Total de visualizações de página

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

HÉLIO JAGUARIBE - Marco Lucchesi

Hélio Jaguaribe 

Estamos aqui reunidos, nesta cerimônia de adeus, pela soma das virtudes que formaram seu espírito intrépido e generoso.  Não são apenas as palavras do presidente da Academia, mas as do outrora jovem professor que se preparava para lecionar história da Grécia. Segui seus livros, Hélio, com encantamento, não apenas os de uma especialidade que não exerci, mas todas as suas reflexões sobre a democracia grega e moderna, sua visão, por assim dizer, goetheana, revestida de ousadia, a desafiar slogans, formas de saber compartimentadas ad nauseam e monocórdias, desprovidas de saltos conceituais e de aventuras. Uma reflexão autônoma, cujo símbolo maior foi seu encontro com Karl Jaspers, rara abertura em nosso meio, cuja sensibilidade interdisciplinar parece ocupar espaço negativamente ficcional.  Como não dizer as reuniões de Itatiaia, a criação do Iseb, essa “grande máquina de pensar”, e uma rede de integração cultural com a América Latina, de que o Brasil não deve se apartar, porque se trata de uma origem e de um destino, que não pode prescindir de uma política real de vizinhança e integração. E nessa paisagem, Hélio, um programa dileto ao seu coração:   desenvolvimento, distribuição da riqueza, promoção da igualdade, democracia não limitada a um gradiente formal e abstrato. E depois o mundo, caríssimo Hélio, antes e depois do exílio, mas sem perder o território, poroso, sem perder o pertencimento de sua cultura radicada na emancipação de povo e nas instituições republicanas.

Nosso primeiro encontro deu-se em Brasília, quando você delineava um diálogo em rede, entre Oriente e Ocidente, um West-östlicher Diwan, caro a tantas dos que aqui se encontram. Como não recorrer a Candido Mendes,  empenhado igualmente, naquela quadra, a encurtar as distâncias da Terra, como pensavam os poetas futuristas.

Seu itinerário tem algo da sinfonia Heroica de Beethoven, um fascinante afresco de ideias, um salto quântico, por assim dizer, uma quebra de paradigma, com as suas últimas direções intelectuais, mediante um ardor geométrico e uma flegma conceitual, sobre o quase épico estudo crítico da história, do ponto de vista hermenêutico e filosófico, ou, ainda, quando esboça uma poética do homem no cosmos, de cuja complexidade e leveza saímos tocados. Atitude rara num cientista social, preso às malhas especiosas de um saber ciumento, de trincheira inamovível. Caro Hélio: você não se limitou a ser guarda de fronteira, a sua antropologia filosófica não quis, não pode, nem tampouco desejou fazê-lo. Você produziu uma ode à liberdade, sinfonia de muitas vozes na partitura de uma derradeira modernidade.  Essa coragem instrumental, seu sotaque, seu acento, combinada com um desejo onívoro de conhecimento, desde a métrica de um logos, seminal e rizomático, traduzem a sua estatura, aqueles antigos heroicos furores de que dizia Giordano Bruno.

Perde o Brasil um de seus maiores interpretes, uma lúcida inquietação, sutil e vigilante. Mas o princípio- esperança permanece inalterado. Enquanto não nos faltar esse princípio a sua ausência, Hélio, brilha e nos incita a prosseguir uma leitura radical da história e do cosmos.

Estarei enganado ou parece-me ouvir um inesperado hino à alegria, na sala dos poetas românticos, para dizer que você permanece mais vivo que os vivos?

Alocução do dia 12/09/2018
Sala dos Poetas Românticos
Portal da ABL, 13/09/2018


Marco Lucchesi - Sétimo ocupante da cadeira nº 15 da ABL, eleito em 3 de março de 2011, na sucessão de Pe. Fernando Bastos de Ávila foi recebido em 20 de maio de 2011 pelo Acadêmico Tarcísio Padilha. Foi eleito Presidente da ABL para o exercício de 2018.

* * *

EXCLUSIVO - A ANÁLISE DE UM ATENTADO


Análise dos cenários antes e pós-atentado ao candidato Jair Bolsonaro

10 de Setembro, 2018 ( Brasília )

Nelson Düring
Editor-chefe DefesaNet
 
Local, Juiz de Fora, estado de Minas Gerais, 06 Setembro 2018. O ponteiro dos segundos gira e os minutos funcionam como uma chamada para a entrada em rede das principais agências de Inteligência do mundo, com foco na cidade mineira.
São 15h30 / 31 / 32....

O candidato Bolsonaro cumpre mais um evento na cidade mineira com uma caminhada, com seus correligionários, no coração comercial a Rua Halfeld.
A presa e o caçador - A imagem é do fotógrado do Estadão, Fábio Motta, que acompanha a agenda do presidenciável.

Junto à massa de seus seguidores há ADÉLIO BISPO DE OLIVEIRA, que estava próximo à segurança do candidato e arremeteu desferindo uma estocada, com uma faca de cozinha, no ventre do candidato, que no momento era carregado nos ombros por seus apoiadores. 

