O mundo assistiu estupefato no dia 15 pp. aos vídeos do
trágico incêndio do mais icônico edifício do mundo, a catedral de Notre Dame de
Paris.
“Como ocorreu essa catástrofe?” É a pergunta que se impõe
quando se trata de um monumento como Notre Dame. E ela se impõe porque esse
incêndio se produziu em meio a uma onda de ataques vandálicos cristianofóbicos
contra igrejas na França.
Apenas um mês antes, em 17 de março, por exemplo, havia
ardido a histórica igreja de SaintSulpice, uma das mais importante de
Paris, construída em 1646, num criminoso ataque presumivelmente de um ou vários
anticatólicos. Além dela, em apenas uma semana, 12 outras igrejas foram
queimadas ou profanadas, com imagens da Santíssima Virgem destroçadas, e de
Jesus Cristo decapitados.
A par disso, a descristianização da “Filha Primogênita da
Igreja” é das mais elevadas no mundo, onde infelizmente as blasfêmias mais
soezes estão na ordem do dia em meios de comunicação, e não se poupando mais
nem a Nosso Senhor Jesus Cristo e à sua Mãe Santíssima.
Foi nesse contexto que ocorreu o incêndio em Notre Dame,
catedral histórica que não é somente símbolo de Paris nem sequer da França, mas
de toda a cristandade. Foi por isso que a notícia de seu incêndio percorreu o
mundo e provocou consternação em todas as pessoas bem formadas.
A construção dessa emblemática joia do gótico medieval foi
iniciada no ano de 1160 pelo bispo Maurício de Sully, demorando 100 anos para
ser praticamente completada. Durante os séculos seguintes foram sendo
acrescentados aperfeiçoamentos, até chegar a dar-lhe a feição atual.
Entre suas paredes ocorreram fatos importantes da vida
religiosa da cidade de Paris e da França. Mas ela também enfrentou profanações,
como por exemplo durante o período da Revolução Francesa, quando foi
satanicamente dessacralizada com muitas de suas imagens danificadas ou
destruídas.
Depois de voltar ao culto durante a Restauração, Notre Dame
continuou a marcar a vida de Paris, tornando-se um dos monumentos mais
visitados do mundo, com cerca de 12 a 13 milhões de visitantes por ano.
Esse cântico de louvor à Santíssima Virgem em pedra e
cristal continha em seu seio imensos e inapreciáveis tesouros. Mas sobretudo
conservava entre em suas paredes históricas o Rei dos Reis e o Senhor dos
Senhores no Santíssimo Sacramento do altar e a relíquia da Coroa de Espinhos de
Nosso Senhor Jesus Cristo.
Uma pergunta que sempre nos fazemos e, seguramente, todos
acham que estão completamente certos!
Essa é uma reação automática de todas pessoas, pois,
obviamente, sempre seguem os seus pensamentos, sem analisar, que todos os
nossos atos são decorrentes da nossa educação doméstica, cultural, costumes e
exemplos familiares!
Não é raro você agir de uma forma grosseira e malcriada,
quando não é atendido no que deseja. Mas, deveria imediatamente refletir,
analisar, voltar os pensamentos para trás e perceber que, nem sempre, temos o
direito de agir com arrogância e falta de humildade. Lembre-se, se não foi
atendido, a outra pessoa também deve ter as suas razões para que desta feita,
não favoreça o seu pedido, ou favor!
Que tal se lembrar que já foi agraciado muitas vezes, sem
que fosse obrigação da outra pessoa?
Que ela sempre está querendo lhe beneficiar por lhe ter
bastante amizade e consideração?
Infelizmente, a grande maioria das pessoas, são “queixos
duros” e teimosas, e não entendem que uma ação desagradável, desencadeia uma
reação mais desagradável ainda. Pois o outro percebe que está sendo injustiçado
sem nenhuma razão!
Devemos ser mais tolerantes, deixar as arrogância de lado,
saber dar a “César o que é de César”, ou seja não querer tirar os direitos
alheios, simplesmente porque acham que suas maneiras ou manias estão mais do
que certas. Não existe manias, existem modos e esse devem ser cautelosos!
Assim sendo, nunca se dê razões sem pensar, querendo tirar
as razões dos outros. Uma vez que, deve-se ver o momento certo para solicitar,
como também uma maneira sutil e educada!
