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quarta-feira, 26 de janeiro de 2022

A VERDADE SOBRE “GRANDE SERTÃO: VEREDAS”, de GUIMARÃES ROSA



A Verdade sobre “GRANDE SERTÃO:

VEREDAS”, de Guimarães Rosa

 

Ivo Korytoswki

Escritor com duas obras premiadas pela UBE, tradutor consagrado, lexicógrafo, filósofo pela UFRJ, pesquisador da história do Rio, blogueiro e Youtuber. Pode ser contactado no Facebook.

 

Grande Sertão: Veredas é uma “vaca sagrada” da literatura brasileira. Não gostar dessa obra do Rosa é o suprassumo do “culturalmente incorreto”. O máximo que você pode dizer é que não está à altura do livro, não está preparado ainda para ler o livro. O defeito não é do livro, é teu.

O livro tem qualidades enormes que não vou declinar aqui porque já o foram sobejamente. Mas tem defeitos também. Quer saber a verdade sobre Grande Sertão: Veredas? Então me acompanhe.

1) Vê-se de tudo em Grande Sertão: Veredas, uma Ilíada brasileira, um pacto faustiano sertanejo, uma regressão à língua primordial pré-Babel, menos o que a obra realmente é: uma grande “guerra de quadrilhas” ou, mais exatamente, guerra entre bandos de jagunços que percorrem os sertões das “Gerais” meio que sem destino com sede de luta e vingança. “O senhor sabe o mais que é, de se navegar sertão num rumo sem termo, amanhecendo cada manhã num pouso diferente, sem juízo de raiz?” (pág. 275 da 37. edição, da foto abaixo) “Sertão é o penal, criminal. Sertão é onde o homem tem de ter a dura nuca e mão quadrada.” (pág. 92) Em meio a toda essa violência desenfreada tropas do governo também metem a colher. Só que guerra de quadrilha urbana tem um objetivo: conquistar território para vender drogas para ganhar dinheiro. E essa guerra sem fim dos jagunços aparentemente não tem objetivo concreto, ou se tem Rosa não deixa claro qual seja: é a guerra pela guerra, as eternas vendetas.

2) Os personagens que travam essa guerra, por mais pitorescos que se afigurem na criação artística de Rosa, são maus: matam com prazer, estupram, invadem cidades e saqueiam o comércio, numa das cenas mais revoltantes massacram cavalos só de maldade, tem cena de antropofagia (“o corpudo não era bugio não, não achavam o rabo. Era homem humano” - pág. 43), é gente com culpa no cartório. “Jagunço – criatura paga para crimes, impondo o sofrer no quieto arruado dos outros, matando e roupilhando” (pág. 191)

São todos maus, menos o protagonista/narrador. “Eu Riobaldo, jagunço, homem de matar e morrer com a minha valentia.” (pág. 174) Esse é o protótipo de um arquétipo da literatura: o bom bandido. O bandido filósofo, porque está preocupado com a questão da existência de Deus e do diabo (como se a existência de Deus e do diabo fosse a suprema questão filosófica). O bandido poeta (o discurso de Riobaldo tem, sim, poeticidade). O jagunço que entrou na jagunçagem não por ser ruim, mas pela força de um destino de tragédia grega (ἀνάγκη) que o empurrou para a “vida de jagunço”. “Por que será que eu precisava de ir por adiante, com Diadorim e os companheiros, atrás de sorte e morte, nestes Gerais meus? Destino preso.” (pág. 171) O problema é que não existe “bandido bom” na vida real. Só na literatura e numa ciência social descolada da realidade. (Como posso ser tão tacanho a ponto de equiparar Riobaldo a um bandido? Dirão)

3) Uma das virtudes apontadas em Grande Sertão: Veredas, aliás, a virtude cardeal, que impressionou o meio intelectual da época do lançamento (segunda metade da década de 1950) e continua impressionando até hoje, é a inovação, a criatividade linguística. Segundo Alexei Bueno, “uma espécie de expressionismo linguístico onde violentas deformações da base já muito requintada que é a expressão oral do sertanejo brasileiro conseguiram atingir sínteses artísticas e emocionais espantosas”. Não que a linguagem do sertanejo (ou de outros estratos da população menos letrada) nunca tivesse sido reproduzida tal e qual. Já havia sido, em diálogos. 