O atentado ao candidato à Presidência da República Jair Messias Bolsonaro dispara uma série de alertas e questões: Quem atentou? Como? Quais suas Ligações? E uma infinidade de outras perguntas.

A “estória” que temos para as motivações do atentado até o momento é a que consta no INQUÉRITO POLICIAL 0475/2018-4, da Justiça Federal:  
 
"(...)Que perguntado sobre a motivação religiosa, esclarece que recebeu uma ordem de Deus para tirar a vida de BOLSONARO, haja vista que, embora ele se apresente como evangélico, na verdade não é nada disso; Que questionado sobre a motivação política, informa que o interrogado defende a ideologia de esquerda, enquanto o Candidato Jair Bolsonaro defende ideologia diametralmente oposta, ou seja, de extrema direita; Que se considera um autor da esquerda moderada; Que BOLSONARO, defende o extermínio de homossexuais, negros, pobres e índios, situação que discorda radicalmente ( ....) Que declara que não foi contratado por ninguém para atentar contra a vida do Candidato; Que não recebeu o auxílio de ninguém para o intento criminoso (...)" (trechos do depoimento prestado perante a Autoridade Policial em decorrência da prisão em flagrante)

Uma estória perfeita para justificar o ataque e que a imprensa encampou no primeiro momento. Trata-se de um “Justiceiro Social”.

DefesaNet analisou e obteve uma série de informações que levam a um curso diferente. Seguimos primeiramente: 

1 - O Cenário Politico

De quase “outsider”, com um partido pequeno, sem estrutura partidária, Jair Bolsonaro vinha crescendo nas pesquisas. O crime ocorreu um dia depois de o IBOPE divulgar uma pesquisa em que Jair Bolsonaro aparecia com 22% das intenções de voto, seu maior índice na campanha. A sondagem revelou ainda, que a rejeição ao presidenciável também havia chegado a um patamar inédito: 44% disseram que não votariam nele de forma alguma (anotem este item que é importante).

Neste cenário não haveria receio para o “Establishment” ser ameaçado pela candidatura, que segundo o Datafolha seria batida por todos (Marina Silva, Ciro Gomes e Geraldo Alckmin menos Fernando Haddad), no segundo turno.

Mas a realidade era diferente:

A – O próprio Grupo Globo procurou uma reunião com Paulo Guedes, guru econômico do futuro governo Bolsonaro. Foi realizada uma reunião de 1h30min com o presidenciável.

B – A claudicante campanha de Geraldo Alckmin (PSDB), levou o setor financeiro a procurar Jair Bolsonaro, e,

C- A possibilidade, já plausível, de a eleição ser decidida no primeiro turno. A junção dos itens B + C são explosivos e necessitam ser detalhados.

A possibilidade de Fraude Eleitoral – O diretor do Datafolha, Mauro Paulino, percorreu, todos os programas de televisão sempre com um mantra: “o índice de rejeição de Bolsonaro o inviabiliza no 2º turno”

Este era o mote que cobriria a fraude a ser implantada no segundo turno, considerando como certa a passagem de Jair Bolsonaro. Pelo menos duas agências de inteligência estrangeiras fizeram chegar a informação ao candidato Bolsonaro desta ameaça. E ele articulava ações internacionais para denunciá-la.
       
2 – O Atacante

O atacante tem um perfil construído com muita riqueza de detalhes para transformá-lo em “Justiceiro Social”. As palavras mais usadas na imprensa após o atentado foram: intolerância, ódio, revolta, etc.

Isto permitiu que a figura de Jair Bolsonaro fosse atacada e desconstruída inúmeras vezes nas horas após o atentado.

As motivações apresentadas sempre deixam uma saída.

Trabalho da FGV Diretoria de Análise de Políticas Públicas (DAPP) sobre a tendência de tuítes após o atentado. Mostra a batalha nas redes sociais.
 

A – Ideologia

Apresenta que o atentado seria uma consequência lógica de reação às posições ideológicas do candidato.

“o interrogado defende a ideologia de esquerda, enquanto o Candidato Jair Bolsonaro defende ideologia diametralmente  oposta, ou seja, de extrema direita”

Porém afirma:

“Que se considera um autor da esquerda moderada”

B - Motivação Religiosa

“Que perguntado sobre a motivação religiosa, esclarece que recebeu uma ordem de Deus para tirar a vida de BOLSONARO.”

Embora se apresente como evangélico.
“na verdade não é nada disso”

C – Justiceiro Social

Que BOLSONARO, defende o extermínio de homossexuais, negros, pobres e índios, situação que discorda radicalmente ( ....)

3 – O Ataque

As cenas do ataque foram vistas por milhões de pessoas, em todo o mundo, e pelos mais diversos ângulos. Mesmo assim indagações surgem a todo instante.

Porém, há a visita ao Clube de Tiro, em Santa Catarina, frequentado pelos filhos do candidato, que pode mudar o curso de investigações tornando-as mais complexas.

“Que declara que não foi contratado por ninguém para atentar contra a vida do Candidato; Que não recebeu o auxílio de ninguém para o intento criminoso (...)"

