Não só a terra, mas o sistema solar inteiro já está imerso
no cinturão de fótons que emana de alcyonne, o sol central da galáxia, vem
recebendo sua energia para a transmutação e para o salto quântico
evolutivo.....
O cansaço e as novas frequências:
O cansaço físico que estamos sentindo é devido às novas
frequências eletromagnéticas inteligentes que estão chegando do Sol
Central.
Estas estão mexendo radicalmente em nossas estruturas
físicas, emocionais e espirituais.
O QUE FAZER?
Mentalmente:
Vibrar em alta ressonância, de preferência na mais alta
energia possível, a energia da gratidão, da compaixão, da generosidade, da
benevolência e do compartilhamento mútuo das ideias.
Faça diferente, Pare de reclamar e comece a agradecer, a
gratidão é a energia que moldará o novo mundo.
Fisicamente:
Fazer exercícios calmos e concentrados, emitindo, ao mesmo
tempo em que os faz, ondas azuis para todos os locais onde sente supostamente
dor, desconforto ou fadiga muscular.
Coloque para dentro do seu corpo sentimentos bonitos, e
saudáveis para a tua vida.
Mergulhar na água do mar ou na água de rio corrente para
entrar na frequência nova da Natureza.
Espiritualmente:
Prestar atenção na intuição, pois ela está chegando com
mais força e é a primeira informação que chega do mundo espiritual para
adentrar em sua mente.
Relacionamentos:
Não precisa mais gritar com ninguém, seu coração já não
suporta mais gritos e discussões, ele só quer harmonia e entendimento, a época
dos sofrimentos terminou, quem ainda continuar nesta ideia passará por grandes
provações.
Trabalho:
Seu espirito não está mais querendo fazer o que não faz
sentido e não preenche o seu propósito de vida.
Se não mudar ou melhorar sua relação com seu trabalho, sua
vida vai ficando cada vez mais vazia, mesmo que através dele receba bastante
dinheiro, nada disso poderá dar um sentido real para a sua existência daqui em
diante.
O estado da gratidão pura e silenciosa.
Sintonia consigo mesmo.
O PROCESSO OBSESSIVO EM SUA VIDA
Nem sempre conseguimos perceber, porém principiam de
bagatelas:
- O olhar de desconfiança…
- Um grito de cólera…
- Uma frase pejorativa…
- A Maledicência sem pensar..
- A ponta de sarcasmo…
- O momento de irritação…
- A tristeza sem motivo…
- O instante de impaciência…
Estabelecida a ligação com as sombras por semelhantes tomadas
de invigilância, eis que surgem as grandes brechas na organização da vida ou na
moradia da alma:
- A desarmonia em casa…
- A discórdia nos grupos…
- O fogo da crítica…
- O veneno da queixa…
- A doença imaginária…
- A treva do ressentimento…
- A discussão infeliz…
- A rixa sem propósito…
As obsessões que envolvem individualidades devem ser
evitadas. Para isso, dispomos todos de recursos infalíveis, quais sejam:
- A dieta do silêncio;
- A vacina da tolerância
- O detergente do trabalho
- O antisséptico da oração.
EMMANUEL - publicada em 12.02.19 na Revista Chico de Minas
Xavier
Onde estiver, agora, o escritor Carlos Heitor Cony deve
estar sorrindo com as trapalhadas cometidas pelo governo de Rondônia, ao mandar
recolher 43 livros, a maioria do autor de “O ato e o fato”. A
determinação, depois revogada, incluída obras de Franz Kafka, Euclides da
Cunha, Ferreira Gullar e Rubem Fonseca, entre outros.
Parece incrível que essas coisas ainda aconteçam em nosso
país. Consequência, é claro, do clima que se armou no atual
governo. A desculpa é de que as obras vetadas contêm “conteúdos inadequados”
quando se referem a leitores como crianças e adolescentes, embora haja
incongruência como o veto a “Macunaíma”, de Mário de Andrade, obra normalmente
muito solicitada em exames vestibulares.
