Total de visualizações de página

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

CARNAVAL ANTECIPADO TRANQUILO! - Antonio Nunes de Souza


Carnaval antecipado tranquilo


Como era de se esperar, nosso tradicional “carnaval antecipado” transcorreu de uma maneira tranquila, bastante harmonioso, graças a vinda do governador a cidade, que disponibilizou milhares de policiais, civis, militares, guarda municipal e a normal ajuda da federal que, se duvidar, tinha mais seguranças que foliões transitando nas avenidas!

Logicamente, com esse aparato todo, a tendência era que os desordeiros e malfeitores, tomassem juízo e procedessem de uma maneira civilizada, respeitando as leis, como também não dando oportunidade da “batucada de cassetetes” fizessem uma festa em suas costas. Ou como também, não fossem agraciados com “choques elétricos” em vez de trios!

Hoje, todos voltando as suas atividades normais, uma grande maioria já começando a fazer as programações para o carnaval oficial em outras cidades. Os mais comedidos e cautelosos, certamente ficarão por aqui, indo diariamente para as praias de Ilhéus e, como sempre é bom rememorar o passado, brincar no carnaval cultural, ao som de bandas locais, charangas, cantando as queridas marchinhas do passado, acompanhando com a leveza daquele velho passinho moderado, sem precisar se contorcer barbaramente mexendo as cadeiras em todas as direções!

Como foi amplamente anunciada, a cantora Cláudia Leite não foi contratada pela Bahiatursa e, para o povo sempre é tudo bem. Nem colocaram outra atração de igual peso no lugar. Essa atitude com o povo é encarada como normalíssima, pois já está habituado a ver promessas não realizadas!

Todos dançaram, todos cantaram, os políticos tiraram seus proveitos e, para o povo, as faltas das necessidades básicas continuam urgindo!


Antonio Nunes de Souza, escritor

Membro da Academia Grapiúna de Letras-AGRAL-antoniodaagral26@hotmail.com

* * *

TEMPO DE CARNAVAL – Por Cyro de Mattos

Tempo de Carnaval
Cyro de Mattos


Tempo de carnaval. O banco, o escritório, a indústria e o comércio eram substituídos por uma máquina de fazer alegria. O corso passava pela Avenida Sete numa maravilhosa ventura em torno do tempo perdido na história. Improvisava figurações diversas, tinha feições de cores e luxo, uma ópera no desfile do carro alegórico lembrava a Grécia antiga, Veneza.O êxtase e riso invadiam a Rua Chile. Havia a guitarra elétrica na fóbica, puxava atrás pequena multidão, formada por gente do povo nos prazeres, vibrações de corpo que insinuavam uma dança frenética.

O bar Cacique, antes Bob’s, vizinho ao Cine Guarani e ao cabaré Tabaris, era parada obrigatória do folião para o chope.

Ele se impregnava no carnaval daquela forma de viver, que não queria saber do mundo rotineiro, fantasiava a onda humana para cantar e dançar na avenida. Blocos antigos, afoxés, batucadas. Na tanga do índio, na mortalha suada da moça, no amor da colombina. Ventos da utopia. A vida suavizada pela passagem mística do bloco Filhos de Ghandy.

Tempo que transformava o branco no preto, o pobre no rico, o sacro no leigo, com o padre e a freira. Não havia vencedores e vencidos, viver era igual a se divertir.

Pelo salão com a espada de pau. O olho tapado na cara de mau. E a cigana que fingia ser definitivo o amor passageiro no carnaval. O chão cheio de confete, serpentina colorindo o ar, a lança que perfumava a melindrosa em cada volta. Risos com mais de mil palhaços no salão, pierrô fazendo suas juras, arlequim chorando pelo amor da colombina no meio da multidão.

Vestido de marujo, viajando pelo mundo de uma só cor, a da euforia. Na quarta-feira de cinzas, quando o coral silenciava, sem o apito da alegria, descia da nau, que chegava ao porto no jardim da Piedade. Chegava de madrugada, polvilhada de fadiga pela cauda, puxando a manhã fresca e pura.



