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terça-feira, 28 de dezembro de 2021

SEISCENTOS E SESSENTA E SEIS - Mário Quintana



Seiscentos e Sessenta e Seis

Mário Quintana

 

A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são 6 horas: há tempo…
Quando se vê, já é 6ª-feira…
Quando se vê, passaram 60 anos…
Agora, é tarde demais para ser reprovado…
E se me dessem – um dia – uma outra oportunidade,
eu nem olhava o relógio
seguia sempre, sempre em frente…

E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas.

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Mário Quintana

Poeta

Mário de Miranda Quintana foi um poeta, tradutor e jornalista brasileiro. Mário Quintana fez as primeiras letras em sua cidade natal, mudando-se em 1919 para Porto Alegre, onde estudou no Colégio Militar, publicando ali suas primeiras produções literárias. Trabalhou para a Editora Globo e depois na farmácia paterna. Wikipédia

Nascimento: 30 de julho de 1906, 

Falecimento: 5 de maio de 1994

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segunda-feira, 27 de dezembro de 2021

CRÔNICA DE SÔNIA MARON – Cyro de Mattos

 


Crônica de Sônia Maron 

Cyro de Mattos

 

Nunca vou dedicar um texto ou livro meu a quem andou comigo na jornada da vida. Não vou dedicar à Sônia Maron, inserindo abaixo do título o registro “de saudosa memória”. Recuso-me à submissão da homenagem com essa feição de saudade e afeto, memória e luto.  Simplesmente prefiro fazer assim: dedico à amiga Sônia, que sempre estará comigo. Fazendo parte de mim, não se desligará até quando chegar minha hora nessa verdade que pesa em cada um de nós. 

O que tenho a dizer diante do inexorável, nessa hora que fere, dói, como dói? Viver é morrer o presente, houve quem dissesse. Lembro que ela brincava na matiné do carnaval infantil, animada no clube social.  Dava voltas no salão, cantando:

 

Chiquita bacana

Lá da Martinica

Se veste de uma casca

De banana nanica.

Não usa vestido,

Não usa maiô,

Inverno pra ela

É pleno verão,

Existencialista

Só faz o que manda

O seu coração.

 

Jogava confete, serpentina, cantava, não parava, seguia alegre dando volta no salão.

Era nossa infância como parte do encanto, igual à liberdade caminhava de mãos dadas com a inocência, a ternura e a esperança. Em noite clara, as meninas brincavam de ciranda na rua. Os meninos escutavam no passeio.

 

Ciranda, cirandinha

Vamos todos cirandar,

Vamos dar a meia volta,

A meia volta vamos dar

 

Prefiro lembrar a garota mais bonita de nossa juventude. Foi rainha dos estudantes, da primavera, da cidade. Foi rainha de tudo. Quando passava, arrancava suspiros dos rapazes com a pose de galã fatal. Já moça, nos bailes noturnos esbanjava alegria no carnaval do Grapiúna Tênis Clube. Às vezes romântica, no salão triste seguia, triste cantava.

 

Eu perguntei ao malmequer

Se meu bem ainda me quer

Ele então me respondeu que não.

 Chorei, sofri, por saber que ele

Feriu o meu pobre coração.

 

Foi madrinha do time de futebol do Itabuna quando o Vasco da Gama do Rio veio jogar no Campo da Desportiva. Entregou um buquê de flores ao chefe da delegação dos visitantes. Uma flâmula da cidade ao capitão Belini do Vasco, que há pouco tempo tinha se sagrado campeão mundial de futebol pelo Brasil, nos campos da Suécia, ao lado de Garrincha, Didi, Vavá, Zagalo, Nilton Santos e outros craques. Fez um discurso improvisado, as palavras incandescentes, as imagens certeiras. Arrancou palmas de todos.

Um dia aconteceu como Juíza de Direito. Ficou assim para sempre no exercício eficaz da função. Atuava na Justiça criminal, gostava de presidir as sessões do Tribunal do Júri. Dizia: façam silêncio, se não vão sair do recinto. Estamos julgando duas paixões numa tragédia, a dos familiares do réu e a dos parentes da vítima, que teve a vida ceifada por motivo doloso.