A violência da Secretaria de Educação de Rondônia atingiu
também o escritor Rubem Alves, morto em 2014, que se especializou em escrever
sobre educação. De onde terá saído tamanha barbaridade?
A acusação oficial de que há muita doutrinação nas escolas
brasileiras não justifica a censura aos nossos livros didáticos e
paradidáticos. Para serem distribuídos, foram antes objeto de uma
seleção por parte dos programas oficiais, que certamente não primam pela
coerência.
A essa decisão absurda devemos somar o que houve
recentemente, quando livros foram atirados pela janela de outra Secretaria de
Educação, sob a alegação de que estariam “ultrapassados”. Custa a crer
que exista entre nós tamanho desperdício.
Também é relevante pensar nas pessoas que promovem esse tipo
de censura. Quem são elas? Estudaram até que nível, para achar que livros
como “Memórias Póstumas de Braz Cubas”, de Machado de Assis, “Mar de História”,
de Aurélio Buarque de Holanda, e “os Sertões da Luta”, de Euclides da Cunha,
são extremamente perigosos e devem por isso ser proibidos. Parece
piada de mau-gosto.
Sinceramente, achamos que isso tudo é resultado de um
descontrole oficial, a partir de posicionamentos dúbios do próprio Ministério
da Educação. O seu programa do livro didático parece uma nau sem rumo,
embora se reconheça a sua indiscutível importância. Não se trata de falta
de recursos financeiros, mas sim da ausência de uma orientação segura.
A Academia Brasileira de Letras protestou contra esse gesto
deplorável. Considerou um desrespeito à Constituição de 1988: “É um
despautério imaginar, em pleno século XXI, a retomada de índice de livros
proibidos.”
Arnaldo Niskier Sétimo ocupante da Cadeira nº 18 da ABL,
eleito em 22 de março de 1984, na sucessão de Peregrino Júnior e recebido em 17
de setembro de 1984 pela acadêmica Rachel de Queiroz. Recebeu os acadêmicos
Murilo Melo Filho, Carlos Heitor Cony e Paulo Coelho. Presidiu a Academia
Brasileira de Letras em 1998 e 1999.
A turma dos menores
era a que tinha mais meninos no internato do colégio Irmãos Maristas, em
Salvador. A menor
de todas as turmas era a dos maiores. Havia
dezenas de meninos na turma dos médios. Em todas as turmas havia meninos e adolescentesgordos,magros,altos, troncudos,roliços,brancos, morenos,
mulatose uns poucos de cor preta. Alguns alunos eram barulhentos, outros
recatados. Poucos alunos internos
procediam de cidades do Nordeste,a
maioria vinha dosmunicípiosdo interior baiano, dos quais alguns se destacavam em razão do tamanho, população até certo ponto grande e riqueza produzida por uma economia de bases
rurais, como Feira de Santana, Vitória
da conquista, Ilhéus e Itabuna. Outros meninos procediam de cidades do interior
baiano de porte médio, como Jequié, Alagoinhas, Juazeiro, Santo Amaro, Santo
Antonio, Nazaré das Farinhas, Cachoeira e São Félix. Havia menino nascido em cidade da qualnunca se tinha ouvido falar, como Xique-Xique.
Rodolfo, que tinha traços de índio, havia nascido em
Xique-Xique. Era o primeiro aluno da classe e o melhoratacantedo time.Garoto simples, de
origens humildes, muito comunicativo.
Achei graça e fiquei intrigado quando soube que ele tinha nascido em Xique-Xique, cidade de
nome esquisito. O que queria dizer Xique-Xique?Havia algo de pejorativo colocado no significado desse nome, que só em
pronunciá-lo os garotos ficavam sorrindo? Rodolfo não ligava com as caras de
riso que os meninos faziam quando era
pronunciado o nome da sua cidade. Ele também ficava sorrindo. Mas era fácil perceber que eleamava a sua cidade natal, dizendo que ela
tinha um nome estranho, mas era muito atraente.Ficava em uma das margens do Rio
São Francisco. Tinha um povo hospitaleiro, alegre e trabalhador, vivendo da
pesca, criatório de gado e artesanato.
