Total de visualizações de página

segunda-feira, 6 de abril de 2020

ORAÇÃO AO SANTÍSSIMO CRUCIFIXO (de Roma)



No séc. XVI, enquanto uma praga dizimava Roma, foi organizada uma peregrinação pelas ruas da cidade com um Crucifixo considerado milagroso. Enquanto a procissão ia avançando, a praga ia regredindo. Esta é a oração que se reza ao Santíssimo Crucifixo:


Ó Jesus, que pelo Vosso amor ardente por nós quisestes ser crucificado e derramar o Vosso Sangue para redimir e salvar as nossas almas, vede-me aqui prostrado aos Vossos pés confiado na Vossa misericórdia.

Pelas Vossas dores e pelos méritos da Vossa Santa Cruz e morte, dignai-Vos conceder-me a graça que ardentemente Vos peço... (dizer a graça que se pede - pedir, neste momento, pelo fim da epidemia e pela nossa saúde da alma e do corpo).

E Vós, minha Mãe, Virgem das Dores, escutai a minha oração, intercedei por mim junto do Vosso divino Filho e pedi-Lhe que me conceda os favores e as graças que Lhe peço. Amém.

Pai Nosso, Avé Maria, Glória ao Pai

Jaculatória: «Misericórdia, Santíssimo Crucifixo».





* * *


REFLEXÕES PARA A MAGNA SEMANA — A SEMANA SANTA


Publicado em 6 de abril de 2020


“Mas ele [Jesus] foi castigado por nossos crimes e esmagado por nossas iniquidades; o castigo que nos salva pesou sobre Ele; fomos curados graças às suas chagas”.
(Isaías, 53, 5)
....

“Jesus foi desprezado e coberto de ignomínia quando estava na cruz. Seu rosto foi velado e maltratado a fim de que o poder divino se ocultasse sob o corpo humano”.

(São Jerônimo)
....

“Se a tua mente não se eleva à contemplação desse Homem-Deus crucificado, volta atrás e, começando desde o início até o fim, rumina todos os caminhos da Paixão e da Cruz do Homem-Deus vilipendiado. E se não podes retomar e falar de novo destas coisas com o coração, repete-as frequentemente e amorosamente com os lábios, porque aquilo que se repete com frequência com os lábios dá calor e fervor ao coração”.
(Santa Ângela de Foligno)



* * *


domingo, 5 de abril de 2020

PALAVRA DA SALVAÇÃO (177)


Domingo de Ramos – 05/O4/2020

Anúncio do Evangelho (Mt 27,11-54)

Narrador 1: Paixão de nosso Senhor Jesus Cristo, segundo Mateus: Naquele tempo, Jesus foi posto diante de Pôncio Pilatos, e este o interrogou: “Tu és o rei dos judeus?” Jesus declarou:
— “É como dizes”.

Narrador 1: E nada respondeu, quando foi acusado pelos sumos sacerdotes e anciãos. Então Pilatos perguntou: “Não estás ouvindo de quanta coisa eles te acusam?” Mas Jesus não respondeu uma só palavra, e o governador ficou muito impressionado. Na festa da Páscoa, o governador costumava soltar o prisioneiro que a multidão quisesse. Naquela ocasião, tinham um prisioneiro famoso, chamado Barrabás. Então Pilatos perguntou à multidão reunida: “Quem vós quereis que eu solte: Barrabás, ou Jesus, a quem chamam de Cristo?”

Narrador 2: Pilatos bem sabia que eles haviam entregado Jesus por inveja. Enquanto Pilatos estava sentado no tribunal, sua mulher mandou dizer a ele: “Não te envolvas com esse justo, porque esta noite, em sonho, sofri muito por causa dele”. Porém, os sumos sacerdotes e os anciãos convenceram as multidões para que pedissem Barrabás e que fizessem Jesus morrer. O governador tornou a perguntar: “Qual dos dois quereis que eu solte?” Eles gritaram:
— “Barrabás”

Narrador 2: Pilatos perguntou: “Que farei com Jesus, que chamam de Cristo?” Todos gritaram:
— “Seja crucificado!”

