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terça-feira, 15 de junho de 2021

ITABUNA CENTENÁRIA SORRINDO - Desfazendo Mitos


                     Vamos desfazer alguns mitos:


 

O amor não ilumina o seu caminho.

O nome disso é poste.

 

O amor não é aquilo que supera barreiras.

O nome disso é gol de falta.

 

O amor não traça o seu destino.

O nome disso é GPS.

 

O amor não te dá forças para superar os obstáculos.

O nome disso é tração nas quatro rodas.

 

O amor não mostra o que realmente existe dentro de você.

O nome disso é endoscopia. (rolei de rir!)

 

O amor não atrai os opostos.

O nome disso é imã.

 

O amor não é aquilo que te deixa sem fôlego.

O nome disso é asma.

 

O amor não é aquilo que te faz perder o foco.

O nome disso é miopia.

 

O amor não é aquilo que te deixa maluco, te fazendo provar várias posições na cama.

Isso é insônia. (PQP!)

 

O amor não faz os feios ficarem pessoas maravilhosas. 

O nome disso é dinheiro.

 

O amor não é o que o homem faz na cama e leva a mulher à loucura.

O nome disso é esquecer a toalha molhada.  

 

O amor não faz a gente enlouquecer, não faz a gente dizer coisas pra depois se arrepender.

*O nome disso é vodca.

 

O amor não faz você passar horas conversando no telefone.

O nome disso é promoção da Tim, Oi, Vivo ou Claro

 

O amor não te dá água na boca.

O nome disso é bebedouro.

 

Amor não é aquilo que, quando chega, você reza para que nunca tenha fim.

Isso é férias.

 

O amor não é aquilo que entra na sua vida e muda tudo de lugar.

O nome disso é empregada nova.

 

O amor não é aquilo que gruda em você, mas quando vai embora arranca lágrimas.

O nome disso é cera quente.

 

 

(Recebi via Whats. Autoria não mencionada)

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segunda-feira, 14 de junho de 2021

MORRE EM BRASÍLIA, AOS 80 ANOS, O ACADÊMICO MARCO MACIEL


O Acadêmico e professor Marco Maciel faleceu na madrugada do dia 12 de junho de 2021, em Brasília. Diante da recomendação de se evitar reuniões e aglomerações por conta do coronavírus, não haverá velório.


"O Brasil perdeu um dos artífices mais sábios no cenário complexo da redemocratização. Homem discreto, delicado, como quase não há mais. Marco não firmou aliança com formas incertas e nebulosas. Seu compromisso foi o de manter-se fiel a um ideário, ao princípio de clareza e harmonia, como um grego, leitor de Aristóteles e Rousseau. Sua presença fez escola na vice-presidência da República. Jamais perdeu a consciência da liturgia do cargo. Falava pouco, agia muito, sem protagonismo vazio. Marco Maciel jamais endossou a miopia da pequena política, nem tampouco a bandeira do ódio. Foi um homem de cultura na política, atento aos ventos da História e ao futuro de nosso país", declarou o Acadêmico e Presidente da ABL Marco Lucchesi.

Marco Maciel foi o oitavo ocupante da Cadeira nº 39. Foi eleito em 18 de dezembro de 2003, na sucessão de Roberto Marinho e recebido em 3 de maio de 2004 pelo Acadêmico Marcos Vinicios Vilaça. Nasceu em Recife (PE), em 21 de julho de 1940. É filho de José do Rego Maciel e de sua esposa Carmen Sylvia Cavalcanti de Oliveira Maciel. Foi Secretário da Fazenda, duas vezes Deputado Federal, Prefeito do Recife, Promotor e Consultor-Geral do Estado.

Marco Maciel começou militando na política universitária na Faculdade de Direito da Universidade Federal de Pernambuco. Nessa época conheceu, na Universidade, a estudante de Sociologia Anna Maria Ferreira Maciel, sua esposa, com quem tem três filhos: Gisela, Maria Cristiana e João Maurício. Foi Vice-Presidente da República (Quadriênios 1995-1998 e 1999-2002), Senador (1983-1990 e 1991-1994), Ministro-Chefe do Gabinete Civil da Presidência da República (1986-1987) e diversos outros cargos políticos nos mais de quarenta anos de vida política que exerceu.

