Não sou Charlatão. Sou Médico com mais de 200.000
prontuários de pacientes atendidos por mim ao longo de aproximadamente 45 anos
de atividade profissional. Nessa Pandemia Covid-19 utilizo a Ivermectina,
Hidroxicloroquina como Profilaxia tanto para mim, meus familiares e centenas de
amigos.
Sabe Vossa Excelência quantos foram acometidos da
Doença? Zero. Também no início da sintomatologia da Covid-19, independente de
exame laboratorial pois a Clínica é soberana, outras centenas de pacientes os
tratei com Ivermectina, Azitromicina, Ivermectina. Sabe Vossa
Excelência quantos deles morreram ou foram entubados? Zero. Se
prescrevesse para estes apenas Dipirona ou água como dito por Vossa Excelência,
seria o meu resultado Zero? Na Medicina como no Amor Excelência, nem nunca nem
sempre.
Mas na Política, notadamente na esfera da Corrupção, vejo eu
e creio que milhares de brasileiros, que o NUNCA prevalece. Tome Vossa
Excelência como exemplo o caso dos 48 MILHÕES DOS RESPIRADORES. Por que tanta
temeridade em expor a verdade?
Quantos aí sim morreram por falta dos Respiradores e
não provocados por condutas dos "charlatães" como carimbados que
somos indevidamente por Vossa Excelência? Por que não se abrir o caminho dos
Bilhões de Reais que foram endereçados para o Combate à Pandemia Covid-19? Por
que não se debruçar para se identificar a razão pela qual a Bahia não seguiu a
orientação do Coordenador Científico do Consórcio Nordeste ao prescrever, na
qualidade de respeitado Cientista, para um Lockdown sério que aí sim poderia
ter evitado muitas mortes de Baianos?
Excelência: assinei junto com mais de 651 Médicos o
Documento intitulado " Manifesto dos Médicos Baianos a Favor da Vida
em Defesa da Autonomia Médica e do Tratamento Imediato contra a Virose
Covid-19. Aqui não existe Charlatanismo e tão pouco Corrupção.
A minha caneta é minha, Excelência. Sou regulamentado
pelo Conselho Federal de Medicina.
Respeitosamente,
Dr. Modesto Jacobino, Médico, CRM BAHIA 3987.
Professor Aposentado da UFBA
Vice-Diretor da Faculdade de Medicina da UFBA (Gestão
Prof. Tavares Neto) por 08 anos, eleito em votação direta por mais de 90%
da Comunidade da mesma.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus
Cristo + segundo Marcos.
— Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, Jesus disse à multidão: “O Reino de Deus
é como quando alguém espalha a semente na terra. Ele vai dormir e acorda,
noite e dia, e a semente vai germinando e crescendo, mas ele não sabe como isso
acontece. A terra, por si mesma, produz o fruto: primeiro aparecem as
folhas, depois vem a espiga e, por fim, os grãos que enchem a
espiga. Quando as espigas estão maduras, o homem mete logo a foice, porque
o tempo da colheita chegou”.E Jesus continuou: “Com que mais poderemos comparar
o Reino de Deus? Que parábola usaremos para representá-lo? O Reino de Deus
é como um grão de mostarda que, ao ser semeado na terra, é a menor de todas as
sementes da terra. Quando é semeado, cresce e se torna maior do que todas
as hortaliças, e estende ramos tão grandes, que os pássaros do céu podem
abrigar-se à sua sombra”.
Jesus anunciava a Palavra usando muitas parábolas como
estas, conforme eles podiam compreender. E só lhes falava por meio de
parábolas, mas, quando estava sozinho com os discípulos, explicava tudo.
“...e a semente vai germinando e crescendo, mas ele não sabe
como isso acontece” (Mc 4,27)
O mundo no qual vivemos, feito de códigos e números, de
tecnologia e de anonimato, de frios cálculos e de robots telecomandados...,
conduz a uma vida em contínua aceleração; isso faz com que todos adoeçam de
ativismo, de competição, de eficientismo; o excesso informações tira o sabor
das coisas, instaura uma cultura que não flexibiliza a vida interior e o
recolhimento, não cultiva afetos, emoções e sentimentos.
Tal como Marta, “andamos inquietos e perturbados com
muitas coisas; mas uma só é necessária” (Lc. 10.41). Precisamos
nos conceder espaços de calma para provar a verdade, contemplar
a beleza, saborear os inestimáveis valores presentes na
gratuidade e no dom desinteressado, alimentar-nos de valores humanos e cristãos
que, impregnados de futuro, tornam bela a vida de hoje.
