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sábado, 11 de julho de 2020

A LEI DA INÉRCIA E O RETORNO À MISSA - Tom Hoopes


Miguel MEDINA | AFP

          A lei da inércia e o retorno à Missa

Tom Hoopes | Jul 09, 2020

Apesar de todo o seu poder, a inércia não é a maior força do universo. Nosso livre-arbítrio é mais forte. Por isso, precisamos vencer a inércia e voltarmos – com segurança – à Missa

Muitas paróquias estão, gradualmente, retomando as Missas com a presença dos fiéis. Mas muitos católicos não querem, por enquanto, retornar às igrejas (e não deveriam ser julgados por isso).

Todos deveriam compreender quão variadas são as circunstâncias das pessoas com familiares em grupos de risco, restrições de viagem, confusão sobre como se inscrever ou se poderão realmente participar da Missa por causa do número reduzido de fiéis.

Porém, penso que precisamos fazer grandes esforços para incentivar as pessoas a voltarem à Missa dominical, porque assim, estaremos enfrentando uma das mais poderosas forças do universo: a lei da inércia.

Os vendedores vêm falando sobre a lei da inércia há anos. Tudo começou com uma maçã caindo na cabeça de Isaac Newton. Ele se perguntou sobre isso, estudou e escreveu suas leis do movimento.

A primeira lei de Newton – a “lei da inércia” – diz que um objeto em repouso permanece em repouso e um objeto em movimento permanece em movimento, a menos que seja acionado por outra força.

Os vendedores sabem disso – e colocam esse princípio em prática. Eles sabem que ninguém quer agir por si só, então fazem com que você sinta que precisa do que eles estão vendendo para manter seu nível de conforto, prazer ou estilo de vida.

Na vida espiritual, temos a lei do hábito, que pode ser virtude ou vício. O Papa Francisco contou a história heróica dos católicos da Tunísia, cujo hábito de participar da Missa levou a um profundo encontro com Cristo. Quando o imperador Diocleciano tentou forçá-los a parar suas reuniões, um deles disse: “Não podemos viver sem o Domingo”. Os mártires de Abitene morreram na Missa.

Todos nós podemos conseguir isso. Como as virtudes “são adquiridas e fortalecidas pela repetição de bons atos morais” (Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, 378), precisamos apenas continuar fazendo a coisa certa.

Portanto, agora é a hora perfeita para a Igreja convidar fervorosamente as pessoas a voltarem, com segurança, à Missa.

Pense em quão perfeitas são as circunstâncias. A mensagem católica sempre foi: “Vá à Missa porque você precisa da Eucaristia”. Essa é uma mensagem poderosa, mas agora você não precisa ir à Missa. Então, por que você iria?

Volte à Missa porque o mundo está mais assustador do que nunca, e se você conseguiu manter sua paz de espírito sem Deus antes, certamente precisará dele agora, precisará de sua sabedoria, das Escrituras e de sua presença real na Comunhão.

Volte à Missa porque a pandemia varreu todos os ídolos. Tudo o que imaginávamos ser digno de esperança, agora sabemos que não é. Somente Deus traz esperança.

“Volte à Missa mesmo que isso pareça um risco”, diz meu arcebispo (mas viva primeiro a caridade, para si e para os outros). Ele ainda lembra que a Missa se tornou muito segura, mas apontou que os católicos se arriscam a receber Cristo há séculos.

Volte à Missa, mesmo que não queira. Talvez especialmente se você não quiser.

Eu poderia continuar com inúmeras razões para te convencer a volta à Missa de domingo. Mas minha esposa diz que a Igreja agora precisa de uma mensagem simples, como o lema “Just do it” da Nike.

Apesar de todo o seu poderoso poder, a inércia não é, em última análise, a maior força do mundo. Nosso livre-arbítrio é mais forte. Assim como basta dar um tapa em uma maçã para ela cair, você também pode ligar para a secretaria da paróquia para ver como a Missa funciona agora – ou ligar para as pessoas que ainda não viu na Missa, conversar com elas e convidá-las. Diga a elas que você ficará feliz em vê-las novamente na igreja.


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sexta-feira, 10 de julho de 2020

POR QUE NÃO ADOTAR O “ANTIGO NORMAL” DE SÓCRATES? - Hélio Brambilla

10 de julho de 2020

Estátua de Sócrates (470 a.C. – 399 a.C) na Academia de Atenas

Hélio Brambilla

Durante esta quarentena que vai se prolongando, além da indispensável oração e do trabalho, um dos meus passatempos são os livros. Sem querer ser erudito, sempre tive muita vontade de conhecer o pensamento de alguns filósofos gregos. A ocasião para isso me foi proporcionada por um religioso, que me obsequiou muitos de seus livros, entre os quais alguns desses filósofos. Comecei por Sófocles e Platão.