A Juíza Federal Patrícia Alencar Teixeira de Carvalho, coloca com clareza:

“Ora, não obstante as circunstâncias que envolveram o delito demandem maiores investigações das autoridades policiais, a fim de identificar se houve o envolvimento de terceiros, ou, até o momento, não descartado envolvimento político-partidário; fato é que, a toda evidência, o motivo que imbuiu Adélio foi fútil e inescusável.”

4 – Pós-Atentado

Analisando o Cenário Político e a construção do personagem “Adélio Bispo de Oliveira”, muitas questões surgem. As ações para responder a estas questões começa o pós-atentado.

A – Ao definir pelo sigilo Lei de Segurança Nacional, as autoridades tirarão dos olhos da Sociedade os resultados do andamento das investigações. Talvez o único documento a vir a público foi o do dia 07 Setembro.
   
B – A confusa ação da Polícia Federal passados mais de 72 horas não definiu um Delegado para o caso.
C - As primeiras declarações do Ministro de Segurança, Raul Jungmann, afirmando ser uma ação de “Lobo-Solitário” 
            
DefesaNet tem informações que há o receio de que as investigações sobre o atentado sejam “rifadas” por interesses de grupos políticos e de corporações interessados em negociar assentos no próximo governo, independente de qual for a sigla partidária.

Uma das ações tem sido impor um “stress” à família Bolsonaro e aos membros do partido. Como a Polícia Federal negar segurança à Família Bolsonaro. E a falta de percepção de risco como a do próprio candidato à vice-presidente General Mourão, caminhar sem segurança, no calçadão de Copacabana no domingo, após uma forte posição política na GloboNews, na sexta-feira (07SET2018).

A ação da Rua Halfeld impactará as eleições presidenciais brasileiras de forma clara, mas terão nuances devastadoras e sombrias.

E há indícios que o atentado tenha cunho político-partidário-criminal, com toque de ação de desestabilização de origem externa.

Esta ação de desetabilização é voltada contra todos os candidatos. O Brasil é hoje o campo de uma Guerra Híbrida sem escala.


O jornal Estado de Minas foi o único no Brasil a questionar este importante ponto.

 Matéria Relevante

Acrescentamos esta matéria que traz uma análise fundamental do atual momento brasileiro e os possíveis cenários em um ambiente pós-eleitoral com vitória de qualquer dos candidatos.



Notícias relacionadas



* * *

REFERÊNCIAS DA VIDA... João de Paula



Sempre vai ter uma vida que sirva de bom exemplo, ou mais. Assim caminha a humanidade.

Vivamos com as referências boas da vida, as virtudes, os gestos e ações dos homens e das mulheres de honra e gloria.

Existe VIDA onde estamos;  cantos e encantos, clamores e agradecimentos, acertos e erros, alegrias e tristezas, amor e ódio, porque tudo isso faz parte do mundo dos vivos.

Gente boa! Amável, Sincera, Atenciosa!
Gente carinhosa! Participativa, do Bem!
Gente especial! Grata, cortês, Feliz!
Gente sincera!
Gente que vale a pena a gente ter 
do lado da gente, ou mais.

Existem pessoas que vivem na doença, na pobreza e no conflito; criaturas sem amigos, sem família, sem posses do que é bom; e vivendo na desigualdade social. Tudo isso faz parte da vida dos humanos. Não devemos é ficar feliz com a miséria alheia. Nem ostentar, mas termos misericórdia e generosidade para compartilhar a vida feliz e duradora.

Nosso papel é o de irradiar paz e a arte do bem viver; e não se corromper pelo egoísmo e nem pela ganancia, nem pelo ódio e vingança, para que possamos ser boas referências da vida, vida a dois, vida abundante, vida com o amor de Deus.

Há sempre um sol para cada pessoa.
Há sempre um sonho, uma meta, um exemplo, uma verdade para ser seguida e o amor para ser erguido, com a bandeira rósea da paz e do bem. Uma estrela brilhando e um sol nascendo...
Há sempre uma vida desabrochando e outra morrendo...
Há sempre um novo amanhecer... Sempre a esperança e o otimismo em dias melhores...
Há sempre um bom amigo na estrada da vida... Sempre flores e espinhos em nossos jardins e nos jardins dos nossos vizinhos.
Há sempre um coração generoso para nos servir e ser útil nas horas em que precisarmos.
Sempre alguém com os pés no chão e o olhar voltado para o futuro.

A bondade, o sabor, o prazer, a decisão, o progredir, a evolução, o nascer e o morrer fazem parte de nós viventes, que devemos fazer do hoje o melhor dia para saltarmos de felicidade com quem amamos, com quem admiramos, com quem devemos fazer juras de amor ou mais. Juntos seremos fortes.

Sempre haverá um coração de fé e otimismo acreditando no maior bem, na prosperidade, no bem estar, na espiritualidade e em Deus.

Sempre haverá um coração amando, outro odiando, outro invejando, outro com toda maldade e impurezas, porque faz parte da vida dos humanos. Nosso papel de ser razão superior é o de manter o equilíbrio, a tolerância, a humildade, o perdão.
Nosso papel é procurar a luz, a luz que não se apaga, é buscar Deus enquanto podemos achar e vivencias as boas novas, as boas notícias, as boas mensagens, as boas verdades.

