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segunda-feira, 7 de outubro de 2019

TRIUNFO DE NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO DE LEPANTO - Paulo Henrique Américo de Araújo


7 de outubro de 2019
Paulo Henrique Américo de Araújo

Uma multidão apinha-se em frente à Igreja de São Domingos na cidade de Granada (Espanha). Aos poucos os membros do cortejo vão atravessando a porta principal do templo para a procissão anual de 12 de outubro. Ricamente vestidos, os participantes portam belos estandartes e instrumentos musicais.

Ao toque de sinos, um imenso andor, levado nos ombros por dezenas de homens, surge na entrada da igreja. As trombetas soam e os aplausos entusiasmados da multidão repercutem. Todos os olhares se voltam para a magnífica imagem de Nossa Senhora, que acaba de chegar.

O andor se detém um instante… A banda militar inicia o hino “Salve, Estrela dos Mares”, que é acompanhado pelas vozes uníssonas dos presentes. Ao fim da música, alguém grita: “Viva a Virgem do Rosário Coroada!”. E ouve-se a resposta imediata: “Viva!”.1

Difícil permanecer indiferente a essa manifestação de entusiasmo do povo espanhol. Enquanto a procissão avança, vemos aí uma espécie de declaração pública de vitória: o triunfo de Nossa Senhora é inevitável! Nós, espanhóis, o declaramos; e enfrentaremos qualquer circunstância para manter nossa posição!

Essa nota de triunfo iminente se reflete em todo o feitio da Imagem de Nossa Senhora do Rosário de Granada, ou Nossa Senhora de Lepanto. A Virgem traz um manto dourado, cravejado de pedras preciosas. A túnica e a saia, que formam a parte interior do vestido, não são feitas de tecido, mas de prata, como uma armadura, repleta de ornamentos. Em volta da face, esplendores à maneira de raios, a partir dos quais se distingue uma estrela na fronte. A cabeça vem encimada por uma grande coroa. De certos ângulos discernem-se, próximas ao pescoço, algumas mechas dos longos cabelos castanhos. Nas mãos, rosários, anéis e um cetro.

Alguém poderia pensar que tais adereços são um tanto exagerados. Não! Eles não nasceram simplesmente da veneração irrefletida de um povo devoto. Como veremos adiante, tudo na imagem relaciona-se a fatos e milagres estupendos.

Ao contemplarmos a belíssima fisionomia da imagem, surge uma dificuldade. O espírito brasileiro normalmente reverencia a Santíssima Virgem pelo seu lado maternal, terno e bondoso. Na imagem de Nossa Senhora de Lepanto, sem dúvida vemos tais aspectos, mas os traços de majestade, firmeza e poder aparecem nela com muito mais fulgor. Ao fitar sua face, quase se poderia ouvi-la dizer: Eu sou a Rainha do Universo, pois sou a Mãe d’Aquele que tudo criou. Tenho o direito de mandar, de governar. E para ti, que me vês, tua melhor atitude é seguir-me. Então, terás participação na minha própria glória!

O Menino Jesus, trazido no braço esquerdo da Virgem-Mãe, apresenta análogas características. Apesar do semblante rosado, tal como o de uma tenra criança, Ele parece demonstrar uma santa indignação, sobretudo se observarmos a posição levantada do braço direito, bem como a mão que empunha o cetro do poder. O pecado, o erro, a heresia não têm parte com esse Divino Infante.

Como dissemos, tudo isso reflete de modo muito adequado a mentalidade espanhola – mentalidade impregnada de força de vontade, coerência, princípios categóricos. Mas quais fatos contribuíram para a Virgem ser representada assim, cercada de tantos atributos de poder e majestade? Na verdade, uma Rainha triunfante convém muito à frase da Escritura: “Terrível como um exército em ordem de batalha”. Foi precisamente assim que Ela quis aparecer aos seus inimigos, o que explica as características da imagem.

D. Álvaro Bazán, Marquês de Santa Cruz, resolveu levar a imagem de Nossa Senhora consigo em sua nau, para juntar-se às forças da Santa Liga, que venceram os muçulmanos na Batalha de Lepanto.
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Histórica vitória da Virgem

A imagem2 foi talhada em madeira no início do século XVI. Cedida pelos Duques de Gor, passou a pertencer à Arquiconfraria de Nossa Senhora do Rosário em Granada a partir de 1552. Nessa época, seu tamanho era menor do que se apresenta agora, e não possuía o vestido de prata a que nos referimos acima.

