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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2023

Música calmante para os nervos 🌿 música curativa para o coração e vasos ...

Viver sem ela?

Ignácio de Loyola Brandão

 


Na rodoviária, Alzeni pediu.

'Por favor, uma passagem para Duas Passagens.'

O bilheteiro estendeu duas passagens.

'Quem pediu duas? Disse uma!'

'Tenho certeza, a senhora disse duas.'

Ela se deu conta, caiu na gargalhada, ri fácil, contagia.

'Duas Passagens, moço, é o lugar da Bahia onde nasci e para onde vou.'

São dois dias de viagem. Já dissemos a ela: 'Vá de avião, te damos passagem, vai até Salvador, pega ônibus lá'.

'Mas o ônibus de Salvador não vai até Duas Passagens, preciso trocar duas vezes. O que sai de São Paulo passa na porta de minha casa.'

Outro Brasil. E desconhecemos. Há 30 anos, Alzeni trabalha em casa. Faz parte da família. Dividimos dores e alegrias. Vai todos os anos rever os pais. A ansiedade agora é ir, porque o pai vai fazer 100 anos e ainda moureja na roça. Tem o maior orgulho da mãe, analfabeta, mas que, na hora de fazer contas, é um azougue. A cabecinha, um computador. Ela paga, confere o troco, diz o que falta em um segundo. Alzeni, no final do ano, carrega presentes para um mundão de pessoas. Quando a energia elétrica chegou ao sertão, ela levou fogão, geladeira, liquidificador, televisão para os pais e agora vai levar a panela que frita tudo sem engordurar nada. Tudo no bagageiro do ônibus. O celular chegou rápido, o longe ficou perto. O bagageiro do ônibus vem lotado, ela traz ovos caipiras em caixas de sapato cheias de areia.

Alzeni está há 30 anos conosco. Age como se fosse minha cuidadora. 'Mediu a glicemia? Tomou o Xigduo? Colocou colírio nos olhos? Tomou a vacina? Assinou o livro daquela moça?' Vacina é a insulina das manhãs. 'Nem olhou para o chá de pata de vaca que acabei de fazer.' Recomendado para baixar a glicemia, coisa de mineiro, agora que também sou de lá.

Alzeni fala, fala, ouve rádio, angustia-se com cada notícia ruim, liga para o filho, cuida dele, preocupa-se com a filha, faz dezenas de chamadas por dia, cuida das irmãs, dos parentes, muitas vezes ficamos bravos:

'Alzeni, você cuida de todo mundo, menos de você'. Ela fica abalada com cada morte de famoso, é íntima de todos, fica acabrunhada com agressões racistas. Dia desses, subiu ao meu estúdio dez vezes, por causa de um assalto, aquele estupro no Piauí, um celular roubado, etc. E falou, falou. E eu, nervoso por um texto que não saía, disse: 'Ainda te mando embora, quero sossego.'

'Ah, é? Ruim comigo? Mil vezes pior sem mim.'

Dei razão, rimos. Como viver sem ela?


Jornal O Estado de S. Paulo, 12/02/2023

 

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Ignácio de Loyola Brandão - Décimo ocupante da Cadeira 11 da ABL, eleito em 14 de março de 2019 na sucessão do Acadêmico Helio Jaguaribe.

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domingo, 19 de fevereiro de 2023

Desencanto em Lima Barreto 

Cyro de Mattos

  


                          

               Viera ao mundo numa data aziaga para os espíritos supersticiosos: treze de maio, uma sexta-feira, dia de Nossa Senhora dos Mártires. E o que se chama destino trama contra ele cedo, começando com a perda da mãe, seis anos depois de ter nascido. Parte do espírito rebelde e a cor de mulato têm raízes na figura paterna, o tipógrafo João Henriques, filho de uma antiga escrava com um madeireiro português. O pai não lhe reconhece a paternidade.

             A cor de mulato instala-se na alma como algo que atormenta, causando-lhe obstáculos sucessivos. Estimulado pelo meio social vai acompanhá-lo até o fim da vida, gerando dramas marcados por uma sociedade opressiva, que ele pretende vingar-se. A alma de inconformado vai combater uma sociedade anacrônica, expressando-se perante o meio cultural através do que ele rotula de estética da sinceridade. Nesse particular interage numa literatura visceralmente voltada para as camadas proscritas da população, no texto destituído de linguagem rebuscada, submissa a modelos europeus, postura que era comum entre nossos escritores quando abordavam a realidade brasileira no fim do século dezenove e início do vinte.

