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sábado, 2 de setembro de 2017

O URUTU HIPNOTIZOU O SABIÁ - Péricles Capanema

1 de setembro de 2017 
Péricles Capanema

O sabiá-laranjeira, que já era ave-símbolo do Estado de São Paulo, foi declarado ave-símbolo do Brasil por decreto de 3 de outubro de 2002. Oficialmente, juntou-se aos quatro símbolos nacionais: bandeira, hino, brasão de armas, selo. Apropriadas as escolhas, brasileiríssimo o sabiá. Representa-nos, como a andorinha à Áustria e a cegonha à Alemanha.

Passo para a cobra. O urutu [foto], sertão afora, intimida mais que a cascavel. Alerta o matuto que o urutu, quando “num mata, aleja”. Os herpetólogos negam que serpente hipnotize passarinho. A ave, descuidada, aproxima-se por si do réptil imóvel, que está pronto para o bote. Aceito a ciência, mas vou ficar aqui com o capiau: o urutu hipnotiza o sabiá. Serve aos objetivos do artigo.

O governo acaba de lançar o mais amplo pacote de privatizações e concessões desde o governo FHC. Já aviso de saída, acho é pouco, e sou favorável à privatização mais abrangente e à utilização crescente das concessões. Em princípio, quanto maior a presença de capital privado na economia, melhor. Entre privatizações e concessões, foram anunciados 806 quilômetros na Manaus-Porto Velho, 634 quilômetros na BR-153, 15 terminais portuários em Belém, Vila do Conde, Paranaguá e Vitória. Doze aeroportos serão entregues à iniciativa privada, entre os quais Congonhas, o mais movimentado do País. O governo pretende vender sua participação nos aeroportos de Guarulhos, Confins, Brasília e Galeão. Há ainda 11 lotes de linhas de transmissão de energia, além de subestações, localizados na Bahia, Ceará, Pará, Paraná, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Minas Gerais e Tocantins, com a obrigação de as empresas vencedoras ampliarem a distribuição.

A mais chamativa de todas é a privatização da Eletrobrás. Haverá emissão de papeis sem subscrição da União, que perderá com isso o controle. A estatal opera 12 hidrelétricas e duas termelétricas, com 61 mil quilômetros de linhas de transmissão. Paro por aqui.

Poderá ser o fim de um pesadelo. Como é notório, as diretorias da Eletrobrás — que registrou prejuízos entre 2012 e 2015 e deve R$40 bilhões — são leiloadas por políticos. Segundo cálculos da 3G Radar, gestora de recursos financeiros, a União (você, contribuinte) perdeu ali cerca de R$186 bilhões nos últimos 15 anos com o rateio político e a má gestão. E a imprensa volta e meia informa que depois do Petrolão virá o Eletrolão. Sua venda poderia gerar R$20 bilhões para os cofres públicos.

Aqui se esgueira o urutu. Em 24 de agosto a Odebrecht Latinvest anunciou a venda da hidrelétrica de Chaglla, a terceira maior do Peru, para um consórcio liderado pela China Three Gorges Corporation(CTG), estatal chinesa, por aproximadamente 1,4 bilhão de dólares. Às vezes faz falta lembrar o óbvio: a CTG é inteiramente dirigida pelo governo e pelo Partido Comunista Chinês (PCC).

Um dia depois, 25 de agosto, o “Estado de S. Paulo” noticiou que na China o presidente Michel Temer vai oferecer o pacote de privatizações e concessões a empresários chineses. Entre os ativos, as quatro usinas da CEMIG: Miranda, São Simão, Volta Grande e Jaguara. O pacote ofertado aos chineses destacará projetos de energia, aqui a Eletrobrás, terminais portuários, transportes, rodovias, hidrovias, ferrovias. Segundo Tarcísio Freitas, secretário de coordenação de projetos da PPI (Programa de Parcerias de Investimentos), membro da comitiva presidencial, para 1º de setembro está agendada reunião do Presidente com o SPIC (State Power Investment Overseas) para propor os negócios. O SPIC — grupo empresarial chinês com 140 mil funcionários e ativos de 126 bilhões de dólares — é estatal, ou seja, dirigido pelo governo e pelo Partido Comunista Chinês. Ele constitui exemplo revelador de pelo menos um tipo de “empresários chineses” (membros do PCC) para os quais será apresentado o pacote de negócios.

