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quarta-feira, 9 de agosto de 2017

FLIPELÔ COMEÇA NESTA QUARTA-FEIRA COM SARAU DE MARIA BETHÂNIA

Festa literária vai ocupar o centro histórico de Salvador com debates e exposições

POR O GLOBO
09/08/2017


Maria Bethânia vai fazer a abertura do primeiro ano da Flipelô - Sergio lsensee


RIO - "O coração da vida popular baiana". Era assim que o escritor Jorge Amado definia o Pelourinho, no centro histórico de Salvador, "a parte mais velha da cidade, a mais poderosa e fascinante". Agora, o local que hoje abriga a Fundação Casa de Jorge Amado, que completa 30 anos em 2017, vai receber a sua primeira festa literária. A Flipelô estreia nesta quarta-feira com um sarau com a cantora Maria Bethânia na Igreja de São Francisco. O evento, todo gratuito, é uma parceria da fundação com o Sesc e a Maré Produções Culturais.

A programação continua até domingo ocupando o Café Teatro Zélia Gattai, na Fundação Casa de Jorge Amado, o Museu Eugenio Teixeira Leal, o Teatro Sesc-Senac Pelourinho, a Sala de Arte Cine XIV, o Largo do Pelourinho e o Terreiro de Jesus. A Flipelô vai reunir alguns dos principais nomes da literatura brasileira contemporânea, como o pernambucano Ronaldo Correia de Brito, a mineira Conceição Evaristo, os baianos Antônio Torres e José Carlos Capinam, e o maranhense Salgado Maranhão.

Jorge Amado será homenageado com a leitura dramática da obra "Compadre de Ogum", no sábado (12), às 11h, no Café Teatro Zélia Gattai, com a exibição do filme "Quincas Berro d'Água" no Cine XIV e com a exposição "100x100 Carybé ilustra Amado", na Galeria Solar do Ferrão.

A Flipelô foi idealizada pela escritora Myriam Fraga, diretora da Fundação Casa de Jorge Amado que morreu em fevereiro do ano passado. Angela Fraga, atual diretora da fundação, explica que as linhas mestras foram mantidas e apenas pequenas modificações foram feitas.

— Queremos despertar nas pessoas o gosto pela escrita, trazer as pessoas para perto de um escritor e festejar o livro, promovendo ainda um intercâmbio cultural no principal cenário da obra de Jorge Amado, o que para Casa é bastante significativo — afirma Angela.




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NUNCA SE CULPE POR FAZER A COISA CERTA


Sim, estamos no mundo para sofrer por amor, para sermos enganados por nós mesmos e pelos outros, manipulados, ignorados, mas também amados, queridos, acolhidos. Estamos no mundo para rir de nós mesmos, da nossa ingenuidade, dos absurdos que dizemos quando estamos tristes, confusos e sozinhos.


Nunca se culpe por ter amado. Por ter confiado. Por ter ajudado. Nunca se culpe por acreditar na bondade humana, na amizade verdadeira, no amor eterno. Nunca se culpe por pagar as contas em dia, ser dedicado ao seu trabalho, honrar seus compromissos. Nunca se culpe por dizer a verdade construtiva e pregar pequenas mentiras a fim de não magoar as pessoas. Nunca se culpe por algo que não deu certo apesar de todo empenho empregado. Nunca se culpe por fazer a coisa certa.

Amou e não foi amado? Paciência. Acreditou que tinha um amigo de verdade e não tinha? Azar do falso amigo que perdeu o seu carinho e atenção. Ajudou alguém e recebeu ingratidão? O problema não está com você com certeza.

Por alguma razão que não sei explicar algumas pessoas ficam ressentidas quando são amparadas e transformam o gesto de carinho em uma arma contra quem as ajudou. Uma espécie de sentimento de inferioridade. Uma raiva forte por ter dependido da bondade alheia. A tristeza por deparar-se com as próprias limitações. Limitações comuns à raça humana. Ninguém é autossuficiente.

Se o outro mentiu, não é você que deve se sentir magoado. Se o outro foi desleal, não é você que deve se sentir traído. Se o outro foi ingrato, não é você que deve se sentir tolo. Tolo é quem não consegue ver a beleza da solidariedade. Tolo é quem acha perda de tempo ajudar as pessoas. Tolo é quem se acha superior aos outros, autossuficiente. Tolo é quem ignora o sofrimento alheio. Tolo é que nunca se permitiu acreditar em nada e deixa a vida passar sem cor, sem odor, sem gosto.