Narrador 2: Pilatos falou: “Mas, que mal ele fez?” Eles, porém, gritaram com mais força:
— “Seja crucificado!”

Narrador 1: Pilatos viu que nada conseguia e que poderia haver uma revolta. Então mandou trazer água, lavou as mãos diante da multidão, e disse: “Eu não sou responsável pelo sangue deste homem. Este é um problema vosso!” O povo todo respondeu:
— “Que o sangue dele caia sobre nós e sobre os nossos filhos”.

Narrador 1: Então Pilatos soltou Barrabás, mandou flagelar Jesus, e entregou-o para ser crucificado. Em seguida, os soldados de Pilatos levaram Jesus ao palácio do governador, e reuniram toda a tropa em volta dele. Tiraram sua roupa e o vestiram com um manto vermelho; depois teceram uma coroa de espinhos, puseram a coroa em sua cabeça, e uma vara em sua mão direita. Então se ajoelharam diante de Jesus e zombaram, dizendo:
— “Salve, rei dos judeus!”

Narrador 2: Cuspiram nele e, pegando uma vara, bateram na sua cabeça. Depois de zombar dele, tiraram-lhe o manto vermelho e, de novo, o vestiram com suas próprias roupas. Daí o levaram para crucificar. Quando saíam, encontraram um homem chamado Simão, da cidade de Cirene, e o obrigaram a carregar a cruz de Jesus. E chegaram a um lugar chamado Gólgota, que quer dizer “lugar da caveira”. Ali deram vinho misturado com fel para Jesus beber. Ele provou, mas não quis beber. Depois de o crucificarem, fizeram um sorteio, repartindo entre si as suas vestes. E ficaram ali sentados, montando guarda. Acima da cabeça de Jesus puseram o motivo da sua condenação:
— “Este é Jesus, o Rei dos Judeus”.

Narrador 1: Com ele também crucificaram dois ladrões, um à direita e outro à esquerda de Jesus. As pessoas que passavam por ali o insultavam, balançando a cabeça e dizendo: ”Tu, que ias destruir o Templo e construí-lo de novo em três dias, salva-te a ti mesmo! Se és o Filho de Deus, desce da cruz!” Do mesmo modo, os sumos sacerdotes, junto com os mestres da Lei e os anciãos, também zombavam de Jesus: ”A outros salvou... a si mesmo não pode salvar! É Rei de Israel... Desça agora da cruz! E acreditaremos nele. Confiou em Deus; que o livre agora, se é que Deus o ama! Já que ele disse: Eu sou o Filho de Deus”.

Narrador 2: Do mesmo modo, também os dois ladrões que foram crucificados com Jesus, o insultavam. Desde o meio-dia até as três horas da tarde, houve escuridão sobre toda a terra. Pelas três horas da tarde, Jesus deu um forte grito:
— “Eli, Eli, lamá sabactâni?”

Narrador 2: Que quer dizer:
— “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?”

Narrador 2: Alguns dos que ali estavam, ouvindo-o, disseram:
— “Ele está chamando Elias!”

Narrador 2: E logo um deles, correndo, pegou uma esponja, ensopou-a em vinagre, colocou-a na ponta de uma vara, e lhe deu para beber. Outros, porém, disseram:
— “Deixa, vamos ver se Elias vem salvá-lo!”

Narrador 2: Então Jesus deu outra vez um forte grito e entregou o espírito. (Todos se ajoelham.). E eis que a cortina do santuário rasgou-se de alto a baixo, em duas partes, a terra tremeu e as pedras se partiram. Os túmulos se abriram e muito corpos dos santos falecidos ressuscitaram! Saindo dos túmulos, depois da ressurreição de Jesus, apareceram na Cidade Santa e foram vistos por muitas pessoas. O oficial e os soldados que estavam com ele guardando Jesus, ao notarem o terremoto e tudo que havia acontecido, ficaram com muito medo e disseram:
— “Ele era mesmo Filho de Deus!”

