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quinta-feira, 1 de março de 2018

JORNALISTA JOSÉ NÊUMANNE PINTO ABRE NA ABL O CICLO DE CONFERÊNCIAS ‘GUIMARÃES ROSA, ESCRITOR E DIPLOMATA’ SOB COORDENAÇÃO DO ACADÊMICO CARLOS NEJAR.


A Academia Brasileira de Letras abre seu ciclo de conferências do mês de março de 2018, intitulado Guimarães Rosa, escritor e diplomata, com palestra do jornalista, escritor e poeta José Nêumanne Pinto. O tema escolhido foi Machado de Assis e Guimarães Rosa. Ligações singulares, sob coordenação do Acadêmico e poeta Carlos Nejar. O evento está programado para terça-feira, dia 6 de março, às 17h30min, no Teatro R. Magalhães Jr., Avenida Presidente Wilson 203, Castelo, Rio de Janeiro. Entrada franca.

Serão fornecidos certificados de frequência.

A Acadêmica e escritora Ana Maria Machado, Primeira-Secretária da ABL, é a Coordenadora-Geral dos ciclos de conferências de 2018.

José Nêumanne adiantou, sucintamente, o que será sua palestra: “O que há de mais notável nos narradores Bentinho e Riobaldo, ambos velhos, ambos relatando amores interrompidos ao longo da vida? É que eles trazem a lume duas figuras luminosas e encantadoras: a serelepe Capitu e a guerreira Diodorim. São relatos pioneiros sobre o mistério, a graça e o veneno da mulher brasileira”.

O CONFERENCISTA

Jornalista, poeta e escritor, José Nêumanne Pinto nasceu em Uiraúna, Paraíba, em 1951. Foi repórter da Folha de S. Paulo; chefe de redação do Jornal do Brasil; editor de política de O Estado de S. Paulo e chefe dos editorialistas do Jornal da Tarde. Atualmente, é editorialista e articulista de O Estado de S. Paulo e comentarista na Rádio Estadão e na TV Gazeta (Jornal da Gazeta).

José Nêumanne ganhou o Prêmio Esso de Informação Econômica (com Maria Inês Caravaggi, Perfil do operário brasileiro hoje), o Troféu Imprensa de Reportagem Esportiva (com Paulo Mattiussi, Eder Jofre e o boxe brasileiro), ambos em 1976, e o prêmio Senador José Ermírio de Moraes, da Academia Brasileira de Letras, em 2005, ao melhor livro de 2004, o romance O silêncio do delator. Tem onze livros publicados, entre os quais O que sei de Lula. E o CD As Fugas do Sol (CPC-Umes), de poemas com trilha sonora do maestro Marcus Vinicius de Andrade.

28/02/2018


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SURFISTA PROFISSIONAL FILIPA LEANDRO DESTACA A PRÁTICA DO SURF EM SEUS ENREDOS


por Shirley M. Cavalcante (SMC)


Filipa Leandro, 45 anos, é mãe de três filhos que lhe dão alegria imensa:  Joey, 17 anos, adora andar de skatee pegar umas ondas; Francisca Veselko (Kika), 14 anos, está a caminho de ser surfista profissional; e Jaime, 8, também já tem o skate e o surf na veia.
A família é de Carcavelos (costa do Estoril), terra que Filipa adora e onde nasceu e cresceu. Filipa teve a felicidade de passar a vida ao ar livre e ter começado a praticar surf, quando esta prática ainda era um desporto “” para homens. Com muita força de vontade e persistência, foi uma das pioneiras em nível nacional e acabou por ajudar a abrir portas ao surf feminino português. Competiu dez anos e viajou por todo o mundo. Nos up and downs da vida, mesmo com um curso superior em ciências políticas e mestrado em sustentabilidade, teve dificuldade para arranjar um emprego que lhe desse tempo e disponibilidade para tomar conta da família e acompanhar os filhos todos os dias. Decidiu então fazer um curso de professora de surf. Sendo todos eles surfistas e gostando tanto desse desporto, foi a melhor solução que Filipa arranjou. Viver perto do mar facilitou muito. Com uma paixão enorme pela escrita e já com bastantes artigos e reportagens publicadas, foi durante as clínicas de surf no verão de 2015 que lhe surgiu a ideia de escrever esta coleção. Nesse momento Filipa doou muito poucas aulas de surf e está muito mais dedicada à escrita. Filipa tem uma vontade enorme de dar a conhecer o “Vem Surfar com a Pipa, Jaime e Kika”,a pais e filhos, por todo o mundo! 

