No próximo domingo, na praça do Vaticano, vou assistir à
canonização de Irmã Dulce.
Irmã Dulce não é apenas a primeira santa brasileira, ela é a
primeira CEO brasileira a ser canonizada.
A Organização Social Irmã Dulce é o seu primeiro milagre.
Franzina, saúde frágil, ela não tinha a rigor condições físicas de fazer nada
nem de segurar um copo de água.
Mas seu hospital de mil leitos construído sabe Deus como é
obra do seu empreendedorismo. O hospital começou num galinheiro nos fundos do
convento e hoje tem 40 mil m2.
Conheço bem a história da santa porque Irmã Dulce, que tinha
sérios problemas pulmonares, era paciente do meu pai, médico pneumologista. Meu
irmão André Guanaes, quando residente, também foi seu médico. Ele conta algo
que é típico da situação de tantos CEOs no Brasil: os problemas respiratórios
de Irmã Dulce pioravam todo fim de mês. E ele sempre a escutava dizer: dia tal
eu tenho 3 milhões para pagar, isso é problema de Santo Antônio, isso não é meu
problema, isso é um problema dele.
O problema era de Santo Antônio, mas era ela quem ia pedir a
Antônio Carlos Magalhães, a Ângelo Calmon e a outros poderosos da Bahia e do
Brasil.
Ela era santa com os pobres, mas não era santa com os ricos.
Com esses, ela era pragmática. Como uma boa CEO, conversava com todo o mundo.
Com a direita, com a esquerda, com o que está entre as duas e além. Sua relação
com o grande líder espírita da Bahia, o igualmente santo Divaldo Franco, é
maravilhosa. Foi, assim, maior que a igreja que agora a canoniza.
Escrevo este artigo emocionado porque conheço a história de
perto - de seu início no bairro pobre de Alagados até os atuais 2 milhões de
atendimentos ambulatoriais, 18 mil internamentos e 12 mil cirurgias por ano.
Como uma pessoa que dormia sentada por causa dos problemas pulmonares pode
tocar uma obra desse tamanho? Milagre.
Tudo na Bahia que eu nasci e cresci era destinado a ajudar
as obras assistenciais de Irmã Dulce: bingo, quermesse, show. Era tudo para ela
pagar o seu fim de mês.
Nesse mesmo espírito, estou participando de uma iniciativa
artística na Bahia para celebrar a nossa santa. 77 artistas da música baiana
foram a estúdio gravar a música de Irmã Dulce. Ivete Sangalo, Luís Caldas (que
criou a música axé), Margareth Menezes (que vai cantar no Vaticano) e dezenas
de músicos talentosos gravaram com dedicação e disponibilidade que nunca vi.
Decidi me dedicar cada vez mais a causas sociais. Sou
orgulhoso e odeio pedir, mas isso não combina com obra social. Dou do meu e dou
de mim e fico imaginando o que a frágil Irmã Dulce passou para ampliar,
modernizar e manter a cada fim de mês seu hospital de mil leitos.
Uma obra dessa não se faz só com bondade, mas com
determinação, com disciplina, com empreendedorismo.
Ela era focada, cercou-se dos melhores, aplicava orçamento
base zero (era uma Beto Sicupira de hábito) e tinha um modo peculiar de
levantar fundos: ficava na sala de espera do futuro doador e só saía de lá
quando o próprio se dignava a recebê-la. O povo da Bahia é testemunha.
Por isso, 15 mil baianos vão a Roma no dia 13 assistir à
canonização. E, no dia 20, Salvador vai parar para ver a missa de sua
canonização no Estádio da Fonte Nova.
Irmã Dulce não é uma santa católica. Ela é uma santa baiana.
São devotos dela a mãe de santo, o ateu, o pastor e até o padre. Desafio a
Harvard Business School a escrever o estudo de caso de Irmã Dulce, a primeira
CEO brasileira a ser canonizada pelo Vaticano.
Nizan Guanaes, empreendedor, fundador do Grupo ABC
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo
Lucas.
— Glória a vós, Senhor.
