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segunda-feira, 30 de maio de 2022
A MATA FECHADA - Cyro de Mattos
A mata fechada
Cyro de Mattos
Você diz que na mata
é perigoso de andar,
cada bicho traiçoeiro
vive lá na terra e ar.
Não é assim como diz,
lá não se mata por prazer,
só pra comer ou defender
se mata, mas com ordem.
Bichos pulam nos galhos,
alegres comem os maduros,
no chão adormecido a flor nasce,
o tronco tombado vira árvore.
No seio fresco da mata
sons e cores festejam o dia,
a flor é tecida com o sonho,
o ramo de luz com o verde.
Riacho mina na pedra,
desce, dá volta como cobra,
barco da noite com a lua
no cipoal derrama prata.
Quando vai à mata a índia,
na trilha caminha esperta,
acode nas asas maternais
o bicho que caiu na cilada.
Solta o passarinho no alçapão,
protege perdido o filhote,
para pra admirar o carinho
das araras, uma na outra.
.
Rio não se esconde da chuva,
a terra não dorme amarga,
abelhas operosas zumbem,
de mel fabricam as horas.
Macaco, tamanduá-bandeira,
preguiça, capivara, veado,
pelo dia expelem odores.
estrelas carregam à noite.
Cyro de Mattos é jornalista, cronista, contista, romancista,
poeta e autor de livros para crianças. Membro efetivo da Academia de Letras da
Bahia, Academia de Letras de Ilhéus e Academia de Letras de Itabuna. Doutor
Honoris Causa pela Universidade Estadual de Santa Cruz.
* * *
Em memorável noite, com as presenças da maioria dos
acadêmicos, representantes de diversas Lojas maçônicas da região, familiares e
convidados, no último dia 17/5 (terça-feira), no Templo da A\R\L\S\ 28 de
Julho, Or\ de Itabuna, a Academia Maçônica de Letras, Ciências e Artes da
Região Grapiúna (AMALCARG), empossou sua nova diretoria para o biênio
2022/2024.
A reunião foi presidida pelo acadêmico José Carlos Oliveira
– ex-presidente e um dos fundadores da “Casa das Letras Maçônicas” –, que
convidou o confrade Washington Farias de Cerqueira (presidente reeleito) e o
representante da A\R\L\S\ 28 de Julho, Ir\ Enault Freitas da Rocha Filho, para
comporem a mesa e aos acadêmicos José Augusto Carvalho e Helder Pereira Dantas
para que dessem entrada aos convidados para participarem da Solenidade de
Posse.
O Ir\ José Carlos Oliveira solicitou a todos os presentes para que de pé e perfilados acompanhasse o Hino Nacional Brasileiro. Após a audição, declarou aberta a solene reunião de posse agradecendo a todos pelas suas presenças e em especial os convidados. E em seguida pediu ao acadêmico-secretário Ernande Costa Macedo, que efetuasse a leitura do Termo de Posse da nova diretoria executiva, composto pelos acadêmicos Washington Farias de Cerqueira, presidente; Luiz Roberto Albuquerque Rodrigues Maia, vice-presidente; Ernande Costa Macedo, secretário-geral e Renato Burití Oliveira, tesoureiro.
Na oportunidade, foram empossado também o novo Conselho
Fiscal, composto pelos acadêmicos titulares – Frederico Carlos Machado, José
Rebouças Souza e José Noélio Santana de Oliveira e como Suplentes – Itatelino
Oliveira Leite, Khalil Augusto Botelho Nogueira e Alessandro Góes Lima. E na
sequência, após as assinaturas, o acadêmico-presidente proclamou todos os
empossados para um mandato de dois anos, com início dia 17/5/22 e finalizando
no dia 30/5/24, quando foram aclamados por calorosa salva de palmas dos
presentes.