“...muitos lugares pelo mundo para visitar e muitos outros surfistas com vidas especiais, que possam vir a integrar as edições: 'International Groms Series', mas em breve quero dar outro passo, quero chegar aos teenagers!”

Boa leitura!

Escritora Filipa Leandro, é um prazer contarmos com a sua participação na Revista Divulga Escritor. Conte-nos, o que a motivou a ter gosto pelo surf?

Filipa Leandro - Olá, eu é que agradeço a vossa disponibilidade!
Sempre vivi perto da praia, e no verão passava as férias todas no mar, a dar mergulhos, a fazer pinos, carreirinhas (pegar jacaré) etc. Havia alguns rapazes a fazer surf e eu adorava vê-los a “dançar” nas ondas, até que o meu irmão do meio, o Gonçalo, que tem três anos menos do que eu, decidiu que queria comprar uma prancha, ainda com sete anos. Eu também fiquei cheia de vontade de começar, mas como não havia meninas na água, fui deixando passar. Aos poucos, nos verões seguintes, comecei a pegar nas pranchas de windsurf, bem grandes na altura e a levá-las para a água com mais amigas. Apanhávamos as ondas e púnhamo-nos duas e três miúdas em pé ao mesmo tempo, na mesma prancha. O bichinho para fazer surf crescia cada vez mais, até que aos 17 anos disse que era hora, com ou sem miúdas a fazerem este desporto. Comprei prancha, e fato e até hoje nunca mais parei! É uma das minhas grandes paixões!

Em que momento se sentiu atraída pela arte de escrever?

Filipa Leandro - Acho que foi ainda teenager, com uns 16 anos. Tenho textos guardados com escritos meus desse tempo. Adorava escrever sobre o meu estado emocional e coisas que iam acontecendo na minha vida. Acabei por escolher letras, tirei o curso superior de Ciências Políticas e fiz um Mestrado em Sustentabilidade. Com cerca de 25 anos comecei a publicar artigos em revistas e a ser convidada para fazer entrevistas e reportagens sobre surf, vida e ambiente.

Conte-nos, como surgiu a coleção “Vem Surfar com a Pipa, Jaime e Kika”?

Filipa Leandro - Esta coleção surgiu de uma ideia que tive no verão de 2012, enquanto dava aulas de surf a várias crianças de muitos lugares diferentes. No mesmo dia, primeiro pensei em escrever histórias sobre a vida delas, depois sobre a minha vida e todas as viagens e experiências pelo mundo, que o surf me proporcionou: “Vem Surfar com a Pipa!”. Fiquei com esta ideia e fui falando com as pessoas mais próximas. Foi a minha mãe que me foi relembrando deste sonho durante os anos seguintes. Em 2015, em agosto, quando estava novamente a dar aulas de surf no verão, a um grupo de crianças, fui almoçar com a minha “ajudante” e amiga surfista, a Sofia Oliveira,e falei-lhe sobre o possível projeto. Ela disse: “Mas eu faço as ilustrações, avança!”. Como, entretanto, meus filhos tinham crescido e se tinham tornado verdadeiros surfistas, achei que deveria então escrever sobre as nossas aventuras como família de surfistas: “Vem Surfar com a Pipa, Jaime e Kika”. Em três meses lancei os primeiros três livros da coleção! Era a apresentação da família, e para mim não fazia sentido publicar só o primeiro. O meu filho mais velho,  Joey, não está no título, mas faz parte de todas as aventuras!

Quais os principais objetivos a serem alcançados com a coleção?

Filipa Leandro - Tenho como objetivos trazer sempre algo de positivo para a vida dos leitores! Divertir, falar de emoções, dar exemplo de valores, trazer cultura, aprendizagem… e dar sempre ferramentas e exemplos para uma vida saudável e feliz!

Apresente-nos o seu livro “Cascais, Capital do Surf Português. A culpa é dos banhos de mar do Rei D. Luís!”

