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domingo, 24 de outubro de 2021

PALAVRA DA SALVAÇÃO (244)


30º Domingo do Tempo Comum – 24/10/2021

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos (Marcos 10, 46-52)


 Naquele tempo, Jesus saiu de Jericó junto com seus discípulos e uma grande multidão. O filho de Timeu, Bartimeu, cego e mendigo, estava sentado à beira do caminho.

 Quando ouviu dizer que Jesus, o Nazareno, estava passando, começou a gritar: “Jesus, filho de Davi, tem piedade de mim!” 

Muitos o repreendiam para que se calasse. Mas ele gritava mais ainda: “Filho de Davi, tem piedade de mim!

 Então Jesus parou e disse: “Chamai-o”. Eles o chamaram e disseram: “Coragem, levanta- te, Jesus te chama!” 

O cego jogou o manto, deu um pulo e foi até Jesus. Então Jesus lhe perguntou: “O que queres que eu te faça?” O cego respondeu: “Mestre, que eu veja!” Jesus disse: “Vai, a tua fé te curou”. No mesmo instante, ele recuperou a vista e seguia Jesus pelo caminho.

 – Palavra da salvação.

- Glória a Vós, Senhor!

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Ligue o vídeo abaixo, e acompanhe a reflexão do Padre Adriano Zandoná:


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 COMPAIXÃO E ESPERANÇA

  


Não podemos deixar de falar sobre o que vimos e ouvimos” (At 4,20) é a inspiração bíblica escolhida para este Dia Mundial das Missões. O novo contexto da pandemia, que se estende de forma prolongada, evidenciou e ampliou o sofrimento, a solidão, a pobreza e as injustiças que tantos já padeciam. Desmascarou nossas falsas seguranças e desnudou nossa fragilidade humana.

Na mensagem do papa Francisco para este dia, destacamos: “No contexto atual, há urgente necessidade de missionários da esperança que, ungidos pelo Senhor, sejam capazes de lembrar profeticamente que ninguém se salva sozinho. Hoje, Jesus precisa de corações capazes de viver a vocação como uma verdadeira história de amor, impulsionados a sair para as periferias do mundo como mensageiros e instrumentos de compaixão”.

Jesus, modelo de missionário da compaixão e da esperança, convida-nos a não ficar indiferentes ao sofrimento e à dor de tantas pessoas atingidas pelas consequências da pandemia e da marginalização. Ao cego Bartimeu, Jesus perguntou: “O que queres que eu te faça?” Hoje, faz-se necessário repetir a mesma pergunta aos que estão à beira do caminho. São os mais pobres e vulneráveis deste contexto pandêmico que nos interpelam à compaixão.

Na animação da campanha missionária deste ano, evidenciamos o testemunho de missionários e missionárias da compaixão e da esperança. São pessoas anônimas que se postaram na linha de frente no combate da pandemia: profissionais da saúde, famílias enlutadas com testemunho de esperança, educadores e tantos agentes de pastoral que não ficaram indiferentes aos gritos por compaixão.

Que São Francisco Xavier e Santa Teresinha, padroeiros das missões, nos inspirem a sermos missionários e missionárias da compaixão e da esperança.


Pe. Maurício da Silva Jardim
Diretor das Pontifícias Obras Missionárias no Brasil

 

https://www.paulus.com.br/portal/o-domingo-palavra/compaixao-e-esperanca

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sábado, 23 de outubro de 2021

SONETO DO MOMENTO MÁGICO - Cyro de Mattos

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Soneto do Momento Mágico 
Cyro de Mattos



Se tudo é logro, sonhar é sabê-lo
em momento mágico do existir. 
Se buscar bem a razão do existir, 
termina por encontrar não o selo

 que põe um fim aos problemas da vida, 
mas o encantamento, inexplicável, da
poesia. A linguagem é a casa 
do ser, a poesia mora na asa. 

Com a beleza inspirada pelo sonho
 e a palavra emprestada pelo sonho,
 o ser apresenta-se com as vestes da 

vida e da morte, e se repete. Nada 
fica nos anos, como o vento passamos. 
Na solidão desse verso sonhamos.

  

Cyro de Mattos - Membro efetivo da Academia de Letras da Bahia, Academia de Letras de Ilhéus e Academia de Letras de Itabuna. Doutor Honoris Causa pela Universidade Estadual de Santa Cruz.

