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quarta-feira, 9 de agosto de 2017

NUNCA SE CULPE POR FAZER A COISA CERTA


Sim, estamos no mundo para sofrer por amor, para sermos enganados por nós mesmos e pelos outros, manipulados, ignorados, mas também amados, queridos, acolhidos. Estamos no mundo para rir de nós mesmos, da nossa ingenuidade, dos absurdos que dizemos quando estamos tristes, confusos e sozinhos.


Nunca se culpe por ter amado. Por ter confiado. Por ter ajudado. Nunca se culpe por acreditar na bondade humana, na amizade verdadeira, no amor eterno. Nunca se culpe por pagar as contas em dia, ser dedicado ao seu trabalho, honrar seus compromissos. Nunca se culpe por dizer a verdade construtiva e pregar pequenas mentiras a fim de não magoar as pessoas. Nunca se culpe por algo que não deu certo apesar de todo empenho empregado. Nunca se culpe por fazer a coisa certa.

Amou e não foi amado? Paciência. Acreditou que tinha um amigo de verdade e não tinha? Azar do falso amigo que perdeu o seu carinho e atenção. Ajudou alguém e recebeu ingratidão? O problema não está com você com certeza.

Por alguma razão que não sei explicar algumas pessoas ficam ressentidas quando são amparadas e transformam o gesto de carinho em uma arma contra quem as ajudou. Uma espécie de sentimento de inferioridade. Uma raiva forte por ter dependido da bondade alheia. A tristeza por deparar-se com as próprias limitações. Limitações comuns à raça humana. Ninguém é autossuficiente.

Se o outro mentiu, não é você que deve se sentir magoado. Se o outro foi desleal, não é você que deve se sentir traído. Se o outro foi ingrato, não é você que deve se sentir tolo. Tolo é quem não consegue ver a beleza da solidariedade. Tolo é quem acha perda de tempo ajudar as pessoas. Tolo é quem se acha superior aos outros, autossuficiente. Tolo é quem ignora o sofrimento alheio. Tolo é que nunca se permitiu acreditar em nada e deixa a vida passar sem cor, sem odor, sem gosto.

Pode soar como loucura ou poesia barata, mas tolice é deixar de viver, de amar, de acreditar, de se entregar aos sentimentos, sensações e desafios da vida. Tolice é deixar de amar por medo de ser desprezado. Tolice é deixar de fazer uma prova por medo de ser reprovado. Tolice é deixar de fazer um convite por medo de ouvir um não. Tolice é dizer que nada muda no mundo por preguiça de arregaçar as mangas.

Sim, estamos no mundo para sofrer por amor, para sermos enganados por nós mesmos e pelos outros, manipulados, ignorados, mas também amados, queridos, acolhidos.
Estamos no mundo para rir de nós mesmos, da nossa ingenuidade, dos absurdos que dizemos quando estamos tristes, confusos e sozinhos.

Estamos no mundo para ganhar e perder. Ganhar aprendizado perdendo o que julgamos mais querer. Estamos no mundo ao sabor das intempéries da natureza e precisamos aprender a nadar na marra quando formos arremessados no mar das incertezas. Viver é não saber. É não entender. É perdoar ...é se perdoar e seguir em frente. Nunca se culpe por fazer a coisa certa.

SÍLVIA MARQUES
Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..

http://obviousmag.org/cinema_pensante/2015/06/nunca-se-culpe-por-fazer-a-coisa-certa.html?utm_source=obvious&utm_medium=Article_Column&utm_campaign=Popular_Articles

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segunda-feira, 29 de maio de 2017

MUITO PIOR DO QUE UM INIMIGO EXPLÍCITO É UM FALSO AMIGO - POR SÍLVIA MARQUES

Muito pior do que um inimigo explícito é um falso amigo


Estar feliz é o que mais queremos. Cada um tem um conceito de felicidade. Para alguns é viver o amor plenamente. Para outros é ter filhos. Para algumas pessoas é usufruir de muito tempo livre para descansar. As definições não param por aqui...muitos precisam de um mix de condições para se sentirem realmente bem. Mas , o objetivo deste artigo, não é explicar o que é a felicidade , mas sim dizer que independente da visão de mundo de cada um e das nossas prioridades, fica muito complicado estar feliz com gente nos sabotando a todo momento.

Sim, algumas pessoas criam pequenas armadilhas para sabotar a felicidade alheia , para inviabilizar a vida das outras pessoas. Nunca temi os inimigos explícitos como temo os falsos amigos.

Sim, muito pior do que um inimigo explícito, é um falso amigo. É uma pessoa que se enfronha em nossa intimidade , que toma conhecimento de informações importantes e que as utiliza para criar pequenos infernos na vida dos outros. Quem nunca conheceu alguém assim deve se considerar muito sortudo. Quem nunca agiu como um falso amigo, deve se sentir muito feliz.