Os tempos e os ritmos de vida mudaram muito. Nós estamos
muito distantes da quietude e da calma do mundo rural; hoje predomina a
eficácia, a pressa, a ansiedade. A eficácia sempre tem pressa. Mas as coisas da
vida requerem tempo, calma e sabedoria.
Os evangelhos estão cheios de referência
à vida. As sementes também nos falam de vida. Um grão de trigo, um
grão de mostarda são sementes humildes, pequenas, mas cheias de vida. A vida da
semente é calada, silenciosa, paciente: vai crescendo pouco a pouco,
desenvolvendo toda sua vitalidade.
A vitalidade da semente não depende do trabalho e dos esforços
humanos; ela está cheia de vida em si mesma. As sementes, as plantas, as
árvores não crescem de uma vez só, nem com saltos espetaculares, mas pouco a
pouco, humildemente.
O agricultor não escava desesperado a terra, forçando o
crescimento da semente que ali deixou, mas distancia-se dela sabendo que há um
tempo necessário de separação para que a planta, no seu ritmo, possa nascer e
crescer. Toda semeadura supõe que é preciso saber esperar (esperança) com calma
e paciência.
Não podemos ter urgências morais, nem precipitações nas
mudanças pessoais, sociais, pastorais..., porque pode nos invadir a ansiedade e
esta pode gerar medo, angústia..., pois pretendemos solucionar as coisas com
uma insaciável pressa e avidez.
O ser humano pós-moderno está perdendo o contato com o
cosmos, com o chão, com os animais, com a natureza... e isto provoca-lhe todo
tipo de mal-estar, de doenças, de insegurança e de ansiedade.
Prestemos atenção aos diferentes ritmos na sinfonia da vida.
A natureza tem seus ritmos: o do dia e o da noite, as quatro estações, o
crescer das espigas, o canto dos pássaros, o transcurso de um rio... Nossa vida
tem os seus ritmos e somos chamados a distingui-los: se uma mulher está
grávida, viverá um ritmo; se alguém está enfermo, descobrirá outro ritmo
diferente; quem vive um luto por uma separação ou por uma morte, terá outro
ritmo...; a amizade, o estudo, o trabalho... marcam ritmos diferenciados. Não
se pode comparar o ritmo de uma criança com o do ancião, ou do adolescente com
o ritmo do adulto. É diferente o ritmo do Sul e do Norte, o ritmo de cada
povo....
Quando forçamos o tempo biológico para apressar demais o
passo e antecipar recursos para uso imediato, o gasto de energia envolvido na
operação pode arruinar a nossa própria vida.
Há um defeito na atividade que costuma tirar de nós a
riqueza espiritual e convertê-la num “ativismo insensato”, sem vida interior e
sem criatividade. Trata-se da ansiedade.
O nosso “eu profundo” é ferido por um
permanente estado de alerta, exigências de obrigações pendentes e expectativas
à espreita. Estamos perdendo aquela paz essencial nas profundezas do nosso ser,
aquele repouso sem preço na qual os elementos mais delicados da vida se renovam
e se confortam.
As demandas, a tensão, a pressa da existência moderna, perturbam
a destroem esse precioso repouso.
Este “nervosismo” chamado ansiedade é uma
espécie de pressa interior permanente. Sentimos uma necessidade imperiosa de
resolver rapidamente todos os problemas, como se todas as coisas fossem
urgentes ou indispensáveis. É um problema relacionado com o tempo.
Tratamos a vida com a mesma ansiedade que se abate sobre nós
nos cinzentos corredores de espera, nas filas administrativas, nos
engarrafamentos do trânsito. Tornamo-nos viciados em assuntos rapidamente
fechados, incapazes de acolher o surpreendente “novo” que o sabor da vida
insistentemente propõe.
Sabemos que, quando há ansiedade,
há desordem. Como a mente está cheia de projetos e vive
antecipando-se às coisas, nessa multidão de pensamentos reina uma grande
confusão, e nada é bem-feito.
Além disso, a ansiedade nos torna superficiais, porque
nos leva a passar rapidamente de uma atividade a outra, sem nos aprofundarmos
em nada. O coração ansioso não é capaz de deter-se em coisa alguma. Não suporta
a quietude. E assim não pode apreciar o sabor mais agradável das coisas.
Há no evangelho deste domingo um chamado dirigido a todos e
que consiste em plantar pequenas sementes de uma nova humanidade e de uma nova
inspiração no cotidiano de nossas vidas. Jesus não fala de coisas grandes. O
Reino de Deus é um dinamismo muito humilde e modesto em suas origens. Presença
que pode passar tão desapercebido como a menor semente, mas que é chamada a
crescer e frutificar de maneira inesperada.