Aconteceu que, caminhando para Jerusalém, Jesus passava
entre a Samaria e a Galileia. Quando estava para entrar num povoado, dez
leprosos vieram ao seu encontro. Pararam à distância, e gritaram:
“Jesus, Mestre, tem compaixão de nós!”
Ao vê-los, Jesus disse: “Ide apresentar-vos aos
sacerdotes”.
Enquanto caminhavam, aconteceu que ficaram curados. Um
deles, ao perceber que estava curado, voltou glorificando a Deus em alta
voz; atirou-se aos pés de Jesus, com o rosto por terra, e lhe agradeceu.
E este era um samaritano. Então Jesus lhe perguntou: “Não foram dez os
curados? E os outros nove, onde estão? Não houve quem voltasse para dar
glória a Deus, a não ser este estrangeiro?” E disse-lhe: “Levanta-te e
vai! Tua fé te salvou”.
“Não houve quem voltasse para dar glória a Deus, a não ser
este estrangeiro? (Lc 17,18)
Lucas descreve, ao longo de seu livro, o acontecimento
salvífico de Jesus como uma “viagem”. Mais uma vez, o evangelho deste
domingo nos recorda que Jesus está a caminho de Jerusalém, onde os conflitos
com as autoridades religiosas atingirão o ponto máximo, culminando na sua morte
e na entrega total. Nessa subida, a salvação vai se fazendo presente, não só no
final do caminho. Muitos dos oprimidos e excluídos, que estavam à beira do
caminho, foram reconstruídos em sua dignidade pela presença itinerante de
Jesus.
No seu deslocamento contínuo, Jesus está sempre com os seus
sentidos abertos, atento a tudo e todos. Não é alguém distraído, centrado em si
mesmo e incapaz de ver e ouvir aqueles que cruzam o seu caminho. Seus sentidos
transbordam compaixão.Nesse caminho, dez leprosos saem ao seu encontro. Assim
como exigia sua condição de enfermos contagiosos (inabilitados para a
convivência social), param ao longe e se comunicam através dos gritos: “Jesus,
Mestre, tem compaixão de nós!”.
Enfermidade é a lepra, mas maior enfermidade é a falta de fé
(de enraizamento e confiança na vida, de escuta e de ajuda mútua); não cremos
em Deus, não cremos unos nos outros, e assim vivemos em conflito permanente, em
um mundo de leprosos, submetidos a um sistema que violenta e exclui.
É urgente superar a “lepra” de uma vida marcada por
imposições e medos, optar pelo caminho de Jesus, que é a fé que salva;
precisamos passar por uma profunda limpeza de pele em nosso interior, para
eliminar todo vestígio das lepras da intolerância, do preconceito, da
indiferença..., que rompem toda possibilidade de viver encontros humanizadores.
Jesus escuta os gritos e olha aqueles leprosos. Todos temos
experiência que, dirigir nosso olhar para alguém – um olhar carregado de
respeito e ternura - é um dos meios que mais o reabilita, quando este está
enfermo. Muito mais ainda, quando se trata de alguém que sofre exclusão e
experimenta continuamente como as pessoas desviam dele seu olhar.
Olhar cara a cara, centrar em alguém nossos olhos e
deixar-nos olhar por ele, nos compromete e nos impede passar ao largo. Ao
vê-los, Jesus coloca os leprosos como protagonistas, no centro de atenção de
todos. Eles lhe gritaram suplicando-lhe compaixão e isso é o que receberam já
d’Ele: um olhar compadecido e atento, que percebe as necessidades deles, antes mesmo
de serem explicitadas.
Estranhamos o método terapêutico que Jesus emprega aqui. Ele
olha para eles e diz: “Ide apresentar-vos aos sacerdotes”. Evidentemente, Jesus
não vê apenas o exterior dos doentes; seu olhar expressa que Ele os acolhe e
assim lhes transmite dignidade e ativa neles a autonomia; ao olhá-los, diz que
devem apresentar-se aos sacerdotes. Nessa palavra, apesar de sóbria, os doentes
encontram a esperança de que os sacerdotes os proclamarão puros, e de que assim
poderão voltar à comunhão humana e religiosa.