Filipa Leandro - Esta é a sinopse: “Foram dar um passeio a Cascais em família… entre a ida de comboio e parte do regresso a andar junto ao mar pelo paredão, conversaram muito sobre os primórdios e de toda a beleza que envolve esta vila turística. A vontade de surfar era enorme, e depois de um almoço saudável, seguiram a pé para a sua praia, Carcavelos, onde todos desfrutaram de excelentes ondas, inclusive a cadela, a Sister… Num dos dias de prova, quando o campeonato mundial de surf acabou mais cedo, aproveitaram para fazer uma visita ao Farol de Santa Marta e ainda tiveram a sorte de ir comer o melhor gelado de fruta natural!”.
É uma aventura na lindíssima costa do Estoril, onde temos a sorte de morar. A história começa com as caravelas portuguesas a chegarem da sua primeira viagem à Índia…

O que a motivou a escrever esta obra literária?

Filipa Leandro - Esta coleção foi lançada com os três primeiros volumes, que como referi, foram a apresentação da família. Não sabia qual era o próximo passo. Entretanto, fomos a Nazaré durante as férias do carnaval, vivenciamos toda a cultura local e vimos os surfistas descerem ondas com cerca de 30 metros. Percebi logo que era o “material” para a próxima história. Depois, fomos a Peniche, Capital da Onda, passar o fim de semana e ver o campeonato mundial de surf. Esta zona é bastante rica culturalmente e tem também excelentes condições para a prática de surf, o que me levou a escrever a quinta aventura. Sempre a pensar nesta costa maravilhosa onde moro e faço surf, em que Cascais é a Capital do Surf Português, não podia esperar mais, tinha de ser a próxima “aventura” e arranjei maneira de termos dois dias muito especiais, que transmitissem toda a maravilha que é viver nesta costa, sem deixar para trás toda a sua história e cultura que tanto aprecio. Passei-a para o papel, da melhor maneira que consegui, tocando em todos os pontos que achei interessantes, e foi escrito o sexto livro: “Cascais, Capital do Surf Português. A culpa é dos banhos de mar do Rei D. Luís!”.

Seus livros estão disponíveis em inglês e português. Apresente-nos os livros publicados.
1 - A Kika começou a Surfar!
2 - Kika na Escola de Surf, Campeonatos e Maldivas... Jaime entra em Cena!
3 - Jaime, a Mascote da Família!
4 - As Ondas Gigantes da Nazaré!
5 - Em Peniche durante o Campeonato Mundial de Surf... Super Tubos!
6 - Cascais, Capital do Surf Português. A culpa é dos banhos de mar do Rei D. Luís!
7 - As irmãs Resano!
8 - Nazaré, uma Onda para a História... Agora é a vez das crianças!
9 – o Título ainda é surpresa… será lançado na Páscoa!

Onde podemos comprar os seus livros?

Filipa Leandro - Podem comprar os meus livros na Amazon. A minha página de autora é:
Em Portugal, estão à venda na WOOK (loja online da Porto Editora), na Ler Devagar no LX Factory, nas várias Câmaras Municipais (Nazaré, Peniche e Cascais), na PoP Store no Parque das Gerações, entre outros locais.

Quais os seus principais objetivos como escritora?

Filipa Leandro - Quero muito viver da escrita, porque devemos fazer o que nos faz brilhar os olhos e eu adoro escrever! Quero dar sempre ao leitor positividade, alegria, crescimento pessoal, conhecimento, entre outros, em todos os meus livros. Vou continuar com a minha coleção do “Vem Surfar com a Pipa, Jaime e Kika”, porque ainda há muitas vilas da costa portuguesa por onde queremos passar; muitos lugares pelo mundo para visitar e muitos outros surfistas com vidas especiais, que possam vir a integrar as edições: “International Groms Series”, mas em breve quero dar outro passo, quero chegar aos teenagers!

Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom conhecer melhor a escritora Filipa Leandro. Agradecemos sua participação na Revista Divulga Escritor. Que mensagem você deixa para nossos leitores?

Filipa Leandro - Como mensagem final, quero relembrar que vocês são os realizadores, os produtores, os atores das vossas vidas, por isso vivam o momento presente e vivam sempre com bastante positivismo, muito amor e sigam o bem!
Boas leituras e boas ondas! Adeus, beijinhos!
Serviços
 www.filipaleandro.com 

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DOM CESLAU STANULA - O Magistério Extraordinário

28/02/2018

O Magistério Extraordinário



O Magistério Extraordinário, é exercido em situações especiais pelo Papa ou por todo o episcopado reunido com o Papa, num concilio ecumênico.

