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sábado, 16 de novembro de 2019

PROFESSORA CLARISSA Para o Governador da Bahia


A bióloga e professora Clarissa Bastos, professora em Canarana - Foto: Ilustração

"Governador Rui Costa,

Me chamo Clarissa, sou professora da rede estadual na cidade de Canarana. E venho por aqui te informar que em um ano três adolescentes da mesma unidade escolar, o Colégio Estadual José Ribeiro Araújo, unidade que trabalho, cometeram suicídio. 

Na semana passada outra adolescente do colégio estadual na cidade de América Dourada também tentou suicídio. 

Vivemos uma epidemia de doença mental, e, em termos de políticas públicas, o que tem sido feito para mudar esse quadro? 

Não é culpa das escolas estaduais tamanha coincidência. Nós professores estamos atentos a qualquer sinal. Sinalizamos as famílias. Insistimos que os estudantes falem sobre seu estado mental. Acolhemos como podemos, mas é pouco. 

Não é fácil seguir a adiante com aulas normais e ficar pensando nos olhares tristes diariamente. E torcer pra que aquele aluno que eu percebi o braço com cicatriz, ou desinteressado, ou que dorme a aula toda não seja o próximo.

Meu abraço, meus pedidos para que levante a cabeça, mil e uma chances de refazer uma atividade avaliativa, ou aconselhar e dizer que tristeza sem fim não é normal e que é necessário procurar ajuda não é suficiente para transformar esse triste quadro. 

E um suicídio me parece um gatilho pra outro adolescente também cometer. Isso vem se tornando uma bola de neve na região de Irecê. 

Precisamos de uma intervenção urgente! Atendimento psicológico dentro das unidades escolares. Sabe por quê? Porque o sentimento de impotência cai sobre professores e sobre a direção e nos adoece também.

E então, Governador Rui Costa, que hora vai olhar para nossos adolescentes? Estou cansada de perder alunos para depressão. E isso é responsabilidade do senhor também.

Aguardando ansiosamente por uma resposta.


Clarissa Bastos
Professora de Biologia no CEJRA, Canarana, Bahia."

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A QUEM IREMOS, SENHOR? – Dom Ceslau Stanula


16.11.2019


Bom dia,

Neste sábado meio preguiçoso depois do feriado, no meio de tantas turbulências políticas no nível nacional, regional e em muitos casos também familiar, surge a existencial pergunta: a quem recorrer? 

Também os apóstolos no meio das tempestades de toda espécie recorriam a Jesus clamando "a quem iremos Senhor? Tu tens palavra de vida eterna" (Mt 6,68).

Maria intercede por nós. Confiamos, e nada de desânimo. Maria nos conduz a Jesus.

Com a bênção e oração.  Dom Ceslau.


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Dom Ceslau Stanula – Bispo Emérito da Diocese de Itabuna-BA, escritor, Membro da Academia Grapiúna de Letras-AGRAL

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sexta-feira, 15 de novembro de 2019

CRUZADO NO QUEIXO DO POVO - Péricles Capanema


11 de novembro de 2019
Péricles Capanema

Hoje quero ser todo mundo. Sei não, anda sumido todo mundo, precisa de quando em vez aparecer e dar o ar da graça. Areja, todo mundo não é romântico, fantasia pouco, tem os pés no chão.

O baiano (soteropolitano) Acelino “Popó” Freitas foi tetracampeão mundial de boxe em duas categorias. Grande carreira no esporte. A seguir, tentou outro ringue, a política e nele se deu mal. Em 2010, pelo PRB elegeu-se suplente de deputado federal com 60.216 votos — exerceu o mandato. Em 2014, tentou de novo, perdeu a eleição, obteve 23.017 votos. Em 2018, outra derrota, não passou dos 4.884 votos. Tomou do eleitorado um direto no queixo.

Desiludiu-se com a política; hoje afirma: “A população é muito corrupta. Ela consegue ser até mais corrupta que o próprio político. Ela só quer o seu voto se você der uma dentadura, uma cesta básica, um material de construção, bola, colete. Não tinha dinheiro. Sem dinheiro, você não vai. ‘E aí, vai me dar quanto pra gente conseguir um monte de voto aqui no bairro?’. ‘Não tenho’, eu respondia. ‘Então, tchau. Tem outro aqui fazendo oferta pra gente’”.

