"Um brilhante Juiz de Direito que transformou-se no
brasileiro mais admirado deste planeta!"
09/12/2019
Caros amigos
Hoje, 09 de Dezembro, Dia Internacional do Combate à
Corrupção, compareci à sessão solene da Câmara dos Deputados na qual foi mui
justamente homenageado o Ministro Sérgio Moro.
Foi um bálsamo à alma de todos os patriotas presentes ao
Plenário Ulisses Guimarães para assisti-lo, impávido e sereno, receber as
homenagens dos que discursaram e as ovações dos que os aplaudiram em
concordância plena com os louvores e com os agradecimentos que lhe eram
dirigidos.
A placidez da sua feição retratava o desapego à soberba, ao
aplauso e à aclamação popular para cumprir o seu dever e fazer cumprir a lei.
Sérgio Moro era a visão clara do estadista que se tornou
conhecido e admirado por sua coragem física e moral, pela determinação com que
estudou suas missões e pela competência com que as tem executado.
Um homem que faz acontecer e que encara a realidade e os
riscos sem jactância ou fanfarronices.
Um Ministro de Estado comedido, lógico e racional, avesso ao
populismo, à demagogia e à ostentação dos seus próprios feitos e méritos.
Um jurista que se doou à Pátria e que se fez homem público
pelo resultado natural do seu trabalho, sem atalhos ou subterfúgios que
retratassem qualquer arrependimento ou desajuste profissional.
Um brilhante Juiz de Direito que, ao abrir mão da carreira
para desbravar caminhos para os que pretendessem segui-lo, transformou-se no
brasileiro mais conhecido e admirado deste planeta.
Pela prática honesta do conhecimento e pela coerência moral
das suas atitudes, no dia reservado a lembrar a ação de combate que ele
personifica na sua melhor versão, Sérgio Moro apresenta-se como o modelo a ser
seguido por todos os brasileiros honestos e como a antítese da maioria dos
servidores eleitos que transitam e que já transitaram por aquela Casa, dita do
Povo, em busca de fama e de fortuna pessoal!
Cumprimento a Deputada Carla Zambelli pela feliz e oportuna
iniciativa de louvar e enaltecer as virtudes e a obra do Juiz e do Ministro
Sérgio Moro, mormente em momento tão sensível da conjuntura nacional, quando,
por atitude imprudente e irresponsável de um grupo de juristas da Suprema
Corte, vemos circular entre nós corruptos já condenados, bandidos da pior
espécie que se têm valido da liberdade provisória para, mesmo que em vão,
ameaçar a tranquilidade e a estabilidade da Nação.
As traduções são muito mais complexas do que se imagina. Não
me refiro a locuções, expressões idiomáticas, palavras de gíria, flexões
verbais, declinações e coisas assim. Isto dá para ser resolvido de uma maneira
ou de outra, se bem que, muitas vezes, à custa de intenso sofrimento por parte
do tradutor. Refiro-me à impossibilidade de encontrar equivalências entre palavras
aparentemente sinônimas, unívocas e univalentes. Por exemplo, um alemão que
saiba português responderá sem hesitação que a palavra portuguesa
"amanhã" quer dizer "morgen". Mas coitado do alemão que vá
para o Brasil acreditando que, quando um brasileiro diz "amanhã",
está realmente querendo dizer "morgen". Raramente está.
"Amanhã" é uma palavra riquíssima e tenho certeza de que, se o Grande
Duden fosse brasileiro, pelo menos um volume teria de ser dedicado a ela e outras,
que partilham da mesma condição.
