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quinta-feira, 11 de novembro de 2021

“OS ANOS CORRERAM A PASSAR E O MATO CRESCEU AO REDOR” – Marília Benício dos Santos


Esta é uma cantiga de roda cantada por muitas gerações.

Os anos correram a passar... E com que rapidez! Cada vez correm mais.

Quantos Natais passados, quantas recordações!

E as crianças continuam cantando a roda.

O mato cresceu ao redor... como cresceu! Com ele as ervas daninhas.

Ervas que precisam ser arrancadas para que nasçam as flores.

Surgiram também animais nocivos que destroem as plantações. O mato precisa ser capinado, e a planta podada. Toda poda exige sofrimento.

O mato continua crescendo ao redor, porque não temos coragem de cortá-lo. E fica cada vez mais alto, mais difícil de ser capinado.

 

E as crianças continuam cantando:

Um dia veio um lindo Rei

E despertou a Rosa assim”.

 

O Rei veio até o jardim, mas não foi percebido pela Rosa.

A Rosa estava tão emaranhada nos matos que não percebeu o seu perfume, nem sentiu o seu beijo. Continuou dormindo.

É mais cômodo para a Rosa continuar dormindo. Dormindo, você muitas vezes não sofre, não vê as coisas que lhe maltratam. Dormindo, você alimenta a sua preguiça, sua vaidade. Vive voltada para você mesma, mas apenas na superficialidade. Poderá até ser feliz. Mas a felicidade poderá ser maior se você se deixar despertar por “Sua Majestade”.

 

Só acordados podemos sentir o bom de tudo que acontece em torno de nós para o transformarmos em mel, como fazem as abelhas.

Para você, Rosa, que ainda não despertou, surge sempre mais uma oportunidade.

 

O Natal se aproxima. O nosso Rei mais uma vez está disposto a acordar as rosas adormecidas.

Ele, porém, não poderá agir se você não quiser.

Aproveite o Advento e capine o mato em volta do jardim. Só assim poderão surgir muitas flores, e com elas as abelhas e o mel que será saboreado por você, Rosa, junto com o seu Rei, nesse Natal que será muito especial!


 MARÍLIA BENÍCIO DOS SANTOS

Itabuna (BA)

*10/10/1920   +24/05/2014

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ALEXANDRE GARCIA REAGE FURIOSO A NOVA DECISÃO CABULOSA DE MORAES CONTRA ...

quarta-feira, 10 de novembro de 2021

FLIPELÔ - Festa Literária Internacional do Pelourinho é lançada

 

Foto: Rafaela Ventura/Divulgação

Saiba o que vai acontecer na FLIPELÔ, de 17 a 21 de novembro

152 eventos serão realizados na FLIPELÔ 2021, que terá a presença de 60 escritores que lançarão suas obras ou falarão sobre literatura no Brasil, em África e na América Latina; 85 artistas ao todo participarão da Festa Literária, que acontecerá em 123 espaços do Centro Histórico, onde serão realizadas mesas de debates, bate-papos com públicos de todas as idades, encontros com autores, lançamentos de livros, saraus de poesia e cordel, programação infantil, exposições, apresentações teatrais, shows  musicais, ações formativas, vivência artesanal e oficinas gastronômicas. Em 2021 a Festa Literária Internacional do Pelourinho acontecerá de forma híbrida, com programação presencial e virtual (www.youtube.com/flipelo), do dia 17 a 21 de novembro, e tem o escritor alagoano Graciliano Ramos como homenageado.

Escritores locais, nacionais e internacionais, poetas, artistas visuais, atores, compositores, cantores, músicos estarão em contato direto com o seu público, que em meio ao emblemático cenário do Centro Histórico poderá circular com segurança e mergulhar no fantástico mundo das letras.

Dezenas de escritores – baianos, de outros Estados brasileiros, da América Latina e África – participarão da FLIPELÔ em atividades presenciais e remotas. Teremos mesas de debate; rodas de conversa; apresentação de publicações; o espaço “Com a Palavra o Escritor”; o espaço “Terreiro de Poesia: AVOZEDITA”; bate papos; saraus; pingue-pongues literários; recitais com lançamento de livro; Projeto Contando Histórias do Metrô e o PodNews. Essas atividades literárias serão realizadas no Teatro Sesc-Senac Pelourinho, Café Teatro Zélia Gattai da Fundação Casa de Jorge Amado, Museu Eugenio Leal Teixeira, Casa do Benin, Casarão 17 e Igreja Rosário dos Pretos.

