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domingo, 13 de junho de 2021

CARTA ABERTA AO SENADOR OTTO ALENCAR

Excelência,

Não sou Charlatão. Sou Médico com mais de 200.000 prontuários de pacientes atendidos por mim ao longo de aproximadamente 45 anos de atividade profissional. Nessa Pandemia Covid-19 utilizo a Ivermectina, Hidroxicloroquina como Profilaxia tanto para mim, meus familiares e centenas de amigos.

Sabe Vossa Excelência quantos foram acometidos da Doença? Zero. Também no início da sintomatologia da Covid-19, independente de exame laboratorial pois a Clínica é soberana, outras centenas de pacientes os tratei com Ivermectina, Azitromicina, Ivermectina. Sabe Vossa Excelência quantos deles morreram ou foram entubados? Zero. Se prescrevesse para estes apenas Dipirona ou água como dito por Vossa Excelência, seria o meu resultado Zero? Na Medicina como no Amor Excelência, nem nunca nem sempre.

Mas na Política, notadamente na esfera da Corrupção, vejo eu e creio que milhares de brasileiros, que o NUNCA prevalece. Tome Vossa Excelência como exemplo o caso dos 48 MILHÕES DOS RESPIRADORES. Por que tanta temeridade em expor a verdade? 

Quantos aí sim morreram por falta dos Respiradores e não provocados por condutas dos "charlatães" como carimbados que somos indevidamente por Vossa Excelência? Por que não se abrir o caminho dos Bilhões de Reais que foram endereçados para o Combate à Pandemia Covid-19? Por que não se debruçar para se identificar a razão pela qual a Bahia não seguiu a orientação do Coordenador Científico do Consórcio Nordeste ao prescrever, na qualidade de respeitado Cientista, para um Lockdown sério que aí sim poderia ter evitado muitas mortes de Baianos?

Excelência: assinei junto com mais de 651 Médicos o Documento intitulado " Manifesto dos Médicos Baianos a Favor da Vida em Defesa da Autonomia Médica e do Tratamento Imediato contra a Virose Covid-19. Aqui não existe Charlatanismo e tão pouco Corrupção.

A minha caneta é minha, Excelência. Sou regulamentado pelo Conselho Federal de Medicina.

Respeitosamente,


Dr. Modesto Jacobino, Médico, CRM BAHIA 3987.

Professor Aposentado da UFBA

Vice-Diretor da Faculdade de Medicina da UFBA (Gestão Prof. Tavares Neto) por 08 anos, eleito em votação direta por mais de 90% da Comunidade da mesma.


(Recebi via Whats)

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PLAVRA DA SALVAÇÃO (234)

 


11º Domingo do Tempo Comum – 13/06/2021

Anúncio do Evangelho (Mc 4,26-34)

— O Senhor esteja convosco.

— Ele está no meio de nós.

— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Marcos.

— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, Jesus disse à multidão: “O Reino de Deus é como quando alguém espalha a semente na terra. Ele vai dormir e acorda, noite e dia, e a semente vai germinando e crescendo, mas ele não sabe como isso acontece. A terra, por si mesma, produz o fruto: primeiro aparecem as folhas, depois vem a espiga e, por fim, os grãos que enchem a espiga. Quando as espigas estão maduras, o homem mete logo a foice, porque o tempo da colheita chegou”.E Jesus continuou: “Com que mais poderemos comparar o Reino de Deus? Que parábola usaremos para representá-lo? O Reino de Deus é como um grão de mostarda que, ao ser semeado na terra, é a menor de todas as sementes da terra. Quando é semeado, cresce e se torna maior do que todas as hortaliças, e estende ramos tão grandes, que os pássaros do céu podem abrigar-se à sua sombra”.

Jesus anunciava a Palavra usando muitas parábolas como estas, conforme eles podiam compreender. E só lhes falava por meio de parábolas, mas, quando estava sozinho com os discípulos, explicava tudo.

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.

 

https://liturgia.cancaonova.com/pb/

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Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Frei Pedro Júnior, Ofm:


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Ansiedade: tempo tenso e estéril

 


“...e a semente vai germinando e crescendo, mas ele não sabe como isso acontece” (Mc 4,27) 

 

O mundo no qual vivemos, feito de códigos e números, de tecnologia e de anonimato, de frios cálculos e de robots telecomandados..., conduz a uma vida em contínua aceleração; isso faz com que todos adoeçam de ativismo, de competição, de eficientismo; o excesso informações tira o sabor das coisas, instaura uma cultura que não flexibiliza a vida interior e o recolhimento, não cultiva afetos, emoções e sentimentos.

Tal como Marta, “andamos inquietos e perturbados com muitas coisas; mas uma só é necessária” (Lc. 10.41). Precisamos nos conceder espaços de calma para provar a verdade, contemplar a beleza, saborear os inestimáveis valores presentes na gratuidade e no dom desinteressado, alimentar-nos de valores humanos e cristãos que, impregnados de futuro, tornam bela a vida de hoje. 

