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segunda-feira, 17 de agosto de 2020

CÂNTICO DO CALVÁRIO – Fagundes Varela

 


À memória de meu filho, morto a 11 de dezembro de 1863.


 Eras na vida a pomba predileta 
 Que sobre um mar de angústias conduzia 
 O ramo da esperança. — Eras a estrela 
 Que entre as névoas do inverno cintilava 
 Apontando o caminho ao pegureiro. 
 Eras a messe de um dourado estio. 
 Eras o idílio de um amor sublime. 
 Eras a glória, — a inspiração, — a pátria, 
 O porvir de teu pai! — Ah! no entanto, 
 Pomba, — varou-te a flecha do destino! 
 Astro, — engoliu-te o temporal do norte! 
 Teto, caíste! — Crença, já não vives! 

 Correi, correi, oh! lágrimas saudosas, 
 Legado acerbo da ventura extinta, 
 Dúbios archotes que a tremer clareiam 
 A lousa fria de um sonhar que é morto! 
 Correi! Um dia vos verei mais belas 
 Que os diamantes de Ofir e de Golgonda 
 Fulgurar na coroa de martírios 
 Que me circunda a fronte cismadora! 
 São mortos para mim da noite os fachos, 
 Mas Deus vos faz brilhar, lágrimas santas, 
 E à vossa luz caminharei nos ermos! 
 Estrelas do sofrer, — gotas de mágoa, 
 Brando orvalho do céu! — Sede benditas! 
 Oh! filho de minh’alma! Última rosa 
 Que neste solo ingrato vicejava! 
 Minha esperança amargamente doce! 
 Quando as garças vierem do ocidente 
 Buscando um novo clima onde pousarem, 
 Não mais te embalarei sobre os joelhos, 
 Nem de teus olhos no cerúleo brilho 
 Acharei um consolo a meus tormentos! 
 Não mais invocarei a musa errante 
 Nesses retiros onde cada folha 
 Era um polido espelho de esmeralda 
 Que refletia os fugitivos quadros 
 Dos suspirados tempos que se foram! 
 Não mais perdido em vaporosas cismas 
 Escutarei ao pôr do sol, nas serras, 
 Vibrar a trompa sonorosa e leda 
 Do caçador que aos lares se recolhe! 

 Não mais! A areia tem corrido, e o livro 
 De minha infanda história está completo! 
 Pouco tenho de ansiar! Um passo ainda 
 E o fruto de meus dias, negro, podre, 
 Do galho eivado rolará por terra! 
 Ainda um treno, e o vendaval sem freio 
 Ao soprar quebrará a última fibra 
 Da lira infausta que nas mãos sustento! 
 Tornei-me o eco das tristezas todas 
 Que entre os homens achei! O lago escuro 
 Onde ao clarão dos fogos da tormenta 
 Miram-se as larvas fúnebres do estrago! 
 Por toda a parte em que arrastei meu manto 
 Deixei um traço fundo de agonias! ... 

 Oh! quantas horas não gastei, sentado 
 Sobre as costas bravias do Oceano, 
 Esperando que a vida se esvaísse 
 Como um floco de espuma, ou como o friso 
 Que deixa n’água o lenho do barqueiro! 
 Quantos momentos de loucura e febre 
 Não consumi perdido nos desertos, 
 Escutando os rumores das florestas, 
 E procurando nessas vozes torvas 
 Distinguir o meu cântico de morte! 
 Quantas noites de angústias e delírios 
 Não velei, entre as sombras espreitando 
 A passagem veloz do gênio horrendo 
 Que o mundo abate ao galopar infrene 
 Do selvagem corcel? ... E tudo embalde! 
 A vida parecia ardente e douda 
 Agarrar-se a meu ser! ... E tu tão jovem, 
 Tão puro ainda, ainda n’alvorada, 
 Ave banhada em mares de esperança, 
 Rosa em botão, crisálida entre luzes, 
 Foste o escolhido na tremenda ceifa! 

 Ah! quando a vez primeira em meus cabelos 
 Senti bater teu hálito suave; 
 Quando em meus braços te cerrei, ouvindo 
 Pulsar-te o coração divino ainda; 
 Quando fitei teus olhos sossegados, 
 Abismos de inocência e de candura, 
 E baixo e a medo murmurei: meu filho! 
 Meu filho! frase imensa, inexplicável, 
 Grata como o chorar de Madalena 
 Aos pés do Redentor ... ah! pelas fibras 
 Senti rugir o vento incendiado 
 Desse amor infinito que eterniza 
 O consórcio dos orbes que se enredam 
 Dos mistérios do ser na teia augusta! 
 Que prende o céu à terra e a terra aos anjos! 
 Que se expande em torrentes inefáveis 
 Do seio imaculado de Maria! 
 Cegou-me tanta luz! Errei, fui homem! 
 E de meu erro a punição cruenta 
 Na mesma glória que elevou-me aos astros, 
 Chorando aos pés da cruz, hoje padeço! 

 O som da orquestra, o retumbar dos bronzes, 
 A voz mentida de rafeiros bardos, 
 Torpe alegria que circunda os berços 
 Quando a opulência doura-lhes as bordas, 
 Não te saudaram ao sorrir primeiro, 
 Clícia mimosa rebentada à sombra! 
 Mas ah! se pompas, esplendor faltaram-te, 
 Tiveste mais que os príncipes da terra! 
 Templos, altares de afeição sem termos! 
 Mundos de sentimento e de magia! 
 Cantos ditados pelo próprio Deus! 
 Oh! quantos reis que a humanidade aviltam, 
 E o gênio esmagam dos soberbos tronos, 
 Trocariam a púrpura romana 
 Por um verso, uma nota, um som apenas 
 Dos fecundos poemas que inspiraste! 

