Cada vez que ponho uma máscara para esconder minha
realidade, fingindo ser o que não sou, faço-o para atrair o outro... E logo
descubro que só atraio a outros mascarados, distanciando-me dos outros devido a
um estorvo: A Máscara.
Faço-o para evitar que os outros vejam minhas debilidades... E
logo descubro que ao não verem minha humanidade, os outros não podem me
querer pelo que sou... senão pela Máscara.
Faço-o para preservar minhas amizades, e logo descubro
que, quando perco um amigo por ter sido autêntico, realmente não era meu amigo...
E sim, amigo da Máscara que eu usava.
Faço-o para evitar ofender alguém, e ser diplomático, e
logo descubro que aquilo que mais ofende às pessoas das quais quero ser mais
íntimo... É a Máscara.
Faço-o convencido de que é melhor que posso fazer para ser
amado, e logo descubro o triste paradoxo... O que mais desejo obter
com minhas Máscaras, é precisamente o que não consigo com elas.
Teve início na quinta-feira passada no STF a votação das
ações que pedem a criminalização da homofobia e da transfobia. O
relator foi o Ministro Celso de Mello. O seu voto fez-me lembrar de Gilmar
Mendes quando declarou: “De vez em quando somos esse tipo de Corte que proíbe a
vaquejada e permite o aborto”[1]. Essa
mesma Corte que, de vez em quando, permite o aborto, pode vir a condenar
pessoas contrárias à prática do homossexualismo, mesmo se por questões morais
ou religiosas.
Durante o seu voto, o Min. Celso de Mello atacou uma
declaração da ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares
Alves, que, ao assumir o cargo, afirmou: “meninos vestem azul e meninas
vestem rosa”. Segundo o ministro: “Essa visão de mundo fundada na
ideia artificialmente construída de que as diferenças biológicas entre homem e
mulher devem determinar seus papéis sociais, ‘meninos vestem azul e meninas
vestem rosa’, essa concepção de mundo impõe notadamente em face dos integrantes
da comunidade LGBT uma inaceitável restrição a suas liberdades fundamentais,
submetendo tais pessoas a um padrão existencial heteronormativo incompatível
com a diversidade e o pluralismo que caracterizam uma sociedade democrática, impondo-lhes
ainda a observância de valores que além de conflitar com sua própria vocação
afetiva, erótico-afetiva conduzem à frustração de seus projetos pessoais de
vida”.[2]
O Min. Celso de Mello, sem perceber a contradição de seu
argumento, chega a chamar de “cultores da ignorância” e “mentes
sombrias” as pessoas que não concordam com o vício do
homossexualismo: “Eu sei que em razão deste voto e da minha conhecida
posição em defesa dos direitos das minorias que compõem os denominados grupos
vulneráveis, serei inevitavelmente mantido no índex dos cultores da
intolerância, cujas mentes sombrias que rejeitam o pensamento crítico, que
repudiam o direito ao dissenso, que ignoram o sentido democrático da alteridade
e do pluralismo de ideias, que se apresentam como corifeus e epígonos
de sectárias doutrinas fundamentalistas, desconhecem a importância do
convívio harmonioso e respeitoso entre visões de mundo antagônicas.” (grifo
nosso)
O que está em jogo é, exatamente, calar o dissenso a
respeito do tema do homossexualismo, impondo uma espécie de dogma laico contra
a moral Católica, cujos transgressores estariam sujeitos até mesmo à pena de
prisão. Há algo mais radicalmente contrário ao senso crítico e aopluralismo de idéias do que ameaçar de prisão quem não concorda com a
prática homossexual? Não seria isso algo fundamentalista, sectário e desrespeitoso?
Todos os brasileiros são defendidos pela Lei quando
agredidos. Querer criar uma categoria de pessoas cuja prática moral não pode
ser discutida não é defender o pluralismo de idéias, mas silenciar e
perseguir os contrários.
Causa estranheza ainda o fato de Celso de Mello ter apoiado
a sua argumentação na feminista francesa Simone de Beuvoir, que diz: “Não
se nasce mulher, torna-se mulher”. Tal afirmação não tem base científica,
como observaram o Prof. Shmauel Pietrovski e o Dr. Moran Gershoni,
pesquisadores do Departamento de Genética Molecular do Instituto Weizmann de
Ciências. Esses pesquisadores revelaram que cerca de 6.500 genes humanos
codificadores de proteínas reagem de forma diferente nos sexos masculino e
feminino.