*Cyro de Mattos é escritor e poeta. Membro Titular da Academia de Letras da Bahia e do Pen Clube do Brasil. Primeiro Doutor Honoris Causa da Universidade Estadual de Santa Cruz. Um dos idealizadores da Academia de Letras de Itabuna (ALITA).

* * * 

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

SÃO FRANCISCO DE ASSIS – Padre José de Castro

Francisco de Assis

            Foi até no meio de atrozes dores e angústias cruéis,  quando a luz lhe fugia dos olhos e um ferro em brasa lhe queimou, por medicina, a fronte espaçosa, que ao canto pediu consolo e foi nestes minutos de maravilha que soltou o Cantico de frate sole, a primeira flor da poesia italiana. Quando a carne rechinava sob o fogo, dos lábios do trovador saía o:

Laudato sii, mio Signore; com tutte le tu especialmente messer lo frate sole [creature lo qual giorna e allumini per lui.

            Canta-se quando a alegria corre como doida pela alma da gente; canta-se quando a vida irradia alvoradas e esperanças. Mas o coração canta melhor quando há névoas nos olhos, quando as dores da despedida e da saudade torturam o coração alanceado. Nas vésperas de morrer, quer ainda uma vez abençoar a terra bem amada e ordena que o coloquem em frente  do hospital dos leprosos que fica a meio caminho entre Assis e a igreja da Porciúncula. Volta-se para a cidade, diz-lhe adeus e desenha sobre ela a bênção e, com as minguadas forças que lhe restam, canta:

Laudato sii, mio Signore
per quelli che perdonano per lo tuo amore.

          Ao aproximar-se-lhe a morte,  não lhe confessa medo. Os frades em redor choram o próximo trespasse. E São Francisco, que cantara e amara o irmão lobo com o mesmo enternecimento com que cantara e amara as irmãs aves e a irmã ovelha, que havia englobado no mesmo amor o irmão sol e o irmão fogo, quer saudar a irmã morte, pede que lhe ergam a cabeça e, baixinho, em surdina, canta quem lhe vai cortar o último fio que o prende à vida:

Laudato sii, mio Signore
per sora mostra morte.

          O trovador de Assis e de Perusa, o cantor de Dona Pobreza, o maior amigo de Deus no século XIII vai soltar o canto do cisne. É o canto de quem pede a esmola do auxílio na hora derradeira de vida. E em voz quase sumida, entoa:

Alzo la mia voce al Signore (Signore.
alzo la mia voce per chiedere soccorso al

            Como o rouxinol de Bernardim Ribeiro que viveu e morreu esfalfado de cantar, São Francisco, o maior cantor de Cristo,  o grande trovador da Umbria,  viveu cantando e a cantar morreu.

Padre José de Castro
................

(LÍNGUA PORTUGUESA  Luso=Brasileira
ANTOLOGIA F. T. D. – livro de leitura
Organizado por Mário Bachelet)

LIVRARIA FRANCISCO ALVES
1944
* * *

ROMANCE HISTÓRICO ‘LA CASA AMARILLA’ BUSCA INTERAÇÃO CRÍTICA DO LEITOR

Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

Iara Ladvig Budelon nasceu em 1965 em Porto Alegre (RS). Aos 16 anos escreveu o primeiro romance “Areias Escaldantes”, não publicado. Na escola de Ensino Fundamental Visconde de Pelotas participou de concursos literários promovidos pelo Grêmio Estudantil, onde foi incentivada pela orientadora educacional Vânia Mendes e a professora de língua portuguesa Maria Teresinha Sentinger.

Em 1982, participou de concurso literário promovido pela LBA/Sul Brasileiro, no Ano Nacional do Idoso na categoria conto, obtendo menção honrosa. Graduada em Serviço Social (1994), com extensão em Gestão do Desenvolvimento Humano pela ULBRA-RS, trabalhou na Gestão de projetos governamentais em prefeituras do interior. Graduanda em Direito, blogueira e escritora freelance, Iara escreve em todos os gêneros: poesia, crônica, contos, romance e artigos de opinião. É autora do livro “Nós Desfeitos de Nós – Desafios”, no gênero autoajuda, em 2011 pela Editora Alcance.

