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domingo, 25 de fevereiro de 2024
quinta-feira, 15 de fevereiro de 2024
Um Marujo na Folia
Cyro de Mattos
Os amigos resolveram organizar um bloco para brincar pela primeira vez o Carnaval
nas matinês do Clube Social e Recreativo de Itabuna. A fantasia era simples,
toda branca. Sapato preto, meias de cano longo, calça curta de brim, camisa de
algodão, a manga curta, colar colorido de papel crepom ao redor do pescoço e
boné de marinheiro. O bloco ia se chamar
“Os Marujos na Folia”. Beto, que era o mais velho de todos, falou que o bloco
teria onze componentes, como num time de futebol, adiantando logo que eu não
podia ficar de fora, já que participava de todas as aventuras e brincadeiras
dos meninos lá da Rua do Quartel Velho.
O menino só podia brincar o Carnaval nas duas matinês que o clube social
oferecia, no domingo e terça-feira, se o pai fosse um dos integrantes do quadro
dos associados. Beto sabia que meu pai não era associado do clube, mas me
prometeu que ia pedir ao pai dele que falasse com o meu para contornar o
problema. Soube depois que meu pai se negou a se tornar sócio do clube.
A recusa de meu pai deixou-me triste e preocupado. Ficava sem sair no
bloco “Os Marujos na Folia”, e, por isso mesmo, não ia brincar com os amigos o
Carnaval nas duas matinês que o clube oferecia todos os anos. E uma das coisas
que qualquer menino mais desejava era brincar o carnaval nas matinês do único
clube social da cidade. Ali estava a grande oportunidade para conquistar uma
namorada. Mesmo que o namoro durasse
apenas aquelas duas animadas tardes de carnaval no salão do clube. Consistisse
em pegar na mão da menina, de vez em quando passar o braço no ombro dela,
trocar olhares ingênuos e sair cantando com a eleita, dando voltas e voltas
pelo salão.
Nas matinês animadas, os foliões mirins jogavam serpentina para o alto,
confete e lança-perfume uns nos outros. Cantavam as marchas ou sambas que eram
tocados pela orquestra “Bambas da Alegria”.
Minha mãe pediu ao pai, insistentemente, que se tornasse sócio do clube.
Adiantou-lhe que a fantasia ela mesmo fazia para o filho. Ele ficou
irredutível, alegando que quando fosse pagar a mensalidade do clube podia não
ter o dinheiro, ia passar vergonha. Não queria também sacrificar coisas mais
importantes que a vida exigia para comprar, como comida, roupa, remédio e
escola do filho, em razão de ter de saldar esse tipo de compromisso em todo mês
com o clube.
- Eu é que sei o quanto me custa arranjar dinheiro para sustentar a
família – dizia meu pai com o rosto sério. – Não quero falar mais sobre esse
assunto – concluía, sem querer saber dos argumentos que a mãe alegava para
fazer com que ele mudasse de atitude e desse aquele prazer ao filho – o de
brincar pela primeira vez o Carnaval no clube com os amigos.
Quando parecia que tudo estava perdido, chegou-me não sei de onde aquela
ideia como que acesa por uma pequena luz, que de repente passava a iluminar o
caminho para que eu fosse brincar o carnaval no clube. Lembrei-me do porão da
casa abandonada, vizinha do prédio do clube social. Era ali que fazia meu
esconderijo quando brincava de mocinho e bandido com a turma. Havia no
esconderijo aquele quadrado vazio na parede lateral, deixado provavelmente com
a retirada duma janela carcomida pelos cupins. Sabia que por ali qualquer
pessoa podia passar e, em poucos minutos, estava na quadra
de basquete do clube. Tinha feito isso várias vezes, deixando os amigos a ver
navios, quando eu era o mocinho perseguido por um bando de bandidos perigosos.
Falei com Beto sobre meu plano. Dez minutos
antes de começar o baile, a turma do bloco “Os Marujos na Folia” devia estar na
quadra de basquete do clube. Ficaria ali em frente ao buraco grande na parede
lateral do porão da casa abandonada, como se estivesse tapando-o. Formaria um
tapume humano, protegendo-me quando eu passasse pelo buraco e adentrasse
naquela parte do clube. O plano era simples e seguro. Tinha tudo para dar
certo.
Disse no outro dia à minha mãe que fizesse
minha fantasia de marujo, tinha resolvido ir ver o Carnaval de rua com as
caretas, os blocos, as batucadas e os afoxés de caboclo. Era melhor do que ficar em casa zangado porque
não estava com os amigos lá no clube, caindo na folia. Ela fez a fantasia no
mesmo dia em que lhe dei aquela notícia na segunda semana de fevereiro. Estava
satisfeita, o dia inteiro dera vida à máquina de costura com as mãos e pernas
ativas, enquanto fazia a minha fantasia. Cantava alegre, sabendo que o filho
caçula não ia chorar nem tampouco ficar triste porque não ia brincar o Carnaval no clube com os amigos,
fantasiado de marujo.