"Amanhã" significa, entre outras coisas,
"nunca", "talvez", "vou pensar", "vou
desaparecer", "procure outro", "não quero", "no
próximo ano", "assim que eu precisar", "um dia
destes", "vamos mudar de assunto", etc. e, em casos
excepcionalíssimos, "amanhã" mesmo. Qualquer estrangeiro que tenha
vivido no Brasil sabe que são necessários vários anos de treinamento para
distinguir qual o sentido pretendido pelo interlocutor brasileiro, quando ele
responde, com a habitual cordialidade nonchalante, que fará tal ou qual coisa
amanhã. O caso dos alemães é, seguramente, o mais grave. Não disponho de
estatísticas confiáveis, mas tenho certeza de que nove em cada dez alemães que
procuram ajuda médica no Brasil o fazem por causa de "amanhãs"
casuais que os levam, no mínimo, a um colapso nervoso, para grande espanto de
seus amigos brasileiros - esses alemães são uns loucos, é o que qualquer um
dirá.
A culpa é um pouco dos alemães, que, vamos admitir,
alimentam um número excessivo de certezas sobre esta vida incerta, número quase
tão grande como a quantidade exasperante de preposições que frequentam sua
língua (estou estudando "auf" e "au" no momento, e não
estou entendendo nada). São o contrário dos brasileiros, a maior parte dos
quais não tem a menor ideia do que estará fazendo na próxima meia hora, quanto
mais amanhã.
Talvez tudo se reduza a uma questão filosófica sobre a
imanência do ser, o devenir, o princípio de identidade e outros assuntos do
quais fingimos entender, em coquetéis desagradáveis onde mentimos a respeito de
nossas leituras e nossos tempos na Faculdade. No plano prático, contudo, a
coisa fica gravíssima. Se o Brasil tivesse fronteiras com a Alemanha, não digo
uma guerra, mas algumas escaramuças já teriam eclodido, com toda a certeza - e
a Alemanha perderia, notadamente porque o Brasil não compareceria às batalhas
nos horários previstos, confundiria terça-feira com sexta-feira, deixaria tudo
para amanhã, falsificaria a assinatura oficial no documento de rendição,
receberia a Wehrmacht com batucadas nos momento, mais inadequados e estragaria
tudo organizando almoços às seis horas da tarde.
Falo por experiência própria. When in Rome do as the Romans
do ditado que deve ter uma versão latina muito mais chique, mas, infelizmente,
não disponho aqui de meus livros de citações, para dar a impressão aos leitores
de que leio Ovídio e Horácio no original. Mas, em inglês ou em latim, acho esse
um pensamento de grande sabedoria e procuro segui-lo à risca, na minha atual
condição de berlinense, tanto assim que, não fora minha tez trigueira e meu
alemão abestalhado, ninguém me distinguiria, fosse por traje ou maneiras, dos
outros berlinenses bebericando uma cervejinha ali na Adenauerplatz.
Fica tudo, porém, muito difícil em certas ocasiões, como
hoje mesmo. O telefone tocou, atendi, falou um alemão simpático e cerimonioso
do outro lado, querendo saber se eu estaria livre para uma palestra no dia 16
de novembro, quarta-feira, às 20:30h. Sei que é difícil para um alemão
compreender que esse tipo de pergunta é ininteligível para um brasileiro. Como
alguém pode marcar alguma coisa com tanta precisão e antecedência, esses
alemães são uns loucos. Mas não quis ser indelicado e, como sempre, recorri a
minha mulher.
- Mulher - disse eu, depois de pedir que o telefonador
esperasse um bocadinho. - Eu tenho algum compromisso para o dia 16 de novembro,
quarta-feira, às 20:30h?
- Você está maluco? - disse ela. - Quem é que pode responder
a esse tipo de pergunta?
- Eu sei, mas tem um alemão aqui querendo uma resposta.
- Diga a ele que você responde amanhã.
- E quando ele telefonar amanha? Ele é alemão, ele vai
telefonar amanhã, ele não sabe o que quer dizer amanhã.
- Ah, esses alemães são uns loucos. Você é escritor, invente
uma resposta poética, diz a ele que a vida é um eterno amanhã.
Achei uma ideia interessante, mas não a usei, apenas disse
que ele telefonasse amanhã. Mas claro que não sei o que dizer amanhã e fui
dormir preocupado, tanto assim que ainda incomodei minha mulher com uma
cotovelada. Afinal, os alemães são organizados, é uma vergonha a gente não
poder planejar as coisas tão bem quanto eles. Que é que eu faço?