Algumas pessoas mesmo sendo gentis e bastante educadas, deixam claro, por meio de meias palavras , gestos sutis e muitas omissões que não entraram em nossa vida para torná-la mais feliz. Quantas pessoas que dizem gostar da gente , não injetam dúvidas e mal estar por meio de comentários aparentemente despretensiosos?

Em quantos almoços de família ou reuniões entre amigos , não encontramos pessoas que sutilmente desmerecem as realizações profissionais dos outros? Em quantos almoços de família ou reuniões entre amigos , não encontramos pessoas que , por meio de brincadeiras, ou por meio de conselhos, não nos desmotivam ou não lançam sombras sobre o nosso relacionamento amoroso ou sobre qualquer projeto que queiramos pôr em prática?

Não digo que todo conselho seja negativo e que toda brincadeira seja maldosa. Sim, existem bons conselhos de fato e brincadeiras para descontrair apenas, sem nenhuma segunda intenção. Mas , se a gente parar para prestar atenção, perceberemos que algumas pessoas , pouco ou nada agregam de bom em nossa vida. Perceberemos que algumas pessoas , mesmo sendo gentis , em nada nos ajudam, que nada de fato compartilham com a gente e que se mantém por perto como uma força desagregadora ou simplesmente para obter alguma vantagem. Muitas vezes , algumas pessoas desejam algo material ou energético que podemos oferecer. Mas , em muitos casos , algumas pessoas demonstram uma amizade ou carinho, para criarem situações que venham a estragar a alegria alheia.

Quantas pessoas não se aproveitam do status de amigo para destruir a relação amorosa de alguém do grupo? Quantas pessoas não se aproveitam do status de amigo para destruir a determinação de alguém mais inteligente e talentoso?
Quantas pessoas não se aproveitam do status de parente pra pedir favores absurdos , como altas quantias em dinheiro que nunca serão pagas, hospedagens por tempo indeterminado ou o caso inverso: interferem na vida pessoal do parente , determinando como ele deve viver, por "apoiá-lo" financeiramente? Quantos parceiros amorosos não minam a autoconfiança do cônjuge apenas para mantê-lo servil?

Não digo que devemos desconfiar de tudo e de todos a todo momento. Nem defendo a ideia de que estão sempre fazendo uma conspiração. Apenas alerto para o perigo das falsas amizades. Sim, elas existem. Apenas peço para prestarem mais atenção nas pessoas que estão ao redor e fazerem um balanço das relações sociais. Quando uma pessoa está sempre relacionada a momentos estressantes , a compromissos cancelados na última hora , a comentários que nos tiram o sono, a piadas que nos fazem duvidar do nosso potencial, fique atento. Quando um parente só te liga para pedir favores, quando um parente que te ajuda financeiramente vive te colocando em saias justas , quando um amigo inviabiliza o seu relacionamento amoroso, quando o seu relacionamento amoroso poda a sua individualidade, tome cuidado.

SÍLVIA MARQUES
Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..


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terça-feira, 29 de novembro de 2016

SOBRE O PODER DA POESIA, por Sílvia Marques

Sobre o poder da poesia

A natureza , as artes , o amor ao saber , o contato com as outras pessoas deveriam ser os nossos ícones. E não os shoppings centers que viraram os templos sagrados da nossa sociedade. Deveríamos gastar menos tempo e dinheiro em barzinhos da moda e fazer mais encontros em casa.Deveríamos dedicar mais tempo aos amigos de verdade do que aos contatos sociais. Deveríamos dedicar mais tempo ao prazer , à alegria do que aos cursos online para estimular uma produtividade, muitas vezes, mecanizada. Deveríamos criar nossos filhos para serem pessoas inteiras e não robozinhos que servem aos interesses do status quo.
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Em tempos de literatura de autoajuda e frases prontas pregando um otimismo irreflexivo, falar sobre qualquer tipo de poesia parece algo anacrônico, sem muito sentido.

Não, não, não! Não estou pregando o pessimismo. Questionar um otimismo sem embasamento não significa ser pessimista. Entre os extremos , existem sempre muitas possibilidades. Normalmente as mais interessantes e intrigantes.

Não creio que devamos ser reclamões e acomodados. Não creio que devamos cruzar os braços porque a vida é difícil. Sim, a vida é bem difícil. Não creio que devamos nos acostumar com tudo nem nos conformar com uma vida apequenada, medíocre.

