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quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

ENTRAMOS NA ERA DA REGENERAÇÃO PLANETÁRIA – Chico Xavier

Não só a terra, mas o sistema solar inteiro já está imerso no cinturão de fótons que emana de alcyonne, o sol central da galáxia, vem recebendo sua energia para a transmutação e para o salto quântico evolutivo.....

 O cansaço e as novas frequências:
  
O cansaço físico que estamos sentindo é devido às novas frequências eletromagnéticas inteligentes que estão chegando do Sol Central. 
Estas estão mexendo radicalmente em nossas estruturas físicas, emocionais e espirituais.


O QUE FAZER?

Mentalmente:

Vibrar em alta ressonância, de preferência na mais alta energia possível, a energia da gratidão, da compaixão, da generosidade, da benevolência e do compartilhamento mútuo das ideias.
Faça diferente, Pare de reclamar e comece a agradecer, a gratidão é a energia que moldará o novo mundo.

Fisicamente:

Fazer exercícios calmos e concentrados, emitindo, ao mesmo tempo em que os faz, ondas azuis para todos os locais onde sente supostamente dor, desconforto ou fadiga muscular.
Coloque para dentro do seu corpo sentimentos bonitos, e saudáveis para a tua vida. 
Mergulhar na água do mar ou na água de rio corrente para entrar na frequência nova da Natureza.


Espiritualmente:

Prestar atenção na intuição, pois ela está chegando com mais força e é a primeira informação que chega do mundo espiritual para adentrar em sua mente.


Relacionamentos:

Não precisa mais gritar com ninguém, seu coração já não suporta mais gritos e discussões, ele só quer harmonia e entendimento, a época dos sofrimentos terminou, quem ainda continuar nesta ideia passará por grandes provações.

Trabalho:

Seu espirito não está mais querendo fazer o que não faz sentido e não preenche o seu propósito de vida. 
Se não mudar ou melhorar sua relação com seu trabalho, sua vida vai ficando cada vez mais vazia, mesmo que através dele receba bastante dinheiro, nada disso poderá dar um sentido real para a sua existência daqui em diante.               
O estado da gratidão pura e silenciosa.
Sintonia consigo mesmo.


 O PROCESSO OBSESSIVO EM SUA VIDA


Nem sempre conseguimos perceber, porém principiam de bagatelas:

- O olhar de desconfiança…
- Um grito de cólera…
- Uma frase pejorativa…
- A Maledicência sem pensar..
- A ponta de sarcasmo…
- O momento de irritação…
- A tristeza sem motivo…
- O instante de impaciência…


Estabelecida a ligação com as sombras por semelhantes tomadas de invigilância, eis que surgem as grandes brechas na organização da vida ou na moradia da alma:

- A desarmonia em casa…
- A discórdia nos grupos…
- O fogo da crítica…
- O veneno da queixa…
- A doença imaginária…
- A treva do ressentimento…
- A discussão infeliz…
- A rixa sem propósito…


As obsessões que envolvem individualidades devem ser evitadas. Para isso, dispomos todos de recursos infalíveis, quais sejam:

- A dieta do silêncio;
- A vacina da tolerância
- O detergente do trabalho 
- O antisséptico da oração.



EMMANUEL - publicada em 12.02.19 na Revista Chico de Minas Xavier

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terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

CARNAVAL 2020: G.R.E.S. ESTAÇÃO PRIMEIRA DE MANGUEIRA

"A verdade vos fará livre"

Autores do Samba: Manu da Cuíca e Luiz Carlos Máximo
Intérprete: Marquinho Art Samba
A Mangueira contará a história de Jesus Cristo como se ele fosse morador de uma comunidade.