- Ora - respondeu ela, retribuindo já cotovelada -, pergunte
a ele se os alemães planejaram a reunificação para agora. E, se ele for
berlinense, pergunte se ele não preferia deixá-la para amanhã.
- Touché - disse eu, puxando o cobertor para cobrir a cabeça
e resolvendo que amanhã pensaria no assunto.
(Um brasileiro em Berlim, 1993.)
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João Ubaldo Ribeiro
Sétimo ocupante da Cadeira nº 34 da ABL, eleito em 7 de
outubro de 1993, na sucessão de Carlos Castello Branco e recebido em 8 de junho
de 1994 pelo Acadêmico Eduardo Portella. Faleceu no dia 18 de julho de
2014, no Rio de Janeiro, aos 73 anos.
Imaculada Conceição de Nossa Senhora – Domingo, 08/12/2019
Anúncio do Evangelho (Lc 1,26-38)
— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo
Lucas.
— Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a
uma cidade da Galileia, chamada Nazaré, a uma virgem, prometida em
casamento a um homem chamado José. Ele era descendente de Davi e o nome da
Virgem era Maria.
O anjo entrou onde ela estava e disse: “Alegra-te, cheia de
graça, o Senhor está contigo!” Maria ficou perturbada com estas palavras e
começou a pensar qual seria o significado da saudação.
O anjo, então, disse-lhe: “Não tenhas medo, Maria, porque
encontraste graça diante de Deus.1Eis que conceberás e darás à luz um filho, a
quem porás o nome de Jesus. Ele será grande, será chamado Filho do
Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi. Ele reinará
para sempre sobre os descendentes de Jacó, e o seu reino não terá fim”.
Maria perguntou ao anjo: “Como acontecerá isso, se eu não
conheço homem algum?”
O anjo respondeu: “O Espírito virá sobre ti, e o poder do
Altíssimo te cobrirá com sua sombra. Por isso, o menino que vai nascer será
chamado Santo, Filho de Deus. Também Isabel, tua parenta, concebeu um
filho na velhice. Este já é o sexto mês daquela que era considerada
estéril, porque para Deus nada é impossível”.
Maria, então, disse: “Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em
mim segundo a tua palavra!” E o anjo retirou-se.
“Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo! (Lc 1,28)
Celebramos neste domingo (8/12) a festa de Maria Imaculada.
O dogma da Imaculada Conceição foi proclamado pelo Papa Pio IX, na Bula
“Ineffabilis Deus”, no dia 08 de dezembro de 1854. Nele se afirma que Maria, à
diferença dos demais seres humanos, não se viu alcançada pelo “pecado
original”, sendo “imaculada” (“sem mancha”) desde o momento de sua
concepção.
Mas, falar de Maria como Imaculada tem um sentido muito mais
profundo que a afirmação dogmática de “ser preservada da mancha original”.
Falar da Imaculada é tomar consciência de que, em um ser humano (Maria),
descobrimos algo, no mais profundo de seu ser, que foi sempre limpo, puro, sem
mancha alguma, imaculado. O verdadeiramente importante é que, se esse núcleo
imaculado está presente em um ser humano (Maria), então podemos ter a garantia
de que está presente em todos os seres humanos.
O próprio S. Paulo afirma que “em Cristo Jesus, Deus nos
elegeu, antes da criação do mundo, para sermos santos e imaculados, diante
dele, no amor”. (Ef 1,4). Essa eleição é para todos, sem exceção. Não é uma
possibilidade, mas a realidade que nos faz ser. Descobri-la e vivê-la, sim,
depende de nós.
Essa dimensão de nosso ser que nada nem ninguém pode
manchar, é nosso autêntico ser. É o tesouro escondido, a pérola preciosa.