Perguntei:
- E por que sua
cidade tem esse nome estranho de Xique-Xique?
Rodolfo:
- Os primeiros
povoadores que por lá chegaram no começo do Brasil encontraram no lugar um
cacto em abundância, conhecido como xique-xique. Essa gente pioneira de tanto
se referir ao local onde existia muito dessa planta feito uma palma com espinho
terminou fazendo com que o lugar passasse a ser chamado de Xique-Xique.
Perguntei mais:
- Alguém já quis
mudar esse nome estranho pra outro que não provoque riso?
Rodolfo:
- Não sei, mas esse nome já está enraizado
no coração de cada xiquense-xiquense –ele mesmo começou a sorrir com a expressão difícil que acabou de pronunciar –, o
que sei é que a terra onde nasci é um lugar cheio de belezas naturais, a começar pelo
rio São Francisco com suas dunas , um bom local para passeios. Tem um porto onde
atracam muitos barcos.
O recreio estava
aproximando-se do fim, mas antes que isso acontecesse, Rodolfo ainda teve tempo
para dizer que achava muito engraçado o nome Itabuna, “cidade onde você nasceu
e mora, não é mesmo?”Disse que esse
nome sempre lhe soou estranho.
Quis saber:
- O que
quer dizer Itabuna?
- A
professora de minha cidade disse que é um nome de origem indígena. Ita quer
dizer pedra e una, preta. Itabuna quer dizer lugar de pedras pretas. O b entre
o ita e o una ocorreu para que o nome Itabuna tivesse uma pronúncia melhor.
- E onde fica esse lugar de pedras pretas?
- Em vários trechos do Cachoeira, o rio que corta minha c
idade em duas bandas.
- É um rio grande?
- Não, mas para
nós, filhos de Itabuna, é o maior e o melhor rio do mundo, chamado pelo povo de
pai dos pobres.
- Sua cidade fica
onde? E tem o quê lá, além desse rio? -
insistiu.
- Fica no Sul da Bahia, região de muita roça de cacau.Tem o comércio maior e mais movimentado da
região. No
campo, ela produz muito cacau.Seu povo
é trabalhador e progressista, gosta de abrigar os forasteiros.
Antes de se despedir e se dirigir para o banho no pavimento
superior, Rodolfo convidou-me para conhecer Xique-Xique, demonstrando que seria
um prazer para ele se isso acontecesse um dia. Em retribuição disse que ficaria
também alegre quando ele quisesse passar uma parte de suas férias comigo em
Itabuna.
..........
Cyro de Mattos é
ficcionista e poeta. Da Academia de Letras da Bahia. Possui prêmios importantes
no Brasil e exterior. Publicado também por várias editoras europeias.Primeiro Doutor Honoris Causa da Universidade
Estadual de Santa Cruz.
Anúncio do Evangelho (Mt
5,20-22a.27-28.33-34a.37)
— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo
Mateus.
— Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: “Eu vos
digo: Se a vossa justiça não for maior que a justiça dos mestres da Lei e dos
fariseus, vós não entrareis no Reino dos Céus.
Vós ouvistes o que foi dito aos antigos: ‘Não matarás! Quem
matar será condenado pelo tribunal’.Eu, porém, vos digo: todo aquele que se
encoleriza com seu irmão será réu em juízo.
Ouvistes o que foi dito: ‘Não cometerás adultério’.Eu, porém,
vos digo: Todo aquele que olhar para uma mulher, com o desejo de possuí-la, já
cometeu adultério com ela no seu coração.
Vós ouvistes também o que foi dito aos antigos: ‘Não jurarás
falso’, mas `cumprirás os teus juramentos feitos ao Senhor’.Eu, porém, vos
digo: Não jureis de modo algum. Seja o vosso ‘sim’: ‘Sim’, e o vosso
‘não’: ‘Não’. Tudo o que for além disso vem do Maligno”.