Ligue o vídeo:
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Mangueira
Samba, teu samba é uma reza
Pela força que ele tem
Mangueira
Vão te inventar mil pecados
Mas eu estou do seu lado
E do lado do Samba também


Eu sou da Estação Primeira de Nazaré
Rosto negro, sangue índio, corpo de mulher
Moleque Pilintra no Buraco Quente
Meu nome é Jesus da Gente

Nasci de peito aberto, de punho cerrado
Meu pai carpinteiro desempregado
Minha mãe é Maria das Dores Brasil
Enxugo o suor de quem desce e sobe ladeira
Me encontro no amor que não encontra fronteira
Procura por mim nas fileiras contra a opressão

E no olhar da porta-bandeira pro seu pavilhão

Eu tô que tô dependurado
Em cordéis e Corcovados
Mas será que todo povo entendeu o meu recado?
Porque de novo cravejaram o meu corpo
Os profetas da intolerância
Sem saber que a esperança
Brilha mais na escuridão


Favela, pega a visão
Não tem futuro sem partilha
Nem Messias de arma na mão
Favela, pega a visão
Eu faço fé na minha gente
Que é semente do seu chão

Do céu deu pra ouvir
O desabafo sincopado da cidade
Quarei tambor, da cruz fiz esplendor
E ressurgi no cordão da liberdade



Mangueira
Samba, teu samba é uma reza
Pela força que ele tem
Mangueira
Vão te inventar mil pecados
Mas eu estou do seu lado
E do lado do Samba também



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CONTEÚDOS INADEQUADOS - Arnaldo Niskier


Onde estiver, agora, o escritor Carlos Heitor Cony deve estar sorrindo com as trapalhadas cometidas pelo governo de Rondônia, ao mandar recolher 43 livros, a maioria do autor de “O ato e o fato”.  A determinação, depois revogada, incluída obras de Franz Kafka, Euclides da Cunha, Ferreira Gullar e Rubem Fonseca, entre outros.

Parece incrível que essas coisas ainda aconteçam em nosso país.  Consequência, é claro, do clima que se armou no atual governo.  A desculpa é de que as obras vetadas contêm “conteúdos inadequados” quando se referem a leitores como crianças e adolescentes, embora haja incongruência como o veto a “Macunaíma”, de Mário de Andrade, obra normalmente muito solicitada  em exames vestibulares.

A violência da Secretaria de Educação de Rondônia atingiu também o escritor Rubem Alves, morto em 2014, que se especializou em escrever sobre educação.  De onde terá saído tamanha barbaridade?

A acusação oficial de que há muita doutrinação nas escolas brasileiras não justifica a censura aos nossos livros didáticos e paradidáticos.  Para serem distribuídos, foram  antes objeto de uma seleção por parte dos programas oficiais, que certamente não primam pela coerência.

A essa decisão absurda devemos somar o que houve recentemente, quando livros foram atirados pela janela de outra Secretaria de Educação, sob a alegação de que estariam “ultrapassados”.  Custa a crer que exista entre nós tamanho desperdício.

Também é relevante pensar nas pessoas que promovem esse tipo de censura.  Quem são elas? Estudaram até que nível, para achar que livros como “Memórias Póstumas de Braz Cubas”, de Machado de Assis, “Mar de História”, de Aurélio Buarque de Holanda, e “os Sertões da Luta”, de Euclides da Cunha, são extremamente perigosos e devem por isso ser proibidos.  Parece  piada de mau-gosto.

Sinceramente, achamos que isso tudo é resultado de um descontrole oficial, a partir de posicionamentos dúbios do próprio Ministério da Educação.  O seu programa do livro didático parece uma nau sem rumo, embora se reconheça a sua indiscutível importância.  Não se trata de falta de recursos financeiros, mas sim da ausência de uma orientação segura.

A Academia Brasileira de Letras protestou contra esse gesto deplorável.  Considerou um desrespeito à Constituição de 1988: “É um despautério  imaginar, em pleno século XXI, a retomada de índice de livros proibidos.”

Tribuna do Sertão , 17/02/2020



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Arnaldo Niskier Sétimo ocupante da Cadeira nº 18 da ABL, eleito em 22 de março de 1984, na sucessão de Peregrino Júnior e recebido em 17 de setembro de 1984 pela acadêmica Rachel de Queiroz. Recebeu os acadêmicos Murilo Melo Filho, Carlos Heitor Cony e Paulo Coelho. Presidiu a Academia Brasileira de Letras em 1998 e 1999.