12/06/2021

 

https://www.academia.org.br/noticias/morre-em-brasilia-aos-80-anos-o-academico-marco-maciel

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domingo, 13 de junho de 2021

11.06.2021 - Chegada de BOLSONARO na Cidade de São Mateus - ES.

CARTA ABERTA AO SENADOR OTTO ALENCAR

Excelência,

Não sou Charlatão. Sou Médico com mais de 200.000 prontuários de pacientes atendidos por mim ao longo de aproximadamente 45 anos de atividade profissional. Nessa Pandemia Covid-19 utilizo a Ivermectina, Hidroxicloroquina como Profilaxia tanto para mim, meus familiares e centenas de amigos.

Sabe Vossa Excelência quantos foram acometidos da Doença? Zero. Também no início da sintomatologia da Covid-19, independente de exame laboratorial pois a Clínica é soberana, outras centenas de pacientes os tratei com Ivermectina, Azitromicina, Ivermectina. Sabe Vossa Excelência quantos deles morreram ou foram entubados? Zero. Se prescrevesse para estes apenas Dipirona ou água como dito por Vossa Excelência, seria o meu resultado Zero? Na Medicina como no Amor Excelência, nem nunca nem sempre.

Mas na Política, notadamente na esfera da Corrupção, vejo eu e creio que milhares de brasileiros, que o NUNCA prevalece. Tome Vossa Excelência como exemplo o caso dos 48 MILHÕES DOS RESPIRADORES. Por que tanta temeridade em expor a verdade? 

Quantos aí sim morreram por falta dos Respiradores e não provocados por condutas dos "charlatães" como carimbados que somos indevidamente por Vossa Excelência? Por que não se abrir o caminho dos Bilhões de Reais que foram endereçados para o Combate à Pandemia Covid-19? Por que não se debruçar para se identificar a razão pela qual a Bahia não seguiu a orientação do Coordenador Científico do Consórcio Nordeste ao prescrever, na qualidade de respeitado Cientista, para um Lockdown sério que aí sim poderia ter evitado muitas mortes de Baianos?

Excelência: assinei junto com mais de 651 Médicos o Documento intitulado " Manifesto dos Médicos Baianos a Favor da Vida em Defesa da Autonomia Médica e do Tratamento Imediato contra a Virose Covid-19. Aqui não existe Charlatanismo e tão pouco Corrupção.

A minha caneta é minha, Excelência. Sou regulamentado pelo Conselho Federal de Medicina.

Respeitosamente,


Dr. Modesto Jacobino, Médico, CRM BAHIA 3987.

Professor Aposentado da UFBA

Vice-Diretor da Faculdade de Medicina da UFBA (Gestão Prof. Tavares Neto) por 08 anos, eleito em votação direta por mais de 90% da Comunidade da mesma.


(Recebi via Whats)

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PLAVRA DA SALVAÇÃO (234)

 


11º Domingo do Tempo Comum – 13/06/2021

Anúncio do Evangelho (Mc 4,26-34)

— O Senhor esteja convosco.

— Ele está no meio de nós.

— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Marcos.

— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, Jesus disse à multidão: “O Reino de Deus é como quando alguém espalha a semente na terra. Ele vai dormir e acorda, noite e dia, e a semente vai germinando e crescendo, mas ele não sabe como isso acontece. A terra, por si mesma, produz o fruto: primeiro aparecem as folhas, depois vem a espiga e, por fim, os grãos que enchem a espiga. Quando as espigas estão maduras, o homem mete logo a foice, porque o tempo da colheita chegou”.E Jesus continuou: “Com que mais poderemos comparar o Reino de Deus? Que parábola usaremos para representá-lo? O Reino de Deus é como um grão de mostarda que, ao ser semeado na terra, é a menor de todas as sementes da terra. Quando é semeado, cresce e se torna maior do que todas as hortaliças, e estende ramos tão grandes, que os pássaros do céu podem abrigar-se à sua sombra”.