Em 1571, o granadino D. Álvaro Bazán, Marquês de Santa Cruz, resolveu levá-la consigo em sua nau, para juntar-se às forças da Santa Liga. Foi esta a coligação que, por iniciativa do Papa São Pio V, reuniu as frotas navais da Espanha, Veneza e Estados Pontifícios, com o objetivo de eliminar a temível armada turco-otomana que ameaçava toda a Cristandade.

Em 7 de outubro do mesmo ano, nos mares da Grécia, as forças católicas e muçulmanas se digladiaram na famosa Batalha de Lepanto. Um curioso detalhe do desenrolar do confronto naquele dia revela uma como que ação direta da Santíssima Virgem. D. Álvaro Bazán, que levava em seu navio a imagem de Nossa Senhora de Granada, recebeu a missão de comandar as forças de reserva. Sua frota, constituída de algumas dezenas de galés, permanecia atrás da linha principal da esquadra católica, enviando socorro quando a pressão dos inimigos fazia fraquejar as embarcações aliadas. Ao menos três vezes durante a luta, as reservas de D. Álvaro evitaram a derrocada da Santa Liga.

Dir-se-ia que Nossa Senhora atuava ali também, como um astuto comandante, observando atentamente as manobras da batalha, e enviando sua preciosa ajuda nas horas mais desesperadoras. Mas restava um último lance da Virgem. Mesmo com todos os esforços dos soldados da Cruz, as hostes turcas avançavam. Só uma coisa as deteve: no fragor do embate, os infiéis viram no céu uma Senhora com ar ameaçador, segurando um menino nos braços. Aparentemente, Nossa Senhora fez sua imagem de Granada transfigurar-se em forma viva. Ela disse então um basta aos muçulmanos, e em pessoa deu a vitória aos católicos. Os turcos se desesperaram, uns fugiram, outros pereceram no mar.

Desde a vitória em Lepanto, a devoção a Nossa Senhora de Granada não parou de crescer. No início do século XVII, após uma restauração, sua imagem foi reconstituída no tamanho humano natural. Além do traje perpétuo feito de prata, recebeu então inúmeros mantos e roupas que lhe foram doados. Esses vestidos permanecem hoje num anexo à Igreja de São Domingos, no chamado Camarim de Nossa Senhora. Por isso podemos contemplá-la em variados trajes e ornatos, dependendo das diversas festas e solenidades do ano.

Represenatção do entrechoque das naus capitânias durante a Batalha de Lepanto

Milagres e prodígios

A Santíssima Virgem, após se mostrar terrível aos inimigos de Deus, quis também evidenciar sua misericórdia para com seus filhos.

Em 1670, um fato extraordinário ocorreu. No dia 6 de abril, Domingo da Ressurreição, duas camareiras, Ana de San Pedro Mártir e Juana de Santo Domingo, preparavam a imagem para a procissão e notaram que seu rosto havia mudado. Transpirava, e algumas lágrimas lhe caíam dos olhos. O prior e autoridades seculares também contemplaram o prodígio, que durou por volta de 32 horas. O Arcebispo de Granada, D. Santiago Escolano, abriu um processo canônico, o qual foi concluído com uma investigação minuciosa e a declaração formal de que o fenômeno havia acontecido de modo sobrenatural.

O motivo das lágrimas só se explicaria nove anos depois, em 1679. Uma assustadora peste alastrava-se por toda região da Andaluzia, e já se fazia sentir em Granada. A Mãe Celeste havia antecipado o sofrimento dos filhos, e por isso tinha chorado de tristeza.

Mas Ela também já preparava a salvação. No mês de maio daquele ano, organizaram-se orações públicas diante da imagem. Passados dois dias, estando a igreja cheia de fiéis, “todos viram com admiração, na fronte da santa imagem, brilhar uma luz extraordinária como uma estrela, cujos raios resplandeciam em cores de prata, verde e dourada, imitando as cores do arco-íris”.

A cidade inteira se mobilizou para contemplar o chamado “Milagre da Estrela” [desenho ao lado], o qual durou 60 dias! Durante esse período houve uma sucessão de prodígios: conversões de toda ordem; uma mulher cega recuperou a vista; outra, a audição; ainda outra, já desenganada, teve a saúde completamente restabelecida. E o mais importante: logo veio o fim da peste, oficialmente declarada extinta em 6 de outubro, durante a novena da Festa do Rosário.