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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

ENTRE MENINOS NO INTERNATO – Cyro de Mattos


Entre Meninos no Internato
Cyro de Mattos


          A  turma dos menores era a que tinha mais meninos no internato do colégio Irmãos Maristas, em Salvador.    A menor de todas as turmas era a dos maiores.   Havia dezenas de meninos na turma dos médios. Em todas as turmas havia  meninos e adolescentes  gordos,  magros,  altos,  troncudos,  roliços,  brancos, morenos, mulatos  e uns poucos de cor preta.  Alguns alunos eram barulhentos, outros recatados.  Poucos alunos internos procediam de cidades do Nordeste,  a maioria vinha dos  municípios  do interior baiano,    dos quais  alguns  se destacavam  em razão do tamanho,  população até certo ponto grande e  riqueza produzida por uma economia de bases rurais, como  Feira de Santana, Vitória da conquista, Ilhéus e Itabuna. Outros meninos procediam de cidades do interior baiano de  porte médio, como Jequié, Alagoinhas, Juazeiro, Santo Amaro, Santo Antonio, Nazaré das Farinhas, Cachoeira e São Félix. Havia menino nascido  em cidade da qual  nunca se tinha ouvido falar,  como Xique-Xique.
 
          Rodolfo, que tinha traços de índio, havia nascido em Xique-Xique. Era o primeiro aluno da classe e o melhor  atacante  do time.   Garoto simples, de origens humildes,  muito comunicativo. Achei graça e fiquei intrigado quando soube que  ele tinha nascido em Xique-Xique, cidade de nome esquisito. O que queria dizer Xique-Xique?  Havia algo de pejorativo colocado no significado desse nome, que só em pronunciá-lo os garotos ficavam sorrindo? Rodolfo não ligava com as caras de riso que os meninos faziam  quando era pronunciado o nome da sua cidade. Ele também ficava sorrindo.  Mas era fácil perceber que ele  amava a sua cidade natal, dizendo que ela tinha um nome estranho, mas era muito atraente.Ficava em uma das margens do Rio São Francisco. Tinha um povo hospitaleiro, alegre e trabalhador, vivendo da pesca, criatório de gado e artesanato.

          Perguntei:

          - E por que sua cidade tem esse nome estranho de Xique-Xique?

          Rodolfo:

         - Os primeiros povoadores que por lá chegaram no começo do Brasil encontraram no lugar um cacto em abundância, conhecido como xique-xique. Essa gente pioneira de tanto se referir ao local onde existia muito dessa planta feito uma palma com espinho terminou fazendo com que o lugar passasse a ser chamado de Xique-Xique.

          Perguntei mais:

         - Alguém já quis mudar esse nome estranho pra outro que não provoque riso?

        Rodolfo:

        - Não sei, mas esse nome já está enraizado no coração de cada xiquense-xiquense –  ele mesmo começou a sorrir com a expressão difícil  que acabou de pronunciar  –,  o que sei é que a terra onde nasci  é  um lugar cheio de belezas naturais, a começar pelo rio São Francisco com suas dunas , um bom local para passeios. Tem um porto onde atracam muitos barcos.
   
        O recreio estava aproximando-se do fim, mas antes que isso acontecesse, Rodolfo ainda teve tempo para dizer que achava muito engraçado o nome Itabuna, “cidade onde você nasceu e mora, não é mesmo?”  Disse que esse nome sempre lhe soou estranho.

      Quis saber:

           - O que quer dizer Itabuna?

           - A professora de minha cidade disse que é um nome de origem indígena. Ita quer dizer pedra e una, preta. Itabuna quer dizer lugar de pedras pretas. O b entre o ita e o una ocorreu para que o nome Itabuna tivesse uma pronúncia melhor.

