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quinta-feira, 15 de fevereiro de 2024

 

Um Marujo na Folia

    Cyro de Mattos

 


Os amigos resolveram organizar um bloco para brincar pela primeira vez o Carnaval nas matinês do Clube Social e Recreativo de Itabuna. A fantasia era simples, toda branca. Sapato preto, meias de cano longo, calça curta de brim, camisa de algodão, a manga curta, colar colorido de papel crepom ao redor do pescoço e boné de marinheiro.  O bloco ia se chamar “Os Marujos na Folia”. Beto, que era o mais velho de todos, falou que o bloco teria onze componentes, como num time de futebol, adiantando logo que eu não podia ficar de fora, já que participava de todas as aventuras e brincadeiras dos meninos lá da Rua do Quartel Velho.

O menino só podia brincar o Carnaval nas duas matinês que o clube social oferecia, no domingo e terça-feira, se o pai fosse um dos integrantes do quadro dos associados. Beto sabia que meu pai não era associado do clube, mas me prometeu que ia pedir ao pai dele que falasse com o meu para contornar o problema. Soube depois que meu pai se negou a se tornar sócio do clube. 

A recusa de meu pai deixou-me triste e preocupado. Ficava sem sair no bloco “Os Marujos na Folia”, e, por isso mesmo, não ia brincar com os amigos o Carnaval nas duas matinês que o clube oferecia todos os anos. E uma das coisas que qualquer menino mais desejava era brincar o carnaval nas matinês do único clube social da cidade. Ali estava a grande oportunidade para conquistar uma namorada.  Mesmo que o namoro durasse apenas aquelas duas animadas tardes de carnaval no salão do clube. Consistisse em pegar na mão da menina, de vez em quando passar o braço no ombro dela, trocar olhares ingênuos e sair cantando com a eleita, dando voltas e voltas pelo salão.

Nas matinês animadas, os foliões mirins jogavam serpentina para o alto, confete e lança-perfume uns nos outros. Cantavam as marchas ou sambas que eram tocados pela orquestra “Bambas da Alegria”.

Minha mãe pediu ao pai, insistentemente, que se tornasse sócio do clube. Adiantou-lhe que a fantasia ela mesmo fazia para o filho. Ele ficou irredutível, alegando que quando fosse pagar a mensalidade do clube podia não ter o dinheiro, ia passar vergonha. Não queria também sacrificar coisas mais importantes que a vida exigia para comprar, como comida, roupa, remédio e escola do filho, em razão de ter de saldar esse tipo de compromisso em todo mês com o clube.

- Eu é que sei o quanto me custa arranjar dinheiro para sustentar a família – dizia meu pai com o rosto sério. – Não quero falar mais sobre esse assunto – concluía, sem querer saber dos argumentos que a mãe alegava para fazer com que ele mudasse de atitude e desse aquele prazer ao filho – o de brincar pela primeira vez o Carnaval no clube com os amigos.

Quando parecia que tudo estava perdido, chegou-me não sei de onde aquela ideia como que acesa por uma pequena luz, que de repente passava a iluminar o caminho para que eu fosse brincar o carnaval no clube. Lembrei-me do porão da casa abandonada, vizinha do prédio do clube social. Era ali que fazia meu esconderijo quando brincava de mocinho e bandido com a turma. Havia no esconderijo aquele quadrado vazio na parede lateral, deixado provavelmente com a retirada duma janela carcomida pelos cupins. Sabia que por ali qualquer pessoa podia passar e, em poucos minutos, estava na quadra de basquete do clube. Tinha feito isso várias vezes, deixando os amigos a ver navios, quando eu era o mocinho perseguido por um bando de bandidos perigosos.

Falei com Beto sobre meu plano. Dez minutos antes de começar o baile, a turma do bloco “Os Marujos na Folia” devia estar na quadra de basquete do clube. Ficaria ali em frente ao buraco grande na parede lateral do porão da casa abandonada, como se estivesse tapando-o. Formaria um tapume humano, protegendo-me quando eu passasse pelo buraco e adentrasse naquela parte do clube. O plano era simples e seguro. Tinha tudo para dar certo.