Sobre Sófocles, o meu inesquecível mestre Plinio Corrêa de Oliveira comentou certa vez que era um gênio, pois conseguia traduzir para o povo em geral, teatralmente e de outras formas acessíveis, aquilo que os filósofos elucubravam. Numa aula, para caracterizar a habilidade desse pensador, o Prof. Plinio chegou a criar o neologismo ‘sofoclizar’.

Sentindo-me meio ‘sofoclizado’, passei a ler Platão — discípulo de Sócrates, cujos diálogos escreveu, por considerá-lo o mais sábio e mais justo dos homens —, e pude perceber quanta coisa boa o grande Santo Agostinho havia haurido da sua filosofia. Na Carta 7, por exemplo, afirma: “Os males não cessarão para os humanos antes que a raça dos puros e autênticos filósofos chegue ao poder, ou antes que os chefes das cidades, por uma divina graça, ponham-se a filosofar verdadeiramente.”

Sempre tive no subconsciente que Sócrates, talvez em razão das calúnias que lhe eram feitas, tivesse sido condenado à morte por corromper a juventude. Mas, segundo Platão, a tal corrupção da juventude não era senão o fato de que ele contrariava os deuses atenienses, os quais, por sua vez, eram uma espécie de cúmplices dos pecados que grassavam em Atenas.

Platão aduzia que Sócrates foi condenado por ter praticamente chegado à conclusão de que só poderia existir um Deus verdadeiro, negando, portanto, a pluralidade dos deuses existentes ao seu redor. E foi além, pois o pensamento monoteísta o conduziu a crer na existência da alma, que a morte era o rompimento da alma com o corpo. Deduziu daí uma série de conclusões envolvendo a moral e a ética, o que o levou a viver como pensava e a combater os tiranos corruptos então detentores do poder.

Não querendo entrar na Ágora, sobretudo permanecer nela com discussões infindas, passo diretamente para um ponto que me interessa ressaltar hoje. Certa vez alguém perguntou a Sócrates como proceder para que o povo voltasse a ser feliz, ao que prontamente ele respondeu: “Volte a fazer aquilo que fazia quando era feliz!” Simples, não?

Nesse tremendo caos em que nos encontramos, vem-se repetindo à exaustão que a humanidade irá entrar num “novo normal”. Mas, afinal, o que é isso? Que tipo de coelho sairá da cartola do prestidigitador? Seria uma sociedade utópica, igualitária, em que os ricos ‘opressores’ dessem tudo aos pobres e passassem todos a viver numa igualdade completa, numa libertinagem total, sem Deus, sem ordem, sem moral, onde fosse proibido proibir?

Os ecologistas radicais, por exemplo, que pregam o fim da sociedade de consumo começam a dizer que em razão do Covid-19 os canais de Veneza ficaram mais limpos, a Baía da Guanabara e o Rio Tietê menos poluídos, o ar mais puro, as florestas mais verdes, as flores mais coloridas e o canto dos pássaros mais alegre etc. Haja paciência! Por que eles não interrogam os políticos de esquerda, seus irmãos siameses, sobre o que fizeram com os milhões de reais que desviaram, em vez de empregá-los na melhoria do meio ambiente?

Vamos nos ater, contudo, mais ao campo sócio econômico relacionado à agropecuária brasileira. Para isso, comecemos por analisar o significado da palavra normal.  Etimologicamente, é o que segue a norma. Mas segundo que critérios tais normas foram feitas nos últimos, digamos, cinco ou dez mil anos? Grosso modo, podemos afirmar que elas foram pautadas pela lei divina, pela lei natural, referendada depois pela lei positiva. Quanto à lei natural, ela é bem definida por São Paulo como a lei de Deus posta no coração dos homens.

Ora, o “novo normal” agora preconizado seria o quê? — Ao que tudo indica, a etapa final do processo revolucionário, como tratado pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em seu livro Revolução e Contra-Revolução. De um “novo normal” a outro essa Revolução abandonou a civilização cristã medieval e vem conduzindo a humanidade, por meios ora graduais e pacíficos, ora abertos e brutais, rumo a uma sociedade igualitária, ateia e tribal, sem tradição, família nem propriedade, controlada por mecanismos de controle facial e chips subcutâneos instalados no cérebro das pessoas.

O vírus proveniente da China vem para favorecer esse desígnio, causando danos a milhões de pessoas com o surgimento de problemas financeiros, morais e psicológicos de toda ordem. Com efeito, seu âmbito vai muito além dos horizontes de um Xi Jinping, pois visa abarcar a sociedade mundial como um todo. 

Quem promove mais esse grande passo rumo ao caos — em oposição à ordem cristã medieval — são os pósteros espirituais dos grandes revolucionários da História, tais como Lutero, Voltaire, Danton, Marat, Lenine, entre potentados, presentes na alta burguesia comunistóide, coadjuvados por parte da estrutura dominante do Vaticano, da alta intelectualidade e de expoentes da pseudo cultura presentes em muitas universidades. Esses são os verdadeiros agentes dessa manobra sorrateira. A China não passa de um palco em que é apresentado o teatrinho de onde as marionetes olham feio para os débeis expectadores.