Novo processo canônico foi instaurado. Após 38 testemunhos de escultores, pintores e teólogos, o Arcebispo Alonso Bernardo de los Ríos y Guzmán declarou “ser milagrosa a dita luz e estrela, por exceder as forças naturais na maneira como foi vista. Todas as circunstâncias concorrem para ter o fato como milagroso. Assim o atribuímos a um milagre de Deus Nosso Senhor e o aprovamos e declaramos como tal”.

Vemos, portanto, que tudo na magnífica imagem da Virgem de Granada está perfeitamente fundamentado em fatos e circunstâncias comprovadas. Nada há de exagerado nela.

O cume da glorificação de Nossa Senhora do Rosário de Granada se deu no ano de 1961. Mais de 100 mil fiéis presenciaram sua solene Coroação Canônica, oficiada pelo Arcebispo D. Rafael García y García de Castro. Além disso, o governo espanhol concedeu à imagem a honra máxima de Capitão-General da Armada Espanhola.

Neste mês de outubro comemoramos 448 anos da vitória de Nossa Senhora em Lepanto. Fica-nos a certeza de que Ela, de novo, triunfará. Desta vez, não apenas sobre os turcos infiéis, mas sobre toda a impiedade de nossos dias.
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Notas
1 Vídeo da procissão: https://youtu.be/Tw9IedR9Ay8
2  As informações sobre a Imagem foram extraídas da página: archicofradiarosariocoronada.blogspot.com/


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ITABUNA CENTENÁRIA, UM SONETO: Chocolate quente – Oscar Benício dos Santos


Chocolate Quente
Oscar Benício dos Santos


Noite triste, úmida, frígida,
solitário, sozinho na fazenda
sem o calor d’uma parte pudenda;
noite interminável, fria, indormida. 

Noite pelo notívago vivida,
que é pro boêmio viandada senda,
para mim, é solidão e vivenda
d’uma criatura só e esquecida. 

Noite que abriga sonhos e sombra,
que me fascina, mas também assombra,
torna-se em mim mais fria, triste, inclemente, 

sem um abraço ou afago duma mão,
por pessoa chegada ao meu coração.
Resta-me só – um chocolate quente!


Oscar Benício dos Santos
*08/12/1926 - +18/02/2019
Faz. Guanabara,
Junho de 2010.



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domingo, 6 de outubro de 2019

POR QUE O TRABALHO DEVE SEMPRE SER SEGUIDO PELO DESCANSO, SEGUNDO SÃO JOÃO PAULO II


OSSERVATORE ROMANO | VATICAN | AFP

Philip Kosloski | Set 05, 2019

O trabalho é bom, mas precisa ser equilibrado com o descanso. Só assim poderemos imitar o nosso Criador

Estudos recentes afirmam que jornada média de trabalho no mundo está aumentando, com mais e mais pessoas trabalhando em média 50 horas por semana. Isso é ainda mais preocupante quando se leva em conta o número de trabalhos home office, onde se confundem trabalho e vida familiar.

Além disso, em muitas países, o domingo não é mais um dia de descanso; é simplesmente incluído na semana de trabalho quando há necessidade de concluir determinados projetos, por exemplo. Como resultado, o conceito de descanso está desaparecendo lentamente da vida de muitas pessoas.

São João Paulo II escreveu, em sua encíclica Laborem Exercens, que precisamos ler o livro de Gênesis para entender a dignidade de nosso trabalho, bem como nossa necessidade inerente de descanso.

A descrição da criação, que encontramos no primeiro capítulo desse livro, também é, em certo sentido, o primeiro “evangelho da obra”, pois ensina que o homem deve imitar Deus, seu Criador, trabalhando. Porém o homem deve imitar a Deus tanto no trabalho quanto no descanso.

Deus nos mostra claramente, por meio de sua atividade criativa, que os humanos não foram projetados para levar vidas de trabalho constante. Até mesmo os nossos corpos revelam essa realidade, pelo fato de ser impossível ficar sem dormir.

João Paulo II chega ao ponto de dizer que os trabalhadores têm “direito ao descanso. Em primeiro lugar, isso envolve um descanso semanal regular, que inclui pelo menos o domingo, e também um período mais longo de descanso, a saber: as férias tiradas uma vez por ano ou, possivelmente, em vários períodos mais curtos durante o ano.”

A nossa alma precisa de descanso não apenas para sobreviver neste mundo, mas também para nos preparar para o que está por vir.