É bom envolver-nos nas atividades cotidianas e tirar maior
proveito delas. Mas, às vezes, a ansiedade nos leva a sermos
demasiadamente dependentes dos resultados do trabalho. Queremos ver rapidamente
os frutos de nosso esforço. E assim escapa-nos o prazer de podermos agir com
serenidade e paz.
É necessário saber planejar e prevenir, mas sem pretender
prever e controlar tudo. É uma grande sabedoria saber desfrutar das pequenas
coisas que temos ou que podemos fazer agora, sem pensar nas que não temos. Na
ansiedade por querer conseguir certas coisas e abarcar tudo, acabamos criando
dependências egocentradas e a vida vai se acabando sem ser vivida.
Então, nossa ação deixa de ser fonte de satisfação e
plenitude. Por isso terminamos nos enfraquecendo, enchendo-nos de angústias
inúteis e esquecendo-nos que “com a divina consolação todos os trabalhos
são prazer e todas as fadigas são descanso” (Carta de S. Inácio a Teresa
Rejadel).
A familiaridade com Deus na relação com todas as coisas do
cotidiano, não implica fadiga ou ansiedade, senão que é uma maneira de viver
aquela paz e plenitude considerada como verdadeiro descanso.
Toda atividade humana, perpassada por uma
“espiritualidade” inspiradora, deve ser motivada, antes de tudo, pela força
interior do amor, que lhe dá uma qualidade, um sentido e um valor
particulares.
O desafio é buscar maneiras de encontrar a serenidade em
meio às nossas frenéticas vidas, de abrir em profundidade nossa cotidianidade
para poder nos submergir no ritmo tranquilo de Deus; encontrar-nos com Ele para
que seja o centro de nossa vida e caminhar a seu lado. Oxalá sejamos capazes de
captar os detalhes da paisagem de nossa vida para descobrir em tudo as pegadas
do Senhor! E, embora vivamos neste mundo onde tudo se move tão rápido, podemos
fechar os olhos e sentir que Ele nos conduz pela sua mão.
Textos bíblicos: Mc 4,26-34
Na oração: Tente escutar o universo infinito;
acima, abaixo, ao seu redor. Entre em profundo silêncio para perceber a
vibração de todos os elementos: terra, ar, água, fogo. Tudo vibra, tudo está
cheio de ondas luminosas, sonoras. Tudo é silêncio e tudo é escuta.
Sinta-se presente no meio deste diálogo entre céu e terra... para escutar,
falar e orar.
- Seu ritmo cotidiano é marcado pela ansiedade, pressa,
estresse...? Há espaço para o silêncio, a contemplação?
- A partir do silêncio do seu coração, plante no seu
cotidiano, sementes de humanidade: proximidade, acolhida, compaixão, paciência,
paz...
Primeiramente assinalo a vitoriosa parceria, já há tantos
anos travada entre o nosso homenageado, Cyro de Mattos, e a Fundação Jorge
Amado que, através do seu braço editorial – a editora Casa de Palavras, já teve
o privilégio de publicar 3 títulos de sua autoria e hoje lança o quarto. Berro
de Fogo e Outras Histórias, Canto a Nossa Senhora das Matas (capa de Calasans
Neto), Poemas Iberoamericanos e Canto até Hoje, capa de Juarez
Paraiso.
Lembro com saudosismo também a amizade existente entre Cyro
e Myriam Fraga, que eu particularmente tive o privilégio de compartilhar e
também a amizade que tinha com o seu conterrâneo, Jorge Amado (os 3 confrades
na Academia de Letras da Bahia).
Jorge Amado em pronunciamento que consta nas atas da
Academia Brasileira de Letras, certa ocasião disse sobre Cyro:
“ Cyro
de Mattos não se confunde à maioria de escrevinhadores que, na falta de real
experiência humana e de real experimentação literária, se perdem na imitação
uns dos outros, em cacoetes e fogos de artifícios enganadores. Cyro de Mattos
possui uma personalidade vigorosa e original: a condição humana dos personagens
que surgem de seu conhecimento e emoção nada tem de artificialismo da pequena
burguesia a exibir angústia de psicanalista. Ele pisa chão verdadeiro, toca a
carne e o sangue dos homens".
E foi assim, com este fervor de alma, que ele construiu um
poema. Poema curiosamente e carinhosamente intitulado: Coisas de Myriam Fraga. Eis o poema:
Coisas de Myriam Fraga
Parir é coisa de mulheres.
Criar a flor dentro ciciada.
O ser no outro ser.
Completo acorde
até as gotas da morte.
Poesia é coisa de mulheres.
Às vezes acorda nesta paixão.
Rigor e lucidez na pele lambida.
Palavra é como brasa ...
queima até o fim...
Ilhas e ventos onde eu navego.
Ó labirinto de mim.