“Por se tratar de um romance histórico, equilibrar na ficção a verossimilhança com a historiografia, criando um espaço de diálogo coeso entre realidade ficcional e empírica, buscando e despertando a interação crítica do leitor.”
Boa Leitura!

Escritora Iara Ladvig Budelon, é um prazer contarmos com a sua participação na Revista Divulga Escritor. Conte-nos, o que a inspirou a escrever o romance “La Casa Amarilla”?

Iara Budelon - Primeiramente, agradeço a oportunidade de participação e divulgação do meu livro. A inspiração para escrever o romance “La Casa Amarilla” se deve a sonhos recorrentes entre a fase da adolescência e a idade adulta. Costumava sonhar com uma casa amarela, me sentindo íntima daquele ambiente, como se realmente morasse ali. O sonho gerava um déjà vu. Um dia, ouvindo a trilha sonora de Gypsy King, tive vontade de escrever um romance, e a casa amarela seria o cenário perfeito, envolvendo descendentes de espanhóis, um amor quase impossível pelos ditames morais impostos à época, uma mulher forte e destemida lutando para sobreviver em tempos difíceis marcados pelo jugo do coronelismo, a cultura machista segregadora de direitos, ganância e preconceitos de gênero, raça e social, revelando aspectos desumanos da história da humanidade;aspectos esses, que se prolongam no tempo, com uma acuidade deficitária da percepção do outro. Iniciei a escrever o romance em 2010, e terminei em 2011, quando fiz o registro da obra no Escritório de Direitos Autorais – EDA. Na época, encaminhei em arquivo Word para algumas editoras em São Paulo, para fins de avaliação da obra. Somente esse ano foi possível a publicação.

Como foi a escolha do título?

Iara Budelon - O título surgiu em decorrência do sonho com a casa amarela, ambientando o enredo em torno dela.

Apresente-nos a obra.

Iara Budelon - O romance histórico é ambientado em 1927, na cidade fictícia de Pinedos. Uma família de descendentes espanhóis, os Saavedra, é dizimada por doenças mortais, restando apenas mãe e filho, Teresa e Alejandro.Com pouco dinheiro e muitos hectares de terras férteis, recomeçam praticamente do zero. Com a escassez de recursos, reconstroem o casario amarelo, bastante desgastado pelas ações do tempo, e investem na cultura do café.

Em um passeio pela cidade, Teresa conheceu o vizinho lindeiro. E após anos de viuvez, entregou-se a uma paixão, entre uma série de encontros e desencontros amorosos. O bucólico se manifesta em cenas inquietantes, ou mesmo mornas, instigando o leitor a um quebra-cabeça de indagações.
Teresa, soberana em suas decisões, tornou-se a própria vilã ao entregar-se ao claustro dos ditames morais da época.

Quais os principais personagens que compõem a trama?

Iara Budelon -Teresa, protagonista; Esteban, fazendeiro de origem hispânica e lindeiro de Teresa; e Antônio, administrador da Fazenda Saavedra.

Quais os principais desafios para escrita do romance?

Iara Budelon - Por se tratar de um romance histórico, equilibrar na ficção a verossimilhança com a historiografia, criando um espaço de diálogo coeso entre realidade ficcional e empírica, buscando e despertando a interação crítica do leitor.

Qual o momento que mais a marcou enquanto escrevia “La Casa Amarilla”?

Iara Budelon - O final da história foi um momento, especialmente, emocionante. Faz pensar que vale a pena lutar pelo que acreditamos, sejam crenças, valores e cultura,quando alguns personagens tinham “insight”, contornando situações adversas por meiode uma atitude significativa.

O que mais a encanta nesta obra literária?