Neste ponto, o relato já poderia ser dado por concluído. Se
este continua é porque o mais importante vai ser descrito a seguir. Dos dez
leprosos, um deles, vendo-se curado, não chega a apresentar-se aos sacerdotes,
mas dá meia volta em seu caminho para prostrar-se por terra aos pés de Jesus e
manifestar-lhe uma profunda gratidão, ao mesmo tempo que louva a Deus. Com este
gesto reconhece Jesus não só como seu “mestre”, mas como um sanador e Salvador.
A sua admiração por ter sido curado se torna caminho de
retorno e hino de gratidão.
Este leproso samaritano está disposto a começar de novo, do
zero, e Jesus com ele, iniciando um caminho arriscado de fé salvadora. Ele
regressará à sua casa com a certeza de que a cura manifestada em sua pele
atravessou, na realidade, todo seu ser. As palavras de Jesus “levanta-te e vai!
Tua fé te salvou”, serão o motor para empreender o caminho mais uma vez, e o
profundo agradecimento experimentado o fará viver de um modo novo.
O destaque do agradecimento deste samaritano se converte
para nós hoje um convite a sermos agradecidos. Quem se sente agradecido para
com alguém, mantém uma relação próxima com essa pessoa, está atenta a ela,
escuta-a e deseja demonstrar-lhe sua gratidão.
Viver como agradecidos é reconhecer que tudo é dom, que nada
nos é devido, que tudo parte de um Deus Misericórdia, cuja grandeza e bondade
são insondáveis. Intuir isto, é reconhecer que só podemos viver diante d’Ele
dando-lhe graças. E isso gera um modo novo de nos situar não só diante de Deus,
mas também diante dos outros e de nós mesmos.
Na experiência bíblica, a gratidão nasce com naturalidade e
espontaneidade nos corações humildes, nas pessoas conscientes de que aquilo que
recebem não é por mérito ou retribuição. Tudo é gratuidade.
A gratidão é a virtude humana por excelência. Por um pouco
que a deixemos aflorar, a gratidão irá abrindo caminho, pacificando nosso
coração e fazendo emergir, ao mesmo tempo, o melhor que há em nós.
A gratidão é um sentimento profundamente terapêutico: ela
nos afasta dos obscuros pensamentos e nos situa na terra firme da presença, em
sintonia com o presente.
Para que isto seja possível a gratidão deve ser um estado
duradouro da personalidade. Um modo de ser que desperta a pessoa para ativa uma
consciência assombrada de ter recebido um dom não buscado de alguém que não
espera nada em troca, um dom que provoca um estado emotivo que a livra de
ressentimentos, e que a leva a reagir, por sua vez, de modo positivo e
altruísta com os demais. Por isso, há um tom de assombro na atitude agradecida:
Não só “por quê a mim?”, mas, sobretudo, “como é possível esta generosidade?”
Começamos agradecendo a alguém por algo, e isto está bem.
Mas, uma vez emergida ou sentida, se permanecemos em conexão consciente com
ela, a gratidão revelará aquilo realmente somos: outro nome ou dimensão de
nossa verdadeira identidade.
Comprovaremos então que a gratidão não é só algo que fazemos
ou sentimos, senão que é exatamente o que somos: seres vulneráveis e
dependentes que, em sua verdadeira identidade, somos gratidão.
Dirigida para aqueles que nos acolhem e nos cuidam, a
gratidão fará com que se renove nosso olhar para eles, para vê-los em sua
verdadeira beleza e, mais além, reconhecê-los naquela mesma e única identidade
que compartilhamos. Atendida em si mesma, a gratidão nos mostra que estamos em
“casa”.
A gratidão é atitude fundamental para a integridade pessoal;
muitos relacionam a gratidão com a maturidade humana e com a melhoria relações
interpessoais, ou ainda com a felicidade. Constata-se que as pessoas
agradecidas mostram uma tendência notável a apreciar as pequenas satisfações e
prazeres que costumam estar ao alcance de todos, e que muitos não
percebem.
A pessoa capaz de agradecimento aparece, de modo constante,
como mais extrovertida, mais aberta, mais responsável e amável. E, como
facilmente podia prever-se, menos neurótica. Uma pessoa ingrata é uma pessoa
doente, incapaz de reconhecer-se cercada de tantos dons e cuidados. Por isso,
para S. Inácio, o agradecimento é a experiência humana que mais pura e
decididamente mobiliza a generosidade da pessoa. Em outro contexto, o mesmo S.