O grande Papa São Pio X [foto ao lado] escreveu muito bem: “A Civilização não mais está para ser inventada, nem a Cidade nova para ser construída. Ela existiu, ela existe: é a Civilização cristã, é a Cidade católica. Trata-se apenas de instaurá-la e de restaurá-la sem cessar sobre os fundamentos naturais e divinos contra os ataques renascentes da utopia malsã, da revolta e da impiedade”.

Segundo economistas, o anunciado “novo normal” pós-pandemia encontrará um PIB 15% menor em âmbito mundial. Para especialistas do Bank of America, a economia brasileira deverá encolher 7,7%. (Valor, 23-6-20). Fake-óbitos ou não, no Brasil já ultrapassamos 60 mil mortes. De fato, uma tragédia irreparável, pois quem partiu para a eternidade não pode regressar ao nosso convívio. No entanto, nós já tivemos epidemias que mataram milhões de pessoas, sem contar as guerras.


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Pretendo tratar a partir daqui apenas do agronegócio, locomotiva de nossa economia, que além de produzir comida farta e barata para a população, ainda alimenta mais de um bilhão e meio de pessoas mundo afora. Teremos outra safra recorde de 250 milhões de toneladas de grãos. As exportações gerarão saldo positivo em torno de 100 bilhões de dólares. Nos quatro primeiros meses de pandemia o agronegócio não parou, juntamente com os valorosos caminhoneiros e transportadores, e bateu recorde de exportações.

O valor bruto da produção (VBP) — cálculo das riquezas que não existiam, mas que foram semeadas, cresceram, deram frutos e foram colhidas — renderá aos nossos cofres mais de 700 bilhões de reais, irrigando de modo acentuado a nossa economia. É bem verdade que,em razão da pandemia, o Governo deverá gastar entre 750 bilhões e 1 trilhão de reais com despesas extras. Mas a valorização do dólar ante o real trouxe ao Tesouro um ganho cambial de mais de 500 bilhões de reais.

O brasileiro ainda conseguiu tirar algum bem da situação em que se encontrava, e no mês de maio passado a poupança da população cresceu 38 bilhões de reais. As pessoas ficaram presas em casa, mas guardaram dinheiro na poupança. A dívida pública diminuiu quase 140 bilhões de reais (O Estado de S. Paulo, 9-6-20). Ela ainda é grande, mas precisa ser calculada em porcentagem do PIB, como mandam os economistas. Em muitos países essa taxa ultrapassa o dobro de nosso porcentual. Se governadores e políticos aloprados não frearem o ritmo da nossa economia, ela se recuperará organicamente.

O corpo social é muitas vezes comparado ao corpo humano. Os catastrofistas previam 1 milhão de mortos no Brasil, enquanto o governador de São Paulo previu 277 mil óbitos no Estado. Mas as pessoas foram infectadas, criaram resistência contra o vírus e estão voltando à vida do dia a dia anterior. No corpo social, a propriedade e a iniciativa privada são tão fortes que basta os governos não atrapalharem para elas voltarem logo aos patamares anteriores.

Depois desse alento, volto ao nosso Sócrates, mas sem recuar 2.300 anos! Apenas até meados do século passado, quando a incidência fiscal sobre os brasileiros era de apenas 10%. Não faltavam empregos, não havia fome e se andava nas ruas com tranquilidade. De lá para cá, à medida que o Estado foi se socializando, a carga tributária aumentando, muitos políticos se aproveitando do dinheiro fácil em detrimento da população cada vez mais escorchada.


Comecem a fazer como a ex-presidente da Croácia, Kolinda Grabbar [foto ao lado]. Ela diminuiu 50% do ordenado de todos os dirigentes políticos e do funcionalismo público, que auferiam exorbitâncias bem acima de um patamar razoável; vendeu cinco jatinhos de administrações anteriores e mais de 30 automóveis Mercedes Benz, herança maldita dos dirigentes comunistas que dominavam seu país.

Portanto, basta diminuir tamanho do Estado e a carga tributária para que as indústrias que foram para a China voltem para o Brasil. Aliando-as ao agronegócio mais pujante do mundo, seremos sem dúvida umas das primeiras potências mundiais, conforme desígnio da Providência Divina, que deseja para nós um progresso espiritual ainda muito maior do que o material.