A privatização tupiniquim tem apresentado isso de extraordinário: entrega maciça de estatais brasileiras para estatais chinesas. Com um agravante: quem mandava nelas eram os partidos da base aliada, que foram foco de roubalheira debandada e incompetência demolidora. A partir de agora, ou daqui a pouco, quem vai mandar em parte de tais empresas será o Partido Comunista Chinês, do qual elas passarão a ser instrumentos descarados, ocultos, disfarçados — conforme a hora — da política do Partido Comunista Chinês. João Carlos Mello, presidente da Thymos, consultoria do setor elétrico, observou: “Os chineses não gostam de nada pulverizado”. Exemplificou, no segundo semestre de 2016, com a State Grid, estatal chinesa que comprou da Camargo Corrêa os 23% que esta empresa detinha na CPFL (Companhia Paulista de Força e Luz). Nos meses seguintes, os chineses foram adquirindo participações minoritárias. A partir de janeiro de 2017, a State Grid se tornou controladora da CPFL (54,6%). De passagem, a CPFL atende 679 municípios e tem 9,1 milhões de clientes nos estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná e Minas Gerais.

Não custa lembrar que de momento a China e a Rússia, voltando as costas para a fome, as prisões e os assassinatos do povo na Venezuela, estão apoiando a tirania chavista. Aqui no Brasil, o PT também apoia o ditador Maduro. Sintonias.

A que política as estatais chinesas no Brasil servirão? Em quadro mais amplo, na África e América Latina a China está fincando estacas de seu poder, que oportunamente será usado contra a influência dos Estados Unidos. Que papel terá o Brasil na implantação desses objetivos do PCC? Já aviso, se o setor elétrico brasileiro e outras áreas forem entregues ao PCC, o PT vai deixar de falar contra a privatização. O partido tem favorecido interesses de seus aliados, os comunistas chineses.

Por que ninguém comenta o óbvio ululante? Parte da resposta também é óbvia. A China é o maior parceiro comercial do Brasil. Grosso modo, tem conosco as relações econômicas clássicas de metrópole e colônia. Recebe matéria-prima, vende produtos industrializados. Se agirmos contra seus interesses, poderá rapidamente comprar nossos produtos de outros fornecedores. E aí teremos queda de exportações, diminuição do PIB, quebra de empresas, demissões. Ninguém gosta de confessar, mas o silêncio é sintoma de protetorado seminal, construído por anos e anos de distanciamento consciente dos mercados norte-americano e europeu. Ia utilizar distanciamento criminoso, ainda acho que talvez fosse mais apropriado. As instituições nacionais, órgãos do Estado, por patriotismo, e até mesmo por dever constitucional, têm o olhar posto nos perigos à soberania e à independência do Brasil. Ficariam profundamente decepcionados os melhores brasileiros se soubessem que não estão sendo alertados pelos canais adequados com palavras orientadoras que têm o direito de esperar.

De Norte a Sul são alardeadas enormes possibilidades de negócios com a China, ao tempo do silêncio sobre os perigos. Motivo? O parágrafo acima não traz tudo. Têm ainda seu peso a insciência, a superficialidade de espírito e o otimismo doentio. Faltaria algo? Meu medo é que o urutu tenha hipnotizado o sabiá.



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EDITORA ARACNE DA ITÁLIA PUBLICA LIVRO DE POESIA DE CYRO DE MATTOS

Foto ALB
Editora Aracne da Itália publica
Livro de Poesia de Cyro de Mattos


Poesie Brasiliene della Bahía” - Poesia Brasileira da Bahia - é o livro de poemas do escritor e acadêmico Cyro de Mattos, publicado no início deste mês pela Aracne Editora, http://www.aracneeditrice.it, de Roma, Itália, com tradução de Mirella Abriani e desenho da capa de Ângelo Roberto.
Com “Poesie Brasiliene della Bahía”, o autor Cyro de Mattos alcança a marca de onze livros publicados por várias editoras na Europa: quatro em Portugal, quatro na Itália, um na França, um na Alemanha e um na Espanha. Além disso, o escritor tem contos e poemas publicados em Portugal, Itália, França, Rússia, Espanha, Estados Unidos, Dinamarca e México.