Mas aqui não se trata só de diálogos entre personagens. Um narrador conta a história, da primeira (“Nonada”) à última (“Travessia”) frase, em uma linguagem supostamente de um sertanejo, livre das amarras da “norma culta”. Que não é uma linguagem de um sertanejo comum, qualquer. É a linguagem de um sertanejo idealizado, esclarecido, de pendores poéticos, inclinação filosófica, que discorre “sabiamente” sobre o bem e o mal, Deus e o diabo na terra do sol, em suma, um sertanejo criado pela imaginação fertilíssima, pela genialidade do Rosa. No fundo é a linguagem do Rosa se ele, homem urbano, diplomata, cultíssimo, fosse viver no meio sertanejo! Rosa é louvado por ter revolucionado a língua. Revolucionou mesmo? A língua falada pelos brasileiros mudou em decorrência da obra do Rosa? Por outro lado, se alguém escrever um livro inteiro em miguxês/internetês, que é o calão dos internautas, ou em gíria de traficante de morro carioca, tá ligado?, será louvado por ter revolucionado a língua? E uma língua com séculos de tradição literária carece de ser revolucionada? Não basta que evolua naturalmente?

4) A linguagem de Riobaldo, narrador de Grande Sertão: Veredas, soa estranha para quem abre o livro pela primeira vez, mas se você se esforçar e ultrapassar certo número de páginas, acaba se acostumando: é o que dizem. Como se acostuma com a sintaxe & pontuação esdrúxula do Saramago. Pois vou confessar uma coisa. No momento em que escrevo estas linhas já ultrapassei a página 300 e ainda não me acostumei com a linguagem. Digo mais: já enjoei dessa linguagem, tipo enjoo que se tem em navio depois de vários dias em alto-mar. É assaz frustrante ler uma obra em que, vira e mexe, você depara com construções léxicas que parecem não fazer sentido e onde as palavras que você porventura não entende (porque você não tem na cabeça todas as centenas de milhares de palavras da língua portuguesa) não constam necessariamente do dicionário. Querem exemplos?

Agora, advai que aquietavam, no estatuto. Nanja, o senhor, nessa sossegação, que se fie! O que fosse, eles podiam referver em imediatidade, o banguelê, num zunir: que vespassem. (pág. 227)

Assim que, inimigo, persistia só inimigo, surunganga; mas enxuto e comparado, contra-homem sem o desleixo de si. (pág. 317)

“É, eu vou com o senhor, e esse urucuiano Salústio vem comigo, mas é na hora da situação... Aí, na hora horinha, estou junto perto, para ver. A para ver como é, que será vai ser... O que será vai ser ou vai não ser...” (pág. 306)

Os fatos passados obedecem à gente; os em vir, também. Só o poder do presente é que é furiável? Não. Esse obedece igual – e é o que é. Isso já aprendi. (pág. 301)

Vou ainda mais longe: há momentos em que o narrador parece estar delirando. Senão vejamos.

Todos estão loucos, neste mundo? Porque a cabeça da gente é uma só, e as coisas que há e que estão para haver são demais de muitas, muito maiores diferentes, e a gente tem de necessitar de aumentar a cabeça, para o total. Todos os sucedidos acontecendo, o sentir forte da gente – o que produz os ventos. (pág. 272)

5) E a fidedignidade histórica? Essas guerras de jagunços sem nenhum motivo aparente ocorreram realmente em Minas/Goiás? Sei que houve cangaço no Nordeste, sei que latifundiários praticaram (ou até ainda praticam) grilagem de terras e até lançaram ou lançam mão de jagunços para se apropriar de terrenos alheios, mas guerras entre bandos de jagunços tipo guerras feudais medievais sem qualquer objetivo ocorreram em Minas Gerais? (Aqui espero o socorro dos historiadores mineiros.) Aliás, Alexei Bueno, em seu ensaio “Ribeiro, Rego, Rosa e Rocha: Afinidades Eletivas” confirma essa minha sensação de irrealidade ao escrever que em Grande Sertão: Vereda “sente-se uma organização social e militar muito mais próxima do que conhecemos como cangaço, pela independência, sobretudo, dos seus membros, do que de qualquer jaguncismo histórico daquele mais sonhado do que real norte de Minas”.

6) Grande Sertão: Veredas não é a maior saga da literatura brasileira do século XX. Quem detém o laurel, em minha modesta opinião, é O Tempo e o Vento, do Érico Veríssimo, que conta, romanceadamente, a história da formação do Rio Grande do Sul, desde os primórdios até a era getuliana, com as rixas entre as famílias poderosas proprietárias das terras, reconstituição dos gauchismos mas... sem "revolucionar a língua", digamos assim.

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Na época do lançamento, Grande Sertão: Veredas foi recebido com estupor, diferente de tudo que se escrevera antes. Reconheceram os críticos as virtudes, mas também as dificuldades de compreensão da monumental obra (e um dos críticos chegou a aludir aos “exageros” do estilo roseano). 

Assim, diz Maria Eugenia Celso, no Jornal do Brasil de 28/7/1956:

O que acho mais extraordinário em “Grande Sertão: Veredas”, o novo romance de Guimarães Rosa, é que, assim tão terrivelmente sertanejo no linguajar, no ambiente e na trama passional dos episódios, tenha sido escrito aqui por um diplomata num meio supercivilizado, para o qual aquela maneira de falar não pode deixar de ser um tanto charadística. Verdadeiro “tour de force”, a meu ver.