João Paulo II explica que “o trabalho do homem também não exige apenas um descanso a cada sete dias”. Em outras palavras, o Céu é o “descanso eterno” a que estamos destinados a desfrutar e, a fim de preparar nossa alma para esse descanso, devemos praticá-lo agora.

Ao prosseguirmos em nossas vidas diárias, lembremo-nos de que, embora o trabalho possa ser importante, o descanso também deve ser um lugar primordial em nossas vidas, permitindo, assim, que nossos corpos e almas possam descansar na paz de Jesus Cristo.



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STF: "DAI A CÉSAR O QUE É DE CÉSAR!!!" – Junia Turra


05/10/2019
Estão reclamando que Bolsonaro não se pronunciou contra as alucinações do STF.

Não vai, não!
Quem tem que se manifestar é o Legislativo.
Desde quando o Judiciário legisla?
Bolsonaro deve sentar-se confortavelmente com todos os ministros deste governo de excelência em trabalho, competência e coesão para assistir de camarote o desenrolar dos fatos.
Estamos sob a tutela de um grupo de césares dantescos com cetro nas mãos e tacando fogo em Roma como se Nero fossem. E tem a pachorra de virar o dedinho pra baixo, para o presidente eleito e o povo, que enfiaram no Coliseu e jogaram aos leões.
Cuidado...

Androclus e o Leão
Existe uma história real que conta o seguinte: Androclus foi feito escravo, tentou escapar e correu por uma floresta. Deu de cara com um leão. Mas ao invés de correr observou que o leão chorava com um enorme objeto que trespassava sua pata.
Androclus então passou horas tentando retirar o objeto. Quando conseguiu, fez um curativo com pedaços de suas roupas, ajudou-o a caminhar. O animal seguiu até uma caverna. Lá ficaram. Androclus cuidou do leão. E o animal depois caçava e trazia comida para ambos.
Mas... foram capturados pelos romanos.

Como Androclus era um escravo fugitivo foi condenado a morte e a lutar na Arena.
E jogado na arena aos leões...
O maior e mais bravo deles trucidava as vítimas, rapidamente.
E lá estava Androclus diante do animal sob os olhares de um Coliseu lotado.
O enorme leão correu e se posicionou à frente dele.
Em vez de atacá-lo pulou nele e lambeu seu rosto, depois suas mãos e se deitou no chão. Ele o reconheceu!
A platéia foi ao delírio: gritava e aplaudia.
Assim, o escravo Androclus (no grego Androklos) ganhou a liberdade e o leão como presente.
Juntos, Androclus puxando o leão pelas ruas de Roma, foram saudados e presenteados com dinheiro, alimentos, o leão recebeu coroas de flores no pescoço.
E assim seguiram juntos.

Moral da História
Androclus e o leão são Bolsonaro e o povo.
Não adianta tentarem jogar um contra o outro.
O leão representa o povo ferido e traído. Bolsonaro como Androclus, salvou o povo do fim.
Não estão mais na arena, portanto...
Césares supremos do STF: os senhores terão que se resolver com o "Senado" (o Legislativo). Ou ambos serão jogados aos leões.
O povo ruge!
E tem ao seu lado, o presidente eleito e sua equipe de governo.

(Texto de Junia Turra. Jornalista)


* * *I

PALAVRA DA SALVAÇÃO (151)


27º Domingo do Tempo Comum – 06/10/2019

Anúncio do Evangelho (Lc 17,5-10)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, os apóstolos disseram ao Senhor: “Aumenta a nossa fé!”
O Senhor respondeu: “Se vós tivésseis fé, mesmo pequena como um grão de mostarda, poderíeis dizer a esta amoreira: ‘Arranca-te daqui e planta-te no mar’, e ela vos obedeceria. Se algum de vós tem um empregado que trabalha a terra ou cuida dos animais, por acaso vai dizer-lhe, quando ele volta do campo: ‘Vem depressa para a mesa?’
Pelo contrário, não vai dizer ao empregado: ‘Prepara-me o jantar, cinge-te e serve-me, enquanto eu como e bebo; depois disso tu poderás comer e beber?’ Será que vai agradecer ao empregado, porque fez o que lhe havia mandado?
Assim também vós: quando tiverdes feito tudo o que vos mandaram, dizei: ‘Somos servos inúteis; fizemos o que devíamos fazer’”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.