Disse no outro dia à minha mãe que fizesse minha fantasia de marujo, tinha resolvido ir ver o Carnaval de rua com as caretas, os blocos, as batucadas e os afoxés de caboclo.  Era melhor do que ficar em casa zangado porque não estava com os amigos lá no clube, caindo na folia. Ela fez a fantasia no mesmo dia em que lhe dei aquela notícia na segunda semana de fevereiro. Estava satisfeita, o dia inteiro dera vida à máquina de costura com as mãos e pernas ativas, enquanto fazia a minha fantasia. Cantava alegre, sabendo que o filho caçula não ia chorar nem tampouco ficar triste porque não ia brincar  o Carnaval no clube com os amigos, fantasiado  de  marujo.

Ela sorriu quando soube pela mãe de Beto, na Quarta-Feira de Cinzas, como foi que eu tinha entrado no clube para brincar o Carnaval no bloco “Os Marujos na Folia”. Ficou sabendo ainda que o filho tinha sido o único dos meninos do bloco que namorou Glorinha, a filha de doutor Barreto, o médico que era diretor do Hospital da Santa Casa de Misericórdia. Ela era a menina mais bonita da cidade, a mais cobiçada pelos meninos filhos das famílias ricas, revelou a mãe de Beto.

No namoro com a Glorinha, dava várias voltas de mãos dadas com a eleita pelo salão, cantando a todo pulmão, entre outras marchas, “Linda Lourinha”, “As Pastorinhas“, “Pirata da Perna de Pau”,  “Chiquita Bacana”, “Jardineira” e a do  gafanhoto,  que era a minha preferida.

 

 

Gafanhoto

deu na minha roça,

comeu, comeu

 toda minha plantação,

xô gafanhoto, xô, xô,

deixa um pé de agrião

 para o meu pulmão,

 gafanhoto, isso não se faz,

deixa minha roça em paz...

 

(Do livro Nada Era Melhor, infância romanceada) 


 Cyro de Mattos é escritor e poeta. Premiado no Brasil, Portugal, Itália e México. Publicado nos Estados Unidos, Dinamarca, Rússia, Portugal, Espanha, Itália, França e Alemanha. Membro efetivo da Academia de Letras da Bahia. Doutor  Honoris Causa pela UESC.

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segunda-feira, 5 de fevereiro de 2024

Salve Yemanjá!

Sione Porto

 


Celebrado no dia 2 de fevereiro dia de nossa Senhora dos Navegantes, Yemanjá rainha do mar generosa protetora dos pescadores e da fertilidade, recebe vários nomes, como : Janaína, Dandalunda, Princesa do mar e sereia, dentre outros nomes. 

A Magnifica senhora das águas, mar, rios e lagoas em todo o Estado da Bahia e capital tem a maior festa popular comemorada em 2 de fevereiro. 

Temos no Rio de Janeiro, sua maior comemoração na passagem do ano.

Citada como vaidosa a deusa do mar recebe muitas oferendas, como flores, joias preciosas, perfumes, sabonetes, bijuteria, bonecas e até comida, cuja grande comemoração em Salvador ocorre no largo do Rio Vermelho. 

Além desta comemoração do dia 2 de fevereiro, comemora-se também em 8 de dezembro, 31 de dezembro e 15 de agosto. 

Diz ainda a lenda que Yemanjá filha de Olokum, soberano dos mares recebeu uma porção mágica do pai para fugir dos perigos.

Se casou várias vezes, o primeiro marido Orumilá era conhecido como orixás dos segredos não teve filhos. 

Casando com Olofim – Oduduá teve 10 filhos que se tornaram Orixás.

Salve Yemanjá e sua prole! 

Devido após os partos, ter ficado com os seios grandes, foi caçoada  por Olofim, assim fugiu  e veio a se apaixonar pelo Rei Okerê.