Vale a pena ressaltar que, na ocasião em que o poeta baiano recebeu o Segundo Prêmio Internacional de Literatura Maestrale Marengo d`Oro, em Genova, Itália, a presidente do júri, professora doutora Graziela Corsinovi, da Universidade de Genova, ressaltou que a poesia de Cyro de Mattos é dotada de “amplo horizonte histórico e existencial, articulada em lúcido espaço lírico, em que evoca o mistério e a epopeia brasileira com grandes camadas sugestivas.”

A editora Aracne é uma das mais prestigiosas da Europa. Foi criada em 1993 e mantém um canal de TV para divulgar suas atividades no mundo dos livros, através de congressos, reuniões, encontros, seminários, entrevistas, feiras, salões, etc. Publica livros científicos e didática universitária, de economia, política, direito, literatura e arte. Ao longo de mais de vinte anos, já publicou mais de 15 mil livros.

Clique no link

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Cyro de Mattos é baiano de Itabuna. Escritor e poeta, Doutor Honoris Causa pela Universidade Estadual de Santa Cruz (Sul da Bahia). Membro efetivo da Academia de Letras da Bahia, Pen Clube do Brasil, Academia de Letras de Ilhéus e Academia de Letras de Itabuna. Autor premiado no Brasil, publicado em Portugal, Itália, França, Alemanha,  Espanha e Dinamarca. Com Os Ventos Gemedores (EditoraLetraSelvagem),  ganhou o Prêmio Pen Clube do Brasil -2015.

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sexta-feira, 1 de setembro de 2017

O LENHADOR – Catulo da Paixão Cearense

O Lenhador



          Era uma vez... Meus meninos!
             Era uma vez!... Atenção!

         Eu vou contar-vos a história
         do lenhador do sertão.

          Guarde-a bem na memória,
          ou, antes, no coração.

Um lenhador derribava,
àtoa, sem precisão,
tudo quanto ele encontrava
que fosse vegetação.

          A sua pobre avozinha
          toda a noite e todo o dia,
          (mas sempre falando em vão...)
          sem se cansar, lhe dizia:
          “Meu filho!... Tem compaixão!
          “Respeita a imagem das árvores,
          “porque elas têm coração”.

E o lenhador chaboqueiro,
a rir-se, como um selvagem,
dizia que os seus conselhos
não passavam de bobagem.

          Assim, risonho, o malvado,
          acordando muito cedo,
          pegava do seu machado
          e levava o dia inteiro
          esfrangalhando o arvoredo.

          E a sua triste avozinha,
          sempre a chorar, mas em vão,
          a toda hora do dia,
          como quem faz oração,
          de joelhos, lhe repetia
          que tivesse compaixão
          da santidade das árvores,
          que têm alma e coração.

Pois bem:  nesse mesmo dia,
a soltar feros rugidos,
sem atender aos gemidos
da sua avó, da avozinha
centenária de janeiros,
o bruto, o bruto dos brutos,
derribou dois ingazeiros
carregadinhos de frutos.

E a sua avó, coitadinha,
que tantas mágoas já tinha,
piedosa, assim lhe falou:

          “Meu netinho: sê bondoso,
          “como foi teu santo avô!
          “por que foi que decepaste
          “aqueles dois ingazeiros,
          “dois amigos fraternais!
          “Vai pedir perdão, meu filho,
          “perdão para os teus pecados
          “aos dois troncos decepados
          “desses Cristos vegetais!”

D’uma feita, o criminoso,
cantando, jogou no chão
um pé de jacatirão,
tão moço e tão extremoso,
que, com fraternal carinho,
com carinho paternal,
guardava entre os seus verdores
o ninho de um cardeal.