“Se a vossa justiça não for maior que a justiça dos mestres
da Lei e dos fariseus...” (Mt 5,20)
Na Bíblia, a justiça é um dos conceitos centrais, com uma
diversidade de sentidos e, por isso mesmo, difícil de ser definido. Em todo
caso, trata-se de um conceito que inclui “relação”. Nas “antíteses” – “ouvistes
o que foi dito..., eu, porém, vos digo” – do Sermão da Montanha, somos
colocados diante de cinco casos concretos que tem a ver com a vida relacional e
comunitária: a reconciliação, o olhar puro que não se apossa de outra pessoa, a
veracidade e transparência no falar, a não violência (ou mansidão bíblica) e o
amor gratuito que inclui o “inimigo”. Em todos eles, podemos crescer sempre
mais, graças à compreensão de quem somos no nível mais profundo; o “eu, porém,
vos digo” de Jesus nos inspira a descer até às raízes de nosso ser,
esvaziando-nos progressivamente de nosso ego e ativando todos os recursos
humanizadores aí presentes.
Na perspectiva bíblica, “justo” é aquele que, perante Deus e
os homens, se “ajusta” ao modo de agir do mesmo Deus, vivendo e agindo com a
marca da bondade. Visto que justiça designa o comportamento do ser humano em
conformidade com a Vontade de Deus, pode-se falar de “praticar a justiça”; ou
de “cumprir toda a justiça”. Portanto, a expressão “justiça de Deus” não tem
nenhuma relação com o julgamento de Deus; ela é, antes de tudo, misericórdia e
fidelidade a uma vontade de salvação. O conceito descreve uma maneira de ser ou
de agir de Deus. Deus é justo porque é bondade e misericórdia. Por isso, também
do lado humano a justiça deve significar uma maneira de prolongar o ser e o
agir de Deus.
O problema da relação entre misericórdia e justiça está em
considerar como rivais ou como incompatíveis esses dois atributos de Deus. É
preciso afirmar os dois ao mesmo tempo e procurar compreender como ambos estão
em Deus, sem que um anule o outro, mas reforçando-se mutuamente. Poderíamos
formular assim: Deus é justo em sua misericórdia e misericordioso em sua
justiça. Segundo o Papa Francisco, “a misericórdia não exclui a justiça e a
verdade, mas, antes de tudo, temos que dizer que a misericórdia é a plenitude
da justiça e a manifestação mais luminosa da verdade de Deus”.
Já no Primeiro Testamento encontramos afirmações deste tipo:
a justiça de Deus é sua misericórdia. A justiça de Deus coincide com sua
misericórdia, sua bondade, sua santidade. São Paulo, em sua carta aos romanos,
afirma que a justiça de Deus se manifesta na justificação do pecador, de modo
que o Deus justo é justificador. Podemos concluir, pois, que Deus é justo
porque quer que todos se salvem. É de esperar, portanto, que esta vontade de
Deus se cumpra. É claro que, diante do dom da salvação intervém a liberdade
humana, porque salvação é acolhida do Deus que é Amor, e não há amor sem
recíproca acolhida.
Jesus veio expandir o horizonte do comportamento humano;
veio nos libertar dos perigos do moralismo e do legalismo. À luz da justiça de
Deus (“força que salva”), Jesus nos apresenta um modo de proceder mais radical,
relendo os mandamentos.
A justiça de Deus não é poder que se impõe, mas amor aberto
e libertador, a partir dos últimos e dos excluídos da humanidade. A liberdade
criadora de Deus, que é amor aos pobres, se torna princípio de justiça, pois o
evangelho chama “justos” precisamente aqueles que acolhem os exilados, visitam
os encarcerados, dá pão a quem tem fome..., ou seja, àqueles que colocam suas
vidas a serviço dos excluídos e vítimas das instituições sociais e econômicas
injustas.