Por mais que queira explicar o inexorável, nessa hora sob o peso do mistério, não consigo chegar perto, cambaleio.  Oi, Sônia, minha conterrânea, como eu e outros abnegados, gente sonhadora desta terra, foste fundadora da Academia de Letras de Itabuna. Com esforço, alma e vida fizemos o parto. Tenha cuidado agora, não se perca. Embora seja a hora escura, calada e fria, haverá na estrada a mão de Deus que guia.

 

Cyro de Mattos - escritor e poeta. Primeiro Doutor Honoris Causa pela Universidade Estadual de Santa Cruz. Membro efetivo da Academia de Letras da Bahia, Pen Clube do Brasil, Academia de Letras de Ilhéus e Academia de Letras de Itabuna. Autor premiado no Brasil, Portugal, Itália e México.

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domingo, 26 de dezembro de 2021

BOA PAZ COM BOA GUERRA, QUANDO NECESSÁRIA



A verdadeira paz não é a paz que reina nos cemitérios, onde não há vida. Só há boa paz em função de Deus e para tal é preciso estar preparado para a boa guerra, que consiste na batalha em Sua defesa; é preciso lutar pela paz. Nesse sentido seguem alguns pensamentos para refletirmos neste final de ano.

 


“QUERER PAZ SEM DEUS É ABSURDO. ONDE NÃO HÁ DEUS, NÃO HÁ JUSTIÇA. ONDE NÃO HÁ JUSTIÇA, EM VÃO NUTRE-SE A ESPERANÇA DE PAZ.” 
(São Pio X) 


“LEMBRA-TE QUE NESTE MUNDO NÃO TEMOS TEMPO DE PAZ, MAS DE CONTÍNUA GUERRA. TEREMOS UM DIA A VERDADEIRA PAZ, SE COMBATERMOS NA TERRA.” 
(São João Bosco) 


“A PAZ DE NOSSO SENHOR SÓ SE CONQUISTA NA GUERRA.” 
(Santa Joana D’arc) 


“NÃO HÁ PAZ PARA OS MAUS.” 
(Isaías 48, 22) 


“DEIXO-VOS A PAZ, DOU-VOS A MINHA PAZ. NÃO VO-LA DOU COMO O MUNDO A DÁ. NÃO SE PERTURBE O VOSSO CORAÇÃO, NEM SE ATEMORIZE.” 

(São João, 14, 27) 


“ESTAR PREPARADO PARA A GUERRA É UM DOS MEIOS MAIS EFICAZES DE PRESERVAR A PAZ.” 
(George Washington) 


“EM ÉPOCA DE PAZ OS FILHOS ENTERRAM OS PAIS, ENQUANTO EM ÉPOCAS DE GUERRA SÃO OS PAIS QUE ENTERRAM OS FILHOS.” 
(Heródoto) 


“O PRINCIPAL OBJETIVO DA GUERRA É A PAZ.” 
(Sun Tzu)

 

https://www.abim.inf.br/boa-paz-com-boa-guerra-quando-necessaria/

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quinta-feira, 23 de dezembro de 2021

MISSÃO DE ENSINAR, GUIAR E SANTIFICAR – Pe. David Francisquini


“Jesus Cristo entrega as chaves dos Céus a Pedro”, Perugino (1450-1523).

Padre David Francisquini*

 

Nada mais consentâneo com a condição sacerdotal do que fazer uso da autoridade divina das verdades reveladas para cumprir a missão de ensinar, guiar e santificar as almas neste vale de lágrimas.

Com efeito, a crise espiritual que assola o homem pós-moderno — qualificativo utilizado para causar expectativa de “bons fluidos” — é a fonte de tantos males. O ensinamento dos santos ao longo dos séculos consistiu em advertir e instruir os fiéis a propósito da falta de vida interior e de ocupação com tudo aquilo que norteia as almas, a fim de conduzi-las ao seu fim último, que é Deus.