          - E onde fica esse lugar de pedras pretas?

          - Em vários trechos do Cachoeira, o rio que corta minha c idade em duas bandas.

          - É um rio grande?

          - Não, mas para nós, filhos de Itabuna, é o maior e o melhor rio do mundo, chamado pelo povo de pai dos pobres.

          - Sua cidade fica onde? E tem o quê lá, além desse rio?  - insistiu.
  
          - Fica no Sul da Bahia, região de muita roça de cacau.   Tem o comércio maior e mais movimentado da região.    No campo, ela produz muito cacau.  Seu povo é trabalhador e progressista, gosta de abrigar os forasteiros.

          Antes de se despedir e se dirigir para o banho no pavimento superior, Rodolfo convidou-me para conhecer Xique-Xique, demonstrando que seria um prazer para ele se isso acontecesse um dia. Em retribuição disse que ficaria também alegre quando ele quisesse passar uma parte de suas férias comigo em Itabuna.

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 Cyro de Mattos é ficcionista e poeta. Da Academia de Letras da Bahia. Possui prêmios importantes no Brasil e exterior. Publicado também por várias editoras europeias.  Primeiro Doutor Honoris Causa da Universidade Estadual de Santa Cruz.

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domingo, 16 de fevereiro de 2020

ITABUNA CENTENÁRIA SORRINDO: Acentuando ou não



Às vezes, não acentuar parece mesmo a solução.

Eu, por exemplo, prefiro a carne ao carnê.

Assim como, obviamente, prefiro o coco ao cocô.


No entanto, nem sempre a ausência do acento é favorável...

Pense no cágado, por exemplo, o ser vivo mais afetado quando alguém pensa que o acento é mera decoração.


E há outros casos, claro:


Eu não me medico; eu vou ao médico

Quem baba não é a babá

Você precisa ir à secretaria para falar com a secretária.

Será que a romã é de Roma

E você, prefere ser uma pessoa vívida ou vivida

Seus pais vêm do mesmo país

Seria maio o mês mais apropriado para colocar um maiô?

Quem sabe mais entre a sábia e o sabiá?

O que tem a pele do Pelé?

O que há em comum entre o camelo e o camelô?

O que será que a fábrica fabrica?

E tudo que se musica vira música?

Será melhor lidar com as adversidades da conjunção mas ou com as más pessoas?

Será que tudo que eu valido se torna válido?

Melhor doidos que doídos?

E entre o amem e o amém, que tal os dois?

Na dúvida, com um pouquinho de contexto, garanto que o público entenda aquilo que eu publico.


E paro por aqui, pois esta lista já está longa.”


(Recebi via Whats, sem menção de autoria)

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PALAVRA DA SALVAÇÃO (170)


6º Domingo do Tempo Comum – 16/02/2020

Anúncio do Evangelho (Mt 5,20-22a.27-28.33-34a.37)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: “Eu vos digo: Se a vossa justiça não for maior que a justiça dos mestres da Lei e dos fariseus, vós não entrareis no Reino dos Céus.
Vós ouvistes o que foi dito aos antigos: ‘Não matarás! Quem matar será condenado pelo tribunal’.Eu, porém, vos digo: todo aquele que se encoleriza com seu irmão será réu em juízo.
Ouvistes o que foi dito: ‘Não cometerás adultério’.Eu, porém, vos digo: Todo aquele que olhar para uma mulher, com o desejo de possuí-la, já cometeu adultério com ela no seu coração.
Vós ouvistes também o que foi dito aos antigos: ‘Não jurarás falso’, mas `cumprirás os teus juramentos feitos ao Senhor’.Eu, porém, vos digo: Não jureis de modo algum. Seja o vosso ‘sim’: ‘Sim’, e o vosso ‘não’: ‘Não’. Tudo o que for além disso vem do Maligno”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

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Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Pe. Roger Araújo:

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“Se a vossa justiça não for maior que a justiça dos mestres da Lei e dos fariseus...” (Mt 5,20) 