Okerê, da mesma forma que Olofim veio a caçoar dos seios grandes de Yemanjá, então novamente ela fugiu usando a porção que o pai lhe dera. 

Com medo de perder Yemanjá Okerê se transformou em uma grande montanha para impedir que ela conseguisse fugir. 

A magnifica Yemanjá com ajuda do filho Xangô, encontrou o oceano e se tornou Rainha do mar. 

Salve Sereia das Águas e do mar – Mãe dos Orixás. 

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Sione Maria Porto de Oliveira.

Membro da Academia de Letras de Itabuna (Alita)


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sábado, 20 de janeiro de 2024

A Mudança do Mau-Caráter

Cyro de Mattos


 Nunca suportou
os ganhos do vizinho
na vida

          Inconformado com a morte do vizinho. Chorou, soluçou, gemeu, uivou.  Em estado lamentável, indisposto nas refeições, o coração nas profundezas do desvão, só depressão. A mulher sem entender a reação brusca. Deveria estar feliz. Nunca suportou os ganhos do vizinho na vida. Sortudo, bafejado pela sorte, repetia-se, o rosto de cólera. Esbravejava, os punhos cerrados.

          O vizinho presenteado com a felicidade por todos os lados.  Mulher esbelta, filhos saudáveis, família invejável. Carro de luxo. Casa grande com piscina, jardim, quintal. Patrimônio sólido. Nada lhe faltava.

          Lamentava o seu tanto pelo canto, saía mês, entrava mês. Casa pequena, tinta desbotada nas paredes.  Precocemente envelhecido como a mulher, sem filhos, no lar o vazio avançava numa doença incurável.  Mísero salário, balconista na casa de materiais para construção.

          Ruminava as pragas, jogadas no outro. À tona a fúria, babava-se, tomado na vontade de querer quebrar tudo em casa.  Ter que aturar aquele felizardo ao lado, bafejado com as benesses da vida. Uma desgraça, não merecia a vizinhança daquele homem felizardo, afrontas com o brilho nos olhos, a dentadura perfeita, riso saudável, de bem-estar com a vida.

          Até quando suportar aquela fronte tocada de orgulho? Fraturas e feridas, riscava.    

          Daí para a incompreensão da mulher, houve repentina mudança de atitude. Consternado com a morte do vizinho, o fato em si deveria funcionar ao contrário, um alívio, em boa hora. Vitória finalmente festejada, anunciada sem pejo pela indesejada, sua visita varria as desigualdades, nivelava as diferenças com um só padrão coberto de pó e esquecimento. 

           Triste, muito triste, o quadro hostil da indesejada, dona de um sinistro rosto, famoso, impenetrável. Disse, vou ao velório, acompanho o enterro, levo uma coroa de flores, deposito no túmulo dele. 

          As pessoas surpresas com o seu gesto súbito.

          Mostrava-se arrasado. A última pá de terra jogada na cova. Nunca mais ia vê-lo no passeio da casa ao lado, movimentando-se lá dentro, cercado de conforto, cantarolando, beneficiado em tudo, entre os poucos privilegiados.                           

          Nos dias revoltos odiá-lo, nunca mais. Morreria breve, frustrado. De inveja incomum ausente, traiçoeiro ciúme, raiva primorosa, seguidas vezes o desconforto.   


Cyro de Mattos - Baiano de Itabuna. Escritor e poeta, Doutor Honoris Causa pela Universidade Estadual de Santa Cruz (Sul da Bahia). Membro efetivo da Academia de Letras da Bahia, Pen Clube do Brasil, Academia de Letras de Ilhéus e Academia de Letras de Itabuna.