Os tempos e os ritmos de vida mudaram muito. Nós estamos muito distantes da quietude e da calma do mundo rural; hoje predomina a eficácia, a pressa, a ansiedade. A eficácia sempre tem pressa. Mas as coisas da vida requerem tempo, calma e sabedoria.

Os evangelhos estão cheios de referência à vida. As sementes também nos falam de vida. Um grão de trigo, um grão de mostarda são sementes humildes, pequenas, mas cheias de vida. A vida da semente é calada, silenciosa, paciente: vai crescendo pouco a pouco, desenvolvendo toda sua vitalidade.

A vitalidade da semente não depende do trabalho e dos esforços humanos; ela está cheia de vida em si mesma. As sementes, as plantas, as árvores não crescem de uma vez só, nem com saltos espetaculares, mas pouco a pouco, humildemente.

O agricultor não escava desesperado a terra, forçando o crescimento da semente que ali deixou, mas distancia-se dela sabendo que há um tempo necessário de separação para que a planta, no seu ritmo, possa nascer e crescer. Toda semeadura supõe que é preciso saber esperar (esperança) com calma e paciência.

Não podemos ter urgências morais, nem precipitações nas mudanças pessoais, sociais, pastorais..., porque pode nos invadir a ansiedade e esta pode gerar medo, angústia..., pois pretendemos solucionar as coisas com uma insaciável pressa e avidez. 

O ser humano pós-moderno está perdendo o contato com o cosmos, com o chão, com os animais, com a natureza... e isto provoca-lhe todo tipo de mal-estar, de doenças, de insegurança e de ansiedade.

Prestemos atenção aos diferentes ritmos na sinfonia da vida. A natureza tem seus ritmos: o do dia e o da noite, as quatro estações, o crescer das espigas, o canto dos pássaros, o transcurso de um rio... Nossa vida tem os seus ritmos e somos chamados a distingui-los: se uma mulher está grávida, viverá um ritmo; se alguém está enfermo, descobrirá outro ritmo diferente; quem vive um luto por uma separação ou por uma morte, terá outro ritmo...; a amizade, o estudo, o trabalho... marcam ritmos diferenciados. Não se pode comparar o ritmo de uma criança com o do ancião, ou do adolescente com o ritmo do adulto. É diferente o ritmo do Sul e do Norte, o ritmo de cada povo.... 

Quando forçamos o tempo biológico para apressar demais o passo e antecipar recursos para uso imediato, o gasto de energia envolvido na operação pode arruinar a nossa própria vida.

Há um defeito na atividade que costuma tirar de nós a riqueza espiritual e convertê-la num “ativismo insensato”, sem vida interior e sem criatividade. Trata-se da ansiedade.

O nosso “eu profundo” é ferido por um permanente estado de alerta, exigências de obrigações pendentes e expectativas à espreita. Estamos perdendo aquela paz essencial nas profundezas do nosso ser, aquele repouso sem preço na qual os elementos mais delicados da vida se renovam e se confortam.

As demandas, a tensão, a pressa da existência moderna, perturbam a destroem esse precioso repouso.

Este “nervosismo” chamado ansiedade é uma espécie de pressa interior permanente. Sentimos uma necessidade imperiosa de resolver rapidamente todos os problemas, como se todas as coisas fossem urgentes ou indispensáveis. É um problema relacionado com o tempo.

Tratamos a vida com a mesma ansiedade que se abate sobre nós nos cinzentos corredores de espera, nas filas administrativas, nos engarrafamentos do trânsito. Tornamo-nos viciados em assuntos rapidamente fechados, incapazes de acolher o surpreendente “novo” que o sabor da vida insistentemente propõe.

Sabemos que, quando há ansiedade, há desordem. Como a mente está cheia de projetos e vive antecipando-se às coisas, nessa multidão de pensamentos reina uma grande confusão, e nada é bem-feito.

Além disso, a ansiedade nos torna superficiais, porque nos leva a passar rapidamente de uma atividade a outra, sem nos aprofundarmos em nada. O coração ansioso não é capaz de deter-se em coisa alguma. Não suporta a quietude. E assim não pode apreciar o sabor mais agradável das coisas.

Há no evangelho deste domingo um chamado dirigido a todos e que consiste em plantar pequenas sementes de uma nova humanidade e de uma nova inspiração no cotidiano de nossas vidas. Jesus não fala de coisas grandes. O Reino de Deus é um dinamismo muito humilde e modesto em suas origens. Presença que pode passar tão desapercebido como a menor semente, mas que é chamada a crescer e frutificar de maneira inesperada.

É bom envolver-nos nas atividades cotidianas e tirar maior proveito delas. Mas, às vezes, a ansiedade nos leva a sermos demasiadamente dependentes dos resultados do trabalho. Queremos ver rapidamente os frutos de nosso esforço. E assim escapa-nos o prazer de podermos agir com serenidade e paz.