Na Bíblia, a justiça é um dos conceitos centrais, com uma diversidade de sentidos e, por isso mesmo, difícil de ser definido. Em todo caso, trata-se de um conceito que inclui “relação”. Nas “antíteses” – “ouvistes o que foi dito..., eu, porém, vos digo” – do Sermão da Montanha, somos colocados diante de cinco casos concretos que tem a ver com a vida relacional e comunitária: a reconciliação, o olhar puro que não se apossa de outra pessoa, a veracidade e transparência no falar, a não violência (ou mansidão bíblica) e o amor gratuito que inclui o “inimigo”. Em todos eles, podemos crescer sempre mais, graças à compreensão de quem somos no nível mais profundo; o “eu, porém, vos digo” de Jesus nos inspira a descer até às raízes de nosso ser, esvaziando-nos progressivamente de nosso ego e ativando todos os recursos humanizadores aí presentes. 

Na perspectiva bíblica, “justo” é aquele que, perante Deus e os homens, se “ajusta” ao modo de agir do mesmo Deus, vivendo e agindo com a marca da bondade. Visto que justiça designa o comportamento do ser humano em conformidade com a Vontade de Deus, pode-se falar de “praticar a justiça”; ou de “cumprir toda a justiça”. Portanto, a expressão “justiça de Deus” não tem nenhuma relação com o julgamento de Deus; ela é, antes de tudo, misericórdia e fidelidade a uma vontade de salvação. O conceito descreve uma maneira de ser ou de agir de Deus. Deus é justo porque é bondade e misericórdia. Por isso, também do lado humano a justiça deve significar uma maneira de prolongar o ser e o agir de Deus.

O problema da relação entre misericórdia e justiça está em considerar como rivais ou como incompatíveis esses dois atributos de Deus. É preciso afirmar os dois ao mesmo tempo e procurar compreender como ambos estão em Deus, sem que um anule o outro, mas reforçando-se mutuamente. Poderíamos formular assim: Deus é justo em sua misericórdia e misericordioso em sua justiça. Segundo o Papa Francisco, “a misericórdia não exclui a justiça e a verdade, mas, antes de tudo, temos que dizer que a misericórdia é a plenitude da justiça e a manifestação mais luminosa da verdade de Deus”.

Já no Primeiro Testamento encontramos afirmações deste tipo: a justiça de Deus é sua misericórdia. A justiça de Deus coincide com sua misericórdia, sua bondade, sua santidade. São Paulo, em sua carta aos romanos, afirma que a justiça de Deus se manifesta na justificação do pecador, de modo que o Deus justo é justificador. Podemos concluir, pois, que Deus é justo porque quer que todos se salvem. É de esperar, portanto, que esta vontade de Deus se cumpra. É claro que, diante do dom da salvação intervém a liberdade humana, porque salvação é acolhida do Deus que é Amor, e não há amor sem recíproca acolhida. 

Jesus veio expandir o horizonte do comportamento humano; veio nos libertar dos perigos do moralismo e do legalismo. À luz da justiça de Deus (“força que salva”), Jesus nos apresenta um modo de proceder mais radical, relendo os mandamentos. 

A justiça de Deus não é poder que se impõe, mas amor aberto e libertador, a partir dos últimos e dos excluídos da humanidade. A liberdade criadora de Deus, que é amor aos pobres, se torna princípio de justiça, pois o evangelho chama “justos” precisamente aqueles que acolhem os exilados, visitam os encarcerados, dá pão a quem tem fome..., ou seja, àqueles que colocam suas vidas a serviço dos excluídos e vítimas das instituições sociais e econômicas injustas.