Que Nossa Senhora Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil, vele por nós, a fim de que, com essa confiança que se identifica com certeza, possamos seguir a receita de Sócrates, e voltarmos novamente a ser felizes…




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quinta-feira, 9 de julho de 2020

NELLY NOVAES COELHO E OS ESCRITORES BRASILEIROS – Cyro de Mattos

Nelly Novaes Coelho e os 
Escritores Brasileiros

Cyro de Mattos



               Em sua contribuição enciclopédica e analítica da literatura, como os iluministas de ontem, Nelly Novaes Coelho, essa intelectual rara, desincumbe-se da jornada literária com erudição, consciência crítica e uma santa paciência de pesquisadora. Ela sempre está surpreendendo. Depois de enriquecer o corpo das letras brasileiras com volumes importantes como Literatura e Linguagem, Literatura Infantil, Dicionário Crítico de Escritoras BrasileirasDicionário Crítico de Literatura Infantil e Juvenil Brasileira, Panorama Histórico da Literatura Infantil/Juvenil,  na idade em que muitos já aposentaram suas ferramentas, eis que ela comparece com ensaios fecundos para brindar  seu  público leitor com a obra monumental Escritores Brasileiros do Século XX
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          O alentado volume é resultado de 50 anos de pesquisas, leituras e releituras de obras apresentadas em cursos universitários, congressos, seminários, colóquios, no Brasil, Portugal e Estados Unidos da América.

            São 81 escritores analisados neste precioso e extenso livro. Dos mais conhecidos, como Jorge Amado, Graciliano Ramos. Guimarães Rosa, Mário de Andrade, Oswaldo de Andrade, João Ubaldo Ribeiro, Ignácio de Loyola Brandão, passando por nomes expressivos que ficaram esquecidos pela crítica e do mercado editorial, como Cornélio Pena, Gustavo Corção, Adonias Filho, Murilo Rubião, Victor Giudice, Campos de Carvalho e   Alcides Pinto.
      
           E ainda outros que precisam de divulgação para que melhor sejam conhecidos:  Vicente Cecim, Olavo Pereira, Agripino de Paula, Fausto Antonio, Ricardo Guilherme Dicke, Mora Fuentes, Samuel Rawet e Alaor Barbosa. Todos esses autores, elencados nessa obra enciclopédica de ensaio, dão voo à razão e à emoção quando abordam a problemática existencial do ser humano e a crise de uma sociedade exaurida de valores e sentidos. Dão imaginação e transcendência ao mundo.
 
         A escritora admirável revela que foi a “Sorte ou o Acaso” que puseram em seu caminho os 81 escritores reunidos e analisados neste seu último livro. A generosidade, a humildade e a solidariedade são marcas da alma dessa grande ensaísta.   Os autores aqui analisados tiveram, sim, a sorte ou o acaso que foi posto em seus caminhos com uma analista literária da extensão de Nelly. Um autor para ser instituído como cânone precisa de um crítico dotado de instrumental teórico suficiente, que chame a atenção para as questões estéticas, seja capaz de revelar os elementos estruturantes que entraram na composição da forma e conteúdo da sua obra.

          No meu caso,  de autor baiano insulado em Itabuna,  no sul da Bahia, distante do eixo Rio e São Paulo,  que ainda hoje  funciona como tambor cultural desse país inculto, por mais que o mundo de uns tempos para cá tenha se tornado uma aldeia globalizada, nem sei como agradecer a minha inclusão  na relação desses escritores conceituados, selecionados e reunidos  no testemunho crítico da Nelly.

           Vale a pena repetir o que certa vez ela disse sobre a literatura: “Sem leitura e escrita a vida não tem emoção.”

            Essa Nelly Coelho Novais, que viveu para amar a literatura e que, em contrapartida, tanto demonstrou quanto a amava

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Cyro de Mattos é ficcionista, poeta, cronista, ensaísta e autor de literatura infantojuvenil. Membro efetivo da Academia de Letras da Bahia. Doutor Honoris Causa da UESC (Bahia).  Possui prêmios importantes. Publicado no exterior.

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quarta-feira, 8 de julho de 2020

EM CHIQUINQUIRÁ, A SANTÍSSIMA VIRGEM RESSALTA A LUZ PRIMORDIAL DA COLÔMBIA

8 de julho de 2020
O quadro milagroso de Nossa Senhora de Chiquinquirá

Neste dia 8 de julho celebra-se a festividade de Nossa Senhora de Chiquinquirá — sobretudo na Colômbia, que A tem como principal Padroeira. A seguir matéria a respeito d´Ela, e sobre os estupendos milagres que seu miraculoso quadro tem operado, que foi publicada na revista Catolicismo deste mês.

 Luis Fernando Escobar Duque

Na década de 1560, o espanhol Antonio de Santana encomendou a Alonso de Narváez, morador na pequena Villa de Tunja, uma pintura da Santíssima Virgem para ser venerada na residência dos Padres Dominicanos em Sutamarchán. Desse lugar os heroicos missionários partiam para todos os rincões do novo e vasto país. Com seus incansáveis esforços para ensinar a Fé católica aos aborígines, batizando-os a fim de torná-los dignos dos méritos alcançados pelo divino Redentor na Cruz, os missionários transmitiam as graças fundadoras de uma grande nação católica, com a promessa de um não menos grandioso futuro.