Todos os espaços da FLIPELÔ contarão com audiodescritores. Um recurso de acessibilidade comunicacional para as pessoas cegas, que permite que elas tenham conhecimento de todo o ambiente através da descrição das imagens. As atividades que serão realizadas na Fundação Casa de Jorge Amado e no Sesc terão intérpretes de Língua Brasileira de Sinais (Libras) para as pessoas surdas, com o objetivo de comunicar o que está sendo dito. Já o espaço de contação de estórias terá recursos acessíveis e contará com a presença de profissionais que trabalham com crianças e jovens com deficiência.

 

Rota Amado Sabores e oficinas gastronômicas

A rica, colorida e saborosa gastronomia baiana tem lugar garantido na FLIPELÔ. 28 bares e restaurantes do Centro Histórico integram a Rota Gastronômica Amados Sabores, que contará com pratos exclusivos inspirados pelo tema “Amado Sertão - Comida Sertaneja da Bahia”, com inspiração no livro “A Cozinha Sertaneja da Bahia”, de Guilherme Radel (1930-2019). Os pratos terão preços entre  R$23,90 e R$69,90. Além disso, teremos oficinas gastronômicas ministradas pelo Senac Pelourinho e pala Casa do Benin.

 

Rota das Artes e Exposições

Dez ateliês de artistas visuais que fazem do Centro Histórico da capital baiana um espaço pulsante de criação artística irão compor a Rota das Artes. Será possível encontrar obras de artes das mais variadas, como telas em diversas técnicas, mosaicos e esculturas, dos mais diversos movimentos artísticos: Arte Primitiva, Contemporânea, Cubismo Afro-brasileiro, Arte Bruta, Fine Art, Fotografia, Pintura Corporal e Arte Digital.  Os ateliês estarão abertos ao público todos os dias da FLIPELÔ, a partir das 10h, com exposição de obras de arte.

 

A FLIPELÔ contará também com as seguintes exposições artísticas:

- “O Guardião”, na Casa 47 – Fundação Casa de Jorge Amado, das 10h às 18h;

- “Amados Olhares”, na Estação do Metrô – Campo da Pólvora;

- “Fluxo e Refluxo: Do tráfico de escravos entre o golfo do Benim e a Bahia de Todos os Santos, do século XVII a XIX”, na Galeria 1 do Centro Cultural Solar Ferrão, das 10h às 18hs;

- “Olhares Plurais”, na Galeria 2 do Centro Cultural Solar Ferrão, das 10h às 18hs;

- “Ocupação Ani é 10” (Galeria Lina Bo Bardi) e Acervo da Casa (Galeria Pierre Verger), na Casa do Benin, das 10h às 16h;

- “História do Dinheiro, Medalhas e Condecorações do Brasil e do Mundo”, no Museu Eugênio Teixeira Leal, das 9h às 18h.

 

Música, teatro e poesia

Música, teatro e poesia, três artes bem a cara da Bahia, não podem ficar de fora da FLIPELÔ. Jau (dia 17), Banda Sertanília (dia 18), Paulinho Boca de Cantor (dia 19), Margareth Menezes (dia 20), Banda Agentes do Metrô e Orquestra Sinfônica da Bahia (dia 21) serão as atrações musicais que irão se apresentar com a presença do público, seguindo os protocolos de segurança, na Praça Pastores da Noite, na Rua das Laranjeiras. Os shows também serão transmitidos no canal do evento no YouTube.

Também teremos a apresentação do espetáculo musical “Pedaço do Mundo Inteiro”, com o grupo pernambucano Em Canto e Poesia, pela YouTube, dia 19, às 17h30  e a apresentação presencial do Coral Ecumênico da Igreja Rosário dos Pretos, com a regência do maestro Ângelo Rafael, no dia 20, às 15h.

Os espetáculos cênicos contarão com apresentação de atores baianos e de outros Estados. O destaque fica para o espetáculo “Graciliano um Brasileiro Alagoano – Memórias de Heloisa”, com um elenco de atores alagoanos, sobre a vida do escritor homenageado pela FLIPELÔ, dia 18, às 19h, no Café Teatro Zélia Gattai da Fundação Casa de Jorge Amado.