O único fundamento de qualquer justiça é Cristo. N’Ele nós nos tornamos justiça de Deus (2Cor 5,21). A partir desta perspectiva, podemos entender o que Jesus fez em seu tempo com a Lei de Moisés. Disse que não vinha abolir a lei, mas plenificá-la, porque foi acusado pelas autoridades religiosas de ser um transgressor das leis. Jesus não foi contra a Lei, senão que foi mais além da Lei. Quis dizer que toda lei é sempre limitada, que sempre podemos ir mais além da letra da lei, da pura formulação, até descobrir o espírito que a inspira. A vontade de Deus está mais além de qualquer formulação, por isso, não podemos nos limitar ao que está escrito, mas precisamos sempre dar um passo a mais. Na vivência do amor, que emana do nosso eu mais profundo, devemos ser sempre mais radicais, não cedendo diante da mínima manifestação do nosso autocentramento. Na realidade, quem ama, não precisa de leis. Segundo S. Paulo, “quem ama, cumpre toda lei”.

Jesus passou de um cumprimento externo de leis a uma descoberta das exigências de seu próprio ser. Esta revolução que Ele iniciou, ainda está por ser realizada. Avançamos muito pouco nessa direção. Todas as indicações do evangelho no sentido de viver no espírito e não na letra, parece que estão sendo ignoradas. Caímos facilmente no legalismo, no farisaísmo que se perde em meio a um emaranhado de leis, desviando-se do essencial, que é a vivência do amor oblativo, gratuito, expansivo... 

“Ouvistes o que foi dito: não matarás, não cometerás adultério, não jurarás falso; eu, porém, vos digo...” Não fica abolido o mandamento antigo, mas elevado a níveis incrivelmente mais profundos. Jesus nos revela que uma atitude interna negativa é já uma falha contra nosso próprio ser, ainda que não se manifeste numa ação concreta contra o outro. Por isso, segundo Jesus, não basta cumprir a Lei, que ordena “não matarás”. É necessário, além disso, arrancar de nossa vida a agressividade, o desprezo ao outro, os insultos ou as vinganças. Aquele que não mata cumpre a Lei, mas, se em seu coração há resquícios de violências, ali não reina o Deus que busca construir conosco uma vida mais humana. 

Estamos percebendo que está se estendendo cada vez mais, na sociedade atual, uma linguagem que reflete o crescimento da agressividade, do preconceito, da intolerância, do fechamento diante de quem pensa e sente de maneira diferente... Cada vez são mais frequentes os insultos ofensivos, proferidos só para humilhar, desprezar e ferir. Palavras nascida da rejeição, do ressentimento, do ódio ou da vingança... Por outra parte, as conversações (sobretudo nas redes sociais) estão tecidas de palavras injustas que espalham condenações e semeiam suspeitas (fake-news). Palavras ditas sem amor e sem respeito que envenenam a convivência, causam danos e rompem as relações entre as pessoas.

Portanto, os mandamentos continuam tendo sentido. São um mapa de rota, uma proposta, um chamado para entender a vida. A chave é compreendê-los e vivê-los, não a partir do medo ao fracasso e ao castigo, mas a partir da disposição de crescer humanamente na relação com os outros. Quê nos ensinam eles sobre o ser humano, sobre as relações sociais e sobre nós mesmos? Quê caminho nos propõem para a vida? Quê horizonte nos mostram? 

É necessário dirigir nosso olhar a Jesus para que, na comunidade cristã, a instituição não seja mais importante que o Evangelho, nem que a Lei seja mais importante que a misericórdia. O Plano de Deus e a fé cristã são muito mais que uma adesão doutrinal, é humanizar-se para amar. “O cristianismo não é uma ética de mínimos de justiça, mas uma religião de máximos de felicidade. Os mínimos de justiça lhe parecem irrenunciáveis, mas tais mínimos não esgotam o conteúdo da religião cristã. Suas propostas não competem com a ética cívica, senão que a complementam. Enquanto que a universalidade dos mínimos de justiça é uma universalidade exigível, a dos máximos de felicidade é uma universalidade ofertável” (Adelia Cortina). A justiça do Evangelho, centrado no amor, é um plus sobre a justiça humana, centrada na lei.