É necessário saber planejar e prevenir, mas sem pretender prever e controlar tudo. É uma grande sabedoria saber desfrutar das pequenas coisas que temos ou que podemos fazer agora, sem pensar nas que não temos. Na ansiedade por querer conseguir certas coisas e abarcar tudo, acabamos criando dependências egocentradas e a vida vai se acabando sem ser vivida.

Então, nossa ação deixa de ser fonte de satisfação e plenitude. Por isso terminamos nos enfraquecendo, enchendo-nos de angústias inúteis e esquecendo-nos que “com a divina consolação todos os trabalhos são prazer e todas as fadigas são descanso” (Carta de S. Inácio a Teresa Rejadel).

A familiaridade com Deus na relação com todas as coisas do cotidiano, não implica fadiga ou ansiedade, senão que é uma maneira de viver aquela paz e plenitude considerada como verdadeiro descanso.

Toda atividade humana, perpassada por uma “espiritualidade” inspiradora, deve ser motivada, antes de tudo, pela força interior do amor, que lhe dá uma qualidade, um sentido e um valor particulares.

O desafio é buscar maneiras de encontrar a serenidade em meio às nossas frenéticas vidas, de abrir em profundidade nossa cotidianidade para poder nos submergir no ritmo tranquilo de Deus; encontrar-nos com Ele para que seja o centro de nossa vida e caminhar a seu lado. Oxalá sejamos capazes de captar os detalhes da paisagem de nossa vida para descobrir em tudo as pegadas do Senhor! E, embora vivamos neste mundo onde tudo se move tão rápido, podemos fechar os olhos e sentir que Ele nos conduz pela sua mão.

Textos bíblicos:  Mc 4,26-34 

Na oração: Tente escutar o universo infinito; acima, abaixo, ao seu redor. Entre em profundo silêncio para perceber a vibração de todos os elementos: terra, ar, água, fogo. Tudo vibra, tudo está cheio de ondas luminosas, sonoras. Tudo  é silêncio e tudo é escuta. Sinta-se presente no meio deste diálogo entre céu e terra... para escutar, falar e orar.

- Seu ritmo cotidiano é marcado pela ansiedade, pressa, estresse...? Há espaço para o silêncio, a contemplação?

- A partir do silêncio do seu coração, plante no seu cotidiano, sementes de humanidade: proximidade, acolhida, compaixão, paciência, paz...


Pe. Adroaldo Palaoro sj

https://centroloyola.org.br/revista/outras-palavras/espiritualidade/2348-ansiedade-tempo-tenso-e-esteril

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sábado, 12 de junho de 2021

JORGE AMADO E CYRO DE MATTOS


Jorge Amado e Cyro de Mattos

 por Ângela Fraga

 

Primeiramente assinalo a vitoriosa parceria, já há tantos anos travada entre o nosso homenageado, Cyro de Mattos, e a Fundação Jorge Amado que, através do seu braço editorial – a editora Casa de Palavras, já teve o privilégio de publicar 3 títulos de sua autoria e hoje lança o quarto. Berro de Fogo e Outras Histórias, Canto a Nossa Senhora das Matas (capa de Calasans Neto), Poemas Iberoamericanos e Canto até Hoje, capa de Juarez Paraiso.

 

Lembro com saudosismo também a amizade existente entre Cyro e Myriam Fraga, que eu particularmente tive o privilégio de compartilhar e também a amizade que tinha com o seu conterrâneo, Jorge Amado (os 3 confrades na Academia de Letras da Bahia).

 Jorge Amado em pronunciamento que consta nas atas da Academia Brasileira de Letras, certa ocasião disse sobre Cyro:

 Cyro de Mattos não se confunde à maioria de escrevinhadores que, na falta de real experiência humana e de real experimentação literária, se perdem na imitação uns dos outros, em cacoetes e fogos de artifícios enganadores. Cyro de Mattos possui uma personalidade vigorosa e original: a condição humana dos personagens que surgem de seu conhecimento e emoção nada tem de artificialismo da pequena burguesia a exibir angústia de psicanalista. Ele pisa chão verdadeiro, toca a carne e o sangue dos homens".

 E foi assim, com este fervor de alma, que ele construiu um poema. Poema curiosamente e carinhosamente intitulado:  Coisas de Myriam Fraga. Eis o poema:

 

Coisas de Myriam Fraga

 

Parir é coisa de mulheres.

Criar a flor dentro ciciada.

O ser no outro ser.

Completo acorde

até as gotas da morte.

 

Poesia é coisa de mulheres.

Às vezes acorda nesta paixão.

Rigor e lucidez na pele lambida.

 

Palavra é como brasa ...

queima até o fim...

Ilhas e ventos onde eu navego.