Em português sofrível, Popó explica o dia a dia do político normal — e ele era deputado federal, imagine o deputado estadual e o vereador: “A minha chateação é porque eu percebi que ser político é você ser errado. […] Se eu fizesse tudo errado, ou eu estava preso, ou ganhava a reeleição. […] Só para Salvador eu mandei quase R$ 7 milhões para Neto de emenda. E com projetos, para academias sociais debaixo de viadutos, construção de quadras. Esse projeto eu destinei alguns projetos para a Rótula do Abacaxi, para todos esses novos viadutos. Eu destinei alguns projetos já com verba, já com tudo 3D para a Secretaria de Esportes. E não saiu. E o estado que mais dá títulos à Bahia é o boxe. Fiz como deputado federal mais de 70 projetos de lei […] E quando as pessoas vinham para me ajudar… eu dizia: ‘Eu faço esse campo e um posto de saúde e em contrapartida eu quero que vocês me apoiem.’ Aí o pessoal dizia: ‘Não, eu quero que você banque mais de 40 pessoas por mês com mais de R$ 1 mil de salário’. A própria população se torna mais corrupta que o deputado. E aí eu senti na pele o que é ser político, o que é fazer política”.

Exposição um tanto confusa, mas dá para entender. Popó compreensivelmente queria votos como retribuição por ter conseguido o dinheiro para melhorias na Bahia. Precisava deles para continuar na política. Todo mundo sabe, deputado age assim, cabem nos dedos da mão as exceções. Os eleitores exigiam mais. Popó não tinha mais. Perdeu. Resumiu o que todo mundo sabe, sem dinheiro você não vai.

Como sem dinheiro a coisa não vai, uma forma para ir é arrancar da viúva a bufunfa para as campanhas. Dinheiro público, autorizado, tudo legal. Todo mundo deblatera — e com razão — contra as verbas públicas bilionárias jorrando no bolso dos partidos (Fundo Especial de Assistência Financeira aos Partidos Políticos e Fundo Especial de Financiamento de Campanha). São verbas para campanhas de autopromoção, entre outras necessidades prementes, retiradas da construção de postos de saúde e escolas.

Não bastam os dois fundos referidos. Saem outras verbas para campanhas dos cargos em comissão, e aí é preciso não esquecer as rachadinhas. Os titulares dos cargos em comissão, além de ter algumas vezes de rachar o salário com o eleito, muitas vezes são apenas cabos eleitorais. Única função: cabos eleitorais por quatro anos pagos com dinheiro público, milhares Brasil afora. Fabrício Queiroz, do ramo, há pouco foi gravado dizendo: “Tem mais de 500 cargos lá na Câmara, no Senado. Pode indicar para qualquer comissão, alguma coisa, sem vincular a eles em nada, em nada. Vinte continho para a gente caía bem […] Um salariozinho bom desses aí, cara, para a gente que é pai de família, caía igual a uma uva”.

Sem dinheiro, você não vai, fica parado, constatou o boxeador nocauteado em ringue dominado por profissionais de outro esporte. Tem ainda tem o caixa 2. Todo mundo sabe, muitos doadores não querem aparecer nas listas oficiais, mas aceitam ajudar. “Toma aqui, leva, boa sorte, não quero recibo, assim tá bão, senão você me complica”. E o candidato precisando de dinheiro, leva. É raro o político que não tem o caixa 2.

Muita gente de grande qualificação profissional fica longe da política por causa dos vícios acima apontados. Com isso privam o Brasil das lues de seus talentos, deixando o campo livre para aventureiros, arrivistas, inescrupulosos e nulidades — nossos legisladores e governantes em geral, com as exceções que a praxe comanda. Cheguei até aqui e lembro: — todo mundo sabe que é assim, todo mundo finge que não sabe que é assim.

Quereria destacar hoje apenas um ponto. Debate-se continuamente reforma política e reforma eleitoral — todo mundo fala nelas. Parte da corrupção no mundo político vem dos custos altíssimos das campanhas eleitorais. É imperioso baixá-los. Os custos da monarquia inglesa são dinheiro de pinga (e lá atraem milhões de turistas) se comparados com os custos das campanhas eleitorais da democracia brasileira, e daqui os turistas fogem espavoridos.