Iara Budelon - O contraste de força e doçura da mulher, em uma quebra de braço com as chagas da alma pelas desumanidades, as quais ganham espaço nas mídias cotidianas.
 A proposta de vislumbre crítico, sempre atual, da incansável batalha da mulher pelo espaço na sociedade, conquistando respeito e reconhecimento no desempenho de seus diversos papéis.A imposição, ferrenha e atemporal, das questões sociais, de gênero e racial, abraçadas culturalmente por ideias errôneas.

Onde podemos comprar seu livro?


Quais os seus principais objetivos como escritora?

Iara Budelon - Continuamente, aprimorar a qualidade da escrita; transpor para a ficção fatos reais, instigando o leitor a repensar as questões sociais ligadas ao preconceito social, gênero e raça, oportunizando um espaço à construção crítica da realidade com vistas a mudanças; e desconstruir a imagem de subalternidade relegada à mulher em relação ao homem, desfazendo o conceito cultural démodé para um “novo pensar”.

Você pensa em publicar novos livros?

Iara Budelon - Sim. Os stand by engavetados, registrados no EDA.E aqueles que futuramente pretendo escrever.

Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom conhecer melhor a escritora Iara Ladvig Budelon. Agradecemos sua participação na Revista Internacional Divulga Escritor. Que mensagem você deixa para nossos leitores?

Iara Budelon - Sempre é tempo de recomeçar. Fazer algo por si e pelos outros, construindo pontes para dias melhores por meio das atitudes. Isso depende, unicamente, de cada um de nós.Faz-se o tempo.

Blog da autora:

Divulga Escritor, unindo você ao mundo através da Literatura


* * *

BOFF: “SÉRGIO MORO É PAU-MANDADO” – Péricles Capanema

19 de Janeiro de 2018     

                                                                 
         Péricles Capanema   


O Brasil assiste atônito à inusitada tentativa de acovardar o Judiciário. Fervilham as redes sociais. Os morubixabas e corifeus da esquerda berram a todos os ventos enodoando os juízes. O manifesto “Eleição sem Lula é fraude” é disso claro exemplo.

Tuíte do ex-frei Leonardo Boff [foto acima]: “Não há nenhuma escritura que mostra Lula ser dono do tríplex de Guarujá. Nunca morou lá. Nunca dormiu lá. É condenado por ilações. Moro peca contra a virtude principal de todo juiz: a imparcialidade. Ele só persegue e quer acabar com ele. As ordens vêm de cima. Ele é pau mandado”.

O velho demagogo começa assim o ataque boçal: “Não há nenhuma escritura”. Bem, escritura sem registro não garante a propriedade perante terceiros. A propriedade se prova pela matrícula (registro). Boff tem o vezo de escrever taxativamente do que não entende e sempre em mau português.

Aqui repete o costume. Põe de lado um expediente antigo de malandros brasileiros: o laranja. Umas das possibilidades, o tríplex da propina (é o que dizem o chefe da OAS e outros) poderia até ficar em mãos de laranjas, nunca seria formalmente de Lula, mas o processo foi truncado.

Desce mais: “Nunca morou lá”. Existem milhares de donos de apartamentos que nunca moraram nos imóveis. “Nunca dormiu lá”. Dormir num imóvel é prova de propriedade? “É condenado por ilações. Moro só persegue [a ele]”. Mentira alvar.

O magistrado condenou políticos de outros partidos, doleiros, empresários. O inescrupuloso demagogo não se detém diante da mentira descarada. As ordens vem [sic!] de cima. De fato, o português do enfurecido aldabrão tem o mesmo nível da argumentação, vale nada.

Ele tem alguma prova, ou o mais leve indício, de que Sérgio Moro recebe ordens de pessoas bem situadas? É calúnia [imputação falsa de fato definido como crime]. “Ele é pau mandado”. A objurgatória suprime a decência do magistrado, reduzido a condição infame de pau-mandado.

No caso, Leonardo Boff condena arrogantemente Sérgio Moro ao pelourinho da opinião pública com base em ilações delirantes. Ele pode caluniar por ilação.