Era época da Conquista, cheia de adversidades, e isso fez com que o primeiro centro fosse abandonado, deixando tudo à mercê das intempéries. Consequentemente a tela com a imagem da Virgem se deteriorou, suas cores desapareceram. Em 1578 esse tecido foi levado para Chiquinquirá, onde foi deixado de lado. Maltratado a ponto de ser utilizado para secar o trigo, já não se percebia nele a face celestial de Nossa Senhora, cercada por Santo Antônio e Santo André.

Sabendo que a Mãe de Deus havia sido pintada naquele tecido esmaecido, uma espanhola de nome Maria Ramos o colocou com dificuldade sobre um altar rústico, e pôs-se a suplicar fervorosamente que a Mãe de Deus voltasse a mostrar sua face.

O quadro de Nossa Senhora no altar principal
No dia 26 de dezembro de 1586 a indígena Isabel atravessava a fazenda com seu filho Miguel, de cinco anos, quando perceberam um grande brilho, como de fogo em meio a faíscas e raios. Os habitantes do local acorreram para apagar o “incêndio”, mas se surpreenderam pelo fato de ele não queimar. Só deixaram o local após admirar a pintura renovada, que se manteve brilhante por um dia inteiro. A face da imagem permaneceu restaurada apenas parcialmente.

Movida por tal prodígio, a piedade popular foi se ampliando, sendo recompensada por grandes milagres que não cessaram até hoje. Brotou no local um jorro de água cristalina, e a Ordem de São Domingos decidiu construir ali um templo, a Igreja da Renovação, para promover a veneração da tela milagrosa. Este novo santuário foi consagrado em 1823, e seis anos depois, em 1829, a Santíssima Virgem era ali coroada Padroeira da Colômbia por ordem do Papa Pio VII.

Do alto de seu altar privilegiado, onde sempre nos espera acolhedora e misericordiosa, a Santíssima Virgem reina serenamente desde então sobre todo o povo colombiano, que ali promove jubileus muito concorridos. As multidões que visitam a milagrosa pintura ao longo dos séculos nunca saem decepcionadas: sempre atendidas com magnanimidade.

Na sua prodigiosa renovação, a Santíssima Virgem se manifestou em meio ao fogo e aos raios. Pode-se ver aí uma relação com o caráter ardente e apaixonado de seu povo, que vai delineando gradualmente a sua vocação, a sua luz primordial. O povo colombiano quer a afirmação da verdade: “Seja a tua palavra: Sim, sim; não, não; pois o que não for isso procede do mal” (Mt 5, 37).

Homenagem à Padroeira numa de suas festas anuais

Na contemplação amorosa de sua fisionomia, sempre fica a pergunta: por que, apesar de permanecer intacta, a Santíssima Virgem quer mostrar-se parcialmente restaurada? Parece haver nela uma promessa de restauração total, uma garantia de que a nação se mostrará plenamente em um futuro grandioso, se corresponder às graças da sua Rainha. Unido a Ela, o povo colombiano pode escrever sua própria história, definindo com fé o seu caráter e identidade.

Na próxima festividade de Nossa Senhora do Rosário de Chiquinquirá, a realizar-se no dia 9 de julho, suplicar-lhe-emos com confiança que se manifeste inteiramente à nação da qual é Rainha e Padroeira, e ponha fim à terrível crise de fé em que vivemos.



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terça-feira, 7 de julho de 2020

ANALISTA LITERÁRIA MAIÚSCULA, por Cyro de Mattos

Analista Literária Maiúscula
Cyro de Mattos*


            A linguagem literária é caminho importante para a compreensão do outro mais o mundo.  As obras literárias falam à imaginação e ao sentimento. As científicas, de preferência à razão. A soma da sabedoria humana não está apreendida por nenhuma linguagem. Nenhuma linguagem em particular é capaz de exprimir todas as formas e graus de compreensão humana. De todas as linguagens a que mais se aproxima dessa condição é a literária A literatura é a expressão mais completa do homem, como ente que pensa e sente. A linguagem literária é a mais completa para a leitura do mundo. Todas as outras expressões referem-se ao homem enquanto especialista de uma atividade.

            Só a literatura concebe e apreende o homem enquanto homem. Sem distinção nem qualificação alguma. É a via mais direta para que os povos se entendam e se encontrem como irmãos. Assim, ela devolve ao ser humano, o que de fato lhe pertence como aptidão e aderência:  a inteligência e a emoção.

            Essa crença nos sinais visíveis da escrita como expressão do pensamento mágico e do pensamento lógico é o que Nelly Novaes Coelho veio transmitindo em sua prática de docência universitária e exercício da crítica literária durante 50 anos.