O único fundamento de qualquer justiça é Cristo. N’Ele nós
nos tornamos justiça de Deus (2Cor 5,21). A partir desta perspectiva, podemos
entender o que Jesus fez em seu tempo com a Lei de Moisés. Disse que não vinha
abolir a lei, mas plenificá-la, porque foi acusado pelas autoridades religiosas
de ser um transgressor das leis. Jesus não foi contra a Lei, senão que foi mais
além da Lei. Quis dizer que toda lei é sempre limitada, que sempre podemos ir
mais além da letra da lei, da pura formulação, até descobrir o espírito que a
inspira. A vontade de Deus está mais além de qualquer formulação, por isso, não
podemos nos limitar ao que está escrito, mas precisamos sempre dar um passo a
mais. Na vivência do amor, que emana do nosso eu mais profundo, devemos ser
sempre mais radicais, não cedendo diante da mínima manifestação do nosso
autocentramento. Na realidade, quem ama, não precisa de leis. Segundo S. Paulo,
“quem ama, cumpre toda lei”.
Jesus passou de um cumprimento externo de leis a uma
descoberta das exigências de seu próprio ser. Esta revolução que Ele iniciou,
ainda está por ser realizada. Avançamos muito pouco nessa direção. Todas as
indicações do evangelho no sentido de viver no espírito e não na letra, parece
que estão sendo ignoradas. Caímos facilmente no legalismo, no farisaísmo que se
perde em meio a um emaranhado de leis, desviando-se do essencial, que é a
vivência do amor oblativo, gratuito, expansivo...
“Ouvistes o que foi dito: não matarás, não cometerás
adultério, não jurarás falso; eu, porém, vos digo...” Não fica abolido o
mandamento antigo, mas elevado a níveis incrivelmente mais profundos. Jesus nos
revela que uma atitude interna negativa é já uma falha contra nosso próprio
ser, ainda que não se manifeste numa ação concreta contra o outro. Por isso,
segundo Jesus, não basta cumprir a Lei, que ordena “não matarás”. É necessário,
além disso, arrancar de nossa vida a agressividade, o desprezo ao outro, os
insultos ou as vinganças. Aquele que não mata cumpre a Lei, mas, se em seu
coração há resquícios de violências, ali não reina o Deus que busca construir
conosco uma vida mais humana.
Estamos percebendo que está se estendendo cada vez mais, na
sociedade atual, uma linguagem que reflete o crescimento da agressividade, do
preconceito, da intolerância, do fechamento diante de quem pensa e sente de
maneira diferente... Cada vez são mais frequentes os insultos ofensivos,
proferidos só para humilhar, desprezar e ferir. Palavras nascida da rejeição,
do ressentimento, do ódio ou da vingança... Por outra parte, as conversações
(sobretudo nas redes sociais) estão tecidas de palavras injustas que espalham
condenações e semeiam suspeitas (fake-news). Palavras ditas sem amor e sem
respeito que envenenam a convivência, causam danos e rompem as relações entre
as pessoas.
Portanto, os mandamentos continuam tendo sentido. São um
mapa de rota, uma proposta, um chamado para entender a vida. A chave é
compreendê-los e vivê-los, não a partir do medo ao fracasso e ao castigo, mas a
partir da disposição de crescer humanamente na relação com os outros. Quê nos
ensinam eles sobre o ser humano, sobre as relações sociais e sobre nós mesmos?
Quê caminho nos propõem para a vida? Quê horizonte nos mostram?
É necessário dirigir nosso olhar a Jesus para que, na
comunidade cristã, a instituição não seja mais importante que o Evangelho, nem
que a Lei seja mais importante que a misericórdia. O Plano de Deus e a fé
cristã são muito mais que uma adesão doutrinal, é humanizar-se para amar. “O
cristianismo não é uma ética de mínimos de justiça, mas uma religião de máximos
de felicidade. Os mínimos de justiça lhe parecem irrenunciáveis, mas tais
mínimos não esgotam o conteúdo da religião cristã. Suas propostas não competem
com a ética cívica, senão que a complementam. Enquanto que a universalidade dos
mínimos de justiça é uma universalidade exigível, a dos máximos de felicidade é
uma universalidade ofertável” (Adelia Cortina). A justiça do Evangelho,
centrado no amor, é um plus sobre a justiça humana, centrada na lei.