Os referidos cientistas identificaram milhares de genes
através de um grande estudo da expressão genética humana em órgãos e tecidos do
corpo de aproximadamente 550 doadores adultos. “Este estudo — comentam
— permitiu, pela primeira vez, o mapeamento integral da estrutura genética
do sexo humano diferencial”.
A Dra. Michelle Cretella, M.D., presidente do Colégio
Americano de Pediatria (foto ao lado), por sua vez, declarou que “homem
e mulher não podem ser tratados igualmente em medicina. Por causa dessas
diferenças genéticas, mulheres são mais propensas a doenças autoimunes do que
homens. Devemos tratar nossos pacientes de acordo com sua biologia, não de
acordo com suas percepções ilusórias.”
Além do mais, a palavra “homofobia” não aparece nos
dicionários antigos, como o “Aurélio”, por exemplo. Ela foi criada pelo
psicólogo norte americano George Weinberg em 1966, a pedido de uma organização
denominada Gay Activist Alliance (GAA). Esse psicólogo publicou em
1972 o livro Society and the Healthy Homosexual(capa ao lado), no
qual forjou o termo “homofobia”.
Para o psiquiatra peruano, Honório Delgado MD (1892-1969),
fobia é uma obsessão sob a forma de temor patológico. Em artigo publicado no
site do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira em 29 de março de 2011, observou
Alejandro Ezcurra:
“Em psiquiatria, fobia é uma obsessão sob a forma de
temor patológico. Só ocorre em casos extremos e muito específicos: pode haver
fobias, por exemplo, contra o que ameace a saúde ou a integridade de uma
pessoa. Mas seria absurdo qualificar de fóbico a quem, por exemplo, evita
normalmente aquilo que prejudica sua saúde ou sua integridade física. E muito
menos se pode carimbar de “homofóbica” — ou seja, de doentes mentais! — a
esmagadora maioria de pessoas que, em países como o Brasil, seguindo princípios
de razão natural ancorados na Lei moral e admitidos unanimemente durante
milênios por todos os povos civilizados, defendem a saúde do organismo social e
desejam proteger a família face à presente ofensiva publicitária e legal de
poderosos lobbies homossexuais. Até agora ninguém conseguiu demonstrar a existência
de tal patologia, nem poderá fazê-lo. Mais fácil será demonstrar que existe o
lobisomem ou a sereia… Em suma, o epíteto só procura neutralizar a reação das
grandes maiorias e estigmatizar os que se preocupam deveras pelo porvir da
Nação e da família, e pela proteção à população infantil.”[3]
O Cardeal Gerhard Ludwig Müller Prefeito Emérito da
Congregação para a Doutrina da Fé (foto ao lado), declarou que a palavra
homofobia é uma invenção do lobby homossexual para o “domínio
totalitário” sobre as mentes dos outros.
“A homofobia — afirma o Cardeal — simplesmente não
existe, é claramente uma invenção, um instrumento de dominação totalitária
sobre o pensamento dos outros. O movimento homossexual carece de argumentos
científicos e por isso construíram uma ideologia que quer dominar, buscando
construir a sua realidade. É o esquema marxista, segundo o qual não é a
realidade que constrói o pensamento, mas o pensamento que constrói a realidade.
Quem não aceita esta realidade deve ser considerado doente. Como se, entre
outras coisas, pudéssemos agir contra a doença com a polícia ou com os
tribunais”.[4]
* * *
A ideologia de gênero, sem base científica e sem o
apoio do público — como tem demonstrada a calorosa receptividade da população
aos jovens caravanistas do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira em
todo o território nacional —, quer impor-se por medidas judiciais. Se for
aprovada a criminalização da homofobia, como quer o Estatuto
da Diversidade Sexual e de Gênero, teremos no Brasil uma severa
perseguição, inclusive com prisões, contra as pessoas, religiosos ou pais de
famílias, que dentro da Moral e dos bons costumes se opuserem a tal investida
do lobby homossexual. Estaria caracterizada uma verdadeira ditadura
homossexual.
Se vocês acham que fazer um bom governo é baixar a idade mínima da aposentadoria para 50 anos, diminuir a contribuição, extinguir a maioria dos impostos, criar milhões de empregos da noite pro dia, eu sinto te informar, mas já pode começar a bater a cabeça na parede.
