No séc. XVI, enquanto uma praga dizimava Roma, foi
organizada uma peregrinação pelas ruas da cidade com um Crucifixo considerado
milagroso. Enquanto a procissão ia avançando, a praga ia regredindo. Esta é a
oração que se reza ao Santíssimo Crucifixo:
Ó Jesus, que pelo Vosso amor ardente por nós quisestes ser
crucificado e derramar o Vosso Sangue para redimir e salvar as nossas almas,
vede-me aqui prostrado aos Vossos pés confiado na Vossa misericórdia.
Pelas Vossas dores e pelos méritos da Vossa Santa Cruz e
morte, dignai-Vos conceder-me a graça que ardentemente Vos peço... (dizer a
graça que se pede - pedir, neste momento, pelo fim da epidemia e pela nossa
saúde da alma e do corpo).
E Vós, minha Mãe, Virgem das Dores, escutai a minha oração,
intercedei por mim junto do Vosso divino Filho e pedi-Lhe que me conceda os
favores e as graças que Lhe peço. Amém.
“Mas ele [Jesus] foi castigado por nossos crimes e esmagado
por nossas iniquidades; o castigo que nos salva pesou sobre Ele; fomos curados
graças às suas chagas”.
(Isaías, 53, 5)
....
“Jesus foi desprezado e coberto de ignomínia quando estava na cruz. Seu rosto
foi velado e maltratado a fim de que o poder divino se ocultasse sob o corpo
humano”.
(São Jerônimo)
....
“Se a tua mente não se eleva à contemplação desse Homem-Deus
crucificado, volta atrás e, começando desde o início até o fim, rumina todos os
caminhos da Paixão e da Cruz do Homem-Deus vilipendiado. E se não podes retomar
e falar de novo destas coisas com o coração, repete-as frequentemente e
amorosamente com os lábios, porque aquilo que se repete com frequência com os
lábios dá calor e fervor ao coração”.
Narrador 1:Paixão de nosso Senhor Jesus Cristo,
segundo Mateus: Naquele tempo, Jesus foi posto diante de Pôncio Pilatos, e
este o interrogou: “Tu és o rei dos judeus?” Jesus declarou:
— “É como dizes”.
Narrador 1: E nada respondeu, quando foi acusado pelos sumos
sacerdotes e anciãos. Então Pilatos perguntou: “Não estás ouvindo de
quanta coisa eles te acusam?” Mas Jesus não respondeu uma só palavra, e o
governador ficou muito impressionado. Na festa da Páscoa, o governador
costumava soltar o prisioneiro que a multidão quisesse. Naquela ocasião,
tinham um prisioneiro famoso, chamado Barrabás. Então Pilatos perguntou à
multidão reunida: “Quem vós quereis que eu solte: Barrabás, ou Jesus, a quem
chamam de Cristo?”
Narrador 2: Pilatos bem sabia que eles haviam entregado
Jesus por inveja. Enquanto Pilatos estava sentado no tribunal, sua mulher
mandou dizer a ele: “Não te envolvas com esse justo, porque esta noite, em
sonho, sofri muito por causa dele”. Porém, os sumos sacerdotes e os
anciãos convenceram as multidões para que pedissem Barrabás e que fizessem
Jesus morrer. O governador tornou a perguntar: “Qual dos dois quereis que
eu solte?” Eles gritaram:
— “Barrabás”
Narrador 2: Pilatos perguntou: “Que farei com Jesus, que
chamam de Cristo?” Todos gritaram:
— “Seja crucificado!”
Narrador 2: Pilatos falou: “Mas, que mal ele fez?” Eles,
porém, gritaram com mais força:
— “Seja crucificado!”
Narrador 1: Pilatos viu que nada conseguia e que poderia
haver uma revolta. Então mandou trazer água, lavou as mãos diante da multidão,
e disse: “Eu não sou responsável pelo sangue deste homem. Este é um problema
vosso!” O povo todo respondeu:
— “Que o sangue dele caia sobre nós e sobre os nossos
filhos”.