Texto bíblico: Mt 5,17-37
Na oração: O empenho em favor da justiça não terá fim.
Numa releitura da 4ª bem-aventurança podemos afirmar:
“Felizes os famintos de justiça, que nunca serão saciados”.
- Frente às pessoas que pensam e sentem de maneira
diferente, o que prevalece em você, o peso da lei ou a força da misericórdia?
- Como você vive o quinto mandamento -“não matar”
- no uso das redes sociais?
Itabuna, a
partir dos seus primórdios como Arraial e Vila até chegar a Cidade, conheceu
diversos tipos humanos integrados na sua vida, no seu dia-a-dia. Em tempos mais
recuados, quando matas frondosas ainda cobriam grande parte do seu território e
homens trabalhadores e honestos iniciaram um grande trabalho de desbravamento
para plantar cacau, tipos humanos nos mais diferentes misteres foram aqui
surgindo.
Representado
por sergipanos e sertanejos, o primeiro tipo humano - além dos índios - que se
integrou na região, nela se fixando, foi o LAVRADOR. Coube a ele o papel de desbravador,
quando derrubou a mata, plantou, fez roça de cacau. Foi ele o homem que,
superando grandes dificuldades do meio com coragem e confiança no seu próprio
valor, fez surgir, dentro da mata, as grandes plantações de cacau, e abriu
trilhas que iriam unir as diversas partes de uma imensa região. Muitos
transformaram as suas lavouras em grandes fazendas. Num dia-a-dia difícil,
corajoso, fazendo economia, comprando novas plantações, iniciando outras, esses
lavradores acabaram por acumular fortuna, tornando-se senhores de grande
riqueza. A sua produção valia pelo peso, a arroba, e aquele que colhia de mil
arrobas para cima era intitulado CORONEl.
O coronel -
e eram vários na Região Cacaueira - acabou por se tornar homem de muita
importância entre os seus conterrâneos. Já tendo constituído família, os
coronéis passaram a viver na cidade. Construiram um casas confortáveis, viviam
cercados de prestígio, com grande influência na vida política, social e
econômica da cidade.
Em alguns
casos, a figura do coronel esteve ligada à do JAGUNÇO. Este era o assalariado,
vindo de outras bandas da região e até de outros estados, muitas vezes foragido
da justiça. Carregando em si a influência do meio onde nasceu ou se criou, ou
por atavismo, o jagunça se prontificava para qualquer ação criminosa. Buscando
abrigo em fazendas, a troco de dinheiro ou proteção se colocava ele a serviço
do patrão para cumprir qualquer ordem, fosse para matar, bater ou incendiar
roças dos inimigos do seu chefe e protetor. O jagunço não tinha escrúpulos nem
piedade; a ele só importava a ordem do patrão.
Com o
tempo, pela ação da Justiça e a civilização que se foi instalando, a figura dos
jagunços acabou por desaparecer, uns eliminados pelos fuzis da polícia que
vinha para combatê-los, enquanto outros acabaram na cadeia.
Nos tempos
atuais, há ainda remanescentes do jagunço, mas com outra denominação: são os
pistoleiros de aluguel, matadores que ainda agem nas grandes e pequenas cidades
sob as ordens de outros chefes, não mais os coronéis, e levantam outras
bandeiras de banditismo.