Ela sorriu quando soube pela mãe de Beto, na
Quarta-Feira de Cinzas, como foi que eu tinha entrado no clube para brincar o
Carnaval no bloco “Os Marujos na Folia”. Ficou sabendo ainda que o filho tinha
sido o único dos meninos do bloco que namorou Glorinha, a filha de doutor
Barreto, o médico que era diretor do Hospital da Santa Casa de Misericórdia.
Ela era a menina mais bonita da cidade, a mais cobiçada pelos meninos filhos
das famílias ricas, revelou a mãe de Beto.
No namoro com a Glorinha, dava várias voltas de
mãos dadas com a eleita pelo salão, cantando a todo pulmão, entre outras
marchas, “Linda Lourinha”, “As Pastorinhas“, “Pirata da Perna de Pau”, “Chiquita Bacana”, “Jardineira” e a do gafanhoto,
que era a minha preferida.
Gafanhoto
deu na
minha roça,
comeu,
comeu
toda minha plantação,
xô
gafanhoto, xô, xô,
deixa um
pé de agrião
para o meu pulmão,
gafanhoto, isso não se faz,
deixa
minha roça em paz...
(Do livro Nada Era Melhor, infância romanceada)
* * *
segunda-feira, 5 de fevereiro de 2024
Salve Yemanjá!
Sione Porto
Celebrado no dia 2
de fevereiro dia de nossa Senhora dos Navegantes, Yemanjá rainha do mar
generosa protetora dos pescadores e da fertilidade, recebe vários nomes, como :
Janaína, Dandalunda, Princesa do mar e sereia, dentre outros nomes.
A Magnifica senhora
das águas, mar, rios e lagoas em todo o Estado da Bahia e capital tem a maior
festa popular comemorada em 2 de fevereiro.
Temos no Rio de
Janeiro, sua maior comemoração na passagem do ano.
Citada como vaidosa
a deusa do mar recebe muitas oferendas, como flores, joias preciosas, perfumes,
sabonetes, bijuteria, bonecas e até comida, cuja grande comemoração em Salvador
ocorre no largo do Rio Vermelho.
Além desta
comemoração do dia 2 de fevereiro, comemora-se também em 8 de dezembro, 31 de
dezembro e 15 de agosto.
Diz ainda a lenda
que Yemanjá filha de Olokum, soberano dos mares recebeu uma porção mágica do
pai para fugir dos perigos.
Se casou várias
vezes, o primeiro marido Orumilá era conhecido como orixás dos segredos não
teve filhos.
Casando com Olofim
– Oduduá teve 10 filhos que se tornaram Orixás.
Salve Yemanjá e sua
prole!
Devido após os
partos, ter ficado com os seios grandes, foi caçoada por Olofim, assim
fugiu e veio a se apaixonar pelo Rei Okerê.
Okerê, da mesma
forma que Olofim veio a caçoar dos seios grandes de Yemanjá, então novamente
ela fugiu usando a porção que o pai lhe dera.
Com medo de perder
Yemanjá Okerê se transformou em uma grande montanha para impedir que ela
conseguisse fugir.
A magnifica Yemanjá
com ajuda do filho Xangô, encontrou o oceano e se tornou Rainha do mar.
Salve Sereia das
Águas e do mar – Mãe dos Orixás.
Sione Maria Porto
de Oliveira.
Membro da Academia de Letras de Itabuna (Alita)
* * *
domingo, 28 de janeiro de 2024
sábado, 20 de janeiro de 2024
A Mudança do Mau-Caráter
Cyro de Mattos
Inconformado com a morte do vizinho. Chorou, soluçou, gemeu, uivou. Em estado lamentável, indisposto nas refeições, o coração nas profundezas do desvão, só depressão. A mulher sem entender a reação brusca. Deveria estar feliz. Nunca suportou os ganhos do vizinho na vida. Sortudo, bafejado pela sorte, repetia-se, o rosto de cólera. Esbravejava, os punhos cerrados.
O vizinho presenteado com a felicidade por todos os
lados. Mulher esbelta, filhos saudáveis,
família invejável. Carro de luxo. Casa grande com piscina, jardim, quintal.
Patrimônio sólido. Nada lhe faltava.
Lamentava o seu tanto pelo canto, saía mês, entrava mês.
Casa pequena, tinta desbotada nas paredes.
Precocemente envelhecido como a mulher, sem filhos, no lar o vazio
avançava numa doença incurável. Mísero
salário, balconista na casa de materiais para construção.