Inácio afirma que a ingratidão é o maior de todos os pecados. De fato, ela
envenena as relações, petrificando nossa interioridade e levando-nos a um processo
de desumanização.
Texto bíblico: Lc 17,11-19
Na oração: Todos vivemos o milagre diário da vida, mas
só alguns sabem agradecer. Nossa vida inteira deve navegar em um mar de ação de
graças.
A memória agradecida é o húmus natural de onde brota a
gratidão. Só a generosidade gratuita do coração de Deus é capaz de reconfigurar
mentes e encorajar atitudes oblativas em nós.
- Faça memória de tantos dons e bens recebidos, e deixe
brotar naturalmente do seu interior, o desejo uma resposta generosa e radical
ao Deus que é Fonte de tudo.
O mérito de uma consagração oficial, em nome da
autoridade constituída, adquire perante Deus um grande valor e séria eficácia.
É o que se pode afirmar do solene ato oficial, realizado em 1945, de “Juramento
do Povo Paulista” a Nossa Senhora Aparecida. Segue a fórmula publicada no
“Legionário” (22-7-1945) [foto abaixo], com a manchete: “Revestiu-se de
extraordinário brilho a concentração católica no Largo da Sé – Os paulistas
juram permanecer fieis à Igreja e repudiar o comunismo”.
Devemos fazer votos para que tal solene consagração seja um
dia renovada, não apenas pelos paulistas, mas por todos os brasileiros
verdadeiramente devotos da Senhora da Conceição Aparecida, cuja festividade celebramos
neste dia 12 de outubro.
“Ó meu Deus!
Na Vossa presença e diante da Imagem da Virgem Aparecida,
neste momento solene, juro fidelidade à minha fé até a morte.
Juro defender a minha Igreja contra os assaltos dos seus
inimigos, sejam eles quais forem. Prometo obediência aos Bispos, ministros da
Igreja e responsáveis pelas almas diante de Deus.
E porque Vos amo e à minha Igreja, repudio, detesto,
abomino a doutrina comunista, por ser contrária à minha fé católica. Nunca
darei meu nome a seitas condenadas pela minha Igreja.
Deposito este juramento e esta promessa nas mãos sagradas da
Virgem Aparecida, Padroeira do Brasil, a quem amo e consagro o meu coração”.
Abiy Ahmed Ali, primeiro-ministro da Etiópia, ganha Nobel da
Paz 2019
Vencedor do 100º Nobel da Paz contribuiu decisivamente para
colocar fim ao conflito de 20 anos do seu país com a Eritreia, no leste da
África.
Por G1
11/10/2019
Abiy Ahmed Ali em foto de 15 de setembro deste ano — Foto:
Michael Tewelde/AFP
O primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed Ali,
ganhou o Nobel da Paz 2019 por sua iniciativa decisiva para resolver o conflito
de fronteira com a vizinha Eritreia, no leste da
África. O anúncio do 100º Prêmio Nobel da Paz foi feito na manhã desta
sexta-feira (11), em Oslo, na Noruega.
Em estreita cooperação com o presidente da Eritreia, Isaias
Afwerki, o premiê de 43 anos rapidamente elaborou os princípios de um acordo
para acabar com o longo impasse "sem paz, sem guerra" entre
os dois países. O tratado colocou formalmente fim a 20 anos de uma guerra que
deixou mais de 80 mil mortos.
"O Comitê Nobel espera que o prêmio da Paz reforce o
primeiro-ministro Abiy em seu trabalho a favor da paz e da reconciliação. É um
reconhecimento e também um estímulo a seus esforços. Somos conscientes de que
resta muito por fazer", afirmou a presidente do Comitê Norueguês do Nobel,
Berit Reiss-Andersen.
Como primeiro-ministro, Abiy Ahmed "procurou
promover a reconciliação, a solidariedade e a justiça social". Ele iniciou
importantes reformas que "dão a muitos cidadãos a esperança de uma vida
melhor e de um futuro melhor".