 Que belos sonhos! Que ilusões benditas! 
 Do cantor infeliz lançaste à vida, 
 Arco-íris de amor! Luz da aliança, 
 Calma e fulgente em meio da tormenta! 
 Do exílio escuro a cítara chorosa 
 Surgiu de novo e às virações errantes 
 Lançou dilúvios de harmonias! — O gozo 
 Ao pranto sucedeu. As férreas horas 
 Em desejos alados se mudaram. 
 Noites fugiam, madrugadas vinham, 
 Mas sepultado num prazer profundo 
 Não te deixava o berço descuidoso, 
 Nem de teu rosto meu olhar tirava, 
 Nem de outros sonhos que dos teus vivia! 

 Como eras lindo! Nas rosadas faces 
 Tinhas ainda o tépido vestígio 
 Dos beijos divinais, — nos olhos langues 
 Brilhava o brando raio que acendera 
 A bênção do Senhor quando o deixaste! 
 Sobre o teu corpo a chusma dos anjinhos, 
 Filhos do éter e da luz, voavam, 
 Riam-se alegres, das caçoilas níveas 
 Celeste aroma te vertendo ao corpo! 
 E eu dizia comigo: — teu destino 
 Será mais belo que o cantar das fadas 
 Que dançam no arrebol, — mais triunfante 
 Que o sol nascente derribando ao nada 
 Muralhas de negrume! ... Irás tão alto 
 Como o pássaro-rei do Novo Mundo! 

 Ai! doudo sonho! ... Uma estação passou-se, 
 E tantas glórias, tão risonhos planos 
 Desfizeram-se em pó! O gênio escuro 
 Abrasou com seu facho ensanguentado 
 Meus soberbos castelos. A desgraça 
 Sentou-se em meu solar, e a soberana 
 Dos sinistros impérios de além-mundo 
 Com seu dedo real selou-te a fronte! 
 Inda te vejo pelas noites minhas, 
 Em meus dias sem luz vejo-te ainda, 
 Creio-te vivo, e morto te pranteio! ... 

 Ouço o tanger monótono dos sinos, 
 E cada vibração contar parece 
 As ilusões que murcham-se contigo! 
 Escuto em meio de confusas vozes, 
 Cheias de frases pueris, estultas, 
 O linho mortuário que retalham 
 Para envolver teu corpo! Vejo esparsas 
 Saudades e perpétuas, — sinto o aroma 
 Do incenso das igrejas, — ouço os cantos 
 Dos ministros de Deus que me repetem 
 Que não és mais da terra!... E choro embalde. 

 Mas não! Tu dormes no infinito seio 
 Do Criador dos seres! Tu me falas 
 Na voz dos ventos, no chorar das aves, 
 Talvez das ondas no respiro flébil! 
 Tu me contemplas lá do céu, quem sabe, 
 No vulto solitário de uma estrela, 
 E são teus raios que meu estro aquecem! 
 Pois bem! Mostra-me as voltas do caminho! 
 Brilha e fulgura no azulado manto, 
 Mas não te arrojes, lágrima da noite, 
 Nas ondas nebulosas do ocidente! 
 Brilha e fulgura! Quando a morte fria 
 Sobre mim sacudir o pó das asas, 
 Escada de Jacó serão teus raios 
 Por onde asinha subirá minh’alma.

(Fonte: ABL)

......


Fagundes Varela (Luís Nicolau Fagundes Varela), poeta, nasceu em São João Marcos, atualmente Rio Claro, RJ, em 17 de agosto de 1841, e faleceu em Niterói, RJ, em 17 de fevereiro de 1875. É o patrono da cadeira n. 11, por escolha do fundador Lúcio de Mendonça. Era filho do Dr. Emiliano Fagundes Varela e de Emília de Andrade, ambos de famílias fluminenses bem situadas. Passou a infância na fazenda natal e na vila de São João Marcos, de que o pai era juiz. Depois, residiu em vários locais. Primeiro em Catalão Goiás, para onde o magistrado fora transferido em 1851 e onde Fagundes Varela teria conhecido o juiz municipal Bernardo Guimarães. De volta à terra natal, residiu em Angra dos Reis e Petrópolis, onde fez os estudos do primário e secundário. Em 1859, foi terminar os preparatórios em São Paulo. Só em 1862 matricula-se na Faculdade de Direito, que nunca terminou, preferindo a literatura e dissipando-se na boêmia. Em 1861, publicara o primeiro livro de poesias, Noturnas.


* * *

Sagrado Coração de Jesus, eu confio em voz!

domingo, 16 de agosto de 2020

CONTRADIÇÕES FLAGRANTES - Paulo Henrique Américo de Araújo

16 de agosto de 2020

“Se falei mal, diga em quê. Se falei bem, por que me bates?”. Este simples argumento deixou evidenciada a flagrante contradição e injustiça do agressor. [Jesus Cristo diante do Sinédrio – Alessandro Mantovani, ca. 1860].

 Paulo Henrique Américo de Araújo

De todos os sublimes episódios da vida de Nosso Senhor Jesus Cristo, um em especial me veio à mente ao observar os absurdos e incongruências em que vai afundando este nosso século.

A cena ocorre durante a Paixão, quando o Redentor se encontrava diante do Sinédrio. Imputando-Lhe os juízes os crimes de sedição e revolta, tentam forçá-Lo a uma confissão. Jesus responde que havia ensinado publicamente, bastando inquirir quem O ouvira pregar no Templo e na sinagoga. Nesse momento, um dos assistentes do conselho dá-Lhe uma bofetada, dizendo: “Assim respondes ao Pontífice?”. E teve de ouvir contrafeito a resposta magnífica, irretorquível: “Se falei mal, diga em quê. Se falei bem, por que me bates?”. Este simples argumento deixou evidenciada a flagrante contradição e injustiça do agressor. Uma denúncia direta, cortante, invencível.