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

---
Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Padre Roger Araújo:

---

Este é o profeta Jesus, de Nazaré da Galileia” (Mt 21,11)

A vida de Jesus é uma grande subida a Jerusalém; e nesta subida, segundo os relatos evangélicos, Ele desconcertou a todos. Evidentemente, desconcertou as pessoas mais religiosas e observantes da religião judaica: fariseus, escribas, sacerdotes, anciãos... Não só Jesus foi a pessoa mais desconcertante de toda a história, mas nele aconteceu algo também desconcertante. Ele desencadeou na história da humanidade um “modo de viver” que quebrou toda estrutura petrificada, sobretudo religiosa, constituindo um “movimento” ousado, que colocava o ser humano no centro.

Um movimento alternativo às instituições romanas e à organização sacerdotal do judaísmo; um movimento “marginal” que dava prioridade aos pobres, aos deslocados, aos doentes e excluídos, aos perdedores... e que não tinha nada a ver com uma organização fundada no poder, no prestígio, na riqueza...

Este movimento, desencadeado na Galileia, chega agora às portas da “cidade santa”, Jerusalém.

Aquele homem que movia multidões por todo o país, por sua pregação e milagres, não é um revolucionário violento. E, no entanto, nem por isso deixa de ser inquietante, transgressor e perigoso.

Jesus foi assim e assim Ele viveu; todo o resto lhe sobrava (leis, culto, templo, estrutura religiosa...). 

Em nome de um Deus que a todos acolhe e chama, que é Pai-Mãe de todos, Jesus transgrediu a estrutura que sustentava uma sociedade fechada, fundada na lei do mais forte e na violência de quem detém o poder.

Jesus foi um transgressor porque rompeu as fronteiras que foram traçadas pelos poderosos, abrindo um caminho de humanidade a partir de baixo, do lado dos excluídos...
Ele não veio para sancionar uma ordem existente, deixando cada um com sua exclusão, senão para oferecer a todos um caminho de humanidade.

Um transgressor consequente, a serviço da vida e dos últimos.

Como transgressor subiu a Jerusalém; e por isso sua morte será tramada por aqueles que se sentiam ameaçados e sua vida acabará destroçada pelas mãos dos profissionais da morte.

Em Jesus acontece algo totalmente novo; Ele desencadeou um “movimento de vida”; Ele trouxe uma nova maneira de viver e de comunicar vida que não cabia nos esquemas daqueles que estavam petrificados em suas posições e visões.

A novidade de Jesus consistia, justamente, em afirmar que existe um caminho para encontrar a Deus que não passa pelo Templo, pela pompa dos ritos e pela observância estrita das leis. Desse modo, reconhece-se a vida como lugar privilegiado da Sua Presença.

Quem entra em comunhão de vida com Ele, conhece uma vida diferente, de qualidade nova, expansiva...

Isso implica: acolher outras vidas na nossa própria vida, abrir espaços para que as histórias dos excluídos e diferentes encontrem morada nas nossas entranhas, na nossa memória e no nosso coração; descer de nossa montaria, como bons samaritanos, para nos aproximar e cuidar das vidas feridas... 

A entrada de Jesus em Jerusalém é um chamado à vida. Ele é a Vida que abre caminho por aqueles espaços urbanos, carregados de poder e morte. Vida despojada de vaidade e prestígio, conduzida por um jumentinho.

Jesus se apresenta sem coroa e sem ornamentos; não tem outra coisa a compartilhar a não ser o amor e o serviço; não vem para governar e impor sua vontade, mas fazer-se irmão de todos. Jesus não busca grandes aclamações, nem aplausos, mas tão somente busca o sentido e a razão de viver.

“Quando Jesus entrou em Jerusalém, a cidade inteira ficou agitada” (v.10).

“Agitar”: este verbo não traduz bem a realidade: na verdade, a cidade ficou abalada, como se fosse um tremor de terra. Quando Jesus entrou, como Rei messiânico em Jerusalém, a cidade tremeu, como aconteceu com o anúncio do seu nascimento (Mt 2,3) e como será na hora da sua morte (Mt 27,51).