Quando trata das verdades referentes à fé e à moral as declarações do magistério extraordinário  são infalíveis. Nestes casos falamos que o papa e a Magistério da Igreja é infalível, porque expressa a fé de toda a Igreja, numa verdade revelada por Deus.

O Magistério Extraordinário proclama, caso necessário, dogmas de fé e se pronuncia nas declarações conciliares. Nestes casos, quando o Papa se pronuncia oficialmente, chamado ex-cathedra, ou junto com os bispos do mundo inteiro pelos Concílios, é infalível.

Então a infalibilidade do Papa não se refere às coisas temporais, politicas, econômicas, ecológicas, mas quando se pronuncia sobre a fé revelada por Deus na Bíblia ou na Tradição.

Com a benção e a oração; uma repousante noite de paz.

Dom Ceslau

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01/03/2018
Concílio Ecumênico

Muito ouvimos falar, tantas vezes ouvimos citações nas pregações, palestras: Vaticano II disse isto, disse aquilo... Mas o que é o concilio ecumênico?

Um Concílio é uma reunião do Colégio Episcopal (o Papa e os bispos), com a possível participação de outras pessoas (membros da hierarquia, leigos e membros ouvintes de outras denominações religiosas) para tratar das questões pertinentes à Igreja.

O termo “ecumênico” quer significar que as decisões tomadas no Concílio dizem respeito às Igrejas espalhadas por toda terra. Assim, “ecumênico” quer significar universal.

Um Concílio participa do Magistério Extraordinário e goza da mesma força da infalibilidade papal. (Veja mais-Internet – Arquidiocese do Rio – Formação). 

Ao longo da história, já foram convocados 21 Concílios Ecumênicos.

Uma boa e repousante noite. Com a benção e a minha pobre oração.

Dom Ceslau

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Dom Ceslau Stanula – Bispo Emérito da Diocese de Itabuna-BA, escritor, Membro da Academia Grapiúna de Letras-AGRAL

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quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

O VOO DA ÁGUIA


A águia é a ave que possui a maior longevidade da espécie. Chega a viver 70 anos. 

Mas para chegar a essa idade, aos 40 anos ela tem que tomar uma séria e difícil decisão.

Aos 40 anos ela está com as unhas compridas e flexíveis, não conseguindo mais agarrar suas presas, seu alimento.

O bico alongado e pontiagudo se curva.

Apontando contra o peito estão as asas, envelhecidas e pesadas em função da grossura das penas e voar fica cada vez mais difícil!

A águia então só tem duas alternativas: Morrer... Ou enfrentar um doloroso processo de renovação que irá durar 150 dias. 

Esse processo consiste em voar para o alto de uma montanha e se recolher em um ninho próximo a um paredão onde ela não necessite voar.

Após encontrar esse lugar, a águia começa a bater o bico no paredão até conseguir arrancá-lo. Após arrancá-lo, espera nascer um novo bico com o qual  irá, depois, arrancar suas  unhas.
Quando as novas unhas começam a nascer, ela  passa a arrancar as velhas penas. 

E só após cinco meses sai para o famoso voo de renovação e para viver então mais 30 anos.

Amorosamente! 
Lucia

"Gotas de Crystal" gotasdecrystal@gmail.com

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EDITORA DA ITÁLIA PUBLICA LIVRO INFANTIL DE CYRO DE MATTOS


          Depois de lançar  no ano passado a antologia “Poesie Brailiana della Bahia” (Poesia Brasileira da Bahia), a Editora Aracne, de Roma, publica agora o livro de poesia infantil “Il Bambino Camelô” (O Menino Camelô), do acadêmico e escritor Cyro de Mattos, com ilustrações de Zeflavio Teixeira e tradução de Antonella Rita Roscilli, na Coleção Ragnatele.

          Este livro destinado à garotada amante de versos de pé requebrado, bem bailados e esticados,  para brincar com bichos, de circo e com flores,  teve mais de doze edições quando foi publicado no Brasil e em 1992  conquistou o Grande Prêmio da Associação Paulista de Críticos de Artes.

         Considerado o melhor livro infantil do ano, a  ensaísta e professora doutora da USP, Nelly Novaes Coelho, relatora do Prêmio APCA – 1992, destacou as qualidades da obra:  “Li e reli com vagar 'O Menino Camelô'. Uma delícia! Ternura,  graça, ludismo e ritmo ágil que arrasta o leitor (pequeno ou grande)”.