Em alguns acontecimentos recentes registrados pelo noticiário, sigamos o exemplo do Divino Mestre apontando neles a contradição. Mas ressaltemos desde já que a posição contraditória, nesses eventos, não é de uma pessoa em particular, mas sim a do mundo moderno neopaganizado, cujos fundamentos e instituições decadentes nadam invariavelmente nas águas turvas da incoerência.

*   *   *


O programa blasfemo “A primeira tentação de Cristo”, transmitido no final de 2019, provocou a indignação dos católicos de todo o País. Dentre seus múltiplos e deploráveis escárnios, Nosso Senhor é aí representado como homossexual. Uma batalha judicial contra e a favor do filme travou-se desde então até os fins de maio último, quando houve o arquivamento definitivo de quatro representações que contestavam a exibição do programa.1

O Ministério Público Federal (MPF), favorecendo o grupo “Porta dos Fundos”, criador do filme, assim se pronunciou: “O vídeo em questão foi publicado por produtora de vídeos de comédia conhecida nacionalmente e apresenta sátiras de personagens bíblicos, o que se enquadra na liberdade de expressão de seus autores e atores, sendo que a mera intenção de caçoar (animus jocandi) exclui o elemento subjetivo do escárnio”.

Em outras palavras, ninguém deve se sentir ofendido em seus sentimentos cristãos, diante daquelas burlas proferidas contra o Redentor, pois a intenção dos autores foi apenas “fazer brincadeira”. Consequentemente, promover chacotas à Pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo tornou-se algo legitimado pelo MPF. Ainda conforme a decisão do Ministério Público, a encenação do “Porta dos fundos” se reveste unicamente de “liberdade de expressão”, não houve qualquer ato “malévolo” de escárnio.

Conforme a doutrina da Igreja Católica, o pecado de homossexualidade “brada aos Céus e clama a Deus por vingança”. Porém, a seguirmos a “lógica” do MPF, não há razões para tolher a “liberdade de expressão” de eventuais galhofeiros, mesmo que os católicos se sintam injuriados em sua “identidade de cristãos” quando alguém apresenta Nosso Senhor como praticante de homossexualismo. No fundo, vislumbra-se na decisão do MPF uma espécie de decreto impositivo: Calem-se, católicos, e ouçam impassíveis as injúrias ao seu Deus! Apresentar ‘sátiras de personagens bíblicos’ é normal, ninguém pode reclamar disso!

Passemos a outra sentença, também emitida no final de maio de 2020. A Justiça obrigou a Fundação Palmares a retirar de seus canais de comunicação alguns textos escritos contra a figura do líder negro Zumbi dos Palmares.2

De acordo com a juíza Maria Cândida Carvalho Monteiro de Almeida, “a permanência dos artigos questionados no sítio institucional da Fundação Cultural Palmares ameaça o patrimônio histórico-cultural brasileiro e viola o direito à identidade, ação e memória da comunidade negra e a sua garantia a condições adequadas para a preservação, expressão e desenvolvimento de sua identidade”.

Neste caso, como afirma a juíza, houve uma agressão à “identidade”, ao “sentimento” da comunidade negra. No que se refere à imagem de Zumbi dos Palmares, portanto, não há direito à “liberdade de expressão”. Se aplicarmos as palavras da juíza ao programa blasfemo inventado pelo “Porta dos Fundos”, podemos perguntar: Atingir, zombar, achincalhar a figura de Jesus Cristo não representa “ameaça ao patrimônio histórico-cultural brasileiro”?

A contradição das duas decisões é evidente: a comunidade negra tem direito à preservação de sua identidade, e justifica-se proibir o ataque à imagem de Zumbi dos Palmares, referência simbólica dessa mesma identidade. Mas a pessoa de Jesus Cristo, símbolo máximo do sentimento cristão e um poderoso alicerce da unidade nacional, pode ser escarnecida à vontade, segundo o Ministério Público Federal. Não gozam os cristãos do direito de ter a sua identidade preservada?

*   *   *

Passemos à análise de dois outros eventos. A pandemia do coronavírus fez com que vozes oficiais e extraoficiais de todo o mundo se unissem numa só meta: “salvemos vidas”. Qualquer determinação neste sentido devia ser acatada, sem possibilidade de contestação ou ponderação. Houve aplausos até para decisões as mais incongruentes, como a suspensão de vacinas para crianças ou a obrigatoriedade do confinamento radical de populações inteiras, com suas perigosas consequências.3

No Reino Unido, uma das regiões mais atingidas pelo contágio, o governo tomou medidas drásticas, impondo quarentenas e pesadas restrições, sob o pretexto de “salvar vidas”. Porém, como bem apontou o bispo de Shrewsbury, Monsenhor Mark Davies,4 [foto ao lado] as autoridades inglesas deveriam rever seu conceito de “valor da vida humana”. O prelado denunciou que o Departamento de Saúde e Assistência Social do Reino Unido havia decretado novas normas para facilitar o “aborto domiciliar” durante a crise da pandemia. Com apenas um telefonema e uma receita médica, a gestante estaria livre para autoinduzir o aborto.

A incoerência é gritante: ações das mais disparatadas para “salvar vidas”, na luta contra a Covid-19; e ao mesmo tempo, favorecimento do “extermínio da vida” dos bebês indefesos nos ventres maternos!

*   *   *

Voltemos ao episódio da Paixão de Nosso Senhor, lembrado no início deste artigo. A Escritura não narra que atitude tomou aquele agressor após a magnífica resposta de Jesus. Provavelmente esse ímpio reduziu-se ao silêncio, pois lhe era impossível dar qualquer resposta de valor. Quando a contradição é evidenciada, só há duas possibilidades para quem a proferiu: admitir seu erro ou silenciar.

Se quisermos ser católicos verdadeiros, procuremos sempre denunciar as contradições do nosso século, forçando desta maneira os agressores a retratar-se ou a silenciar. Assim estaremos agindo como o Divino Mestre diante da agressão injusta.