Após a posse da nova diretoria, a reunião passou a ser
conduzida pelo acadêmico-presidente Washington Farias de Cerqueira, que
solicitou ao acadêmico José Augusto Carvalho que desse entrada ao seu afilhado,
o Ir\ Vinicius Misael Portela para prestar juramento como membro da AMALCARG e
para a formalização de sua posse como o seu mais novo “imortal”, ocupando a
cadeira de nº 8, que tem como patrono o Ir\ Carivaldo Lopes Pereira.
Prosseguindo com o ato de posse, Washington Cerqueira, solicitou a cunhada Isbela Wagmaker Cavalcanti Portela, que colocasse a pelerine no acadêmico Vinicius Portella e à sobrinha Luzia Lopes Pereira que lhe entregasse o curriculum do patrono da cadeira de nº 8 Ir\ Carivaldo Lopes Pereira, que era seu pai, que antes era ocupada pelo saudoso acadêmico Luciano Lopes Pereira, seu irmão. O acadêmico-presidente pediu ainda ao acadêmico José Augusto Carvalho, que fizesse a saudação ao novo acadêmico, logo depois Vinicius Portella fez um excelente discurso dizendo da sua alegria em participar da AMALCARG, falou também sobre a sua trajetória maçônica, agradeceu a sua família que sempre lhe apoia e ao acadêmico José Augusto, pela apresentação do seu nome a gloriosa academia. E finalizou declarando que veio para somar junto com os demais acadêmicos.
Por último, Washington Farias de Cerqueira, disse da sua
alegria e satisfação em presidir mais uma vez a AMALCARG, comentou sobre as
dificuldades que teve no primeiro mandato por conta da pandemia (Covid-19),
disse da gratidão que tem com todos os membros da “Casa das Letras Maçônica”, e
em especial o acadêmico Ernande Costa Macedo, pelos seus relevantes serviços
prestados a secretaria dessa egrégia casa e a Maçonaria Universal. Agradeceu
também as presenças dos IIr\ Vercil Rodrigues, representando a imprensa
maçônica baiana (leia-se jornal e site O COMPASSO) e a Academia de Letras
Jurídicas do Sul da Bahia (ALJUSBA) e Edmundo Dourado, representante da
Academia Grapiúna de Letras (AGRAL) e a todos os convidados presentes. O
presidente avisou que a próxima reunião acontecerá no dia 7/6 e convidou todos
para participarem de um jantar no salão de banquetes.
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Por Vercil Rodrigues.
Jornalista DRT/FENAJ 5.801.
Membro-fundador da Academia Grapiúna de Letras (AGRAL),
Cadeira 1; membro-idealizador-fundador da Academia de Letras Jurídicas do Sul
da Bahia (ALJUSBA), Cadeira 1 e membro da Academia de Letras de Ilhéus (ALI),
Cadeira 21.
* * *
domingo, 29 de maio de 2022
ITABUNA CENTENÁRIA UM SONETO: Amor Condusse Noi Ad Nada - Paulo Mendes Campos
Paulo Mendes Campos
Saiba mais: Paulo
Mendes Campos – Wikipedia
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grandes poetas famosos sem erros
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PALAVRA DA SALVAÇÃO (265)
Solenidade da Ascensão do Senhor | domingo, 29 de maio de 2022
Anúncio do Evangelho (Lc
24,46-53)
— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de
Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, disse Jesus a seus
discípulos: “Assim está escrito: O Cristo sofrerá e ressuscitará dos
mortos ao terceiro dia e no seu nome serão anunciados a conversão e o
perdão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém.
Vós sereis testemunhas de tudo
isso. Eu enviarei sobre vós aquele que meu Pai prometeu. Por isso,
permanecei na cidade, até que sejais revestidos da força do alto”.