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Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Padre Roger Araújo:

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“Senhor, aumenta a nossa fé”  (Lc 17,5)

Os relatos evangélicos nos oferecem a possibilidade de conhecer o “caminho” aberto por Jesus. É o que revela a mensagem do evangelho deste domingo, a partir do pedido dos apóstolos: “aumenta nossa fé!”. Jesus não responde diretamente, pois quer dar a entender que a petição não está bem formulada. Não se trata de quantidade, mas de autenticidade. Jesus não lhes podia aumentar a fé, por mínima que fosse. A fé não pode ser aumentada a partir de fora; ela deve crescer a partir de dentro, como o grão de mostarda. A fé é uma vivência de Deus; por isso, não tem nada que ver com a quantidade.

Efetivamente, podemos dizer que a fé é um dom de Deus, mas um dom que já foi dado a todos; à medida que a pessoa entra em sintonia com a presença de Deus em tudo e em todos, sua fé se expande e amadurece, ativando todas suas potencialidades humanas e abrindo-a a um compromisso de vida.

Precisamos revisar nosso modo de entender e viver a fé cristã, muitas vezes, passiva e estática, infantil e imatura. A fé não é “algo” que uns tem e outros não. A fé é uma vida que se desperta, cresce, se expande... Segundo S. Paulo, se cremos em Jesus Cristo “nosso interior vai se renovando de dia em dia” (2Cor. 4,16).  A fé viva e operante amadurece no coração de quem vive como discípulo(a) e seguidor(a) de Jesus. 

Nesse sentido, a imagem da amoreira transplantada no mar está nos dizendo que toda a força de Deus já está presente em cada um de nós. Aquele que tem confiança em Deus, poderá expandir toda essa energia. A fé não é um ato, nem uma série de atos, mas uma atitude pessoal fundamental e total que imprime uma direção definitiva à existência. Confiar naquilo que realmente somos nos dá uma liberdade de movimento para desatar todas as nossas possibilidades humanas. 

Sabemos que Jesus desencadeou um movimento profético em favor da vida, mobilizando seguidores(as) a quem confiou a missão de anunciar e promover o projeto do Reino de Deus. Por isso, o mais importante para reavivar a fé cristã é ativar a decisão de viver como seguidores(as) seus(suas).

Nesta perspectiva, o critério primeiro e a chave decisiva para entender e viver a fé cristã é seguir Jesus Cristo. Quem o segue vai descobrindo o mistério que se revela n’Ele, situa-se na perspectiva correta para entender Sua mensagem e vai aprendendo a trabalhar a serviço do Reino de Deus. O seguimento constitui o núcleo, o eixo e a força que permite a uma comunidade cristã expandir sua fé em Jesus Cristo. Por isso, mais que ter fé em Jesus, o decisivo é “viver a fé de Jesus”; seguir Jesus é a opção primeira que há de fazer um cristão. Esta decisão muda tudo. É começar a viver, de maneira nova e criativa, a adesão a Jesus e a pertença à sua comunidade. Encontrar, por fim, o caminho, a verdade, o sentido, a razão do viver cotidiano. Concretamente, viver a “fé de Jesus é crer no que Ele acreditou, dar importância ao que Ele dava, interessar-nos por aquilo que Ele se interessou, defender a causa que Ele defendeu, olhar as pessoas como Ele as olhava, aproximar-nos daqueles que sofrem como Ele se aproximava, sofrer por aquilo que Ele sofria, confiar no Pai como Ele confiava, enfrentarmos a vida e a morte com a esperança com a qual Ele enfrentou. 

No seguimento, vamos buscando uma maneira criativa de viver hoje o que Jesus viveu no seu tempo.

Jesus, narrado nos evangelhos, nos ensina a viver a fé, não por obrigação, mas por atração. Faz-nos viver a vida cristã, não como um dever, mas como discípulos(as) e seguidores(as), seduzidos(as) por Ele. No encontro com seu Evangelho, aprendemos seu estilo de viver e descobrimos formas mais humanas e evangélicas de pensar, viver, celebrar e contagiar nossa fé. Parece uma afirmação óbvia: ser cristão é ser seguidor de uma Pessoa, Jesus Cristo. No entanto, grande parte dos cristãos estão mais preocupados em seguir uma doutrina, uma religião, ou centrar a vida na prática fundamentalista de leis ou normas morais. Muitos buscam mais uma religião que dá segurança e não o Evangelho que inquieta e desinstala. 