Escreve Manuel Bandeira em “Livros a Mancheias” no JB de 12 de agosto daquele mesmo ano:

Guimarães Rosa ouvi dizer que inventou uma língua nova, que não é nem a portuguesa, nem a brasileira, nem a de Mário de Andrade.

Em mesa redonda sobre Rosa publicada no JB de 2 de setembro afirmou Sérgio Milliet:

Mas com “Grande Sertão: Veredas” temos o grito de independência de nossa literatura. Depois deste livro será preciso reescrever a gramática do português do Brasil. [...] “Grande Sertão: Veredas” é sem dúvida alguma, o nosso grande acontecimento literário e linguístico do século. Está para a possível língua brasileira como a poesia de Villon ao findar a Idade Média.

Benedito Nunes, em “Primeira Notícia sobre Grande Sertão: Veredas”, no JB de 10/2/1957, escreve:

“Grande Sertão: Veredas” ultrapassa o âmbito regional. No drama do sertanejo ou do jagunço, irrompem os grandes problemas humanos – seja a luta do homem contra a natureza que o estimula e o abate ao mesmo tempo, seja o ímpeto do jagunço que se põe em armas para defender uma causa indefinível, adota a lei da guerra menos pela rudeza de seu espírito do que pela necessidade de viver e de realizar o seu destino.

Aliás, trata-se do único crítico que ousa apontar as deficiências do estilo do autor:

Os trechos onde a linguagem decai, perdendo a sua eficiência expressiva, revelam os defeitos da técnica que o romancista preferiu adotar para ser fiel às situações vividas pelo personagem. Alguns desses defeitos são cacoetes estilísticos decorrentes do uso, tantas vezes abusivo das desarticulações sintáticas, contrações e elipses que, praticadas mecanicamente, não possuem mais valor expressivo. 

Josué Montello, em aula inaugural do Curso de Literatura proferida em 28 de março de 1957 na Faculdade de Letras de Lisboa, considerou Grande Sertão: Veredas “a mais arrojada aventura da nova ficção brasileira. Guimarães Rosa é um renovador da língua como Aquilino Ribeiro.”

Múcio Leão (JB, 1/5/1957) reconhece que a linguagem de Grande Sertão: Veredas é dificílima, “uma espécie de língua nova, inaceitável à maioria dos leitores, senão a todos eles. Eu mesmo, que terminei por achar uma pura delícia esse Grande Sertão: Veredas, tive muita dificuldade para conseguir lê-lo. [...] Resolvi lê-lo mais ou menos como se fosse um livro escrito em outra língua, uma língua aproximada desta que falo.”

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Em suma, “o sertão é do tamanho do mundo” (pág. 60), e Grande Sertão: Veredas é um clássico, um monumento da nossa literatura, inovador, impressionante, de tirar o fôlego, uma das três epopeias da língua portuguesa (as outras, Os Lusíadas e Os Sertões), segundo meu amigo Alexei, tudo isso admito, mas... não há nada de errado em você, nem você precisa ficar com sentimento de culpa, caso não goste do livro de Guimarães Rosa. Afinal, gosto se discute!

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Ivo Korytoswki é romancista premiado, tradutor com quase duzentos romances traduzidos, autor de vários livros sobre o léxico brasileiro. Jornalista e blogueiro famoso no Rio e São Paulo.

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terça-feira, 25 de janeiro de 2022

ITABUNA CENTENÁRIA REFLETINDO: Frases de Famosos

 

Frases de Famosos

 

"As discórdias, habitualmente, são resolvidas, com a Lei do Amor”.

Mahatma Gandhi

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“Nada melhor do que a PAZ que aniquila toda a guerra de poderes celestes ou terrestres”.

Santo Inácio de Antioquia

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“O TEMPO PRESENTE é o único no qual podemos reparar o passado e construir o futuro”.

Santo Agostinho

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Com CRISTO, uma teia de aranha torna-se fortaleza; sem Cristo, a fortaleza é apenas uma teia de aranha”.

São Félix

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“O segredo da vida humana está na entrega sem questionamentos a DEUS, e na consciência de sua presença amorosa”.

Thomas Merton

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“Quem pergunta com má intenção não merece ouvir a VERDADE”.

Santo Ambrósio

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“Os CÉUS são relatores da glória de DEUS”.

Francisco de Quevedo

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“DEUS é o Deus do presente. Assim Ele te encontra e te acolhe não pelo que foste, mas pelo que és agora”.

Eckhart

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“O grande poder existe na força irresistível do AMOR”.