Então Jesus levou-os para fora,
até perto de Betânia. Ali ergueu as mãos e abençoou-os. Enquanto os
abençoava, afastou-se deles e foi levado para o céu. Eles o adoraram. Em
seguida voltaram para Jerusalém, com grande alegria. E estavam sempre no
Templo, bendizendo a Deus.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.
https://liturgia.cancaonova.com/pb/
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Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Pe. Donizete
Ferreira – Sacerdote da Comunidade Canção Nova:
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Ascenção: bênção que
se espalha sobre a humanidade
Jesus levou-os para fora, até perto de Betânia. Ali
ergueu as mãos e abençoou-os” (Lc 24,50)
Segundo o relato de Lucas, na Ascenção, Jesus “desaparece” em
Deus; Ele não se afasta da humanidade, mas continua presente de uma outra
maneira: junto com o Pai e o Espírito faz sua “morada” no interior de cada
pessoa.
Por isso, Jesus não deixa uma estrutura religiosa organizada
(com sua hierarquia, seus ritos, leis, doutrinas...); Ele deixa na terra
“testemunhas”, ou seja, aqueles(as) que comunicam a sua experiência de um Deus
de bondade e contagiam com seu estilo de vida centrado no modo de agir e viver
do próprio Jesus. Serão testemunhas cristificadas, trabalhando por um mundo
mais justo e humano.
Mas Jesus conhece bem os seus discípulos; sabe que eles são
frágeis e medrosos. Onde encontrarão a audácia para serem testemunhas de alguém
que foi crucificado pelo representante do Império e pelos dirigentes do Templo?
Jesus tranquiliza-os: “Eu enviarei a vós aquele que Pai prometeu”. Não
lhes vai faltar a “força do alto”. O Espírito de Deus os defenderá.
A “ausência física” de Jesus revelar-se-á, então, como
oportunidade para fazer crescer a maturidade de seus seguidores. Ele lhes deixa
o dom de seu Espírito que promoverá o crescimento responsável e adulto dos
seus. É inspirador recordar isso nesse momento em que parece crescer entre nós
o medo à criatividade, a tentação do imobilismo, a petrificação no ritualismo e
na doutrina, ou a saudade de um cristianismo pensado para outros tempos e outra
cultura.
A festa da Ascenção do Senhor nos
recorda que, terminada a presença história de Jesus, vivemos “o tempo do
Espírito”, tempo de criatividade e de crescimento responsável no seguimento de
Jesus. O Espírito não nos oferece “receitas eternas”. Ele nos dá luz e alento
para ir buscando caminhos sempre novos e alternativos para atualizar hoje o
modo de ser e agir de Jesus. Assim Ele nos conduz para a verdade completa
d’Aquele que sempre se revelou verdadeiro.
Para expressar graficamente o último desejo de Jesus, o
evangelista Lucas descreve a sua partida deste mundo de forma surpreendente:
Jesus volta ao Pai levantando as suas mãos e abençoando os
seus discípulos. É o seu último gesto. Jesus entra no mistério insondável de
Deus e sobre o mundo faz descer a sua bênção. Seus seguidores começam sua
peregrinação pelo mundo protegidos por aquela benção com a qual Jesus curava os
enfermos, perdoava os pecadores, abençoava e acariciava as crianças...
A Bênção atravessa toda a Bíblia, e quer
atravessar também nossas vidas. Ela brota do olhar primeiro e amoroso de Deus
que, admirado, viu que toda Criação era boa e preciosa. Também nossa
missão, confiada pelo Ressuscitado, consiste em recuperar este olhar, esta
benção original, sobre nós e sobre a terra; uma bênção que desperta admiração e
assombro ao perceber a bondade e beleza no interior daqueles que não são
considerados bons e dignos de beleza.