Proponho medida factível para gastar menos dinheiro. O voto facultativo baratearia as campanhas. Melhoraria a qualidade da representação. E nada mais democrático que ele. O voto é direito do eleitor. Quer exercitá-lo, vota. Não quer, fica em casa. Sem penalidades. Nada mais civilizado. Os países mais democráticos e civilizados têm voto facultativo. Temos voto facultativo, entre outros países, nos Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália, Espanha, Canadá. Voto obrigatório: Bolívia, Honduras, Panamá, República Democrática do Congo, Egito, Tailândia, Líbia. Nossa companhia. Esse atraso é mais um fruto venenoso da Constituição de 1988, está na hora de acabar com tal entulho autoritário, retrocesso que entrava a autêntica representação popular.

Por que os políticos fogem do voto facultativo? Razão principal e simples, poria a nu a farsa da democracia brasileira. O mundo político brasileiro está assentado sobre uma fraude, sua popularidade, decorrente de atávico romantismo, que falseia desde décadas a realidade. As gigantescas votações, creio, cairiam em aproximadamente 80%, ficaria claro que a população vive de costas para o mencionado mundo político. Mas, ao invés do engano, trapaça e turbação, hoje imperantes, como ótimo começo e fundamento da vida pública teríamos verdade, autenticidade e transparência, condições de democracia real e não a contrafação dela que nos empurram goela abaixo. Daí viriam debates mais qualificados, menos demagogia, eleitos com melhores condições para servir ao bem comum. E então o povo padeceria menos da demagogia que hoje o engoda e infelicita. Meu pedido, comecemos por aí, com a introdução do voto facultativo, passo, ainda que modesto, na direção certa. Como todo mundo, contudo, tenho poucas esperanças de ser atendido. Como todo mundo, vou continuar levando cruzado no queixo.


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quinta-feira, 14 de novembro de 2019

CONSEQUÊNCIAS: AÇÃO E REAÇÃO


Tente entender
quais serão as consequências
da sua escolha
e se ela trará felicidade,
tanto para si quanto
para os outros envolvidos.


Ao escolher um ou outro caminho, você cria o futuro, que começa aqui e agora. Você já deve ter perguntado: “Por que isso está acontecendo comigo?” A resposta nem sempre fica evidente. É provável que vasculhar na memória algumas de suas atitudes ajude a descobrir o motivo. A cada instante fazemos escolhas que determinam nosso destino. Assim preconiza a lei da causa e efeito, segundo a qual a felicidade está na sabedoria de fazer espontaneamente aos outros o que desejamos para nós. É o resultado das ações dos homens e de suas consequências.

Na escola, como na vida, aprendemos que para cada ação existe uma reação igual e contrária. Toma lá, dá cá. Para o bem ou para mal, nossas atitudes retornam de maneira implacável e às vezes em diferentes contextos. Nada do que se deve ao Universo fica sem ser pago. Há que se ter uma disciplina ferrenha para ficar atento a nossas ações e reações, pois muito de nosso jeito previsível reflete condicionamentos arraigados. Por conta deles, acionamos respostas automáticas.

Ao sofrer um insulto, por exemplo, é bem provável que você se ofenda. Mas, lembre, o contrário também é possível. Atitudes que parecem impensadas influenciam a energia ao nosso redor e, por extensão, o futuro.. Conscientize-se de seus atos. Tente entender quais serão as consequências da sua escolha e se ela trará felicidade tanto para si quanto para os outros envolvidos.

Perceba a linguagem do corpo. Um nó na garganta ou um aperto no coração podem ser o sinal do Universo para seguir outro caminho. Meditar é uma saída melhor do que pagar o débito com uma boa dose de sofrimento. É como lavar roupa em um rio: a cada mergulho, saem algumas manchas. Dar nova expressão à experiência aparentemente negativa é outra maneira de quitar as dívidas. Procure reconhecer as causas do ocorrido, assimilar a mensagem e torná-la útil a seus semelhantes. Assim, você usa a semente de oportunidade e ata essa semente a seu propósito de vida. Observe as escolhas que fará e tenha noção delas..

Diariamente e a todo momento, leve em conta que se preparar para o futuro significa se conscientizar do presente. Procure sempre estar atento às consequências de sua escolha e se trará satisfação e felicidade a você e aos todos que sejam afetados por ela. Oriente-se pelas mensagens manifestadas por seu corpo, principalmente o coração. Sensações de vertigem e cansaço indicam que o caminho está errado. Sensações de conforto e prazer indicam que a escolha é abençoada.