Jesus anunciava a Palavra usando muitas parábolas como estas, conforme eles podiam compreender. E só lhes falava por meio de parábolas, mas, quando estava sozinho com os discípulos, explicava tudo.

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.

 

https://liturgia.cancaonova.com/pb/

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Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Frei Pedro Júnior, Ofm:


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Ansiedade: tempo tenso e estéril

 


“...e a semente vai germinando e crescendo, mas ele não sabe como isso acontece” (Mc 4,27) 

 

O mundo no qual vivemos, feito de códigos e números, de tecnologia e de anonimato, de frios cálculos e de robots telecomandados..., conduz a uma vida em contínua aceleração; isso faz com que todos adoeçam de ativismo, de competição, de eficientismo; o excesso informações tira o sabor das coisas, instaura uma cultura que não flexibiliza a vida interior e o recolhimento, não cultiva afetos, emoções e sentimentos.

Tal como Marta, “andamos inquietos e perturbados com muitas coisas; mas uma só é necessária” (Lc. 10.41). Precisamos nos conceder espaços de calma para provar a verdade, contemplar a beleza, saborear os inestimáveis valores presentes na gratuidade e no dom desinteressado, alimentar-nos de valores humanos e cristãos que, impregnados de futuro, tornam bela a vida de hoje. 

Os tempos e os ritmos de vida mudaram muito. Nós estamos muito distantes da quietude e da calma do mundo rural; hoje predomina a eficácia, a pressa, a ansiedade. A eficácia sempre tem pressa. Mas as coisas da vida requerem tempo, calma e sabedoria.

Os evangelhos estão cheios de referência à vida. As sementes também nos falam de vida. Um grão de trigo, um grão de mostarda são sementes humildes, pequenas, mas cheias de vida. A vida da semente é calada, silenciosa, paciente: vai crescendo pouco a pouco, desenvolvendo toda sua vitalidade.

A vitalidade da semente não depende do trabalho e dos esforços humanos; ela está cheia de vida em si mesma. As sementes, as plantas, as árvores não crescem de uma vez só, nem com saltos espetaculares, mas pouco a pouco, humildemente.

O agricultor não escava desesperado a terra, forçando o crescimento da semente que ali deixou, mas distancia-se dela sabendo que há um tempo necessário de separação para que a planta, no seu ritmo, possa nascer e crescer. Toda semeadura supõe que é preciso saber esperar (esperança) com calma e paciência.

Não podemos ter urgências morais, nem precipitações nas mudanças pessoais, sociais, pastorais..., porque pode nos invadir a ansiedade e esta pode gerar medo, angústia..., pois pretendemos solucionar as coisas com uma insaciável pressa e avidez. 

O ser humano pós-moderno está perdendo o contato com o cosmos, com o chão, com os animais, com a natureza... e isto provoca-lhe todo tipo de mal-estar, de doenças, de insegurança e de ansiedade.

Prestemos atenção aos diferentes ritmos na sinfonia da vida. A natureza tem seus ritmos: o do dia e o da noite, as quatro estações, o crescer das espigas, o canto dos pássaros, o transcurso de um rio... Nossa vida tem os seus ritmos e somos chamados a distingui-los: se uma mulher está grávida, viverá um ritmo; se alguém está enfermo, descobrirá outro ritmo diferente; quem vive um luto por uma separação ou por uma morte, terá outro ritmo...; a amizade, o estudo, o trabalho... marcam ritmos diferenciados. Não se pode comparar o ritmo de uma criança com o do ancião, ou do adolescente com o ritmo do adulto. É diferente o ritmo do Sul e do Norte, o ritmo de cada povo.... 

Quando forçamos o tempo biológico para apressar demais o passo e antecipar recursos para uso imediato, o gasto de energia envolvido na operação pode arruinar a nossa própria vida.

Há um defeito na atividade que costuma tirar de nós a riqueza espiritual e convertê-la num “ativismo insensato”, sem vida interior e sem criatividade. Trata-se da ansiedade.