Narrador 1: Então Pilatos soltou Barrabás, mandou flagelar
Jesus, e entregou-o para ser crucificado. Em seguida, os soldados de
Pilatos levaram Jesus ao palácio do governador, e reuniram toda a tropa em
volta dele. Tiraram sua roupa e o vestiram com um manto vermelho; depois
teceram uma coroa de espinhos, puseram a coroa em sua cabeça, e uma vara em sua
mão direita. Então se ajoelharam diante de Jesus e zombaram, dizendo:
— “Salve, rei dos judeus!”
Narrador 2: Cuspiram nele e, pegando uma vara, bateram na
sua cabeça. Depois de zombar dele, tiraram-lhe o manto vermelho e, de
novo, o vestiram com suas próprias roupas. Daí o levaram para crucificar. Quando
saíam, encontraram um homem chamado Simão, da cidade de Cirene, e o obrigaram a
carregar a cruz de Jesus. E chegaram a um lugar chamado Gólgota, que quer
dizer “lugar da caveira”. Ali deram vinho misturado com fel para Jesus
beber. Ele provou, mas não quis beber. Depois de o crucificarem, fizeram
um sorteio, repartindo entre si as suas vestes. E ficaram ali sentados,
montando guarda. Acima da cabeça de Jesus puseram o motivo da sua
condenação:
— “Este é Jesus, o Rei dos Judeus”.
Narrador 1: Com ele também crucificaram dois ladrões, um à
direita e outro à esquerda de Jesus. As pessoas que passavam por ali o
insultavam, balançando a cabeça e dizendo: ”Tu, que ias destruir o Templo
e construí-lo de novo em três dias, salva-te a ti mesmo! Se és o Filho de Deus,
desce da cruz!” Do mesmo modo, os sumos sacerdotes, junto com os mestres
da Lei e os anciãos, também zombavam de Jesus: ”A outros salvou... a si
mesmo não pode salvar! É Rei de Israel... Desça agora da cruz! E acreditaremos
nele. Confiou em Deus; que o livre agora, se é que Deus o ama! Já que ele
disse: Eu sou o Filho de Deus”.
Narrador 2: Do mesmo modo, também os dois ladrões que foram
crucificados com Jesus, o insultavam. Desde o meio-dia até as três horas
da tarde, houve escuridão sobre toda a terra. Pelas três horas da tarde,
Jesus deu um forte grito:
— “Eli, Eli, lamá sabactâni?”
Narrador 2: Que quer dizer:
— “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?”
Narrador 2: Alguns dos que ali estavam, ouvindo-o, disseram:
— “Ele está chamando Elias!”
Narrador 2: E logo um deles, correndo, pegou uma esponja,
ensopou-a em vinagre, colocou-a na ponta de uma vara, e lhe deu para
beber. Outros, porém, disseram:
— “Deixa, vamos ver se Elias vem salvá-lo!”
Narrador 2: Então Jesus deu outra vez um forte grito e
entregou o espírito. (Todos se ajoelham.). E eis que a cortina do
santuário rasgou-se de alto a baixo, em duas partes, a terra tremeu e as pedras
se partiram. Os túmulos se abriram e muito corpos dos santos falecidos
ressuscitaram! Saindo dos túmulos, depois da ressurreição de Jesus,
apareceram na Cidade Santa e foram vistos por muitas pessoas. O oficial e
os soldados que estavam com ele guardando Jesus, ao notarem o terremoto e tudo
que havia acontecido, ficaram com muito medo e disseram:
Este é o profeta Jesus, de Nazaré da Galileia” (Mt 21,11)
A vida de Jesus é uma grande subida a Jerusalém; e nesta
subida, segundo os relatos evangélicos, Ele desconcertou a todos.
