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domingo, 11 de março de 2018

ITABUNA CENTENÁRIA REFLETINDO - Somos sons e as palavras são sementes


Pronunciar “Sinto muito” devolve a unidade perdida ao viajar pela tua pele, que é o órgão mais extenso, que te conecta e te faz sensível frente às vivências dos demais, te desapega dos resultados e te converte em unidade. 

O som “Perdão”, perdoa-me, faz eco em teu pâncreas e em teu cólon desatando laços, liberando histórias.

E se pudesses ver o que mobiliza um “Agradeço”, Sou Grata , sorririas junto a todas as células do teu corpo sacudindo suas veias, convertendo teu sangue em luz nesse ato desprendido.

“TE AMO” é o som mais curador do Universo…
Esta frase cobre teu corpo e viaja através de teus pulmões desobstruindo tua respiração…
Percorre teus rins transmutando os medos e faz com que milhões de células sorridentes deem energia às células tristes de teu sistema imunológico, ou com que algumas outras que nasceram com a arte da jardinagem, semeiem relva suave, fresca e verde ao redor das zonas mais áridas do teu corpo.

Se pudesses ver o que provocam as palavras em ti e nos demais, começarias a observar teus pensamentos, teus silêncios, teus sons e teus ruídos porque neste oceano de energia que somos, cada onda que emites cria ondas de diversas cores influenciando aos demais… 

Sinto muito,  Perdoa-me,  Agradeço,  Te Amo devem ser palavras cotidianas em nosso vocabulário.

 Texto da Hopono Hopono

"Retirado de www.consciencial.org - Dalton Campos Roque".

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(Recebi via WhatsApp)

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A DITADURA DA IDEOLOGIA DE GÊNERO - Jurandir Dias


11 de Março de 2018

Jurandir Dias

A Ideologia de Gênero quer impor-se “na lei ou na marra”, do mesmo modo como os movimentos sociais revolucionários querem a Reforma Agrária a todo o custo, legal ou ilegalmente. Como ela não o consegue pela lei, está sendo implantada “na marra”, ou seja, através de decisões dos poderes judiciais em diversos países. Isto acontece porque os juízes não devem satisfação à opinião pública, conforme declarou cinicamente certa vez um magistrado brasileiro. Pela lei é mais difícil, porque os legisladores são escolhidos por eleitores, cuja esmagadora maioria é contrária a essa absurda ideologia.

Apesar de não haver legislação específica, juízes de vários países ditos desenvolvidos como a Noruega, a Alemanha, os Estados Unidos etc. já condenaram pessoas por discordarem da Ideologia de Gênero. O judiciário brasileiro está a seguir esta mesma conduta.1

Recentemente, a psicóloga Marisa Lobo2 [foto acima] foi condenada a pagar a exorbitante multa de 30 mil reais. Eis a notícia no site “Conexão Política”: “Devido à postagem de um vídeo no Facebook, onde denunciou discursos que, em sua opinião, favorecem a aceitação social da pedofilia, ela foi processada. Perdeu e foi condenada a pagar R$30.000,00 por ‘dano moral’. O juiz do caso entendeu que a postagem de Marisa gerou ‘violência’ contra a pessoa que ela denunciava, pois os cerca de 5 mil comentários na página da psicóloga mostravam sua indignação contra esse discurso de que um pedófilo é ‘vítima de seus desejos’.”

“No momento, ela enfrenta três outros processos na justiça. Dois deles por suas opiniões públicas contra a ideologia de gênero. Um deles é de um professor da Universidade Federal da Bahia, defensor da ‘teoria queer’, que acusa a psicóloga de ofender sua honra por ela ter se posicionado contra o que ele defende.”3

Certa vez, o Ministro Gilmar Mendes declarou: “De vez em quando nós somos esse tipo de Corte que proíbe a vaquejada e permite o aborto”. Agora, tal Corte parece querer proibir qualquer pessoa afirmar que menino nasce menino e menina nasce menina.4

As Supremas Cortes às vezes cometem supremos absurdos.
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PALAVRA DA SALVAÇÃO (69)


4º Domingo da Quaresma – 11/03/2018

Anúncio do Evangelho (Jo 3,14-21)
— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós!
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João.
— Glória a vós, Senhor!

Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: “Do mesmo modo como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é necessário que o Filho do Homem seja levantado, para que todos os que nele crerem tenham a vida eterna. Pois Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna.
De fato, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele.
Quem nele crê, não é condenado, mas, quem não crê, já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho unigênito.
Ora, o julgamento é este: a luz veio ao mundo, mas os homens preferiram as trevas à luz, porque suas ações eram más.
Quem pratica o mal odeia a luz e não se aproxima da luz, para que suas ações não sejam denunciadas. Mas, quem age conforme a verdade, aproxima-se da luz, para que se manifeste que suas ações são realizadas em Deus.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

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Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Frei Alvaci Mendes da Luz, OFM:

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Deus marca encontro com a humanidade


“Pois Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito...” (Jo 3,16) 

O evangelho indicado para este 4º. dom. da Quaresma nos faz retomar o verdadeiro sentido do Mistério da Encarnação. Pode parecer estranho, uma vez que a liturgia quaresmal nos motiva e nos prepara para viver os mistérios da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo. Mas os “mistérios” da vida de Jesus não estão separados: trata-se de um só e único “Mistério”, qual seja, do “Deus que se humaniza” para redimir a humanidade perdida.

O que aconteceu no mistério da Encarnação é algo surpreendente e cheio de novidade. Não só Deus ama radicalmente a sua criatura, senão que se “abaixou” e se fez um de nós em Jesus: a carne é digna de Deus, o mundo é digno de Deus, a Encarnação é a expressão mais profunda de que somos de Deus. Com isso, rompe-se o medo do corpo, o medo do humano, o medo do diferente, o medo do mundo, o medo de sentir e experimentar a condição humana, com sua grandeza e fragilidade. 
Ao se revelar Manancial e Fonte de nossa humanidade, não é mais possível crer que o Criador seja nosso rival, mas amigo; não é possível mais aceitar que Ele seja insensível, mas providente; que seja nossa ameaça, mas alívio; que seja nossa diminuição, mas plenitude; Ele não é o “juiz distante” mas o “Deus encontro”, fonte de nossa liberdade...

O relato do Evangelho de hoje nos revela a atitude de Deus no seu encontro com o mundo, marcado por uma atitude amorosa. Em Jesus Cristo, nos fazemos conscientes da relação que há entre todos os seres humanos e destes com todas as demais criaturas e com o Criador. Ele não só tornou próximo um Deus cuja essência é encontro (cerne da doutrina cristã da Trindade), mas revelou que o caminho para a plenitude e a transformação humana consiste “entrar no fluxo do encontro intra-trinitário”, fazendo-nos encontro e reconstruindo as relações rompidas. Na verdade, Ele chamou o ser humano a sair de seu mundo fechado, de seu isolamento e padrões alienados de relacionamento para expandir-se em direção a um novo encontro com tudo o que existe; tal encontro é o prolongamento do encontro trinitário e concretização do sonho do Reino de Deus.

Inspirados no evangelho deste domingo, contemplemos, com o olhar do Deus Amor, nosso mundo fragmentado, vendo as diversidades em conflito que geram o sofrimento, a exclusão, a morte... Entrar no fluxo do “amor compassivo e descendente de Deus” ativa também em nós uma maneira cristificada de ser e de estar no mundo; nossa presença e nossa missão fazem do mundo em que vivemos um lugar transparente, santo e luminoso em Deus. O “amor descendente” nos expande e nos lança em direção ao mundo, à humanidade, nos faz mais universais e nos capacita para sermos “contemplativos nos encontros”. 

Na espiritualidade cristã, quem experimenta o encontro com o Deus vivo e amoroso, começa a “ver” os homens e as mulheres no mundo como Deus mesmo os vê. Precisamente por ter-se encontrado com o Deus-Amor, a pessoa torna-se mais “encarnada” na realidade e mais comprometida com os irmãos e irmãs no mundo, sobretudo com os mais pobres, os mais sofridos e excluídos; é aquela que mais se compromete com a justiça e é a que mais desenvolve uma criatividade eficaz na história, com obras que nos surpreendem.

