Quer dizer, senhores ministros, senhores congressistas,
senhores da imprensa, que democrático, no seu ponto de vista, é o mal nascido e
mal criado “Inquérito do fim do mundo”, ilimitado nos objetivos e raivoso na
condução, sem limites, sem borda e sem tampa?
Quer dizer que democrático é o explosivo coquetel ideológico
dos grupos Antifa, só porque proclamam, contra os fatos e a história, ser “pela
democracia”, apesar de justificarem a violência que habitualmente praticam?
Quer dizer que democrático é o senador Davi Alcolumbre, com
conivência da Casa que preside, sentar-se sobre os insistentes pedidos de
impeachment contra ministros do STF? Será por democrática simetria que um terço
dos senadores é investigado ou responde ação penal no STF em processos que se
arrastam a passos de jabuti, enquanto o inquérito das fake news, que interessa
particularmente ao STF, anda a galope?
Quer dizer que usar a mão pesada do Judiciário para inibir
as manifestações populares de desagrado com a conduta belicosa do STF é conduta
democrática?
Quer dizer que o ministro Celso de Mello se credencia como
magistrado guardião da democracia e do equilíbrio quando compara o Brasil à
Alemanha de Hitler e afirma que bolsonaristas “odeiam a democracia" e
pretendem instaurar uma "desprezível e abjeta ditadura"?
Quer dizer que democrático é o silêncio das ruas bloqueadas
para evitar manifestações populares diante de um Congresso Nacional omisso,
surdo aos legítimos anseios expressos nas urnas de 2018?
Quer dizer que é antidemocrático apontar a chantagem com que
parlamentares de má fama constrangem o governo?
Quer dizer que é antidemocrática a inconformidade popular com o fato de o
Congresso, em um ano e meio, não haver votado a PEC que permite a prisão após a
condenação em segunda instância? Será, então, democrático desatender a esse
clamor pelo fim da impunidade determinada por uma preceito que só agrada
bandidos e seus advogados?
Será democrático o STF quando, em eloquentes votos, rejeita
o ideário conservador e liberal que venceu a eleição presidencial?
Será democrático o STF preservar a mentalidade política e as
posições ideológicas próprias da era Lula, quando a maioria da nação já lhe
disse não nas urnas?
Serão democráticos, por fim, o doce e dolente sossego dos
poderosos, o monótono papaguear da grande imprensa, embalados pelo silêncio da
sociedade? Mas não é esse desejado silêncio a própria voz das ditaduras?
_______________________________
* Percival Puggina (75), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é
arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista
de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o
totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do
Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
No contexto do XVIII Congresso Eucarístico Nacional 2020, com o tema: “Pão
em todas as mesas” e do Jubileu dos 100 anos da Novena Perpétua, apresento
essa contribuição: “A centralidade do Filho e a importância da Mãe”: Meditações
comparativas entre o Magnificat de Maria e o ícone de Nossa Senhora do Perpétuo
Socorro (NSPS).
(I) Comparação geral
O Magnificat e o ícone do Perpétuo Socorro
O Magnificat é chamado de perfume do Evangelho,
prelúdio das Bem Aventuranças, modelo de catequese, exemplo da oração, resumo
das Sagrada Escritura, cântico revolucionário, o hino de Maria, cântico da
Virgem de Nazaré, o salmo novo, o poema de Maria, o cântico profético, o
cântico sagrado. O ícone do Perpétuo Socorro é chamado de
venerável, sacrossanto, venerado, sagrado, dourado, belo, ícone do amor, ícone
da Redenção, ícone do Magnificat, o resumo da Mariologia.
O ícone é o Evangelho pintado,
O ícone é uma teologia visual,
O ícone “respira” oração,
O ícone é uma sarça ardente.
2. O trecho bíblico mariano mais longo e mais conhecido é
o Magnificat - o cântico de Maria. A invocação e o quadro (ícone) mariano
mais conhecido do mundo é o de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.
3. O Magnificat é um mosaico feito de
retalhos das citações bíblicas. É um modelo de oração cristã e de catequese. O ícone
do Perpétuo Socorro é uma pintura oriental feita de cores, gestos, letras
e símbolos cheios de significado tornando-se uma catequese da
redenção e o resumo de Mariologia. O ícone é uma representação de um mistério,
e uma forma pedagógica, uma pregação, não por palavras, mas pelo uso da imagem.
4. O Magnificat é um exemplo da relação
adequada da criatura para com o Criador. A Bem-Aventurada, a serva do Senhor
reconhece as grandes coisas que o Senhor fez. O ícone do Perpétuo Socorro é
uma síntese dos maiores mistérios da fé: a Encarnação; a Redenção e a
Ressurreição. A relação entre o filho, a Mãe e os arcanjos.
5. No centro do Magnificat não está Maria,
mas Deus Todo poderoso, o Salvador. No centro do ícone do
Perpétuo Socorro não está Maria, mas Jesus, o nosso perpétuo Socorro,
o Redentor. Maria contempla tudo com o olhar divino.