Ó labirinto de mim.

 

Pois bem.... Cyro lança agora, em comemoração aos 60 anos de  dedicação à literatura, o CANTO ATÉ HOJE,  que reúne toda a sua obra poética em 800 páginas, em edição impressa bem cuidada e em versão digital, como mandam os dias de hoje. O livro traz uma incrível capa ilustrada por Juarez Paraiso, e os versos ( inclusive inéditos) de toda uma trajetória de intensa atividade literária.

Um sonho do autor que está sendo realizado através do Prêmio Jorge Portugal das Artes, por meio da Lei Aldir Blanc e Fundação Cultural da Bahia.

(Aliás, já que falamos antes de amizade, não tenho como não lembrar aqui do nosso querido Jorge Portugal, grande incentivador da cultura e da literatura de nossa terra. A ideia de batizar o prêmio com o seu nome foi muito feliz...)

Jorge Amado sabiamente dizia “A amizade é o sal da vida...” e eu também sinto assim. Sem os amigos, a criação das redes, um ajudando o outro, trabalhando em prol do sucesso do outro, nada é possível. Um evento como este que estamos vivenciando agora não seria possível... basta correr o olho, como diz o povo, e perceber, que quase todos aqui tem algum ponto em comum e todos temos a amizade por Cyro!

Voltando a ele, prestemos atenção: São seis décadas da sua vida dedicadas à literatura. Curiosamente, o seu primeiro conto, publicado em 1960, em um suplemento literário do Jornal Bahia, que tinha como editor o amigo e também escritor João Ubaldo Ribeiro, intitulava-se “A CORRIDA”.

Creio eu que ali se iniciava, literalmente, uma corrida e de lá pra cá, o escritor nunca parou de contar suas histórias em prosas e versos.

E, se vocês perceberem, é também curioso, o título do livro hoje lançado aqui – CANTO ATÉ HOJE.

Ou seja, ele iniciou uma corrida em 1960 e até hoje canta e corre...

E sua necessidade vital de escrever o fez não apenas poeta, mas contista, novelista, romancista, cronista, ensaísta, autor de literatura para crianças e jovens, jornalista, advogado e, especialmente, fomentador da arte da palavra.

Impossível não falar da importância da sua atuação no cenário cultural, com destaque para uma característica muito peculiar à sua personalidade que é a perseverança, especialmente para com o “fazer” literário e os seus desdobramentos.

Vejam bem, o incansável, Cyro de Mattos, do auge dos seus 82 anos, surpreendente e encara os desafios de um mundo que ele mesmo confessa desconhecer, o chamado mundo virtual, mas não esmorece e avança bravamente  com a determinação costumeira que deu à sua trajetória um reconhecimento internacional.

Para finalizar cito aqui um pequeno trecho do depoimento de Cyro, quando participou em 1997, na Fundação Casa de Jorge Amado, do projeto “Com a Palavra o escritor”, porque me soou tão atual para o cenário que estamos a enfrentar:

 “A arte literária quando feita com amor e talento, de maneira humaníssima, reveladora do ser na existência, pode não salvar o indivíduo do seu conflitivo lado de animal social, não resolver problemas econômicos e políticos, mas é ato que torna a vida suportável, sensível, essencial. Viver sem ela seria mesmo impossível”.

 



Ângela Fraga
é diretora da Fundação Casa de Jorge Amado, filha da poeta Myriam Fraga. Escritora e advogada com especialização em administração de empresas.  O texto ora publicado faz parte de sua fala na live para lançamento do livro Canto até Hoje, de Cyro de Mattos, obra poética reunida, em 9 de abril deste ano, nas comemorações dos 60 anos de atividades literárias do autor baiano.

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sexta-feira, 11 de junho de 2021

SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS E PANDEMIA - Plinio Maria Solimeo


Plinio Maria Solimeo

 

Nos idos tempos em que ainda havia fé no mundo, recorria-se à Providência Divina em todas as vicissitudes da vida, principalmente por ocasião de calamidades. Operaram-se incontáveis milagres, registrados em fidedignos documentos de várias épocas.

Um desses milagres ocorreu durante uma terrível epidemia de peste bubônica em Marselha, na França, em 1720, que ceifou a vida de mais de 100 pessoas. Foi quando o Sagrado Coração de Jesus, aparecendo a uma alma santa, pediu que fosse instituída uma festa em seu louvor, para debelar a epidemia. O que realmente ocorreu, como veremos.

Antecedentes da devoção ao Sagrado Coração

Entre os anos de 1672 e 1686, Nosso Senhor Jesus Cristo, aparecendo a Santa Margarida Maria Alacoque [quadro acima], religiosa visitandina francesa, foi lhe revelado os mistérios da devoção ao seu Sagrado Coração. Como narra a vidente em sua Autobiografia, Ele lhe mostrou “o ardente desejo que tinha de ser amado pelos homens e de retirá-los da via da perdição, onde Satanás os precipitava em multidões”. Para isso, havia estabelecidoo desígnio de manifestar seu Coração aos homens, com todos os tesouros de amor, misericórdia, graça, santificação e salvação que ele continha”, para que lhe manifestassem seu amor.