É bastante perigoso, e podem esses grandes e pequenos
exemplos, romperem boas e futuras amizades que, simplesmente, poderia ser
evitado através de pequenos detalhes e compreensão!
Por
influência do poeta inglês Byron e de outros poetas e filósofos, o mundo das
artes e das ideias foi invadido pelo pessimismo, pelo tédio, pela ideia da
morte. Na Europa, o suicídio matava quase tanto quanto a tuberculose – o “mal
do século”. Por este motivo, o pessimismo, a mórbida obsessão pela morte também
recebeu o nome de “mal do século”. É a fase do ultrarromantismo.
Observe:
Se eu morresse amanhã!
Se eu morresse amanhã, viria ao menos
Fechar meus olhos minha triste irmã;
Minha mãe de saudades morreria
Se eu morresse amanhã!
Quanta glória pressinto em meu futuro!
Que aurora de porvir e que manhã!
Eu perdera chorando essas coroas
Se eu morresse amanhã!
Que sol! Que céu azul! Que doce n’alva
Acorda a natureza mais louçã!
Não me batera tanto amor no peito
Se eu morresse amanhã!
AZEVEDO, Álvares de – em ANTOLOGIA
ESCOLAR BRASILEIRA, de Marques Rebelo –
MEC, RJ 1967.
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ÁLVARES DE AZEVEDO
Manuel
Antonio Álvares de Azevedo nasceu em 1831 e, antes de completar 21 anos, morreu
de tuberculose.
Adolescente dilacerado por seus conflitos íntimos, representa a
experiência humana e literária mais dramática do nosso Romantismo. Sua obra
poética gira em torno de morte, do amor impotente do tédio. Ensaiou também a
prosa com os contos de “NOITE NA TAVERNA”, onde mostra sofrer forte influência
de Byron, romântico inglês, e de Musset, romântico francês. São contos de uma
imaginação exaltada e perversa, povoada de bêbados, prostitutas, jogadores e
viciados, a viverem uma noite na taverna, não como figuras reais, e sim, como
figuras de um opressivo pesadelo.
Em “Lira
dos Vinte Anos”, o problema da morte se apresenta com frequência. O poeta
antevê sua própria morte e diante dela experimenta uma dupla emoção – a emoção
de perder as coisas queridas e a emoção de ganhar uma tranquilidade que a
existência não lhe proporciona.
(NOVO HORIZONTE – Português Vol. II Literatura – Linguagem –
Redação.
Na
Alemanha serpenteia uma guerra traiçoeira contra tudo o que simboliza o
Cristianismo: ataques às cruzes, estátuas, igrejas e até cemitérios, de acordo
com relato de PI-News, daquele país. Em março passado foram atacadas
quatro igrejas. A informação foi divulgada pelo boletim do Instituto
Gatestone em meados de abril, em matéria assinada por Raymond Ibrahim.
De acordo
com essa fonte, a mídia e as autoridades ofuscam a identidade dos vândalos. Em
algumas ocasiões fica claro que os depredadores são muçulmanos, cuja identidade
e intenções são geralmente ofuscadas por eufemismos que ocultam suas
verdadeiras intenções anticristãs. Assim, nunca se diz maometanos, mas migrantes
ou imigrantes. E quando não há como esconder a procedência dos autores dos
ataques, apresentam-nos como pobres débeis mentais… Em sentido contrário, quem
associa o ódio anticristão com o fanatismo muçulmano é acusado de racista:
“Dificilmente
alguém escreve ou fala a respeito do crescimento de ataques contra os símbolos
cristãos”, lê-se na fonte citada. Há um silêncio eloquente na França e na
Alemanha a respeito do escândalo dos ataques a templos sagrados e da origem dos
seus autores. […] Nem uma só palavra, nem sequer a mais leve insinuação que
possa levar à suspeita dos migrantes… Não são os autores dos ataques que são
vítimas do ostracismo, mas aqueles que ousam associar a dessacralização dos
símbolos cristãos com as importações dos imigrantes. Eles são acusados de
rancor, de linguagem odienta e racismo” (cf. PI News, 24-3-2019).