O Brasil se encontra no pior momento econômico da sua história e vocês sabem quem vai pagar por isso?
Durante as últimas décadas nós fomos pilhados pelos últimos governos e o povo só se preocupava com BBB, futebol e carnaval... Então amigos, se preparem pro remedinho amargo ou então pra picada da injeção... E com agulha grossa, viu?
Não se iludam que vamos virar uma Noruega nos próximos 4 anos... E sem querer ser pessimista, nem nos próximos 8 ou 12 anos.
Hoje o único objetivo é interromper a pilhagem e tomar um rumo decente.
E se deem mais que satisfeitos se conseguirmos.
O "mundo de Alice" fica ali na frente à esquerda... Lá eles acreditam que bandidos e terroristas são heróis, acreditam que o Brasil deveria ter permanecido no mesmo caminho e ainda acreditam que na Venezuela existe democracia.
Nós temos que enxergar a realidade nua e crua e Lutar cada vez mais por um país melhor.
Transcrevo minha vivência. Estudei até o final do ginásio no
colégio Nossa Senhora das Mercês, onde fomos extremamente felizes e trago comigo
milhares de lembranças, boas lembranças, dentre elas todo final do mês o
Encontro das turmas ao ar livre, para o hasteamento da bandeira!!!
Todos nós adorávamos este momento, que significava festa e
respeito aos símbolos. Aprendemos com isto a valorizar o que nos representa...
E ao longo da minha vida, nos mais diversos eventos, quer
seja técnico, cultural, de lazer o Hino é cantado, já em várias versões e
acredito emociona a todos.
Concordo que esse exagero de filmar não procede, mas como
vamos conhecer as coisas, que são parte, pois traduzem a Nossa Terra, infundindo
noções de liberdade, respeito aos símbolos, zelo e cidadania?
Estaremos escrevendo
um novo livro para gerações futuras.
Venezuelanos impedidos pela guarda bolivariana de atravessar
a fronteira com o Brasil, onde desejavam comprar alimentos para suas famílias
♦ Santiago Escobar
Aumenta a cada dia a pressão nacional e internacional pela
saída do ditador venezuelano Nicolas Maduro e, em consequência, o fim de sua
agenda política chamada “revolução bolivariana”.
No dia 2 de fevereiro recordamos com execração os 20 anos da
ascensão ao poder do tirano Hugo Chávez Frias, que mergulhou o país na pior
crise de sua história em nome do “bolivarianismo”, uma utopia marxista criada
para a esquerdização do continente latino-americano. Essa ideologia abertamente
socialista estava comprimindo a Venezuela e empurrando-a para uma situação
virtualmente sem saída, na qual está sendo debatida atualmente.
O mundo inteiro conhece o sofrimento do povo venezuelano por
causa da grave crise que permeou todas as instituições da lei natural, como a
família, a propriedade privada etc. Essa franca ditadura socialista transformou
uma das nações mais prósperas da América Latina em um país com uma das maiores
hiperinflações do mundo, atingindo quase 10.000.000%[i].
Por que aconteceu tudo isso com a Venezuela? — Por uma perda
sistemática de fé e valores morais, cuja consequência foi levar os venezuelanos
a eleger Hugo Chávez como presidente.
Como circunstância agravante, houve um aumento de cultos e
feitiços esotéricos que se espalharam por todas as camadas da sociedade.
Jovens da TFP venezuelana numa campanha em Caracas
Não posso deixar de mencionar que existia na Venezuela uma
organização de jovens católicos idealistas que por muitos anos denunciaram toda
essa crise e, por razões de suma injustiça, foram difamados e expulsos de seu
próprio país. Refiro-me aos jovens da TFP venezuelana, criticados alguns anos
depois por Chávez e Maduro como militantes de uma das “piores” entidades
possíveis, “fascista”[ii] e “seita de direita”[iii], por defender a tradição a família e a
propriedade.
Uma das consequências da ditadura comunista é a emigração de
mais de 2,3 milhões de venezuelanos, ou seja, 7% da população, que, carentes de
tudo, se refugiam em países limítrofes, na maioria das vezes passando pelas
piores situações.