Ao longo dos séculos, temos colocado sobre a figura de Maria
uma infinidade de adornos que levaremos muito tempo para tirar e voltar à sua
simplicidade e pureza originais. Maria não necessita adornos. A festa de Maria
Imaculada nos revela a presença do divino nela e em nós. Nela descobrimos as
maravilhas de Deus. O núcleo íntimo de Maria é imaculado, incontaminado, porque
é o que há de Deus nela. Maria é grande porque descobriu e viveu o divino que
fez nela sua morada. Não são os mantos luxuosos e os adornos colocados sobre
ela, através dos séculos, que a faz grande, mas o fato de ter descoberto seu
ser fundado em Deus e ter expandido sua feminilidade a partir desta
realidade.
O que devemos admirar em Maria é o fato de ter vivido essa
realidade e ter deixado transparecer o divino através de todos os poros de seu
ser humano. Ela deixa passar a luz que há em seu interior, sem diminui-la nem
filtrá-la. Quando se diz que Maria é Imaculada, quer-se dizer que é no silêncio
do corpo, no silêncio do coração, do silêncio do Espírito que o Verbo pode ser
gerado.
Como foi possível que Maria alcançasse essa plenitude? Aqui
está o verdadeiro sentido do dogma da Imaculada. Ela foi o que foi porque
descobriu e viveu essa realidade de Deus nela. Tudo o que tem de exemplaridade
para nós devemos a ela, não porque Deus lhe tenha cumulado de privilégios. Ela
é referência inspiradora para todos nós porque podemos seguir sua trajetória e
podemos descobrir e viver o que ela descobriu e viveu. Se continuamos
considerando Maria como uma privilegiada, continuaremos pensando que ela foi o
que foi graças a algo que nós não temos; portanto, toda tentativa de imitá-la
seria em vão.
Dentro de cada um de nós, constituindo o núcleo de nosso
ser, existe uma realidade transcendente, que não pode ser contaminada. O divino
que há em nós, permanecerá sempre puro e limpo. Maria ativou esta dimensão de
seu ser até empapar tudo o que ela era, “alma e corpo”. O que celebramos é sua
plenitude de vida, aberta e expansiva, e não um privilégio que a livrou de uma
“mancha”.
Podemos dizer que Maria é imaculada, porque viveu essa
realidade de Deus nela. Ela é Imaculada para todos, por todos e em todos; em
outras palavras, em Maria somos todos imaculados(as); somos imacula-dos(as) em
nosso verdadeiro ser. O dogma da Imaculada Conceição fala de todos nós: isso é
o que realmente somos. Em nossa verdadeira identidade, somos imaculados,
limpos, inocentes...
Falamos demais sobre o “pecado original” e muito pouco sobre
a “beatitude original”. Existe em nós uma realidade mais profunda que a nossa
resistência, um sim mais profundo que todos os nossos “nãos”, uma inocência
original que todos os nossos medos e feridas... É preciso encontrar a confiança
original. Maria é o estado de confiança original. Assim, os Antigos
Padres da Igreja viam nela o modelo da beatitude original, a mulher da pura
confiança, do sim original Àquele que É. Maria é a nossa verdadeira
natureza, é a nossa verdadeira inocência original, aberta à presença do divino.
A partir desta perspectiva, Maria nos está recordando que,
graças a pessoas parecidas com ela, ou seja, pessoas que se esvaziaram de seu
próprio “ego”, é que foram capazes de entrar em sintonia com a Vontade de Deus;
é ali, somente ali, no espaço interior, livre de todo resquício de
auto-centramento, que Deus pode entrar, continua e continuará entrando em nosso
mundo, para trazer sua Boa Nova, traduzida em tantas e tantas realidades
concretas.
A afirmação de que ela tenha sido “concebida sem pecado
original” corre o risco de situá-la muito distante de nós. Pelo contrário, se a
veneramos e nela nos inspiramos para viver o seguimento do seu Filho Jesus é
porque a encontramos muito próxima de nossa vida. A vida que temos vivido até
agora e a que continuamos vivendo: cheia de luzes e sombras, de esperanças e de
desencantos.