O Tempo Quaresmal nos sensibiliza e nos capacita para nos aproximar do nosso mundo com uma visão mais contemplativa.  Como “contemplativos nos encontros”, movidos por um olhar novo, entramos em comunhão com a realidade tal como ela é.  É olhar o mundo como “sacramento de Deus”; um olhar gratuito e desinteressado, que nos abre a uma atitude acolhedora de tudo que nos rodeia; um olhar que rompe distancias e alimenta encontros instigantes.

O(a) seguidor(a) de Jesus não é aquele(a) que, por medo, se distancia do mundo, mas é aquele(a) que, movido(a) por uma radical paixão, desce ao coração da realidade em que se encontra, aí se encarna e aí revela os traços da velada presença do Inefável; o mundo já não é percebido como ameaça ou como objeto de conquista, mas como dom pelo qual Deus mesmo se faz encontrar. O mundo não é lugar da exploração e da depredação, mas é o lugar da receptividade, da oferenda e do encontro inspirador.

Para realizar esta nobre missão, não podemos permanecer sentados. Seguir Jesus exige de nós uma dinâmica continuada, um colocar-nos a caminho em direção às margens. A disponibilidade, o despojamento e a mobilidade são exigências básicas.

Corremos o risco de viver em mundos-bolha; podemos construir nossa vida encapsulada em espaços feitos de hábito e segurança, convivendo com pessoas semelhantes a nós e dentro de situações estáveis. É difícil romper e sair do terreno conhecido, deixar o convencional. Tudo parece conspirar para que nos mantenhamos dentro dos limites politicamente corretos. Todos podemos terminar estabelecendo fronteiras vitais e sociais impermeáveis ao diferente. Se isso acontece, acabamos tendo perspectivas pequenas, visões atrofiadas e horizontes limitados, ignorando um mundo amplo, complexo e cheio de surpresas. Muitas vezes “vemos” o diferente, mas só como notícia, como o olhar do espectador que sabe das “coisas que acontecem”, mas não sente e nem se compadece por elas. 
Encontrar outras vidas, outras histórias, outras situações…; escutar outros relatos que trazem muita luz para a nossa própria vida. Olhar a partir de um horizonte mais amplo, ajuda a relativizar nossos próprios absolutos e deixar-nos impactar pelos valores presentes no outro. Escutar de tal maneira que o que ouvimos penetra na nossa própria vida; isso significa implicar-nos afetivamente, relacionar-nos com pessoas, não com etiquetas. Acolher na nossa própria vida outras vidas; abrir espaços para que as histórias dos excluídos e diferentes encontrem morada nas nossas entranhas, na nossa memória e no nosso coração.

O encontro com o diferente possibilita também o encontro consigo mesmo, ou seja, encontrar a própria verdade. Isso implica em se perguntar pela própria identidade, por aquilo que dá sentido à própria vida, o impulso por viver de uma maneira cristificada, conforme os valores do Reino.

Para que haja verdadeiro encontro com o outro, o deslocamento expõe quem se desloca, deixa-o vulnerável e “contaminado” pela realidade que encontrou. Quando alguém se desloca e se aproxima de realidades diferentes, é para encontrar, encontrar-se e encontrar Aquele que veio iluminar todo encontro.

Como seguidores(as) de Jesus, nosso desafio não é fugir da realidade, mas aproximarmos dela com todos os nossos sentidos bem abertos para olhar e contemplar, escutar e acolher, percebendo no mais profundo dela a presença ativa do Deus que nos ama com criatividade infinita, para encontrar-nos com Ele e trabalhar juntos por seu Reino. O mundo precisa de místicos(as) que descubram onde está Deus criando algo novo, para proclamar esta boa notícia.

É aqui, neste mundo, que Deus nos chama a estender o seu Reinado, trabalhando cada dia como amigos(as) de Jesus que passam, observam, curam, se compadecem, ajudam, transformam, multiplicam os esforços humanos. Apaixonados por Deus, nos apaixonamos pelo mundo que, em sua diversidade, riqueza, simplicidade, profundidade, fragilidade, sabedoria... nos fala do novo rosto do Deus que buscamos com desvelo. E amando e investigando tudo o que é do mundo, adoramos o Deus que habita em tudo.