O nosso “eu profundo” é ferido por um permanente estado de alerta, exigências de obrigações pendentes e expectativas à espreita. Estamos perdendo aquela paz essencial nas profundezas do nosso ser, aquele repouso sem preço na qual os elementos mais delicados da vida se renovam e se confortam.

As demandas, a tensão, a pressa da existência moderna, perturbam a destroem esse precioso repouso.

Este “nervosismo” chamado ansiedade é uma espécie de pressa interior permanente. Sentimos uma necessidade imperiosa de resolver rapidamente todos os problemas, como se todas as coisas fossem urgentes ou indispensáveis. É um problema relacionado com o tempo.

Tratamos a vida com a mesma ansiedade que se abate sobre nós nos cinzentos corredores de espera, nas filas administrativas, nos engarrafamentos do trânsito. Tornamo-nos viciados em assuntos rapidamente fechados, incapazes de acolher o surpreendente “novo” que o sabor da vida insistentemente propõe.

Sabemos que, quando há ansiedade, há desordem. Como a mente está cheia de projetos e vive antecipando-se às coisas, nessa multidão de pensamentos reina uma grande confusão, e nada é bem-feito.

Além disso, a ansiedade nos torna superficiais, porque nos leva a passar rapidamente de uma atividade a outra, sem nos aprofundarmos em nada. O coração ansioso não é capaz de deter-se em coisa alguma. Não suporta a quietude. E assim não pode apreciar o sabor mais agradável das coisas.

Há no evangelho deste domingo um chamado dirigido a todos e que consiste em plantar pequenas sementes de uma nova humanidade e de uma nova inspiração no cotidiano de nossas vidas. Jesus não fala de coisas grandes. O Reino de Deus é um dinamismo muito humilde e modesto em suas origens. Presença que pode passar tão desapercebido como a menor semente, mas que é chamada a crescer e frutificar de maneira inesperada.

É bom envolver-nos nas atividades cotidianas e tirar maior proveito delas. Mas, às vezes, a ansiedade nos leva a sermos demasiadamente dependentes dos resultados do trabalho. Queremos ver rapidamente os frutos de nosso esforço. E assim escapa-nos o prazer de podermos agir com serenidade e paz.

É necessário saber planejar e prevenir, mas sem pretender prever e controlar tudo. É uma grande sabedoria saber desfrutar das pequenas coisas que temos ou que podemos fazer agora, sem pensar nas que não temos. Na ansiedade por querer conseguir certas coisas e abarcar tudo, acabamos criando dependências egocentradas e a vida vai se acabando sem ser vivida.

Então, nossa ação deixa de ser fonte de satisfação e plenitude. Por isso terminamos nos enfraquecendo, enchendo-nos de angústias inúteis e esquecendo-nos que “com a divina consolação todos os trabalhos são prazer e todas as fadigas são descanso” (Carta de S. Inácio a Teresa Rejadel).

A familiaridade com Deus na relação com todas as coisas do cotidiano, não implica fadiga ou ansiedade, senão que é uma maneira de viver aquela paz e plenitude considerada como verdadeiro descanso.

Toda atividade humana, perpassada por uma “espiritualidade” inspiradora, deve ser motivada, antes de tudo, pela força interior do amor, que lhe dá uma qualidade, um sentido e um valor particulares.

O desafio é buscar maneiras de encontrar a serenidade em meio às nossas frenéticas vidas, de abrir em profundidade nossa cotidianidade para poder nos submergir no ritmo tranquilo de Deus; encontrar-nos com Ele para que seja o centro de nossa vida e caminhar a seu lado. Oxalá sejamos capazes de captar os detalhes da paisagem de nossa vida para descobrir em tudo as pegadas do Senhor! E, embora vivamos neste mundo onde tudo se move tão rápido, podemos fechar os olhos e sentir que Ele nos conduz pela sua mão.

Textos bíblicos:  Mc 4,26-34 

Na oração: Tente escutar o universo infinito; acima, abaixo, ao seu redor. Entre em profundo silêncio para perceber a vibração de todos os elementos: terra, ar, água, fogo. Tudo vibra, tudo está cheio de ondas luminosas, sonoras. Tudo  é silêncio e tudo é escuta. Sinta-se presente no meio deste diálogo entre céu e terra... para escutar, falar e orar.