Há sempre um novo dia para todos que vivem nesse planeta terra, com sorte, com graça, com o progredir infinito, com as mãos que trabalhão e servem de bons exemplos. As mãos da gloria. As mãos da Vitória. As mãos do êxito e do sucesso.

Há sempre uma nova opção de vida, entre o bem e o mal. Uma nova chance, um novo momento, um novo acolher, um novo casamento, uma nova união, uma nova amizade, um novo encontro, uma nova carta, um novo documento, um coração novo, porque tudo isso são referências da vida.

Vamos ao trabalho, ao lazer, ao estudo!
Vamos ao caminho da verdade e da vida.
Vamos todos gerar felicidade 
e não querer entrar a pulso pelo buraco da agulha.
Vamos à oração e á ação.
Vamos nos aproximar cada vez mais de Deus 
com as referências boas da vida.
Viva.
"Assim caminha a humanidade..."


João Batista de Paula 
Escritor e Jornalista

* * *

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

ITABUNA CENTENÁRIA FRASES – “Entre Aspas”



“Entre Aspas”


Antes de poder vencer, tem de crer que é digno disso.
-Mike Ditka em Sports Illustrated.

----
Sua conduta é apenas uma expressão formal de como você trata as pessoas.
- Molly Ivins, comentarista política.

----
O hoje está sempre aqui. O amanhã, nunca.
- Toni Morrison, Beloved (Knopf).

----
A civilização é a arte de viver em cidades de tal tamanho que todos não conhecem todos os outros.
- Julian Jaynes, The origin of consciousness (Houghton Mifflin).

----
Integridade é dizer a verdade a mim mesmo. E honestidade é dizer a verdade aos outros.
- Spencer Johnson, “Yes” or “No” (HarperCollins).

----
Fala-se muito a favor dos debates e pouco a favor da harmonia.
- Cullen Hightower em Quote.
----
Você tem de ser o primeiro, o melhor ou diferente.
- Loretta Lynn, cantora.

----
Todos nós vivemos em ambientes virtuais, definidos por nossas ideias.
- Michael Crichton, Disclosure (Knopf).

----
A imaginação nos permite escapar do previsível. Permite-nos responder ao fato patente de não podermos voar dizendo: “Preste atenção!”
- Bill Bradley, Volues of the game (Artisan)

----
As pessoas que importam não são as que têm as credenciais, mas as que têm o interesse.
- Max Lucado, And the angels were silente (Multnomah).

----


Uma “boa ideia” de verdade é aquela que deu certo. Portando, jamais poderemos saber se algo é bom ou ruim sem que experimentemos.
- Nelson Sampaio, em O profissional do futuro (Nobel).

----
Um inimigo comum não faz uma amizade verdadeira.
- Richard Stengel em Time.


FONTE:  Rader’s Digest Seleções, Fevereiro 2000

* * *

A POÉTICA TRAJETÓRIA DE DIEGO MENDES SOUSA - Entrevista



É com muita honra e alegria que trazemos um pouco da vida, especialmente da carreira literária (que já conta com 15 anos de labuta), deste jovem e inspirado parnaibano, autor de inúmeras obras, importantes títulos e elogiado por gigantes da Literatura como O.G. Rego de Carvalho e Lêdo Ivo. Estamos evidenciando o poeta Diego Mendes Sousa, que concedeu entrevista a Claucio Ciarlini e Carvalho Filho.



CLAUCIO CIARLINI - Relate-me um pouco sobre a sua origem. Quando e onde nasceu, cresceu, suas principais referências familiares, etc.

DIEGO MENDES SOUSA -  Agora que sou galho, uma tremenda raiz puxa-me os pés.  Nasci na Parnaíba - costa solar, fluvial e marítima do Piauí - na Santa Casa de Misericórdia, ali no bairro São José, às 22h do dia 15 de julho de 1989, sob as peritas mãos da Dra. Gildete. Minha mãe Silvana Pereira Mendes, decerto, não imaginara que - naquela noite de Boi de São João - semeava o seu gemido eterno. Antes do meu batismo católico apostólico romano, chamava-me Igor, nome de príncipe, mas que, por um impasse paterno, me tornei Diego, ou seja, e ainda, um duplo ego em exaltação e em vozes. Um perfeito Narciso! Vim com as dores profundas e com o desejo de santidade. Cheguei da Criação pronto. A poesia fizera-se carne e ressuscitei nesta infância atávica de ler o mundo.

 Meu dom de curandeiro da palavra manifestou-se cedo. Não fui uma criança normal. O tempo foi abrindo clarões em minha mente. O mínimo olhar era motivo de reflexão e de incisão lírica.Hoje, tenho a convicção de que o meu interior era uma multidão de sonhos clamando por liberdade. Também fiquei a saber que era poeta. Que Poeta vem acabado. Cresci em cidades iguais, que possuem os mesmos horizontes oceânicos. Vivi no tríptico Parnaíba - Tutoia - São Luís do Maranhão, nessa ilha de José Sarney, fiz-me autodidata em estudos literários e históricos avançados.