Por outro lado, não creio que com pensamento positivo tudo se resolva. Não creio num manual estilo receita de bolo para ser feliz. Muito pelo contrário. Acho que este tipo de literatura mais atrapalha do que ajuda. Num primeiro momento parece ajudar pois infla o leitor de esperança. Mas conforme o tempo vai passando e a pessoa vai percebendo que pensamento positivo colabora , mas não é tudo, um sentimento de revolta pode surgir. Contra o Universo. Contra si mesmo. Sim, muita gente quando não consegue concretizar as promessas dos livros de autoajuda podem voltar-se contra si mesmas , achando que não tiveram fé suficiente. Achando que não pensaram positivamente o bastante.

Me parece que esta necessidade de encontrar uma causa e um efeito para tudo é um bom começo para pirar qualquer pessoa. Falo por experiência própria. Sim, algumas coisas não fazem muito sentido mesmo. Se a gente for buscar o porquê de tudo, corre o sério risco de deixar de viver as coisas mais simples e ao mesmo tempo sublimes da nossa existência. E é aí que entra a poesia no meu atual post...

Quando uso o termo poesia , não me refiro apenas ao gênero literário. Me refiro a todas as poesias da vida. Me refiro à poesia que existe num jogo de luzes e sombras numa fotografia ou num quadro. Me refiro à poesia de uma música que fala ao coração. À poesia que habita o cheiro do café recém-coado, o cheiro do bolo assando, a textura da manteiga se derretendo no pão quente , as gotas de chuva através do vidro da janela, o risinho de uma criança , o balbuciar de um bebê , o abraço apertado entre amigos que não se veem há muito tempo. E falo da poesia como gênero literário também.

Raramente paramos para ler um livro de poesias ou nos deleitamos diante de um quadro. Raramente nos deixamos levar pelas luzes de uma fotografia , pelas formas e cores de uma pintura , pelos silêncios de uma música. Raramente nos deixamos levar pelo calor morno de uma manhã ensolarada ou pelo frio nostálgico de uma tarde cinzenta. Normalmente comemos e bebemos apressados , sem sentir as rimas e metáforas que existem numa simples xícara de café , numa taça de vinho, no sorriso da pessoa amada. Normalmente andamos apressados , querendo realizar e realizar cada vez mais , mergulhados em planos infindáveis. Mas raramente nos deixamos envolver pelas coisas que já fazem parte do nosso presente , que esperam pacientemente por apenas um olhar nosso.

Sim, deveríamos ler mais poesia e filosofia. Não para arrotar conhecimento na cara das pessoas. Mas para transformar a nós mesmos. Deveríamos carregar mais livros debaixo do braço, dentro da alma. Deveríamos passear mais em livrarias , passar tardes em cinemas alternativos , fazer piqueniques em parques. E entre uma mordida num sanduíche caseiro e um gole de uma bebida qualquer , degustar pensamentos poéticos , compartilhá-los com pessoas queridas.

A natureza , as artes , o amor ao saber , o contato com as outras pessoas deveriam ser os nossos ícones. E não os shoppings centers que viraram os templos sagrados da nossa sociedade. Deveríamos gastar menos tempo e dinheiro em barzinhos da moda e fazer mais encontros em casa. Deveríamos dedicar mais tempo aos amigos de verdade do que aos contatos sociais. Deveríamos dedicar mais tempo ao prazer , à alegria do que aos cursos online para estimular uma produtividade, muitas vezes, mecanizada. Deveríamos criar nossos filhos para serem pessoas inteiras e não robozinhos que servem aos interesses do status quo.

Deveríamos cultuar mais livros e filmes do que sapatos e bolsas. As nossas estantes de livros deveriam ocupar mais espaço em nossas casas e em nossas vidas do que nossas sapateiras. Muita gente ao ler esta frase , vai pensar ou dizer: "Qual é o problema de preferir sapatos a livros? Preferir sapatos é uma questão de gosto, ué?" Se alguém não consegue entender que livros são mais importantes do que colecionar sapatos , eu realmente não tenho nada a dizer. Preferir sapatos , ok. Sem problemas. O triste é não conseguir entender a superficialidade da sua preferência. Sei que minha frase soa de forma bem pedante e autoritária, mas chega uma hora em que não dá mais para usar meias palavras. Sim, me parece muito triste viver em uma sociedade que não consegue enxergar o quanto suas prioridades demonstram uma devastadora superficialidade emocional e intelectual.

Por outro lado, também é inegável que existem muitos devoradores de livros que são superficiais e que não conseguem traduzir para a própria vida aquilo que eles leem. Usar o conhecimento como estratégia de dominação provavelmente é muito pior do que ser meramente superficial.

Sim, deveríamos buscar a felicidade existencial e única e não a felicidade pasteurizada que se reverte em mais um objeto de status. Deveríamos falar e entender mais sobre as variadas poesias...deveríamos ser nós mesmos mais poesia do que simplesmente pedras de um jogo de xadrez servindo à regras que não compreendemos e nos deleitando com vitórias que não são nossas.


SÍLVIA MARQUES
Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..


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