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sexta-feira, 22 de outubro de 2021

Entrevista com Luiz Philippe de Orleans e Bragança sobre o lançamento da...

O ALIENISTA CAP. X – Machado de Assis


A Restauração


      Dentro de cinco dias, o alienista meteu na Casa Verde cerca de cinquenta aclamadores do novo governo. O povo indignou-se. O governo, atarantado, não sabia reagir. João Pina, outro barbeiro, dizia abertamente nas ruas, que o Porfírio estava "vendido ao ouro de Simão Bacamarte", frase que congregou em torno de João Pina a gente mais resoluta da vila. Porfírio, vendo o antigo rival da navalha à testa da insurreição, compreendeu que a sua perda era irremediável, se não desse um grande golpe; expediu dois decretos, um abolindo a Casa Verde, outro desterrando o alienista. João Pina mostrou claramente, com grandes frases, que o ato de Porfírio era um simples aparato, um engodo, em que o povo não devia crer. Duas horas depois caía Porfírio! ignominiosamente e João Pina assumia a difícil tarefa do governo. Como achasse nas gavetas as minutas da proclamação, da exposição ao vice-rei e de outros atos inaugurais do governo anterior, deu-se pressa em os fazer copiar e expedir; acrescentam os cronistas, e aliás subentende-se, que ele lhes mudou os nomes, e onde o outro barbeiro falara de uma Câmara corrupta, falou este de "um intruso eivado das más doutrinas francesas e contrário aos sacrossantos interesses de Sua Majestade", etc.

     Nisto entrou na vila uma força mandada pelo vice-rei, e restabeleceu a ordem. O alienista exigiu desde logo a entrega do barbeiro Porfírio e bem assim a de uns cinquenta e tantos indivíduos, que declarou mentecaptos; e não só lhe deram esses como afiançaram entregar-lhe mais dezenove sequazes do barbeiro, que convalesciam das feridas apanhadas na primeira rebelião.

          Este ponto da crise de Itaguaí marca também o grau máximo da influência de Simão Bacamarte. Tudo quanto quis, deu-se-lhe; e uma das mais vivas provas do poder do ilustre médico achamo-la na prontidão com que os vereadores, restituídos a seus lugares, consentiram em que Sebastião Freitas também fosse recolhido ao hospício. O alienista, sabendo da extraordinária inconsistência das opiniões desse vereador, entendeu que era um caso patológico, e pediu-o. A mesma coisa aconteceu ao boticário. O alienista, desde que lhe falaram da momentânea adesão de Crispim Soares à rebelião dos Canjicas, comparou-a à aprovação que sempre recebera dele, ainda na véspera, e mandou capturá-lo. Crispim Soares não negou o fato, mas explicou-o dizendo que cedera a um movimento de terror, ao ver a rebelião triunfante, e deu como prova a ausência de nenhum outro ato seu, acrescentando que voltara logo à cama, doente. Simão Bacamarte não o contrariou; disse, porém, aos circunstantes que o terror também é pai da loucura, e que o caso de Crispim Soares lhe parecia dos mais caracterizados.

          Mas a prova mais evidente da influência de Simão Bacamarte foi a docilidade com que a Câmara lhe entregou o próprio presidente. Este digno magistrado tinha declarado, em plena sessão, que não se contentava, para lavá-la da afronta dos Canjicas, com menos de trinta almudes de sangue; palavra que chegou aos ouvidos do alienista por boca do secretário da Câmara, entusiasmado de tamanha energia. Simão Bacamarte começou por meter o secretário na Casa Verde, e foi dali à Câmara, à qual declarou que o presidente estava padecendo da "demência dos touros", um gênero que ele pretendia estudar, com grande vantagem para os povos. A Câmara a princípio hesitou, mas acabou cedendo.

