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terça-feira, 10 de janeiro de 2017

2016 - José Murilo de Carvalho

2016


Em nossa história política, o ano de 2016 ficará provavelmente conhecido pelo impedimento da presidente da República, embora troca de presidentes fora do calendário eleitoral não seja novidade entre nós.

Baste lembrar que em 86 anos, de 1930 até hoje, apenas quatro presidentes eleitos pelo povo completaram seus mandatos: Eurico Gaspar Dutra, Juscelino Kubitschek, Fernando Henrique Cardoso e Lula.

Isso quer dizer que nossa República pós-1930, passadas duas ditaduras e 26 anos de governo democrático, continua incapaz de rotini-zar a troca de governantes.

Embora parte de longa tradição, o impedimento havido neste ano teve marca própria, como todo evento histórico. Por lei, impedimento é julgamento político feito pelo Legislativo.
Fernando Collor não dispunha de apoio no Congresso nem nas ruas: sua remoção foi tranquila. Por contarem com esse apoio, escaparam do impedimento Fernando Henrique e Lula.

No corrente ano, a chefe de Estado, graças à inabilidade política, a diretrizes econômicas desastradas e à revelação das relações espúrias entre políticos, partidos e grandes empreiteiras, perdeu o apoio do Congresso e viu ruas e redes levantarem-se contra ela. A consequência foi a perda da batalha do impedimento. A diferença em relação a Collor foi que desta vez o país se dividiu e restou um legado de ressentimento e ódio.

O novo governo herdou a ingrata tarefa de enfrentar a maior crise econômica já vivida pelo país. De início, ele foi visto com moderado otimismo por contar com base parlamentar suficiente para fazer aprovar reformas impopulares exigidas para o reequilíbrio das contas públicas.

Mas o presidente logo se viu forçado a enfrentar a reação das ruas às reformas e, sobretudo, o enfraquecimento de sua base pela artilharia da Lava Jato. Seu próprio mandato passou a ser colocado em dúvida, agravando-se o estado de incerteza em que vive o país.

O ano termina com pesado passivo político: incerteza sobre a continuidade do mandato do chefe de Estado; a devastação causada pela Lava Jato nas lideranças políticas; a crise da esquerda e o consequente reforço do enraizado conservadorismo brasileiro evidenciado nas eleições municipais; a redução da confiabilidade em políticos, partidos, instituições e no próprio sistema representativo vigente; e a demonstração de que, 31 anos após a redemocratização, nossas instituições continuam frágeis e nosso sistema representativo é incapaz de processar os conflitos de interesses inerentes a uma sociedade escandalosamente desigual.

Essas dificuldades políticas, por sua vez, têm dificultado a implementação de iniciativas que reponham a economia na rota do crescimento, condição indispensável para reduzir os 12 milhões de desempregados e retomar as políticas sociais. 
De positivo, deve-se apontar a democratização da justiça.
Descontados excessos nas investigações, há que reconhecer que, levando-se também em conta o julgamento do mensalão, pela primeira vez na história do país ricos e poderosos foram, e continuam indo, para a cadeia, indicador de grande avanço Renata Miwa republicano.

Também, frente à desmoralização do Legislativo e do Executivo, o Judiciário, o Ministério Público e a Polícia Federal têm agido em consonância com o grosso da opinião pública. A Corte Suprema caminhava também nessa direção, acumulando credibilidade, até que aceitou um arreglo desmoralizante forçado pela arrogância do presidente do Senado, um réu que ela própria terá que julgar.

Ainda no lado positivo, tendo em vista nossa tradição, há que registrar o silêncio das Forças Armadas. Caberá só aos cidadãos continuar a batalha, já por demais longa, e talvez já perdida, por uma república democrática estável e eficaz. Os mais pessimistas podem ouvir neste fim de ano o "Nearer, my God, to Thee", tocado pelos violinistas enquanto o Titanic se afundava.

Folha de S. Paulo, 18/12/2016




José Murilo de Carvalho - Sexto ocupante da Cadeira nº 5 da ABL, eleito em 11 de março de 2004, na sucessão de Rachel de Queiroz e recebido em 10 de setembro de 2004 pelo acadêmico Affonso Arinos de Mello Franco.