Jesus, com sua presença surpreendente, sacudiu a cidade de sua “normalidade doentia”, de sua letargia, de seu ritualismo comandado por aqueles que eram os poderosos traficantes da dor e da morte.

Jesus é a Vida verdadeira, a Vida que deseja despertar vida nos outros, para romper com tudo aquilo que a limita. Por isso, o relato deste Domingo de Ramos quer expressar o encontro de uma cidade com Aquele que é Vida e que é fonte de vida em crescente amplitude. Jesus, o “biófilo”, também sonhava com uma Jerusalém acolhedora, espaço da convivência e da paz.

Quando Jesus quer entrar no coração humano, não busca fazer espetáculos. Busca a simplicidade.

O povo lançava ao solo seus mantos. O que deveríamos pôr como tapete para que Jesus venha até nós caminhando sobre ele? Em vez de mantos, talvez pudéssemos cobrir o solo com tudo aquilo que nos sobra

e outros necessitam; também deveríamos forrar o chão com nossas debilidades, com nossas resistências, com nossas carências... Porque também nossas pobrezas podem cobrir de festa o caminho. O caminho de Jesus que vem a nós é também caminho de libertação e cura. 

A liturgia deste dia também nos recorda que o “espaço urbano” é, certamente, área de missão da Igreja e dos cristãos. Sua principal preocupação deve ser a defesa integral da vida e de seu sentido último, o mundo dos valores éticos que iluminam o homem e a mulher na sua ação no mundo.

Como seguidores(as) de Jesus, é preciso voltar a pôr o coração de Deus no coração da grande cidade, para renová-la a partir de dentro.

Faz-se necessário uma opção por adentrar e viver imersos, com todas as consequências, no interior dos grandes centros urbanos, em seu coração, para aí descobrir o verdadeiro coração de Deus que pulsa ao ritmo dos despossuídos, dos excluídos, dos sofredores  e dos sedentos por uma vida mais digna.

No meio das cidades encontramos homens e mulheres “especiais” que carregam alegremente, e muitas vezes com um profundo sentido crítico e político, a dor da humanidade, e se convertem assim em fator essencial de esperança para um futuro humanizador; são pessoas que prestam sua vida, sua acolhida e seus cuidados aos doentes, aos moradores de rua, aos deficientes, aos anciãos e solitários...

Neste tempo de pandemia do “coronavírus”, devemos expressar nossa especial gratidão aos “profissionais da saúde” que arriscam suas vidas para que outros possam fazer a “travessia” sem piores consequências.

Somos convidados a viver a mística dos profetas nas grandes cidades. O místico não se cansa de ser sinal de esperança e testemunha do Deus da Vida no meio das contradições da cidade. Na cidade somos chamados a abrir nossas casas e estarmos sempre prontos para receber os desafios que vem da rua.

A ação profética é sempre a busca permanente do outro, além das paredes da própria casa.
  
Texto bíblico: Mt 21,1-11
Na oração: preparar-se para fazer o “caminho da fidelidade” de Jesus, vivendo intensamente os mistérios da Semana Santa, através das celebrações, do silêncio solidário e do compromisso com aqueles que, na Jerusalém de hoje,  prolongam a Paixão de Jesus.

Pe. Adroaldo Palaoro sj

* * *

NÃO PODEMOS VIVER E ANDAR CAMBALEANDO


A pandemia chegou e as escolas fecharam.

Todos os Enzos e Valentinas estão em casa, assim como seus pais (na maioria das casas, só a mãe).

Tem mãe cobrando da escola que tenha, de uma hora para outra, estrutura para dar videoaula para crianças de 6 anos. Porque Enzo não pode parar o processo de alfabetização.

Tem pai reclamando da mensalidade e já montou grade e contratou dois professores porque Valentina não pode perder o ano, vai fazer provas de “vestibulinho” no final do ano e tem que aprender física quântica só para garantir.