É por isso que fazemos um memento pela Venezuela, para que a
Divina Providência, por intercessão especial de Nossa Senhora de Coromoto,
Padroeira do País, mais uma vez perdoe e ajude seus filhos venezuelanos que
sofrem sob o peso da bota comunista que os oprime.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo
Lucas.
— Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: “A vós,
que me escutais, eu digo: Amai os vossos inimigos e fazei o bem aos que vos
odeiam, bendizei os que vos amaldiçoam, e rezai por aqueles que vos
caluniam.
Se alguém te der uma bofetada numa face, oferece também a
outra. Se alguém te tomar o manto, deixa-o levar também a túnica.
Dá a quem te pedir e, se alguém tirar o que é teu, não peças
que o devolva. O que vós desejais que os outros vos façam, fazei-o também
vós a eles.
Se amais somente aqueles que vos amam, que recompensa
tereis? Até os pecadores amam aqueles que os amam.
E se fazeis o bem somente aos que vos fazem o bem, que recompensa
tereis? Até os pecadores fazem assim.
E se emprestais somente àqueles de quem esperais receber,
que recompensa tereis? Até os pecadores emprestam aos pecadores, para receber
de volta a mesma quantia.
Ao contrário, amai os vossos inimigos, fazei o bem e
emprestai sem esperar coisa alguma em troca. Então, a vossa recompensa será
grande, e sereis filhos do Altíssimo, porque Deus é bondoso também para com os
ingratos e os maus. Sede misericordiosos, como também o vosso Pai é
misericordioso.
Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não
sereis condenados; perdoai e sereis perdoados. Dai e vos será dado. Uma
boa medida, calcada, sacudida, transbordante será colocada no vosso colo;
porque, com a mesma medida com que medirdes os outros, vós também sereis
medidos”.
“Sede misericordiosos, como também o vosso Pai é
misericordioso” (Lc. 6,36)
Tornar presente o Pai como Amor e Misericórdia foi, para
Jesus, o cerne de sua missão: toda a sua vida foi uma eloquente demonstração da
misericórdia divina para com a humanidade. Jesus, que encarna e torna visível
no mundo a misericórdia do Pai, se faz também misericordioso. Anuncia aos
pecadores que eles não estão excluídos do amor do Pai, mas que Ele os ama com
infinita ternura. O Evangelho só aparece como Boa-Nova se compreendermos esta
novidade introduzida por Jesus. Ele, em sua presença misericordiosa, revela um
Deus desprovido de dogmatismos, de controle e de poder. O Deus de Jesus não é
um juiz com um catálogo de leis que tem necessidade de mandar, controlar,
verificar; o seu Deus é o Deus da misericórdia, da bondade sem limites e da
paciência para com todos.
Jesus propõe um modo de ser humano inseparável da
misericórdia do Pai:
“Sede misericordiosos como o Pai é misericordioso” (Lc. 6,36)
Ser misericordioso “como” Deus constitui o mais elevado
convite e a mensagem mais profunda que o ser humano recebe sobre como tratar a
si mesmo e aos outros. Deus, em sua misericórdia reconstrutora, libera em
nós as melhores possibilidades, riquezas escondidas, capacidades, intuições...
e nos faz descobrir em nós, nossa verdade mais verdadeira de pessoas amadas,
únicas, sagradas, responsáveis... É ele que “cava” no nosso coração o espaço
amplo e profundo para nos comunicar a sua própria misericórdia. A força criativa
do seu amor misericordioso põe em movimento os grandes dinamismos de nossa
vida; debaixo do modo paralisado e petrificado de viver, existe uma
possibilidade de vida nova nunca ativada.
A experiência de misericórdia gera em nós uma atitude
correspondente de misericórdia. O Deus misericordioso cria em nós um coração
novo, feito de acordo com o Seu, capaz de misericórdia (“bem-aventurados os
misericordiosos porque alcançarão misericórdia”). É exatamente este o maior
sinal da sua Misericórdia: ama-nos a ponto de enviar-nos ao mundo como
instrumentos de Sua reconciliação, pondo em nosso coração um Amor que vai além
da justiça.
A misericórdia é não só o atributo primeiro de Deus, mas
também a mais humana das virtudes. É aquela que melhor revela a natureza do Deus
Pai e Mãe de infinita bondade. É a que revela igualmente o lado mais luminoso
da natureza humana. Por isso é a que mais humaniza as relações entre as
pessoas.