Maria é grande por sua simplicidade, porque aceita ser
serva, em sintonia com Deus. Maria não é uma extra-terrestre, mas uma pessoa
humana exatamente igual a cada um de nós. O extra-ordinário nela foi sua
fidelidade e disponibilidade, sua capacidade de entrega. Toda a grandeza de
Maria está contida em uma só palavra: “fiat”. Maria não pôs nenhum obstáculo
para que o divino que havia nela se expandisse totalmente; por isso, chegou à
plenitude do humano. Devemos nos alegrar que um ser humano possa nos ensinar o
caminho da plenitude, do divino.
Nesse sentido, Maria é a referência para todos nós porque a
vemos como a pessoa que foi crescendo dia-a-dia, sempre aberta ao projeto de
Deus. Esvaziando-se de si mesma, renunciando à sua vontade, para que Deus, o
Todo-poderoso, como ela mesma cantará no Magnificat, entrasse em nossa
história, encarnado na pessoa de Jesus. Um Deus “todo-Poderoso” que não usou
seu poder para atuar de maneira impositiva, mas, em Maria “realizou maravilhas”
para que, através dela, seu amor e sua misericórdia se fizessem visíveis a toda
a humanidade. “Seu amor se estende de geração em geração...”, proclamará também
no Magnificat.
Inspirados em Maria, é preciso encontrar, em nós mesmos,
este lugar por onde entra a vida, este lugar por onde entra o divino, este
lugar por onde entra o amor. É uma experiência de silêncio, uma experiência de
vazio, alguma coisa de mais profundo do que aquilo que se chama o “pecado
original”.
É assim que se fala de Imaculada conceição. O Verbo é
concebido no que há de mais imaculado em nós, no que há de mais completamente
silencioso. Isto supõe que haja no corpo humano um lugar onde não existe
memória doentia nem a presença do “ego cheio de si”, mas do eu esvaziado, de
onde nasce a vida.
É preciso entrar num estado de silêncio, de vazio de si
mesmo, de total receptividade, para que o Verbo possa ser gerado em nós. “Assim
novamente encarnado”, nos diz S. Inácio de Loyola.
Texto bíblico: Lc 1,26-38
Na oração: No relato da Anunciação, descreve-se um
itinerário de iniciação espiritual. É preciso, antes de mais nada, entrar neste
estado de escuta, neste estado de confiança, neste sim, pacificar nossas memórias
e, então, não ter medo da visita do anjo e da alegria que ele pode
trazer.
Mas também não ter medo da perturbação que pode surgir. Tal
perturbação é que nos faz descer ao chão de nossa vida, vai nos conduzir até a
sombra, até o mais profundo de nosso eu interior, até a profundeza da nossa
humanidade. E é ali que que vai brotar o nosso “sim” original; é ali que vai
nascer o divino que nos conduzirá à plenitude de vida.
- Fazer memória das experiências de “anunciação” em sua
vida: o que mudou? quê movimentos vitais surgiram?
(Luís Nicolau Fagundes Varela), poeta,
nasceu em São João Marcos, atualmente Rio Claro, RJ, em 17 de agosto de 1841, e
faleceu em Niterói, RJ, em 17 de fevereiro de 1875. É o patrono da cadeira n.
11, por escolha do fundador Lúcio de Mendonça. Era filho do Dr. Emiliano
Fagundes Varela e de Emília de Andrade, ambos de famílias fluminenses bem
situadas. Passou a infância na fazenda natal e na vila de São João Marcos, de
que o pai era juiz. Depois, residiu em vários locais. Primeiro em Catalão
Goiás, para onde o magistrado fora transferido em 1851 e onde Fagundes Varela
teria conhecido o juiz municipal Bernardo Guimarães. De volta à terra natal,
residiu em Angra dos Reis e Petrópolis, onde fez os estudos do primário e
secundário. Em 1859, foi terminar os preparatórios em São Paulo. Só em 1862
matricula-se na Faculdade de Direito, que nunca terminou, preferindo a
literatura e dissipando-se na boêmia. Em 1861, publicara o primeiro livro de
poesias, Noturnas.