Tem professora em casa surtando, porque de uma hora para outra precisa mudar totalmente a metodologia e dar conteúdo digital sem a interação social. Ela precisa de acesso à internet, computador, silêncio e muitas, muitas vezes ela está dando conta dos seus próprios Enzos e Valentinas que ficavam na escola em horário integral e agora precisam comer, correm e sujam a casa.

Tem família chorando porque não está dando conta da demanda mental de fazer deveres por 4h todo dia porque tem que fazer comida, limpar, lavar e cuidar da avó, ir ao mercado com medo e pensar que não vai ter dinheiro porque a lojinha está fechada.

Tem professor universitário que dá aula para alunos que ele SABE que estão trabalhando e não vão ter condição de acompanhar aula on-line, que não tem computador, impressora, internet e ele precisa dar aula ainda assim, sabendo que vai ter que aprovar esse aluno por justiça sem ter absorvido qualquer conteúdo.

Tem mulher sofrendo tentando ser empregada, baba, cozinheira e animadora de casa de festa sem estrutura e ainda tem que manter as crianças quietas porque o pai está trabalhando em casa e precisa de silêncio e de manter o trabalho que bota comida em casa.

Tem casa com um único computador, com pai e mãe trabalhando de casa e dois adolescentes precisando fazer aula on-line no mesmo horário.

Muito mais que falar em homeschooling, é preciso falar sobre escolarização precoce, cobranças excessivas e demandas curriculares desnecessárias.

Tem professor ficando sem salário.
Tem mãe ficando sem saúde mental.
Tem adolescente com medo.
Tem criança tendo crise de ansiedade.

Gente...
Sabem o que vai acontecer quando acabar a pandemia?
Uma sociedade esgotada e ainda mais adoecida mentalmente.

COBREM MENOS.
De todos: de você, da escola, do seu filho.
Abracem mais, riam mais, assistam filmes.
Já tá difícil demais passar por isso, sem toda essa carga extra.
Cuidem-se, lave, as mãos e não saiam de casa.


(Recebi via WhatsApp, sem menção de autoria)
  
* * *

sábado, 4 de abril de 2020

INFORMAÇÃO VINDA DE UMA ENFERMEIRA QUE ESTÁ A TRABALHAR DIRECTAMENTE COM PACIENTES INFECTADOS PELO VÍRUS.



Tenho visto muitas recomendações sobre medidas a tomar para a prevenção do vírus. Lavar bem as mãos, práticas de higiene pessoal e distância social. Mas não tenho visto recomendações sobre o que fazer se por acaso for infectado pelo vírus. 
Como enfermeira, deixo algumas sugestões


1.coisas que realmente precisa de comprar:

- Kleenex

- paracetamol

- qualquer xarope de tosse disponível nas farmácias (prestar atenção no rótulo para não duplicar no paracetamol)

- limão e mel funciona da mesma maneira;

-vicks vaporub para o peito também é uma boa opção.


- se tiver um umidificador, use no seu quarto quando for dormir, se não tiver pode ligar o chuveiro na água quente e ficar na casa de banho fechado inalando o vapor da água

2- se tem um historial do asma, assegure-se que a sua bomba de asma não está fora do prazo, ou compre uma nova;

3- tenha muita sopa congelada no frigorífico.

4- faça um stock dos seus líquidos favoritos para poder variar, mas água é chá são preferíveis.


O QUE FAZER QUANDO COMEÇAR A TER OS SINTOMAS


1- se tiver febre acima dos 38°C, é melhor tomar paracetamol em relação ao ibuprofeno; paracetamol 1000 - 1 comprimido de 8/8 h.

2- HIDRATE, porque o vírus acomoda-se mais rápido em garganta seca;

3- descanse muito! Não deve sair de casa mesmo se começar a se sentir melhor, porque estará infectado durante 14 dias.
Não contacte com pessoas idosas ou com problemas de saúde.

4- peça a amigos e familiares que deixem o necessário do lado de fora da sua porta para evitar contacto.

Se a febre aumentar acima dos 39°C e não a conseguir controlar ou tiver dificuldade respiratória, contactar a Saúde.