"Gotas de Crystal - Whats 32 99131 1743"

(Autor não mencionado)

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O VENTO... E CHICO XAVIER!


"Uma vez, em Pedro Leopoldo, eu ensinava catecismo às crianças, mas um dia me proibiram. Eu ensinava catecismo para quarenta crianças e fui proibido porque me tornara espírita.

Fiquei em casa, mas as crianças queriam o tio Chico... Então as famílias levaram as crianças lá em casa e eu fiquei com muita pena, porque na igreja elas tinham lanche.

Já eram duas horas e eu só tinha água e uns pedacinhos de pão em casa.

Eram quarenta crianças...

Como eu iria alimentar aquelas crianças?

Eu fiz uma prece e pedi a Deus que me ajudasse, porque elas não podiam ficar sem comer.

Como é que eu iria fazer?

Estávamos embaixo de uma árvore.

E, então, um vento muito estranho começou a balançar as folhas da árvore.

O vento uivava entre os galhos daquela árvore.

Uma vizinha saiu e perguntou:

— Chico, que é isso? Que barulho é esse?

— O vento...

— O vento?!... E essas crianças aí?

— Catecismo!...

— Você não deu nada para elas comerem?

— Não tenho!...

— Oh, Chico! Eu tenho, aqui, bolo e pão.

  E a outra vizinha do lado também apareceu e perguntou:
— O que foi isso, Chico? Que vento foi esse?

— O vento...

— E essas crianças aí?

— O catecismo...

E assim, doze famílias se reuniram e passaram a oferecer o alimento, o lanche daquelas crianças, por causa do vento."

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"Ora e pede. Em seguida, presta atenção. Algo virá por alguém ou por intermédio de alguma coisa, doando-te, na essência, as informações ou os avisos que solicites."

Ah, o vento!...


(Recebi via WhatsApp)

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ABL E UNIVERSIDADE DE SALAMANCA REALIZAM JORNADA LITERÁRIA “OS MUNDOS DE ROSA CHACEL, ENTRE A AMÉRICA E ESPANHA”, NO RIO DE JANEIRO