A disposição dos evangelhos, abrindo e fechando o ano litúrgico, nos mostra a importância desses ensinamentos: “Vigiai e orai para não cairdes em tentação” (Mt 26, 41), para o qual as pessoas devem se ater sempre, já que a insistência do inimigo infernal é contínua e implacável contra uma pessoa e mesmo povos inteiros.

Não é bem isto que vem acontecendo hoje, em todos os ambientes frequentados por nós? Não é verdade que com suas artimanhas envolventes os asseclas infernais dispersos pela Terra procuram levar-nos para o abismo, ora por meio de ideologias, ora por manobras políticas ou falsas religiosidades? Fica, portanto, a advertência: “Vigiai e orai”!

Eis as maravilhosas afirmações da Escritura, sustentáculo da nossa fé, a nos asseverar com as palavras de São Paulo: “Toda Escritura divinamente inspirada é útil para ensinar, repreender, corrigir, formar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito, apto para toda boa obra” (II Tim. 3, 16-17).

Ademais, é-nos imensamente vantajoso deixar-nos conduzir por Aquele que é o caminho, a verdade e a vida: “[…] andai enquanto tendes luz, para que não vos surpreendam as trevas; quem caminha nas trevas não sabe aonde vai. Enquanto tendes luz, crede na luz para que sejais filhos da luz” (Jo 12. 35-36).

Reflita, caro leitor(a), quão benfazejas são essas palavras nesses dias de tanta perplexidade diante das crises que nos assolam, a fim de estabelecermos as balizas do pensamento e o critério de nosso peregrinar pela terra. Podemos ver, tanto no evangelho de São Mateus, quanto no de São Lucas, a narração do último domingo do ano litúrgico, dos acontecimentos que se abateram sobre Jerusalém, como prefigura de todas as épocas de crise.

Pode-se constatar que, de crise em crise, a Igreja instituída por Cristo Nosso Senhor chegou aos tempos atuais. Foram muitas e clamorosas tentativas de subverter sua ordem e ensinamentos no decorrer das centúrias, mas a Santa Igreja preservou e ensinou seus filhos, ministrando-lhes os sacramentos e mostrando-lhes os caminhos da salvação eterna. 

No Ofício Divino, São Jerônimo comenta as palavras do evangelho, dizendo: “Quando virdes a abominação da desolação no lugar santo predita pelo profeta Daniel, quem ler entenda. ”Estas palavras se referem ao transtorno da fé que abalou os fundamentos do povo judeu, abolindo o sacrifício e a oblação, deixando o templo desolado por ter perdido a sua função.

Compreende-se, portanto, por que Pilatos colocou no Templo as estátuas de César e de Adriano. Segundo a Escritura, a abominação é chamada de ídolo, e a desolação é por ele ter sido posto no templo desolado e deserto.

Alguém ousaria contestar a semelhança com fatos do nosso cotidiano? Não é bem verdade que assistimos hoje à introdução de ídolos e a realização de cultos idolátricos no interior das nossas igrejas? 

A história recente nos traz à memória, por exemplo, o encontro interreligioso em Assis (1986), acontecimento-símbolo da mentalidade nova que revolucionou o conceito infalível da existência de uma só religião revelada, fora da qual não há salvação. É dogma de fé!

Tem-se, então, um pecado contra a fé, com uma agravante: a introdução de ídolos pagãos, algo abominável diante de Deus, escândalo para incontáveis almas, transtorno da ordem natural e divina que proclama o culto do verdadeiro Deus. Tais acontecimentos, que significam um largo passo rumo à panreligião, constituem uma ameaça cada vez maior para inúmeros fiéis.

Essas considerações devem nos fazer temer as consequências da vida desregrada de nossos dias, que abrange todos os campos da ação humana. Em todos eles os critérios divinos são sistematicamente rejeitados.

Meditemos, por exemplo, nesta advertência de Nosso Senhor, referindo-se aos tempos do anticristo ou prefiguras dele que agem contra Deus, promovendo a desolação em toda a terra: “Quando virdes estabelecida no lugar santo a abominação da desolação” (Mt. 24, 15).