Fiquem calmos, e preparem-se de maneira racional que tudo ficará bem.


OBS: Não seja egoísta, partilhe com os outros e seja solidário para salvar vidas


(Recebi via WhatsApp)


* * *

sexta-feira, 3 de abril de 2020

O REGIME CHINÊS E SUA CULPABILIDADE MORAL PELO CONTÁGIO GLOBAL — COVID-19

3 de abril de 2020

Declaração do Cardeal 
Charles Bo — Arcebispo de Yangon Myanmar

Cardeal Charles Bo

Na sexta-feira passada, o Papa Francisco estava diante de uma Praça de São Pedro vazia, falando com milhões de pessoas em todo o mundo, assistindo através de transmissões e online. A praça estava vazia, mas em toda parte os corações estão cheios não apenas de medo e de tristeza, mas também de amor. Em sua bela homilia Urbi et Orbi, ele nos lembrou que a pandemia de coronavírus uniu nossa humanidade comum. “Percebemos que estamos no mesmo barco, todos frágeis e desorientados, mas importantes e necessários ao mesmo tempo, todos fomos chamados a remar”, disse ele.

Nenhum canto do mundo está intocado por essa pandemia, nenhuma vida não afetada. Segundo a Organização Mundial da Saúde, quase um milhão de pessoas foram infectadas até agora e mais de 40.000 morreram. Quando isso acabar, estima-se que o número global de mortes será de milhões.

Vozes internacionais estão se levantando contra a atitude negligente demonstrada pela China, especialmente por seu despótico Partido Comunista Chinês (PCCH) liderado por seu homem forte Xi. O London Telegraph (29 de março de 2020) disse que o Ministro da Saúde local acusou a China de esconder a verdadeira escala de coronavírus. Com choque, relatou a reabertura dos mercados “úmidos”, que foram identificados como a causa da propagação do vírus. James Kraska, um estimado professor de direito, escrevendo na última edição da War on Rocks (23 de março de 2020), diz que a China é legalmente responsável pelo COVID-19 e que poderiam ser feitas reivindicações em trilhões.

Um modelo epidemiológico da Universidade de Southampton descobriu que se a China tivesse agido mais rapidamente e de maneira responsável apenas uma, duas, ou três semanas, o número de afetados pelo vírus teria sido reduzido em 66%, 86% e 95%, respectivamente. Seu fracasso desencadeou um contágio global matando milhares.

Em meu país, Myanmar [mapa], somos extremamente vulneráveis. Na fronteira com a China, onde o COVID-19 começou, somos uma nação pobre, sem os recursos de saúde e assistência social dos países mais desenvolvidos. Centenas de milhares de pessoas em Mianmar são deslocadas por conflitos, vivendo em campos no país ou em nossas fronteiras, sem saneamento, medicamentos ou cuidados adequados. Nesses campos superlotados, é impossível aplicar as medidas de “distanciamento social”que estão sendo implementadas por muitos países. Os sistemas de saúde nos países mais avançados do mundo estão sobrecarregados, então imaginem os perigos em um país pobre e cheio de conflitos como Mianmar.

Ao examinarmos o dano causado à vida em todo o mundo, devemos perguntar quem é o responsável? É claro que críticas podem ser feitas às autoridades em todos os lugares. Muitos governos são acusados ​​de não se terem preparado quando viram o coronavírus surgir em Wuhan.

Mas há um governo que tem responsabilidade primária, como resultado do que fez e do que deixou de fazer, e esse é o regime do Partido Comunista Chinês (PCCH) em Pequim. Deixem-me esclarecer: o responsável foi o PCCH — não o povo da China —, e ninguém deve responder a esta crise com ódio racial contra os chineses. De fato, o povo chinês foi a primeira vítima desse vírus e vem sendo há muito tempo a principal vítima de seu regime repressivo. Ele merece nossa simpatia, nossa solidariedade e nosso apoio. Os responsáveis são a repressão, as mentiras e a corrupção do PCCH.