A poesia terá um lugar de destaque no Café Teatro Zélia Gattai da Fundação Casa de Jorge Amado, o Terreiro de Poesia – AVOZEDITA e será tema de discussão na mesa de debate “A poesia feminina das Américas”, que contará com a presença de Marialuz Albuja (Equador), Natalia Toledo (México) e Rubis Camacho (Porto Rico), com a mediação de Edson Oliveira (BA), dia 19, às 17h, pelo YouTube.

 

Programação Infantil

As crianças terão uma programação especial, com início na quinta-feira, dia 19, e que vai até domingo, dia 21, sempre a partir das 9h, na Praça Pastores da Noite, na Rua das Laranjeiras. Algumas atividades infantis também serão realizadas na Igreja Rosário dos Pretos e Teatro Sesc-Senac Pelourinho. Contação de histórias, roda de capoeira, exibição de vídeos, apresentação de grupos culturais, lançamentos de livros e apresentação de peças teatrais infantis constam na programação dos pequenos.  

 

Flipelô+

A Flipelô+ traz uma programação paralela de atividades, contribuindo para a divulgação de trabalhos e ações de instituições (museus, livrarias, igrejas, centros de estudos, ateliês, galerias, cooperativas, associações e institutos) que atuam no Centro Histórico e que são parceiros da FLIPELÔ. Nesta edição, 19 instituições parceiras participam da Flipelô+. Veja a lista: Associação Protetora dos Desvalidos (SPD), Botica Rhol, Casa da Mulher Negra da Bahia, Casa de Castro Alves, Casa do Olodum, Centro de Idiomas Mário Gusmão, Cooperativa Baiana de Teatro, Igreja da 3ª, Igreja do Passo , Instituto a Mulherada, Instituto Kimundo, Instituto Steve Biko, Katuka Africanidades, Mariposa, M.E. Ateliê de Fotografia, Mercado de São Miguel - Centro de Artesanatos, Museu Eugênio Teixeira, Museu Nacional de Enfermagem do Cofen (MuNEAM), Poison Drinkeria Club e Triângulo Atelier e Galeria.

 

Concurso de fotografia

O Sertão de Graciliano” é o tema do Concurso Fotográfico Amados Olhares que a FLIPELÔ vem realizando no Instagram, com a hastag #AmadosOlharesGraciliano. 10 fotos serão selecionadas e entrarão em exposição, a partir do dia 18 de novembro, na estação de metrô do Campo da Pólvora, em Salvador. As três mais criativas serão postadas no perfil da FLIPELÔ e passam a concorrer aos prêmios de R$ 500 (3° lugar), R$ 1.000 (2° lugar) e R$ 1.500 (1° lugar). Ganha a foto que tiver mais curtidas.

 

Lojas e Estacionamentos com preços promocionais

Quem for curtir a programação da FLIPELÔ presencialmente poderá comprar em 41 lojas com descontos especiais.

Quem for de carro terá o conforto e a segurança de guardar seu automóvel em um dos estacionamentos regulamentados pelo evento, pagando uma tarifa única de R$ 15 a diária, como parte do projeto “Pare no Pelô”, uma parceria da FLIPELÔ com os estacionamentos privados localizados no Pelourinho:

 

Delta Parking – Rua da Ordem Terceira, nº 27, próximo à Igreja e Convento de São Francisco; horário de funcionamento: das 7h às 19h; Será ofertado serviço de Valet, no Terreiro de Jesus, no valor de R$ 20;

Delta Parking – Rua Doutor J. J. Seabra (Baixa dos Sapateiros), nº 182/190, com saída para o Largo do Pelourinho; horário de funcionamento: 24h; Será ofertado serviço de Valet, no Terreiro de Jesus, no valor de R$ 20;

SMS – Rua Doutor J. J. Seabra (Baixa dos Sapateiros), nº 155; horário de funcionamento: 24h;

 

Vá de Metrô

Uma ação, organizada pela FLIPELÔ em parceria com a CCR, vai incentivar que os usuários do transporte público cheguem à festa literária via metrô. Localizada na Estação de Metrô do Campo da Pólvora, a ação “Vá de Metrô para a FLIPELÔ” disponibilizará vans, que farão o traslado gratuito da Estação ao Taboão, no Pelourinho, do dia 18 (quinta-feira) ao dia 21 de novembro (domingo), com os seguintes horários de funcionamento: de quinta-feira a sábado, das 9h às 22h; e no domingo, das 9h às 21h.

 

 

 

FLIPELÔ 2021

A programação completa da FLIPELÔ 2021 está disponível no site – www.flipelo.org.br e nas redes sociais do evento: Instagram (@flipelo) e Facebook (@flipelo).