Ruminava as pragas, jogadas no outro. À tona a fúria,
babava-se, tomado na vontade de querer quebrar tudo em casa. Ter que aturar aquele felizardo ao lado,
bafejado com as benesses da vida. Uma desgraça, não merecia a vizinhança
daquele homem felizardo, afrontas com o brilho nos olhos, a dentadura perfeita,
riso saudável, de bem-estar com a vida.
Até quando suportar aquela fronte tocada de orgulho?
Fraturas e feridas, riscava.
Daí para a incompreensão da mulher, houve repentina mudança
de atitude. Consternado com a morte do vizinho, o fato em si deveria funcionar
ao contrário, um alívio, em boa hora. Vitória finalmente festejada, anunciada
sem pejo pela indesejada, sua visita varria as desigualdades, nivelava as
diferenças com um só padrão coberto de pó e esquecimento.
Triste, muito triste,
o quadro hostil da indesejada, dona de um sinistro rosto, famoso, impenetrável.
Disse, vou ao velório, acompanho o enterro, levo uma coroa de flores, deposito
no túmulo dele.
As pessoas surpresas com o seu gesto súbito.
Mostrava-se arrasado. A última pá de terra jogada na cova.
Nunca mais ia vê-lo no passeio da casa ao lado, movimentando-se lá dentro,
cercado de conforto, cantarolando, beneficiado em tudo, entre os poucos
privilegiados.
Nos dias revoltos odiá-lo, nunca mais. Morreria breve,
frustrado. De inveja incomum ausente, traiçoeiro ciúme, raiva primorosa,
seguidas vezes o desconforto.
Cyro de Mattos - Baiano de Itabuna. Escritor e poeta, Doutor Honoris Causa pela Universidade Estadual de Santa Cruz (Sul da Bahia). Membro efetivo da Academia de Letras da Bahia, Pen Clube do Brasil, Academia de Letras de Ilhéus e Academia de Letras de Itabuna.
* * *
quinta-feira, 11 de janeiro de 2024
Revista italiana publica textos de
Cyro de Mattos e Ildásio
Tavares
Editada pela escritora
Antonella Rita Roscilli, doutora em letras, a revista intercultural SARAPGEBE,
bilíngue, português e italiano, acaba de publicar o seu número 28, no qual você
poderá ler em italiano ou português artigos de escritores brasileiros e italianos.
O número atual começa com uma cuidadosa e justa homenagem a Domenico De Masi,
professor estudioso, sociólogo, pesquisador e sempre amigo do Brasil, escrita
pelo renomado escritor Noronha Goyos Jr, ex-presidente da UBE-União Brasileira
dos Escritores.
A seguir, informa o editorial que um belo ensaio do escritor, poeta e crítico literário brasileiro Cyro de Mattos (foto) fará refletir o leitor sobre a escrita de Jorge Amado. Além disso, dois artigos pretendem relembrar a memória do prof. Giovanni Ricciardi, um dos mais ilustres brasilianistas italianos: um denso artigo de Maria Fontes, e primeira parte de artigo do próprio Giovanni Ricciardi sobre o poeta Ildásio Tavares.
Conforme comunicação na revista
anterior, a editora Antonella decidiu dedicar a Giovanni Ricciardi, que era um
assíduo colaborador, a republicação de alguns dos artigos dele. E, ainda, um
artigo sobre a vida e a ação do presidente humanista de Angola: o poeta
Agostinho Neto.
Para finalizar o número 28, no
Angolo della Poesia, SARAPGEBE reproduz a Ária de Lorenzo, retirada de Lídia di
Oxum, de Lindembergue Cardoso, com libreto de Ildásio Tavares. Trata-se da
primeira Ópera Negra Baiana e a primeira Ópera brasileira escrita em português
e youruba.
EM ITALIANO E PORTUGUÊS.
* * *
sábado, 30 de dezembro de 2023
Maravilhoso Trovador Minelvino
Cyro de Mattos
Sertanejo autêntico, nascido no município de Mundo Novo,
Bahia, em 29 de novembro de 1924, o trovador Minelvino Francisco Silva primeiro
foi garimpeiro em Jacobina onde se criou. Depois passou a vendedor de coisas
miúdas na feira da cidade sertaneja: pente, espelho, escova, pasta dental,
agulha, carretel de linha, sabonete, livrinho de cordel.
Depois dos 15 anos de idade, lembra que comprou um ABC e
teve apenas um mês de aula. Aprendeu a escrever o nome. Daí em diante, com
esforço, sacrifício e persistência, procurou conhecer o mundo através da
leitura. Resolveu escrever uma história em versos populares, aos vinte e dois
anos de idade. A primeira motivação que teve para contar uma estória com apelo
popular veio da enchente de Miguel Calmon, lugar próximo a Jacobina. Compôs o
livrinho e foi um sucesso.