Gabriel Garcia Marquez

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“Homem poderoso é quem tem PODER sobre si mesmo”.

Sêneca

 

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UM PERFIL DE CORAGEM – I José Sarney


Tenho retomado aqui pequenas narrativas sobre a vida e seus personagens que recolhi há alguns anos com o título de Galope à Beira-Mar. Nele conto histórias de grandes brasileiros, grandes políticos que engradecem nosso País e são exemplos para as novas gerações. Entre eles se destaca Adauto Lúcio Cardoso, um exemplo de coragem política como os do famoso livro de John Kennedy, Profiles in Courage.

Ninguém igualava Adauto no combate a João Goulart, ao PTB e a Getúlio. Com essa marca e sendo líder da UDN, ao saber que os ministros militares - do Exército, da Aeronáutica e da Marinha - tinham feito um manifesto vetando a posse de Goulart, vice-presidente da República, como sucessor de Jânio Quadros, surpreendeu a Câmara dos Deputados.

Eu estava presente na sessão extraordinária do dia 27 de agosto de 1961. Era o fim da tarde. A Casa regurgitava de ódio e paixão, dividida entre os que queriam a assunção do Jango e os que queriam que os militares dessem um golpe evitando essa posse.

Ranieri Mazzilli, presidente da Câmara dos Deputados, assumira interinamente a Presidência da República sem ter poder algum, porque o poder estava nas mãos dos militares.

No meio daquele tumulto, quando todos esperavam que Adauto Lúcio Cardoso fizesse um discurso daqueles que ele sabia fazer - e como só ele sabia: com uma linguagem pausada, contundente, verrina e profundamente agressiva -, ele surgiu com um papel enrolado na mão. Dirigiu-se à tribuna e leu a seguinte petição:

'Adauto Lúcio Cardoso, advogado e deputado federal, representante eleito pelo povo do Estado da Guanabara, no cumprimento dos deveres do mandato que exerce, vem oferecer contra o senhor Ranieri Mazzilli, presidente da Câmara dos Deputados, ora no exercício da Presidência da República, contra o Ministro da Guerra, contra o Ministro da Aeronáutica e contra o Ministro da Marinha, representação na forma da lei número 1.079, de 10 de abril de 1950, cujo art. 13, item 1, estatui serem crimes de responsabilidades dos ministros de Estado os atos nela definidos, 'quando por eles praticados ou ordenados'.'

Este era o Adauto Lúcio Cardoso: acima de todos os interesses políticos, acima de todas as suas responsabilidades de chefe da oposição, invocava a Lei para processar por crime de responsabilidade aqueles que tinham feito uma comunicação dizendo que não dariam posse a João Goulart, conforme os termos da comunicação de Mazzilli ao Congresso Nacional: '?na qualidade de chefes das Forças Armadas, responsáveis pela ordem interna, me manifestaram a absoluta inconveniência, por motivos de segurança nacional, do regresso ao país do Vice-Presidente João Belchior Marques Goulart.'

Adauto desafiou a todos. Magoou seus companheiros e seus amigos, mas ficou ao lado da legalidade e da Constituição.

A cena está indelével em minha mente de parlamentar. Não presenciei gesto mais patriótico, de maior coragem cívica do que este: sua cabeleira branca, aquela postura de autoridade, aquele homem de grande bravura subindo a pequena escadaria que levava à Mesa Diretora da Câmara dos Deputados para entregar a sua denúncia.

Aliomar Baleeiro, que era seu amigo-irmão, os dois sempre juntos, estranhou o gesto e gritou:

- Ô Adauto, você fazendo isto?

Adauto parou e, fora dos seus hábitos, da sua polidez e da sua educação, disse em resposta ao Baleeiro:

- Aliomar, vá à m?!

Eu lutei para não chegar perto dele e beijá-lo. Mas guardo até hoje a convicção de que foi a maior figura que conheci no Congresso.

Os Divergentes, 23/01/2022

 

https://www.academia.org.br/artigos/um-perfil-de-coragem-i

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ELZA SOARES, por Cyro de Mattos

 


Elza Soares

 Cyro de Mattos*

 

            Arrebatava a plateia com seu ritmo musical diferente, que arranhava a garganta e brincava com o som. Vi de perto em minha juventude quando deu um show de espetáculo cantante ao se exibir com uma voz esplendorosa no Cine Teatro Itabuna e no Clube Social de Itabuna. Sua voz era puro jazz na garganta inflamada, no melhor proveito, improviso e efeito. Uma desordem musical causando harmonia impetuosa e prazerosa.

            Uma mulher negra, que veio da pobreza, na favela com a lata d'água na cabeça, no morro ainda adolescente subia e descia, não se cansava, noite e dia.  Em condições precárias cantava para enganar a difícil dureza da vida e foi se descobrindo com uma entonação musical que só ela tinha, cheia de malabarismos vocais.