Evidentemente, desconcertou as pessoas mais religiosas e observantes da
religião judaica: fariseus, escribas, sacerdotes, anciãos... Não só Jesus foi a
pessoa mais desconcertante de toda a história, mas nele aconteceu algo também
desconcertante. Ele desencadeou na história da humanidade um “modo de viver”
que quebrou toda estrutura petrificada, sobretudo religiosa, constituindo um
“movimento” ousado, que colocava o ser humano no centro.
Um movimento alternativo às instituições romanas e à
organização sacerdotal do judaísmo; um movimento “marginal” que dava prioridade
aos pobres, aos deslocados, aos doentes e excluídos, aos perdedores... e que
não tinha nada a ver com uma organização fundada no poder, no prestígio, na
riqueza...
Este movimento, desencadeado na Galileia, chega agora às
portas da “cidade santa”, Jerusalém.
Aquele homem que movia multidões por todo o país, por sua
pregação e milagres, não é um revolucionário violento. E, no entanto, nem por
isso deixa de ser inquietante, transgressor e perigoso.
Jesus foi assim e assim Ele viveu; todo o resto lhe sobrava
(leis, culto, templo, estrutura religiosa...).
Em nome de um Deus que a todos acolhe e chama, que é Pai-Mãe
de todos, Jesus transgrediu a estrutura que sustentava uma sociedade fechada,
fundada na lei do mais forte e na violência de quem detém o poder.
Jesus foi um transgressor porque rompeu as fronteiras que
foram traçadas pelos poderosos, abrindo um caminho de humanidade a partir de
baixo, do lado dos excluídos...
Ele não veio para sancionar uma ordem existente, deixando
cada um com sua exclusão, senão para oferecer a todos um caminho de humanidade.
Um transgressor consequente, a serviço da vida e dos
últimos.
Como transgressor subiu a Jerusalém; e por isso sua morte
será tramada por aqueles que se sentiam ameaçados e sua vida acabará destroçada
pelas mãos dos profissionais da morte.
Em Jesus acontece algo totalmente novo; Ele desencadeou um
“movimento de vida”; Ele trouxe uma nova maneira de viver e de comunicar vida
que não cabia nos esquemas daqueles que estavam petrificados em suas posições e
visões.
A novidade de Jesus consistia, justamente, em afirmar que
existe um caminho para encontrar a Deus que não passa pelo Templo, pela pompa
dos ritos e pela observância estrita das leis. Desse modo, reconhece-se a vida
como lugar privilegiado da Sua Presença.
Quem entra em comunhão de vida com Ele, conhece uma vida
diferente, de qualidade nova, expansiva...
Isso implica: acolher outras vidas na nossa própria vida,
abrir espaços para que as histórias dos excluídos e diferentes encontrem morada
nas nossas entranhas, na nossa memória e no nosso coração; descer de nossa
montaria, como bons samaritanos, para nos aproximar e cuidar das vidas
feridas...
A entrada de Jesus em Jerusalém é um chamado à vida. Ele é a
Vida que abre caminho por aqueles espaços urbanos, carregados de poder e morte.
Vida despojada de vaidade e prestígio, conduzida por um jumentinho.
Jesus se apresenta sem coroa e sem ornamentos; não tem outra
coisa a compartilhar a não ser o amor e o serviço; não vem para governar e
impor sua vontade, mas fazer-se irmão de todos. Jesus não busca grandes
aclamações, nem aplausos, mas tão somente busca o sentido e a razão de viver.
“Quando Jesus entrou em Jerusalém, a cidade inteira ficou
agitada” (v.10).
“Agitar”: este verbo não traduz bem a realidade: na verdade,
a cidade ficou abalada, como se fosse um tremor de terra. Quando Jesus entrou,
como Rei messiânico em Jerusalém, a cidade tremeu, como aconteceu com o anúncio
do seu nascimento (Mt 2,3) e como será na hora da sua morte (Mt 27,51).