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Notas

Cfr. https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2020/05/25/mpf-arquiva-representacoes-contra-exibicao-do-especial-de-natal-do-porta-dos-fundos.ghtml

Cfr. https://www1.folha.uol.com.br/colunas/monicabergamo/2020/05/justica-determina-que-fundacao-do-governo-bolsonaro-apague-textos-contra-zumbi-dos-palmares.shtml

Cfr. manifesto do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira: https://ipco.org.br/coronavirus-a-maior-operacao-de-engenharia-social-baldeacao-ideologica/

Cfr. https://www.aciprensa.com/noticias/obispo-lamenta-la-promocion-siniestra-de-abortos-en-casa-durante-pandemia-91643


https://www.abim.inf.br/contradicoes-flagrantes/

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PALAVRA DA SALVAÇÃO (197)


20º Domingo do Tempo Comum | Solenidade da Assunção de Maria

 

Anúncio do Evangelho (Lc 1,39-56)

— O Senhor esteja convosco.

— Ele está no meio de nós!

— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.

— Glória a vós, Senhor!

 

Naqueles dias, Maria partiu para a região montanhosa, dirigindo-se, apressadamente, a uma cidade da Judeia. Entrou na casa de Zacarias e cumprimentou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança pulou no seu ventre e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. Com um grande grito, exclamou: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre! Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar? Logo que a tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança pulou de alegria no meu ventre. Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu”.

Então Maria disse: “A minha alma engrandece o Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque olhou para a humildade de sua serva. Doravante todas as gerações me chamarão bem-aventurada, porque o Todo-poderoso fez grandes coisas em meu favor. O seu nome é santo, e sua misericórdia se estende, de geração em geração, a todos os que o respeitam. Ele mostrou a força de seu braço: dispersou os soberbos de coração. Derrubou do trono os poderosos e elevou os humildes. Encheu de bens os famintos, e despediu os ricos de mãos vazias. Socorreu Israel, seu servo, lembrando-se de sua misericórdia, conforme prometera aos nossos pais, em favor de Abraão e de sua descendência, para sempre”. Maria ficou três meses com Isabel; depois voltou para casa.

 — Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.

https://liturgia.cancaonova.com/pb/

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Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Pe. Roger Araújo:


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ASSUNÇÃO DE MARIA: plenitude do seu “ser visitante”

 

“Maria ficou três meses com Isabel; depois voltou para casa”  (Lc 1,56)

Descobrimos o sentido da Assunção de Maria não tanto contemplando o céu, mas a terra. Na terra não veneramos a tumba de Maria, nem celebramos funerais por ela, ou em sua memória. Embora possa parecer estranho, os santuários onde se venera a memória de Maria são, para nós, não lugares funerários, mas fontes de vida, espaços onde a sentimos vivente, mãe, mulher do serviço, cuidadora nossa.

Ascenção, Assunção são dois nomes que damos a esta experiência de presença transformadora. Em Jesus, e a partir de Jesus, Maria também “é assunta” e se faz presente junto a seus filhos e filhas. Sua bendita presença nos abençoa e nos enche de graça.

Maria “foi assumida por Deus” porque “desceu” ao mais profundo da vida, comprometendo-se e sendo presença solidária. Ela viveu a “assunção” em todos os momentos de sua vida, de maneira especial, quando se deslocou em direção aos outros. Por isso, o Evangelho, indicado para a festa de hoje, nos fala da “presença visitante” de Maria.

Maria fecha a porta de sua pequena casa em Nazaré e inicia, apressada, o caminho para a montanha, onde vivia Isabel. O impulso do seu coração movia velozmente seus pés. Este relato nos mostra o que é “visitar”.

Maria “saiu em visita” porque, antes, foi “visitada” pela presença surpreendente de Deus. Ela entrou no fluxo do “Deus visitador”, prolongando e visibilizando as visitas divinas. Ela foi “assunta” porque, nas suas “visitas”, ela “subiu e desceu” em direção aos outros, numa atitude de serviço gratuito.

Maria foi visitar; podia não ter ido. Isabel, com mais idade e grávida, seguramente estava bem atendida. Mas, Maria foi... para estar, escutar, partilhar, ajudar...

Visitar implica mover-se, para perto ou para longe, sair, pôr-se em marcha; abandonar o espaço de conforto, adentrar-se na realidade do(a) outro(a), na expectativa de que este(a) outro(a) abra a porta de seu espaço e de sua vida, entrando em profunda sintonia com quem o(a) visita.

É uma ação pessoal, uma atitude aberta, um estar atentos aos detalhes da vida próxima, do entorno. Visitar não conta nas estatísticas. É uma ação muito silenciosa que não requer estruturas organizativas, nem contratuais. Visitar exige irremediavelmente investir tempo, gratuitamente; quem tem tempo hoje para presenteá-lo desinteressadamente?

A pessoa visitada tem também sua vida “expandida”, pois, receber o(a) outro(a) implica mudar a rotina do seu cotidiano, acolher a nova presença que vem, dedicar atenção e escuta...

Se re-lemos com atenção o relato de Lucas, encontraremos Isabel, a prima de Maria, como protótipo de uma vida “visitada”, de uma existência que poderia fechar-se na pequena felicidade de sua fecundidade surpreendente; no entanto, ela abriu passagem a uma voz que vinha mais além dela mesma. Isabel escutou aquela voz e soube reconhecer Maria como a nova Arca da Aliança que carregava a salvação dentro dela. E Lucas realça o detalhe de que “a criança pulou de alegria no ventre de Isabel”. 

Vamos nos deixar conduzir por Maria e vamos com ela “de visita” à casa de Isabel, para recuperar o sentido do “visitar” e “ser visitado” no nosso contexto atual.