          Daí em diante foi uma coleta desenfreada. Um homem não podia dar nascença ou curso à mais simples mentira do mundo, ainda daquelas que aproveitam ao inventor ou divulgador, que não fosse logo metido na Casa Verde. Tudo era loucura. Os cultores de enigmas, os fabricantes de charadas, de anagramas, os maldizentes, os curiosos da vida alheia, os que põem todo o seu cuidado na tafularia, um ou outro almotacé enfunado, ninguém escapava aos emissários do alienista. Ele respeitava as namoradas e não poupava as namoradeiras, dizendo que as primeiras cediam a um impulso natural e as segundas a um vício. Se um homem era avaro ou pródigo, ia do mesmo modo para a Casa Verde; daí a alegação de que não havia regra para a completa sanidade mental. Alguns cronistas creem que Simão Bacamarte nem sempre procedia com lisura, e citam em abono da afirmação (que não sei se pode ser aceita) o fato de ter alcançado da Câmara uma postura autorizando o uso de um anel de prata no dedo polegar da mão esquerda, a toda a pessoa que, sem outra prova documental ou tradicional, declarasse ter nas veias duas ou três onças de sangue godo. Dizem esses cronistas que o fim secreto da insinuação à Câmara foi enriquecer um ourives, amigo e compadre dele; mas, conquanto seja certo que o ourives viu prosperar o negócio depois da nova ordenação municipal, não o é menos que essa postura deu à Casa Verde uma multidão de inquilinos; pelo que, não se pode definir, sem temeridade, o verdadeiro fim do ilustre médico. Quanto à razão determinativa da captura e aposentação na Casa Verde de todos quantos usaram do anel, é um dos pontos mais obscuros da história de Itaguaí; a opinião mais verossímil é que eles foram recolhidos por andarem a gesticular, à toa, nas ruas, em casa, na igreja. Ninguém ignora que os doidos gesticulam muito. Em todo caso, é uma simples conjetura; de positivo, nada há.

          — Onde é que este homem vai parar? diziam os principais da terra. Ah! se nós tivéssemos apoiado os Canjicas... 

         Um dia de manhã — dia em que a Câmara devia dar um grande baile, — a vila inteira ficou abalada com a notícia de que a própria esposa do alienista fora metida na Casa Verde. Ninguém acreditou; devia ser invenção de algum gaiato. E não era: era a verdade pura. Dona Evarista fora recolhida às duas horas da noite. O Padre Lopes correu ao alienista e interrogou-o discretamente acerca do fato.

          —Já há algum tempo que eu desconfiava, disse gravemente o marido. A modéstia com que ela vivera em ambos os matrimônios não podia conciliar-se com o furor das sedas, veludos, rendas e pedras preciosas que manifestou, logo que voltou do Rio de Janeiro. Desde então comecei a observá-la. Suas conversas eram todas sobre esses objetos; se eu lhe falava das antigas cortes, inquiria logo da forma dos vestidos das damas; se uma senhora a visitava na minha ausência, antes de me dizer o objeto da visita, descrevia-me o trajo, aprovando umas coisas e censurando outras. Um dia, creio que Vossa Reverendíssima há de lembrar-se, propôs-se a fazer anualmente um vestido para a imagem de Nossa Senhora da Matriz. Tudo isto eram sintomas graves; esta noite, porém, declarou-se a total demência. Tinha escolhido, preparado, enfeitado o vestuário que levaria ao baile da Câmara Municipal; só hesitava entre um colar de granada e outro de safira. Anteontem perguntou-me qual deles levaria; respondi-lhe que um ou outro lhe ficava bem. Ontem repetiu a pergunta ao almoço; pouco depois de jantar fui achá-la calada e pensativa. — Que tem? perguntei-lhe. — Queria levar o colar de granada, mas acho o de safira tão bonito! — Pois leve o de safira. —  Ah! mas onde fica o de granada? — Enfim, passou a tarde sem novidade. Ceamos, e deitamo-nos. Alta noite, seria hora e meia, acordo e não a vejo; levanto-me, vou ao quarto de vestir, acho-a diante dos dois colares, ensaiando-os ao espelho, ora um, ora outro. Era evidente a demência; recolhi-a logo.

          O Padre Lopes não se satisfez com a resposta, mas não objetou nada. O alienista, porém, percebeu e explicou-lhe que o caso de D. Evarista era de "mania sumptuaria", não incurável, e em todo caso digno de estudo.

          — Conto pô-la boa dentro de seis semanas, concluiu ele.