             A imagem reinante dessa época era a de uma fragilidade no estado de espírito de nossos escritores. Nossa literatura possuía um corpo eclético formado pelo cruzamento e entrecruzamento de várias correntes estéticas, tendências ou estilos. Vivia-se no Rio com o sonho da França. E a Literatura, forma ampla de conhecimento da vida, era concebida por alguns como o sorriso da sociedade. Ninguém podia ser chamado de culto se não falasse nos heróis gregos e no cerco de Tróia. Como parte do contexto que primava pelo elogio à cultura de fora, com os valores formais da arte tradicional sem conteúdo nacional, aparece uma figura peculiar de escritor, a do boêmio, tipo pitoresco que se dava ao prazer de contar anedotas, fazer trocadilhos, nas portas de café e confeitarias. Nosso Parnasianismo, que em geral praticava a arte pela arte e a precisão vocabular (mot juste), quanto à sonoridade e ao senso colorido, embriagava muitos poetas.

         A sedução de Paris, as agremiações literárias, o hábito dos saraus artísticos, a mania de conferências e o uso das letras na escrita sonora, em seu poder verbal pobre de significado e percepção do drama humano, que teve em Coelho Neto um expoente, testemunham um Brasil literário vivendo um clima de ócio cultural e inutilidade criativa.

O criador de Policarpo Quaresma emerge dessa ambiência cultural moldada em atitudes importadas da Europa, alma inconformada que pretendia se tornar referencial oposto à estagnação que tomava conta de nossas letras de fim de século dezenove e início do vinte. Uma voz indignada, em sua revolta feita de humanismo social e humor cotidiano, vinha para contradizer como legítima prata da casa as cenas vazias de autênticos protagonistas nacionais, as quais se desenvolviam com as normas instituídas pelo ouropel alheio.

Reclamava o Brasil dentro do Brasil, querendo ter o direito de se fazer ouvir aos que não cuidavam de se interessar pelas coisas verdadeiras de nossa realidade. Munido de um estilo liberto do complexo colonial, brasileiro na maneira de ver, sentir e narrar as coisas nossas tomadas emprestadas ao cotidiano, Lima Barreto vai buscar seus personagens nos subúrbios do Rio de Janeiro, lá onde gravitam funcionários públicos, pequenos negociantes, médicos com pequena clínica, tenentes de diferentes milícias e seresteiros.

É o precursor do romance social brasileiro. Foi uma de minhas leituras na adolescência. Integra um de meus ensaios reunidos no livro A Leitura Lembrada, inédito,  sobre contistas, romancistas e poetas importantes da  literatura nacional.

 

Cyro de Mattos é escritor e poeta. Doutor Honoris Causa da Universidade Estadual de Santa Cruz. Publicado em Portugal, Itália, Espanha, Alemanha, França, Dinamarca, Rússia e Estados Unidos. Premiado no Brasil e exterior. Membro efetivo da Academia de Letras da Bahia e de Ilhéus. Comendador da Ordem do Mérito do Governo da Bahia


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sábado, 18 de fevereiro de 2023

A Vida

Bert Hellinger

 

"A vida te decepciona pra você para de viver com ilusões e ver a realidade.

A vida destrói todo supérfluo até que reste somente o importante.

A vida não te deixa em paz para que deixe de culpar-se e aceite tudo como é.

A vida vai retirar o que você tem até você para de reclamar e começar a agradecer.

A vida envia pessoas conflitantes pra te curar, pra você deixar de olhar pra fora e começar a refletir o que você é por dentro.

A vida permite que você cai de novo e de novo até que você decida aprender a lição.

A vida lhe tira do caminho e lhe apresenta encruzilhadas até que você pare de querer controlar tudo e flua como um rio.

A vida coloca seus inimigos na estrada até que você pare de reagir.

A vida te assusta e assustará quantas vezes for necessário até que você perca o medo e recupere sua fé.

A vida tira o seu amor verdadeiro. Ele não concede ou permite até que você pare de tentar comprá-lo.

A vida lhe distancia das pessoas que você ama até entender que não somos esse corpo, mas a alma que ele contém.

A vida ri de você muitas e muitas vezes até você para de levar tudo tão a sério e rir de si mesmo.

A vida quebra você em tantas partes quantos forem necessárias para a luz penetrar em você.

A vida confronta você com rebeldes até que você pare de tentar controlar.