           Portadora de uma didática admirável, pesquisadora exemplar, analista  lúcida.  Registra a voz de muitos autores que vêm dando seu testemunho de vida e ideais por meio da Palavra. Seus dicionários de escritoras brasileiras e da literatura infantil e juvenil brasileira são pontos elevados na valorização do corpo literário brasileiro.

           Ao colocar a cultura e a literatura  em tão rico  patamar, contribuindo decisivamente para a construção do patrimônio comum a todos os estudiosos e criadores literários, o seu trabalho de  intelectual maiúscula  é assombroso. A tarefa de pesquisa,  cara às universidades, à reflexão das mutações do mundo, historicidade e atualidade do homem, circunstanciado no ontem e no hoje,  encontra em Nelly Novaes Coelho  a dinâmica perfeita que emerge da vocação voltada para os campos investigativos e interpretativos, culturais e literários.

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*Cyro de Mattos é escritor e poeta. Membro Titular da Academia de Letras da Bahia e do Pen Clube do Brasil. Primeiro Doutor Honoris Causa da Universidade Estadual de Santa Cruz. Um dos idealizadores da Academia de Letras de Itabuna (ALITA).

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segunda-feira, 6 de julho de 2020

O POÇO DOS MARIDOS – Humberto de Campos


          Ferdinanda Sobreiro havia sido, até os vinte e três anos, uma das moças mais requestadas e formosa dos salões do Rio de Janeiro. Muito clara, cabelos castanhos, olhos suavemente azuis, porte mediano, nenhuma a sobrepujava nas maneiras, na elegância, na distinção e, principalmente, na graça de um sinalzinho petulante, que lhe dava ao rosto, na face esquerda, o retoque de uma brejeirice encantadora. Aquele sinalzinho era, podia-se dizer, o ponto final da formosura. Ao escrever o poema da beleza feminina, Deus havia posto, ali, a última palavra do derradeiro capítulo.

            Os anos foram-se, porém, sucedendo, uns aos outros, e como gotas da mesma clepsidra; e o certo é que, aos vinte e oito, a moça não havia encontrado marido. Amigas mais feias, ou, antes menos bonitas, iam, uma a uma, recebendo o seu noivo, constituindo o seu lar, multiplicando o seu sangue; e ela, somente ela, de tantas que eram, já se deixava ficar na casa de seu pai, cercada de admiradores, atordoada de lisonja, mas sem ver um homem que  a convidasse, leal e sincero, para constituição legal de um ninho em comum. A Belita Simpson, que não tinha os seus olhos nem o seu sorriso, havia encontrado o Dr. Mascarenhas, advogado estudioso e jovem, e lá andava pela Europa em passeio de núpcias, percorrendo as cidades, experimentando os climas, visitando os museus. A Alice Martins era, agora, mme. Lopes Taveira, arrastando pelo braço, nos salões e na Avenida, o grande médico seu marido. A Totinha se casara com um deputado, e dava empregos, e a Tecla Meireles com um capitalista, e dava recepções. Só ela, que fora a mais graciosa, a mais elegante, e mais cobiçada, ali estava sozinha no seu leito de solteira, sentindo aproximar-se, após uma alvorada chilreante de pássaros, uma tarde triste, lúgubre, amortalhada em cinza e silêncio. Onde andava com a sua matilha e com os seus pajens o seu Príncipe Encantado, que não vinha rápido, alarmando a floresta com as buzinas de caça, ao encontro da sua Princesa Adormecida?

            Sem irmãs nem irmãos, que lhe dessem o conforto de uns sobrinhos pequeninos, Fernandinha sentia-se oprimir, afogar, asfixiar, pelo instinto maternal do coração. O pai, alquebrado, não podia mais conduzi-la, com tanta frequência, como dantes, a festas, a passeios, a teatros. Uma primeira ruga riscou-lhe a fronte lisa, partindo, como um fio telegráfico sem destino, do canto dos olhos. Combatida à força de loções, de unguentos, de pomadas, multiplicou-se, dividiu-se, repartiu-se abrindo novos caminhos para as lágrimas. E foi nessa idade, com o sol da mocidade em franco declínio, que Fernandinha adormeceu e teve uma noite, um sonho, que a desiludiu.

            Ao fechar os olhos, humedecidos em torno por uma loção que lhe haviam receitado, sentiu-se, de repente, transportada a uma grande campina, no fim da qual ressoavam harpas e cítaras, que ela procurava e não via. Embevecida, olhava para o lado de onde lhe vinham aquelas vozes embaladoras, quando sentiu, de repente, que alguém lhe tocava o ombro. Voltou-se, assustada, e caiu de joelhos, gemendo:

            - Minha madrinha! Minha Madrinha! Amparai-me.