A palavra “bênção” tem um sentido amplo e direto;
procede do termo latino “benedictio” e significa “dizer
bem”. Mas, determinados pelo nosso contexto social e político que
preza pelo ódio, preconceito, maledicência, “fake news”..., a sensação que
temos é que há uma curiosidade viral, uma excitação, um prazer mórbido em
“dizer mal”, destruir reputações, emitir juízos moralistas, ferir e excluir o
outro que pensa, sente e ama de maneira diferente. Há uma “maledictio” (“mal-dizer”)
que paira em todos os meios de comunicação e redes sociais, envenenando
relações, rompendo vínculos, criando divisões. E tudo isso emerge da
interioridade petrificada das pessoas, alimentando um fúnebre processo de
desumanização. O trágico é que essas manifestações de maldição são expressas
por quem se confessa seguidor(a) d’Aquele que sempre foi presença visível da
Verdade e fonte de perene Benção. Quanta incoerência no seguimento de Jesus
Cristo!
“Não há pior patologia que essa dissipação da alma, esse
olhar cheio de pré-juizos que nos torna pequenos e amargos, esse juízo que se
deixa escravizar pelo defeito e pelo peso da imperfeição e depois não nos deixa
sair até que ignoramos a liberdade. Não há exercício mais esterilizante que
essa espécie de ressentimento expresso como anátema em relação com a vida, esse
totalitarismo da queixa que, sem nos dar conta, nos asfixia, essa incapacidade
de romper com a engrenagem da maldição sobre todos e sobre tudo, da qual nem
nós mesmos escapamos” (Cardeal Tolentino).
Somos herdeiros(as) de uma benção, herdeiros(as) da doação e
da esperança de tantos homens e mulheres que, ao longo da história, aliviaram
sofrimento, recobraram dignidades e ajudaram a viver.
Agora, somos nós a geração portadora dessa benção. Presente,
passado e futuro.
Como seguidores(as), esquecemo-nos que somos portadores(as)
da bênção de Jesus. A nossa primeira tarefa é ser testemunha da
Bondade de Deus, manter viva a esperança, não nos rendermos diante do “maledictio”.
Na Igreja de Jesus, temos esquecido que a primeira coisa a
se fazer é promover uma “pastoral da bênção”. Temos de nos sentir testemunhas e
profetas desse Jesus que passou a sua vida semeando gestos e palavras de
bênção, de bondade e de misericórdia. Assim, despertou nas pessoas da Galiléia
a esperança no Deus Salvador, abriu um horizonte de sentido. Jesus era uma
bênção visível e as pessoas reconheciam isso.
Somos chamados a ser presença de “bênção”. Que todos aqueles
que vivem situações de desamparo, de miséria, de desamor, de indefesa, de
maldição... possam sentir em nós o prolongamento da Benção do Ressuscitado;
possam sentir-se bem acolhidos, bem nomeados, bem olhados, bem-amados.
“Dizer bem”, “bendizer”, “abençoar”, é
nossa vocação primordial, porque só isso desperta a consciência de que cada um
de nós é portador(a) autorizado(a) de uma indestrutível benção, e esse é o modo
de fazer justiça ao maravilhoso milagre que é estar vivos. “Dizer bem” é
conectar-nos com aquela verdade mais profunda, que é o puro vínculo na ordem do
ser. Sem essa ancoragem compassiva na raiz do nosso ser e no nosso modo
cristificado de viver, não chegaremos a compreender verdadeiramente o enorme e
misterioso pulsar da própria existência.
Cada um de nós depende – porque a vida é dom e confirmação
reiterada do dom – daquilo que a benção desencadeia. Somos um elo na longa
corrente de bênçãos; são inúmeras as pessoas que deixaram impregnadas em nosso
coração a marca da bênção oblativa, aberta e desafiadora. Crescemos e amadurecemos
sob o impulso da “benedictio” daqueles(as) que conviveram ou convivem conosco.
E, por isso, é tão importante buscar a benção, colocar-nos
de seu lado luminoso, ativá-la e exercitá-la ao nosso redor. O tempo se ilumina
quando nos deslocamos da sombra da “maledictio” e nos re-situamos na órbita da
“benedictio”.