Curiosamente essa inversão de valores e de princípios não é observada apenas em
um país de maioria protestante como a Alemanha, mas, poderia dizer-se,
sobretudo nos países católicos, com base na teologia ecumênica do Concílio
Vaticano II. É triste…
Neste dia 28 de abril, festividade de São Luís Maria
Grignion de Montfort (1673-1716) — grande missionário francês, o doutor marial
por excelência que explicitou magnificamente a doutrina sobre a Sagrada
Escravidão a Nossa Senhora —, rezando a “Oração Abrasada” de repente fui
assaltado pela lembrança do fogo devorador de Notre Dame de Paris.
E, na mesma oração composta por São Luís Grignion (no trecho
que abaixo transcrevo) é impossível não nos recordarmos de um outro “incêndio”,
denominado “auto-demolição”, que vem se alastrando dentro da Santa
Igreja: “a fumaça de Satanás no templo de Deus”… E, novamente, ser
assaltado pela imagem do incêndio que atingiu o coração da Cristandade.
Ainda não se tem certeza se o incêndio em Notre Dame foi
acidental ou criminoso, mas alguns líderes muçulmanos comemoram a desfiguração
de Notre Dame. Por exemplo, os jihadistas do “Estado Islâmico”
celebraram o incêndio da Catedral. O portal Site (que monitora
atividades extremistas na internet) publicou que eles “se divertiram” com a
tragédia e a classificaram como sendo “um golpe no coração dos líderes
cruzados”. (Cfr. “VEJA”, 24-4-19).
Aqui seguem os trechos da parte final da “Oração abrasada”,
que se encontra nas últimas páginas do célebre e extraordinário “Tratado da
Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem”:
“E nós, grande Deus! embora haja tanta glória e tanto
lucro, tanta doçura e vantagem em servir-vos, quase ninguém tomará vosso
partido? Quase nenhum soldado se alistará em vossas fileiras? Quase nenhum São
Miguel clamará, no meio de seus irmãos, cheio de zelo pela vossa glória: Quis
ut Deus?
Ah! permiti que brade por toda parte: Fogo! fogo! fogo!
socorro! socorro! socorro! Fogo na casa de Deus! fogo nas almas! fogo até no
santuário! Socorro, que assassinam nosso irmão! socorro, que degolam nossos
filhos! socorro, que apunhalam nosso bom Pai!
Si quis est Domini, iungatur mihi. Venham todos os bons
sacerdotes que estão espalhados pelo mundo cristão, os que estão atualmente na
peleja, e os que se retiraram do combate para se embrenharem pelos desertos e
ermos, venham todos esses bons sacerdotes e se unam a nós. Vis unita fit
fortior, para que formemos, sob o estandarte da cruz, um exército em boa
ordem de batalha e bem disciplinado, para de concerto atacar os inimigos de
Deus que já tocaram a rebate: Sonuerunt, frenduerunt, fremuerunt,
multiplicati sunt. Dirumpamus vincula eorum et projiciamus a nobis jugum
ipsorum. Qui habitat in caelis irridebit eos. Exsurgat Deus, et dissipentur
inimici ejus. Exsurge, Domine, quare abdormis? Exsurge.
Erguei-vos, Senhor: por que pareceis dormir? Erguei-vos em
todo o vosso poder, em toda a vossa misericórdia e justiça, para formar-vos uma
companhia seleta de guardas que velem a vossa casa, defendam vossa glória e
salvem tantas almas que custam todo o vosso sangue, para que só haja um aprisco
e um pastor, e que todos vos rendam glória em vosso santo templo: Et in
templo ejus omnes dicent gloriam. Amém.
- Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + de acordo com
São João.
Glória a você, Senhor.
Na noite daquele dia, sendo a primeira da semana fechada por
medo dos judeus, as portas do lugar onde estavam os discípulos, Jesus apareceu
no meio deles e disse-lhes: Paz seja convosco. Dito isto,
mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram felizes em ver o
Senhor.
Jesus disse novamente: "A paz esteja convosco. Como o Pai me
enviou, eu também te mando".
Depois de dizer
isso, ele soprou sobre eles e disse: "Receber o Espírito Santo. A
quem perdoais os pecados, eles são perdoados; a quem você os retém, eles
são retidos. ” Tomé, um dos Doze, chamado de Gêmeo, não estava com
eles quando Jesus veio. Os outros discípulos disseram-lhe: "Nós vimos
o Senhor".