Texto bíblico:  Jo 3,14-21     
Na oração: “Pai de bondade, para descobrir tua proposta original, ensina-nos a contemplar o mundo inteiro com o teu próprio olhar, respeitoso e fiel à nossa realidade”. (Benjamin Buelta)
- Evangelizar nossos sentidos, muitas vezes atrofiados e limitados, para que eles sejam mediação cristificada e assim viver encontros verdadeiramente humanizadores.

Pe. Adroaldo Palaoro sj

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ESCRITOR E PROFESSOR DEONÍSIO DA SILVA FAZ NA ABL A SEGUNDA PALESTRA DO CICLO ‘GUIMARÃES ROSA’, ESCRITOR E DIPLOMATA SOB COORDENAÇÃO DO ACADÊMICO CARLOS NEJAR


A Academia Brasileira de Letras dá continuidade ao seu ciclo de conferências do mês de março de 2018, intitulado Guimarães Rosa, escritor e diplomata, com palestra do escritor e professor Deonísio da Silva. O tema escolhido foi O julgamento de Zé Bebelo e a Lava Jato. O Acadêmico Carlos Nejar coordena o ciclo.  O evento está programado para terça-feira, dia 13 de março de 2018, às 17h30min, no Teatro R. Magalhães Jr., Avenida Presidente Wilson 203, Castelo, Rio de Janeiro. Entrada franca

A Acadêmica e escritora Ana Maria Machado, Primeira-Secretária da ABL, é a Coordenadora-Geral dos ciclos de conferências de 2018.

Serão fornecidos certificados de frequência.

O ciclo terá mais duas palestras, às terças-feiras, no mesmo local e horário, com os seguintes dias, conferencistas e temas, respectivamente: dia 20, Acadêmico João Almino, Guimarães Rosa, do sertão às fronteiras; e 27, Benito Ribeiro, Rios e Riobaldos.

“O propósito desta breve intervenção, adiantou Deonísio da Silva, é apontar um caminho porventura insólito para outra leitura do trecho do julgamento do personagem Bebelo, episódio marcante de Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa”.

De acordo com o conferencista, “o julgamento do personagem Zé Bebelo será lido de forma a trazer a luz diáfana da literatura para o ato de julgar. Todos os que leram a obra de Guimarães Rosa sabem o desfecho do julgamento do personagem que, derrotado, com as mãos amarradas atrás, faz a própria defesa em meio a jagunços divididos entre matar e perdoar. Mas, autorizado por Joca Ramiro, o chefe máximo dos jagunços, que preside o julgamento, solicita que, para falar, lhe sejam desatadas as mãos e que as acusações sejam feitas de outro modo: “Rompo embargos! Porque acusação tem de ser em sensatas palavras – não é com afrontas e insultos”.”

E conclui sua breve explicação: “A referência à operação designada por “Lava Jato” pela Polícia Federal pareceu oportuna pela presença de figuras referenciais de qualquer julgamento: o réu, a acusação, a defesa, o juiz – e por estar ubíqua e diuturnamente em todos os lares, por todos os meios”.

O CONFERENCISTA

Escritor e professor universitário, Deonísio da Silva é doutor em Letras pela USP, autor de nove romances, vinte livros de narrativas curtas e seis livros de ensaios.

De seus romances, Avante, soldados: para trás (publicado também em Portugal, Cuba, Itália etc.) recebeu o Prêmio Internacional Casa de las Américas, e Teresa D´Ávila foi levado ao teatro e premiado pela Biblioteca Nacional. O mais recente é Lotte & Zweig, ambientado nos anos 40, tendo como personagem solar o escritor judeu-austríaco Stefan Zweig. (Já publicado também na Itália).

Professor aposentado da UFSCar, Deonísio da Silva foi vice-reitor da Universidade Estácio de Sá, da qual continua como Professor Titular Visitante e Diretor do Instituto da Palavra, organismo que fundou ao transferir-se para o Rio, em 2003.

Vice-presidente da Academia Brasileira de Filologia, Deonísio da Silva assina colunas semanais de Língua Portuguesa na mídia impressa há mais de vinte anos, de que é exemplo a de Etimologia na revista Caras, mantendo, desde 2011, o programa “Sem Papas na Língua”, na rádio Bandnews Fluminense, na companhia do jornalista Ricardo Boechat, cujo conteúdo é baseado num de seus livros mais vendidos, intitulado De onde vêm as palavras.