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domingo, 1 de janeiro de 2017

2016: O ANO DO DESPERTAR DOS “OTÁRIOS”

31 de dezembro de 2016
Último dia de 2016, um ano que muitos querem ver para trás, de preferência esquecido. A maioria formada por gente de esquerda. É claro que a aguda crise econômica brasileira, com seus 12 milhões de desempregados nas costas, impede uma comemoração muito grande deste ano que se encerra. Fruto das incríveis trapalhadas ideológicas, da incompetência e da infindável corrupção do PT, a crise serviu como um banho de água fria – ou melhor: gelada -, durante os 365 dias corridos do ano. Mas há, sim, muito o que celebrar, apesar disso.

A começar pela própria reação da esquerda. Quanto mais jurássica essa esquerda, maior o pânico que demonstra publicamente. Foi um annus horribilis para essa turma, o que já prova que não pode ter sido de todo ruim para seres decentes e pensantes. Se o PT, o PSOL, o PCdoB, a UNE, a CUT, o MST, os socialistas em geral e os “jornalistas” da GloboNews estão em prantos, então coisas boas devem ter acontecido. E, de fato, aconteceram.

O Brexit tem sido lamentado por muitos que, da noite para o dia, tornaram-se defensores da globalização. É claro que não defendem a globalização liberal coisa alguma, e sim uma visão globalista do mundo, ou seja, mercados cada vez mais controlados pelos estados, de preferência caminhando na direção de um estado global, com George Soros nos bastidores puxando os fios como de uma marionete.

A vitória de Trump foi outro marco desse mesmo fenômeno: a elite aprisionada na bolha não entendeu até agora o grito de protesto dos americanos, que não foram contra a globalização em si, mas contra o establishment “progressista”. E essa vitória expôs todas as mentiras da grande imprensa, seu viés, sua torcida, tudo disfarçado de jornalismo isento. Tiveram que criar esse papo de “pós-verdade” só para esconder a perda do monopólio da mentira. Momentos divertidos, portanto, ver a choradeira dessa patota ridícula.

O acordo de “paz” com os terroristas das Farc sendo rejeitado pela população foi outro acontecimento positivo e hilário em 2016. Os “especialistas” tendo que engolir que o “homem comum” não considera inteligente negociar a “paz” se ela significar se curvar de costas diante de marginais foi algo sensacional.

Mas tivemos, claro, as tragédias na Síria, as com maior destaque, a Venezuela implodindo de vez, e a continuação de problemas graves pelo mundo todo, na maioria dos casos um resultado de políticas defendidas pela esquerda, como o socialismo, o multiculturalismo, o desarmamento de civis, o estado controlador etc. O mundo, definitivamente, não é um parque de diversões infantil onde a retórica pomposa impera sobre a natureza humana, como os “progressistas” gostam de acreditar.

E, voltando ao Brasil, tivemos o impeachment de Dilma Rousseff, a pior presidente de toda a nossa história, uma figura abjeta que inacreditavelmente chegou ao poder, em tempos de profundo sonambulismo dos eleitores. Como não aplaudir um ano em que alguém como Dilma é enxotada do poder, com o massacre do PT se seguindo nas urnas? “Só isso” já é motivo para festejar com a melhor champanhe que seu bolso for capaz de comprar.

Mas não foi “só isso”. O governo Temer, justiça seja feita, iniciou um processo de reformas necessárias, que tinham sido completamente abandonadas pelo PT. Colocou gente séria na economia e no comando de estatais, comprou briga com os sindicatos para flexibilizar as leis trabalhistas obsoletas, aprovou a PEC do Teto para limitar gastos públicos, e pretende até desarmar o esquema da UNE e do PCdoB na emissão de carteiras de estudante. Pode estar aquém do que desejamos e precisamos, mas o governo Temer fez mais em poucos dias do que o PT em quase 14 anos, o que nem é tão difícil, uma vez que o PT só fez cagada e destruiu o país.