            Voz das vozes, flor do samba que expandia alegria para quem a ouvisse, contagiando a todos com aquele timbre musical forte. E assim com seu jeito de cantar versátil ganhou o mundo, nos lugares mais distantes mostrou que o Brasil é grande quando beneficiado com criaturas como Elza e outras do mesmo naipe.

            Que mulher incrível com sua entonação musical! Eu só acreditava porque estava vendo, como era que ela fazia aquilo com a voz? Só podia ganhar o mundo, com indiscutíveis méritos e receber os beijos merecidos da glória.

            Trouxe no coração Garrincha, o gênio de pernas tortas, a alegria do povo com os seus dribles incríveis. Quando o craque já não mais valia para o futebol, como mulher corajosa deixou que se fosse no jogo adverso da vida. Amparou seu menino grande, aquecendo o corpo do campeão mundial de futebol com a febre do amor, adoçando o seu coração quando o sentia com a cor triste da manhã e a incerteza da noite.  

            Notável exemplo de vida. Acredito que tenha ido para o lado de lá, na sua viagem sem volta, cantando e sambando. Levou Elza, na sua chegada do lado de lá, meu beijo gravado no lado de cá quando eu a ouvia cantar e ficava com uma vontade assanhada para sambar. Não somente eu, mas quem gostasse de viver com o ritmo delirante do samba.

 


*Cyro de Mattos é escritor e poeta, premiado no Brasil e exterior.

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domingo, 23 de janeiro de 2022

Poema Canga- Autoria e voz de Cyro de Mattos

AMAZÔNIA NO CENTRO – Péricles Capanema

 


Estados que compõem a Amazônia Legal

 

Péricles Capanema

 

No Exterior, ponto candente. Se você fosse um leitor comum (ou um cidadão comum) dos Estados Unidos ou de algum país europeu (Inglaterra, França, Alemanha, Itália, Espanha, por exemplo), você saberia vaga e distraidamente que longe de suas antenas palpita uma imensa área política chamada América Latina, onde existem cidades grandes chamadas Buenos Aires, São Paulo e Rio de Janeiro. Saberia ainda que por lá se sucedem meio confusamente golpes de Estado, pobreza, tráfico de drogas, roubalheira política. Um ponto e só um ponto lhe chamaria vivamente a atenção: a Amazônia. Conexo com ele, desmatamento ilegal, florestas pegando fogo, devastação ambiental. Situação normal? Bastante anormal. Ajuda o Brasil? Prejudica, e muito; em especial, aos mais pobres daquela região, são dezenas de milhões, irmãos nossos, merecem ainda (dever solidário de todos) ação eficaz contra os que sofrem. Porção das flechas que perfura a carne dos mais pobres é afiada pela ação dos corifeus da propaganda hostil contra a Amazônia.

Dados úteis. Vamos dividir o grosso do problema em seções, ficará mais fácil entender o caso. A Amazônia não é só Brasil. Mas a grande antipatia mundial pelo suposto descaso em relação à Amazônia recai quase tão-só sobre Pindorama, o vilão da história. A Amazônia é uma floresta tropical úmida que cobre a maior parte da Bacia Amazônica. Esta bacia hidrográfica está localizada no Brasil, Bolívia, Colômbia, Guiana, Guiana Francesa, Suriname, Peru, Venezuela, Equador. Sete milhões de quilômetros quadrados, dos quais cinco e meio cobertos pela floresta. A maioria da floresta tropical está no Brasil — 60% dela. A Amazônia abriga mais da metade das floretas tropicais da Terra e tem a maior biodiversidade no mundo em uma floresta tropical. A chamada Pan-Amazônia tem área de aproximadamente 7,8 milhões de km2 e abriga por volta de 40 milhões de habitantes. Amazônia Legal, tantas vezes falada, é outra coisa. Corresponde à área de atuação da SUDAM (Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia). Compreende floresta tropical, cerrado e ainda outras formações. É região composta de 772 municípios localizados em Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Pará, Amapá, Tocantins, Mato Grosso, Maranhão. Tem superfície aproximada de 5.015.067,75 km2, 58,9% do território brasileiro. 45% do território da Amazônia Legal constitui área protegida legalmente. Ela abriga cerca de 30 milhões de brasileiros e seu PIB é por volta de 9% do PIB nacional. Agricultura, pecuária, mineração representam o futuro da região.