Aprende com o silêncio a ouvir os sons interiores da sua
alma, a calar-se nas discussões e assim evitar tragédias e desafetos. Aprende
com o silêncio a respeitar a opinião dos outros, por mais contrária que seja da
sua. Aprende com o silêncio que a solidão não é o pior castigo, existem
companhias bem piores...
Aprende com o silêncio que a vida é boa, que nós só
precisamos olhar para o lado certo, ouvir a música certa, ler o livro
certo, que pode ser qualquer livro, desde que você o leia até o fim. Aprende
com o silêncio que tudo tem um ciclo, como as marés que insistem em ir e
voltar, os pássaros que migram e voltam ao mesmo lugar, como a Terra que
faz a volta completa sobre o seu próprio eixo... Complete a sua tarefa.
Aprende com o silêncio a respeitar a sua
vida, valorizar o seu dia, enxergar em você as qualidades
que possui, equilibrar os defeitos que você tem e sabe que precisa
corrigir e enxergar aqueles que você ainda não descobriu. Aprende com o
silêncio a relaxar, mesmo no pior trânsito, na maior das cobranças, na briga
mais acalorada, na discussão entre familiares.
Aprende com o silêncio a respeitar o seu
"eu", a valorizar o ser humano que você é, a respeitar o Templo que é
o seu corpo e o santuário que é a sua vida. Aprende hoje com o silêncio,
que gritar não traz respeito, que ouvir ainda é melhor que muito falar.
E em respeito a você, eu me calo, me silencio, para que você
possa ouvir o seu interior que quer lhe falar, desejar-lhe um dia vitorioso e
confirmar que
Líderes guerrilheiros das Farc que romperam o “processo de
paz” e voltaram às armas
Os resultados das eleições realizadas na Colômbia em 27 de
outubro passado representam uma voz de alerta a ser considerada com a máxima urgência
Eugenio Trujillo Villegas*
Se a Colômbia decidir ignorar os sinais de alarme
disparados, com evidente e ruidoso estrondo, nas últimas eleições, poderemos
dizer que o nosso destino já está escrito; que dias de grande turbulência estão
se aproximando; e que os inimigos do país darão o golpe final para destruir a
nação. Se não nos prepararmos para evitá-lo, haverá dias de agitação social, de
caos político e econômico, que inevitavelmente trarão o colapso da ordem legal
e institucional.
No pleito que elegeu o presidente Ivan Duque, há um ano e
meio, a esquerda encabeçada pelo ex-guerrilheiro Gustavo Petro, com surpresa
para todos, conquistou oito milhões de votos, contra os pouco mais de dez
milhões que elegeram o Presidente. É claro que os votos de Petro não eram
pessoais nem são endossados por qualquer candidatura presidencial de
extrema-esquerda no futuro, mas foram indicadores de um grande
descontentamento, depois de oito anos de um governo corrupto, apoiador das FARC
(Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colombia) e do tráfico de drogas, como foi
o de Juan Manuel Santos.
A conclusão óbvia, que está na boca de todos, é a de que se
o atual governo não fizer bem as coisas — isto é, se não resolver urgente e
efetivamente os grandes problemas do país — o próximo governo a ser eleito em
2022 será de extrema-esquerda.
Pois bem, transcorrida uma terça parte da atual gestão, os
indicadores apresentam uma imagem sombria: as prefeituras das principais
cidades, como Bogotá, Medellín e Cali, foram conquistadas por candidatos de
extrema-esquerda; as principais províncias também foram ganhas pela oposição; o
partido do presidente Duque foi humilhado, pois seus candidatos, alguns deles
muito mal escolhidos, estiveram longe dos vencedores.
A essa situação, em si mesma da maior gravidade,
acrescenta-se como componente explosivo muito importante a erupção anarquista
surgida em várias nações vizinhas, visando destruí-las por meio da mais
espetacular agressão ideológica e política acontecida desde a queda do Muro de
Berlim, há 30 anos.