Pode soar como loucura ou poesia barata, mas tolice é deixar de viver, de amar, de acreditar, de se entregar aos sentimentos, sensações e desafios da vida. Tolice é deixar de amar por medo de ser desprezado. Tolice é deixar de fazer uma prova por medo de ser reprovado. Tolice é deixar de fazer um convite por medo de ouvir um não. Tolice é dizer que nada muda no mundo por preguiça de arregaçar as mangas.

Sim, estamos no mundo para sofrer por amor, para sermos enganados por nós mesmos e pelos outros, manipulados, ignorados, mas também amados, queridos, acolhidos.
Estamos no mundo para rir de nós mesmos, da nossa ingenuidade, dos absurdos que dizemos quando estamos tristes, confusos e sozinhos.

Estamos no mundo para ganhar e perder. Ganhar aprendizado perdendo o que julgamos mais querer. Estamos no mundo ao sabor das intempéries da natureza e precisamos aprender a nadar na marra quando formos arremessados no mar das incertezas. Viver é não saber. É não entender. É perdoar ...é se perdoar e seguir em frente. Nunca se culpe por fazer a coisa certa.

SÍLVIA MARQUES
Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..

http://obviousmag.org/cinema_pensante/2015/06/nunca-se-culpe-por-fazer-a-coisa-certa.html?utm_source=obvious&utm_medium=Article_Column&utm_campaign=Popular_Articles

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10 DE AGOSTO: DIA DE JORGE AMADO – Nem a rosa, nem o cravo...

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Nem a rosa, nem o cravo...
Jorge Amado


As frases perdem seu sentido, as palavras perdem sua significação costumeira, como dizer das árvores e das flores, dos teus olhos e do mar, das canoas e do cais, das borboletas nas árvores, quando as crianças são assassinadas friamente pelos nazistas? Como falar da gratuita beleza dos campos e das cidades, quando as bestas soltas no mundo ainda destroem os campos e as cidades?

Já viste um loiro trigal balançando ao vento? É das coisas mais belas do mundo, mas os hitleristas e seus cães danados destruíram os trigais e os povos morrem de fome. Como falar, então, da beleza, dessa beleza simples e pura da farinha e do pão, da água da fonte, do céu azul, do teu rosto na tarde? Não posso falar dessas coisas de todos os dias, dessas alegrias de todos os instantes. Porque elas estão perigando, todas elas, os trigais e o pão, a farinha e a água, o céu, o mar e teu rosto. Contra tudo que é a beleza cotidiana do homem, o nazifascismo se levantou, monstro medieval de torpe visão, de ávido apetite assassino. Outros que falem, se quiserem, das árvores nas tardes agrestes, das rosas em coloridos variados, das flores simples e dos versos mais belos e mais tristes. Outros que falem as grandes palavras de amor para a bem-amada, outros que digam dos crepúsculos e das noites de estrelas. Não tenho palavras, não tenho frases, vejo as árvores, os pássaros e a tarde, vejo teus olhos, vejo o crepúsculo bordando a cidade. Mas sobre todos esses quadros boiam cadáveres de crianças que os nazis mataram, ao canto dos pássaros se mesclam os gritos dos velhos torturados nos campos de concentração, nos crepúsculos se fundem madrugadas de reféns fuzilados. E, quando a paisagem lembra o campo, o que eu vejo são os trigais destruídos ao passo das bestas hitleristas, os trigais que alimentavam antes as populações livres. Sobre toda a beleza paira a sombra da escravidão. É como u'a nuvem inesperada num céu azul e límpido. Como então encontrar palavras inocentes, doces palavras cariciosas, versos suaves e tristes? Perdi o sentido destas palavras, destas frases, elas me soam como uma traição neste momento.

Mas sei todas as palavras de ódio, do ódio mais profundo e mais mortal. Eles matam crianças e essa é a sua maneira de brincar o mais inocente dos brinquedos. Eles desonram a beleza das mulheres nos leitos imundos e essa é a sua maneira mais romântica de amar. Eles torturam os homens nos campos de concentração e essa é a sua maneira mais simples de construir o mundo. Eles invadiram as pátrias, escravizaram os povos, e esse é o ideal que levam no coração de lama. Como então ficar de olhos fechados para tudo isto e falar, com as palavras de sempre, com as frases de ontem, sobre a paisagem e os pássaros, a tarde e os teus olhos? É impossível porque os monstros estão sobre o mundo soltos e vorazes, a boca escorrendo sangue, os olhos amarelos, na ambição de escravizar. Os monstros pardos, os monstros negros e os monstros verdes.