Pois bem.... Cyro lança agora, em comemoração aos 60 anos
de dedicação à literatura, o
CANTO ATÉ HOJE, que reúne toda a sua
obra poética em 800 páginas, em edição impressa bem cuidada e em versão digital,
como mandam os dias de hoje. O livro traz uma incrível capa ilustrada por
Juarez Paraiso, e os versos ( inclusive inéditos) de toda uma trajetória de intensa
atividade literária.
Um sonho do autor que está sendo realizado através do Prêmio
Jorge Portugal das Artes, por meio da Lei Aldir Blanc e Fundação Cultural da
Bahia.
(Aliás, já que falamos antes de amizade, não tenho como não
lembrar aqui do nosso querido Jorge Portugal, grande incentivador da cultura e
da literatura de nossa terra. A ideia de batizar o prêmio com o seu nome foi
muito feliz...)
Jorge Amado sabiamente dizia “A amizade é o sal da vida...”
e eu também sinto assim. Sem os amigos, a criação das redes, um ajudando o
outro, trabalhando em prol do sucesso do outro, nada é possível. Um evento como
este que estamos vivenciando agora não seria possível... basta correr o olho,
como diz o povo, e perceber, que quase todos aqui tem algum ponto em comum e
todos temos a amizade por Cyro!
Voltando a ele, prestemos atenção: São seis décadas da sua
vida dedicadas à literatura. Curiosamente, o seu primeiro conto,
publicado em 1960, em um suplemento literário do Jornal Bahia, que tinha como
editor o amigo e também escritor João Ubaldo Ribeiro, intitulava-se “A CORRIDA”.
Creio eu que ali se iniciava, literalmente, uma corrida e de
lá pra cá, o escritor nunca parou de contar suas histórias em prosas e versos.
E, se vocês perceberem, é também curioso, o título do livro
hoje lançado aqui – CANTO ATÉ HOJE.
Ou seja, ele iniciou uma corrida em 1960 e até hoje canta e
corre...
E sua necessidade vital de escrever o fez não apenas poeta,
mas contista, novelista, romancista, cronista, ensaísta, autor de literatura
para crianças e jovens, jornalista, advogado e, especialmente, fomentador da
arte da palavra.
Impossível não falar da importância da sua atuação no
cenário cultural, com destaque para uma característica muito peculiar à sua
personalidade que é a perseverança, especialmente para com o “fazer” literário
e os seus desdobramentos.
Vejam bem, o incansável, Cyro de Mattos, do auge dos seus 82
anos, surpreendente e encara os desafios de um mundo que ele mesmo confessa
desconhecer, o chamado mundo virtual, mas não esmorece e avança bravamente com a determinação costumeira que deu à sua
trajetória um reconhecimento internacional.
Para finalizar cito aqui um pequeno trecho do depoimento de
Cyro, quando participou em 1997, na Fundação Casa de Jorge Amado, do projeto
“Com a Palavra o escritor”, porque me soou tão atual para o cenário que estamos
a enfrentar:
“A arte literária
quando feita com amor e talento, de maneira humaníssima, reveladora do ser na
existência, pode não salvar o indivíduo do seu conflitivo lado de animal
social, não resolver problemas econômicos e políticos, mas é ato que torna a
vida suportável, sensível, essencial. Viver sem ela seria mesmo impossível”.
Ângela Fraga é diretora da Fundação Casa de
Jorge Amado, filha da poeta Myriam Fraga. Escritora e advogada com
especialização em administração de empresas. O texto ora publicado faz parte de sua fala na
live para lançamento do livro Canto até Hoje, de Cyro de Mattos, obra poética
reunida, em 9 de abril deste ano, nas comemorações dos 60 anos de atividades
literárias do autor baiano.
Nos idos tempos em que ainda havia fé no mundo, recorria-se
à Providência Divina em todas as vicissitudes da vida, principalmente por
ocasião de calamidades. Operaram-se incontáveis milagres, registrados em
fidedignos documentos de várias épocas.
Um desses milagres ocorreu durante uma terrível epidemia de
peste bubônica em Marselha, na França, em 1720, que ceifou a vida de mais de
100 pessoas. Foi quando o Sagrado Coração de Jesus, aparecendo a uma alma
santa, pediu que fosse instituída uma festa em seu louvor, para debelar a
epidemia. O que realmente ocorreu, como veremos.
Antecedentes da devoção ao Sagrado Coração
Entre os anos de 1672 e 1686, Nosso Senhor Jesus Cristo,
aparecendo a Santa Margarida Maria Alacoque [quadro acima], religiosa
visitandina francesa, foi lhe revelado os mistérios da devoção ao seu Sagrado
Coração. Como narra a vidente em sua Autobiografia, Ele lhe mostrou “o
ardente desejo que tinha de ser amado pelos homens e de retirá-los da via da
perdição, onde Satanás os precipitava em multidões”. Para isso, “havia
estabelecidoo desígnio de manifestar seu Coração aos homens, com todos os
tesouros de amor, misericórdia, graça, santificação e salvação que ele
continha”, para que lhe manifestassem seu amor.