A cidade teve
também os seus tipos peculiares. Um deles foi o AGUADEIRO, figura comum e
necessária numa época em que a cidade não tinha ainda o serviço de água
encanada. Toda a água consumida pela população, para o gasto e para beber,
vinha do rio e cisternas, e era distribuída pelo aguadeiro, homem que tinha por
meio de vida levar a água de casa em casa, transportada em quatro barris que
iam pendurados a cangalha, no lombo de um burrico tangido por ele pelas ruas da
cidade. Havia os aguadeiros de água do rio e os que distribuíam só água de
beber tirada das cisternas. Cada aguadeiro já tinha sua freguesia certa. Em
casa, a água era filtrada e mantida nos próprios filtros e talhas ou potes,
dentro dos quais era costume se colocar um pedaço de enxofre. Até a instalação
da rede de água encanada na cidade, eram os aguadeiros os seus únicos
condutores. Ao lado do aguadeiro, tirando o seu sustento das águas do rio, estava
a LAVADEIRA. Quando o Cachoeira ainda corria desimpedido e as máquinas de lavar
eram inexistentes na cidade, a roupa toda da população era lavada nas águas
mansas dos trechos limpos do rio, água corrente. As lavadeiras, que chegaram a
formar grandes grupos, alegravam as margens do Rio Cachoeira e davam-lhe
colorido com a variedade de cores das roupas estendidas ao sol sobre os lajedos
e gramado da beira do Rio. De pele tostada pelos raios solares, com as pernas
mergulhadas na água, elas mourejavam diariamente sobre os lajedos, num trabalho
cansativo, mas necessário a elas e à freguesia. Algumas lavadeiras até
almoçavam lá mesmo na beira do rio, ao abrigo de alguma moita ou arbusto
frondoso que as protegia da inclemência do sol.
Dois
outros tipos eram vistos comumente nas ruas: o CARVOEIRO e o VENDEDOR DE LENHA.
Não existia o gás de cozinha, assim toda a casa, por melhor que fosse, usava o
fogão à lenha ou a carvão. O Carvoeiro vendia o seu produto em sacos que eram
levados na cangalha de burros, e a lenha era vendida em feixes amarrados de
cipó e transportados também em animais.
Com
relação aos comestíveis, como não havia mercados, as donas-de-casa se valiam
dos vendedores ambulantes de ovos, galinhas, peixes e carnes de carneiro,
porco, mercados em tabuleiros, além da feira e dos açougues. Para o dia-a-dia,
quando necessário, era nas quitandas que elas iam encontrar o que precisavam. A
QUITANDEIRA, outro personagem da antiga Itabuna, tinha a sua quitanda sortida
de verduras e tempero verde, funcionando em geral num pequeno vão de uma só
porta. À luz de um fifó, muitas permaneciam até o início da noite, esperando a
sua freguesia.
Um
personagem de destaque na comunidade itabunense era o COMERCIANTE de loja. Esse
tipo de casa comercial tinha em geral grande sortimento e vendia de tudo:
tecidos de seda e algodão, guarda-chuva, artigos para presentes, mosquiteiros,
meias, sapatos, galochas – estas últimas muito procuradas em virtude das chuvas
frequentes na cidade e das ruas enlameadas. Sortidas lojas alimentavam o
comércio de Itabuna. Havia ainda o comerciante dono da VENDA. Uma boa venda
tinha de tudo: sacos de feijão , arroz, farinha, milho seco, mantas de charque
bem curtido expostas abertas, às vistas do freguês, barricas de bacalhau importado
e, sobre o balcão, vidros com bombons e fumo em rolo. Vendia ainda fósforos,
querosene, biscoito, manteiga, corda, vassouras tamancos, esteiras, breu,
azeite doce, bolacha, cera de abelha, anzol, creolina, sal grosso, cachaça,
vinagre, vinho e produtos outros.
Outro
elemento conhecido era o TROPEIRO. Vindo das fazendas de cacau, num tempo em
que as estradas de rodagem eram reduzidas, o tropeiro entrava na cidade
tangendo a sua tropa. Pés descalços, empunhando um chicote, instigava os passos
dos animais que conduzia e que, obedientes, caminhavam sob o peso dos sacos de
cacau em direção dos armazéns da cidade, onde a enorme carga seria trocada por
grandes quantias em dinheiro.
Foi
administrando uma variedade imensa de atividades, das mais simples às mais
complexas e exigentes, além da sua grande lavoura de cacau, do seu forte
comércio e com o trabalho dos mais humildes aos de maior relevância de seus
habitantes, que Itabuna cresceu. Como uma árvore de grande porte, nascida com
as raízes fincadas na lama, ela brotou para o espaço azul em busca do Sol,
cheia de seiva, plena de vida, ávida de desejo de crescer e frutificar.