            Ao seu lado, radiosa e doce, mal pisando a terra, sorria a imagem de Santa Rosa de Lima, sua madrinha e protetora, à qual havia rezado contritamente, aflitamente, antes de adormecer, pedindo a graça de um marido. Sorriso nos lábios, aureola à cabeça, mãos sobre o peito, a Santa Rosa fitava-a com ternura, quando, carinhosa, ordenou:

            - Minha filha, vem...

            E puseram-se a andar pela campina, uma ao lado da outra, mas tão leves, tão brandas, tão ligeiras, as duas, que nem pesavam sobre o relvado orvalhado. Súbito, ouviram vozes. A planície havia desaparecido e Fernandinha estava, agora, diante de um grande poço, em torno do qual se aglomeravam, apertando-se, empurrando-se, disputando, dezenas, centenas, milhares de moças. Espremendo uma, afastando outra, a rapariga chegou à beira do abismo e viu: de dentro saía uma corda, puxada por um sacerdote, na qual vinha amarrado, de sete em sete palmos um homem, que as mulheres, em cima, recebiam debaixo de gritaria.

            - Que é isto? Indagou, tímida, Fernandinha, a uma desconhecida que lhe ficara ao lado.

            - Então você aqui e não sabe?

            E como percebesse a sinceridade daquela pergunta:

            - Isso aqui é o poço dos maridos, o lugar de onde eles vêm. Essas moças que aqui vê, estão esperando cada uma aquele que lhe é destinado.

            - E a senhora já encontrou o seu? – Indagou Fernandinha admirada.

            A outra baixou os olhos, e confessou:

            - Não, senhora. Estou aqui há doze anos. Felizmente ainda não perdi a esperança...

            A rapariga ia rir da sua vizinha quando seus olhos descobriram, do outro lado do poço, várias fisionomias amigas, debruçadas, todas, para o fundo insondável do abismo. Eram Abelita Simpson, Alice Martins, Dorinha Tavares, a Abgail Queiróz, a Ninita, a Maria da Penha, a Lúcia, a Cidinha, a Tude, a Graziela... E a medida que a corda subia, puxada incessantemente pelo sacerdote, desgarrava-se dela  um homem jovem, ou velho, feio, bonito, a cujo pescoço pulara logo um vulto feminino, que nunca o tinha visto, mas que o esperava ansiosamente à beira do poço. E assim viu ela sair o Dr. Mascarenhas, o Lopes Taveira, o comandante Maia Cunha, o Dr. Casemiro Alves, o Tenente Alberto Wellington, em cujos braços se atiraram  logo, a Belita, a Alice, a Tecla, a Totinha, a Maria da Graça, que lá se iam, felizes, pela campina com seus maridos..

            De repente, Fernandinha sentiu uma agitação íntima, um susto, uma inquietação deliciosa, uma espécie de pressentimento. Uma vontade de fugir, de esquivar-se, agitou-lhe os nervos, mas os pés a detiveram, autoritários, no mesmo lugar. Alguma coisa de grave, de inesperado, ia, necessariamente acontecer. E estava ela nessa angústia, nessa tortura, encantada, quando a Santa, sua madrinha, lhe apareceu, de novo, anunciando-lhe:

            - Minha filha, olha para o fundo do poço. Teu noivo, o homem que te é destinado para marido, está para chegar. É o oitavo, depois deste que saiu agora.

            O ímpeto de Fernandinha foi o de atirar-se à Santa, abraçando-a, apertando-a, cobrindo-a de beijos gulosos, de furiosa gratidão. Era preciso, porém, olhar para o fundo do poço, e receber com os olhos, de longe, o seu prometido; a ansiedade dominou-se, curvando-se sobre o abismo. Debruçada para dentro, contou os vultos que se divisavam agarrados à corda!

            - Um... dois... três... quatro... cinco... seis... sete... oito...

            Era aquele. De longe, na meia escuridão, não lhe podia divisar as feições, nem avaliar a idade. O coração batia-lhe, inquieto, sôfrego, descompassado. Um suor frio corria-lhe por todo o corpo, numa vertigem. As pernas tremiam-lhe, mal sustendo o peso do busto amparado ao muro do poço. A manivela continuava porém, a rodar, manejada pelo padre, e a corda a subir trazendo gente. Agora faltavam apenas quatro. Ele era o quinto.

            Apesar da penumbra, Fernandinha via-lhe, já, as feições. Era jovem, sim! Jovem e bonito. Na sua coquetearia instintiva a moça levou as duas mãos ao cabelo, afofando o penteado. Mais um movimento da manivela e a claridade exterior atingiu. Chicoteado pelo jato de luz o rapaz ergueu o rosto, e encontrando, em cima, os olhos dela, encarou-a e sorriu. Fernandinha quase desmaia de gozo, de prazer, de ventura. Toda ela era alvíssaras de carne, alvíssaras de nervo, alvíssaras de coração. Agora, ele era o segundo. Olhos nos olhos, embebidos um no outro, as suas mãos já se tocavam quase.