Assim se expressa a maravilhosa e antiga bênção
irlandesa: “Que o caminho seja brando a teus pés,/ que o vento
sopre leve em teus ombros./ Que o sol brilhe em teu rosto sem ferir-te,/ e as
chuvas caiam serenas em teus campos./ E até que eu de novo te veja,/ Deus te
guarde cada dia na palma de Sua mão”.
Texto bíblico: Lc 24,46-53
Na oração: Todo(a) seguidor(a) de Jesus é
“canal” de transmissão de Sua bênção que salva, eleva,
exalta a dignidade de cada pessoa.
- Sua presença cotidiana é reveladora de “benedictio” ou
“maledictio”, de elogio ou de maledicência, de vibração diante da nobreza do
outro ou de queixa amarga?...
Pe. Adroaldo Palaoro sj
* * *
quinta-feira, 26 de maio de 2022
MEU TIO RAIMUNDO – Cyro de Mattos
Meu tio Raimundo
Cyro
de Mattos
Meu tio
Raimundo tinha uma fazenda grande de criatório de gado. Às vezes ele pedia a
meu pai para deixar eu ir passar com ele alguns dias na sua fazenda chamada
Bela Paisagem. Lá o capim era verde e parecia que não tinha fim, se perdia nos
pastos até onde as vistas pudessem alcançar.
Meu tio era muito sorridente, mostrava que estava de bem com a vida,
apesar de não ter um filho, ele dizia que isso tia Edite não podia lhe dar. Ele
dizia que eu era o sobrinho que ele mais gostava, o filho que ele queria ter.
Gostava de
pegar na minha cabeça e ficar repetindo Mundeco, meu sobrinho esperto, corra
bem depressa, que é evem o boi brabo, maior que um boneco. Gostava de fazer
adivinha comigo. Se eu acertasse uma adivinha, ele me dava sorvete, saco de
pipoca, cocada ou um copo grande com caldo de cana. Eu escolhesse. Se eu não
acertasse, ele dizia que não tinha importância. Era uma adivinha com a reposta
difícil. Guardasse comigo, fosse apostar guloseima com os amigos para ver quem
acertava a resposta da adivinha difícil, que somente ele e eu sabíamos.
Guardei
várias adivinhas que ele me passou. Como essa: O que é, o que é? Bolota voadora, Tem um zumbido Que não para, Entrando
e saindo De uma casa Com cem portas? Ou essa outra: O que é, o que é? Tem cabeça, Não tem rosto, Fura e segura,
Marca o caminho Para a agulha Andar na costura? Olhe, se você não for um menino
esperto, não vai responder certo. Eu lhe ajudo com a resposta certa. A primeira
é abelha, a segunda só pode ser alfinete.
Meu tio
presenteou-me no aniversário com um carneirinho. Pai e mãe não aprovaram o
presente, ia dar preocupação e trabalho até que ficasse crescido. A ovelha, mãe
do carneiro, morreu de uma picada de cobra, o carneirinho ficou órfão, berrando
sem parar, de causar pena, segundo meu tio informou. Agora eu ia ter que cuidar
dele dando leite na mamadeira. Fiz a dormida dele no quintal, na casa onde
guardava meus brinquedos, como bicicleta, skate, bola de futebol, bambolê e
patim.
Quando chegava
da escola, ele ficava no quintal berrando até que eu chegasse com a mamadeira
grande de leite. Saía comigo pela rua puxado pelo cabresto. Gente adulta
parava, ficava olhando admirada o menino e seu carneiro, fazendo seu passeio
pela rua do comércio. Ao passar a mão nele para fazer agrado, os dedos pareciam
que estavam pegando em algodão. Ele tinha uma pelagem fofa. Daí eu passar a lhe
chamar de Lanzudo. Quando deixou de beber leite e começou a comer capim, que
meu pai mandava trazer na carroça, a mãe dizia que ele devia voltar para a
fazenda do tio, era melhor ele viver no meio dos outros carneiros. Lugar de
carneiro era no campo, finalizava, meu pai concordava com ela, sem
pestanejar.