A misericórdia presente em nós é modelada e alimentada pela
Misericórdia divina, que se visibiliza no perdão, na compaixão, no consolo, na
ternura, no cuidado... Nossa atitude misericordiosa nos configura à imagem do
Deus misericordioso. É onde somos mais semelhantes a Ele. A misericórdia como
estilo-de-vida cristã nos descentra de nós mesmos e nos faz descer em direção
ao outro, numa atitude de pura gratuidade. A vivência da misericórdia nos
torna realmente livres, e isso nos proporciona profunda alegria
interior.
Uma misericórdia superabundante, generosa... é gesto
gratuito e positivo de encontro, de acolhida, de cordialidade, que se torna
hábito de vida: ser “presença misericordiosa”. A espiritualidade da
misericórdia contém em si a gratuidade do relacionamento, a dimensão
desinteressada da doação. É a partir da misericórdia que a pessoa é capaz de
amar os inimigos, de fazer o bem aos que a odeiam, de bendizer os que a
amaldiçoam, de oferecer a outra face, de emprestar sem esperar recompensa, de
perdoar sem limites...
A misericórdia é humilde e não humilha, porque é discreta e
silenciosa. Ser presença misericordiosa não significa pôr o outro de joelhos
para que reconheça seus erros; ela nasce de um coração “educado” pela
Misericórdia divina e se manifesta externamente com uma atitude mansa e
condescendente. Essa Misericórdia é uma força poderosa, não se rende diante do
mal, porque é sempre capaz de redes-cobrir o bem ou de salvar a intenção do
próximo, de abrir-lhe novamente a esperança...
Entrar no movimento da misericórdia humaniza e cristifica
essencialmente a pessoa, porque a misericórdia constitui “a estrutura
fundamental do humano e do cristão”. Fundamentalmente, a misericórdia significa
assumir como própria a miséria do outro, inicialmente como sentimento que
comove, mas que, logo em seguida, leva à ação. Ela brota das “entranhas” e se dirige
instintivamente ao próximo na forma de proximidade, acolhida e compaixão.
Misericórdia é exatamente: “ter coração” para o outro, dando
preferência aos pequenos e pobres.
A misericórdia é a caridade que “toma mãos e pés”, ou seja,
o amor que se expressa em uma ação decidida e generosa, capaz de transformar e
libertar. Em hebraico, a palavra “misericórdia” – “rahamim”, significa ter
entranhas como uma mãe. É comover-se diante da situação de fragilidade do
outro; é sentir-se intimamente afetado e, por isso, com a disposição de ser
magnânimo, clemente e benevolente para com ele. A misericórdia recebida e
experimentada é a base da atitude compassiva, não como ato ocasional mas como
estilo de vida evangélico. Torna-se o fundamento e a perene inspiração de uma
existência de par-tilha e solidariedade.
Ser presença misericordiosa é um “modo de proceder”, um
“estilo de vida” que não está ligado a uma transgressão; é muito mais um estilo
de bondade, compreensão, magnanimidade, estilo de quem não se fixa no que o outro
merece nem se escandaliza com sua miséria. "Devemos ser presença
misericordiosa como pecadores, e não como justos”.
A misericórdia é fundamentalmente uma mensagem de estima e
confiança no outro, crer na sua amabilidade. Por isso, a presença misericordiosa
é força que provoca no outro a re-descoberta de sua própria identidade (uma
pessoa amada e acolhida pelo Deus misericordioso) e ao mesmo tempo desata nele
as ricas possibilidades de vida que estavam latentes.
Quem é misericordioso está convencido de que o irmão é
melhor que aquilo que aparenta ser. A misericórdia é expansiva, ela abre um
novo futuro e ativa os melhores recursos no interior de cada um. Ela não se
limita ao erro, mas impulsiona o outro a ir além de si mesmo.
Onde não há misericórdia, não há sequer esperança para o ser
humano.
Textos bíblicos: Lc 6,27-38
Na oração:
- Pedir maior consciência do Amor Misericordioso do Pai por
você; que você possa deixar-se surpreender pelo Amor criativo do Deus
Pai/Mãe... e participar em sua festa de reconciliação.
- Ao mesmo tempo, pedir um coração “desarmado”, pronto a
re-criar (perdoar é re-criar, é dar oportunidade para alguém viver de novo).
- Entrar no “fluxo” da misericórdia divina: ser canal por
onde ela circula para chegar até os outros.