O Comitê do Nobel também reconhece com esse prêmio todos que
trabalham pela paz e reconciliação na Etiópia e nas regiões leste e nordeste da
África. O trabalho do presidente da Eritreia, Isaias Afwerki, foi
destacado.
"A paz não é alcançada apenas com as ações de uma única
pessoa. Quando o primeiro-ministro Abiy estendeu a mão, o presidente Afwerki
aceitou e ajudou a dar forma ao processo de paz entre os dois países",
afirmou o comitê.
'Prêmio para a África'
Primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed Ali, e o presidente
da Eritreia, Isaias Afwerki, comemoram a reabertura da Embaixada da Eritreia na
Etiópia, em Adis Abeba, em 16 de julho de 2018 — Foto: Michael Tewelde / AFP
No telefonema em que foi informado do prêmio, o premiê
afirmou ter recebido humildemente a premiação e que ficou emocionado:
"É um prêmio dado à África, dado à Etiópia, e posso
imaginar como os outros líderes da África serão incentivados a trabalhar no
processo de construção da paz em nosso continente. Estou muito feliz e
emocionado com a notícia. Muito obrigado, é um grande reconhecimento",
afirmou o laureado.
Após o anúncio, o gabinete de Abiy afirmou que o prêmio é um
testemunho "dos ideais de unidade, cooperação e convivência mútua que o
primeiro-ministro sempre defende". O governo etíope anunciou que o país
está orgulhoso pelo prêmio.
O prêmio significará um impulso para o governante, que
enfrenta uma onda crescente de violência entre diferentes grupos em seu país,
onde estão previstas eleições legislativas em maio de 2020.
Entenda o conflito entre Etiópia e Eritreia — Foto: Rodrigo
Sanches/G1
Biografia
Abiy nasceu em uma família muito pobre, em Zona Jima,
no sul da Etiópia, em 1976. Ele é filho de pai muçulmano Oromo e mãe cristã
Amhara. Ele ingressou na política em 2010, como membro da Organização Democrática
do Povo de Oromo.
Posteriormente, ele foi eleito membro do parlamento. Nessa
época, ocorreram fortes disputas entre católicos e muçulmanos e ele teve a
iniciativa de criar o "Fórum Religioso pela Paz", uma solução
duradoura para o problema.
Em abril de 2018, ele assumiu o cargo de premiê da Etiópia,
a segunda maior população da África, e introduziu reformas liberalizantes,
que tiveram forte impacto no país. Ali libertou da prisão milhares de ativistas
da oposição, pediu desculpas pela brutalidade do Estado e permitiu que
dissidentes exilados voltassem para casa.
Mais importante ainda, ele assinou o acordo de paz com a
Eritreia em julho de 2018.
Conflito Etiópia x Eritreia
Soldados etíopes comemoram após tomar o controle da cidade
de Zala Anbesa, em maio de 2000 — Foto: Alexander Joe / AFP
A Eritreia declarou independência da Etiópia em 1993. Isaias
Afwerki se tornou o presidente (e até hoje o único) da nova nação. Afwerki, que
controla o país com mão de ferro, e Meles Zenawi, então premiê etíope, eram
primos. A relação ia bem, mas, cinco anos depois, as duas nações entraram em
confronto por questões fronteiriças.
De 1998 a 2000, Etiópia e Eritreia travaram uma guerra
que deixou mais de80 mil mortos, principalmente devido a divergências
sobre a fronteira. O confronto eclodiu na cidade fronteiriça de Badme
(Eritreia).
O confronto foi apelidado pela mídia local de"guerra louca" no Chifre da África. Ele parecia resultar de nada
mais do que rivalidade entre familiares - cada lado exigia "respeito"
e alegava não estar recebendo.
Além das milhares de vidas perdidas, as duas nações
investiram bilhões de dólares em um conflito aparentemente sem importância
estratégica para nenhum dos lados, de acordo com a CNN.
Um acordo de paz chegou a ser assinado em 2000, mas não foi
colocado em prática. Em 2002, a Etiópia se recusou a aceitar uma proposta de
uma comissão independente, liderada pela Organização das Nações Unidas (ONU),
para a demarcação da fronteira entre os dois países e manteve a animosidade.