E a velha, que não cansava
de aconselhar o impiedoso
naquele eterno estribilho,
ainda assim suplicava:

“Meu filho, meu pobre filho,
“Tuas ações são contadas
“pelo mal que tu fizeres!
“Respeita todas as árvores,
“que ainda mesmo agigantadas,
“são fracas, como as mulheres”.

          Doutra feita, o renegado,
          sem um tiquinho de dó,
          desgalhou a laranjeira
          da pobrezinha da avó,
          uma velha laranjeira,
          cujas flores enfeitaram,
          há meio século passado,
          seu vestido de noivado,
          quando ela e o morto adorado
          na igrejinha se casaram.

E a avó, sempre com o perdão,
sempre, sempre repetia:

“Tu mataste a laranjeira
“que há tempos já não floria!
“É debalde que eu te imploro!
“Eu sei que te imploro em vão!
“Mas, filho! Tem caridade!
“Tem um tico de piedade
“da pobre vegetação”.

Mas, qual!... Meus filhos! O homem
já não tinha coração!

Vede quanta perversão!

Do lado do capinzal,
lá, onde pastava o gado,
erguia-se um grande ipê,
que o avô tinha plantado
No tempo, em que ele podia
no seu roçado roçar,
depois de levar na roça
com a sua enxada a cavar,
debaixo daquela sombra,
nas horas quentes do dia,
vinha o velho descansar.

          Se era noite de luar,
          ali, num banco de pedra,
          com a viola conversando,
          o velho, já caducando,
          rasgava o peito a cantar.

Pois bem. Um  dia, o tinhoso,
a fera desnaturada,
o tirano dos tiranos,
quis destruir, as escolhas
aquela planta sagrada
aquele templo de folhas,
que tinha mais de cem anos.

Mas quando o rei das florestas,
aos golpes do seu machado,
já começava a pender,
o grande amaldiçoado
viu uns borbulhos de sangue
do tronco velho escorrer!!!...
sacudiu fora o machado,
e deu de perna a valer.

E foi correndo... Correndo!...

E os troncos que ia revendo
das plantas que decepou,
eram braços levantados
de uns homens, desenterrados,
a gritar: - Vai-te, impiedoso!...
- Vai-te embora, cão tinhoso!...
- Cão danado! Cão leproso!

- Foi Deus quem te castigou! –

E foi correndo...  correndo!...

Cada vez corria mais!...

Quis parar!... Olhou pra atrás!...

Mas vendo o ipê debruçado,
como um Cristo ensanguentado,
cada vez corria mais!!

Numa curva do caminho,
um pobre  velho ranchinho,
abandonado, avistou!

Quer ver se para e descansa,
e o ranchinho, por vingança,
todo inteiro desabou

          E foi correndo e gritando!...

          E toda a vegetação
          que o malvado ia encontrando
          e que mal podia ver,
          como se fosse arrancada
          com toda a raiz da terra,
          numa grande disparada,
          ia atrás dele a correr!!!

Na crista da encruzilhada
vendo uma gruta fechada
de verde capoangal,
barafustou pelo mato,
que, logo que viu o ingrato,
de mato manso e macio,
ficou sendo um espinhal!!

          E foi outra vez correndo,
          correndo pelos caminhos!

O capim que ele pisava,
no mesmo instante ficava
crivado todo de espinhos!!

          Ia correndo,  sem tino,
          como um pérfido assassino,
          que um inocente matou!

Mas, agora, em sua frente,
o que ele viu, de repente,
que, de repente, impacou?!

          Era um rio que passava
          ali, naquele lugar!
          O rio tinha uma ponte!...
          Ele foi atravessar!...

          Pôs o pé!... Ia passando!...
          E a ponte rangeu, quebrando!...
          E o homem cai, bracejando,
          na correnteza a boiar!

“Socorro, meu Deus! Socorro!”...
gritava, já se afogando!
“Socorro, que eu vou morrer!
“Eu juro pela avozinha,
“a mãe da minha mãezinha,
“nunca mais na minha vida
“uma só planta ofender!”