07/03/2018


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sábado, 10 de março de 2018

O DEDO DE UM JOGADOR COMOVE TODA A NAÇÃO - Por Pedro Paulo Paulino



Xapuri 05.03.2018

ANOTE AÍ:
Cordel atribuído a Pedro Paulo Paulino, poeta popular e morador da Vila Campos, no interior de Canindé, no estado do Ceará.


Jornais, rádio, internet
Canais de televisão,
A imprensa brasileira
Volta completa atenção
Para um fato aterrador:
O dedo de um jogador
Comove toda a nação

Dedo mindinho do pé,
Que num momento infeliz,
Jogando bola distante
Na cidade de Paris,
Foi de repente atingido,
E o fato só tem sido
A desgraça do país.

A pátria inteira parou
Com esse acontecimento!
Um dedo do pé direito
Vem causando sofrimento
A milhões de brasileiros
Se ouve a todo momento!

A imprensa, sempre atenta,
Não guarda nenhum segredo.
Doutores de gabarito
Acordaram hoje cedo,
Para uma junta formar
E com cuidado operar
Durante o dia esse dedo

Não faltam, para esse membro,
Cuidados especiais,
Que será tratado em um
Dos melhores hospitais
Do Brasil e o mundo inteiro.
Coisa pra quem tem dinheiro
E fica em Minas Gerais

Reportagens, todo o tempo,
Estão a noticiar.
Na hora da cirurgia,
Todo o Brasil vai parar
Para ver o que acontece
E muitos vão fazer prece
Para o dedo de Neymar.

Segundo comunicou
O velho José Simão,
Vai ter cobertura ao vivo
Em toda televisão,
A Globo até vai mandar
Ao local, pra comentar,
O baba-ovo Galvão.

Porque, segundo a notícia,
Quando o fato aconteceu,
Uma equipe logo veio
E o atleta socorreu
Mas naquela ocasião
Foi o rabo do Galvão
o lugar que mais doeu!

Violência no país,
Ninguém quer mais comentar;
Eleiçoes pra presidente,
Nisto nem é bom falar;
O assunto agora é
O dedo “mindin” do pé
Do nosso craque Neymar.

Que tragédia pra nação!
Que comoção e que dor!
Toda a mídia brasileira
Dirigiu seu refletor
Entre fevereiro e março,
Para o quinto metatarso,
Do pé desse jogador!

Já pensou se esse dedo
(Deus o livre, credo em cruz!)
Tivesse que ser tratado
Pelos hospitais do SUS,
Onde só tem assistência
Da divina Providência
E os milagres de Jesus?

O dedo que foi comprado
Por quase um bi de reais
(Nem mesmo o dedo de um santo
Vale tantos cabedais!)
Não é um dedo comum
E será tratado em um
Dos melhores hospitais.

Reforma da Previdência
Mil tributos a pagar,
Inflação, custo de vida,
Só subindo sem parar,
Massacre à população,
Mas nada chama a atenção,
Como o dedo de Neymar!

Falcatruas no Congresso,
Um presidente impostor,
Metendo sem pena a faca
No povo trabalhador,
Rede Globo intolerante,
Mas nada é  mais importante
Que o dedo do jogador!

Enquanto houver gente besta,
Sabido não vai faltar.
Há milhões de brasileiros
Morrendo de trabalhar
Numa pátria corrompida,
E a mídia comprometida,
Com o dedo de Neymar!

Foto: Esportes

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OS INDIFERENTES - Marco Lucchesi


Os indiferentes 

Como chegar ao Rio de Janeiro de agora, e a uma pálida ideia de futuro, senão pelo desenho das crianças? Dão início às primeiras tentativas de traduzir o mundo interno, a espessura dos afetos, o modo pelo qual se inscrevem no corpo da mãe e da casa que coincidem. E depois o desenho do quintal e arredores, uma porta, duas janelas. No alto, à esquerda, como a proteger a casa, um sol radiante. Uma árvore, bem entendido, as primeiras imagens do rosto e da família.  A cidade e o mundo são a última fronteira da subjetividade, no tempo em que dobrar a esquina era uma conquista sem precedentes.
  