A Academia Brasileira de Letras e o Centro de Estudos Brasileiros (CEB) da Universidade de Salamanca, na Espanha, realizaram, com a participação de Acadêmicos e convidados, a Jornada Literária “Os mundos de Rosa Chacel, entre a América e Espanha”. O evento foi realizado no dia 13 de novembro, às 14h, no Salão Nobre do Petit Trianon, Avenida Presidente Wilson, 203 – Castelo, Rio de Janeiro. Entrada franca.
A homenageada
Rosa Chacel nasceu em Valladolid em 1898. Mudou-se para Madri, matriculando-se na Escola de Belas Artes de San Fernando, onde estudou escultura e conheceu o seu marido, o pintor Timoteo Pérez Rubio. Frequentou as reuniões literárias e o Ateneo de Madrid, onde teve contato com intelectuais da época. Depois de viver vários anos em Roma, publicou, em 1930, seu primeiro romance, Estación. Ida y vuelta. Durante a Guerra Civil, deixou a Espanha. Em 1959, a Fundação Guggenheim concedeu a Rosa uma bolsa de criação e ela mudou-se para Nova York, onde morou por dois anos. Rosa Chacel retornou à Espanha nos anos 70 e continuou sua frutífera capacidade criativa até sua morte em Madri, em 1994.
Exposição
O Instituto Cervantes inaugura exposição em homenagem a Rosa Chacel, intitulada “Rosa Chacel no Rio de Janeiro”. O evento será dedicado a uma das escritoras espanholas mais importantes do século XX, Rosa Chacel, que viveu seu exílio na cidade do Rio de Janeiro até 1977. Haverá também um colóquio com a Profa. Dra. Silvia Cárcamo (UFRJ) e convidados, que falarão dessa grande escritora e da influência do Brasil em suas obras. A exposição será inaugurada terça-feira, dia 12 de novembro, às 19h00, no Instituto Cervantes, Rua Visconde de Ouro Preto, 62 – Botafogo.
Os Acadêmicos
Marco Lucchesi
Sétimo ocupante da Cadeira n.° 15 da ABL, eleito em 3 de março de 2011, Marco Lucchesi é poeta, romancista, ensaísta e tradutor. Desde dezembro de 2017 preside a Academia Brasileira de Letras. Publicou mais de 40 livros ao longo de sua trajetória. Primeiro filho brasileiro de uma família italiana, o Presidente da ABL notabilizou-se pela criatividade marcada por uma sólida formação intelectual – que inclui o conhecimento de mais de 20 línguas.
Professor titular de Literatura Comparada da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Lucchesi tem pós-doutorado em Filosofia da Renascença na Alemanha. Formado em História pela Universidade Federal Fluminense (UFF), possui mestrado e doutorado em Ciência da Literatura.
Colaborador de importantes órgãos de imprensa, atualmente é colunista do jornal O Globo. Foi editor das revistas Poesia Sempre (Biblioteca Nacional), Tempo Brasileiro e Revista Brasileira (ABL).
Seus livros mais recentes são O carteiro imaterial (ensaios), Clio (poesia) e O bibliotecário do imperador (romance).
Lucchesi ganhou três Prêmios Jabuti, o mais tradicional prêmio literário do Brasil, concedido pela Câmara Brasileira do Livro.
Domício Proença Filho é Professor Emérito e Professor Titular de Literatura Brasileira da Universidade Federal Fluminense, aposentado. Doutor e Livre-Docente em Letras, foi Professor da disciplina e de língua portuguesa em diversos outros estabelecimentos de ensino superior, entre eles, a Universidade Federal do Rio de Janeiro e a Pontifícia Universidade Católica da mesma cidade. Na condição de Professor Titular Convidado (Guest professor), ministrou cursos na Universidade de Colônia e na Escola Técnica de Altos Estudos de Aachen.
Participou, como conferencista e debatedor, de seminários e cursos promovidos por instituições de ensino superior e centros de estudos em Lisboa, Coimbra, Porto, Colônia, Tübingen, Munique, Roma, Bolonha, Madri, Salamanca, Paris, Clermont Ferrand e Minesota.
O Acadêmico é, também, crítico, ensaísta, poeta, ficcionista, roteirista e promotor cultural. Publicou 68 livros, entre eles, Estilos de época na literatura, a linguagem literáriaA poesia dos Inconfidentes (org.); Oratório dos InconfidentesO risco do jogo – poemas; Capitu - memórias póstumas (romance); Breves estórias de Vera Cruz das AlmasNova ortografia da língua portuguesa – guia prático; Leitura do texto, leitura do mundo; e Muitas línguas, uma línguaa trajetória do português brasileiro. É membro da Academia Brasileira de Letras, de que foi presidente (2016-2017), da Academia Brasileira de Filologia, da Academia das Ciências de Lisboa e do PEN Clube do Brasil.
Os Conferencistas