Mas eu sei todas as palavras de ódio e essas, sim, têm um significado neste momento. Houve um dia em que eu falei do amor e encontrei para ele os mais doces vocábulos, as frases mais trabalhadas. Hoje só o ódio pode fazer com que o amor perdure sobre o mundo. Só o ódio ao fascismo, mas um ódio mortal, um ódio sem perdão, um ódio que venha do coração e que nos tome todo, que se faça dono de todas as nossas palavras, que nos impeça de ver qualquer espetáculo - desde o crepúsculo aos olhos da amada - sem que junto a ele vejamos o perigo que os cerca.

Jamais as tardes seriam doces e jamais as madrugadas seriam de esperança. Jamais os livros diriam coisas belas, nunca mais seria escrito um verso de amor. Sobre toda a beleza do mundo, sobre a farinha e o pão, sobre a pura água da fonte e sobre o mar, sobre teus olhos também, se debruçaria a desonra que é o nazifascismo, se eles tivessem conseguido dominar o mundo. Não restaria nenhuma parcela de beleza, a mais mínima. Amanhã saberei de novo palavras doces e frases cariciosas. Hoje só sei palavras de ódio, palavras de morte. Não encontrarás um cravo ou uma rosa, uma flor na minha literatura. Mas encontrarás um punhal ou um fuzil, encontrarás uma arma contra os inimigos da beleza, contra aqueles que amam as trevas e a desgraça, a lama e os esgotos, contra esses restos de podridão que sonharam esmagar a poesia, o amor e a liberdade!
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O texto acima foi publicado no jornal "Folha da Manhã",  edição de 22/04/1945, e consta do livro "Figuras do Brasil: 80 autores em 80 anos de Folha", PubliFolha - São Paulo, 2001, pág. 79, organização de Arthur Nestrovski.

Conheça a vida e a obra de Jorge Amado visitando “Biografias”.



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JORGE AMADO - Quinto ocupante da Cadeira 23 da ABL, eleito em 6 de abril de 1961, na sucessão de Otávio Mangabeira e recebido pelo Acadêmico Raimundo Magalhães Júnior em 17 de julho de 1961. Recebeu os Acadêmicos Adonias Filho e Dias Gomes.
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terça-feira, 8 de agosto de 2017

SERESTA DOS PAIS ABERTA AO PÚBLICO NA AABB ITABUNA

Carlos dos Teclados é a atração musical.
Comemoração do Dia dos Pais é com seresta na AABB


Em evento aberto para todos que curtem seresta, a AABB Itabuna comemora o Dia dos Pais na véspera, sábado, 12/08, em seu Salão Social. É a Seresta dos Pais. Não sócios também têm acesso através de mesas com direito a quatro pessoas.

A atração musical é o vocalista e tecladista Carlos dos Teclados. Nome consagrado da seresta, Carlos irá interpretar músicas marcantes deste gênero musical que sofre influência do bolero, da serenata e até do arrocha, e é por muitos considerado como a mais autêntica música popular brasileira.

A AABB Itabuna oferece serviço próprio de bar e restaurante, com pratos tradicionais, tira-gostos, bebidas prontas e preparadas na hora. Tudo sob responsabilidade de uma equipe permanente de cozinheiras e servido por uma experiente equipe de garçons. E com os preços do restaurante do clube, sempre bastante acessíveis.

As reservas já podem ser feitas na Secretaria do clube, pessoalmente ou através dos telefones (73) 3211-4843 e 3211-2771 (Oi fixo). Para os não sócios, mesa para 4 pessoas custa R$ 60,00. Sócios pagam R$ 40,00. A Seresta dos Pais começa às 21h00 do sábado, 12 de agosto, e é um evento único para toda família curtir, comentar e compartilhar o Dia dos Pais.


Contato – Raul Vilas Boas: (73) 9.9112-8444 (Tim) / (73) 9.8888-8376 (Oi)

Assessoria de Imprensa – Carlos Malluta: (73) 8877-7701 (Oi) / (73) 9133-4523 (Tim)

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10 DE AGOSTO: DIA DE JORGE AMADO - Os anos de aprendizado

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Os anos de aprendizado


Eu vinha de uma infância nas terras bravias do cacau, assistira ao drama da conquista da selva, ouvira a voz dos advogados nos júris dos coronéis de toda audácia, ainda infante fora banhado pelo sangue de meu pai ferido numa tocaia. Traduzia dentro de mim os ecos da grande epopeia e também os lamentos lancinantes dos trabalhadores curvados nas rocas, numa vida de bestas de carga.