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quinta-feira, 11 de janeiro de 2024

Revista italiana publica textos de

Cyro de Mattos e Ildásio Tavares


Editada pela escritora Antonella Rita Roscilli, doutora em letras, a revista intercultural SARAPGEBE, bilíngue, português e italiano, acaba de publicar o seu número 28, no qual você poderá ler em italiano ou português artigos de escritores brasileiros e italianos. O número atual começa com uma cuidadosa e justa homenagem a Domenico De Masi, professor estudioso, sociólogo, pesquisador e sempre amigo do Brasil, escrita pelo renomado escritor Noronha Goyos Jr, ex-presidente da UBE-União Brasileira dos Escritores.


A seguir, informa o editorial que um belo ensaio do escritor, poeta e crítico literário brasileiro Cyro de Mattos (foto) 
fará refletir o leitor sobre a escrita de Jorge Amado. Além disso, dois artigos pretendem relembrar a memória do prof. Giovanni Ricciardi, um dos mais ilustres brasilianistas italianos: um denso artigo de Maria Fontes, e primeira parte de artigo do próprio Giovanni Ricciardi sobre o poeta Ildásio Tavares.

Conforme comunicação na revista anterior, a editora Antonella decidiu dedicar a Giovanni Ricciardi, que era um assíduo colaborador, a republicação de alguns dos artigos dele. E, ainda, um artigo sobre a vida e a ação do presidente humanista de Angola: o poeta Agostinho Neto.

Para finalizar o número 28, no Angolo della Poesia, SARAPGEBE reproduz a Ária de Lorenzo, retirada de Lídia di Oxum, de Lindembergue Cardoso, com libreto de Ildásio Tavares. Trata-se da primeira Ópera Negra Baiana e a primeira Ópera brasileira escrita em português e youruba.

 

EM ITALIANO E PORTUGUÊS. 

http://www.sarapegbe.net/


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sábado, 30 de dezembro de 2023

 Maravilhoso Trovador Minelvino

Cyro de Mattos

 


Sertanejo autêntico, nascido no município de Mundo Novo, Bahia, em 29 de novembro de 1924, o trovador Minelvino Francisco Silva primeiro foi garimpeiro em Jacobina onde se criou. Depois passou a vendedor de coisas miúdas na feira da cidade sertaneja: pente, espelho, escova, pasta dental, agulha, carretel de linha, sabonete, livrinho de cordel.

Depois dos 15 anos de idade, lembra que comprou um ABC e teve apenas um mês de aula. Aprendeu a escrever o nome. Daí em diante, com esforço, sacrifício e persistência, procurou conhecer o mundo através da leitura. Resolveu escrever uma história em versos populares, aos vinte e dois anos de idade. A primeira motivação que teve para contar uma estória com apelo popular veio da enchente de Miguel Calmon, lugar próximo a Jacobina. Compôs o livrinho e foi um sucesso.

Tornou-se em pouco tempo poeta afinado com o verso popular, do jeito que o povo gosta. Atento aos acontecidos, de natureza social, política, façanhas e desastres, colocava na estória do cordel maravilhas do imaginário, humor do real, invenções do divino, notícias do amor e da dor, gente e bichos, conselhos e saberes, tudo bem alinhavado na rima certa e espontânea.

Escreveu mais de quinhentos folhetos de cordel. Sua arte ultrapassou as fronteiras regionais, passou a ser estudada em teses defendidas na universidade. Foi publicado em São Paulo pela Hedra, editora de circuito nacional, que em sua coleção Cordel, dirigida pelo professor Josep M. Luyten, Doutor em Comunicação pela USP, já divulgou alguns dos mais relevantes e autênticos representantes da poesia popular brasileira. Recebeu os estudos da professora doutora Edilene Matos em O imaginário na literatura do cordel (1986), que reconheceu seu valor na condição de porta-voz da comunidade, correspondendo a uma necessidade social, pois é através de seus versos que as notícias do cotidiano alcançam com rapidez uma enorme faixa de leitores.

Em Minelvino – Trovador Apóstolo (2015), alentado volume exemplar de ensaio, calcado em interpretações lúcidas, capacidade de investigação minuciosa, análise convincente sobre a estilística e a temática diversa capturada por Minelvino no imaginário coletivo e na experiência de vida, Jorge de Sousa Araújo ressalta na obra desse esplêndido trovador uma permanente sintonia com as raízes da cultura coletiva brasileira,

notadamente da poesia popular legitimada por grandes cultores, além de ser versado em valores cristãos.