De fato, isso
aconteceu, não que me conformasse com a ausência dele. Era meu bicho de estimação, com quem me
exibia com os amigos lá da rua. Cada um tinha seu bicho de estimação, cada um
achava que o seu era melhor, mais bonito e esperto do que o do outro menino.
Quando meu
tio Raimundo faleceu, meu pai ficou muito triste, minha mãe chorou bastante,
era o único irmão que ela ainda tinha. Eu, nem é bom falar do quanto chorei,
até hoje fico saudoso quando lembro dele.
Não escondo, choro porque tenho saudades de mim.
Cyro de Mattos - é escritor e poeta com prêmios literários
importantes, no Brasil e exterior. Doutor Honoris Causa da Universidade
Estadual de Santa Cruz, Membro efetivo da Academia de Letras da Bahia, Pen
Clube do Brasil e Ordem do Mérito do Governo da Bahia, no grau de Comendador
* * *
ACADEMIA DE LETRAS DE ILHÉUS REALIZA SESSÃO DA SAUDADE
Cumprindo o que preceitua o seu regimento interno, que aduz
que quando um dos seus acadêmicos falece, a Academia de Letras de Ilhéus (ALI)
deve realizar uma sessão da saudade em sua homenagem, assim foi feito na noite
de sexta-feira (20), quando o confrade Mário Augusto Albiani Alves, morto no
dia 11 de junho de 2021, em Salvador, foi postumamente homenageado.
A solenidade, que foi presidida pelo acadêmico-presidente
Pawlo Cidade (Cadeira 13), ocorreu no Salão Nobre da “Casa de Abel” e contou
com a participação de familiares e autoridades, entre elas o juiz e membro da
ALI, Antônio Carlos de Souza Hygino (Cadeira 1) e o desembargador Mário Albiani
Alves Júnior, que com emoção e reverência discorreram sobre a trajetória do
desembargador aposentado, figura importante no meio jurídico baiano.
O ex-presidente do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA),
Mário Augusto Albiani Alves ocupava a Cadeira nº 37 da ALI, cujo patrono é
Vasconcelos de Queiroz e fundador Nathan Coutinho, cursou Direito na
Universidade Federal da Bahia (UFBA).
Na função judicante, ele atuou na comarca de Palmeiras, na
Chapada Diamantina. Em dezembro de 1989 foi promovido desembargador do TJ-BA e
no ano seguinte tornou-se presidente.
Mário Albiani foi também presidente da Associação dos
Magistrados da Bahia (Amab) por sete mandatos, fundou a Escola de Preparação e
Aperfeiçoamento de Magistrados (Epam), em 1987, no ano 1991 assumiu o cargo de
governador da Bahia pelo período de 10 dias, durante o governo de Nilo Augusto
de Moraes Coelho (15/5/1989 – 15/3/1991).
Na solene e prestigiada sessão, discursou em nome do
sodalício o acadêmico Antônio Carlos Hygino, que sobre o confrade Mário Albiani
declarou: “Foi um juiz que se destacou por participar do meio social em que
vivia, inteirando- -se dos problemas, anseios e aflições da sociedade, com
vista a solução dos conflitos e em busca da paz social. Era um conciliador nato
e será lembrado pelo seu talento, como o eterno presidente do Tribunal de
Justiça da Bahia (TJ-BA)”.
Por Vercil Rodrigues
Advogado, professor e escritor. Membro-fundador da Academia Grapiúna de Letras (AGRAL), Cadeira1; Membro-idealizador fundador da Academia de Letras Jurídicas do Sul da Bahia (ALJUSBA), Cadeira1 e membro da Academia de Letras de Ilhéus (ALI), Cadeira 21.
E-mails: vercil@jornaldireitos.com
Fonte: JORNAL DIREITO, EDIÇÃO 141 – MAIO DE 2022
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