Ter fé é, sobretudo, viver de acordo com os valores segundo os quais vivia Jesus. Uma primeira afirmação importante: vida. A fé é uma vida, uma relação pessoal que nos faz caminhar para aquela expressão feliz de S. Paulo: “Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim” (Gal 2,20). Um caminho, durante o qual vamos vivendo uma relação pessoal e um progressivo crescimento.

A fé, portanto, é vida e, como tal, tem todas as características da vida, com um suplemento a mais: é vida aberta à vida eterna, à imortalidade; vida que se inspira no modo de viver de Jesus: vida oblativa, inspiradora, comprometida em favor da vida.

O seguimento exige uma dinâmica de movimento. E seguimento não é questão de razão (doutrina) mas de paixão, sedução, afeto (coração). Seguir Jesus significa viver a aventura da fé: fazer caminho com Ele, identificar-se cada vez mais com Ele, revestir-se do Seu estilo de vida...

Infelizmente, tal como é vivida hoje por muitos, a fé cristã não suscita “seguidores”, mas só adeptos de uma religião. Não gera “discípulos(as)” que, identificados(as) com seu projeto, se entregam a abrir caminhos ao Reino de Deus, mas membros de uma instituição que cumprem melhor ou pior suas obrigações religiosas. Muitos deles correm o risco de não conhecer nunca a experiência mais originária e apaixonante: o encontro pessoal com Jesus. Na realidade, nunca tomaram a decisão firme de segui-lo.

A maioria dos cristãos não querem amadurecer na fé por medo das exigências que isso implica. Alguns se instalam interiormente: já não crescem, não se deixam questionar pelo Evangelho; não creem em sua própria conversão, não se arriscam em aproximar-se de Jesus... Outros vivem sua fé de maneira rotineira e repetitiva: com isso, a oração se faz fórmula, o evangelho torna-se letra morta, a Igreja se transforma em “ong”, a autoridade se faz poder, a missão se reduz a propaganda, o culto vira ritualismo, a ação moral se revela ação de escravos e a fé viva na pessoa de Jesus vai se apagando. 

Finalmente, a parábola do empregado cuja única obrigação é fazer o que lhe fora pedido, sem mérito algum, está na linha da crítica de Jesus aos fariseus por confiarem no cumprimento da Lei como único caminho de salvação. Trata-se do eterno problema da fé ou das obras.  Quantos problemas teríamos evitado se não tivéssemos esquecido o evangelho! Nem Deus tem que aumentar nossa fé, nem somos “servos inúteis”. Descobrir o que realmente somos seria a chave para uma verdadeira confiança em Deus, na vida, na pessoa humana...Nesse sentido, “somos servidores e nada mais, fizemos o que devíamos fazer”. 

A expressão “somos servos inúteis”, revela uma tradução muito limitada. Se o servo fosse inútil, o senhor não lhe pediria serviço algum. Pelo contrário, ele é extremamente útil. Seu trabalho tem muito valor aos olhos do senhor. Mas o servidor não é nenhuma personalidade de destaque. Ele não está acima do senhor, Ele faz seu trabalho; é servidor, e nada mais. Mas serve.

Servindo com simplicidade, não em função de compensações egoístas, mas em função da retidão, da fidelidade e da gratuidade, seremos indispensáveis para o projeto de Deus.

 Texto bíblico:  Lc 17,5-10
Na oração: na vivência cristã, sua fé se resume a algumas “práticas religiosas” ou é expressão de uma profunda identificação com o modo de ser e de agir de Jesus?
- sua vida deixa transparecer a “fé de Jesus”? – sintonia com o Pai, serviço humilde aos outros, empenho em favor da vida, compromisso com os mais pobres e excluídos...

Pe. Adroaldo Palaoro sj


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sábado, 5 de outubro de 2019

ITABUNA CENTENÁRIA PELA SUA SAÚDE: Os 16 alimentos mais saudáveis para quem tem ou quer prevenir o diabetes


Se você sofre de diabetes, então deve saber que seu corpo não produz nem usa insulina como deveria.
O resultado disso são níveis elevados de glicose no sangue.
Felizmente, é possível controlar os sintomas com uma dieta saudável.
Ao mesmo tempo que há uma série de alimentos proibidos, também há muitos outros que são ótimos para quem sofre desse mal.