          Então, um verde ingazeiro,
          que estava à margem do rio,
           esticou-lhe um braço verde,
          para dar-lhe a salvação!

O homem pegou no galho,
os dentes no galho aferra,
foi subindo, foi subindo,
e quando pisou na terra,
chorava mais que um chorão!

Chorando e beijando o galho,
dizia: - “Muito obrigado!
“Deus te conserve, enfolhado,
“com todo viço e verdor!

          “Quero esquecer meu passado!...
          “Vou sepultar meu machado!
          “não serei mais lenhador!”

Pois bem. Depois do perdão
e daquelas juras santas
que fez ao velho ingazeiro,
veio a regeneração!

          O lenhador do sertão,
          para expurgar-se dos crimes,
          transformou-se em jardineiro!!

                                   *

          Deixando os matos agrestes,
          veio em caminho da roça!

          E, em breve, ao redor da choça,
          feita de barro e coberta
          de sapês hospitaleiros,
          só se viam, florescendo,
          canteiros e mais canteiros.

Levava os dias inteiros
tratando do seu jardim.

E a avó, que já carregava
mais de cem anos de idade,
dizia que neste mundo
nunca viu tanta bondade
e tanta pureza assim.

Depois do labor do dia,
nem mesmo as noites dormia!
Bastava o simples rumor
de um inseto zumbidor,
ou o cicio da aragem,
ciciando entre a folhagem,
para abrir a janelinha
da sua choupanazinha,
e escutando esses rumores
ficar ali, debruçado,
ouvindo a noite inteirinha
o meigo sonho das flores!

De manhã, de manhã cedo,
lá ia saber das rosas,
dos cravos, dos crisântemos,
das açucenas cheirosas,
se tinham dormido bem.

Tinha cuidado com as rosas
que as avós mais carinhosas
com os seus netinhos não têm.
Dizia a uma flor: “Bom dia!
“Como está hoje vermelha!”
Dizia a outra: “Coitada!
“Perdeu seu mel! Foi roubada!
“Minha flor!... Serás vingada!
“Hei de matar essa abelha!”

Depois, com mágoa... com pena
de uma formosa açucena,
que parece que chorava,
batia leve no galho
para livrá-la das lágrimas
daqueles pingos de orvalho!
Ia apanhando do chão,
A flor que no chão caía!
Nas rudes costas da mão,
limpando as flores d’agua
que vinham do coração,
batia em cima do peito,
como quem faz confissão


Quando o sino da capela
vibrava na Ave-Maria
as seis notas mensageiras,
(como o Cristo ajoelhado,
No jardim das Oliveiras),
o grande regenerado
pedia a Deus pelas almas
das flores que nesse dia
no jardim tinha enterrado.

*
          E agora, quando passava
          entre as árvores, cantando,
          cheios d’agua carregando
          seus dois grandes regadores,
          os arvoredos, mostrando
          que ao lenhador perdoavam,
          no jardineiro atiravam
          as suas palmas de flores!!!

No dia em que o lenhador,
que se tornou jardineiro,
rendeu sua alma ao Senhor,
diz o povo do lugar
que, quando foi a enterrar,
as borboletas voavam,
e os passarinhos, cantando,
o féretro acompanhavam!...
e os arvoredos e os matos,
por serem órfãos de flores,
reconhecidos e gratos,
por tamanha adoração,
ao doce gemer dos ventos,
agitavam-se, em lamentos,
atirando seus verdores
sobre as tábuas do caixão.

*

Quem, hoje, por alta noite,
nas horas de mais “quebranto”,
passa pelo Campo Santo,
velho, triste e abandonado,
vê um vulto pervagando
de campa em campa, regando
as flores do cemitério,
onde ele foi enterrado.