Jesus, com sua presença surpreendente, sacudiu a cidade de
sua “normalidade doentia”, de sua letargia, de seu ritualismo comandado por
aqueles que eram os poderosos traficantes da dor e da morte.
Jesus é a Vida verdadeira, a Vida que deseja despertar vida
nos outros, para romper com tudo aquilo que a limita. Por isso, o relato deste
Domingo de Ramos quer expressar o encontro de uma cidade com Aquele que é Vida
e que é fonte de vida em crescente amplitude. Jesus, o “biófilo”, também
sonhava com uma Jerusalém acolhedora, espaço da convivência e da paz.
Quando Jesus quer entrar no coração humano, não busca fazer
espetáculos. Busca a simplicidade.
O povo lançava ao solo seus mantos. O que deveríamos pôr
como tapete para que Jesus venha até nós caminhando sobre ele? Em vez de
mantos, talvez pudéssemos cobrir o solo com tudo aquilo que nos sobra
e outros necessitam; também deveríamos forrar o chão com
nossas debilidades, com nossas resistências, com nossas carências... Porque
também nossas pobrezas podem cobrir de festa o caminho. O caminho de Jesus que
vem a nós é também caminho de libertação e cura.
A liturgia deste dia também nos recorda que o “espaço
urbano” é, certamente, área de missão da Igreja e dos cristãos. Sua principal
preocupação deve ser a defesa integral da vida e de seu sentido último, o mundo
dos valores éticos que iluminam o homem e a mulher na sua ação no mundo.
Como seguidores(as) de Jesus, é preciso voltar a pôr o
coração de Deus no coração da grande cidade, para renová-la a partir de dentro.
Faz-se necessário uma opção por adentrar e viver imersos,
com todas as consequências, no interior dos grandes centros urbanos, em seu
coração, para aí descobrir o verdadeiro coração de Deus que pulsa ao ritmo dos
despossuídos, dos excluídos, dos sofredores e dos sedentos por uma vida
mais digna.
No meio das cidades encontramos homens e mulheres
“especiais” que carregam alegremente, e muitas vezes com um profundo sentido
crítico e político, a dor da humanidade, e se convertem assim em fator
essencial de esperança para um futuro humanizador; são pessoas que prestam sua
vida, sua acolhida e seus cuidados aos doentes, aos moradores de rua, aos
deficientes, aos anciãos e solitários...
Neste tempo de pandemia do “coronavírus”, devemos expressar
nossa especial gratidão aos “profissionais da saúde” que arriscam suas vidas
para que outros possam fazer a “travessia” sem piores consequências.
Somos convidados a viver a mística dos profetas nas grandes
cidades. O místico não se cansa de ser sinal de esperança e testemunha do Deus
da Vida no meio das contradições da cidade. Na cidade somos chamados a abrir
nossas casas e estarmos sempre prontos para receber os desafios que vem da rua.
A ação profética é sempre a busca permanente do outro, além
das paredes da própria casa.
Texto bíblico: Mt 21,1-11
Na oração: preparar-se para fazer o “caminho da
fidelidade” de Jesus, vivendo intensamente os mistérios da Semana Santa,
através das celebrações, do silêncio solidário e do compromisso com aqueles
que, na Jerusalém de hoje, prolongam a Paixão de Jesus.
Todos os Enzos e Valentinas estão em casa, assim como seus
pais (na maioria das casas, só a mãe).
Tem mãe cobrando da escola que tenha, de uma hora para
outra, estrutura para dar videoaula para crianças de 6 anos. Porque Enzo não
pode parar o processo de alfabetização.
Tem pai reclamando da mensalidade e já montou grade e
contratou dois professores porque Valentina não pode perder o ano, vai fazer
provas de “vestibulinho” no final do ano e tem que aprender física quântica só
para garantir.