Mas ele respondeu: "Sim. Eu vejo em suas
mãos a impressão das unhas, e colocar o dedo na marca dos pregos, e
coloquei minha mão no seu lado, I vai não acredito". Oito dias
depois, eles foram novamente seus discípulos dentro e Tomé com
eles. Jesus se apresentou no meio das portas fechadas e disse: "A paz
esteja convosco". Então ele disse a Tomé: "Põe o dedo aqui
e olha para as minhas mãos; traz a tua mão e põe-na ao meu lado, e não
sejas incrédulo, mas crente. Respondeu-lhe Tomé: Senhor meu e Deus
meu.
Disse-lhe Jesus: Porque me vistes e
creste. Bem-aventurados os que não viram e creram. "
Jesus realizou muitos outros sinais na presença dos discípulos que não
estão escritos neste livro.
Estes foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de
Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome.
Ligue o vídeo abaixo a acompanhe a reflexão do Frei Alvaci Mendes da Luz:
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Experiência
de Ressurreição: tocar as chagas da humanidade
Hendrick Jansz ter Brugghen (1622)
“...mostrou-lhes as mãos e o lado” (Jo 20,20)
Os relatos das Aparições nos advertem de que não se trata de
uma crônica de acontecimentos. O que João quer nos comunicar são vivências
internas dos discípulos reunidos; o que ele quer nos transmitir está mais além
daquilo que entra pelos sentidos ou podemos imaginar.
Destacamos algumas das expressões do relato de João para
formular a fé no Crucificado/Ressuscitado.
O relato deste domingo se revela como uma catequese muito
rica em conteúdo. Por uma parte, vincula a ressurreição com a paz, o dom do
Espírito, o perdão, a fé, a missão... Por outra, parece querer responder
aos cristãos da “segunda geração”, que já não haviam conhecido o Jesus
histórico, nem haviam participado daquela primeira experiência “fundante”. É a
eles, representados na figura de Tomé, que lhes é dito:
“Bem-aventurados aqueles que creram sem terem visto!”
São muitos os que se sentem escandalizados com o Evangelho
deste 2º. Dom. de Páscoa. Não é possível que Jesus Ressuscitado conserve as
chagas no seu corpo! Pode-se tocá-lo como se tocam as feridas sangrentas de um
torturado, as mãos frias de um moribundo, os pés feridos de um imigrante?
Frente aos riscos de um falso espiritualismo que quer
esquecer-se da “carne”, frente a todas as tentativas de entender a Páscoa como
pura mudança de consciência, o Evangelho de João quis ressaltar a corporalidade
do Cristo Ressuscitado e o faz desta forma, ou seja, dando um destaque especial
às chagas das mãos e do lado aberto; o mesmo corpo do amor vivido e da entrega,
o corpo ferido com cravos e lança, se converte assim em um sinal visível de
Ressurreição, sinal que continua presente na realidade das pessoas.
A morte de Jesus não foi um acidente de percurso, não é algo
que se esquece, sinal de sua condição humana; o Senhor ressuscitado continua
sendo Aquele que leva em suas mãos e em seu lado as feridas de sua entrega, os
sinais de seu amor crucificado em favor da humanidade. O Senhor ressuscitado
continua sendo Aquele que sofre em todos os que sofrem no mundo. Como cristãos,
professamos: “o Ressuscitado é o Crucificado”; por isso é necessário “tocar
suas feridas”, ali onde Ele sofre naqueles que sofrem. Portanto, contemplar o
Ressuscitado chagado impulsiona a continuar encontrando o mesmo Jesus nas
chagas de todos os sofredores da história.
É surpreendente que o evangelho de João tenha conservado o
registro da experiência de Madalena; mas, mais surpreendente ainda é o fato de
que tenha recolhido a experiência de Tomé, para assim revelar-nos que a Páscoa
significa tocar com mais força, de um modo mais profundo, as chagas de Jesus
ressuscitado.