Em agosto de 2012, Meles morreu e, aparentemente, esse fato
contribuiu para a posterior resolução do conflito.
Em 9 de julho de 2018, Abiy Ahmed Ali e Isaias Afwerki
assinaram o acordo que restabelecia as relações diplomáticas entre os dois
países.
“Uma nova era de paz e amizade começa. Os dois países se
abrem para promover uma estreita cooperação, nos setores da cooperação, nos
setores da política, da economia, do social, da cultura e da segurança”, dizia
o documento.
A partir de então, o comércio, os transportes e as
telecomunicações entre as duas nações foram retomadas.
Premiê etíope, Abiy Ahmed (centro), de mãos dadas com o
presidente da Eritreia, Isaias Afwerki, falam ao público na capital da Etiópia
— Foto: Mulugeta Ayene/AP
O vencedor do Nobel receberá um prêmio de 9 milhões de
coroas suecas (R$ 3,72 milhões). A cerimônia de entrega acontecerá no dia 10 de
dezembro, aniversário da morte do idealizador do prêmio, o industrial e
filantropo sueco Alfred Nobel (1833-1896).
O Comitê Nobel registrou neste ano 301 candidaturas, sendo
223 pessoas e 78 organizações. Criada pelo industrial sueco Alfred Nobel, o
inventor da dinamite, a premiação foi concedida pela primeira vez em 1901.
Veja os vencedores de 2019
Literatura: Olga Tokarczuk ganhou o prêmio referente ao
ano de 2018, quando a academia cancelou a premiação após um escândalo sexual.
Já Peter
Handke levou o deste ano.
Física:James
Peebles, suíços Michel Mayor e Didier Queloz foram premiados por suas
contribuições para a compreensão do universo e pela descoberta do primeiro
planeta fora do Sistema Solar que orbita uma estrela semelhante ao Sol.
O ganhador na categoria Economia será conhecido na
segunda-feira (14).
Últimos ganhadores do Nobel da Paz
2018: ex-escrava sexual do grupo extremista Estado
Islâmico Nadia
Murad e o médico Denis Mukwege ganharam o prêmio pela luta contra o
uso do estupro como arma de guerra.
Os vencedores do prêmio Nobel da Paz, o médico congolês
Denis Mukwege e a yazidi Nadia Murad, ex-escrava de extremistas, posam com suas
medalhas de vencedores do Nobel da Paz 2018, em cerimônia em Oslo, na Noruega —
Foto: Haakon Mosvold Larsen/NTB Scanpix via AP
2017: A Campanha
Internacional para a Abolição das Armas Nucleares (Ican, sua sigla em
inglês) foi premiada por chamar a atenção para as consequências catastróficas
do uso de armas nucleares e pelos seus esforços inovadores para conseguir a
proibição do uso dessas armas.
2016: Juan
Manuel Santos, então presidente da Colômbia, conquistou o prêmio pelo
esforço de pacificação do país. Naquele ano, o governo conseguiu fechar um
acordo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) após uma
guerra civil que já durava mais de 50 anos.
Juan Manuel Santos, ex-presidente da Colômbia, em imagem de
arquivo — Foto: AP Photo/Ronald Zak
2015: Quarteto
de Diálogo Nacional da Tunísia ganhou o prêmio por sua decisiva
contribuição para a construção de uma democracia pluralista no país durante a
revolução de 2011.
2014: os vencedores foram o indiano
Kailash Satyarthi e a paquistanesa Malala Yousafzay, "pela sua luta
contra a supressão das crianças e jovens e pelo direito de todos à
educação". A estudante do Paquistão se tornou a mais jovem ganhadora do
prêmio.
2010: Chinês Liu
Xiaobo (China), dissidente detido, "por seus esforços duradouros
e não violentos em favor dos Direitos Humanos na China".
2009: O então presidente americano Barack
Obama foi premiado "por seus esforços extraordinários com o
objetivo de reforçar a diplomacia internacional e a cooperação entre os
povos".
2006: O prêmio foi para Muhammad
Yunus (Bangladesh) e seu banco especializado no microcrédito, o
Grameen Bank, porque "uma paz duradoura não pode ser obtida sem que uma
parte importante da população encontre a maneira de sair da pobreza".