Tem professora em casa surtando, porque de uma hora para
outra precisa mudar totalmente a metodologia e dar conteúdo digital sem a
interação social. Ela precisa de acesso à internet, computador, silêncio e
muitas, muitas vezes ela está dando conta dos seus próprios Enzos e Valentinas
que ficavam na escola em horário integral e agora precisam comer, correm e
sujam a casa.
Tem família chorando porque não está dando conta da demanda
mental de fazer deveres por 4h todo dia porque tem que fazer comida, limpar,
lavar e cuidar da avó, ir ao mercado com medo e pensar que não vai ter dinheiro
porque a lojinha está fechada.
Tem professor universitário que dá aula para alunos que ele
SABE que estão trabalhando e não vão ter condição de acompanhar aula on-line,
que não tem computador, impressora, internet e ele precisa dar aula ainda
assim, sabendo que vai ter que aprovar esse aluno por justiça sem ter absorvido
qualquer conteúdo.
Tem mulher sofrendo tentando ser empregada, baba, cozinheira
e animadora de casa de festa sem estrutura e ainda tem que manter as crianças
quietas porque o pai está trabalhando em casa e precisa de silêncio e de manter
o trabalho que bota comida em casa.
Tem casa com um único computador, com pai e mãe trabalhando de
casa e dois adolescentes precisando fazer aula on-line no mesmo horário.
Muito mais que falar em homeschooling, é preciso falar sobre
escolarização precoce, cobranças excessivas e demandas curriculares
desnecessárias.
Tem professor ficando sem salário.
Tem mãe ficando sem saúde mental.
Tem adolescente com medo.
Tem criança tendo crise de ansiedade.
Gente...
Sabem o que vai acontecer quando acabar a pandemia?
Uma sociedade esgotada e ainda mais adoecida mentalmente.
COBREM MENOS.
De todos: de você, da escola, do seu filho.
Abracem mais, riam mais, assistam filmes.
Já tá difícil demais
passar por isso, sem toda essa carga extra.
Tenho visto muitas recomendações sobre medidas a tomar
para a prevenção do vírus. Lavar bem as mãos, práticas de higiene pessoal e
distância social. Mas não tenho visto recomendações sobre o que fazer se por
acaso for infectado pelo vírus.
Como enfermeira, deixo algumas sugestões
1.coisas que realmente precisa de comprar:
- Kleenex
- paracetamol
- qualquer xarope de tosse disponível nas farmácias (prestar
atenção no rótulo para não duplicar no paracetamol)
- limão e mel funciona da mesma maneira;
-vicks vaporub para o peito também é uma boa opção.
- se tiver um umidificador, use no seu quarto quando for
dormir, se não tiver pode ligar o chuveiro na água quente e ficar na casa de
banho fechado inalando o vapor da água
2- se tem um historial do asma, assegure-se que a sua bomba
de asma não está fora do prazo, ou compre uma nova;
3- tenha muita sopa congelada no frigorífico.
4- faça um stock dos seus líquidos favoritos para poder
variar, mas água é chá são preferíveis.
O QUE FAZER QUANDO COMEÇAR A TER OS SINTOMAS
1- se tiver febre acima dos 38°C, é melhor tomar paracetamol
em relação ao ibuprofeno; paracetamol 1000 - 1 comprimido de 8/8 h.
2- HIDRATE, porque o vírus acomoda-se mais rápido em
garganta seca;
3- descanse muito! Não deve sair de casa mesmo se começar a
se sentir melhor, porque estará infectado durante 14 dias.
Não contacte com pessoas idosas ou com problemas de saúde.
4- peça a amigos e familiares que deixem o necessário do
lado de fora da sua porta para evitar contacto.
Se a febre aumentar acima dos 39°C e não a conseguir
controlar ou tiver dificuldade respiratória, contactar a Saúde.
Fiquem calmos, e preparem-se de maneira racional que tudo
ficará bem.