A lógica impõe, as acusações valerão para os três desembargadores que julgarão o recurso em 24 de janeiro próximo, caso decidam, com base nos autos, pela condenação de Lula.

Ponderei sobre a campanha de intimidação. Outro tuíte na mesma direção, agora de Emir Sader, professor aposentado da USP (é o nível a que despencou parte da intelectualidade):

“Sim, Moro, o Lula tem 9 dedos (nine, como vc gosta de falar, no seu idioma preferido). Mas tem caráter integral [quis dizer íntegro, provavelmente], ao contrário de vc, juizeco a serviço da elite corrupta do Brasil”.

Pelas redes, João Pedro Stédile, líder do MST, divulgou vídeo amedrontante. Falando no plural, citou como determinação conjunta de 88 partidos e movimentos populares irem a Porto Alegre de 22 a 24 de janeiro para deixar claro ao Poder Judiciário que “eleição sem Lula é fraude e [que] impediremos qualquer retrocesso democrático [quis dizer antidemocrático]”. O aqui soturno “impediremos” abre a porta para todo tipo de conjeturas sinistras.

São exemplos de lideranças atiçando nas bases o ódio contra o Judiciário. Ou cede ou haverá consequências graves. Estamos diante de apocalíptico movimento de aterrorização do Poder Judiciário, nunca havido no País.

Parece claro, seus mentores têm esperança de êxito, ainda que parcial. E também é claro, os juízes estão pensando no que poderão sofrer não apenas eles, mas os filhos, esposas, pais, parentes, amigos. Não será a primeira vez, é o que sucede ao lado, na Venezuela, aconteceu em Cuba, existe na China e na Coreia do Norte, onde governam irmãos ideológicos do PT.

Roberto Veloso, presidente da AJUFE (Associação dos Juízes Federais do Brasil) manifestou temor generalizado na classe quanto à segurança pessoal e quanto à segurança dos prédios públicos: “As ameaças estão sendo públicas, não estão sendo veladas. Temos assistido a vídeos com ameaças públicas”.

A esperança do PT e da frente totalitária em que se integra é, repito, pela intimidação acovardar o Judiciário. Conseguirão? Da resposta a esta questão pode depender o futuro do Brasil. Acarneirado, com a maioria do povo padecendo exclusão e preconceito ou altivo e independente.

Lembro a altanaria tranquila do Judiciário, mesmo nos tempos do absolutismo real. Anos atrás escrevi artigo, “A escabrosa desapropriação da Fazenda Limeira”, do qual pinço: “No século 18, um simples moleiro, diante da pressão de Frederico da Prússia, rei absoluto e grande guerreiro, de expropriar sua propriedade para ali fazer uma extensão do jardim do palácio de ‘Sans Souci’, negou argumentando que naquela terra seu pai havia falecido e seus filhos haveriam de nascer.

O monarca absoluto insistiu, afirmando que poderia lhe tomar a propriedade. O moleiro respondeu tranquilo com palavras singelas, cujos ecos todos os séculos recolhem emocionados: ‘Ainda existem juízes em Berlim’. O rei desistiu, o moinho ficou no meio dos jardins, atestando o império da lei”.

Para que a lei impere é indispensável juízes imparciais, refratários a qualquer tipo de pressão, mesmo as mais violentas. Esperemos que, passada a presente tormenta das pressões à moda da KGB ou Gestapo, possamos constatar o caminho da liberdade ainda aberto. Vamos torcer e rezar.


* * *

domingo, 21 de janeiro de 2018

DIÁLOGOS CONTEMPORÂNEOS ENTRE FILOSOFIA E EDUCAÇÃO

Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

Nascido em Quatiguá (PR)e residente em Joaquim Távora no mesmo estado, Fabio A. Gabriel é formado em filosofia, teologia e pedagogia; é especialista em ética e mestre em educação. Trabalha como professor de filosofia na Rede Estadual do Paraná. É organizador do site Coletâneas Científicas, que reúne as obras que publicou e organizou

Trabalhou como professor de Filosofia na Universidade Estadual do Norte do Paraná e atualmente é doutorando em educação pela Universidade Estadual de Ponta Grossa. Dedica-se ao estudo sobre a relação entre filosofia e educação, ética e formação de professores de filosofia.