A Amazônia Legal (assinalada em verde no mapa) ocupa 58,9% do nosso território

Tema envenenado. Aqui, realidade e propaganda se mesclam, acavalam-se desconhecimento de fatos e sobrevalorização de versões. É comum, grassam versões fantasiosas, fatos reais são ouvidos com apatia. Para o bem e para o mal, a Amazônia foi lançada no centro do interesse mundial. Na questão se aninha não apenas o interesse razoável e fundamentado, mas ainda crepita um desvelo artificial, novo, irritadiço, inflado. Cada vez mais incendeiam os espíritos a sustentabilidade ameaçada e o desmatamento desbragado. A fermentação induzida no Ocidente leva as populações do mundo desenvolvido a ter birra do Brasil (e não apenas do governo), supostamente desleixado com a preservação de uma das maiores riquezas da Terra, penhor de futuro de prosperidade, patrimônio comum da humanidade.

Obrigação de esclarecimento. Preocupa a opinião hostil que se alastra; é ônus grave de todo brasileiro, na medida de suas possibilidades, procurar virar o jogo no cenário internacional (lá fora). No particular, tem pouco valor redarguir que os fatos apontam em direção contrária. Em geral se atribui a Gustavo Capanema observação sempre útil de lembrar quando nos debruçamos no exame dos cenários públicos: na política a versão vale mais que os fatos. As versões falsas precisam ser desinfladas, em boa parte, aí sim, pela difusão inteligente dos fatos que as desmontam. É ainda necessário somar esforços internamente para que consertemos tudo o que possa estar errado.

Lenha na fogueira. Não acho direito nesse momento, irrefletidamente (no mínimo), jogar lenha na fogueira, quando o importante é procurar extinguir o fogo. Pois o Brasil vai perdendo apoios importantes no Estados Unidos e na Europa, setores importantes estão sendo fermentados por propaganda inamistosa. Ao mesmo tempo, outro fato enorme assoma: a China está silenciosa e de sorriso enigmático. Duas forças de tração opostas, uma atrai, outra afasta. Para onde iremos?

Rumo que faz falta enfatizar. Destaco agora observações lúcidas, enraizadas na experiência e na erudição, impulsionam rumo de solução efetiva. Alysson Paolinelli é dos agrônomos de maior reputação no Brasil. Professor universitário, antigo secretário da Agricultura e ministro da Agricultura, opiniões pé no chão, sempre enfatizou a importância da ciência, pesquisa e experiência na solução dos problemas da agropecuária. Observou em entrevista recente sobre a Amazônia: “O Brasil está como vilão há muito tempo. As viúvas do Muro de Berlim não morreram. É evidente que a Amazônia está sendo desmatada. Mas 90% ainda estão preservados. Os outros 10% me preocupam. Agora, não será só proibindo o desmatamento que vamos resolver o problema. Enquanto a árvore valer mais deitada do que em pé não há polícia, não há exército que controle o desmatamento. O caminho é a biotecnologia. Temos de achar pela ciência uma forma de tirar rentabilidade sem degradar o bioma. No momento em que a ciência botar a árvore em pé valendo mais do que deitada, pode tirar a polícia da floresta. A primeira forma é o manejo sustentável da árvore. Hoje, temos técnicas de manejo sustentado com belíssimos resultados. Você corta a árvore que lhe interessa e dá dinheiro, planta duas ou três no lugar dela”.

Extrativismo de sobrevivência. Paolinelli colocou então cores fortes, talvez exagerou em muitos aspectos, mas mostrou por onde se pode resolver sensata e permanentemente o problema: “Nós temos na Amazônia mais de 25 milhões de pessoas famintas com o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) mais baixo do país. Estão fazendo extrativismo. Elas precisam de renda. Você tem de arrumar uma forma de garantir renda para a população para que, pelo menos, o trópico úmido não seja mexido. Ele não serve para plantar, para boi. Chove demais”. De outro modo, só pelo estímulo a novas formas de exploração econômica (na agricultura e pecuária), bem como pelo aumento da produtividade, será possível impedir que a floresta seja utilizada para subsistência pura; cessaria então o extrativismo da sobrevivência. Foi além: “A organização do produtor é outro problema. As cooperativas do sul conseguem entrar na casa do consumidor europeu, asiático, porque os produtores são organizados. E na Amazônia e no Nordeste a gente não tem isso”.

Impulso sensato no rumo certo. Em resumo, os problemas da Amazônia poderiam ser minorados com policiamento mais efetivo, vigilância mais estrita. São medidas necessárias e urgentes. Contudo, só serão enfrentados com sabedoria efetiva se, ao longo dos anos, houver aumento expressivo de pesquisas, procura de métodos novos, aplicação de capitais e organização da produção. A demagogia vai pelo rumo contrário: com ela, a pobreza se agravará, generalizar-se-á a miséria, teremos na raiz agravamento das principais causas da presente degradação ambiental. Caminhando pela estrada iluminada parcialmente pela lanterna de Paolinelli, lucrarão (e muito) as populações residentes na Amazônia, o Brasil e o mundo.

https://www.abim.inf.br/amazonia-no-centro/

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PALAVRA DA SALVAÇÃO (253)



3º Domingo do Tempo Comum – 23/01/2022

Anúncio do Evangelho (Lc 1,1-4;4,14-21)

— O Senhor esteja convosco.