          Poeta, contista, romancista, cronista, organizador de antologia e autor de livros para meninos e jovens, Cyro de Mattos possui mais de 60 livros publicados no Brasil, Portugal, Itália, França, Espanha e Alemanha. Premiado no Brasil, Portugal, Itália e México. Membro efetivo do Pen Clube do Brasil,  Academia de Letras da Bahia, Academia de Letras de Ilhéus e Academia de Letras de Itabuna. Doutor Honoris  Causa pela Universidade Estadual de Santa cruz (Bahia).


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terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

O PODER DO EXEMPLO - Ana Maria Machado


O poder do exemplo


Com frequência, a crítica reunia sob um rótulo geral os autores de livros infantojuvenis que estrearam nos anos 1970, ganhando notoriedade, prêmios e milhões de leitores. Éramos chamados de “filhos de Lobato”. Alguns anos depois, o escritor Ricardo Azevedo propôs uma correção, para “irmãos de Lobato”. O que importava nessa distinção não era a origem ou data de nascimento, e sim uma experiência poderosa que caracterizava o grupo: a de termos vivido nossos anos de formação num Brasil que se industrializava e urbanizava rapidamente mas ainda tinha muito fortes raízes rurais — um pé na roça. Conhecíamos milharal e galinheiro, leite bebido no curral e casa de farinha, cheiro de capim-gordura e rangido de porteira.

Podíamos morar em cidade e ir à escola, mas nas férias ou em visita aos parentes do interior, brincávamos no quintal com os primos e outras crianças que moravam lá. Nesse encontro, aprendíamos e nos ensinávamos mutuamente. Desde subir em árvores ou andar a cavalo a brincar de bandido e mocinho como nos filmes. Nas refeições, por exemplo, a criançada urbana via a habilidade com que tantos dos companheiros eram exímios na arte da “fazer capitão”: jogar farinha em cima do feijão com arroz, misturar tudo com a mão dentro do prato fundo, formar uns bolinhos e levar direto à boca, sem garfo ou colher. Por outro lado, eles se admiravam de ver a garotada da cidade usando talheres e se exercitavam em manejar com naturalidade aqueles utensílios. Nesses modelos recíprocos, nos aproximávamos tanto quanto nas brincadeiras, e nos irmanávamos, apesar das diferenças copiadas dos nossos pais.

O ser humano aprende de diversas maneiras. Talvez nenhuma seja tão poderosa quanto o exemplo, a imitação do que vemos funcionar a nosso redor. Sobretudo, quando vem de pessoas que admiramos, por quem temos afeto, com quem queremos nos parecer. O que popularmente se passou a chamar de “ídolos”, pessoas que exercem um papel modelar e influenciam muita gente. Sempre digo isso, a respeito de campanhas de estímulo à leitura. Nada é tão eficiente para promover o gosto pelos livros em uma criança quanto ter por perto adultos lendo e comentando suas leituras.

Por isso, a gravidade do desacato à lei aumenta quando praticada por quem é alvo da admiração coletiva. O ídolo, assim, vira um modelo pernicioso. Um mau exemplo. Não foi outra a razão para o repúdio ao erro de marketing que ficou conhecido como “a lei de Gerson” e que até hoje persegue a imagem do ex-jogador que aconselhava “levar vantagem em tudo”.

Esse efeito é que distingue o castigo a um reles espertalhão da condenação de uma esperteza nada reles, quando praticada por um político admirado, uma celebridade esportiva ou artística, um juiz respeitado, um empresário de sucesso. Se os delitos e erros das estrelas pretendem contar com a imunidade pelo fato de não serem praticados por “um homem comum”, e assim garantir a impunidade dos malfeitores, não dá para esquecer que esse processo é ainda mais grave que o próprio delito, pois corrói de forma nefasta o tecido social. Culpado tem de pagar pelo que fez, na forma da lei e garantido o direito de defesa. Caso contrário, vira o “liberou geral” que constatamos nestes tempos de violência desenfreada e roubalheira sem limites.