Deus visita a nós e visita através de nós, assim como Ele nos visita por meio dos outros. Há uma infinidade de anjos mensageiros, cruzando nossos espaços cotidianos, inspirando-nos, ajudando-nos, movendo nossas vidas a saírem de seus lugares fechados, a romper muros, a ultrapassar fronteiras... A intolerância, o medo do diferente, a suspeita, o preconceito... são a morte de toda possibilidade de viver a “cultura da visita”.

Uma característica de nossa sociedade é o individualismo, o fechamento narcisista que nos centra e nos concentra em nosso “ego” como lugar preferencial de atenção, dedicação, cuidado e investimento de quase todas as nossas energias disponíveis. Neste contexto social em que vivemos, cada vez mais fragmentado e individualizado, as relações vão se tornando líquidas, restando as manifestações muito superficiais, reduzi-das, talvez, a um mero contato tecnológico através das redes sociais.

Temos a sensação de que, a partir de fora, tudo nos convida a viver auto-referenciados e surdos às vozes que nos vem do mais além de nós mesmos. Muitas forças externas a nós nos pressionam a reduzir nossa vida ao tamanho de um “bonsai”, a atrofiar os desejos até reduzi-los aos pequenos bens acessíveis e a conformar-nos com pequenas doses de prazer egoísta. 

Mesmo numa vida fechada, também aí irrompem as “visitações”; Maria, a “visitante” e Isabel, a “visitada”, podem nos ensinar a reconhecer Aquele que nos visita e vem a nós escondido no humilde e insignificante. Aquelas duas mulheres grávidas, Maria e Isabel, cheias e fé e grandes expectativas, envolvidas no silêncio da promessa de Deus, se encontram e no mesmo instante do abraço, a palavra se faz presente com a intensidade da compreensão, da acolhida, da alegria e da intimidade partilhada.

A visita começa a dar fruto desde o primeiro instante se há uma boa predisposição. A atitude de quem vai ao encontro e quem acolhe é elemento primordial.

Elas estavam felizes. Isabel gritou de júbilo e “a criança saltou de alegria em seu ventre”. E Maria proclamou, exultante, a oração de louvor e agradecimento ao Deus da Vida. “O Magnificat recolhe a prece da orante que se descobre, desde a humildade, fecundada por seu Senhor dentro da História da Salvação” (Mari Paz Lopes).

O Magnificat é o grande resumo da experiência de Maria; Magnificat não é um parêntese: supõe tudo o que Maria viveu. É impossível conhecê-la sem saborear demoradamente estas palavras, que são a tradução dos seus sentimentos íntimos diante da nobre missão de ser a mãe do Salvador.

No Magnificat, Maria canta a sua própria história. E isso nos desafia a fazer o mesmo. Ninguém vive uma vida espiritual fecunda enquanto não for capaz de construir a relação com Deus como um diálogo vivo entre um “eu” e um “Tu”. A oração de Maria não é feita de fórmulas. Ela expõe a sua vida naquilo que diz.

Através do Magnificat Maria vai ter a oportunidade de prolongar o seu “sim”, revelando que conhece bem as suas implicações profundas. No Magnificat, Maria sai de seu silêncio e explica o que significa o seu consentimento a Deus. E faz isso da forma mais simples e verdadeira, interpretando primeiro a sua própria experiência de fé e ancorando-se, depois, naquilo que a História da Salvação lhe ensina sobre a ação de Deus e sobre a missão do Povo de Deus neste mundo.

Maria permaneceu em casa de Isabel “três meses e voltou para sua casa”. Moveu-se, investiu seu tempo e podemos imaginar quê maravilhosos três meses passaram juntas, vendo como a vida crescia dentro delas, cuidando-se, rindo, partilhando.... Deixemo-nos inspirar por este “ícone da Visitação”. 

Texto bíblico:  Lc 1,39-56 

Na oração: Depois de empapar-se do evangelho deste dia é preciso perguntar-se: “o que me inspira o ‘movimento’ de Maria visitando Isabel? E se realmente, o fato de visitar, tem um significado em minha vida.

- Diante da situação pandêmica, quê outras formas de visita poderiam ser ativadas? São tantas as pessoas que estão esperando uma visita, mesmo virtualmente. Há muitas carências de abraços e de afeto.

- Recorde aqui as obras de misericórdia: duas delas se referem ao fato de “visitar” – “enfermos e presos”.

Pe. Adroaldo Palaoro sj

13.08.2020

https://centroloyola.org.br/revista/outras-palavras/espiritualidade/2116-assuncao-de-maria-plenitude-do-seu-ser-visitante


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sábado, 15 de agosto de 2020

O MILAGRE DO VÍSTULA E A ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA – Luis Dufaur

14 de agosto de 2020

Dormição e Assunção da Virgem – Fra Angélico (1395-1455). The Isabella Stewart Gardner Museum, Boston (EUA)

As dores da Santíssima Virgem são representadas por espadas cravadas em seu Coração, e o dogma da Assunção evoca seu triunfo sobre tantos sofrimentos. Na festa da Assunção, em 15 de agosto, uma renovação desse triunfo foi a vitória da Polônia católica sobre os exércitos soviéticos, milagre cujo centenário comemoramos neste ano.

Luis Dufaur

A Assunção de Nossa Senhora foi confirmada como dogma de Fé pelo Papa Pio XII, na Constituição Apostólica Munificentissimus Deus, no dia 1° de novembro de 1950.[1] Essa verdade era professada desde os tempos dos Apóstolos, suas testemunhas oculares, que a narraram a seus sucessores. O dogma coloca a Santa Mãe de Deus acima de qualquer criatura, mesmo as canonizadas, justificando o culto de hiperdulia que a Igreja lhe tributa.