Os anos de adolescência na liberdade das ruas da cidade do Salvador da Bahia, misturado ao povo do cais, dos mercados e feiras, nas rodas de capoeira e nas festas dos candomblés e no átrio das igrejas centenárias, foram minha melhor universidade, deram-me o pão da poesia, que vem do conhecimento das dores e das alegrias de nossa gente. Ao rememorar esse tempo, posso medir e pesar a infinita compreensão, a paciência do coronel João Amado de Faria, conquistador de terra e plantador de cacau, e de dona Eulália Leal Amado, sua esposa, que muitas vezes dormiu com a repetição ao lado do leito como ainda hoje ama contar. Como todos aqueles rudes desbravadores, eles desejavam ver o filho feito doutor, advogado, médico ou engenheiro. E o filho desprezava os manuais de estudo para atirar-se à vida, procurar a redação dos jornais, escrever inconsequências em pequenas revistas de limitada duração. Souberam eles compreender e confiar e, se alguma coisa realizei de perdurável a eles devo, à sua constante e comovente solidariedade.

A eles e ao povo de meu Estado. Com o povo aprendi tudo quanto sei, dele me alimentei e, se meus são os defeitos da obra realizada, do povo são as qualidades porventura nela existentes. Porque, se uma qualidade possui, foi a de me acercar do povo, de misturar-me com ele, viver sua vida, integrar-me em sua realidade. Seja no mundo heroico e dramático do cacau, seja no oleoso mistério negro da cidade de  Salvador da Bahia.

Penso, assim , poder afirmar que chego à vossa ilustre companhia pela mão do povo, pela fidelidade conservada aos seus problemas, pela lealdade com que procurei servi-lo tentando fazer de minha obra arma de sua batalha contra a opressão e pela liberdade, contra a miséria e subdesenvolvimento e pelo progresso e pela fartura, contra a tristeza e o pessimismo, pela alegria e confiança no futuro. Segundo a lição da literatura baiana, fiz de minha vida e de minha obra uma coisa única, unidade do homem e do escritor, aprendida na estrela maior do céu baiano, o poeta Castro Alves, estrela matutina da liberdade, estrela vespertina dos ais de amor.


(TRECHO DO DISCURSO DE POSSE NA ABL)

Jorge Amado
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JORGE AMADO - Quinto ocupante da Cadeira 23 da ABL, eleito em 6 de abril de 1961, na sucessão de Otávio Mangabeira e recebido pelo Acadêmico Raimundo Magalhães Júnior em 17 de julho de 1961. Recebeu os Acadêmicos Adonias Filho e Dias Gomes.

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JORGE PORTUGAL LANÇA LIVRO NA FLIPELÔ

Por que o Subaé não molha o mapa  é o título do livro que o compositor, professor e atual Secretário de Cultura do Estado da Bahia, Jorge Portugal, vai lançar no próximo dia 11, sexta feira, as 17h30  na Casa das editoras baianas no Pelourinho.
O lançamento fará parte da programação da FLIPELÔ.

O livro que leva o selo da Caramurê Publicações, reúne 15 crônicas e tem como cenário a cidade de Santo Amaro, ou “Santinho”, como carinhosamente cita o autor na dedicatória. Numa abordagem particular e uma linguagem muitas vezes bem humorada, Portugal, consegue mostrar a cidade no seu íntimo, com personagens anônimos e conhecidos se relacionando num misto de ficção e realidade.

Antes dos autógrafos o autor convida Pasquale Cipro Neto e Roberto Mendes em um bate papo com o público sobre literatura e música.“Portugal é um ícone da cultura da Bahia, ele tem o carisma do educador e alma de compositor, comenta o editor da Caramurê Fernando Oberlaender.

A Caramurê na Flipelô

Além do lançamento do livro de Jorge Portugal vários outros autores da editora estarão participando de eventos na Casa Amarela como: Ruy Espinheira Filho, que junto com Antônio Brasileiro participará de uma mesa de bate papo no dia 10/8, quinta feira ás 20h com o tema “Literatura e perspectivas”. Em seguida Ruy estará autografando o seu livro “Uma Alegria na Família”. Antes, as 15 h, os autores Saulo Dourado e Breno Fernandes estarão na mesa “Literatura Contemporânea   nas Mídias Sociais”.

 No dia 11/8, sexta feira, a agenda será cheia. Além do lançamento a autora Maria Antônia Ramos Coutinho participa da mesa “Mestres dos saberes na literatura infantil” e às 17h Aleilton Fonseca autografa o seu livro “As Marcas da Cidade”.