E a Folha, hoje, publica dois artigos antagônicos justamente sobre uma retrospectiva de 2016, o favorável assinado por Janaina Paschoal, e o desfavorável por José Eduardo Cardozo. Uma mulher de garra que ajudou na luta pelo impeachment, e o petista que fez de tudo para defender o indefensável. Como ainda ter dúvidas de qual lado tomar? Janaina, inclusive, chegou a mencionar Ayn Rand em seu texto:

Descrição: http://ssum.casalemedia.com/usermatchredir?s=183697&cb=http%3a%2f%2fdis.criteo.com%2frex%2fmatch.aspx%3fc%3d24%26uid%3d%25%25USER_ID%25%25Além de quebrar o círculo vicioso e o verdadeiro compadrio que existia, o processo de impeachment permitiu a conscientização acerca da importância da responsabilidade fiscal. Não foi por coincidência que, em outras esferas de poder, os órgãos de controle passaram a funcionar com maior severidade -basta olhar o número de procedimentos e até de prisões a alcançar governadores, ex-governadores, prefeitos e ex-prefeitos.

O descortinar dos ajustes estabelecidos entre governo e empreiteiras, inclusive com remessa de bilhões de dólares ao exterior, salvo entre os crentes do petismo, deitou por terra a falácia de que Lula e Dilma seriam perseguidos políticos. Se antes eram vistos como pais dos pobres, ficou claro terem sido mães para os ricos.
[…]

Nota-se que, ao mesmo tempo em que deixa de aceitar a corrupção institucionalizada, o povo brasileiro passa a questionar benesses incompatíveis com repúblicas muito mais ricas que o Brasil. Em suma, não vamos ficar calados nem diante das ilegalidades nem frente às imoralidades.

Sempre foi muito cômodo aos poderosos fazer menção ao nosso povo como cordato e conciliador, pois o cordial costuma ser submisso.

Diversamente do alardeado, 2016 não foi o ano perdido. O cidadão comum, ainda que assustado com a lama que eclodiu, voltou a acreditar que é possível tomar as rédeas do destino do país.

Parafraseando a escritora Ayn Rand em seu clássico “A Revolta de Atlas”, penso que 2016 foi o ano da revolta dos otários, aqueles que trabalham para pagar os tributos, até então, sem direito a opinar.

Um povo maduro enxerga sua realidade, por pior que seja, a fim de transformá-la. Este foi o ano de diagnosticar a difícil realidade; 2017 pode ser o da transformação.

Desejo a todos um ano novo com os pés no chão e os olhos bem abertos! A meta é impedir que volte a imperar o silêncio da cumplicidade. Nos corações, que reine a tranquilidade de que é certo fazer o certo.

Sim, concordo com ela: foi ano da revolta dos “otários”, aqueles que a esquerda enxerga como mascotes ou vacas leiteiras. Cansamos dessa elite podre mancomunada com o governo, desses “intelectuais” que defendem o socialismo, dos artistas engajados que só querem mamar nas tetas estatais, dos empresários incompetentes que só pensam em privilégios. Um ano que colocou essa turma toda na berlinda, que deu um baita calor nessa gente, não pode ter sido um ano ruim.

Um ano de derrotas para Obama, Hillary, Lula, Dilma, Farc, Soros e companhia, só pode ser um ano positivo. Um ano em que o maior tirano da América Latina finalmente bateu as botas e foi assombrar o Capeta no inferno só pode ser um ano positivo. Claro, morreu muita gente boa também, como ocorre todo ano. É da vida. Mas há muita coisa a ser celebrada nesse 2016 que termina hoje.

E que 2017 seja ainda melhor, com mais derrotas para a esquerda, com mais despertar dos “otários”.

Do meu lado, só posso agradecer pela confiança dos leitores, visível nos números. Fecho 2016 com 160 mil seguidores no Facebook, quase 90 mil seguidores no Twitter, mais de 50 mil curtidas em minha fan page, quase 40 mil inscritos no meu canal do YouTube, uma média de 70 mil visualizações diárias em meu blog, quase 80 mil curtidas na página do Instituto Liberal, e centenas de pessoas consumindo meus cursos na Kátedra.

Ou seja, enquanto o Brasil ainda afunda pela visão ideológica equivocada, sigo fazendo meu trabalho com alcance cada vez maior, mostrando a mais gente as causas desse nosso fracasso. E pretendo acelerar o ritmo em 2017, pois o Brasil tem pressa!

Rodrigo Constantino


SOBRE /  RODRIGO CONSTANTINO

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.




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