Após uma morte suavíssima, qualificada de “dormição de Nossa Senhora”, a Santíssima Virgem se ergueu como quem sai de um sono, numa transição efetuada pelo poder de Deus, e subiu aos céus na presença dos Apóstolos e fiéis reunidos em torno d’Ela. A glorificação e a alegria por este privilégio, sem equivalentes até o fim do mundo, só foram inferiores às da Ascensão triunfal de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Como figurar o esplendor da Assunção

Maria Santíssima foi elevada ao Céu, rodeada pelo respeito e recolhimento dos presentes, diante dos quais se acentuava assim, cada vez mais, sua semelhança com seu Filho Divino. O esplendor de Nosso Senhor transfigurado se comunicava a Ela, fazendo-a refulgir cada vez mais como rainha e mãe, até desaparecer dos olhos humanos. Ao mesmo tempo o Céu se transformava, porque sua Rainha nele ingressava em triunfo.

Pouco depois, na Terra tudo voltava à sua rotina, mas os primeiros católicos retornavam para suas casas com uma sensação parecida com a que tiveram na Ascensão de Nosso Senhor. Maravilhados, com enorme saudade, levando na retina algo que nem podiam ter imaginado a respeito de Nossa Senhora.

No momento da Assunção transpareceu a alegria e a vitória sobre as dores inenarráveis que Ela padeceu em vida, segundo lhe anunciara o profeta Simeão: “Uma espada transpassará a tua alma” (Lc 2, 35). O Prof. Plinio Corrêa de Oliveira se alegrava com essa arquitetonia da dor transformada em alegria eterna: “Nossa Senhora é representada com o coração circundado de gládios espirituais, que representam a alma d’Ela ferida pela espada da dor, de que falou o profeta Simeão. Eu gostaria de ser pintor para representar Nossa Senhora subindo ao Céu, com o coração ferido à mostra, mas saindo dessa espada as mais belas luzes que se possa imaginar. Porque a sua grande alegria era ter suportado os tormentos e ter vencido todas as batalhas.[2]

Glorificação no Céu e novos triunfos na Terra

Depois de ter passado por toda espécie de sofrimentos, angústias, dilacerações e humilhações, a Santa Mãe de Deus foi honrada por seu Divino Filho com a Assunção, um privilégio único na história do mundo. A glorificação de Maria deixa eclipsada a dos Césares vitoriosos aclamados na Via Triunfal de Roma, a dos exércitos aliados desfilando sob o Arco do Triunfo de Paris, e a de qualquer outra exaltação humana. Por isso sua glória na ordem do universo é o mais alto reflexo criado do resplendor supremo de Deus.

Em atenção a essa vitória, o católico deve levar ao último extremo sua combatividade pela glorificação da Corredentora do gênero humano, e lutar como um cruzado pelo seu reinado na Terra. São ainda de Plinio Corrêa de Oliveira estes comentários: “Algo da luminosa magnificência da Assunção se repetirá quando começar o Reino de Maria. Veremos então o mundo todo transformado, e Nossa Senhora brilhando sobre a Terra; pois seu reinado estará se efetivando, e estarão começando também dias maravilhosos de graças como nunca houve antes”.[3]

Após a Assunção, a Santíssima Virgem nunca mais estaria estavelmente na Terra, mas começava do Céu sua grande missão. Estabeleceu uma misteriosa comunicação com os seus devotos, sobretudo os que se consagraram a Ela com amor, coragem, constância e fé, virtudes recomendadas por São Luís Maria Grignion de Montfort. São estas virtudes necessárias sobretudo diante do neopaganismo moderno, monstro apocalíptico que tenta tiranizar os fiéis, privando-os de apoios terrenos para arrastar consigo grande número de tíbios e interesseiros.

O “milagre do Vístula” (agosto de 1920) – Jerzy Kossak, 1930.

O milagre do Vístula: vitória sobre o comunismo

Neste ano de 2020 a Igreja comemora o centenário de um exemplo característico da ação de Nossa Senhora da Assunção em favor dos fiéis: o “milagre do Vístula”, ocorrido em agosto de 1920 (trinta anos antes da proclamação do dogma).

Quatro corpos de exército da URSS comunista avançavam contra a capital da católica Polônia. Numa ordem dada a seus soldados em 4 de julho de 1920, o general bolchevista Mikhail Tukhachevsky foi lapidarmente claro: “No caminho para a conflagração mundial comunista, tem-se que passar sobre o cadáver da Polônia”.[4] Em Moscou, Lenin exigia ferozmente a “revolução mundial” e a aniquilação do “obstáculo polonês”. E os soldados comunistas cantavam: “Esta é nossa batalha última e decisiva. Surgirá a nova raça humana”.

Cena de um filme representando a batalha

Revoluções marxistas explodiam na Europa ocidental arruinada pela Primeira Guerra Mundial; a grande mídia anunciava falsamente que os russos já eram donos de Varsóvia; os embaixadores ocidentais fugiram da capital (com exceção do Núncio, que era o futuro Papa Pio XI); os especialistas militares ocidentais davam a situação por perdida; e a confluência das hostes russas com as massas subversivas europeias parecia um fato incontornável.

O Papa Bento XV enviou um apelo ao mundo católico, pedindo orações a Nossa Senhora de Czestochowa (Padroeira da Polônia) e à Mãe do Bom Conselho, por essa nação ameaçada de naufragar no próprio sangue, perseguida pelo exército vermelho. E o jornal socialista italiano Avanti debochava do Papa, espalhando sarcasticamente: “Fiquem tranquilos! O Pontífice Romano acredita na eficácia da Virgem!”.[5]

Na Polônia, anciãos, mulheres, adolescentes e feridos, prosternados em igrejas, ruas e praças, multiplicavam seus apelos ao Santíssimo Sacramento e a Nossa Senhora. A desproporção das forças era evidente, e só um milagre evitaria a catástrofe. Contudo, corria de boca em boca uma intuição, sem se saber sua origem: no dia 15 de agosto, festa da Assunção de Nossa Senhora, Ela faria o milagre.