Maria Madalena havia “tocado em Jesus” no horto pascal,
porque o amava e pela alegria de saber que Ele estava vivo. Mas, depois teve
que deixar de tocá-lo fisicamente (“não me toques”), a fim de tocá-lo e
conhecê-lo de um modo diferente, levando a mensagem da Vida de Jesus aos
discípulos, fechados numa casa. Ela que o tocou com amor, foi a primeira das
ressuscitadas com Jesus no jardim de Vida da Páscoa.
À diferença de Madalena, Tomé precisou aprender a ativar os
sentidos: olhar, escutar, tocar...; precisou descer do pedestal dos
seus dogmas, das ideias separadas, para retomar a experiência concreta do amor
de Jesus, que é a vida entregue pelos outros, amor chagado. Não basta crer em
Jesus, separado de sua vida de compromisso em favor da vida; para crer nele é
preciso querer tocar suas chagas, que são as chagas do mundo ferido por falta
de amor.
Tomé começou sendo o apóstolo de uma espiritualidade sem
compromisso social, sem entrega profética, sem solidariedade com os pobres e
excluídos. Não era um apóstolo “cristão” de Jesus crucificado, mas um
praticante da religião desencarnada que alguns, ainda hoje, continuam
defendendo.
“Tocar” em Jesus, colocar o dedo em suas chagas e a mão no
seu lado aberto, é descobrir a ferida sangrenta da história humana, vinculando
assim a ressurreição com a dor dos homens e mulheres oprimidos(as), torturados,
enfermos, assassinados... Jesus Ressuscitado continua levando em suas mãos e em
seu peito a ferida da história, não só as chagas dos cravos e o corte da lança
em seu próprio corpo, mas a chaga dos enfermos e expulsos, dos famintos e
oprimidos e a infinidade de pessoas que continuam sofrendo ao nosso lado.
O Ressuscitado se faz reconhecível, é o mesmo Jesus, é o
crucificado, é seu corpo chagado. Trata-se de crer no Crucificado. Suas feridas
são inseparáveis da morte e da entrega a uma causa: o Reino. Não é a passagem a
uma condição superior à do ser humano, mas a mesma condição humana levada a seu
cume, assumindo sua história anterior. As chagas, sinal de seu amor extremo,
evidenciam que é o mesmo que morreu na cruz. Já não há lugar para o medo da
morte. Ninguém poderá tirar de Jesus a verdadeira Vida, nem tirá-la dos seus
discípulos. A permanência dos sinais de sua morte indica a permanência de amor;
elas são as cicatrizes de um compromisso com a vida. Além disso, elas garantem
a identificação do Ressuscitado com o Jesus Crucificado.
Concluindo, podemos dizer que a experiência de Tomé, que é
também a nossa, tem um valor importante para nós, seguidores(as) do
Ressuscitado. Hoje, ressuscitado, Jesus continua expondo-se, deixando-se tocar
sem resistências, mostrando suas feridas, permitindo que, como Tomé,
“coloquemos o dedo na ferida”. Quê paradoxo! Os sinais da Ressurreição se
encontram aí onde antes se encontravam os sinais de dor e morte. Só quando assumimos
esta realidade, poderemos testemunhar, como os primeiros discípulos, que o
“Crucificado ressuscitou!”.
São estas suas feridas e chagas nas mãos e no lado aberto os
sinais que o Ressuscitado nos mostra para que possamos reconhecer as cicatrizes
que também nós carregamos em nossos corpos. São estes os sinais que Ele nos
mostra para que possamos pôr também nossas mãos nas feridas que continuam
abertas em nosso mundo, nas mãos e lados de tantas irmãs e irmãos, de tantos
povos, de nós mesmos. O Ressuscitado continua carregando todas as chagas e
convida-nos a tocá-las, a acariciá-las, a acolhê-las, a reconciliar-nos com
aquelas que ainda não foram integradas e pacificadas, a empenhar-nos na
transformação daquelas que são fruto da injustiça e do mal.
Páscoa é tocar e acompanhar Jesus nos chagados da vida.
Páscoa é também (ao mesmo tempo) sentir nas mãos e nos dedos, no coração e no
olhar, o abraço de amor de todas as pessoas. Não há Páscoa de Jesus sem
corpo-a-corpo de intimidade e proximidade, de homens e mulheres, de crianças e
idosos, nos diversos tipos de encontro e comunhão, não para possuir mas para
compartilhar, não para impor-se, mas para juntos abrir caminhos sempre novos de
respeito e admiração. Assim nos toca Jesus, assim se deixa tocar por nós.