Silvia Inês Carcamo é licenciada em Letras pela Universidade Nacional de Rosario (Argentina), Mestre e Doutora em Letras Neolatinas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Fez estágios de pesquisa na Universidade Autônoma de Barcelona (1991 e 2009). É Professora Titular da Faculdade de Letras (UFRJ). Atua nos cursos de Graduação em Letras na UFRJ e no Programa de Pós-Graduação em Letras Neolatinas. Orientadora de dissertações de Mestrado e teses de Doutorado em Estudos Hispânicos. Co-organizadora de Narrativa espanhola contemporânea (2012), editado pela Editora da UFF, e de Mitos españoles. Organizadora do número 15 da revista ALEA. Ministrou cursos no Instituto Cervantes, no Instituto Cultural Brasil-Argentina e em diversas universidades (UFMG, UFA, UFJF, UFES) e em colaboração com as universidades de Granada e Salamanca. Publicou em periódicos nacionais e estrangeiros artigos sobre literatura hispano-americana e espanhola contemporâneas, especialmente referentes às problemáticas da memória, da História e das subjetividades na contemporaneidade. Foi Presidente da Associação Brasileira de Hispanistas, da qual foi membro fundador. Pertence ao Grupo de Pesquisa Relações Literárias Interamericanas da Associação Nacional de Pós-Graduação em Letras e Linguística (Anpoll).
Javier Montes (Madri, 1976) venceu com Los penultimos, seu primeiro romance, o Prêmio Internacional de Novela José María de Pereda. Em seguida, publicou o romance Segunda parte, ambos pela Editora Pre Textos. Com Andrés Barba ganhou o Prêmio Anagrama de Ensaio para a Pornografia e, na mesma editora, publicou o romance La vida de hotel e seu livro mais recente, Varados en Río, focado no relacionamento de quatro autores estrangeiros, incluindo Rosa Chacel, com a cidade do Rio de Janeiro e a influência do Brasil em suas obras. Em 2010, a revista Granta incluiu em sua seleção “Os melhores jovens escritores da língua espanhola”. Atualmente, conta com Leonardo Grant, da Fundação BBVA, para escrever seu próximo projeto, o romance Luz del Fuego. Colabora com El PaísABCGrantaArtforum e The Literary Hub, entre outros meios de comunicação. Seu trabalho foi traduzido para inglês e cinco outros idiomas.
O espanhol Antonio Maura é diretor do Instituto Cervantes do Rio de Janeiro, Sócio Correspondente da Academia Brasileira de Letras desde 2011, e é um dos mais atuantes estudiosos e divulgadores da Literatura e da Cultura brasileira na Espanha. Nascido em Bilbao, em 1953, é formado em Filosofia e em Jornalismo, doutor em Filologia Românica pela Universidade Complutense de Madri, com a primeira tese defendida em seu país sobre um escritor brasileiro: “O discurso narrativo de Clarice Lispector”. Entre 2005 e 2009 foi diretor da Cátedra de Estudos Brasileiros na mesma universidade onde se fez doutor. Além disso, foi Professor Visitante e Diretor da Casa de Cultura Hispânica na Universidade Federal do Ceará, de 1982 a 1985. É autor da versão em espanhol de Casa Grande & Senzala, de Gilberto Freyre, na edição de 2010. Entre seus livros publicados, destacam-se os relatos Piedra y ceniza e os romances Voz de humoAyno e Semilla de Eternidad.
Francisco Gallo nasceu em 19 de dezembro de 1957, em Madri, é de família andaluza com raízes na cidade de Baeza. Casado, pai de 3 filhas e avô de 3 netos. Formado em Direito e em Administração de Empresas pela Universidad Pontificia de Comillas. Participou também de um Programa de Gerenciamento Geral na IESE Business School. Sua carreira profissional é desenvolvida há mais de 30 anos no setor financeiro, desempenhando diversas funções sempre relacionadas ao setor bancário internacional e, principalmente, à América Latina. Seu último cargo no setor bancário foi o de Vice-Diretor de Comunicação da Divisão de Américas do Banco Santander de 2003 a 2013. Em 2014, ingressou na Fundação Cultural Hispano-Brasileira como Diretor Executivo e participou com entusiasmo da promoção em todas as áreas da cultura brasileira na Espanha. Merecem destaque os programas da FCHB, como o filme Novocine, que comemora sua 13.a edição este ano em Madri, e o programa Writer in Residence, que acontece com a presença dos mais ilustres escritores brasileiros na Residência Estudantil em Madri.
Manuel Portillo Rubio é Doutor em Biologia desde 1982 pela Universidade de Salamanca e Professor de Zoologia na Faculdade de Biologia dessa universidade, desde 1978, onde leciona na graduação, pós-graduação e doutorado. Sua atividade de pesquisa e suas publicações se concentraram, principalmente, no estudo de sistemática, fauna e biologia de insetos. Durante sua carreira de professor e pesquisador, participou de vários eventos científicos e em museus e centros de pesquisa nacionais e estrangeiros. Além disso, ocupou diferentes cargos acadêmicos, como Secretário e Vice-reitor da Faculdade de Biologia, e Vice-chanceler do ensino da Universidade de Salamanca. Desde 2013 é Vice-diretor do Centro de Estudos Brasileiros da Universidade de Salamanca.
11/11/2019