Numa das várias revelações, Nosso Senhor disse a Santa Margarida Maria: “Por isso te peço que a primeira Sexta-feira depois da oitava do Santíssimo Sacramento seja dedicada a uma festa particular para honrar o meu Coração, reparando a sua honra por meio de um ato público de desagravo, e comungando nesse dia para reparar as injúrias que recebeu durante o tempo que esteve exposto nos altares. E Eu te prometo que o meu Coração se dilatará para derramar com abundância o influxo do seu divino amor sobre aqueles que Lhe renderem esta homenagem”.


Difundiu–se desde então a devoção a esse adorável Coração, tendo como centro o convento da Visitação de Paray-le-Monial [foto ao lado], onde Santa Margarida Maria vivia. Essa Ordem religiosa, fundada por São Francisco de Sales e Santa Joana de Chantal, tornou-se desse modo apropagadora dessa devoção.

Ana-Madalena Remuzat e o Coração de Jesus


Seis anos após o falecimento de Santa Margarida Maria, ocorrido em outubro de 1690, Marselha veria nascer, no dia 29 de novembro de 1696, Madalena Remuzat [quadro ao lado], que se tornaria visitandina e seria a continuadora da devoção ao Sagrado Coração de Jesus.

Madalena ingressara aos nove anos no convento das Visitandinas de Marselha como estudante, e depois nele professou como religiosa em 1713, acrescentando Ana ao seu nome.

Por ter sido muito favorecida desde pequena com aparições de Nosso Senhor, por sua prudência, retidão e avançado progresso espiritual, deram-lhe no convento o encargo de atender às pessoas que pediam aconselhamento espiritual. Depois de certo tempo, ela pediu para ser disso dispensada a fim de cuidar dos doentes.

A heresia jansenista

Nessa época o erro jansenista era generalizado na França, perturbando a vida da Igreja e da sociedade. De acordo com essa doutrina perniciosa, Cristo não derramou seu Preciosíssimo Sangue por todos os homens, mas apenas por uma pequena porção deles. Quanto aos outros, o acesso aos frutos da Redenção estaria fechado para sempre, não importando o que fizessem. Segundo essa seita, para se receber a Comunhão Eucarística era necessário não apenas o estado de graça, como é da doutrina católica, mas também um tão grande e puro amor a Deus, que excluísse qualquer falta, mesmo leve. Essa severidade afastou muitos fiéis da Sagrada Comunhão.

Em 8 de setembro de 1713 — mesmo ano em que Ana-Madalena fez a sua profissão religiosa —, o Papa Clemente XI condenou na bula Unigenitus Dei Filius os erros jansenistas. A condenação encontrou grande resistência na França, cuja situação política e religiosa se tornou extremamente tensa.

Valoroso bispo combate na luta contra o jansenismo


Ora, o bispo de Marselha era então Dom Henrique Francisco Xavier de Belsunce de Castelmoron [gravura ao lado], um lídimo e valente prelado, inimigo mortal do jansenismo. Em sua batalha contra essa heresia, ele encontrou a oposição de alguns padres e também do Parlamento de Aix-en-Provence, conquistados pela seita.

Consciente dos dons que a irmã Ana-Madalena recebera de Deus, ele pediu à Superiora que a fizesse retomar seu ministério junto aos que procuravam o convento em busca de orientação.

Confrontada com o orgulho que levou os jansenistas a se levantarem contra a Igreja e o Papa, Ana-Madalena aconselhava seus dirigidos a terem uma confiança sem limites em Deus Nosso Senhor e em sua misericórdia, colocando-se amorosamente nas mãos divinas. Graças a ela, muitas pessoas passaram de uma vida tíbia e indiferente, para outra segundo o Evangelho e os ensinamentos tradicionais da Igreja.

Associação em louvor ao Sagrado Coração de Jesus

A Irmã Ana-Madalena teve várias aparições do Sagrado Coração de Jesus, o que a levou a fundar uma associação dedicada ao Santíssimo Coração. Seu objetivo era, em primeiro lugar, agradecer a Nosso Senhor por seu amor por nós na Eucaristia; depois, reparar pelas indignidades e afrontas que Ele sofreu durante sua vida terrena, e que ainda hoje recebe nesse Sacramento de amor.

Em 1717 o Vaticano aprovou a associação. No ano seguinte, enquanto cerca 60 de seus membros adoravam o Santíssimo numa igreja, eles viram durante mais de meia hora o rosto de Jesus Cristo na Hóstia.

A Grande Praga de Marselha


Naquela época, Deus revelou à irmã Ana-Madalena que Marselha seria punida se não se arrependesse de sua imoralidade.