As restrições provavelmente você já conhece:
– Evitar bebidas alcoólicas
– Evitar comidas gordurosas
– Fugir de alimentos ricos em açúcar
– Fugir de alimentos industrializados
Investir em frutas e legumes é o segredo para manter o organismo saudável.
Procure consumir pequenas refeições ao longo do dia.

Veja a lista de alimentos recomendados para os diabéticos:
1. Aveia
Estudos comprovaram que uma dieta rica em grãos integrais e fibras reduz o risco de diabetes em cerca de 40%.
O que acontece é que a aveia possui grande quantidade de fibra solúvel, o que ajuda muito a manter os níveis de açúcar no sangue.

2. Feijão-branco
É o melhor feijão para que tem diabetes.
Ele ajuda a estabilizar os níveis de açúcar no sangue.
Isso se deve à presença da proteína faseolamina, que atua como um bloqueador natural de carboidratos e açúcares.

3. Maçã
Um estudo com voluntários mostrou que as pessoas que comem cinco ou mais maçãs por semana têm um risco 23% menor de desenvolver diabetes tipo 2 em comparação às pessoas que não comem a fruta.
Uma maçã contém cerca de 3 gramas de fibra, por isso elas são altamente recomendados para pessoas com diabetes.
Além disso, a fruta tem propriedades antioxidantes.

4. Aspargo
Contém um antioxidante chamado glutationa, que ajuda a tratar várias doenças, incluindo diabetes, doenças cardíacas e câncer.

5. Peixe
é uma excelente fonte de proteína magra.
Você pode comer com legumes, pois essa combinação ajuda a diminuir os níveis de açúcar no sangue.

6. Abacate
Sim, ele tem gorduras, mas são saudáveis para o coração.
A explicação está no fato de que a gordura do abacate pode melhorar os níveis de colesterol, reduzindo o risco de doenças no coração.
E o abacate também é rico em glutationa, que ajuda a controlar a glicose.

7. Kefir
É uma fantástica bebida probiótica que, entre muitas coisas, regula o açúcar no sangue.
Se quiser saber mais sobre o kefir, clique AQUI.
O iogurte natural (feito em casa e sem açúcar) também é um bom probiótico e benéfico para quem tem diabetes.

8. Quiabo
Contém fibras extremamente poderosas para controlar a glicose e, dessa forma, reduzir o risco de diabetes.

9. Brócolis
Tanto ele como a couve-de-bruxelas, o repolho, a couve-flor e o repolho-chinês contêm compostos de enxofre conhecidos como glucosinolatos, que ajudam a reduzir o risco de diabetes e doença cardíaca.
Você só não pode exagerar no consumo dessas verduras, pois em excesso podem prejudicar a tireoide.

10. Amêndoas
As amêndoas têm pouco carboidratos e contêm gorduras monoinsaturadas e magnésio.
Um estudo realizado pela Universidade de Harvard descobriu que um elevado consumo de magnésio diariamente reduz o risco de desenvolvimento de diabetes em até 33%.
Outros alimentos que podem substituir as amêndoas são sementes de abóbora, gergelim e acelga, que também são ricos em magnésio.

11. Cenoura
É um bom alimento para quem tem diabetes.
Ela contém grande quantidade de betacaroteno.
Você pode consumi-la a qualquer hora do dia,  tanto crua como levemente cozida (no vapor).

12. Linhaça
Esta semente contém ácido alfalinolênico (ALA), que pode ser convertido em ômega 3, encontrado facilmente em peixes.
A linhaça é uma boa fonte de antioxidantes que são ótimos para prevenir doenças cardíacas.

13. Clara de ovo (de galinha criada solta e de forma natural)
Ajuda a controlar ou prevenir a diabetes, porque ela é rica em proteína magra e de alta qualidade, além de possuir baixo teor de carboidratos.

14. Alho
Há muitos benefícios no alho, como ajudar a controlar o açúcar no sangue e diminuir a pressão arterial elevada, outro fator que pode causar doenças cardiovasculares.

15. Folhas verdes
Salsão e outros vegetais verdes estão associados a um menor risco de diabetes tipo 2, segundo pesquisas.

16. Batata-doce
Excelente fonte de energia.
Ela ajuda a controlar o açúcar no sangue e, por consequência, o diabetes.
Isso porque a batata-doce aumenta significativamente os níveis de adiponectina, um hormônio regulador do metabolismo da insulina em pessoas com diabetes tipo dois.
O açúcar que aparece na batata-doce não se encontra em altos níveis e é absorvido lentamente – é exatamente isso que a torna um alimento saudável também para os diabéticos.