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CONVITE PARA O LANÇAMENTO DO LIVRO DE CYRO DE MATTOS


Clique sobre a foto, para vê-la no tamanho original

Queridos confrades, confreiras

Reiterando as atividades do calendário alitano, eis uma excelente oportunidade para estamos reunidos. O lançamento do livro de Cyro de Mattos, poeta e escritor que o próprio nome dá a direção da estatura da obra.
Peço, carinhosamente que, além das vossas presenças, possam convidar seus amigos, e grupos para estarem também neste evento.
Certa de que teremos momentos de alegria nesta realização acadêmica e prestando carinho ao nosso confrade, agradeço.

Atenciosamente

Silmara Oliveira
(73) 9110-9540

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Lugar de Encanto
Cyro de Mattos

             Antropólogos e historiadores observam que o homem sempre gostou de brincar com objetos redondos. Pedras, frutas e até mesmo crânios eram usados como coisas que divertiam nas brincadeiras. Em sua evolução neste planeta, o homem inventou diversos esportes, tendo a bola como atração. Mas a bola só alcançou a condição de objeto “sagrado” quando o homem descobriu o futebol.

            Arte que se manifesta com o pé na bola, numa cidade do interior da Bahia, durante cerca de cinquenta anos, o futebol amador fez a vida tomar cores de encantamento. Emergir o ser humano de seus interiores, com empenho e talento, emoção e arte. Todo festivo, ora com a sensação da vida inscrita no pódio da glória, ora com angústia e tristeza. Transformou uma pequena cidade em saga.  Despertou paixões, criou mitos, joias, através de jogadores amadores de ouro e, entre eles, Léo Briglia, Santinho, Fernando Riela, Lua, Déri e Gajé, os meus preferidos.
  
            A cidade ainda adolescente nos anos 50. De poucas ruas calçadas, o trem como uma coisa viva partia e chegava, trazia da vizinha cidade de Ilhéus cargas de peixe, cordas de caju e caranguejo, coco, beiju. Tinha o circo pequeno com a lona furada. A lua derramava prata no areal deixado pela enchente do rio Cachoeira, onde a turma da rua de baixo jogava com a da rua de cima a partida mais empolgante do mundo. Cidade com as tropas carregadas de sacos de cacau, tocando música com chocalho e guizo pelas ruas de poeira ou lama.

            Comemorava o cinquentenário em 1960, acompanhada de sua lavra do cacau por toda a extensão da pele, as veias pulsando no apogeu dos frutos maduros.  No velho Campo da Desportiva, com seu piso irregular, de construção precária para abrigar superlotado cerca de cinco mil pessoas, o futebol operou o milagre de despojar o coração de outras necessidades materiais, conduzindo-o para o terreno dos sonhos. O coração do torcedor na arquibancada ou geral batia diferente quando sentia que seu time de fé entrava no gramado e, em especial, a sua seleção amadora de ouro, que ganhou seis vezes consecutivas o campeonato do intermunicipal, além do torneio Antonio Balbino na Fonte Nova, em Salvador.

            Esse futebol amador ensinou que viver valia a pena mesmo quando o cenário estava armado distante de centros esportivos adiantados.  Conseguia dar   um show de bola quando se afinava num jogo coberto de amor e vingança.

            Perseguiu, nas tardes de domingo e nas quartas-feiras, à noite, quando o campo já tinha refletores, o milagre do branco ser preto, o pobre ser rico, todos juntos numa corrente de irmãos, com o grito de gol irrompendo das gargantas com a força do vento forte na rajada.
  
            Pelo título – No Velho Campo da Desportiva – depreende-se sem esforço que o universo da bola retratado aqui neste livro não vem de apresentações de grandes clubes nacionais no estádio gigantesco. Com seus ídolos, vitórias consagradoras, rendas excepcionais.  Entra no gramado da leitura através de memórias relatadas e inventadas, capazes de revelar o cotidiano e envolvente mundo da bola disseminado no interior brasileiro como uma de suas grandes paixões populares. De boca a ouvido, no recesso dos lares,   barbearia, feira, fazenda de cacau, loja do comércio, largo dos bairros.

            As artimanhas do cartola, as rivalidades dos torcedores, a vibração em vitórias consagradoras, as cenas engraçadas. Busca fazer um gol bonito de ver, oferecendo ao torcedor, agora leitor, a vida revestida de densidade humana, sonho e emoção, sem esquecer a poesia que naqueles idos esportivos do futebol amador fazia com que a cidade de Itabuna soubesse que pisava também no chão de uma pátria em chuteiras.

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Cyro de Mattos é escritor e poeta. Primeiro Doutor Honoris Causa da Universidade Estadual de Santa Cruz. Membro efetivo da Academia de Letras da Bahia, Pen Clube do Brasil, Academia de Letras de Ilhéus e Academia de Letras de Itabuna. Autor premiado no Brasil, Portugal, Itália e México.

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