- Tire, menino, tire logo essas bobagens da cabeça.
- Não posso.
- E por que você não pode?
- Tio, por favor...
- Olhe, o Tonico e o Dudu estão aqui fora.
- Eles ainda estão aí? E por que não vão embora?
- Eles estão dizendo que você tinha razão, foi provocado
primeiro.
- Eu não queria.
- Hein?
- Não queria brigar não.
- Mas isso tinha que acontecer um dia.
- Eu já disse que não queria.
- Aconteceu também comigo quando eu tinha a sua idade.
- Antes eu tivesse dado a bola a ele.
- Ele quem?
- O Armando, que quis tomar minha bola.
- O filho do juiz?
- Ele mesmo.
- Mas ele é maior que você!
- É.
- E você ganhou mesmo a briga?
- Ganhei.
- No duro?
- Ganhei.
- Fale a verdade.
- Estou falando.
- Você bateu muito nele?
- Bati.
- Então por que todo esse
choro? Por que ficar trancado aí dentro o tempo todo?
- Eu não tive outro jeito.
- O que mesmo?
- Não tive outro jeito.
- Abra essa porta, menino!
- Não abro.
- Vai abrir ou não vai?
- Acredite, tio, só bati nele pra me defender. Um choro agudo irrompeu dentro do quarto.
- Abra essa porta, Vilinho. Por que você não quer abrir?
- Não posso.
- Abra logo. O Tonico e o Dudu estão querendo falar com
você.
- Não me interessa falar com ninguém.
- Por que você não quer?
- Porque não quero.
- Quer que eu mande chamar seus pais?
- Não.
- Tem certeza?
- Tenho.
- E o que é que você quer que eu faça?
- Tio, por favor, vá embora... me deixe aqui em paz.
E o choro agudo continuou dentro do quarto.
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Cyro de Mattos é autor de mais de 50 livros, de diversos
gêneros. Também editado no exterior, Do Pen Clube do Brasil e Academia de
Letras da Bahia. Doutor Honoris Causa da Universidade Estadual de Santa Cruz
(Bahia). Premiado no Brasil, Portugal, Itália e México.
Depois que souber disto, você vai querer beber água de coco
todos os dias!
Ah, se as pessoas soubessem o poder da água de coco…
Infelizmente, a maioria nem imagina o quão poderosa é essa
bebida.
Inclusive as que moram em regiões tropicais, como o Nordeste
brasileiro, onde é muito mais fácil conseguir uma água de coco fresquinha e
saborosa.
Sim, porque não estamos falando daquelas que vêm na caixinha e são vendidas em
supermercados, pois elas contêm algumas substâncias químicas, como
conservantes.
Estamos falando da água vinda da própria fruta, o que não é difícil encontrar
no Brasil.
Você conhece os benefícios?
Para começo de conversa, ela é de baixíssima caloria, gordura e colesterol.
Além disso, contém quatro vezes mais potássio do que a banana.
Se você é atleta, pode investir nesta bebida, sem medo.
Faça um teste: consuma água de coco diariamente no período de sete dias.
Quanto mais fresca, melhor.
Basta esse curto período para você obter muitos benefícios.
Conheça alguns deles:
1. Melhora a pele
A água de coco hidrata e nutre nossa pele com importantes
minerais, contribuindo para uma face mais jovem e radiante.
2. Elimina excesso de peso Como não há gordura na água de coco, você pode beber sem culpa e estará
saciando a fome.
3. Fortalece o sistema imunológico Além disso, atua contra vírus e bactérias.
4. Aumenta a energia Ela melhora a produção de hormônios da tireoide, aumentando a resistência
física.
5. Combate doenças renais Ela limpa a bexiga e todo o sistema urinário.
6. Hidrata A água de coco hidrata o corpo melhor do que qualquer outra bebida indicada
para atletas.
7. Reduz a pressão sanguínea Ela pode equilibrar a pressão arterial, graças à boa quantidade de eletrólitos.
8. Fortalece a tireoide
A água de coco ajuda a estimular a glândula tireoide e o
metabolismo.