Numa das várias revelações, Nosso Senhor disse a Santa
Margarida Maria: “Por isso te peço que a primeira Sexta-feira depois
da oitava do Santíssimo Sacramento seja dedicada a uma festa particular para
honrar o meu Coração, reparando a sua honra por meio de um ato público de
desagravo, e comungando nesse dia para reparar as injúrias que recebeu durante
o tempo que esteve exposto nos altares. E Eu te prometo que o meu
Coração se dilatará para derramar com abundância o influxo do seu divino amor
sobre aqueles que Lhe renderem esta homenagem”.
Difundiu–se desde então a devoção a esse adorável Coração,
tendo como centro o convento da Visitação de Paray-le-Monial [foto ao lado],
onde Santa Margarida Maria vivia. Essa Ordem religiosa, fundada por São
Francisco de Sales e Santa Joana de Chantal, tornou-se desse modo apropagadora
dessa devoção.
Ana-Madalena Remuzat e o Coração de Jesus
Seis anos após o falecimento de Santa Margarida Maria,
ocorrido em outubro de 1690, Marselha veria nascer, no dia 29 de novembro de
1696, Madalena Remuzat [quadro ao lado], que se tornaria visitandina e seria a
continuadora da devoção ao Sagrado Coração de Jesus.
Madalena ingressara aos nove anos no convento das
Visitandinas de Marselha como estudante, e depois nele professou como religiosa
em 1713, acrescentando Ana ao seu nome.
Por ter sido muito favorecida desde pequena com aparições de
Nosso Senhor, por sua prudência, retidão e avançado progresso espiritual,
deram-lhe no convento o encargo de atender às pessoas que pediam aconselhamento
espiritual. Depois de certo tempo, ela pediu para ser disso dispensada a fim de
cuidar dos doentes.
A heresia jansenista
Nessa época o erro jansenista era generalizado na França,
perturbando a vida da Igreja e da sociedade. De acordo com essa doutrina
perniciosa, Cristo não derramou seu Preciosíssimo Sangue por todos os homens,
mas apenas por uma pequena porção deles. Quanto aos outros, o acesso aos frutos
da Redenção estaria fechado para sempre, não importando o que fizessem. Segundo
essa seita, para se receber a Comunhão Eucarística era necessário não apenas o
estado de graça, como é da doutrina católica, mas também um tão grande e puro
amor a Deus, que excluísse qualquer falta, mesmo leve. Essa severidade afastou
muitos fiéis da Sagrada Comunhão.
Em 8 de setembro de 1713 — mesmo ano em que Ana-Madalena fez
a sua profissão religiosa —, o Papa Clemente XI condenou na bula Unigenitus
Dei Filius os erros jansenistas. A condenação encontrou grande
resistência na França, cuja situação política e religiosa se tornou
extremamente tensa.
Valoroso bispo combate na luta contra o jansenismo
Ora, o bispo de Marselha era então Dom Henrique Francisco
Xavier de Belsunce de Castelmoron [gravura ao lado], um lídimo e valente
prelado, inimigo mortal do jansenismo. Em sua batalha contra essa heresia, ele
encontrou a oposição de alguns padres e também do Parlamento de
Aix-en-Provence, conquistados pela seita.
Consciente dos dons que a irmã Ana-Madalena recebera de
Deus, ele pediu à Superiora que a fizesse retomar seu ministério junto aos que
procuravam o convento em busca de orientação.
Confrontada com o orgulho que levou os jansenistas a se
levantarem contra a Igreja e o Papa, Ana-Madalena aconselhava seus dirigidos a
terem uma confiança sem limites em Deus Nosso Senhor e em sua misericórdia,
colocando-se amorosamente nas mãos divinas. Graças a ela, muitas pessoas
passaram de uma vida tíbia e indiferente, para outra segundo o Evangelho e os
ensinamentos tradicionais da Igreja.
Associação em louvor ao Sagrado Coração de Jesus
A Irmã Ana-Madalena teve várias aparições do Sagrado Coração
de Jesus, o que a levou a fundar uma associação dedicada ao Santíssimo Coração.
Seu objetivo era, em primeiro lugar, agradecer a Nosso Senhor por seu amor por
nós na Eucaristia; depois, reparar pelas indignidades e afrontas que Ele sofreu
durante sua vida terrena, e que ainda hoje recebe nesse Sacramento de amor.