 Muito moço, por volta dos 10 anos de idade, convivi com Josué Montello, José Chagas e Nauro Machado, que me selaram de cultura. Descobri, na casa dos meus avós, que eu era sobrinho-neto do Ferreira Gullar, que a poesia me impregnara desde a linhagem sanguínea. Nunca mais fui o mesmo. Minha avó, Maria José Ferreira Sousa (1925-), foi-me referência absoluta. Mulher de caráter ilibado e de pulso profissional competente e de vanguarda, ela me deu a oportunidade de conhecer todas as artes: pintura, cinema, música, teatro, óperas... Sua biblioteca particular era humanista. Li Rainer Maria Rilke e Marcel Proust nas prateleiras da nossa casa!

Fiz amizade com Benjamim Santos, Tarciso Prado, Alcenor Candeira Filho, Rubem Freitas e Assis Brasil (nomes literários da Parnaíba) através dela. Minha avó foi a minha primeira salvação! Tomei gosto pela cultura popular e memorialística por intermédio das orientações do meu avô, Aldi do Espírito Santo Anunciação Sousa (1933-2014), carnavalesco e pintor, mestre em serigrafia. Deixou a sua marca na história da Parnaíba com o Bloco Bafo da Onça. Meu avô foi a minha primeira intensidade humana! De marchinha em marchinha, fui cantando os tormentos de uma alma extremamente triste e sombria, sob passos de caranguejos e siris.


CLAUCIO CIARLINI - Em que momento e em quais condições nasce o Poeta Diego Mendes Sousa? Quais são suas referências?

DIEGO MENDES SOUSA - Sempre quis ser escritor.
Pensava em ser Romancista, ter estatura intelectual de um Victor Hugo ou de um Thomas Mann, que li em tenra idade. Em 1997, ganhei um livro intitulado "Bíblia Ilustrada Para Crianças", presente amoroso da minha avó Maria José. Aquilo foi o fascínio inicial! Veio a se integrar com "A Casa da Paixão" de Nélida Piñon, que recolhi (pela capa de uma fêmea desnuda e coberta de sol) no ano seguinte, em 1998, em um sebo do centro histórico de São Luís. Bebi o sagrado e o profano ao mesmo instante. Fui um menino maduro que entrou na idade da razão antes do tempo. A narrativa poética e erótica de Nélida causou-me um choque raro, de tanta beleza! Aí, disse para mim mesmo: quero ser um poeta-romancista! Só depois descobri que isso se chamava prosa poética. Na verdade, o desejo de ser escritor precedeu o poeta. Este poeta convicto, nasceu em 2003, quando viu, em uma ladeira da Rua do Sol, na Ilha do Amor, uma mulata subindo. Revi o texto de Nélida Piñon em uma atmosfera concreta: uma mulher, a metáfora do sol, os contornos do canônico, a poesia explodiu em mim! De repente, a imagem transformou-se em verso e escrevi o primeiro poema: "Os momentos possuem as ladeiras obscenas."

Deixei o romance que havia rascunhado nos meses anteriores a julho de 2003, intitulado O Filho de Athenas (que ainda hoje dorme na gaveta, porque sou da caneta e do papel) e ingressei no mistério sem volta e obscuro da grande Poesia. Daí até a publicação da primeira obra literária, levei três anos, trazendo a lume o livro Divagações, em 2006, já enevoado da magia de Rimbaud e de Lêdo Ivo, para além da alquimia de Lorca e de Gerardo Mello Mourão.


CLAUCIO CIARLINI - Comente sobre as suas obras, quando e por quais contextos elas foram lançadas?

DIEGO MENDES SOUSA - A preparação para a publicação do meu primeiro livro de poemas foi uma epopeia, uma costura entre o segredo e a vontade de revelação. De forma independente e sem comunicar a ninguém, fui a uma pequena gráfica na Avenida Álvaro Mendes, no bairro Nova Parnaíba, onde morava e pedi um orçamento. Tratava-se da GuidoArt, de propriedade do Guido, que era leitor assíduo e poeta, além de ser detentor de uma excelente biblioteca, onde identifiquei a obra completa do simbolista piauiense Da Costa e Silva, pai do Alberto da Costa e Silva, africanista e membro da Academia Brasileira de Letras. No meu silêncio habitual, juntei as mesadas que ganhara da minha avó. Passei quase um ano para conseguir levantar o montante necessário. "Divagações" foi escrito entre os anos de 2003 e de 2005, nas cidades de São Luís e Parnaíba. Somente no fim de 2006, consegui lançá-lo, em noite festiva, com o patrocínio familiar. Antes, em março de 2006, levei "Divagações", em manuscrito, para a leitura acurada do Dramaturgo Benjamim Santos.
Envergonhado, por acreditar que meus versos eram feios e desregrados, tive Benjamim Santos como primeiro leitor e único amigo. Qual espanto! Pois Benjamim bradou que eu era o maior bardo da Parnaíba, no momento em que cheguei em sua residência, para saber notícias da sua leitura. Não acreditei, é claro, mas ali a semente germinou.