OBS: Não seja egoísta, partilhe com os outros e seja
solidário para salvar vidas
Na sexta-feira passada, o Papa Francisco estava diante de
uma Praça de São Pedro vazia, falando com milhões de pessoas em todo o mundo,
assistindo através de transmissões e online. A praça estava vazia, mas em toda
parte os corações estão cheios não apenas de medo e de tristeza, mas também de
amor. Em sua bela homilia Urbi et Orbi, ele nos lembrou que a pandemia de
coronavírus uniu nossa humanidade comum. “Percebemos que estamos no mesmo
barco, todos frágeis e desorientados, mas importantes e necessários ao mesmo
tempo, todos fomos chamados a remar”, disse ele.
Nenhum canto do mundo está intocado por essa pandemia,
nenhuma vida não afetada. Segundo a Organização Mundial da Saúde, quase um
milhão de pessoas foram infectadas até agora e mais de 40.000 morreram. Quando
isso acabar, estima-se que o número global de mortes será de milhões.
Vozes internacionais estão se levantando contra a atitude
negligente demonstrada pela China, especialmente por seu despótico Partido
Comunista Chinês (PCCH) liderado por seu homem forte Xi. O London
Telegraph (29 de março de 2020) disse que o Ministro da Saúde local acusou
a China de esconder a verdadeira escala de coronavírus. Com choque, relatou a
reabertura dos mercados “úmidos”, que foram identificados como a causa da
propagação do vírus. James Kraska, um estimado professor de direito, escrevendo
na última edição da War on Rocks (23 de março de 2020), diz que a
China é legalmente responsável pelo COVID-19 e que poderiam ser feitas
reivindicações em trilhões.
Um modelo epidemiológico da Universidade de Southampton
descobriu que se a China tivesse agido mais rapidamente e de maneira
responsável apenas uma, duas, ou três semanas, o número de afetados pelo vírus
teria sido reduzido em 66%, 86% e 95%, respectivamente. Seu fracasso
desencadeou um contágio global matando milhares.
Em meu país, Myanmar [mapa], somos extremamente vulneráveis.
Na fronteira com a China, onde o COVID-19 começou, somos uma nação pobre, sem
os recursos de saúde e assistência social dos países mais desenvolvidos.
Centenas de milhares de pessoas em Mianmar são deslocadas por conflitos,
vivendo em campos no país ou em nossas fronteiras, sem saneamento, medicamentos
ou cuidados adequados. Nesses campos superlotados, é impossível aplicar as
medidas de “distanciamento social”que estão sendo implementadas por muitos
países. Os sistemas de saúde nos países mais avançados do mundo estão
sobrecarregados, então imaginem os perigos em um país pobre e cheio de
conflitos como Mianmar.
Ao examinarmos o dano causado à vida em todo o mundo,
devemos perguntar quem é o responsável? É claro que críticas podem ser feitas
às autoridades em todos os lugares. Muitos governos são acusados de não se
terem preparado quando viram o coronavírus surgir em Wuhan.
Mas há um governo que tem responsabilidade primária, como
resultado do que fez e do que deixou de fazer, e esse é o regime do Partido
Comunista Chinês (PCCH) em Pequim. Deixem-me esclarecer: o responsável foi o
PCCH — não o povo da China —, e ninguém deve responder a esta crise com ódio
racial contra os chineses. De fato, o povo chinês foi a primeira vítima desse
vírus e vem sendo há muito tempo a principal vítima de seu regime repressivo.
Ele merece nossa simpatia, nossa solidariedade e nosso apoio. Os responsáveis
são a repressão, as mentiras e a corrupção do PCCH.