            Fernandinha sorria e chorava. Mais uma volta da manivela e estaria ele nos seus braços. Esperava, como se fosse um século, a passagem deste grão de areia na ampulheta da eternidade, quando um grito reboou alarmando a multidão.

            - Fujam! Fujam! – Avisou alguém.

            A massa recuou, espavorida, deixando Fernandinha, sozinha, à beira do poço.

            - A corda vai partir-se! – bradou a mesma voz com terror. Atordoada, a moça voltou-se, e viu. Um pouco acima de sua cabeça no ponto que passava pelo carretel, o cabo desfiava-se, rápido, ameaçando romper-se. Soltando um grito, a rapariga estendeu as mãos, aflita, louca, desesperada, para o fundo do poço. Era, porém, tarde. Rodopiando com o peso, o cabo se havia distorcido de repente, estalando num ruído seco, atirando, com um estrondo surdo, a sua carga humana, no fundo do abismo.

            Um grito de raiva, de angústia, de dor alucinante, alarmou, àquela hora da noite a família Sobreira. Pessoas da casa acorreram, em trajes de dormir.

            Curvada para fora do leito, os braços estendidos para o chão, o rosto lavado em lágrimas, Fernandinha chorava nervosamente, aflitamente, agoniadamente, no seu primeiro ataque de histeria.

(CONTOS DE ALCOVA - Dezembro de 1963)
Compilados por Yves Idílio

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HUMBERTO DE CAMPOS

          Sem sombra de dúvidas HUMBERTO DE CAMPOS VERAS foi quem, dentre os escritores brasileiros, dominou com maior mestria o ensaio e a novela.
           Atual, perene, possui aquele dom indescritível que faz as grandes obras permanecerem sempre atuais, sempre vivas...
            Natural do Maranhão impregnou suas páginas de uma nostalgia, de um humanismo pungente característico dos naturais daquela região.
            Neste “Poço de Maridos”, ele se revela sarcástico, mordaz, cruel mesmo, mas sem nunca fugir ao realismo tão seu e do qual foi um dos pioneiros no Brasil.

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Terceiro ocupante da Cadeira 20 da ABL, eleito em 30 de outubro de 1919, na sucessão de Emílio de Menezes e recebido pelo Acadêmico Luís Murat em 8 de maio de 1920. Humberto de Campos (H. de C. Veras), jornalista, crítico, contista e memorialista, nasceu em Miritiba, hoje Humberto de Campos, MA, em 25 de outubro de 1886, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 5 de dezembro de 1934.

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domingo, 5 de julho de 2020

AMAI O AMOR QUE NÃO É AMADO – Marília Benício dos Santos

      
   
  4 de outubro, dia de São Francisco.

            Tenho grande admiração por São Francisco. Foi a primeira imagem que entrou em minha casa. Meu pai era espírita. E, como bom espírita, coerente com suas ideias, não possuía imagens em casa. Eu, quando despertei para a minha responsabilidade de católica, achei que deveria cuidar da conversão dele. E, como protetor escolhi São Francisco, pois o meu pai se chamava Francisco. Comprei uma pequenina imagem e coloquei no meu quarto. Rezava muito pedindo a São Francisco não só por meu pai, mas também pelos meus irmãos. Mas o melhor é que procurei conhecer a vida desse santo. Ninguém ama aquilo que não conhece. Através das leituras fiquei conhecendo Francisco e me apaixonando por ele. A sua vivência de pobreza e o seu amor pelo Cristo me empolgavam. Como invejava Santa Clara por ter conhecido São Francisco, por ter sido sua seguidora! Muitas vezes penso: “como gostaria de ter um Francisco em minha vida!” Como sinto falta! Às vezes, Afonso faz-me lembrar São Francisco. Converso muito com ele. Vamos até o arpoador conversando. Fazemos verdadeiras reflexões. Cada qual conta suas experiências com o Pai. É tão bom!

            Hoje, olhando o mar, o sol e os homens que correm para gozar destas delícias, mas não se lembram de seu Autor, daquele que não se cansa de manifestar o seu amor por eles, lembro-me de São Francisco. “Amai o Amor que não é amado”. Este amor que está dentro de cada um de nós precisando apenas de nossa disposição.

            Na minha juventude, queria fazer milhões de coisas ao mesmo tempo: visitava os pobres, ensinava o catecismo, tinha reuniões e mais reuniões. Vivia sufocada e mamãe, com muita razão dizia: “Menina, você quer abarcar o mundo sozinha”.

            Hoje, quero, sim, abraçar o mundo, mas como os meus braços são pequenos, quero uni-los aos de meus irmãos e formar uma grande cadeia por onde circule o Amor e assim realizar o que São Francisco pregou: “Amai o Amor que não é amado”.


(ARCO-ÍRIS)
Marília Benício dos Santos

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