Em 1717 o Vaticano aprovou a associação. No ano seguinte,
enquanto cerca 60 de seus membros adoravam o Santíssimo numa igreja, eles viram
durante mais de meia hora o rosto de Jesus Cristo na Hóstia.
A Grande Praga de Marselha
Naquela época, Deus revelou à irmã Ana-Madalena que Marselha
seria punida se não se arrependesse de sua imoralidade.
E realmente, em maio de 1720, um navio do Oriente Médio
ancorou na cidade, levando a bordo a peste bubônica que deu início à Grande
Praga de Marselha. Pouco depois, naquele verão, com mais e mais casos de praga
sendo relatados, decretou-se uma quarentena em toda a cidade e região. Apesar
de as igrejas terem sido fechadas, o mosteiro da irmã Ana-Madalena foi poupado
e sua comunidade realizou muitos atos de caridade durante esse período.
Com as igrejas fechadas, o corajoso bispo Dom Henrique
começou a fazer as celebrações ao ar livre e, acompanhado por vários
sacerdotes, a percorrer as ruas para atender espiritual e materialmente os
doentes [representação ao lado]. Muitos de seus padres morreram em
consequência da peste, vítimas da caridade, a qual hoje falta tanta faz a
muitos eclesiásticos.
Instituição da festa do Sagrado Coração
Ocorreu então que, por recomendação de sua Superiora, a Irmã
Ana-Madalena pediu a Deus que lhe comunicasse como desejava que seu Sagrado
Coração fosse honrado para se obter a extinção da praga. Nosso Senhor lhe
respondeu que desejava o estabelecimento de uma festa solene para honrar seu
Sagrado Coração.
Confiando na idoneidade da Irmã e atendendo ao pedido de
Nosso Senhor, Dom Henrique instituiu então na Diocese de Marselha a festa em
honra do Sagrado Coração de Jesus, com o plano de Lhe consagrar perpetuamente a
diocese e a cidade em 1º de novembro de 1720.
Acontece que a impetuosidade do vento nesse dia tornava
impossível realizar a procissão. Somente à noite todos os sinos da igreja
puderam tocar, o vento foi amainando e o bispo pôde então fazer a almejada
consagração ao Sagrado Coração de Jesus.
Essa foi provavelmente a primeira consagração e culto
público ao Sagrado Coração. A partir desse momento, a doença começou a diminuir
gradualmente.
Magistrados atestam o milagre
Entretanto, como não houve reforma dos costumes e o povo
continuava a ofender a Deus, a praga reapareceu em 1722. Para debelá-la, Dom
Henrique [ao lado foto de sua estátua em Marselha] ordenou
procissões para o dia de Corpus Christi, e a realização de uma nova
festa em honra do Sagrado Coração.
Os vereadores da cidade de Marselha — que não haviam
participado da consagração e da Missa em 1720 — desta vez participaram. No mês
de setembro desse mesmo ano a praga terminou completamente.
As autoridades de Marselha foram então levadas a afirmar, em
declaração pública nesse ano de 1722, que: “Quando todo esforço
humano fracassou irremediavelmente, orações e atos de religião seguraram a mão
de Deus. Para todos houve uma visível demonstração de que a praga não apenas
diminuiu, como que cessou desde o dia em que Dom Belsunce consagrou Marselha ao
Sagrado Coração de Jesus”. Eles se comprometeram doravante a renovar
anualmente a consagração pública e perpétua da cidade ao Sagrado Coração,
tradição interrompida durante a diabólica Revolução Francesa, mas que foi
depois — um tanto modificada — restaurada pelo município em 1877.
A venerável Ana-Madalena Remuzat faleceu em 1730 e seu
processo de canonização está em curso.
A semana compreendida entre os dias 21 e 28 de maio do ano de 1871 ficou conhecida como “a semana sangrenta”, quando os communards — voluntários ateus e anticlericais que constituíam as hordas a serviço da Comuna de Paris — assassinaram vários reféns.
Vista da Rue de Rivoli destruída pelos comunistas da “Comuna de Paris” na “semana sangrenta” de 1821.
Entre eles estavam o Arcebispo de Paris, Dom Georges Darboy, e cerca de uma vintena de clérigos e religiosos; havia ainda militares defensores do governo legítimo, refugiado então em Versalhes, e outros personagens civis.
Em honra dos mártires da Comuna foi então construída a igreja de Notre-Dame-des-Otages, Nossa Senhora dos Reféns. Dentre os religiosos assassinados no dia 26 de maio destacava-se o padre Henry Planchat, da Congregação de São Vicente de Paulo, famoso por sua caridade, cognominado “o pai dos pobres”. Graças à sua memória reiniciou-se o processo de beatificação de cinco dos mártires religiosos, o qual havia sido interrompido em 1968, por causa da Revolução cultural da Sorbonne e do espírito de abertura para o mundo, apregoado por clérigos ditos progressistas.