A Festa Literária Internacional do Pelourinho – FLIPELÔ 2021 é apresentada pelo Ministério do Turismo, pela Secretaria Especial da Cultura e pelo Instituto CCR, realizado na região da CCR Metrô Bahia, com patrocínio master da Rede MaterDei e Prefeitura de Salvador; patrocínio do taú Social, Bahiagás e Governo da Bahia; apoio do Sebrae,  apoio de  mídia da Rede Bahia, Salvador FM, Irdeb-Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia, ITS Brasil, Eletromídia e Ponto Outdoor e apoio institucional da Academia de Letras da Bahia. O evento é uma realização da Fundação Casa de Jorge Amado, em correalização com o Sesc e uma produção da Sole Produções.

A Fundação Casa de Jorge Amado é mantida com apoio do Fundo de Cultura do Estado da Bahia e Shopping da Bahia e é considerada um ponto de referência na geografia cultural de Salvador.

Assessoria de Imprensa – Doris Pinheiro – 71 98896-5016 – com Roberto Aguiar, Rosana Andrade e Iven Vit

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terça-feira, 9 de novembro de 2021

REUNIÃO SOLENE DA ACADEMIA GRAPIÚNA DE LETRAS (AGRAL)




Reunião Solene da Academia Grapiúna de 

Letras - Agral


Dia 03 de novembro de 2021, em reunião presencial, (a primeira, desde o início da Pandemia), aconteceu a posse de três novos membros da Academia Grapiúna de Letras (Agral).

Tomaram posse os acadêmicos:

Efson Batista Lima (Membro Efetivo)

Antonio Ernesto Viana Soares (Membro Correspondente), e

Josanne Morais Bezerra (Membro Efetivo).

Na ocasião foi feita a leitura das biografias dos membros empossados e também de membros falecidos.

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Abaixo fotos do evento:




















 (Clique sobre as fotos para vê-las no tamanho original)




segunda-feira, 8 de novembro de 2021

DISCURSO DE POSSE DE EFSON LIMA NA ACADEMIA GRAPIÚNA DE LETRAS - AGRAL


"Senhores e senhoras, boa tarde!

Saúdo o presidente da Academia Grapiúna de Letras, Samuel; saúdo o magnifico reitor da UESC, Alessandro Fernandes de Santana, um porto seguro para a cultura no sul da Bahia; cumprimento de forma muito especial Padre Acácio, representando Dom Carlos Alberto, Bispo da Diocese de Itabuna; Vice-Presidente da Academia Grapiúna de Letras, Prof. Jailton Alves;

Senhores e senhoras, homens e mulheres só chegam a algum lugar com o apoio de sua família. Portanto, aproveito o momento para agradecer a minha família na pessoa de minha mãe, Maria Geni; das minhas irmãs Edielda e Edleuza e de meu sobrinho Biancardy, por sinal, estudante desta Universidade. Obrigado por estarem sempre ao meu lado, nos acertos e nos erros da vida.

Agradeço também as presenças do Senhor Thiago Fernandes, Coordenador do Cesol Litoral Sul, que na caminhada só tem me dado orgulho; igualmente, do Senhor Diego Felisardo, presidente da Organização Social Beneficente Josué de Castro, entidade gestora do CESOL Litoral Sul e de Itapé. Mais que pessoas que trabalham próximas a mim, têm sido parceiros nessa minha trajetória.

Mestra Janete Lainha, Washington Alves Pereira, Marta Almeida, João Victor...

Saudações especiais ao Professor e Historiador Antônio Ernesto Viana Soares (para membro-correspondente) e a Professora Doutora Josanne Francisca Morais Bezerra (membro efetivo). Quanta emoção! Somos contemporâneos de um momento histórico.

Senhoras e Senhores, chego à Casa de Jorge Amado, por meio do convite formulado por Doutor Vercil Rodrigues. Quem não conhece esse homem tão importante para a difusão do pensamento cultural e jurídico do sul da Bahia? Pergunto mais por estilo, que esperando a resposta dos senhores e das senhoras. Para além do convite, o doutor Vercil Rodrigues sempre abriu as portas do Jornal Direitos para as minhas publicações. Foi no Jornal Direitos que publiquei meus pequenos artigos da área jurídica. As minhas publicações no Jornal Direitos estão no meu Currículo Lattes, mas também elas foram importantes para a composição de meus títulos quanto ao meu ingresso no Mestrado em Direito na Universidade Federal da Bahia, inclusive, possibilitando minha aprovação em primeiro lugar na Linha.