Tornou-se em pouco tempo poeta afinado com o verso popular,
do jeito que o povo gosta. Atento aos acontecidos, de natureza social,
política, façanhas e desastres, colocava na estória do cordel maravilhas do
imaginário, humor do real, invenções do divino, notícias do amor e da dor,
gente e bichos, conselhos e saberes, tudo bem alinhavado na rima certa e
espontânea.
Escreveu mais de quinhentos folhetos de cordel. Sua arte
ultrapassou as fronteiras regionais, passou a ser estudada em teses defendidas
na universidade. Foi publicado em São Paulo pela Hedra, editora de circuito
nacional, que em sua coleção Cordel, dirigida pelo professor Josep M. Luyten,
Doutor em Comunicação pela USP, já divulgou alguns dos mais relevantes e
autênticos representantes da poesia popular brasileira. Recebeu os estudos da
professora doutora Edilene Matos em O imaginário na literatura do cordel
(1986), que reconheceu seu valor na condição de porta-voz da comunidade,
correspondendo a uma necessidade social, pois é através de seus versos que as
notícias do cotidiano alcançam com rapidez uma enorme faixa de leitores.
Em Minelvino – Trovador Apóstolo (2015), alentado volume
exemplar de ensaio, calcado em interpretações lúcidas, capacidade de
investigação minuciosa, análise convincente sobre a estilística e a temática
diversa capturada por Minelvino no imaginário coletivo e na experiência de
vida, Jorge de Sousa Araújo ressalta na obra desse esplêndido trovador uma
permanente sintonia com as raízes da cultura coletiva brasileira,
notadamente da poesia popular legitimada por grandes
cultores, além de ser versado em valores cristãos.
Trovador de senso devocionário, comparecia sempre às
romarias de Bom Jesus da Lapa, Nossa Senhora das Candeias e do Padre Cícero, a
cada ano. Conhecedor da História Sagrada, autor de inúmeros benditos, que
divulgava na procissão como romeiro. Era seu costume dirigir seus temas com a
consciência dos valores cristãos, intenções católicas e místicas, daí ser
alcunhado como o Trovador Apóstolo.
Homem bom, simples, querido pelo povo, de voz mansa. Dono do
ofício desde os primeiros momentos quando já mostra habilidade e espontaneidade
na construção do cordel, cuja história ou relato conectados com o imaginário
coletivo prende até o fim, agrada na escrita espontânea, imaginação cativante,
No cordel O Encontro do Poeta com a Natureza conta que
deparou com a dama de translúcida beleza, rosto formoso, dentes de marfim,
cabelos de ouro e quase perde os sentidos. Acabara de saber de seu lindo nome:
NATUREZA. Inspirado com a musa Natureza denuncia sem esforço a riqueza de seu
imaginário, a capacidade admirável de inventar heróis e personagens,
reinventá-los com espontaneidade, tecer com cenas e gestos atraentes as figuras
emblemáticas dos poetas Castro Alves, Zé Pacheco, João Athayde, do mártir Tiradentes,
inventor Santos Dumont, descobridor Pedro Alves Cabral e tantos outros
personagens ilustres, que foram desenhados com a mestria do excelente trovador.
Nos folhetos de disputa, peleja ou desafio entre cantadores
muitos vieram para ficar na mente popular do leitor. Destaca-se Os Repentes e
Proesas de Bocage, um herói picaresco que lembra o personagem Zé Grilo,
reinventado por Ariano Suassuna na comédia nordestina. Bocage ganhou do rei
todos os desafios que lhe foram impostos. Apareceu no palácio vestido numa
tarrafa, montado em uma porca, às seis horas, com o povo sorrindo com a sua
aparição estranha, que driblava a morte prometida pelo rei se não vencesse o
desafio.
Quantidade e qualidade são inseparáveis na produção
maravilhosa do cordelista Minelvino. Radicado em Itabuna durante grande parte
de sua vida, criou família na cidade de importante papel para a formação e
desenvolvimento da civilização cacaueira baiana. Não se esqueceu de relatar as
agruras da cidade e da região em seus momentos de crise. A Greve de Itabuna e A
Vassoura de Bruxa no Sul da Bahia atestam a solidariedade de um cordelista
autêntico no momento crítico atravessado por determinado contexto.
A vida sabe que ficou mais pobre com a morte do cordelista.
Ele sempre rezava o terço. Rogava a seus santos protetores, Jesus e Virgem
Maria, que “queria morrer junto a eles quando chegar este dia”.
Cyro de Mattos é escritor e poeta. Membro Titular da
Academia de Letras da Bahia e do Pen Clube do Brasil. Primeiro Doutor Honoris
Causa da Universidade Estadual de Santa Cruz. Um dos idealizadores da Academia
de Letras de Itabuna (ALITA).
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