O Chile, o Equador e o Peru foram submetidos ao vandalismo
mais radical, articulado por minorias anarquistas ideologizadas, dirigidas pelo
Fórum de São Paulo e acionadas por terroristas da Venezuela e de Cuba, que
comandam os agitadores locais e demonstraram enorme capacidade de destruição.
Para resumir, basta lembrar as declarações de Diosdado Cabello, o sátrapa
venezuelano, que alegou tratar-se de “pequena brisa bolivariana”, que
esses comunistas pretendem transformar em um verdadeiro “furacão”.
O Pres. Duque deixa a nação à deriva ante o ressurgimento de
níveis alarmantes de insegurança
O próximo objetivo de tal “furacão” é a Colômbia. Sobre
isso, não podemos ter a menor dúvida. Desde o início do processo de paz
conduzido pelo ex-presidente Santos as FARC não renunciaram à luta armada, ao
tráfico de drogas nem ao terrorismo. É evidente que, com a chamada dissidência,
toda a estrutura criminosa das FARC está intacta, pronta para agir e para
tentar tomar o poder — em aliança com os cartéis de drogas, que são as próprias
FARC com outros nomes — e assim dar o golpe definitivo para dominar e destruir
a Colômbia.
No entanto, há algo que preocupa ainda mais. Os colombianos
conviveram durante décadas com o fantasma do comunismo, o qual ameaçava tomar o
poder, mas nunca o alcançou porque uma forte resistência na opinião pública
impediu o seu avanço. No entanto, as recentes eleições indicam que, diante do
perigo que nos espreita, nosso Presidente, seus ministros e funcionários mais
importantes nada parecem notar, deixando a nação à deriva ante o ressurgimento
de níveis alarmantes de insegurança, perigo e ansiedade.
Esse resultado eleitoral denuncia fundamentalmente que as
pessoas não veem no Presidente a capacidade para enfrentar os problemas que
surgem em nosso caminho. No entanto, é claro que ele tem capacidade para fazer
a coisa certa, se quiser. Muitas coisas foram alcançadas em matéria de combate
à corrupção, transparência na administração do Estado, correção de situações
muito graves deixadas por Santos, em seu desvario para entregar a nação
colombiana às FARC. Mas isso não basta.
Cumpre encarar o perigo com antecedência e enfrentá-lo de
forma decisiva, escolhendo para isso as pessoas certas, que sabem com que tipo
de inimigo nós estamos lidando. Não basta que existam boas intenções, boas
ideias e bons burocratas nas posições mais importantes do governo, onde se
traçam as diretrizes e se estabelece o caminho a seguir, pois o que estamos
prestes a ter diante de nós é uma horda infernal para destruir o que alcançamos
em séculos de progresso.
Esse é o desafio! Esse é o Presidente de que precisamos a
partir de agora. Os erros do passado devem ser corrigidos; mas, acima de tudo,
o governo e os colombianos devem entender que estaremos sujeitos a uma
avalanche marxista desejosa de nos destruir, sob o mentiroso pretexto de buscar
a paz e a equidade social. E se não fizermos nada, eles nos destruirão! Mas se
nos prepararmos para o próximo ataque, certamente seremos vitoriosos.
O que toda a Colômbia deve ter bem claro é que, queimando e
destruindo infraestrutura de transporte público, igrejas, shopping centers,
e semeando terror nas ruas, como está acontecendo agora no Chile, nós não
acabaremos com a pobreza nem melhoraremos o nível de vida de ninguém. Este é um
golpe de Estado articulado pela extrema-esquerda latino-americana, para impor
regimes totalitários em todas as nações, no estilo mais autêntico de Cuba,
Nicarágua e Venezuela.
________________
* Diretor da Sociedad Colombiana Tradición y Acción.
Fonte: Revista Catolicismo, Nº 828, Dezembro/2019.