Para além de me inserir nesse seleto rol, certamente, o doutor Vercil cumpriu o papel de mentor intelectual e mais que isso ofereceu as condições para que um dia pudéssemos nos encontrar e celebrar. Meus agradecimentos não lhe pagam, é verdade, mas reconhece a sua importância em minha vida. Obrigado, gratidão!

Reconhecimento, gratidão, generosidade palavras necessárias para o menino que saiu de Itapé aos 11 anos de idade para Ilhéus, em 1995; que, tardiamente, conseguia ler aos 10 anos de idade, mas que aos 35 anos se tonava doutor. Não fui morto, é verdade, tinha tudo para ter sido tragado pela violência dos centros urbanos brasileiros. Por qual razão “sobraria eu” em detrimento dos meus amigos da adolescência no Alto do Conqueiro? Talvez, tenha sido o destino..., mas não me resta dúvida do papel da família e da escola. Aqui, é fundamental eu destacar: da escola pública. De meus professores que enxergaram em mim potencialidade. Na escola pública vou acreditar sempre. Sempre, sempre, sempre!

Aqui lembro de imediato o patrono da Cadeira de n. 13, Anísio Teixeira, a qual vou ocupar. Anísio Teixeira é um grande educador. Defensor da Escola Nova.

Fiquei muito emocionado quando soube que ocuparia a cadeira n.º 13, pois, a cadeira tem como fundador, o Bispo Dom Ceslau Stanula. Homem, que além da fé, escrevia, semanalmente, para o Jornal Agora, com circulação em todo sul da Bahia. Por sinal, gostaria muito de manter viva essa memória, colaborando na organização de um livro sobre as reflexões esposadas naquele periódico, cujas orientações foram tão necessárias ontem, no dia de hoje e sempre. Independentemente, de minha fé ou não fé, não posso negar o papel da religião na formação de meu caráter e na minha caminhada em favor dos menos favorecidos, cobrando por justiça social.

Patrono, meu antecessor, são memórias caras a mim e a toda sociedade. Certamente, fazer parte da AGRAL muito me envaidece, mas também tomo esse meu ingresso como um múnus público com a obrigação de manter viva a memória dos que partiram, o respeito aos meus queridos confrades e queridas confreiras, certamente, venho para aprender e na caminhada, humildemente, espero contribuir para uma AGRAL forte e comprometida com a cultura, as artes, a acesso à educação de qualidade, à leitura e as liberdades.

Estou muito feliz com esse momento. Esse momento Reitor Alessandro Santana é histórico. Estamos voltando para o mundo presencial. Significa que milhões de brasileiros acreditaram na ciência e foram se vacinar, em detrimento, de autoridades públicas que desdenharam da vacina e da ciência. Professor Samuel, vacina e ciência são expressões da cultura de um povo. A AGRAL é símbolo de cultura, é expressão das artes e objetiva promover o progresso de nossa região por meio das conquistas culturais. Obrigado a cada confrade, a cada confreira que me recebe neste dia! Para mim é um grande dia. Obrigado!

 

Campus Soane Nazaré de Andrade, 03 de novembro de 2021."

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O TEMPO – Gibran Khalil Gibran

 


O Tempo

 

E um astrônomo disse: “Mestre, que dizes do tempo?”

E ele respondeu:

“Gostaríeis de medir o tempo, o ilimitado e o incomensurável.

Gostaríeis de ajustar vosso comportamento e mesmo reger o curso de vossa alma de acordo com as horas e as estações.

Do tempo, gostaríeis de fazer um rio, na margem do qual vos sentaríeis para observar correr as águas.

          

 Contudo, o que em vós escapa ao tempo sabe que a vida também escapa ao tempo.

            E sabe que ontem é apenas a recordação de hoje e amanhã, o sonho de hoje.

            E aquilo que canta e medita em vós continua a morar dentro daquele primeiro momento em que as estrelas foram semeadas no espaço.

            Quem, dentre vós, não sente que seu poder de amar é ilimitado?

            E, porém, quem não sente esse amor, embora ilimitado, circunscrito dentro do seu próprio ser, e não se movendo de um pensamento amoroso a outro, e de uma ação amorosa a outra?

            E não é o tempo, exatamente como o amor, indivisível e insondável?