Para comemorar o sesquicentenário da imolação dos referidos mártires por ódio à Fé, quis a Arquidiocese de Paris homenageá-los com uma procissão no dia 29 de maio último [foto acima e abaixo], a qual, entretanto, não chegou ao seu fim. Com o mesmo ódio de seus antepassados ideológicos de 1871, novas hordas de communards — atualmente com aspecto ainda mais repugnante — atacaram os participantes da procissão católica, aos gritos de “abaixo as batinas” e “morte aos versalheses”. Os fiéis católicos eram mais de 300, mas protegidos por apenas um policial, que os defendeu corajosamente, como pôde. Os revolucionários arremessaram garrafas sobre a procissão, ferindo dois anciãos, um dos quais teve de ser hospitalizado.
Embora algumas vozes se tenham levantado contra o ocorrido, a parcimônia com a qual as autoridades se portaram chamou a atenção. O ministro do Interior, responsável pelas forças da ordem, escreveu em seu twitter que compreende os católicos, dedicando “seus pensamentos aos católicos da França”. E nada mais! Recordemos que no mês de abril último esse mesmo ministro visitou uma mesquita que havia sido alvo de pichações “islamofóbicas”…
Por mais odioso que tenha sido esse episódio, dele podemos tirar várias lições, a principal das quais é a consciência que devemos ter do ódio das forças revolucionárias — as de ontem como as de hoje — contra a religião católica; ódio que as torna capazes de empreender outras “semanas sangrentas”, para inundar com mais sangue de cristãos as ruas da Cidade Luz e de outras cidades. Mas não nos esqueçamos da célebre frase de Tertuliano: “Sangue de mártires, semente de cristãos”.
Chegados os dragões em frente aos Canjicas houve um instante
de estupefação. Os Canjicas não queriam crer que a força pública fosse mandada
contra eles; mas o barbeiro compreendeu tudo e esperou. Os dragões pararam, o
capitão intimou à multidão que se dispersasse; mas, conquanto uma parte dela
estivesse inclinada a isso, a outra parte apoiou fortemente o barbeiro, cuja
resposta consistiu nestes termos alevantados:
—Não nos dispersaremos. Se quereis os nossos cadáveres,
podeis tomá-los; mas só os cadáveres; não levareis a nossa honra, o nosso
crédito, os nossos direitos, e com eles a salvação de Itaguaí.
Nada mais imprudente do que essa resposta do barbeiro; e
nada mais natural. Era a vertigem das grandes crises. Talvez fosse também um
excesso de confiança na abstenção das armas por parte dos dragões; confiança
que o capitão dissipou logo, mandando carregar sobre os Canjicas. O momento foi
indescritível. A multidão urrou furiosa; alguns, trepando às janelas das casas
ou correndo pela rua fora, conseguiram escapar; mas a maioria ficou bufando de
cólera, indignada, animada pela exortação do barbeiro. A derrota dos Canjicas
estava iminente quando um terço dos dragões,—qualquer que fosse o motivo, as
crônicas não o declaram,—passou subitamente para o lado da rebelião. Este
inesperado reforço deu alma aos Canjicas, ao mesmo tempo que lançou o desanimo
às fileiras da legalidade. Os soldados fiéis não tiveram coragem de atacar os
seus próprios camaradas, e um a um foram passando para eles, de modo que, ao
cabo de alguns minutos, o aspecto das coisas era totalmente outro. O capitão
estava de um lado com alguma gente contra uma massa compacta que o ameaçava de
morre. Não teve remédio, declarou-se vencido e entregou a espada ao barbeiro.
A revolução triunfante não perdeu um só minuto; recolheu os
feridos às casas próximas e guiou para a Câmara Povo e tropa fraternizavam,
davam vivas a el-rei, ao vice-rei, a Itaguaí, ao "ilustre Porfírio".
Este ia na frente, empunhando tão destramente a espada, como se ela fosse
apenas uma navalha um pouco mais comprida. A vitória cingia-lhe a fronte de um
nimbo misterioso. A dignidade de governo começava a eurijar-lhe os quadris.
Os vereadores, às janelas, vendo a multidão e a tropa,
cuidaram que a tropa capturara a multidão, e sem mais exame, entraram e votaram
uma petição ao vice-rei para que mandasse dar um mês de soldo aos dragões,
"cujo denodo salvou Itaguaí do abismo a que o tinha lançado uma cáfila de
rebeldes . Esta frase foi proposta por Sebastião Freitas, o vereador dissidente
cuja defesa dos Canjicas tanto escandalizara os colegas. Mas bem depressa a
ilusão se desfez. Os vivas ao barbeiro, os morras aos vereadores e ao alienista
vieram dar-lhes noticia da triste realidade. O presidente não
desanimou:—Qualquer que seja a nossa sorte, disse ele, lembremo-nos que estamos
ao serviço de Sua Majestade e do povo.—Sebastião insinuou que melhor se poderia
servir à coroa e à vila saindo pelos fundos e indo conferenciar com o juiz de
fora, mas toda a Câmara rejeitou esse alvitre.