E realmente, em maio de 1720, um navio do Oriente Médio ancorou na cidade, levando a bordo a peste bubônica que deu início à Grande Praga de Marselha. Pouco depois, naquele verão, com mais e mais casos de praga sendo relatados, decretou-se uma quarentena em toda a cidade e região. Apesar de as igrejas terem sido fechadas, o mosteiro da irmã Ana-Madalena foi poupado e sua comunidade realizou muitos atos de caridade durante esse período.

Com as igrejas fechadas, o corajoso bispo Dom Henrique começou a fazer as celebrações ao ar livre e, acompanhado por vários sacerdotes, a percorrer as ruas para atender espiritual e materialmente os doentes [representação ao lado]. Muitos de seus padres morreram em consequência da peste, vítimas da caridade, a qual hoje falta tanta faz a muitos eclesiásticos.

Instituição da festa do Sagrado Coração

Ocorreu então que, por recomendação de sua Superiora, a Irmã Ana-Madalena pediu a Deus que lhe comunicasse como desejava que seu Sagrado Coração fosse honrado para se obter a extinção da praga. Nosso Senhor lhe respondeu que desejava o estabelecimento de uma festa solene para honrar seu Sagrado Coração.

Confiando na idoneidade da Irmã e atendendo ao pedido de Nosso Senhor, Dom Henrique instituiu então na Diocese de Marselha a festa em honra do Sagrado Coração de Jesus, com o plano de Lhe consagrar perpetuamente a diocese e a cidade em 1º de novembro de 1720.

Acontece que a impetuosidade do vento nesse dia tornava impossível realizar a procissão. Somente à noite todos os sinos da igreja puderam tocar, o vento foi amainando e o bispo pôde então fazer a almejada consagração ao Sagrado Coração de Jesus.

Essa foi provavelmente a primeira consagração e culto público ao Sagrado Coração. A partir desse momento, a doença começou a diminuir gradualmente.

Magistrados atestam o milagre


Entretanto, como não houve reforma dos costumes e o povo continuava a ofender a Deus, a praga reapareceu em 1722. Para debelá-la, Dom Henrique [ao lado foto de sua estátua em Marselha] ordenou procissões para o dia de Corpus Christi, e a realização de uma nova festa em honra do Sagrado Coração.

Os vereadores da cidade de Marselha — que não haviam participado da consagração e da Missa em 1720 — desta vez participaram. No mês de setembro desse mesmo ano a praga terminou completamente.

As autoridades de Marselha foram então levadas a afirmar, em declaração pública nesse ano de 1722, que: “Quando todo esforço humano fracassou irremediavelmente, orações e atos de religião seguraram a mão de Deus. Para todos houve uma visível demonstração de que a praga não apenas diminuiu, como que cessou desde o dia em que Dom Belsunce consagrou Marselha ao Sagrado Coração de Jesus”. Eles se comprometeram doravante a renovar anualmente a consagração pública e perpétua da cidade ao Sagrado Coração, tradição interrompida durante a diabólica Revolução Francesa, mas que foi depois — um tanto modificada — restaurada pelo município em 1877.

A venerável Ana-Madalena Remuzat faleceu em 1730 e seu processo de canonização está em curso.

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Fontes:

– https://www.ncregister.com/daily-news/sacred-heart-devotion-established-as-plague-raged?utm_campaign=NCR%202019&utm_medium=email&_hsmi=89858993&_hsenc=p2ANqtz-8dU5QV453x30LcMoM48QGddcz3nzDToJOetGU79A_R07BQUKfZW1A67nNUj1yXz6wMHr6pgpIun36bmqTDORDHshgG2A&utm_content=89858993&utm_source=hsemail

– https://www.clairval.com/lettres/en/2017/07/25/2260717.htm

https://en.wikipedia.org/wiki/Henri_Fran%C3%A7ois_Xavier_de_Belsunce_de_Castelmoron


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terça-feira, 8 de junho de 2021

ESQUERDISTAS ATACAM PROCISSÃO NA FRANÇA - Heitor Buchaul



 
Heitor Buchaul 

 A semana compreendida entre os dias 21 e 28 de maio do ano de 1871 ficou conhecida como “a semana sangrenta”, quando os communards — voluntários ateus e anticlericais que constituíam as hordas a serviço da Comuna de Paris — assassinaram vários reféns. 

 
Vista da Rue de Rivoli destruída pelos comunistas da “Comuna de Paris” na “semana sangrenta” de 1821.

Entre eles estavam o Arcebispo de Paris, Dom Georges Darboy, e cerca de uma vintena de clérigos e religiosos; havia ainda militares defensores do governo legítimo, refugiado então em Versalhes, e outros personagens civis. 