Vi que era possível enfrentar o vasto mundo literário, bem como pensar em uma próspera trajetória na Literatura. Na minha estreia, não existiam as redes sociais nem as festas literárias que hoje estão espalhadas por todo o Brasil. Fiz tudo no corpo a corpo, via Correios, sem sair da Parnaíba, e projetei-me nacionalmente com "Divagações". O passo seguinte pretendia maturidade conquistada e comecei a esboçar a cosmogonia de "Metafísica do Encanto", também produção independente, publicado em 2008 e que conquistou o Prêmio Olegário Mariano da União Brasileira de Escritores do Rio de Janeiro, por melhor livro de poemas do ano. Em 2009, recebi o convite de Waldir Ribeiro do Val, editor das Edições Galo Branco do Rio de Janeiro, para integrar a importante Coleção 50 Poemas Escolhidos Pelo Autor, que abraçava nomes fortes como Carlos Nejar, Astrid Cabral, Antonio Olinto, Antonio Carlos Secchin, Ives Gandra da Silva Martins, Anderson Braga Horta, Gabriel Nascente, Aricy Curvello, Lourdes Sarmento, Darcy França Denófrio, dentre outros de reputação poética inconteste. Conheci o amor da minha da vida, a minha alma gêmea, a minha Musa Altair e escrevi para ela "Fogo de Alabastro" (2011), um livro lírico, muito rico em imagens sonoras e sutilezas universais. Elaborei "Candelabro de Álamo" (2012), que foi distinguido com o Prêmio Castro Alves da União Brasileira de Escritores do Rio de Janeiro, em 2013. Sucederam-se "O Viajor de Altaíba" (2013); "Alma Litorânea" (2014); "Tinteiros da Casa e do Coração Desertos" (2015); "Gravidade das Xananas" (2015); "Coração Costeiro" (2016); "Fanais dos Verdes Luzeiros" (2017); e o que sairá em breve, "Rosa Numinosa" (2018).


CLAUCIO CIARLINI -  Como você enxerga o Diego Mendes Sousa do primeiro livro e o poeta de agora, depois de passada mais de uma década e tantos eventos?

DIEGO MENDES SOUSA - A poesia é um misterioso passar pela plenitude das vivências humanas e das planificações sobrenaturais. Vejo-me caminhando no escuro, porque a criação poética é inesperada. Ora dar-se generosa, ora teima em ser ingrata. A epifania da poesia instiga a espera.
 Noto que mudei deveras, na forma de sublinhar as imagens que me assaltam de repente... uma espécie insight. Todo poeta se abisma em um círculo. Seus temas escapam. Sua visão de mundo cresce. Suas experiências se contradizem ou se desdizem. No entanto, a essência mantém-se ali, no centro dos seus motivos e dos seus sentimentos. A poesia é um ato de coragem e de justiça consigo mesmo. É a porta de saída para as misérias e as tristezas do ser. Ela também festeja as alegrias, mas essas, vêm disfarçadas de amplidão no tempo. É a abertura da claridade, quando afastada a pertinência da solidão. Escrever é estar no vazio dos pensamentos. É uma alquimia de sonhos transmutada em palavras. Fiz o meu percurso isolado. Não tive grupo ou movimento de diálogo com outros poetas. Não participei do barulho das ruas, tudo isso por escolha mesmo, de forma pensada. Como sou tímido, reservei a introspecção do meu canto e fui andarilho dos meus próprios versos.


CLAUCIO CIARLINI -  O que podemos esperar do próximo livro de Diego Mendes Sousa?

DIEGO MENDES SOUSA - Estou trabalhando a publicação de "Rosa Numinosa". Uma obra diferenciada por seu teor místico, que escala cenas bíblicas, com profecias que carrego ínsitas dentro de mim. Tenho o dote da vidência. Consigo ler a palma da minha mão! Minha miragem é de um cigano que calha almas ou de um xamã que prepara o espírito no além tempo. Como poesia é mistério, a dose amarga do meu jardim é uma rosa que se despetala imaginariamente ou desabrocha para o destino.

A rosa é o símbolo da delicadeza. Por ser a demonstração do que é refinado e valorativo, a rosa serve ao amor e à beleza. Numinoso é o estranhamento sagrado. Desvendar a poesia é um gesto divino, que merece metafísica e ambição ritualística. Nessa liturgia de virtude, o poeta guarda a luz e a fortuna do que há de vir e salta para o futuro dos enigmas que harmonizam a grandeza dos seus gestos sobrenaturais.

Nesse livro, reafirmo ser a poesia um dom que escolhe o rosto necessário.


CLAUCIO CIARLINI - Como você analisa a literatura parnaibana, a de outrora e a de hoje?

