se comporta como inimiga. Ou sou eu o inimigo? De qualquer maneira, num mundo que derrubava muros, de repente, um muro foi erguido para me separar desses amigos. Tento explicar como vejo o trabalho de Sergio Moro e nunca consigo terminar o raciocínio. No meio da discussão, me emociono, fico com vontade de chorar e prefiro interromper o pensamento. “Coxinha”, me xingam nas redes sociais. Bem, se o mundo está obrigatoriamente dividido entre coxinhas e petralhas, não tenho como fugir: sou coxinha!

Leio na internet que “coxinha” é uma gíria paulista cujo significado se aproxima muito do ultrapassado “mauricinho”. Mas, desde a reeleição de Dilma, esse conceito se ampliou. Serviu para definir de forma pejorativa os eleitores de Aécio Neves. Seriam todos arrumadinhos, malhadinhos, riquinhos e votavam em seu modelo. Isso não tem nada a ver comigo. Mas, nesta briga de agora, estou do lado que é contra Lula, logo sou contra os petralhas, logo sou coxinha.

Gostaria de falar em nome da democracia. Mas não posso. A democracia agora é direito exclusivo dos meus amigos que estão do outro lado do muro. Só eles podem falar em nome dela. Então, como coxinha assumido, deixo uma pergunta. Vocês acharam muito normal o ex-presidente Lula incentivar os sindicalistas para os quais discursou esta semana a irem mostrar ao juiz Sergio Moro o mal que a Operação Lava-Jato faz à economia brasileira? Vocês acreditam sinceramente nisso? O que a Operação Lava-Jato faz? Caça corruptos pelo país. Não importa se são pobres ou ricos. Não importa se são poderosos. Não era isso o que todos queríamos, quando estávamos todos do mesmo lado, quando ainda não havia um muro nos separando, e fomos às ruas pedir Diretas Já? Não era no que pensávamos quando voltamos às ruas para gritar Fora Collor? E, principalmente, não era nisso que acreditávamos quando votamos em Lula para presidente uma, duas, três, quatro, cinco vezes!!! Não era o Lula quem ia acabar com a corrupção? Ele deixou essa tarefa pro Sergio Moro porque quis.

Como, do lado de cá do muro, me decepcionei com o ex-líder operário, o lado de lá deu pra dizer que sou de direita. Se for verdade, está aí mais um motivo para eu estar com raiva de Lula. Foi ele quem me levou pra direita. Confesso que tenho dificuldades de discutir com qualquer petralha que não se irrita quando Lula diz se identificar com quem faz compras na Rua 25 de Março. Vem cá, já faz tempo que os ternos de Lula são feitos pelo estilista Ricardo Almeida. Será que Ricardo Almeida abriu uma lojinha na rua de comércio popular de São Paulo? Por mim, Lula pode se vestir com o estilista que quiser. Mas ele tem que admitir que o discurso da 25 de Março ficou fora do contexto. A gente não era contra discursos demagógicos? O que mudou?

Meus amigos petralhas dizem que é muito perigoso tornar Sergio Moro um herói. Que o Brasil não precisa de um salvador da pátria. Mas, vem cá, não foi como salvador da pátria que Lula foi convocado para voltar ao governo? Não é ele mesmo quem diz que é “a única pessoa” que pode incendiar este país? Não é ele mesmo quem diz que é a “única pessoa” que pode dar um jeito “nesses meninos” do Ministério Público? Será que o verdadeiro perigo não está do outro lado do muro? Não é lá que estão forjando um salvador da pátria?

Há muitas décadas ouço falar que as empreiteiras brasileiras participam de corrupção. Nunca foi provado. Agora, chegou um juiz do Paraná, que investigava as práticas de malfeito de um doleiro local, e, no desenrolar das investigações, botou na cadeia alguns dos homens mais poderosos do país. Enfim, apareceu alguém que levou a sério a tarefa de desvendar a corrupção que há muitos governos atrapalha o desenvolvimento do país. E, justo agora, quando a gente está chegando ao Brasil que sempre desejamos, Lula e seus soldados querem limites para a investigação. Pensando bem, rejeito a acusação de ser coxinha, rejeito ser enquadrado na direita, rejeito o xingamento de antidemocrata, só porque apoio o juiz Sergio Moro e a Operação Lava-Jato. Coxinha é o Lula que se veste com Ricardo Almeida e mantém uma adega de razoáveis proporções no sítio de Atibaia. E, para encerrar, roubo dos petralhas sua palavra de ordem: sinto muito, mas não vai ter golpe. Sergio Moro vai ficar.


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Artur Xexéo - Rapaz tímido, crescido no interior, Artur Xexéo se tornou jornalista por acaso. Bom com números, primeiro quis ser engenheiro, mas trocou o curso pela Comunicação Social porque era “fácil de entrar e rápido para concluir”. O que ele não esperava era que iria se encantar pelo jornalismo e superar o medo de falar em público. Uma etapa necessária para que se tornasse um dos principais colunistas de cultura do Brasil.
Xexéo começou no Jornal do Brasil e passou pelas redações dos maiores periódicos do Rio de Janeiro. Como colunista, seu texto crítico versa sobre cultura, política e comportamento. Ele confessa ter se inspirado no estilo de Stanislaw Ponte Preta (heterônimo de Sérgio Porto, quando escrevia no jornal Última Hora), autor que, segundo ele, “tinha muito do universo da televisão, do show business, comportamento político”. Nos últimos anos, o jornalista inaugurou uma nova fase na carreira ao se tornar comentarista de cultura da GloboNews. A boa aceitação do público o alçou ao posto de crítico de cinema durante a transmissão do Oscar na Globo.

(http://memoriaglobo.globo.com)

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