6. No Magnificat, Maria canta as maravilhas de
Deus, enche-se de júbilo e louvor. No belo ícone do Perpétuo
Socorro, vemos Maria em silêncio, seus lábios estão cerrados.
7. No Magnificat, Maria é obediente à voz do
arcanjo: “Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo!” No ícone,
Maria nos fala, mas por meio de sinais evidentes e bem expressivos
e nos entrega o seu Filho.
Nós devemos passar:
da "mariologia doutrinal” para a
“mariologia do coração”
e para a “mariologia da ação e da
missão”.
Thiago Leon
(II) Comparação parte por parte
1. “Minha alma engrandece o Senhor, e meu espírito
exulta em Deus, meu Salvador”(Lc 1, 46-47). Frente ao insondável mistério da
sua maternidade divina, Maria prorrompe num canto de alegria e de vitória,
de esperança e de amor, de gratidão e de reconhecimento. A alegria envolve
todo o ícone de NSPS. Este é o significado do dourado que envolve a
imagem da Virgem e do seu Divino Filho. Maria traz em seu seio o Céu, o
Messias, o Esperado de Israel, aquele que é a luz e a esperança das nações, o
Amado, o Esposo da Humanidade, eis o motivo de sua alegria, e ela é
infinita.
2. “Deus olhou para a humilhação de sua serva”, e
fez de Maria a Mãe do Salvador (Lc 1,48). A serva do Senhor, agora na
Glória, olha e acompanha a todos que a olham. O gesto de tirar as sandálias é a
expressão da humildade.
3. “Doravante as gerações todas me chamarão de
bem-aventurada”(Lc 1, 48). A profecia de Maria como o fundamento do culto
mariano. O ícone do Perpétuo Socorro obedece à profecia do Magnificat
apresenta as maravilhas feitas por Deus na vida da jovem virgem de Nazaré. O
culto mariano presente durante os séculos: especialmente através da Novena
Perpétua.
4. “O Todo-poderoso fez grandes coisas em meu favor.
Seu nome é santo e sua misericórdia perdura de geração em geração para aqueles
que o temem”(Lc 1, 49-50). Jesus, Deus salva (este é o
significado do seu nome) o seu povo, “socorre Israel, seu servo, lembrado
de sua misericórdia”.
A misericórdia de Deus que é simbolizada no ícone por meio
dos sinais da Paixão apresentados pelos arcanjos Miguel e Gabriel ao
Menino-Deus, posicionados à esquerda e à direita do quadro, respectivamente.
Por meio do seu sofrimento redentor, Jesus manifesta a misericórdia divina
cantada por Maria no seu hino profético.
5. “Demostrou o poder de seu braço, dispersou os homens
de coração orgulhoso” (Lc 1, 51). No ícone, vemos Maria segurar
a mão direita do Menino Jesus. Na Bíblia, a destra de Deus
manifesta o seu poder e a sua justiça. Ao sustentar a mão direita de Deus,
Maria apresenta-se como a Mãe da Misericórdia, a Medianeira de todas as
graças, a serva humilde que é capaz de interceder por todos os homens. “Derrubou
os poderosos de seus tronos, e a humildes exaltou. Cumulou de bens a famintos e
despediu ricos de mãos vazias” (Lc 1, 52-53). No ícone, vemos ambas
as mãos de Jesus apoiadas nas mãos de Maria, manifestando confiança total
em sua Mãe. Também as mãos de Maria estão ocupadas em amparar seu Divino Filho.
No ícone de NSPS, vemos Maria cumulada de todos os bens porque em suas mãos
traz Aquele que é o Sumo Bem.
6. "Socorreu a Israel seu servidor como prometera a
Abraão e seus filhos para sempre". (Lc 1, 54-55). É o cântico
dos séculos. Deus Pai com o coração de mãe cumpre as suas promessas. O Proto-evangelho
- Gn 3,15 - se cumpre Naquele que é o mesmo: ontem, hoje e será para
sempre. Deus é Pai das misericórdias e rico em misericórdia. Maria imita a
misericórdia do Pai.
* Esse texto faz parte do livro “Magnificat: o cântico
revolucionário de Maria, a mãe de Jesus” a ser editado pela editora
Paulus. Mais em www.mariologiapopular.blogspot.com
Fonte: Província Redentorista de Varsóvia (Polônia)
oje passo ao lado do coronavírus, sem lhe virar as costas.
Não subestimo a pandemia, pelo contrário; perdi amigos, de momento são dele
vítimas, alguns com gravidade, gente que me é próxima, parentes; a vacina
continua esperança, incógnita envolta nas brumas do futuro. O próximo vulnerado
bem poderá ser eu, estou de cheio no grupo de risco, chances menores de
escapar, chances maiores de ir a óbito ou de recuperação com sequelas. Como não
se alarmar?
À vera desde semanas tenho reflexões sobre pontos da
situação — política, moral, psicológica — criada pela pandemia; e quando as
escrever, tentarei não divulgar meras repetições do que outros mais capacitados
estão espalhando aqui e lá fora. Oferecer pratos requentados, mesmo nutritivos,
nunca foi o mais atraente.