DIEGO MENDES SOUSA- Sim, temos uma Literatura proeminentemente parnaibana, seja através de autores nascidos na terra, seja de escritores que na Parnaíba aportaram. O risco da Literatura deve ser universal. Parto do princípio de que ao pintar a própria aldeia, o ser humano intensifica a matiz identitária e ultrapassa o entendimento de si mesmo, pois expõe os seus reais liames culturais, ao revelar usos e costumes que abrem perspectivas a outrem. Até aqui, Parnaíba não teve o seu grande poeta, mas tem o seu grande romancista que atende por Assis Brasil. Parnaíba preservou ou preserva exímios beletristas natos, que ouso nomeá-los: Ovídio Saraiva, Jonas da Silva, Berilo Neves, Renato Castelo Branco, Jeanete de Moraes Souza, Joana Guimarães Neves, Doralice Craveiro de Carvalho, Lena Castelo Branco, Everaldo Moreira Véras, Benjamim Santos,  Alcenor Candeira Filho, José Galas, Manoel Ricardo de Lima, Daniel Ciarlini e Ithalo Furtado, que  esboçaram ou esboçam um projeto nítido e permanente do fazer Literatura. Parnaíba abraçou Luíza Amélia de Queiroz Brandão, Humberto de Campos (de quem sou fã), Benedito dos Santos Lima, R. Peti, Fontes Ibiapina, Lozinha Bezerra e tantos outros.

Quando declaro que Parnaíba não teve o seu Grande Poeta, faço atendendo o chamado autêntico  de que grande poeta é aquele que funda a sua cidade interior, ultrapassa um estado geográfico, ganha um país inteiro e ecoa mundos como Miguel de Cervantes, William Shakespeare, Camões, Fernando Pessoa, Erza Pound, Pablo Neruda, Ariano Suassuna... Gênios raros e graves. De 2015 para cá, com a implantação do Sesc Caixeiral, observo que Parnaíba vive um boom cultural em todas as artes.

 Em especial, na Literatura, com o sopro jovial do livro "Versania", que fincou - de fato - novos e interessantes nomes na cena literária da cidade e que prometem dicções e linguagens. E quem sabe, não estará nascendo aí, os rumos inventivos de um poder extraordinário de dizer as mesmas coisas, de uma maneira mais revolucionária e bela?


CARVALHO FILHO -  O que você prospecta acerca do pensamento segundo o qual o poeta deve ser porta-voz do seu tempo? 

DIEGO MENDES SOUSA- Não somente porta-voz, mas também testemunha do seu tempo. O Poeta anuncia o presente e alarda o futuro, ao mesmo tempo em que preserva o passado. E nessa imersão de tempos, acaba por ser a memória sentimental da sua gente sanguínea, dos seus conterrâneos e dos seus contemporâneos. A poesia é sempre a boa nova. Ela é a ressurreição da beleza em último estágio.
Primeira dentre todas as artes, mergulha essencialmente em cada peça artística, seja na música, na pintura, no cinema... Bach é perfeição! Van Gogh, enigma! Pasolini, alucinação! A poesia medeia a criatividade. É porta-estandarte da loucura e do onírico, precedendo o abismo das visões. Sinto-me predestinado a escrever o testemunho vertical e horizontal das misérias e das glórias humanas, como porta-voz de um grande crime interior, repleto de tormentos e dores ainda maiores.


CARVALHO FILHO - Por que a poesia? Gostaria que você explicasse um pouco da sua escolha pela poesia.

DIEGO MENDES SOUSA - Fui escolhido. Estou indo de encontro a uma tendência em vigor de que o poeta deve trabalhar a linguagem, como se a poesia fosse apenas carpintaria. Antes de tudo, acredito no sobrenatural. O escritor carioca Marcus Vinicius Quiroga intitula-se poeta-operário. E de fato, a sua poesia é trabalhada, pensada e tematizada. A gaúcha Maria Carpi é magnífica em sua literatura filosófica e plástica, fruto de um aprofundamento conceitual sobre as coisas do mundo.Sou da linhagem do absoluto. Não trabalho. Recebo o jorro de luz de mãos beijadas. Sou do outro mundo, o das constelações e o do sublime. Sou um vate iluminado. Nasci, cresci e morrerei sendo o que sou: um legítimo poeta, inaugural e instantâneo.Pedra bruta, parte de um raio eternizável. Um demônio da beleza, um anjo do introspecto.


CARVALHO FILHO - Rubem Alves dizia que “A poesia é uma perturbação do olhar. O poeta vê o que não está lá. Para ele, as coisas são transparentes, abrem-se para outros mundos”. Estaria Rubem Alves correto? E se estiver, por quais meios um poeta, você, por exemplo, pode manter o olhar perturbado para a vida?

DIEGO MENDES SOUSA - Rubem Alves definiu a mosca-azul. O olhar do poeta perturbado, a transparência no ver. O Poeta é isso e algo mais longe! Vejo a vida pela ótica profunda de um lobo anterior à noite. Toda caçada promete alimento. Ser poeta é comer cru, ao sangue de uma procura pelo sem fim. A poesia é uma carne viva que dói - antes, durante e depois de uma fé inabalável pelo ritmo dos clarões anímicos. Em um poema escrito na mocidade e registrado em "Divagações"(2006), eu disse: "Perturbado é o que não escrevo."


CARVALHO FILHO -  Por fim, há algo que você gostaria de dizer aos leitores?