- Seu ritmo cotidiano é marcado pela ansiedade, pressa, estresse...? Há espaço para o silêncio, a contemplação?

- A partir do silêncio do seu coração, plante no seu cotidiano, sementes de humanidade: proximidade, acolhida, compaixão, paciência, paz...


Pe. Adroaldo Palaoro sj

https://centroloyola.org.br/revista/outras-palavras/espiritualidade/2348-ansiedade-tempo-tenso-e-esteril

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sábado, 12 de junho de 2021

JORGE AMADO E CYRO DE MATTOS


Jorge Amado e Cyro de Mattos

 por Ângela Fraga

 

Primeiramente assinalo a vitoriosa parceria, já há tantos anos travada entre o nosso homenageado, Cyro de Mattos, e a Fundação Jorge Amado que, através do seu braço editorial – a editora Casa de Palavras, já teve o privilégio de publicar 3 títulos de sua autoria e hoje lança o quarto. Berro de Fogo e Outras Histórias, Canto a Nossa Senhora das Matas (capa de Calasans Neto), Poemas Iberoamericanos e Canto até Hoje, capa de Juarez Paraiso.

 

Lembro com saudosismo também a amizade existente entre Cyro e Myriam Fraga, que eu particularmente tive o privilégio de compartilhar e também a amizade que tinha com o seu conterrâneo, Jorge Amado (os 3 confrades na Academia de Letras da Bahia).

 Jorge Amado em pronunciamento que consta nas atas da Academia Brasileira de Letras, certa ocasião disse sobre Cyro:

 Cyro de Mattos não se confunde à maioria de escrevinhadores que, na falta de real experiência humana e de real experimentação literária, se perdem na imitação uns dos outros, em cacoetes e fogos de artifícios enganadores. Cyro de Mattos possui uma personalidade vigorosa e original: a condição humana dos personagens que surgem de seu conhecimento e emoção nada tem de artificialismo da pequena burguesia a exibir angústia de psicanalista. Ele pisa chão verdadeiro, toca a carne e o sangue dos homens".

 E foi assim, com este fervor de alma, que ele construiu um poema. Poema curiosamente e carinhosamente intitulado:  Coisas de Myriam Fraga. Eis o poema:

 

Coisas de Myriam Fraga

 

Parir é coisa de mulheres.

Criar a flor dentro ciciada.

O ser no outro ser.

Completo acorde

até as gotas da morte.

 

Poesia é coisa de mulheres.

Às vezes acorda nesta paixão.

Rigor e lucidez na pele lambida.

 

Palavra é como brasa ...

queima até o fim...

Ilhas e ventos onde eu navego.

Ó labirinto de mim.

 

Pois bem.... Cyro lança agora, em comemoração aos 60 anos de  dedicação à literatura, o CANTO ATÉ HOJE,  que reúne toda a sua obra poética em 800 páginas, em edição impressa bem cuidada e em versão digital, como mandam os dias de hoje. O livro traz uma incrível capa ilustrada por Juarez Paraiso, e os versos ( inclusive inéditos) de toda uma trajetória de intensa atividade literária.

Um sonho do autor que está sendo realizado através do Prêmio Jorge Portugal das Artes, por meio da Lei Aldir Blanc e Fundação Cultural da Bahia.

(Aliás, já que falamos antes de amizade, não tenho como não lembrar aqui do nosso querido Jorge Portugal, grande incentivador da cultura e da literatura de nossa terra. A ideia de batizar o prêmio com o seu nome foi muito feliz...)

Jorge Amado sabiamente dizia “A amizade é o sal da vida...” e eu também sinto assim. Sem os amigos, a criação das redes, um ajudando o outro, trabalhando em prol do sucesso do outro, nada é possível. Um evento como este que estamos vivenciando agora não seria possível... basta correr o olho, como diz o povo, e perceber, que quase todos aqui tem algum ponto em comum e todos temos a amizade por Cyro!