Daí a nada o barbeiro, acompanhado de alguns de seus
tenentes, entrava na sala da vereança intimava à Câmara a sua queda. A Câmara
não resistiu, entregou-se e foi dali para a cadeia. Então os amigos do barbeiro
propuseram-lhe que assumisse o governo da vila em nome de Sua Majestade.
Porfírio aceitou o encargo, embora não desconhecesse (acrescentou) os espinhos
que trazia; disse mais que não podia dispensar o concurso dos amigos presentes;
ao que eles prontamente anuíram. O barbeiro veio à janela e comunicou ao povo essas
resoluções, que o povo ratificou, aclamando o barbeiro. Este tomou a
denominação de—"Protetor da vila em nome de Sua Majestade, e do
povo".—Expediramse logo várias ordens importantes, comunicações oficiais
do novo governo, uma exposição minuciosa ao vice-rei, com muitos protestos de
obediência às ordens de Sua Majestade; finalmente uma proclamação ao povo,
curta, mas enérgica:
"Itaguaienses! Uma Câmara corrupta e violenta
conspirava contra os interesses de Sua Majestade e do povo. A opinião pública tinha-a
condenado; um punhado de cidadãos, fortemente apoiados pelos bravos dragões de
Sua Majestade, acaba de a dissolver ignominiosamente, e por unânime consenso da
vila, foi-me confiado o mando supremo, até que Sua Majestade se sirva ordenar o
que parecer melhor ao seu real serviço. Itaguaienses! não vos peço senão que me
rodeeis de confiança, que me auxilieis em restaurar a paz e a fazenda publica,
tão desbaratada pela Câmara que ora findou às vossas mãos. Contai com o meu
sacrifício, e ficai certos de que a coroa será por nós. O Protetor da vila em
nome de Sua Majestade e do povo Porfírio Caetano das Neves".
Toda a gente advertiu no absoluto silêncio desta proclamação
acerca da Casa Verde; e, segundo uns, não podia haver mais vivo indício dos
projetos tenebrosos do barbeiro. O perigo era tanto maior quanto que, no meio
mesmo desses graves sucessos, o alienista metera na Casa Verde umas sete ou
oito pessoas, entre elas duas senhoras e sendo um dos homens aparentado com o
Protetor. Não era um repto, um ato intencional; mas todos o interpretaram dessa
maneira; e a vila respirou com a esperança de que o alienista dentro de vinte e
quatro horas estaria a ferros e destruído o terrível cárcere.
O dia acabou alegremente. Enquanto o arauto da matraca ia
recitando de esquina em esquina a proclamação, o povo espalhava-se nas ruas e
jurava morrer em defesa do ilustre Porfírio Poucos gritos contra a Casa Verde,
prova de confiança na ação do governo. O barbeiro faz expedir um ato declarando
feriado aquele dia, e entabulou negociações com o vigário para a celebração de
um Te-Deum, tão conveniente era aos olhos dele a conjunção do poder temporal
com o espiritual; mas o Padre Lopes recusou abertamente o seu concurso.
—Em todo caso, Vossa Reverendíssima não se alistará entre os
inimigos do governo? disse-lhe o barbeiro, dando à fisionomia um aspecto
tenebroso. Ao que o Padre Lopes respondeu, sem responder:
—Como alistar-me, se o novo governo não tem inimigos?
O barbeiro sorriu; era a pura verdade. Salvo o capitão, os
vereadores e os principais da vila, toda a gente o aclamava. Os mesmos
principais, se o não aclamavam, não tinham saído contra ele. Nenhum dos
almotacés deixou de vir receber as suas ordens. No geral, as famílias
abençoavam o nome daquele que ia enfim libertar Itaguaí da Casa Verde e do
terrível Simão Bacamart.
MINISTÉRIO DA CULTURA
Fundação Biblioteca Nacional
Departamento Nacional do Livro
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Machado de Assis (Joaquim Maria Machado de Assis),
jornalista, contista, cronista, romancista, poeta e teatrólogo, nasceu no Rio
de Janeiro, RJ, em 21 de junho de 1839, e faleceu também no Rio de Janeiro, em
29 de setembro de 1908. É o fundador da cadeira nº. 23 da Academia Brasileira
de Letras.