Em honra dos mártires da Comuna foi então construída a igreja de Notre-Dame-des-Otages, Nossa Senhora dos Reféns. Dentre os religiosos assassinados no dia 26 de maio destacava-se o padre Henry Planchat, da Congregação de São Vicente de Paulo, famoso por sua caridade, cognominado “o pai dos pobres”. Graças à sua memória reiniciou-se o processo de beatificação de cinco dos mártires religiosos, o qual havia sido interrompido em 1968, por causa da Revolução cultural da Sorbonne e do espírito de abertura para o mundo, apregoado por clérigos ditos progressistas.
 


Para comemorar o sesquicentenário da imolação dos referidos mártires por ódio à Fé, quis a Arquidiocese de Paris homenageá-los com uma procissão no dia 29 de maio último [foto acima e abaixo], a qual, entretanto, não chegou ao seu fim. Com o mesmo ódio de seus antepassados ideológicos de 1871, novas hordas de communards — atualmente com aspecto ainda mais repugnante — atacaram os participantes da procissão católica, aos gritos de “abaixo as batinas” e “morte aos versalheses”. Os fiéis católicos eram mais de 300, mas protegidos por apenas um policial, que os defendeu corajosamente, como pôde. Os revolucionários arremessaram garrafas sobre a procissão, ferindo dois anciãos, um dos quais teve de ser hospitalizado. 

Embora algumas vozes se tenham levantado contra o ocorrido, a parcimônia com a qual as autoridades se portaram chamou a atenção. O ministro do Interior, responsável pelas forças da ordem, escreveu em seu twitter que compreende os católicos, dedicando “seus pensamentos aos católicos da França”. E nada mais! Recordemos que no mês de abril último esse mesmo ministro visitou uma mesquita que havia sido alvo de pichações
“islamofóbicas”… 

Por mais odioso que tenha sido esse episódio, dele podemos tirar várias lições, a principal das quais é a consciência que devemos ter do ódio das forças revolucionárias — as de ontem como as de hoje — contra a religião católica; ódio que as torna capazes de empreender outras “semanas sangrentas”, para inundar com mais sangue de cristãos as ruas da Cidade Luz e de outras cidades. Mas não nos esqueçamos da célebre frase de Tertuliano:
“Sangue de mártires, semente de cristãos”.

 https://www.abim.inf.br/esquerdistas-atacam-procissao-na-franca/ 

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domingo, 6 de junho de 2021

Ninguém Segura Esse País

O ALIENISTA CAPÍTULO VII – Machado de Assis


O Inesperado


Chegados os dragões em frente aos Canjicas houve um instante de estupefação. Os Canjicas não queriam crer que a força pública fosse mandada contra eles; mas o barbeiro compreendeu tudo e esperou. Os dragões pararam, o capitão intimou à multidão que se dispersasse; mas, conquanto uma parte dela estivesse inclinada a isso, a outra parte apoiou fortemente o barbeiro, cuja resposta consistiu nestes termos alevantados:

—Não nos dispersaremos. Se quereis os nossos cadáveres, podeis tomá-los; mas só os cadáveres; não levareis a nossa honra, o nosso crédito, os nossos direitos, e com eles a salvação de Itaguaí.

Nada mais imprudente do que essa resposta do barbeiro; e nada mais natural. Era a vertigem das grandes crises. Talvez fosse também um excesso de confiança na abstenção das armas por parte dos dragões; confiança que o capitão dissipou logo, mandando carregar sobre os Canjicas. O momento foi indescritível. A multidão urrou furiosa; alguns, trepando às janelas das casas ou correndo pela rua fora, conseguiram escapar; mas a maioria ficou bufando de cólera, indignada, animada pela exortação do barbeiro. A derrota dos Canjicas estava iminente quando um terço dos dragões,—qualquer que fosse o motivo, as crônicas não o declaram,—passou subitamente para o lado da rebelião. Este inesperado reforço deu alma aos Canjicas, ao mesmo tempo que lançou o desanimo às fileiras da legalidade. Os soldados fiéis não tiveram coragem de atacar os seus próprios camaradas, e um a um foram passando para eles, de modo que, ao cabo de alguns minutos, o aspecto das coisas era totalmente outro. O capitão estava de um lado com alguma gente contra uma massa compacta que o ameaçava de morre. Não teve remédio, declarou-se vencido e entregou a espada ao barbeiro.

A revolução triunfante não perdeu um só minuto; recolheu os feridos às casas próximas e guiou para a Câmara Povo e tropa fraternizavam, davam vivas a el-rei, ao vice-rei, a Itaguaí, ao "ilustre Porfírio". Este ia na frente, empunhando tão destramente a espada, como se ela fosse apenas uma navalha um pouco mais comprida. A vitória cingia-lhe a fronte de um nimbo misterioso. A dignidade de governo começava a eurijar-lhe os quadris.