Texto bíblico:   Mt 5,17-37 
Na oração:  O empenho em favor da justiça não terá fim. Numa releitura da 4ª bem-aventurança podemos afirmar:
“Felizes os famintos de justiça, que nunca serão saciados”.
- Frente às pessoas que pensam e sentem de maneira diferente, o que prevalece em você, o peso da lei ou a força da misericórdia?
- Como você vive o quinto mandamento  -“não matar” -  no uso das redes sociais?

Pe. Adroaldo Palaoro sj


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sábado, 15 de fevereiro de 2020

TIPOS REGIONAIS - Helena Borborema


            Itabuna, a partir dos seus primórdios como Arraial e Vila até chegar a Cidade, conheceu diversos tipos humanos integrados na sua vida, no seu dia-a-dia. Em tempos mais recuados, quando matas frondosas ainda cobriam grande parte do seu território e homens trabalhadores e honestos iniciaram um grande trabalho de desbravamento para plantar cacau, tipos humanos nos mais diferentes misteres foram aqui surgindo.

            Representado por sergipanos e sertanejos, o primeiro tipo humano - além dos índios - que se integrou na região, nela se fixando, foi o LAVRADOR. Coube a ele o papel de desbravador, quando derrubou a mata, plantou, fez roça de cacau. Foi ele o homem que, superando grandes dificuldades do meio com coragem e confiança no seu próprio valor, fez surgir, dentro da mata, as grandes plantações de cacau, e abriu trilhas que iriam unir as diversas partes de uma imensa região. Muitos transformaram as suas lavouras em grandes fazendas. Num dia-a-dia difícil, corajoso, fazendo economia, comprando novas plantações, iniciando outras, esses lavradores acabaram por acumular fortuna, tornando-se senhores de grande riqueza. A sua produção valia pelo peso, a arroba, e aquele que colhia de mil arrobas para cima era intitulado CORONEl.

            O coronel - e eram vários na Região Cacaueira - acabou por se tornar homem de muita importância entre os seus conterrâneos. Já tendo constituído família, os coronéis passaram a viver na cidade. Construiram um casas confortáveis, viviam cercados de prestígio, com grande influência na vida política, social e econômica da cidade.

            Em alguns casos, a figura do coronel esteve ligada à do JAGUNÇO. Este era o assalariado, vindo de outras bandas da região e até de outros estados, muitas vezes foragido da justiça. Carregando em si a influência do meio onde nasceu ou se criou, ou por atavismo, o jagunça se prontificava para qualquer ação criminosa. Buscando abrigo em fazendas, a troco de dinheiro ou proteção se colocava ele a serviço do patrão para cumprir qualquer ordem, fosse para matar, bater ou incendiar roças dos inimigos do seu chefe e protetor. O jagunço não tinha escrúpulos nem piedade; a ele só importava a ordem do patrão.

            Com o tempo, pela ação da Justiça e a civilização que se foi instalando, a figura dos jagunços acabou por desaparecer, uns eliminados pelos fuzis da polícia que vinha para combatê-los, enquanto outros acabaram na cadeia.

            Nos tempos atuais, há ainda remanescentes do jagunço, mas com outra denominação: são os pistoleiros de aluguel, matadores que ainda agem nas grandes e pequenas cidades sob as ordens de outros chefes, não mais os coronéis, e levantam outras bandeiras de banditismo.