            Contudo, se em vossos pensamentos deveis dividir o tempo em estações, que cada estação envolva todas as outras estações,

            E que vosso presente abrace o passado com nostalgia e o futuro com ânsia e carinho.”

         


(O PROFETA)

GIBRAN KHALLIL GIBRAN


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O Jardim do Profeta: Um Livro de Ternura e Nostalgia

 

 Gibran estava trabalhando neste livro quando a morte chegou.

Nos seus planos, o livro fazia parte de uma trilogia, assim concebida:

O Profeta: As relações do homem com o homem.

O Jardim do Profeta: As relações do homem com a Natureza.

A Morte do Profeta: As relações do homem com Deus.

 

Deste último livro, Gibran deixou somente a ideia do epílogo. E é de uma amargura profunda: Al-Mustafa volta à cidade de Orfalese, e lá apedrejam-no na praça pública.

No Jardim do Profeta, pelo contrário, a ternura abrange até os seres inanimados: “Tu e a pedra não sois senão um só. A única diferença está no ritmo das pulsações do coração. Teu coração bate um pouco mais rapidamente.”

O Profeta termina com a partida de Al-Mustafa da cidade de Orfalese. O Jardim do Profeta abre-se com a chegada de Al-Mustafa à sua ilha natal, onde reencontra a casa que foi de seu pai e de sua mãe e aqueles que foram seus companheiros de infância. Dialoga com eles de mil assuntos da vida. Depois despede-se e se vai... “E seus pés eram rápidos e silenciosos; e, num momento, como uma folha levada pelo vento, encontrava-se muito longe deles, e eles viram como uma luz pálida subindo para as alturas.”

Um livro fresco e belo, cheio de conceitos profundos, de ternura e de nostalgia.

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sexta-feira, 5 de novembro de 2021

NO CAMINHO COM MAIAKÓVSKI – Eduardo Alves da Costa

 


No Caminho Com Maiakovski 

Eduardo Alves da Costa

 

Assim como a criança
humildemente afaga
a imagem do herói,
assim me aproximo de ti, Maiakóvski.
Não importa o que me possa acontecer
por andar ombro a ombro
com um poeta soviético.
Lendo teus versos,
aprendi a ter coragem.

Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história.
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.

Nos dias que correm
a ninguém é dado
repousar a cabeça
alheia ao terror.
Os humildes baixam a cerviz;
e nós, que não temos pacto algum
com os senhores do mundo,
por temor nos calamos.
No silêncio de meu quarto
a ousadia me afogueia as faces
e eu fantasio um levante;
mas amanhã,
diante do juiz,
talvez meus lábios
calem a verdade
como um foco de germes
capaz de me destruir.

Olho ao redor
e o que vejo
e acabo por repetir
são mentiras.
Mal sabe a criança dizer mãe
e a propaganda lhe destrói a consciência.
A mim, quase me arrastam
pela gola do paletó
à porta do templo
e me pedem que aguarde
até que a Democracia
se digne a aparecer no balcão.
Mas eu sei,
porque não estou amedrontado
a ponto de cegar, que ela tem uma espada
a lhe espetar as costelas
e o riso que nos mostra
é uma tênue cortina
lançada sobre os arsenais.

Vamos ao campo
e não os vemos ao nosso lado,
no plantio.
Mas ao tempo da colheita
lá estão
e acabam por nos roubar
até o último grão de trigo.
Dizem-nos que de nós emana o poder
mas sempre o temos contra nós.
Dizem-nos que é preciso
defender nossos lares
mas se nos rebelamos contra a opressão
é sobre nós que marcham os soldados.

E por temor eu me calo,
por temor aceito a condição
de falso democrata
e rotulo meus gestos
com a palavra liberdade,
procurando, num sorriso,
esconder minha dor
diante de meus superiores.
Mas dentro de mim,
com a potência de um milhão de vozes,
o coração grita – MENTIRA!

 

(Eduardo Alves da Costa) – Não é de Maiakóvski como se espalha por aí como falsa autoria – principalmente um trecho da segunda estrofe.
(Eduardo Alves da Costa, em “No Caminho com Maiakóvski” [poesia reunida]. São Paulo: Geração editorial, 1ª ed., 2003. págs. 47,48 e 49.)

Fontes: Antônio MirandaJornal de Poesia e referência bibliográfica do livro do autor, graças à colaboração de Elfi Kurten Fenske, criadora do Templo Cultural Delfos

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