“O principal objetivo é a divulgação científica de resultados de pesquisas de autores de diversas instituições sobre as questões que relacionam filosofia e educação”

Boa Leitura!

Escritor Fábio A. Gabriel, é um prazer contarmos com a sua participação mais uma vez na revista Divulga Escritor. Conte-nos, como surgiu a obra “Diálogos contemporâneos entre Filosofia e Educação”?

Fábio A. Gabriel - Esta obra se insere num conjunto de obras que temos organizado sobre Filosofia e Educação, e surge com o intuito de agregar artigos que tematizem pesquisas sobre filosofia e educação na contemporaneidade. Conforme afirma o prefaciador professor Dr. Alfredo M.S. Júnior: “Esta volumosa obra tem como principal mérito apresentar contrapontos importantes entre o pensamento educacional de filósofos clássicos que influenciaram diretamente o sistema educacional na era moderna e contemporânea”.

Qual o conceito para os diálogos contemporâneos entre Filosofia e Educação?

Fábio A. Gabriel - Acreditamos que filosofia e educação se influenciam diretamente desde o berço na Grécia. As concepções de educação estão relacionadas com o pensamento de algum filósofo, que contribui para se pensar um modo de educar. Esta obra é uma continuação de “Filosofia e educação: um diálogo entre os saberes”, e “Filosofia e educação: um diálogo entre os saberes na contemporaneidade”, ambos editados pela Editora Multifoco.

Quais os principais objetivos a serem alcançados com a publicação da obra?

Fábio A. Gabriel - O principal objetivo é a divulgação científica de resultados de pesquisas de autores de diversas instituições sobre as questões que relacionam filosofia e educação.

Quais temáticas estão sendo abordadas?

Fábio A. Gabriel - O livro está dividido em 3 partes: Parte I- Ensaios filosóficos; Parte II- Ensaios sobre ensino de filosofia; Parte III- Ensaios Educacionais e afins.

Apresente-nos alguns títulos dos artigos apresentados.

Fábio A. Gabriel - Apresento os três primeiros de cada parte. Parte I: Gadamer: hermenêutica filosófica, diálogo e educação; Inversão dos valores em Nietzsche; O ensino da virtude na metafísica dos costumes, de Immanuel Kant; Parte II: Filosofia no ensino médio: uma experiência bilíngue; Possibilidades do Cinema para o ensino de Filosofia; Deleuze e o ensino de filosofia: um conceito ou uma experiência? Parte III: As tendências das pesquisas sobre identidade profissional docente; Educação e ética na teoria analítico-comportamental; Inclusão Digital de alunos especiais no Ensino Superior.

A quem você indica a leitura?

Fábio A. Gabriel - Indico a leitura a todo aquele que deseje aprofundar-se no diálogo entre filosofia e educação; e conforme apresentamos, também discutir, como é apresentado na segunda parte do livro, a temática ensino de filosofia.

Professor Fábio, onde podemos comprar o livro?

Fábio A. Gabriel - Pode ser adquirido pelo site da editora Multifoco, no link: https://editoramultifoco.com.br/loja/product/dialogos-contemporeneos-entre-filosofia-e-educacao/ .

Além deste, você tem outros livros publicados. Apresente-nos os títulos.

Fábio A. Gabriel - As capas dos livros que já publiquei podem ser visualizadas no meu site:www.fabioantoniogabriel.com. Os títulos são: “A aula de filosofia enquanto experiência filosófica”; “Estudos em Linguagens I e II”; “Pesquisas em Linguagens I, II e III”; “Educação contemporânea em Perspectiva”; “Diálogos Interdisciplinares entre Filosofia e Ciências Humanas”; “Filosofia e educação: um diálogo necessário”; “Filosofia e educação: um diálogo entre saberes na contemporaneidade”; “Ensaios Filosóficos”; “Fundamentos Epistemológicos da Educação” e “Possíveis caminhos na formação de professores”.