Quando o vírus surgiu, as autoridades da China suprimiram a
notícia. Em vez de proteger o público e apoiar os médicos, o PCCH silenciou os
denunciantes. Pior do que isso, médicos que tentaram acionar o alarme —como o
Dr. Li Wenliang [foto] no Hospital Central de Wuhan, que emitiu um aviso aos
colegas médicos em 30 de dezembro — receberam ordens da polícia para “parar
de fazer comentários falsos”. Li, um oftalmologista de 34 anos, foi informado
de que seria investigado por “espalhar boatos” e foi forçadopela polícia a assinar uma confissão. Mais tarde, ele morreu após contrair
coronavírus.
Jornalistas jovens cidadãos que tentaram denunciar o vírus
desapareceram. Li Zehua, Chen Qiushi e Fang Bin estão entre os que se acredita
terem sido presos simplesmente por dizerem a verdade. O jurista Xu Zhiyong
também foi detido após publicar uma carta aberta criticando a resposta do
regime chinês.
Uma vez que a verdade se tornou conhecida, o PCCH rejeitou
ofertas iniciais de ajuda. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos
EUA foi ignorado por Pequim por mais de um mês, e até a Organização Mundial da
Saúde, embora colabore estreitamente com o regime chinês, foi inicialmente
marginalizada.
Além disso, há uma profunda preocupação de que as
estatísticas oficiais do regime chinês estejam subestimando significativamente
a escala de infecção na China. Ao mesmo tempo, o PCCH acusou o exército dos
Estados Unidos de causar a pandemia. Mentiras e propaganda colocaram em
perigo milhões de vidas em todo o mundo.
A conduta do PCCH é sintomática de sua natureza cada vez
mais repressiva. Nos últimos anos, vimos uma intensa repressão à liberdade de
expressão na China. Advogados, blogueiros, dissidentes e ativistas da sociedade
civil foram presos e desapareceram. Em particular, o regime lançou uma
campanha contra a religião, resultando na destruição de milhares de igrejas e
cruzes e no encarceramento de pelo menos um milhão de muçulmanos uigures
em campos de concentração. Um tribunal independente em Londres, presidido por
Sir Geoffrey Nice, QC, que processou Slobodan Milosevic, acusa o PCCH de
extração forçada de órgãos de prisioneiros de consciência. E Hong Kong — que já
foi uma das cidades mais abertas da Ásia — viu suas liberdades, direitos
humanos e estado de direito sofrerem uma enorme deterioração.
Através de seu tratamento desumano e irresponsável do
coronavírus, o PCCH provou o que muitos pensavam anteriormente: que é uma
ameaça ao mundo. A China como país é uma grande e antiga civilização que
contribuiu muito para o mundo ao longo da História, mas esse regime é
responsável, por negligência e repressão criminais, pela pandemia que hoje
varre as nossas ruas.
O regime chinês liderado pelo todo poderoso Xi e pelo
Partido Comunista Chinês (PCCH) — não pelo seu povo — nos deve um pedido de
desculpas e uma compensação pela destruição que causou. No mínimo, deve
amortizar as dívidas de outros países para cobrir os custos do Covid-19. Pelo
bem de nossa humanidade comum, não devemos ter medo de responsabilizar esse
regime. Os cristãos acreditam nas palavras do Apóstolo Paulo, de que “a
verdade vos libertará”. Verdade e liberdade são os pilares gêmeos sobre os
quais todas as nossas nações devem construir fundamentos mais seguros e fortes.
Sempre que o Presidente Trump aparece na televisão, está
acompanhado de médicos e cientistas. Ele fala e depois cede para eles o
microfone. O Primeiro Ministro Boris Johnson decide com ajuda dos cientistas do
Imperial College. Quando informado, muda, inclusive, sua política. Cede aos
cientistas. Antes contra, agora a favor da quarentena.
O governador João Doria está sempre acompanhado de grandes
médicos e cientistas. Angela Merkel decide consultando cientistas alemães. Aqui
mesmo, no início, o Presidente Bolsonaro aparecia acompanhado do entusiasmado e
confiante ministro Mandetta. Agora nem tanto.
O que significa este visível ritual, união entre poder
político e conhecimento científico?