Os vereadores, às janelas, vendo a multidão e a tropa, cuidaram que a tropa capturara a multidão, e sem mais exame, entraram e votaram uma petição ao vice-rei para que mandasse dar um mês de soldo aos dragões, "cujo denodo salvou Itaguaí do abismo a que o tinha lançado uma cáfila de rebeldes . Esta frase foi proposta por Sebastião Freitas, o vereador dissidente cuja defesa dos Canjicas tanto escandalizara os colegas. Mas bem depressa a ilusão se desfez. Os vivas ao barbeiro, os morras aos vereadores e ao alienista vieram dar-lhes noticia da triste realidade. O presidente não desanimou:—Qualquer que seja a nossa sorte, disse ele, lembremo-nos que estamos ao serviço de Sua Majestade e do povo.—Sebastião insinuou que melhor se poderia servir à coroa e à vila saindo pelos fundos e indo conferenciar com o juiz de fora, mas toda a Câmara rejeitou esse alvitre.

Daí a nada o barbeiro, acompanhado de alguns de seus tenentes, entrava na sala da vereança intimava à Câmara a sua queda. A Câmara não resistiu, entregou-se e foi dali para a cadeia. Então os amigos do barbeiro propuseram-lhe que assumisse o governo da vila em nome de Sua Majestade. Porfírio aceitou o encargo, embora não desconhecesse (acrescentou) os espinhos que trazia; disse mais que não podia dispensar o concurso dos amigos presentes; ao que eles prontamente anuíram. O barbeiro veio à janela e comunicou ao povo essas resoluções, que o povo ratificou, aclamando o barbeiro. Este tomou a denominação de—"Protetor da vila em nome de Sua Majestade, e do povo".—Expediramse logo várias ordens importantes, comunicações oficiais do novo governo, uma exposição minuciosa ao vice-rei, com muitos protestos de obediência às ordens de Sua Majestade; finalmente uma proclamação ao povo, curta, mas enérgica:

"Itaguaienses! Uma Câmara corrupta e violenta conspirava contra os interesses de Sua Majestade e do povo. A opinião pública tinha-a condenado; um punhado de cidadãos, fortemente apoiados pelos bravos dragões de Sua Majestade, acaba de a dissolver ignominiosamente, e por unânime consenso da vila, foi-me confiado o mando supremo, até que Sua Majestade se sirva ordenar o que parecer melhor ao seu real serviço. Itaguaienses! não vos peço senão que me rodeeis de confiança, que me auxilieis em restaurar a paz e a fazenda publica, tão desbaratada pela Câmara que ora findou às vossas mãos. Contai com o meu sacrifício, e ficai certos de que a coroa será por nós. O Protetor da vila em nome de Sua Majestade e do povo Porfírio Caetano das Neves".

Toda a gente advertiu no absoluto silêncio desta proclamação acerca da Casa Verde; e, segundo uns, não podia haver mais vivo indício dos projetos tenebrosos do barbeiro. O perigo era tanto maior quanto que, no meio mesmo desses graves sucessos, o alienista metera na Casa Verde umas sete ou oito pessoas, entre elas duas senhoras e sendo um dos homens aparentado com o Protetor. Não era um repto, um ato intencional; mas todos o interpretaram dessa maneira; e a vila respirou com a esperança de que o alienista dentro de vinte e quatro horas estaria a ferros e destruído o terrível cárcere.

O dia acabou alegremente. Enquanto o arauto da matraca ia recitando de esquina em esquina a proclamação, o povo espalhava-se nas ruas e jurava morrer em defesa do ilustre Porfírio Poucos gritos contra a Casa Verde, prova de confiança na ação do governo. O barbeiro faz expedir um ato declarando feriado aquele dia, e entabulou negociações com o vigário para a celebração de um Te-Deum, tão conveniente era aos olhos dele a conjunção do poder temporal com o espiritual; mas o Padre Lopes recusou abertamente o seu concurso.

—Em todo caso, Vossa Reverendíssima não se alistará entre os inimigos do governo? disse-lhe o barbeiro, dando à fisionomia um aspecto tenebroso. Ao que o Padre Lopes respondeu, sem responder:

—Como alistar-me, se o novo governo não tem inimigos?

O barbeiro sorriu; era a pura verdade. Salvo o capitão, os vereadores e os principais da vila, toda a gente o aclamava. Os mesmos principais, se o não aclamavam, não tinham saído contra ele. Nenhum dos almotacés deixou de vir receber as suas ordens. No geral, as famílias abençoavam o nome daquele que ia enfim libertar Itaguaí da Casa Verde e do terrível Simão Bacamart.

 

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Departamento Nacional do Livro

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Machado de Assis (Joaquim Maria Machado de Assis), jornalista, contista, cronista, romancista, poeta e teatrólogo, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 21 de junho de 1839, e faleceu também no Rio de Janeiro, em 29 de setembro de 1908. É o fundador da cadeira nº. 23 da Academia Brasileira de Letras.

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