A vida repete a mesma mensagem, se for preciso, com gritos e tapas até você finalmente ouvir.

A vida envia raios e tempestades para acordá-lo.

A vida te humilha e por vezes te derrota de novo e de novo até que você decida deixar o seu ego morrer.

A vida lhe nega bens e grandeza até que pare de querer bens e grandeza e comece a servir.

A vida corta suas asas e poda suas raízes até que não precise de asas, nem raízes, mas apenas desapareça nas formas e seu ser voe.

A vida lhe nega milagres até que entenda que tudo, tudo é um milagre.

A vida encurta seu tempo pra você se apressar em aprender a viver.

A vida te ridiculariza até você se tornar nada, ninguém para então tornar-se tudo.

A vida não te dá o que você quer, mas o que você precisa pra evoluir.

A vida te machuca e te atormenta até que você solte seus caprichos e birras e aprecie a respiração.

A vida te esconde tesouros até que você aprenda a sair para a vida e buscá-los.

A vida te nega Deus até você vê-lo em todos e em tudo.

A vida te acorda, te poda, te quebra, te desaponta, mas creia, isso é para que seu melhor se manifeste, até que só o amor permaneça em ti".

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Profunda reflexão de Bert Hellinger, o alemão que já foi padre, largou o celibato e tronou-se psicoterapeuta e escritor. Falecido em 19/09/2019, ficou conhecido mundialmente pela criação do método Constelação Familiar.

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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2023

O Triste e Merecido Fim do Maior Ladrão do Mundo!

Natália Ramos Costa

 


O maior ladrão do mundo está a caminho de uma severa demência.

Roubou, matou, mentiu, sempre acreditando na própria mentira.

Antes, durante e após a prisão, esteve sempre convencido de que era e é um herói, o único salvador do Brasil, um semideus.

Saiu da prisão, convicto de que seria ouvido, acatado, respeitado, endeusado.

Todavia, em todos os lugares para onde vai, é expulso pelo povo, sob vaias e gritos: "Luladrão, seu lugar é na prisão!”

Vários Estados Brasileiros já declararam: “Aqui, ele não entra”.

Nem o mais mal formado espírito, nem a pior e mais gelada consciência humana é capaz de suportar o peso de uma vida tão errada, tão cheia de crimes, de mentiras e de roubos, nunca confessados, nunca admitidos, sempre vigorosamente negados, sempre desmentidos, até a exaustão.

Esse conflito interno é dele e irá dilacerá-lo, cada vez mais. E não lhe será aliviado, enquanto persistir nessa mentira deslavada, nesse mantra de que é inocente, nesse ódio venenoso, nessa tresloucada arrogância, nessa ridícula e risível megalomania.

Ele não consegue acreditar no que está acontecendo à sua volta. Isso deve parecer-lhe um pesadelo.

Então, prefere o caminho do ataque.

Ataca, desesperadamente, Jair Messias Bolsonaro, Sérgio Moro, Deltan Dallagnol, para tentar, também, desesperadamente, convencer os seus adeptos de que ele é o bom, o certo, o “deus salvador”.

Cada vez mais enfurecido, cada vez mais odioso, cada vez mais repugnante... Ele está tão irado, tão fora de si, tão desequilibrado, que não consegue perceber que, desta forma, afasta esse mesmo povo pelo qual ele quer ser cada vez mais paparicado, pelo qual ele tanto deseja ser endeusado.

Vejam o abismo entre a expectativa dele e a realidade que está enfrentando...

Pouco a pouco, a ficha do ladrão vai caindo, ele vai enlouquecendo, porque nunca se preparou para ser desprezado e humilhado.

Pelo contrário, tudo o que fez foi inflar, mais e mais, o seu ego do tamanho do mundo e chamar de quadrilha os Juízes e Procuradores da Lava-Jato.

A ambição e a ganância desmedidas do maior ladrão do mundo vão levá-lo a um fim trágico! Ele mesmo é quem está buscando isso.

Esse verme fez muito mal ao Brasil!

Vai enlouquecer de vez, abandonado pelos seus companheiros, pelos seus aduladores e até mesmo pelos seus familiares, que têm vergonha da sua sombra.

Vai se transformar numa “carniça”, cheia de vermes... e que federá, cada vez mais...

Quando ele entender que o povo ACORDOU, que o povo tem consciência de que ele é o ladrão, ele vai parar num hospício. E que os seus seguidores "cegos"... o sigam.

Esse será o triste e merecido fim do “maior ladrão do mundo”.

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