Se dá para escapar sem pagar, todos se acham no direito de fazer o que bem entendem: assaltar, agredir, saquear, caluniar, atacar paciente dentro de ambulância, revender material hospitalar descartável após usado, sair dando tiro a torto e a direito, apropriar-se de verba de escolas, roubar carga, receptar produtos roubados, comprar de quem não dá nota fiscal… Todos entendem que devem ser exceção à lei — dos carros oficiais que desrespeitam o código de trânsito aos magistrados que driblam limites legais de tetos de vencimentos, passando por fiscais que cobram propina. Se nada acontece com os bacanas, nada deterá os outros. E todos viram bandidos , como a tevê tem mostrado, em cenas impressionantes de arrastões, assaltos e espancamentos. Um pesadelo espantoso. Só que real.

Ó, pátria amada, por onde andarás?/ Teus filhos já não aguentam mais…” O refrão da Beija-Flor é um pedido de socorro. Denuncia a corrupção das ratazanas, a violência armada que manda na cidade, a conivência das autoridades com a bandidagem. Enfim, o abandono que todos vivemos, fora da lei.
Lei é para ser respeitada, condenação é para ser cumprida. A procuradora-geral Raquel Dodge frisou que só assim se afasta a sensação de impunidade e se restabelece a confiança nas instituições. E a presidente do STF, ministra Cármen Lúcia, sublinhou que o descumprimento da lei é mau exemplo que contamina e compromete.

Já ensinavam nossos avós: o exemplo vem de cima. E quando esse é um mau exemplo, instalam-se a falta de limites, o descontrole geral e a falência do Estado que se refletem diariamente na violência urbana e na sensação de que estamos nas mãos de bandidos em todos os níveis. Intocáveis até quando?

Ana Maria Machado é escritora.
O Globo, 17/02/2018

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Ana Maria Machado - Sexta ocupante da Cadeira nº 1 da ABL, eleita em 24 de abril de 2003, na sucessão de Evandro Lins e Silva e recebida em 29 de agosto de 2003 pelo acadêmico Tarcísio Padilha. Presidiu a Academia Brasileira de Letras em 2012 e 2013.

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GANDHI - SEJA A MUDANÇA QUE VOCÊ QUER VER NO MUNDO


Turnê nacional da peça  estará em Salvador e apresenta a sabedoria, dignidade e honestidade de Gandhi no Teatro Módulo

Intercalando cenas de humor, lirismo e dramaticidade chega a Salvador o espetáculo Gandhi - seja a mudança que você quer ver no mundo. Com texto e direção de Mateus Faconti e com Sergio Lelys, Patrícia Naves e Luis Doffá no elenco, a peça está em cartaz nos dias 02, 03 e 04 de março (sexta-feira á domingo), a partir das 20 horas, no Teatro Módulo.

A montagem cria um painel rico e marcante no qual a sabedoria, dignidade e honestidade de Gandhi, (vivido por Sergio Lelys) tão necessárias no momento em que vivemos é apresentada.

A peça que é apresentada como uma história de amor atingindo um caráter, inclusive histórico cultural, pela primeira vez é contada sob o ponto de vista de uma mulher: Kasturbai Gandhi esposa e companheira de Mahatma Gandhi, (vivida pela atriz Patrícia Naves) que conduz o espetáculo de forma surpreendente e não à toa, provoca o espectador sobre a importância de cultivar um sentimento de tolerância, amor e não violência para enfrentar as transformações da sociedade.

Um espetáculo para ser apreciado por toda a família e por todas as plateias, que gostam de ir ao teatro, se emocionar e se alegrar ao mesmo tempo. O público poderá conhecer um pouco mais da trajetória desse guerreiro da paz, que defendendo a dignidade e sempre lutando pela não violência, tornou-se o porta voz da consciência de toda a humanidade.

A cenografia é de Lúcio Meca e Mateus Faconti, iluminação Daniela Gaia, figurinos Sergio Lelys, trilha sonora original Ricardo Dutra, coreografia, Luís Doffa, produção executiva Nilda de Araujo, realização Núcleo Tenda da Fortuna e produção local Carambola Produções.

Serviço
Gandhi - seja a mudança que você quer ver no mundo estreia em Salvador
Dias 02, 03 e 04 de março – (sex a dom)
Horário: 20h
Onde: Teatro Módulo
End.: Av. Prof. Magalhães Neto, 1177 - Pituba
Valor: 70,00(inteira) e 35,00(meia)
Classificação Livre 
Vendas: compreingressos.com e bilheteria do teatro


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