DIEGO MENDES SOUSA - Peço, humildemente, que me leiam. Atravessar esta vida de dissabores e de crueldade, merece recompensa! O escritor também escreve para ser amado por um público leitor, não apenas para expressar as suas quedas noturnas e as suas ascensões linguísticas. Escrevo por acreditar que o mundo é mutável, que os pássaros voam e o destino é incerto. Até porque, mais tarde, a noite será metálica, na compleição poderosa do deserto firmamento. Na grande inspiração da existência, com a musa da crença viva, espero que os meus poemas invadam o vazio irreparável e nostálgico do meu leitor. Este pedido partirá sozinho às lágrimas de sangue. Canto. Evoé!
..............

Entrevista com Diego Mendes Sousa publicada originalmente no jornal O Piagüí (Parnaíba-Piauí).


* * *

MOURÃO TEM O DIREITO DE PARTICIPAR DOS DEBATES, EM SUBSTITUIÇÃO A BOLSONARO


12/09/2018

Nada impede - e tudo recomenda - que o vice na chapa do candidato Bolsonaro, general Hamilton Mourão, participe dos debates dos candidatos à presidência da República no lugar do titular da chapa, Jair Bolsonaro.

E duas são as razões: uma, por questão de civilidade, de igualdade, de educação e fidalguia, que se exige de todos os candidatos. Estes, independente da consulta que o vice Mourão está fazendo ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), para saber se pode comparecer na ausência do titular Bolsonaro, deveriam - todos - emitir nota oficial concordando e até mesmo convidando Mourão para os debates. Seria um gesto nobre, de grandeza, de sublimação política e de reverência aos donos da festa, que são os eleitores brasileiros.

A segunda razão é de razoável analogia jurídica. Explica-se: se eleito e não puder comparecer à diplomação, Bolsonaro poderá ser representado por procurador, com poderes específicos para tal fim, conforme autoriza a Resolução nº 19766/96 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

E quanto à posse perante o Congresso Nacional?

Diz a Constituição Federal que a posse do presidente e do vice-presidente eleitos será em sessão no Congresso Nacional, onde o compromisso será solene e publicamente prestado. A presença de ambos, portanto, é indispensável, por se tratar de ato personalíssimo (artigo 78).

Mas se Bolsonaro - se eleito - ainda não puder comparecer à posse? Neste caso, a Constituição Federal manda aguardar dez dias. E se a posse não ocorrer o cargo será declarado vago. Mas existe uma condição suspensiva na própria Constituição. Se o não comparecimento é por motivo de saúde, tanto é motivo de "força maior" e aí o tratamento constitucional é outro. Dispõe o parágrafo único do artigo 78:

"Se, decorridos dez dias da data fixada para a posse, o Presidente ou o Vice-Presidente, salvo motivo de força maior, não tiver assumido o cargo, este será declarado vago".

Dissecando o que diz a CF: se apenas o vice-presidente comparecer à posse e o presidente não - e a ausência precisa ser por motivo de força maior -, o vice toma posse, assume o cargo até que o presidente tenha condições de assumir.

Ora, se eleito e não comparecendo à posse por motivo de força maior, Bolsonaro é o presidente da República. Ainda não empossado, mas é o presidente. E quem se senta na cadeira presidencial, provisoriamente, é o vice. Mas o presidente está presente. Apenas ainda não tomou posse por motivo mais do que justo, que é o seu tratamento de saúde.

Ora, se o vice da chapa, se eleito o titular, está habilitado a tomar posse e governar o país enquanto durar a impossibilidade do titular, por que não poderá, este mesmo vice, participar dos debates anteriores ao pleito, no lugar do candidato à presidência, substituindo-o, no caso de motivo de força maior que impeça o comparecimento aos debates do titular?

Vamos aguardar a decisão do TSE, que certamente vai autorizar.


Advogado no Rio de Janeiro e especialista em Responsabilidade Civil, Pública e Privada (UFRJ e Universidade de Paris, Sorbonne). Membro Efetivo do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB)

* * *

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

MARIA DO CARMO D’OLIVEIRA


Clique sobre a foto, para vê-la no tamanho original

Lá se foi uma semana, muita coisa aconteceu na minha vida,
na sua, umas boas, outras nem tanto, e muita gente morreu.

É, isto é inexorável, faz parte , sim, desta vida,
ainda que muitos pensem que tem pé grudado aqui.
 Ledo engano! aqui somos peregrinos, viajantes por um tempo
e nosso porto seguro, permanente e eterno está mui longe daqui.

Mas a viagem é certeira, ninguém vai poder fugir.
A boa nova, entretanto,  é que a morada segura, eterna, nos aguarda no porvir e fica pertinho de Deus livre do mal e da dor.
Lá, meu amigo, ou amiga, só viveremos o amor.. .

- Com Jesus estamos preparados para esta viagem linda!
Ele já pagou a nossa passagem. Louvado seja Deus!


Maria do Carmo Machado d'Oliveira 
Professora e poetisa Itabunense,
residente em São Gonçalo dos Campos – BA.

* * *