Voltando a ele, prestemos atenção: São seis décadas da sua vida dedicadas à literatura. Curiosamente, o seu primeiro conto, publicado em 1960, em um suplemento literário do Jornal Bahia, que tinha como editor o amigo e também escritor João Ubaldo Ribeiro, intitulava-se “A CORRIDA”.

Creio eu que ali se iniciava, literalmente, uma corrida e de lá pra cá, o escritor nunca parou de contar suas histórias em prosas e versos.

E, se vocês perceberem, é também curioso, o título do livro hoje lançado aqui – CANTO ATÉ HOJE.

Ou seja, ele iniciou uma corrida em 1960 e até hoje canta e corre...

E sua necessidade vital de escrever o fez não apenas poeta, mas contista, novelista, romancista, cronista, ensaísta, autor de literatura para crianças e jovens, jornalista, advogado e, especialmente, fomentador da arte da palavra.

Impossível não falar da importância da sua atuação no cenário cultural, com destaque para uma característica muito peculiar à sua personalidade que é a perseverança, especialmente para com o “fazer” literário e os seus desdobramentos.

Vejam bem, o incansável, Cyro de Mattos, do auge dos seus 82 anos, surpreendente e encara os desafios de um mundo que ele mesmo confessa desconhecer, o chamado mundo virtual, mas não esmorece e avança bravamente  com a determinação costumeira que deu à sua trajetória um reconhecimento internacional.

Para finalizar cito aqui um pequeno trecho do depoimento de Cyro, quando participou em 1997, na Fundação Casa de Jorge Amado, do projeto “Com a Palavra o escritor”, porque me soou tão atual para o cenário que estamos a enfrentar:

 “A arte literária quando feita com amor e talento, de maneira humaníssima, reveladora do ser na existência, pode não salvar o indivíduo do seu conflitivo lado de animal social, não resolver problemas econômicos e políticos, mas é ato que torna a vida suportável, sensível, essencial. Viver sem ela seria mesmo impossível”.

 



Ângela Fraga
é diretora da Fundação Casa de Jorge Amado, filha da poeta Myriam Fraga. Escritora e advogada com especialização em administração de empresas.  O texto ora publicado faz parte de sua fala na live para lançamento do livro Canto até Hoje, de Cyro de Mattos, obra poética reunida, em 9 de abril deste ano, nas comemorações dos 60 anos de atividades literárias do autor baiano.

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sexta-feira, 11 de junho de 2021

SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS E PANDEMIA - Plinio Maria Solimeo


Plinio Maria Solimeo

 

Nos idos tempos em que ainda havia fé no mundo, recorria-se à Providência Divina em todas as vicissitudes da vida, principalmente por ocasião de calamidades. Operaram-se incontáveis milagres, registrados em fidedignos documentos de várias épocas.

Um desses milagres ocorreu durante uma terrível epidemia de peste bubônica em Marselha, na França, em 1720, que ceifou a vida de mais de 100 pessoas. Foi quando o Sagrado Coração de Jesus, aparecendo a uma alma santa, pediu que fosse instituída uma festa em seu louvor, para debelar a epidemia. O que realmente ocorreu, como veremos.

Antecedentes da devoção ao Sagrado Coração

Entre os anos de 1672 e 1686, Nosso Senhor Jesus Cristo, aparecendo a Santa Margarida Maria Alacoque [quadro acima], religiosa visitandina francesa, foi lhe revelado os mistérios da devoção ao seu Sagrado Coração. Como narra a vidente em sua Autobiografia, Ele lhe mostrou “o ardente desejo que tinha de ser amado pelos homens e de retirá-los da via da perdição, onde Satanás os precipitava em multidões”. Para isso, havia estabelecidoo desígnio de manifestar seu Coração aos homens, com todos os tesouros de amor, misericórdia, graça, santificação e salvação que ele continha”, para que lhe manifestassem seu amor.

Numa das várias revelações, Nosso Senhor disse a Santa Margarida Maria: “Por isso te peço que a primeira Sexta-feira depois da oitava do Santíssimo Sacramento seja dedicada a uma festa particular para honrar o meu Coração, reparando a sua honra por meio de um ato público de desagravo, e comungando nesse dia para reparar as injúrias que recebeu durante o tempo que esteve exposto nos altares. E Eu te prometo que o meu Coração se dilatará para derramar com abundância o influxo do seu divino amor sobre aqueles que Lhe renderem esta homenagem”.