Apesar das tendências socialistas do marechal Józef Piłsudski (1867–1935) [foto ao lado], coube a ele conduzir a guerra contra os soviéticos. Percebendo que na linha de ofensiva dos inimigos se abrira uma brecha, empreendeu uma manobra desesperada e muito ousada: retirou de Varsóvia as tropas habilitadas ao combate, que a defendiam, e preencheu as vagas das trincheiras convocando todos os que podiam segurar uma arma, ainda que não soubessem usá-la. Além de mulheres, velhos e feridos, destacaram-se nesse palco da batalha os escoteiros, que ali morreram em grande número na luta corpo a corpo contra soldados experimentados e cruéis.

Com o destacamento que conseguira em Varsóvia, o marechal Pilsudski atravessou a brecha sem ser percebido. Talvez sem se lembrar do significado daquele grande dia 15 de agosto, festa da Assunção, deu o golpe decisivo contra os exércitos soviéticos. Após um giro perigoso, atacou-os de surpresa, em manobra envolvente. A coincidência de datas empolgou os poloneses, que infligiram aos comunistas uma derrota da qual jamais se recuperariam, e foi completada por sucessivas batalhas posteriores. Narra-se que alguns soldados soviéticos teriam visto Nossa Senhora de Czestochowa aparecer sobre as nuvens.

Os delegados soviéticos chegam para as negociações do armistício depois da humilhante derrota comunista na Batalha do Vístula em 1920

A batalha é considerada uma das mais importantes da história universal. Lenin, o tirânico pai da URSS, lamentou em Moscou a “enorme derrota”, que reduziu a supremacia da revolução bolchevista a um único país, a Rússia. O sonho da “revolução mundial” ficou espatifado, pois o próprio Lenin considerava que, para a “experiência socialista” dar certo, deveria ser universal. Em 24 de agosto o embaixador britânico SirHorace Rumbold (1869–1941) chegou a Poznan, Alemanha, procedente de Varsóvia. Espantado com a inversão da sorte das armas, comentou: “É uma repetição da derrota dos turcos sob os muros de Viena, em 1683”.[6]

No enterro do marechal Pilsudski, em 12 de maio de 1935, o Cardeal Primaz da Polônia August Hlond afirmou: “A vitória do heroico exército polonês, chamada de ‘milagre do Vístula’, teve a importância de Lepanto e Viena”.[7] O Papa Pio XI, falando sobre a Mãe de Deus, referiu-se ao “milagre sobre o Vístula”, resumindo-o com estas palavras: “O anjo das trevas empreendeu uma gigantesca batalha contra o anjo da luz”.[8] As forças armadas polonesas adotaram Nossa Senhora da Assunção como Padroeira principal.

Assunção e a glorificação da Igreja

Finalizamos com mais um oportuno e valioso comentário do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira aos seus amigos e discípulos:

“Depois da Ascensão de Nosso Senhor, o fato mais esplendorosamente glorioso da História humana foi quando Nossa Senhora subiu ao Céu ante os olhos humanos. Por seu caráter ordenativo, ele é comparável apenas ao dia do Juízo Final. A implantação do Reino de Maria — por assim dizer, a assunção da Igreja Católica — é o que devemos desejar na festa da Assunção. E desejar também que a tristeza e o gládio de dor que traspassou o Imaculado Coração de Maria nos preparem para compreender a alegria imensa dessa vitória, refulgindo com a maior formosura desde os tempos apostólicos.

“Na festa da Assunção devemos pedir a Ela que olhe para nossas falhas e nos conceda o perdão, para atravessarmos a nossa época com a certeza de que, quanto mais profunda for a tristeza, maior ainda será a alegria que teremos depois, na aurora do Reino de Maria Assunta aos Céus”.[9]


[1]http://www.vatican.va/content/pius-xii/pt/apost_constitutions/documents/hf_p-xii_apc_19501101_munificentissimus-deus.html.

[2] Palestra de 15 de agosto de 1966. As palestras citadas neste artigo não foram revistas pelo autor.

[3] Palestra de 14 de agosto de 1965.

[4] “Devocionário e novena a Nossa Senhora da Defesa”, Edições Loyola, SP, 2003, pág. 67 na edição Google, https://books.google.com.br/books?id=roS2x71wX1sC&pg=PA64&lpg=PA64&dq=milagre+do+vistula&source=bl&ots=rIflf1DmkA&sig=ACfU3U2WGFmJT4D8ANAfgszJv6_YZwkFXw&hl=pt-BR&sa=X&ved=2ahUKEwjh2sXHwozqAhU0GbkGHVIGBAAQ6AEwF3oECGoQAQ)

[5] http://casaggi.blogspot.com/2011/09/cosi-leuropa-fu-salvata-dallarmata.html.

[6] “Devocionário…”. pág. 68.

[7] id. ibid.

[8] http://sunday.niedziela.pl/artykul.php?dz=z_historii&id_art=00072.

[9] Palestra de 14 de agosto de 1963.

 

http://www.abim.inf.br/o-milagre-do-vistula-e-a-assuncao-de-nossa-senhora/


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sexta-feira, 14 de agosto de 2020

CURIOSIDADES SOBRE O LÍBANO

O Líbano tem 18 comunidades religiosas.

No Líbano falam-se 3 línguas: Árabe, Francês e Inglês

40 jornais diferentes circulam diariamente.

O nível de alfabetização é de 99 %

Ele tem 42 universidades.

Existem mais de 100 bancos diferentes.

70 % dos alunos estão em escolas privadas.

40 % da população libanesa é cristã (é a maior percentagem do mundo árabe).

Há um médico por cada 10 pessoas. (Na Europa e América tem um médico por cada 100 pessoas)

O nome do Líbano aparece 75 vezes no testamento antigo.