 As 17h30, ​no dia seguinte, (12) ​o poeta José Carlos Capinan bate um papo com Gesse Gesse sobre música e literatura e autografa o seu livro “Vinte Canções de Amor e um Poema quase Desesperado”. E no Domingo, dia 1​3​ /8, com a produção da Caramurê, a autora Emília Nunes faz contação de história e autografa o seu livro “A menina da Cabeça Quadrada”.

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Mais informações à imprensa:
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TRUMP QUER INVESTIGAR SE COTAS RACIAIS PREJUDICAM BRANCOS

3 de agosto de 2017

O jornal americano “New York Times” informou ontem que o governo do presidente Donald Trump prepara uma investigação sobre se a política de cotas para negros em universidades americanas está discriminando candidatos brancos. O Departamento de Justiça americano estaria iniciando a seleção de pessoal para investigar as políticas de ação afirmativa — o que pode vir a ser a base para uma mudança das políticas que visam reduzir a diferença de escolaridade e de renda entre brancos e negros nos Estados Unidos.

De acordo com fontes sigilosas ao jornal, a proposta partiu do procurador-geral Jeff Sessions, considerado um dos nomes mais conservadores do governo Trump e que, no início de sua carreira, chegou a ser rejeitado como juiz federal por ter sido acusado de ser adepto de teses racistas. O “New York Times” informou que seriam redirecionados recursos da área de direitos civis do Departamento de Justiça para esta investigação — e não da área de Oportunidades Educacionais, que tradicionalmente cuida do tema —, e que ela poderia gerar ações judiciais sobre “discriminação intencional baseada em raça” nos processos de admissão de faculdades e universidades.

Muitos estudos indicam que as populações negra, latina e indígena tiveram mais acesso à educação superior a partir das políticas de cotas. Muitos países, inclusive o Brasil, se inspiraram nestas políticas para criar diretrizes que facilitam o acesso de negros e pobres às universidades, com reservas de vagas ou aumento de pontuação nos processos de seleção.

Claro que tanto o NYT como o GLOBO, ambos ícones do “progressismo”, iriam pintar tal decisão como racista e equivocada. Ela teria partido de alguém que já foi acusado de racismo, e “muitos estudos” indicam que as “minorias” se beneficiaram das cotas raciais. São sempre os “especialistas”…

Que tal perguntar, então, a Thomas Sowell o que seus vários estudos sobre a política apontam? Sowell, não custa lembrar, é negro. É também um respeitado economista de Chicago, e escreveu um livro com profundas pesquisas sobre cotas nos Estados Unidos e em outros países. Suas conclusões não são nada favoráveis. Ao contrário: ele mostra como elas são perigosas.

Na melhor das hipóteses, as cotas raciais beneficiam as elites negras, não os mais pobres, e à custa dos pobres brancos. O jornal afirma que populações negra, latina e indígena tiveram mais acesso, mas aumentaram as vagas totais ou eles entraram no lugar de pobres brancos? Se é jogo de soma zero, por vagas finitas, então um precisa sair para o outro entrar, um deve perder para o outro ganhar, não? Elementar.

O que Trump quer é investigar justamente isso: houve uma política de discriminação contra brancos, por serem brancos, para favorecer negros? Isso não seria racismo reverso, indo contra o que o próprio Martin Luther King desejava, com uma nação que julgassem com base no mérito, não na cor da pele?

As cotas raciais acabaram segregando ainda mais a população, e nunca antes na história americana o clima esteve tão dividido, graças em parte ao próprio ex-presidente Obama, que soube abusar da cartada racial e incitar o racha, mesmo quando era para proteger marginais negros e condenar policiais como racistas.

A quem as cotas efetivamente ajudaram? A educação pública está em declínio evidente, e Sowell, assim como Walter Williams, outro respeitado pensador negro, condenam as cotas e pregam, em seu lugar, o voucher para que os pobres, todos os pobres, independentemente da cor, tenham acesso a melhores escolas particulares. A “charter school” também é uma alternativa melhor, pois delega a administração ao setor privado, reduzindo o poder dos sindicatos e melhorando o mecanismo de incentivos.

Ou seja, quem quer realmente melhorar a situação não só dos negros, mas de todos os americanos mais pobres não deveria enaltecer a política de cotas raciais, e sim defender meios que efetivamente melhorem o resultado final da educação. O modelo atual tem falhado visivelmente, em todos os aspectos.

Todo liberal, defensor da isonomia, da igualdade perante as leis e da meritocracia, deveria condenar as cotas raciais. Os racistas podem gritar “Black Lives Matter” enquanto defendem bandidos que matam policiais, brancos e negros. Mas os patriotas deveriam gritar “All Lives Matter”. Trump acertou mais uma.

Rodrigo Constantino, para o Instituto Liberal.




Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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