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SOBRE MÃE E RELIGIÃO – Mônica Porto


Sobre Mãe e Religião
Por Mônica Maria Porto

Desde pequenina, até onde minha memória alcança as inúmeras lembranças sobre minha formação religiosa, fui criada na religião católica.

Minha mãe, mulher dedicada a Deus e à religião que escolheu, que desde cedo também foi orientada dentro do catolicismo por seus pais, abraçando a religião ao longo de toda sua vida; aderindo-a com personalidade... pois personalidade era uma de suas marcas principais.  Afirmo isso com veemência, pois a conheci desde minha concepção rsrs. - Estranho? Não!  A ciência diz em suas pesquisas que os bebês já reconhecem sua mãe a partir da convivência em seu útero, inclusive guardando memórias. Nesse caso sei da personalidade forte da minha mãe, principalmente nas suas escolhas. Acredito, então, que apesar dela ter herdado de seus pais a religião deles, entre tantas outras coisas, a escolha dela pela religião que abraçou até a sua morte, foi dela com muita crença e dedicação.

O que mais eu admirava nela, entre milhares de coisas, era exatamente a liberdade que nos deu, em mais tarde, quando tivéssemos idade suficiente, escolher nossa própria religião. Porém, enquanto crianças, a religião católica, a mesma dela, tinha que ser também a nossa.

Apesar da crença irrefutável na sua religião, nunca a vi criticar outras religiões e, muito menos, qualquer tipo de preconceito relativo a nenhuma delas.

Criou todos os 12 filhos no catolicismo e dentro das recomendações do mesmo: batismo, catecismo, crisma...

À proporção que fomos crescendo e ganhando conhecimento, lendo sobre outras religiões, a maioria dos filhos continuaram na religião católica, mas temos dentro da família tão numerosa, aqueles que aderiram à religião espírita Kardecista. Digo assim, porque dentro da religião espírita há várias vertentes como o candomblé, umbanda e tantas outras. Nesse momento estou falando sobre os filhos de Mônica Leite, minha mãe, e não dos netos e bisnetos. Esses entram mais tarde. Agora ficam de fora. Senão é história que não acaba mais rsrs.

Falar sobre religião é difícil quando cada um defende a sua como a certa ou a melhor...daí eu admirar o Dalai Lama, quando perguntado por Leonardo Boff, sobre “Santidade, qual a melhor religião?" e, ele responde:
"A melhor religião é a que te aproxima de Deus, do infinito."
"É aquela que te faz melhor."

Leonardo Boff, insiste:
"E o que me faz melhor?"

Dalai Lama:
"Aquilo que te faz mais compassivo. Aquilo que te faz mais sensível, mais desapegado, mais amoroso, mais humanitário, mais responsável, mais ético... A religião que conseguir isso de ti é a melhor..."

O que Leonardo Boff conclui:
"Não me interessa a tua religião ou mesmo se tens ou não uma. O que realmente importa é a tua conduta perante o teu semelhante, teu trabalho, tua comunidade, perante o mundo... Para muitos, ser feliz não é questão de destino, é questão de escolha. Pense nisso."

Concluo eu desse diálogo entre Leonardo Boff e Dalai Lama, é que minha mãe, apesar de nos ter dado uma religião da sua escolha, também nos deu a liberdade de fazermos nossas próprias escolhas na vida, através dos princípios éticos e morais que ela tão bem soube passar, sem sequer ter conhecido  Dalai Lama. Mas seu conhecimento veio através da sua filosofia de vida em proporcionar a seus 12 filhos, que através dela formam também seus descendentes dentro dos mesmos princípios morais que formaram nosso caráter. Caráter que ninguém destrói.

É isso: Concordo com Dalai Lama:
"A melhor religião é a que te aproxima de Deus, do infinito."

E vou concordar eternamente com mamãe:
Crie seu filho dentro de uma religião que seja a sua. Você está fazendo a sua parte. Mas dê a ele a liberdade de pensar, refletir sobre a mesma de forma crítica, para através dessa reflexão ter a sua própria religião, fazendo suas próprias escolhas, aquela que o faz mais sensível quando em empatia com o outro e sem preconceitos.

Hoje, 02 de outubro de 2019
Em Itabuna/Ba.

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MÔNICA MARIA
Alegre, extrovertida, colorida.
Amante da natureza, 
principalmente dos animais, 
plantas e flores.

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