Difundiu–se desde então a devoção a esse adorável Coração, tendo como centro o convento da Visitação de Paray-le-Monial [foto ao lado], onde Santa Margarida Maria vivia. Essa Ordem religiosa, fundada por São Francisco de Sales e Santa Joana de Chantal, tornou-se desse modo apropagadora dessa devoção.

Ana-Madalena Remuzat e o Coração de Jesus


Seis anos após o falecimento de Santa Margarida Maria, ocorrido em outubro de 1690, Marselha veria nascer, no dia 29 de novembro de 1696, Madalena Remuzat [quadro ao lado], que se tornaria visitandina e seria a continuadora da devoção ao Sagrado Coração de Jesus.

Madalena ingressara aos nove anos no convento das Visitandinas de Marselha como estudante, e depois nele professou como religiosa em 1713, acrescentando Ana ao seu nome.

Por ter sido muito favorecida desde pequena com aparições de Nosso Senhor, por sua prudência, retidão e avançado progresso espiritual, deram-lhe no convento o encargo de atender às pessoas que pediam aconselhamento espiritual. Depois de certo tempo, ela pediu para ser disso dispensada a fim de cuidar dos doentes.

A heresia jansenista

Nessa época o erro jansenista era generalizado na França, perturbando a vida da Igreja e da sociedade. De acordo com essa doutrina perniciosa, Cristo não derramou seu Preciosíssimo Sangue por todos os homens, mas apenas por uma pequena porção deles. Quanto aos outros, o acesso aos frutos da Redenção estaria fechado para sempre, não importando o que fizessem. Segundo essa seita, para se receber a Comunhão Eucarística era necessário não apenas o estado de graça, como é da doutrina católica, mas também um tão grande e puro amor a Deus, que excluísse qualquer falta, mesmo leve. Essa severidade afastou muitos fiéis da Sagrada Comunhão.

Em 8 de setembro de 1713 — mesmo ano em que Ana-Madalena fez a sua profissão religiosa —, o Papa Clemente XI condenou na bula Unigenitus Dei Filius os erros jansenistas. A condenação encontrou grande resistência na França, cuja situação política e religiosa se tornou extremamente tensa.

Valoroso bispo combate na luta contra o jansenismo


Ora, o bispo de Marselha era então Dom Henrique Francisco Xavier de Belsunce de Castelmoron [gravura ao lado], um lídimo e valente prelado, inimigo mortal do jansenismo. Em sua batalha contra essa heresia, ele encontrou a oposição de alguns padres e também do Parlamento de Aix-en-Provence, conquistados pela seita.

Consciente dos dons que a irmã Ana-Madalena recebera de Deus, ele pediu à Superiora que a fizesse retomar seu ministério junto aos que procuravam o convento em busca de orientação.

Confrontada com o orgulho que levou os jansenistas a se levantarem contra a Igreja e o Papa, Ana-Madalena aconselhava seus dirigidos a terem uma confiança sem limites em Deus Nosso Senhor e em sua misericórdia, colocando-se amorosamente nas mãos divinas. Graças a ela, muitas pessoas passaram de uma vida tíbia e indiferente, para outra segundo o Evangelho e os ensinamentos tradicionais da Igreja.

Associação em louvor ao Sagrado Coração de Jesus

A Irmã Ana-Madalena teve várias aparições do Sagrado Coração de Jesus, o que a levou a fundar uma associação dedicada ao Santíssimo Coração. Seu objetivo era, em primeiro lugar, agradecer a Nosso Senhor por seu amor por nós na Eucaristia; depois, reparar pelas indignidades e afrontas que Ele sofreu durante sua vida terrena, e que ainda hoje recebe nesse Sacramento de amor.

Em 1717 o Vaticano aprovou a associação. No ano seguinte, enquanto cerca 60 de seus membros adoravam o Santíssimo numa igreja, eles viram durante mais de meia hora o rosto de Jesus Cristo na Hóstia.