(POEMAS BRAVIOS)

Catulo da Paixão Cearense

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TAL BEN-SHAHAR, O PROFESSOR DE HARVARD QUE ENSINA FELICIDADE

O professor de Harvard que ensina a ser Feliz


Você sabia que, em Harvard, uma das mais prestigiadas universidades do mundo, o curso mais popular e bem sucedido ensina você a aprender a ser mais feliz? A aula de Psicologia Positiva ministrada por Tal Ben-Shahar atrai 1400 alunos por semestre e 20% dos graduados de Harvard aceitam esse curso eletivo.

De acordo com Shahar, a classe, que se concentra na felicidade, na autoestima e na motivação, dá aos alunos as ferramentas para ter sucesso e enfrentar a vida com mais alegria. Este professor de 35 anos, considerado por alguns como "o guru da felicidade", destaca em sua aula 14 dicas principais para melhorar a qualidade do nosso status pessoal e contribuir para uma vida positiva:


1: Agradeça sempre a Deus por tudo o que você é e tem.

2: Pratique regularmente uma atividade física.

3: Tome sempre um bom café da manhã.

4:
Seja assertivo.

5: Gaste seu dinheiro em viagens, cursos e aprendizado.

6: Enfrente seus desafios, não fuja deles.

7: Coloque em todos os lugares boas memórias, frases e fotos de seus entes queridos.

8: Sempre cumprimente e seja bom com as outras pessoas.

9: Use sempre sapatos confortáveis.

10: Cuide da sua postura.

11: Ouça boa música e leia bons livros.

12: O que você come tem um impacto direto na sua saúde e no seu humor.

13:
Cuide-se e sinta-se atraente.

14:
Finalmente, acredite em Deus, pois, com suas bênçãos, nada é impossível.


“A felicidade não é estática. É um processo que termina apenas com a morte”.


 Leia sobre Shahar aqui:
 http://exame.abril.com.br/carreira/o-professor-da-alegria/
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Enviado do meu smartphone Samsung Galaxy.

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quinta-feira, 31 de agosto de 2017

A VERDADE DAS ESPUMAS - Carlos Heitor Cony

A verdade das espumas


Acho que não foi há tanto tempo assim. Cheguei à praia com minhas filhas e encontrei um aglomerado de cidadãos. Eles montavam guarda num pequeno trecho da areia, caras alarmadas, pior: pungidas. Não fui eu quem viu o grupo: foi o grupo que me viu e dois de seus membros vieram em minha direção, delicadamente me afastaram das meninas e comunicaram: -Tire depressa suas filhas daqui!. As palavras foram duras, mas o tom era ameno, cúmplice.

Quis saber por que. Em voz baixa, conspiratória, um dos cidadãos me comunicou que ali na arrebentação, boiando como uma anêmona, alga desprendida das profundezas oceânicas, havia uma camisinha -que na época atendia pelo poético nome de "camisa de Vênus".

O grupo de cidadãos ali estava desde cedo, alertando pais incautos, como se a camisinha fosse uma pastilha de material nuclear, uma cápsula de césio com pérfidas e letais emanações.

Não me lembro da reação que tive, é possível que tenha levado as meninas para outro canto, mas tenho certeza de que nem alarmado fiquei. Hoje, a camisinha aparece na televisão, é banal e inocente como um par de patins, um aparelho de barba.

Domingo último, encontrei um grupo de cidadãos em volta de uma coisa. Não, não era aquele monstro marinho que Fellini colocou no final de um de seus filmes. Tampouco era uma camisinha.

O motivo daquela expressão de cidadania era uma seringa que as águas despejaram na areia. Objeto na certa infectado, trazendo na ponta de sua agulha o vírus da Aids, que algum viciado ali deixara para contaminar inocentes e culpados. Daqui a dois, cinco anos, espero que a Aids não mais preocupe a humanidade. Mas os cidadãos continuarão alarmados, descobrindo novas misérias na efêmera eternidade das espumas.

Folha de São Paulo (RJ), 27/08/2017




Carlos Heitor Cony - Quinto ocupante da Cadeira nº 3 da ABL, eleito em 23 de março de 2000, na sucessão de Herberto Sales e recebido em 31 de maio de 2000 pelo acadêmico Arnaldo Niskier.

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