A autoridade constitucional máxima da nação, seja Primeiro
Ministro ou Presidente, qualquer uma, diz aos telespectadores mais ou menos o
seguinte: “Eu sou a autoridade política e legal máxima de meu país. A última
palavra é minha. Mas estou baseando esta autoridade máxima na ciência”.
A aplicação da constituição não é apenas pacto ou arena de
interesses sociais competitivos. Que ganham ou perdem a cada interpretação do
Supremo. Ou nova lei do Congresso.
Como dizia o prof. Portella Nunes, da Academia Nacional de
Medicina: ao interpretar a vida temos que partir sempre de uma verdade básica.
Os cientistas são como legisladores também. A ciência
inspira a aplicação da constituição.
O problema é que a ciência não tem um só rumo certo e
eficiente. Nem hoje sabe com exatidão para onde nos mandar. Nos salvar.
Não existe ainda o tratamento, os remédios, a vacina
redentora. Que faria da verdade básica a verdade completa. Ainda que efêmera. O
que fazer então? Seguir quem e para onde?
Existe claro vácuo. Que não pode ser apropriado pela
anticiência, pelas trevas da ignorância. Solta no ar do voluntarismo
autoritário.
Disse o Prêmio Nobel Jacques Monod: o acaso da
evolução do mundo cria as necessidades. Como enfrentar novo acaso?
Primeiro. Se precisamos de isolamento social, precisamos
também de união científica. É o que corre nível mundial. Cientistas,
professores e alunos juntos.
No Brasil o Sírio-Libanês, LACC, Einstein, Hcor e dezenas de
universidades, laboratórios privados têm se unido para trocar informações,
bancos de dados, novos softwares e algoritmos. Uns com os outros. Fundação Oswaldo
Cruz no Rio sempre à frente.
Imaginar e experimentar todas as hipóteses possíveis. Mesmo
nesta época onde a ciência avança tanto como arte combinatória, quanto pelas
hipóteses dedutíveis. Descobrir é experimentar.
Estranho, porém, é que nos trilhões de dólares que os
governos estão distribuindo esta prioridade não esteja explícita: reforçar as
instituições públicas e privadas, seus projetos e seu pessoal.
Sem eles teremos vida precária. Nem mesmo vida econômica,
alerta o Presidente Sarney: sem comprador e vendedor. Fim.
Nosso ministro de Ciência e Tecnologia, o astronauta Marcos
Pontes precisa defender seu setor. Com a coragem que tem, tanto na terra
como nos céus.
Segundo. A vacina é igualitária. Não é discriminatória, como
a economia, a política, o direito e a educação. Cura um, cura todos. Não
distribui privilégios. O acesso é que não pode ser desigual.
Terceiro. A verdade básica produzida pela ciência a inspirar
a constituição não é verdade absoluta e final. Estática. É o último
conhecimento disponível que mais nos aproxima da verdade. No caso, da cura. Da
vacina.
Diz, faz décadas, o professor Cláudio Souto, jurista do
Recife. Toda constituição deveria estabelecer que a interpretação judicial e a
criação legislativa deveriam estar de acordo, partir do conhecimento científico
disponível.
Esta conjugação desideologizante da política, da
administração pública e do direito e sobretudo da constituição, já tem
inspirado decisões judiciais igualitárias.
Sobre gênero, raça, aborto, transplante de medula, pena de
morte e tanto mais.
Com ajuda da matemática e da estatística, o último
conhecimento científico global testado é: o isolamento social contribui sim
para o combate ao vírus.
Confiar na ciência, no exercício do poder político, jurídico
e econômico.
Joaquim Falcão - Sexto ocupante da Cadeira nº 3 da ABL,
eleito em 19 de abril de 2018, na sucessão de Carlos Heitor Cony e recebido em
23 de novembro de 2018 pela Acadêmica Rosiska Darcy de Oliveira.