Quando o vírus surgiu, as autoridades da China suprimiram a notícia. Em vez de proteger o público e apoiar os médicos, o PCCH silenciou os denunciantes. Pior do que isso, médicos que tentaram acionar o alarme —como o Dr. Li Wenliang [foto] no Hospital Central de Wuhan, que emitiu um aviso aos colegas médicos em 30 de dezembro — receberam ordens da polícia para “parar de fazer comentários falsos”. Li, um oftalmologista de 34 anos, foi informado de que seria investigado por “espalhar boatos” e foi forçado pela polícia a assinar uma confissão. Mais tarde, ele morreu após contrair coronavírus.

Jornalistas jovens cidadãos que tentaram denunciar o vírus desapareceram. Li Zehua, Chen Qiushi e Fang Bin estão entre os que se acredita terem sido presos simplesmente por dizerem a verdade. O jurista Xu Zhiyong também foi detido após publicar uma carta aberta criticando a resposta do regime chinês. 

Uma vez que a verdade se tornou conhecida, o PCCH rejeitou ofertas iniciais de ajuda. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA foi ignorado por Pequim por mais de um mês, e até a Organização Mundial da Saúde, embora colabore estreitamente com o regime chinês, foi inicialmente marginalizada.

Além disso, há uma profunda preocupação de que as estatísticas oficiais do regime chinês estejam subestimando significativamente a escala de infecção na China. Ao mesmo tempo, o PCCH acusou o exército dos Estados Unidos de causar a pandemia. Mentiras e propaganda colocaram em perigo milhões de vidas em todo o mundo.

A conduta do PCCH é sintomática de sua natureza cada vez mais repressiva. Nos últimos anos, vimos uma intensa repressão à liberdade de expressão na China. Advogados, blogueiros, dissidentes e ativistas da sociedade civil foram presos e desapareceram. Em particular, o regime lançou uma campanha contra a religião, resultando na destruição de milhares de igrejas e cruzes e no encarceramento de pelo menos um milhão de muçulmanos uigures em campos de concentração. Um tribunal independente em Londres, presidido por Sir Geoffrey Nice, QC, que processou Slobodan Milosevic, acusa o PCCH de extração forçada de órgãos de prisioneiros de consciência. E Hong Kong — que já foi uma das cidades mais abertas da Ásia — viu suas liberdades, direitos humanos e estado de direito sofrerem uma enorme deterioração.

Através de seu tratamento desumano e irresponsável do coronavírus, o PCCH provou o que muitos pensavam anteriormente: que é uma ameaça ao mundo. A China como país é uma grande e antiga civilização que contribuiu muito para o mundo ao longo da História, mas esse regime é responsável, por negligência e repressão criminais, pela pandemia que hoje varre as nossas ruas.

O regime chinês liderado pelo todo poderoso Xi e pelo Partido Comunista Chinês (PCCH) — não pelo seu povo — nos deve um pedido de desculpas e uma compensação pela destruição que causou. No mínimo, deve amortizar as dívidas de outros países para cobrir os custos do Covid-19. Pelo bem de nossa humanidade comum, não devemos ter medo de responsabilizar esse regime. Os cristãos acreditam nas palavras do Apóstolo Paulo, de que “a verdade vos libertará”. Verdade e liberdade são os pilares gêmeos sobre os quais todas as nossas nações devem construir fundamentos mais seguros e fortes.


Brasão do Cardeal 
Charles Bo, 
Arcebispo de 
Yangon Myanmar

Tradução: Hélio Dias Viana

* * *

quinta-feira, 2 de abril de 2020

VAI DAR TEMPO - Joaquim Falcão


Sempre que o Presidente Trump aparece na televisão, está acompanhado de médicos e cientistas. Ele fala e depois cede para eles o microfone. O Primeiro Ministro Boris Johnson decide com ajuda dos cientistas do Imperial College. Quando informado, muda, inclusive, sua política. Cede aos cientistas. Antes contra, agora a favor da quarentena.

O governador João Doria está sempre acompanhado de grandes médicos e cientistas. Angela Merkel decide consultando cientistas alemães. Aqui mesmo, no início, o Presidente Bolsonaro aparecia acompanhado do entusiasmado e confiante ministro Mandetta. Agora nem tanto.