As escolas da comunidade ajudam a compreender, no desenho de meninos e meninas de apenas dez anos, os limites da cidade e as feridas que não fecham, a leitura do presente e uma espera misteriosa. Em alguns desenhos não há sol. As árvores aparecem desertas de fruto e sem raiz, com a casa a poucos milímetros do chão. Algumas sem janela. Outras sem portas. Sangram esses desenhos, como as crianças. Numa cidade cujo estado diminuiu – em diversos sentidos –, nas redes solidárias que se despedaçaram e que desampara a infância.
  
Há também desenhos de morte e assassinatos, com um claro riacho de sangue, uma chuva de balas perdidas cruzando o céu, sem nuvens, com um sol pálido e triste.  E, mesmo assim, insistem nas brincadeiras de roda, no jogo de futebol. As crianças confessam a própria dor, através do jogo, ao mesmo tempo em que buscam aprisionar, em seus rabiscos eloquentes, a força do mal, quanto mais fortes o medo e o risco de perder. Lembro do desenho de um caveirão e de um traficante, igualmente aterradores.

Nesses desenhos, há o esboço de uma biografia latente. Um destino que começa, literalmente, a ser desenhado. Não ainda irreversível, mas em marcha.  E, no entanto, em muitas representações do mundo, numa leitura a contrapelo, dos edifícios empilhados e sufocantes, em contraste com espaços generosos que não se veem nas comunidades, assim como a vegetação que perdemos na cidade, multiplica-se no giz de cera verde. Crianças de mãos dadas e um azul do céu por onde passam pipas com caudas que não terminam, helicópteros e balões. As meninas sonham com avidez. O sonho é o patrimônio das crianças e nosso combustível.

A cidade do Rio precisa considerar esse espelho precioso e variegado, ouvir o volume de medo e esperança de nossas comunidades, e criar uma rede crucial de proteção, começando pela escola e programas de proteção às famílias.

O maior perigo são as crianças educadas pelo medo e marcadas por agressão e apatia. Se  nossos meninos e meninas perdem o direito de sonhar, é porque tudo vai muito mal. Ou nos mobilizamos seriamente ou nos tornamos sócios de uma guerra surda e cruel, o crime imperdoável da indiferença diante da infância e do futuro.        
O Globo, 07/03/2018
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Marco Lucchesi - Sétimo ocupante da cadeira nº 15 da ABL, eleito em 3 de março de 2011, na sucessão de Pe. Fernando Bastos de Ávila, foi recebido em 20 de maio de 2011 pelo Acadêmico Tarcísio Padilha. Foi eleito Presidente da ABL para o exercício de 2018.


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sexta-feira, 9 de março de 2018

DIÁRIO DE VIAGEM – Francisco Benício dos Santos (9)


BORDO DO PEDRO II

25º DIA

Passeio a Mar Del Plata.
Jantar no Cassino Bristol.
Cenários novos:
Jogos, mundanismo,  luxo, perdição.
Frio intenso.
Neve, clima variável, hostil.
A cordilheira ao longe branqueada de neve a convidar-me.
Cartas de casa: grande alegria, todos bons,
Nísia em Chicago.
Saudosa.
Desolada.
Triste.
São as frases da sua epístola.
Retorno a Buenos Aires.
Hotel.
Vou dormir cansadíssimo.
 ......

26º DIA

Os correspondentes de  Castro C., Alvelar Hermanos, mandaram-me convidar para um ‘passeo’ al interior de uma “Hacienda gadareira”.
Aceito.
O Cadillac percorre estradas magníficas a cento e vinte quilômetros por hora.
Vastos campos cobertos de trigo, milho e alfafa.
O pampeiro zune e me chicoteia a epiderme.
Estou com os lábios rachados e os dedos torcidos.
Frio tremendo.
Paisagens tristes, uniformes, melancólicas.
Pampos povoados de gado de raças europeias. Magníficos.
Cavalos de raça árabe, lindos, ágeis, nervosos.
Riqueza agrícola colossal.
Riqueza pastoril imensa.
A natureza fez as pastagens, as estradas, as estâncias, e disse ao portenho:
- Toma conta, é tudo teu de graça.
Povo feliz e bem aquinhoado pelo destino.
O Brasil, porém é mais rico, mais belo, mais nobre.

(AQUARELAS E RECORDAÇÕES  Capítulo XXII)
Francisco Benício dos Santos


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