          E a abnegação do ilustre médico deu-lhe grande realce. Conjeturas, invenções, desconfianças, tudo caiu por terra desde que ele não duvidou recolher à Casa Verde a própria mulher, a quem amava com todas as forças da alma. Ninguém mais tinha o direito de resistir-lhe — menos ainda o de atribuir-lhe intuitos alheios à ciência.

          Era um grande homem austero, Hipócrates forrado de Catão.

 

Fonte: 

MINISTÉRIO DA CULTURA

Fundação Biblioteca Nacional

Departamento Nacional do Livro

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Machado de Assis (Joaquim Maria Machado de Assis), jornalista, contista, cronista, romancista, poeta e teatrólogo, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 21 de junho de 1839, e faleceu também no Rio de Janeiro, em 29 de setembro de 1908. É o fundador da cadeira nº. 23 da Academia Brasileira de Letras.

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quinta-feira, 21 de outubro de 2021

 


Editora Universitária do Paraná

Publica Livro de Cyro de Mattos

Sobre Quinze Autores Universais

 

Kafka, Faulkner, Borges e Outras Solidões Imaginadas, de Cyro de Mattos, é o novo lançamento da EDUEM, editora da Universidade Estadual de Maringá, Paraná. O livro reúne quinze estudos sobre autores clássicos universais, tem capa do desenhista Juarez Paraíso e prefácio de Gerana Damulakis.  Membro da Academia de Letras da Bahia, este é o quarto livro de ensaio do autor baiano, que já publicou oitenta livros de diversos gêneros. 

Autor editado também em Portugal, Itália, França, Alemanha, Espanha e Dinamarca, Cyro de Mattos faz neste novo livro de ensaios a análise dos autores seguintes: Tchekhov, Aldous Huxley, Fernando Pessoa, Dostoiévski, Kafka, Scott Fitzgerald, Gabriel García Márquéz, James Joyce, Jorge Luís Borges,  José Saramago, Julio Cortázar,  Miguel Torga, Sherwood Anderson, Sophia de Mello Breyner Andresen e William Faulkner.

Para Cyro de Mattos, esses quinze autores formam um conjunto de vozes sob a clave da solidão, que nas visões de mundo convidam-nos a habitar o imaginário por meio da contemplação dos sonhos. Nos vícios da solidão, remete-nos à impossibilidade da fuga no drama, à perda de identificação sob o domínio do ilógico, aos labirintos no curso sem saída, à convivência das neuroses, à catarse na dor, simbolizando o real pior do que ele é.

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quarta-feira, 20 de outubro de 2021

DANTE 700 - Marco Lucchesi


Dante 700

Marco Lucchesi


Desde a infância, Dante é meu fantasma. Quase de carne e osso. Vibrátil. Tornou-se meu enigma e obsessão. Determinou parte de minhas escolhas e de minhas recusas. Todos os anos volto ao Inferno, Purgatório e Paraíso. Basta entrar uma vez, para nunca mais sair. Um labirinto de beleza.

A morte de Dante é celebrada, mundo afora, com pompa e circunstância, em quase todas as línguas da Terra, para as quais foi traduzida a Divina comédia. Setecentos anos de presença e juventude. Seu decassílabo é fonte cristalina, pura dinâmica e inspiração. Como se Dante estivesse mais vivo do que nunca. Não tanto pelo impulso motor que imprime direção aos cem cantos da Comédia, mas pelo fulgor da poesia, no repertório das imagens, na nitidez de seu olhar.

Os timbres novos e os acentos vários descerram uma viagem audaz no mundo das almas. Terreno até então desconhecido, seu canto renova as potências da linguagem. Severa, sublime, fulgurante. Leitura que produz uma força de tração irresistível, a Terra e o Cosmos. Densidade brutal ou leve transparência, segundo a cartografia dos três reinos. Obra que traduz um tempo misto, ao longo da qual o antigo e o moderno se entrelaçam, liberdade e erudição, matéria e sonho.

Quantos interrogam o mistério de Beatriz e buscam trazê-la ao mundo em que vivemos, num gesto de adesão e profecia.  A obra de Dante, em certo e largo sentido, escapa ao controle do autor e da crítica. Tornou-se uma grande metáfora, uma espécie de universo inflacionário. Vive além do espaço-tempo, na longa viagem pelos séculos, entre algas e correntes de leitores, cardumes incontáveis, quase infinitos.