O que significa este visível ritual, união entre poder político e conhecimento científico?

A autoridade constitucional máxima da nação, seja Primeiro Ministro ou Presidente, qualquer uma, diz aos telespectadores mais ou menos o seguinte: “Eu sou a autoridade política e legal máxima de meu país. A última palavra é minha.  Mas estou baseando esta autoridade máxima na ciência”.

A aplicação da constituição não é apenas pacto ou arena de interesses sociais competitivos. Que ganham ou perdem a cada interpretação do Supremo. Ou nova lei do Congresso.

Como dizia o prof. Portella Nunes, da Academia Nacional de Medicina: ao interpretar a vida temos que partir sempre de uma verdade básica.

Os cientistas são como legisladores também. A ciência inspira a aplicação da constituição.

O problema é que a ciência não tem um só rumo certo e eficiente. Nem hoje sabe com exatidão para onde nos mandar. Nos salvar.

Não existe ainda o tratamento, os remédios, a vacina redentora. Que faria da verdade básica a verdade completa. Ainda que efêmera. O que fazer então? Seguir quem e para onde?

Existe claro vácuo. Que não pode ser apropriado pela anticiência, pelas trevas da ignorância. Solta no ar do voluntarismo autoritário.

Disse o Prêmio Nobel Jacques Monod:  o acaso da evolução do mundo cria as necessidades. Como enfrentar novo acaso?

Primeiro. Se precisamos de isolamento social, precisamos também de união científica. É o que corre nível mundial. Cientistas, professores e alunos juntos.

No Brasil o Sírio-Libanês, LACC, Einstein, Hcor e dezenas de universidades, laboratórios privados têm se unido para trocar informações, bancos de dados, novos softwares e algoritmos. Uns com os outros. Fundação Oswaldo Cruz no Rio sempre à frente.

Imaginar e experimentar todas as hipóteses possíveis. Mesmo nesta época onde a ciência avança tanto como arte combinatória, quanto pelas hipóteses dedutíveis. Descobrir é experimentar.

Estranho, porém, é que nos trilhões de dólares que os governos estão distribuindo esta prioridade não esteja explícita: reforçar as instituições públicas e privadas, seus projetos e seu pessoal.

Sem eles teremos vida precária. Nem mesmo vida econômica, alerta o Presidente Sarney: sem comprador e vendedor. Fim.

Nosso ministro de Ciência e Tecnologia, o astronauta Marcos Pontes precisa defender seu setor.  Com a coragem que tem, tanto na terra como nos céus.

Segundo. A vacina é igualitária. Não é discriminatória, como a economia, a política, o direito e a educação. Cura um, cura todos. Não distribui privilégios. O acesso é que não pode ser desigual.

Terceiro. A verdade básica produzida pela ciência a inspirar a constituição não é verdade absoluta e final. Estática. É o último conhecimento disponível que mais nos aproxima da verdade. No caso, da cura. Da vacina.

Diz, faz décadas, o professor Cláudio Souto, jurista do Recife. Toda constituição deveria estabelecer que a interpretação judicial e a criação legislativa deveriam estar de acordo, partir do conhecimento científico disponível.

Esta conjugação desideologizante da política, da administração pública e do direito e sobretudo da constituição, já tem inspirado decisões judiciais igualitárias.

Sobre gênero, raça, aborto, transplante de medula, pena de morte e tanto mais.

Com ajuda da matemática e da estatística, o último conhecimento científico global testado é: o isolamento social contribui sim para o combate ao vírus.

Confiar na ciência, no exercício do poder político, jurídico e econômico.

Vai dar tempo.

O Globo, 29/03/2020


----------
Joaquim Falcão - Sexto ocupante da Cadeira nº 3 da ABL, eleito em 19 de abril de 2018, na sucessão de Carlos Heitor Cony e recebido em 23 de novembro de 2018 pela Acadêmica Rosiska Darcy de Oliveira.

* * *