Trovador de senso devocionário, comparecia sempre às romarias de Bom Jesus da Lapa, Nossa Senhora das Candeias e do Padre Cícero, a cada ano. Conhecedor da História Sagrada, autor de inúmeros benditos, que divulgava na procissão como romeiro. Era seu costume dirigir seus temas com a consciência dos valores cristãos, intenções católicas e místicas, daí ser alcunhado como o Trovador Apóstolo.

Homem bom, simples, querido pelo povo, de voz mansa. Dono do ofício desde os primeiros momentos quando já mostra habilidade e espontaneidade na construção do cordel, cuja história ou relato conectados com o imaginário coletivo prende até o fim, agrada na escrita espontânea, imaginação cativante,

No cordel O Encontro do Poeta com a Natureza conta que deparou com a dama de translúcida beleza, rosto formoso, dentes de marfim, cabelos de ouro e quase perde os sentidos. Acabara de saber de seu lindo nome: NATUREZA. Inspirado com a musa Natureza denuncia sem esforço a riqueza de seu imaginário, a capacidade admirável de inventar heróis e personagens, reinventá-los com espontaneidade, tecer com cenas e gestos atraentes as figuras emblemáticas dos poetas Castro Alves, Zé Pacheco, João Athayde, do mártir Tiradentes, inventor Santos Dumont, descobridor Pedro Alves Cabral e tantos outros personagens ilustres, que foram desenhados com a mestria do excelente trovador.

Nos folhetos de disputa, peleja ou desafio entre cantadores muitos vieram para ficar na mente popular do leitor. Destaca-se Os Repentes e Proesas de Bocage, um herói picaresco que lembra o personagem Zé Grilo, reinventado por Ariano Suassuna na comédia nordestina. Bocage ganhou do rei todos os desafios que lhe foram impostos. Apareceu no palácio vestido numa tarrafa, montado em uma porca, às seis horas, com o povo sorrindo com a sua aparição estranha, que driblava a morte prometida pelo rei se não vencesse o desafio.

Quantidade e qualidade são inseparáveis na produção maravilhosa do cordelista Minelvino. Radicado em Itabuna durante grande parte de sua vida, criou família na cidade de importante papel para a formação e desenvolvimento da civilização cacaueira baiana. Não se esqueceu de relatar as agruras da cidade e da região em seus momentos de crise. A Greve de Itabuna e A Vassoura de Bruxa no Sul da Bahia atestam a solidariedade de um cordelista autêntico no momento crítico atravessado por determinado contexto.

A vida sabe que ficou mais pobre com a morte do cordelista. Ele sempre rezava o terço. Rogava a seus santos protetores, Jesus e Virgem Maria, que “queria morrer junto a eles quando chegar este dia”.

 

Cyro de Mattos é escritor e poeta. Membro Titular da Academia de Letras da Bahia e do Pen Clube do Brasil. Primeiro Doutor Honoris Causa da Universidade Estadual de Santa Cruz. Um dos idealizadores da Academia de Letras de Itabuna (ALITA).

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sexta-feira, 22 de dezembro de 2023

IRONIA

Sione Porto

 


Espaço

...disperso em espaçosos

Contatos... se aviva

Numa sombra doída...

Verdade refletida

...hesita

Num deserto de saudade.

- Pausa

Pensamentos.

- Vida vivida

Tormentos...

Que poemática

...flutua na tua carne

Que cansaço se esquiva

...sobre o teu seio

Onde estão nossos anseios?

Que ironia

...dentro desta tristeza

Que nem mansa nem rebelde

...o caso supõe

mas não consegue

...transformá-la livre...

 

Sione Maria Porto de Oliveira, poetisa.

Membro da Academia de Letras de Itabuna (Alita)


***