— Ele está no meio de nós.

— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.

— Glória a vós, Senhor.

Muitas pessoas já tentaram escrever a história dos acontecimentos que se realizaram entre nós, como nos foram transmitidos por aqueles que, desde o princípio, foram testemunhas oculares e ministros da palavra.

Assim sendo, após fazer um estudo cuidadoso de tudo o que aconteceu desde o princípio, também eu decidi escrever de modo ordenado para ti, excelentíssimo Teófilo. Deste modo, poderás verificar a solidez dos ensinamentos que recebeste.

Naquele tempo, Jesus voltou para a Galileia, com a força do Espírito, e sua fama espalhou-se por toda a redondeza.

Ele ensinava nas suas sinagogas e todos o elogiavam.

E veio à cidade de Nazaré, onde se tinha criado. Conforme seu costume, entrou na sinagoga, no sábado, e levantou-se para fazer a leitura.

Deram-lhe o livro do profeta Isaías. Abrindo o livro, Jesus achou a passagem em que está escrito: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção para anunciar a Boa-nova aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos cativos e aos cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos e para proclamar um ano da graça do Senhor”.

Depois fechou o livro, entregou-o ao ajudante e sentou-se. Todos os que estavam na sinagoga tinham os olhos fixos nele.

Então começou a dizer-lhes: “Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir”.

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.

http://liturgia.cancaonova.com/pb/liturgia/3o-domingo-tempo-comum-4/?sDia=23&sMes=01&sAno=2022

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Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Padre Donizete Ferreira, Sacerdote da Comunidade Canção Nova.


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Ser presença de "boa notícia" que liberta


“O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção...” (Lc 4,18) 

O relato do evangelho deste domingo faz referência ao início da vida pública de Jesus, quando retorna à Galiléia, depois da confirmação de ser o Messias e da experiência de discernimento no deserto.

Jesus se apresenta em Nazaré, onde seus compatriotas aguardam seu “discurso programático”, e Ele causa espanto ao dizer que veio falar-lhes em nome dos pobres e excluídos; e faz isso tomando como próprias as palavras do profeta Isaías.

Movido pelo Espírito, Jesus começa a falar uma linguagem provocativa, original e inconfundível: Ele revela seu compromisso em favor de uma vida nova e libre entre os últimos, onde a vida encontra-se ferida.

Diferentemente dos mestres da Lei e dos escribas, cujo ensinamento estava centrado em “decorar” e conservar a Lei, o ensinamento de Jesus parte da realidade humana de sofrimento, exclusão, preconceito...

Aqui estamos numa sinagoga em dia de sábado: lugar e dia de comunhão, de encontro, de festa... No entanto, na mesma sinagoga Jesus convida a ter um olhar mais amplo para a realidade da exclusão.

Surpreendentemente, o texto não fala em organizar uma nova religião, de impor a carga de uma nova lei ou de implantar um culto mais digno, mas de comunicar libertação, esperança, luz e graça aos mais pobres e excluídos da terra.

Jesus se apresenta como o “ungido” pelo Espírito (Cristo) porque declara cumpridas, em sua vida e em sua pessoa, as promessas da antiga profecia que se revelavam como libertação dos oprimidos, encarcerados e estrangeiros. Ele aparece como o Ungido por excelência; o Pai lhe comunicou seu Espírito para que manifestasse seu dom e sua presença no mundo, anunciando a “boa notícia” aos pobres e necessitados, aos famintos de pão ou carentes de outros bens importantes.

Jesus não oferece doutrinas estéreis, não vem complicar a vida com novas exigências, nem está preocupado em apresentar uma religião diferente, mas revela uma presença original no mundo, comprometida com a vida. Nesse sentido, para Ele, evangelizar passou a significar oferecer vida, abrir caminhos de esperança, reconstruir as relações rompidas... Esta é a afirmação geral, o ponto de partida da missão pública de Jesus.

O Espírito de Deus está em Jesus enviando-o aos pobres, orientando toda sua vida para os mais necessitados, oprimidos e humilhados. Também nessa direção devem se comprometer seus seguidores(as).

Esta é a orientação que Deus quer deixar transparecer na história humana. Os últimos serão os primeiros em conhecer essa vida mais digna, livre e ditosa, que o mesmo Deus quer já, desde “agora”, para todos os seus filhos e filhas. 