Texto bíblico: Jo 20,19-31
Na oração: Trazemos gravadas em nossa geografia
corporal infinitas pequenas mortes e feridas; às vezes tão pequenas que não
deixam cicatrizes visíveis, mas estão aí, cravadas em nosso corpo.
Contemplando as chagas do Ressuscitado, seremos capazes de
reconhecer que fomos criados para ressuscitar, com as nossas feridas
integradas, pacificadas, iluminadas...; nossa sensibilidade será ativada o
suficiente para poder reconhecer esses mesmos sinais de dor em outros corpos e
rostos.
- “Fazer memória” das cicatrizes na sua história corporal,
unindo-as às “feridas do Ressuscitado”.
Isso já é ressurreição, plenitude do mistério da comunhão
através dos gestos, da proximidade, do abraço...
A cada abraço sentido, uma ressurreição também vivida!
O Dia Mundial do Livro, é a ocasião perfeita para fazermos
uma reflexão sobre a sua importância, sobre os desafios do setor, e também para
celebrarmos as conquistas.
Antes de qualquer coisa, precisamos ter claro que o livro é
um objeto de democratização e cidadania. Por isso, é fundamental que a leitura
seja encarada com seriedade e responsabilidade.
O livro e a leitura se tornam fortes e permanentes em um
ambiente economicamente saudável, de segurança jurídica e de liberdade de
pensamento. Por isso, devemos aproveitar o momento para rever modelos, pensar
em alternativas e fortalecer toda cadeia produtiva e criativa do livro.
Todos os setores da economia vivem um momento de
transformação. Neste cenário, a atualização de modelos de negócios, em especial
do livro, é urgente. O fato é que os diversos produtos da indústria criativa
disputam o tempo das pessoas. Na última edição da pesquisa Retratos da Leitura
(2016), o hábito da leitura fica em 10º lugar quando o assunto é o que gosta de
fazer no tempo livre, atrás de assistir TV, ouvir música, acessar a Internet,
entre outros.
O livro é, em sua essência, um objeto de várias
possibilidades, ele pode chegar ao leitor em diversos formatos: no tradicional
formato impresso, já tão querido e aceito pelos leitores; no formato digital,
que facilita a portabilidade, ou em audiolivro, que permite o acesso ao
conteúdo do livro durante outras atividades. As possibilidades estão aí, mas é
necessário entender o desejo do leitor e oferecer o livro da forma esperada.
O momento é instigante: ao passo que devemos superar
obstáculos, o terreno é fértil para criar novas oportunidades. Rever modelos
tradicionais que temos praticado há muito tempo, repensar a consignação,
ampliar os canais de distribuição, incentivar a criação de novos pontos de
vendas e atualizar a experiência de compra nas livrarias é tarefa fundamental
agora.
A situação pela qual o setor livreiro passa me faz lembrar
uma antiga campanha das padarias de São Paulo: "Pão se compra na
padaria". Claro que o comportamento do consumidor não é estabelecido por
uma simples frase, acontece que juntamente com a frase quebraram-se vários
paradigmas. A padaria passou a ser um local de convivência, com mais
possibilidades e mais atenta às necessidades de seus clientes. Todo o varejo,
em seus diversos segmentos tem buscado uma fórmula parecida, na qual o ponto de
venda não fique restrito à venda do produto, mas se torne um ponto de contato
com as pessoas, com atendimento ágil e qualificado, transformando-se em um
amplificador de vendas. Para isso, é importante que o relacionamento entre loja
e público se dê de forma rápida e sem ruídos. Na experiência da loja, seja ela
virtual ou presencial é que o cliente se tornará sua melhor propaganda ou seu
pesadelo.
Temos uma grande missão: tornar o mercado forte e exigir do
poder público a priorização da educação e a formação de leitores para quem
sabe, no futuro, possamos ter um país que ofereça oportunidades para todos,
repleto de profissionais preparados para o seu desenvolvimento.
Que o livro, instrumento para transformação de pessoas, nos
inspire a transformar o mercado.
*VITOR TAVARES é o presidente da Câmara Brasileira do Livro