Como proceder para conhecer melhor o seu trabalho literário?

Fábio A. Gabriel - Minhas obras não são bem literárias, são mais científicas; e para conhecê-las o leitor poderá visitar meu site:www.fabioantoniogabriel.com . Além dos livros, o leitor encontrará artigos que publiquei em revistas qualificadas sobre filosofia e seu ensino.
Sou organizador do site:http://www.coletaneascientificas.com/

Pois bem, professor Fábio Gabriel, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom conhecer melhor “Diálogos contemporâneos entre Filosofia e Educação” e um pouco mais de sua brilhante trajetória literária. Agradecemos sua participação na Revista Divulga Escritor. Que mensagem você deixa para nossos leitores?

Fábio A. Gabriel - Como estamos iniciando um novo ano, quero desejar a todos os leitores um ano cheio de realizações e que nossos governantes tenham a sensibilidade de olhar para os mais desfavorecidos da sociedade, os quais padecem de tantas formas, e que o leitor que nos acompanha possa ler bons livros ao longo deste ano.

Divulga Escritor, unindo você ao mundo através da Literatura



* * *

PAI NOSSO... - Jorge Luiz Santos

Pai Nosso...

O colégio do professor Chalup, onde estudei, ficava na Praça Adami, em Itabuna, nas imediações entre o Banco Santo André e as Casas Maia. A área construída era muito grande; no centro, havia um salão, onde ele ministrava as suas aulas e mais quatro salas, nas quais trabalhavam outros professores, dentre estes, a sua esposa, professora Mariazinha.

O professor Chalup era de estatura mediana, branco, gordo, careca e asmático; a sua esposa, professora Mariazinha, menor que ele, também era obesa, mas de cor parda.

Todos os dias de aula formava-se aquela fila quilométrica, composta por alunos relapsos, que não queriam nada com a “voz do Brasil¨. No começo da fila, estava o professor Chalup, distribuindo bolos de palmatória àquele ¨alunos¨, que os recebiam nas mãos, com muita dor e lágrimas. Dentro daquela fila, dificilmente eu não me encontrava, seguindo depois para ficar ajoelhado sobre os caroços de milho, até o encerramento das aulas.

Aquele castigo só era interrompido, quando tínhamos que voltar para casa. Mas quem não quisesse voltar para ele, no outro dia, tinha que fazer, do punho próprio, mais de cem copias do texto que o professor Chalup determinava.

Numa dessas vezes, passei a me sentir mal. A professora Mariazinha, preocupada comigo, pôs as mãos sobre o meu peito e começou a orar:

-Pai Nosso que estais nos Céus...

A dor que estava sentindo, transferiu-se de mim para ela. Desse dia em diante, mesmo sem fazer um exame comprobatório, passei a ser tido como portador de alguma deficiência cardiovascular.

Para quem não queria nada, aquele sintoma foi muito oportuno. Toda a vez que entrava naquela fila, deparando-me com o professor Chalup, ele me olhava com fraternidade nos olhos, dispensando da pena que me seria aplicada.

Foi só assim que deixei de tomar aqueles indesejáveis bolos, até que um dia tive que me contrapor a uma ordem do professor Chalup.

Ele havia mandado quatro leões de chácara pegar o meu irmão Bento Rocha (também era seu aluno), lá na nossa casa, para reconduzi-lo àquele lugar de cativeiro.

Fiquei tão indignado que reagi, defendendo Bento verbal e fisicamente daqueles asseclas, passando desse dia em diante, a ser massacrado pelo professor Chalup, todas as vezes que retornava àquela fila quilométrica, do único bolo indesejável: o bolo de palmatória.
.............
Jorge Luiz Santos.
Advogado e cronista. Itabuna - Bahia
E-mail: advjls13@hotmail.com

----------

Fonte: JORNAL DIREITOS

* * *