A Grande Praga de Marselha


Naquela época, Deus revelou à irmã Ana-Madalena que Marselha seria punida se não se arrependesse de sua imoralidade.

E realmente, em maio de 1720, um navio do Oriente Médio ancorou na cidade, levando a bordo a peste bubônica que deu início à Grande Praga de Marselha. Pouco depois, naquele verão, com mais e mais casos de praga sendo relatados, decretou-se uma quarentena em toda a cidade e região. Apesar de as igrejas terem sido fechadas, o mosteiro da irmã Ana-Madalena foi poupado e sua comunidade realizou muitos atos de caridade durante esse período.

Com as igrejas fechadas, o corajoso bispo Dom Henrique começou a fazer as celebrações ao ar livre e, acompanhado por vários sacerdotes, a percorrer as ruas para atender espiritual e materialmente os doentes [representação ao lado]. Muitos de seus padres morreram em consequência da peste, vítimas da caridade, a qual hoje falta tanta faz a muitos eclesiásticos.

Instituição da festa do Sagrado Coração

Ocorreu então que, por recomendação de sua Superiora, a Irmã Ana-Madalena pediu a Deus que lhe comunicasse como desejava que seu Sagrado Coração fosse honrado para se obter a extinção da praga. Nosso Senhor lhe respondeu que desejava o estabelecimento de uma festa solene para honrar seu Sagrado Coração.

Confiando na idoneidade da Irmã e atendendo ao pedido de Nosso Senhor, Dom Henrique instituiu então na Diocese de Marselha a festa em honra do Sagrado Coração de Jesus, com o plano de Lhe consagrar perpetuamente a diocese e a cidade em 1º de novembro de 1720.

Acontece que a impetuosidade do vento nesse dia tornava impossível realizar a procissão. Somente à noite todos os sinos da igreja puderam tocar, o vento foi amainando e o bispo pôde então fazer a almejada consagração ao Sagrado Coração de Jesus.

Essa foi provavelmente a primeira consagração e culto público ao Sagrado Coração. A partir desse momento, a doença começou a diminuir gradualmente.

Magistrados atestam o milagre


Entretanto, como não houve reforma dos costumes e o povo continuava a ofender a Deus, a praga reapareceu em 1722. Para debelá-la, Dom Henrique [ao lado foto de sua estátua em Marselha] ordenou procissões para o dia de Corpus Christi, e a realização de uma nova festa em honra do Sagrado Coração.

Os vereadores da cidade de Marselha — que não haviam participado da consagração e da Missa em 1720 — desta vez participaram. No mês de setembro desse mesmo ano a praga terminou completamente.

As autoridades de Marselha foram então levadas a afirmar, em declaração pública nesse ano de 1722, que: “Quando todo esforço humano fracassou irremediavelmente, orações e atos de religião seguraram a mão de Deus. Para todos houve uma visível demonstração de que a praga não apenas diminuiu, como que cessou desde o dia em que Dom Belsunce consagrou Marselha ao Sagrado Coração de Jesus”. Eles se comprometeram doravante a renovar anualmente a consagração pública e perpétua da cidade ao Sagrado Coração, tradição interrompida durante a diabólica Revolução Francesa, mas que foi depois — um tanto modificada — restaurada pelo município em 1877.

A venerável Ana-Madalena Remuzat faleceu em 1730 e seu processo de canonização está em curso.

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Fontes:

– https://www.ncregister.com/daily-news/sacred-heart-devotion-established-as-plague-raged?utm_campaign=NCR%202019&utm_medium=email&_hsmi=89858993&_hsenc=p2ANqtz-8dU5QV453x30LcMoM48QGddcz3nzDToJOetGU79A_R07BQUKfZW1A67nNUj1yXz6wMHr6pgpIun36bmqTDORDHshgG2A&utm_content=89858993&utm_source=hsemail

– https://www.clairval.com/lettres/en/2017/07/25/2260717.htm

https://en.wikipedia.org/wiki/Henri_Fran%C3%A7ois_Xavier_de_Belsunce_de_Castelmoron


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