            A cidade teve também os seus tipos peculiares. Um deles foi o AGUADEIRO, figura comum e necessária numa época em que a cidade não tinha ainda o serviço de água encanada. Toda a água consumida pela população, para o gasto e para beber, vinha do rio e cisternas, e era distribuída pelo aguadeiro, homem que tinha por meio de vida levar a água de casa em casa, transportada em quatro barris que iam pendurados a cangalha, no lombo de um burrico tangido por ele pelas ruas da cidade. Havia os aguadeiros de água do rio e os que distribuíam só água de beber tirada das cisternas. Cada aguadeiro já tinha sua freguesia certa. Em casa, a água era filtrada e mantida nos próprios filtros e talhas ou potes, dentro dos quais era costume se colocar um pedaço de enxofre. Até a instalação da rede de água encanada na cidade, eram os aguadeiros os seus únicos condutores. Ao lado do aguadeiro, tirando o seu sustento das águas do rio, estava a LAVADEIRA. Quando o Cachoeira ainda corria desimpedido e as máquinas de lavar eram inexistentes na cidade, a roupa toda da população era lavada nas águas mansas dos trechos limpos do rio, água corrente. As lavadeiras, que chegaram a formar grandes grupos, alegravam as margens do Rio Cachoeira e davam-lhe colorido com a variedade de cores das roupas estendidas ao sol sobre os lajedos e gramado da beira do Rio. De pele tostada pelos raios solares, com as pernas mergulhadas na água, elas mourejavam diariamente sobre os lajedos, num trabalho cansativo, mas necessário a elas e à freguesia. Algumas lavadeiras até almoçavam lá mesmo na beira do rio, ao abrigo de alguma moita ou arbusto frondoso que as protegia da inclemência do sol.

            Dois outros tipos eram vistos comumente nas ruas: o CARVOEIRO e o VENDEDOR DE LENHA. Não existia o gás de cozinha, assim toda a casa, por melhor que fosse, usava o fogão à lenha ou a carvão. O Carvoeiro vendia o seu produto em sacos que eram levados na cangalha de burros, e a lenha era vendida em feixes amarrados de cipó e  transportados também em animais.

            Com relação aos comestíveis, como não havia mercados, as donas-de-casa se valiam dos vendedores ambulantes de ovos, galinhas, peixes e carnes de carneiro, porco, mercados em tabuleiros, além da feira e dos açougues. Para o dia-a-dia, quando necessário, era nas quitandas que elas iam encontrar o que precisavam. A QUITANDEIRA, outro personagem da antiga Itabuna, tinha a sua quitanda sortida de verduras e tempero verde, funcionando em geral num pequeno vão de uma só porta. À luz de um fifó, muitas permaneciam até o início da noite, esperando a sua freguesia.

            Um personagem de destaque na comunidade itabunense era o COMERCIANTE de loja. Esse tipo de casa comercial tinha em geral grande sortimento e vendia de tudo: tecidos de seda e algodão, guarda-chuva, artigos para presentes, mosquiteiros, meias, sapatos, galochas – estas últimas muito procuradas em virtude das chuvas frequentes na cidade e das ruas enlameadas. Sortidas lojas alimentavam o comércio de Itabuna. Havia ainda o comerciante dono da VENDA. Uma boa venda tinha de tudo: sacos de feijão , arroz, farinha, milho seco, mantas de charque bem curtido expostas abertas, às vistas do freguês, barricas de bacalhau importado e, sobre o balcão, vidros com bombons e fumo em rolo. Vendia ainda fósforos, querosene, biscoito, manteiga, corda, vassouras tamancos, esteiras, breu, azeite doce, bolacha, cera de abelha, anzol, creolina, sal grosso, cachaça, vinagre, vinho e produtos outros.

            Outro elemento conhecido era o TROPEIRO. Vindo das fazendas de cacau, num tempo em que as estradas de rodagem eram reduzidas, o tropeiro entrava na cidade tangendo a sua tropa. Pés descalços, empunhando um chicote, instigava os passos dos animais que conduzia e que, obedientes, caminhavam sob o peso dos sacos de cacau em direção dos armazéns da cidade, onde a enorme carga seria trocada por grandes quantias em dinheiro.

            Foi administrando uma variedade imensa de atividades, das mais simples às mais complexas e exigentes, além da sua grande lavoura de cacau, do seu forte comércio e com o trabalho dos mais humildes aos de maior relevância de seus habitantes, que Itabuna cresceu. Como uma árvore de grande porte, nascida com as raízes fincadas na lama, ela brotou para o espaço azul em busca do Sol, cheia de seiva, plena de vida, ávida de desejo de crescer e frutificar.

(RETALHOS)
Helena Borborema

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