Iniciando o mês natalino, vem a propósito a reprodução de
uma carta muita antiga, mas de suma importância para os presentes dias. A
missiva é datada de quase 80 anos atrás. Ela foi endereçada por Plinio Corrêa
de Oliveira aos comerciantes a fim de incentivá-los a, no mês de dezembro,
aproveitar suas vitrines para prestar homenagem — assim como uma manifestação
de gratidão — ao Menino-Deus que veio à Terra para salvar o gênero humano.
Sugestão que vale, evidentemente, para todos os pais e mães fazerem o mesmo em
seus lares.
São Paulo, 5 de Dezembro de 1940
Prezado Sr.,
Aproximando-se agora as festas de Natal e de Ano Bom, todos
os estabelecimentos comerciais da Cidade se aprestam a ampliar seus estoques,
suas instalações e aperfeiçoar as exposições em suas vitrines, a fim de atender
à imensa quantidade dos compradores que, por ocasião da festa do Menino Deus,
querem proporcionar ao ambiente doméstico aquela fartura, aquela alegria e
aquela serenidade própria das reuniões familiares felizes.
Entre estas famílias, que contam assim passar aos pés do
Salvador algumas horas de tranquila satisfação, está certamente a sua. Para
todos, a vida traz, ao par de alegrias reais, também incontestáveis dissabores.
Não há uma única família que, fazendo junto à arvore de Natal ou ao Presépio a
recordação dos fatos ocorridos durante o ano, não tenha a registrar satisfações
verdadeiras e tristezas incontestáveis. E não há uma família que não se lembre
de agradecer ao Menino Jesus os favores recebidos e de Lhe pedir a conservação
das graças obtidas e a mitigação das dores e dos revezes ocorridos.
Quanta esperança não brilha com luz mais viva, diante da
lembrança desse Salvador benigno e misericordioso, vindo ao mundo para redimir
os homens! Quanta lágrima não se suaviza diante da convicção de que um Deus
Bom, que governa todos os acontecimentos, sabe tirar o bem do mal e transformar
em alegrias terrenas ou eternas os sofrimentos que são inseparáveis de toda a
existência humana!
Tudo isto, o Sr. recebe de Deus, ou espera de Deus.
Mas… o que faz o Sr. por Deus?
Aproxima-se o Santo Natal. Todos se preparam para a grande
festa da Catolicidade. Qual o concurso que o Sr. vai dar a essa festa?
Permitirá que seus empregados lhe arranjem vitrines que, aos inúmeros
transeuntes, não deem uma única ideia de Deus? Permitirá que, sob o pretexto de
lucros mais fáceis do que lícitos, suas vitrines exibam modelos que constituem
um repudio de todos os princípios que a festa de Natal santifica?
Porque, em lugar de vitrines que nada tem a ver com o Natal,
e que traduzem apenas o desejo de vender, não organiza o Sr., além de vitrines
que exponham artigos lícitos, também uma vitrine com um belo presépio, ou com
qualquer disposição que lembre o Santo Natal? Porque não prestar em sua própria
casa de comércio, que é o campo de sua atividade, o terreno de uma grande luta,
o meio de sustento de sua família, uma homenagem a Quem deu aos homens,
fazendo-se Homem, uma prova suprema de Seu amor?
Preste a Deus esta homenagem: exclua de suas vitrines todos
os objetos ou artigos contrários aos princípios cristãos, e coloque em alguma
delas uma bela homenagem ao Menino Deus.
Será, antes de tudo e sobretudo, um preito de adoração a
Deus. Mas será também, para si, para sua família, para seus trabalhos, uma
benção que frutificará neste mundo, para a eternidade.
Obs.: Esta missiva é do período em que o Prof. Plinio
desempenhava o cargo de Presidente da Junta Arquidiocesana da Ação Católica de
São Paulo, cfr. Minha
vida pública, Parte
V, Cap. I, item 3.
* * *
No vídeo, um presépio montado na vitrine de um
estabelecimento público na pitoresca cidade italiana de Genazzano — rica em
tradições, essa cidade medieval (cerca de 45 kms de Roma) teve a honra de
receber a milagrosa pintura de Nossa Senhora do Bom Conselho (1467).