Ao ler comentários feitos pelos Padres da Igreja, podemos adiantar-nos em outras considerações que se aplicam bem aos dias atuais, como a introdução da Pachamama no templo de Deus. São Luís Grignion de Montfort já predissera profeticamente: “Vossa divina fé é transgredida, vosso evangelho desprezado; abandonada vossa religião; torrentes de iniquidade inundam toda a terra, e arrastam até os vossos servos; a terra toda está desolada; a impiedade está sobre um trono; vosso santuário é profanado, e a abominação entrou até no lugar santo.

Aqueles que buscam viver segundo a sã Doutrina de Nosso Senhor não devem descer às coisas mais baixas pelo desejo mundano. “O que está no campo, não volte atrás para tomar o seu manto”, isto é, não volte às preocupações antigas, tornando a conviver no meio dos pecados passados, que manchavam seu corpo e perdiam sua alma.

Daí a importância da verdadeira fé, da boa orientação católica e da aquisição do senso do discernimento a fim de conhecer o momento de fugir da abominação e se proteger dos perigos de condenação eterna — “Então os habitantes da Judéia fujam para os montes” (Mt 24, 16).

Cumpre salientar que ouvimos com frequência interpretações protestantes de textos bíblicos atribuindo aos fatos trágicos, mas naturais, ou ainda da inter-relação humana, como sinais da segunda vinda do Messias, muito embora se trate de algo que sempre aconteceu na história do mundo. Estas são interpretações subjetivas.

Na realidade, quando Cristo diz que haverá sinais no sol, na lua, nas estrelas e que as virtudes dos céus serão abaladas, a interpretação mais lógica e prudente está em aplicar essas predições à própria Igreja, com o efeito benéfico de não nos expormos ao debique dos inimigos a propósito de considerações sobre calamidades tantas vezes ocorridas no mundo.

Afinal, a Igreja se assemelha ao sol, à lua e às estrelas. Seu brilho poderá fenecer um tanto, em decorrência da violência inaudita de seus perseguidores e do apodrecimento moral no campo religioso e civil, mas as portas do inferno não prevalecerão contra Ela.

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*Sacerdote da Igreja do Imaculado Coração de Maria – Cardoso Moreira (RJ).

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quarta-feira, 22 de dezembro de 2021

DOIDOS, MAS NEM TANTO - José Sarney


Algumas figuras populares são adeptas à política. O nosso Sócrates era um dos que sonhava ser eleito para qualquer coisa. Outro, na década de 1950, aqui no Maranhão, era o Paletó.

Ele dizia sempre: 'Sou o número um das Oposições Coligadas.' Eu ainda o conheci: ele não faltava a nenhuma das reuniões dos nossos partidos políticos.

O Deputado Clodomir Millet foi, durante algum tempo, o chefe da oposição. Uma hora resolveu dar uma missão ao Paletó: ir todo dia ao TRE assistir às sessões e trazer de volta o relatório do que tinha sido votado e de como havia votado cada um dos juízes.

Um dia, Paletó entrou, meio cansado e revoltado, na redação do jornal O Povo - que pertencia a Neiva Moreira, um dos nossos líderes -, onde nos reuníamos todas as tardes, e foi logo dizendo:

- Dr. Millet, não volto mais ao Tribunal. Está tudo perdido: um juiz da Oposição - como é o Desembargador Eugênio Piva - votou com o juiz do Governo!

Naquela época a política muitas vezes se tornava violenta. Quando organizamos uma passeata para protestar contra o Governo, que tinha sido acusado de estar queimando as casas dos pobres, das palafitas, cobertas de palhas, o Paletó também quis participar dela.

Neiva lhe deu uma bandeira, dizendo:

- Paletó, leve esta bandeira.