Após a leitura do texto do profeta Isaías, na sinagoga em Nazaré, a palavra de Jesus move a todos a se situar no presente: “Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir”. Em Lucas, se trata de um “hoje” continuado, sempre atual, com a única condição de que nos deixemos introduzir nele. É um “hoje” que bem poderia ser traduzido por “aqui e agora”, o tempo presente que vai além do tempo cronológico; é o presente atemporal no qual tudo está bem, onde tudo é benção, graça, liberdade e Vida. Um Presente que não é ambíguo, mas que, abraçando todas as dimensões de nossa existência, rica e pobre, se desvela a nós como Plenitude.

A cena do evangelho de hoje termina com uma promessa de vida que tem lugar “hoje”. Da boca de Jesus brota uma palavra de vida, acompanhada de uma certeza que a faz eterna, ou seja, válida para todo momento, em um presente sempre atual: o “hoje” em Lucas significa “todo momento”, qualquer instante em que, ouvinte ou leitores, se abrem à Palavra inspirada de Jesus.

Cada um desses “hoje” remete o leitor a seu próprio presente. Por isso, não perdem nunca sua atualidade, sempre que o leitor ou ouvinte acolha o dom desse “tempo novo”.

E o mais maravilhoso é quando o “hoje de Deus” coincide com o “hoje nosso”. Deus é nosso “hoje”, nós somos o “hoje” de Deus; é no nosso “hoje” que Deus nos fala e realiza maravilhas.

Desse modo, o evangelista Lucas está nos dizendo: essa Palavra é válida também para nós, hoje, com a con-dição de que nos deixemos conduzir por ela. Para todos nós há também uma promessa de vida, que não pode ser bloqueada por nenhum tipo de escravidão e que não se acaba na fronteira da morte.

Antes de mais nada, a expressão “hoje” nos mostra Jesus como um homem que vive em um presente consciente e descansado, sábio e pleno. Deus não é graça ou castigo, boa notícia ou ameaça. Segundo Jesus, Deus é amor e só amor, compaixão e bondade, gratuita e incondicional. Esses atributos divinos se visibilizam no “hoje” de nossa existência. 

Deus não só nos liberta, Deus é a libertação. Somos nós que devemos tomar consciência de que somos livres e podemos viver em liberdade sem que ninguém no-la impeça. Também devemos ajudar os outros a descobrir a possibilidade de serem livres. Como Jesus, não devemos deixar que nada nem ninguém nos oprima. Nem Deus, nem os homens em seu nome, podem nos exigir algum tipo de vassalagem.

A liberdade deve ser o estado natural do ser humano. Por isso, a “boa notícia” de Jesus é dirigida a todos aqueles que padecem qualquer tipo de submissão. A enumeração feita por Isaías não deixa lugar a dúvidas: a libertação chega para todos os oprimidos e de todas as opressões.

É preciso recordar sempre: Jesus está longe de um mero assistencialismo... Ao tornar pública sua missão, Jesus inaugura uma nova ordem integral, a única que permite falar de uma libertação real. É importante cair na conta de que muitas vezes quando se fala de “opção preferencial pelos pobres”, na realidade se trata claramente de uma mentalidade assistencial, muito distante do discurso e prática de Jesus no início de sua vida pública. “Evangelizar é libertar através da palavra” (Nolan). Uma palavra que não entra na história, que não se pronuncia, que se mantém em cima do muro, que não mobiliza, não sacode, não provoca solidariedade, não transforma as estruturas geradoras de escravidões... não é herdeira da “palavra bendita” de Jesus.

Jesus é tão “entranhavelmente” humano que nos desconcerta a ponto de parecer estranho, extravagante e, para muitos, escandaloso. Mas, precisamente dessa maneira Ele nos revela, não só sua profunda humanidade, senão o grau de “desumanização” a que podemos submeter os outros, sem darmos conta disso.

Portanto, o sentido de nossa existência cristã não está em “divinizar-nos”, mas em “humanizar-nos” (descermos até o fundo de nossa condição humana). Porque o “ponto de encontro” entre Deus e os seres humanos não foi só o “divino”, senão o “divino humanizado”.

Texto bíblico:  Lc 1,1-4; 4,14-21

Na oração: “Hoje se cumpre” a Escritura em cada um de nós. O mesmo Espírito que atuou em Jesus, está atuando em nós. O ego nos separa; o Espírito nos identifica e nos unifica.

- Na oração, procure conectar com essa “divina energia” que está em você, e a espiritualidade será o mais espontâneo e natural de sua vida.

- As palavras de Isaías abrem um novo “sentido” para a vida de Jesus; também para todos nós, seus seguidores.

Elas se cumprem em você, no “hoje” de sua existência? Você se sente também “enviado” a ser presença da Boa Notícia para os pobres, para as vítimas das estruturas sociais injustas? Sua vida é “boa-notícia” para todos?


Pe. Adroaldo Palaoro sj

https://centroloyola.org.br/revista/outras-palavras/espiritualidade/2495-ser-presenca-de-boa-noticia-que-liberta


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