O nome Cedro também aparece 75 vezes no testamento antigo.

Beirute foi destruído e reconstruído 7 vezes (por isso é comparado com a Phoenix)

Existem 4.5 milhões de libaneses no Líbano.

Há aproximadamente 14 milhões de libaneses fora do Líbano.

Só em Beirute tem mais de 350 centros noturnos.

O país foi ocupado por mais de 16 países (Egito-Hititas-Asírios-Babilônios-Persas-O exército de Alexandre-O Império Romano Bizantino-A Península Arábica-Os Cruzados-Os Otomanos-França-Israel e Síria).

Byblos é a cidade mais velha do mundo que ainda existe.

O nome do Líbano persistiu por 4.000 anos sem mudar (é o nome mais velho de um país do mundo que ainda existe)

O Líbano não tem desertos.

Existem 15 rios no Líbano e todos vêm de suas próprias montanhas.

Seus sites arqueológicos são dos mais populares do mundo.

O primeiro alfabeto foi criado em Byblos (encontra-se no museu do Líbano e está escrito no túmulo de Ahiram rei de Biblos

O único templo de Júpiter (O mais importante Deus Romano) está em Balbeck.

O Líbano é o único país do mundo árabe que não tem um ditador.

O nome Bíblia vem da cidade de Byblos.

No Líbano foi escrito o maior número de livros relacionados com a Bíblia.

Jesus Cristo fez seu primeiro milagre no Líbano, na cidade de Qana, (quando transformou a água em vinho).

Os fenícios no Líbano foram os primeiros a construir um navio e os primeiros navegadores da história.

Os fenícios também chegaram à América muito antes de Colombo. (Um navio fenício foi encontrado no Brasil)

A primeira faculdade de leis no mundo foi construída no centro de Beirute.

Diz-se que os Cedros do Líbano foram plantados pelas mãos de Deus por isso são chamados de cedros de Deus e ao Líbano a cidade de Deus na terra.

(Recebi via WhatsApp)

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quinta-feira, 13 de agosto de 2020

O SOFRIDO LÍBANO - José Sarney

O Maranhão tem uma certa ligação com o Líbano. É difícil encontrar uma família maranhense que com ele, de maneira direta ou indireta, não possua uma ligação de sangue, sentimental ou de amizade. Sírios e libaneses de vários credos religiosos buscaram para seus caminhos de imigração o Norte do Brasil. Aqui no Maranhão essa presença se tornou tão forte que muitos sírio-libaneses assumiram posições de liderança na política, no comércio, nas entidades de classe, com grande expressão.

Essa influência e miscigenação se tornou tão arraigada que chegou até a incorporar-se aos costumes e à culinária. Eu sempre digo que o Maranhão tem várias culinárias: a culinária da Costa, dos peixes e frutos do mar; a culinária portuguesa tradicional, que não abandonamos, de cozidões, tortas, caldeiradas; a do sertão, de carne de sol, maria isabel, pirão de leite etc; a libanesa de quibes, esfirras, quibe labanie; e a maranhense mesma, mistura da africana e da indígena com um toque libanês, de onde saiu o divino arroz de cuxá.

Antônio Dino, grande médico e alma boa, que foi meu Vice-Governador, me contou uma parte dessa saga da imigração libanesa dizendo que no início do século XX alguns refugiados políticos, seus ancestrais e muitos outros, vieram para o Maranhão, principalmente para o interior. Não guardei todo o relato, o que lamento, e faço uma sugestão para alguma tese acadêmica levantando essa história, que faz parte da nossa.

Eu mesmo tenho dentro de casa muitos Murad e Duailibe, genros e netos.

Quando o meu romance O Dono do Mar foi traduzido para o árabe, fui a Beirute para seu lançamento. A cidade tinha saído da guerra civil e estava toda destruída. O Rafik Hariri — que seis anos depois foi morto pela explosão de um carro bomba na hora em que passava seu comboio — era um grande político, fizera o Acordo de Faët acabando com 15 anos de guerra-civil, estava reconstruindo Beirute. Com ele e sua irmã construí mesmo uma relação de amizade. Tenho um serviço de jantar que foi ofertado por ele.

O Líbano tem uma história sofrida. Sua localização, espremido com fronteira do Israel, Síria e Chipre (pelo mar), o torna alvo de permanente agressão e envolvimento no caldeirão do Oriente Médio, tendo como centro a milenar luta de judeus e palestinos.

A tragédia que vive o Líbano com a gigantesca explosão e a destruição do seu porto e da cidade soma-se à crise econômica e política. Naquela época se assinalava a presença de 500 mil palestinos nos campos de refugiados, comandados pelo Hezbollah, que desequilibrava a divisão de poderes formada no pacto de independência, dividindo o poder dos xiitas com a milícia Amal. Com a guerra da Síria mais 1,5 milhões de refugiados entraram no país, que tinha 4,5 milhões. A insatisfação vem de toda parte. O filho de Hariri tentou recentemente substituir o pai e foi expulso pelos protestos de rua que exigem “fora todos os políticos”. A tragédia maior é um país essencialmente multicultural tornar-se inviável pela violência de seus vizinhos e pela incapacidade em exercer seu talento para a convivência.

Sofremos com o Líbano e somos solidários com o seu povo e nos juntamos àqueles que no mundo inteiro tem o dever de ajudá-los a ressurgir das cinzas.

 

O Estado do Maranhão, 08/08/2020

 

https://www.academia.org.br/artigos/o-sofrido-libano

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José Sarney - Sexto ocupante da Cadeira nº 38 da ABL, eleito em 17 de julho de 1980, na sucessão de José Américo de Almeida e recebido em 6 de novembro de 1980 pelo Acadêmico Josué Montello. Recebeu os Acadêmicos Marcos Vinicios Vilaça e Affonso Arinos de Mello Franco.


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