Então, o Paletó, 'membro número um da Oposição', enrolou a bandeira no pescoço, deixando uma parte caída nas costas, e foi, exaltado, à passeata, gritando palavras de protesto. Até que, chegando perto do Palácio, onde havia uma fila de soldados com metralhadoras apontando para a passeata, ele parou e disse:

- Seu Neiva Moreira, está aqui a sua bandeira. Arrume um mais doido do que eu que, daqui, não passo!

No Recife havia outro popular meio doido. Ele andava com um capote pesado, absolutamente inadequado para o clima da região. Com a barba grande, entre profeta e andarilho, acompanhava todos os movimentos da Esquerda pernambucana e gostava, para gozação da cidade, de dar conselhos ao Governador. Deram-lhe o apelido de Malenkov, o efêmero sucessor de Stalin.

Certa vez, encontrou Miguel Arraes num comício, aproximou-se dele e denunciou:

- Dr. Arraes, isso não é possível, o Delegado de Polícia de Caruaru não sabe nada de marxismo. É preciso zelar pela doutrina.

Em 1964 ele foi detido. Na prisão o inquisidor, um capitão revolucionário, ao olhá-lo, foi direto:

- Seu comunista miserável, enfim o pegamos!

olhou de lado, sacudiu a cabeça e retrucou:

- Capitão, não venha me furar. Eu sou kardecista, da linha 2 - porque existiram dois

. Comunista, jamais! Sou espiritualista.

Malenkov e Paletó não eram tão doidos quanto todos pensavam.

Os Divergentes, 19/12/2021

 

https://www.academia.org.br/artigos/doidos-mas-nem-tanto

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 José Sarney - Sexto ocupante da Cadeira nº 38 da ABL, eleito em 17 de julho de 1980, na sucessão de José Américo de Almeida e recebido em 6 de novembro de 1980 pelo Acadêmico Josué Montello. Recebeu os Acadêmicos Marcos Vinicios Vilaça e Affonso Arinos de Mello Franco.

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PESARES DE SÔNIA MARON – Cyro de Mattos

            Imagem: DiarioBahia


Pesares de Sônia Maron

Cyro de Mattos

 

Quem entende esse gesto?

O passado não tem volta.

Não se esvaem as dores

Prisioneiras do presente.

 

O vento que se aloja

nessas asas fabrica

vozes em rito de pesares,

que não se decifram.

 

Ó tempo rigoroso

no musgo desse muro,

sinto frieza no meu peito,

como fere nesse inverno.

 

Até no encanto assustas,

a flor que aparece

é a mesma que breve

no pó desaparece.

 

Imutável nesse estar

que ceifa a inocência,

a solidão de anoitecer

teu enigma que ofertas.

 

Hora que não tem cura,

Vez que não tem volta

Enquanto a noite chega

Para soterrar o dia.

 

Ó tempo quão amargo

É teu rigor nesse gesto

Que só a ti pertence,

Sufoca no meu peito. 

 

De ti em dó e lágrima,

o que dói não é o calor

que aqueceu o coração,

mas as coisas que não virão.

 


Cyro de Mattos
é escritor de contos, crônicas, romance, poemas, literatura infantojuvenil, ensaio e memorialista. Membro efetivo da Academia de Letras da Bahia. Doutor Honoris Causa da Universidade Estadual de Santa Cruz. Possui prêmios literários importantes. Também é editado no exterior.

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segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

A HISTÓRIA DO NATAL - Eglê S. Machado

 


A História do Natal

Eglê S. Machado


E Deus sorriu lá do céu,

Pois veio ao mundo em seu Filho:

Chegou pobre, sem escarcéu,

Enchendo a terra de brilho!

 

Removeu o escuro véu,

Pôs setas marcando o trilho;

"Glória in Excelsis Deo"

Anjos cantaram em estribilho!

 

E chegou trazendo a Paz,

Incrementando a bonança,

Tornando o homem capaz

De confiar na Esperança!

 

Com amor que não se esvai,

Com perfeição sem igual,

Compôs o Divino Pai

A poesia do Natal!

 

E da treva Deus fez Luz,

Que transfigura e extasia,

Com a Brandura de Jesus

E o Sorriso de Maria!

 

Eglê S. Machado

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