Assim, num país como o Brasil, os olhos de Beatriz confundem-se com os olhos de Diadorim. Nossa Divina comédia passa através do sertão, de Euclides, Rosa e Suassuna. Não abandona a literatura de cordel, os romances antigos, o alfabeto de vaqueiros e a linguagem armorial, que rege a presente exposição.

A leitura passa pelo Barroco, em que se prolonga, transfigurado, o tempo de Dante, nas igrejas coloniais, altares e torres antigas, onde dobram os sinos de Ouro Preto, Salvador e Paraty. Chega à Semana de Arte Moderna, com A divina increnca, e às escolas de samba.

Nossa abordagem dantesca possui leitores de águas claras: Camões, Vieira e Pessoa. E desta suma trindade, outra se acrescenta, não menos admirável: Murilo Mendes, Cabral e Drummond. E me permitam acrescentar: Jorge de Lima e Joaquim Cardozo.

A política entra na corrente sanguínea da Divina comédia. Escrita no exílio, o poeta  criticou duramente o que lhe parecia indigno, sem meias-palavras, papas e imperadores, leigos e padres. Defendeu a separação entre poder temporal e poder espiritual.

A república e a poesia, tão caras ao poeta, não fogem ao olhar de Beatriz. Na distopia, impõe-se pensar o bom lugar. Assim, a  transição do Inferno ao Paraíso reflete a crise de seu tempo. Sinal de quem se rebela e sonha com uma nova ordem. 

Estamos dentro da Divina comédia. Nessa metáfora de vidros claros. Em sua translúcida beleza. Nela desenhamos parte de um destino.  Beatriz nos cumprimenta do futuro, até onde nossos olhos podem alcançá-la.

Jornal de letras de Lisboa, 20/10/2021

 

Marco Lucchesi - Sétimo ocupante da cadeira nº 15 da ABL, eleito em 3 de março de 2011, na sucessão de Pe. Fernando Bastos de Ávila, foi recebido em 20 de maio de 2011 pelo Acadêmico Tarcísio Padilha. Foi eleito Presidente da ABL para o exercício de 2018.


https://www.academia.org.br/artigos/dante-700

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terça-feira, 19 de outubro de 2021

A CONVERSAÇÃO – Gibran Khalil Gibran


A Conversação

          Então, um literato disse: “Fala-nos da Conversação”.

          E ele respondeu:

          “Vós conversais quando deixais de estar em paz com vossos pensamentos.

          E quando não podeis mais viver na solidão de vosso coração, procurai viver nos vossos lábios, e encontrais então uma diversão e um passatempo nas vibrações emitidas.

          E em grande parte de vossas conversações, o pensamento é meio assassinado.

          Pois o pensamento é uma ave do espaço que, numa gaiola de palavras, pode abrir suas asas, mas não pode voar.

          Há entre vós aqueles que procuram os faladores, por medo da solidão.

          A quietude da solidão revela-lhes seu Eu desnudo, e eles preferem escapar-lhe.

          E há aqueles que falam e, sem saber ou prever, traem uma verdade que eles próprios não compreendem.

          E há aqueles que possuem a verdade dentro de si, mas não a expressam em palavras.

          No íntimo de tais pessoas, o espírito habita num silêncio rítmico.

          Quando encontrardes vosso amigo na rua ou no mercado público, deixai que o Espírito que está em vós ponha em movimento vossos lábios e dirija vossa língua.

          E que a voz escondida na vossa voz fale ao ouvido de seu ouvido.

          Pois sua alma guardará a Verdade de vosso coração, como é lembrado o sabor do vinho.

          Mesmo depois que a sua cor houver sido esquecida, e a taça que o continha não mais existir.”

 

(O PROFETA)

Gibran Khalil Gibran

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"O Profeta

 

A milenar sabedoria do Oriente.

A beleza imortal de uma prosa inspirada.

O reencontro do homem com o que ele tem de melhor.

Uma atmosfera elevado onde o homem se sente superior a todas as misérias, e feliz.

O conforto moral numa época de angústia e perplexidade.

É tudo isto que lhe oferece este pequeno livro único, companheiro inseparável de milhões de homens e mulheres em todo o mundo.

Apresentado numa tradução brasileira que conserva toda a essência e a sedução do original, constituindo-se numa verdadeira recriação artística."

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