Preocupa-me ponto em especial, ainda hipótese chã, que
poderia vir a ter relevância; até agora não li nenhuma alusão a ele. Fica para
próximo artigo. Já advirto, conjeturas, uns poderão gostar, outros terão
reservas. Paciência, ainda serão meras conjeturas, nada mais corriqueiro do que
aceitá-las ou recusá-las. Por outro lado, despreocupa-me a possibilidade de
levar chumbo, mesmo fogo amigo, de há muito virei boi do couro grosso.
O artigo de hoje, passando longe do vírus, repito, por
surpreendente que possa parecer, surge da arrumação de gaveta bagunçada. Foi
preciso jogar muita coisa fora, e a seguir ordenar com paciência, pelo menos
minimamente, o que ficou. Na papelada encontrei esquecida preciosidade, pela
foto e pelo texto: o cartão de Natal do Príncipe Dom Luiz de Orleans e
Bragança, de 2013. Palavras de afeto e irresignação.
Dom Luiz é o Chefe da Casa Imperial do Brasil, todos sabem.
O cartão comenta a foto da avó, a Princesa D. Maria Pia (foto acima),
clicada aos 19 anos — ela nasceu em 1878. Natural, a figura saída da História
evocou de plano a constatação, aquela moça poderia ter sido por longos anos a
Imperatriz do Brasil. Como teria se desempenhado? Que marcas deixaria na
sociedade e no governo? Na história do País?
Candura, esmero, elevação, foram impressões primeiras
despertadas pela foto de uma quase menina vestida de branco, olhar penetrante,
um leque pendente da mão direita. Fui invadido por outras impressões:
seriedade, leveza, delicadeza, bom tom, simplicidade, qualidades que
nobilitavam o ar aristocrático.
Borbotou incontenível o confronto. Explico-me. A vida
pública do Brasil, não é de hoje, está empanzinada de cenas sórdidas, entulhada
de gente desbotada (na mais benévola e parcial das qualificações), da qual boa
parte a corrompe e avilta, estadeando arrogância, imoralidade e primarismo. Aí
o senso patriótico gritou forte. Amargurou-me o contraste entre a chusma
desordeira que observo entristecido e a figura serena de uma moça
despretensiosa, a figura indicava, provavelmente com enorme capacidade de influir
e formar pelo bom exemplo.
A simplicidade de D. Maria Pia, ar modesto e tão senhora,
contrastava no meu espírito com o que vejo todos os dias, no mundo oficial e na
vida privada: cabotinismo, pedantismo, deboche, petulância, grã-finismo. Em vez
de tanto retrocesso e obscurantismo, poderíamos ter experimentado avanços
civilizatórios, com grande benefício social, impossibilitados, dói a
constatação, pela subserviência irrefletida a preconceitos deformantes.
Volto à Princesa. Não custa lembrar, a grande arte de
governar está na exemplaridade; acessível a todos (e, sob outro ângulo,
paradoxalmente, com grande impacto, a poucos; vale muito o que hoje em geral se
denomina carisma). “Verba movent, exempla trahunt”, bons exemplos cintilam
e arrastam. Maus exemplos afundam. Os “role models”, cujo estudo ocupa a
tantos pesquisadores, têm enorme papel formativo, potencial para promover
inclusão social e impedir dilacerações nacionais.
E então, de um lado, longe, lá no século XIX, esplendia na
foto o conteúdo nobre expresso na postura fidalga, tudo bem preparado para vida
pública altamente favorecedora do bem comum; de outro, junto a nós, pleno
século XXI, entenebrecedor o fundo cavernoso manifestado nos esgares
contrafeitos de um sem-número de figuras caricatas do Brasil contemporâneo,
cada vez mais debilitado e manchado por nota de abjeção em sua vida pública.
Pensei cá comigo, pobres de nós, merecemos esta (má) sorte? Terá Deus se
esquecido de nós? Afastei o pensamento, o débito deve cair na nossa conta.
Adiante. O nome Maria Pia, familiar, em nada rescende ao
postiço e rebuscado. A postura ereta e a mirada segura mostram afavelmente o
que ela é. No texto enaltecedor de Dom Luiz (foto ao lado), elegante e
simples, mareja a admiração pela avó, com quem conviveu, falecida 40 anos
antes, em 1973. Evola das palavras a irresignação do neto, não aceita que vá se
apagando injustamente a memória da avó, tão necessária à família e até à
História. “Eu e meus irmãos tivemos o privilégio de estreito contato com
Vovó. […] Em extensas caminhadas ou em longos serões, ela nos comunicava seu
grande afeto, transmitindo a visão do mundo e os valores”. Educação pela
palavra e pelo exemplo.
Recorda Dom Luiz: “Buscou ela identificar-se com o
Brasil. Aqui esteve em 1922, por ocasião do centenário da Independência,
acompanhada do filho mais velho, meu pai D. Pedro Henrique […]. Sua presença
foi muito solicitada então, chegando a participar do lançamento da pedra
fundamental do Cristo do Corcovado, monumento cuja edificação teve origem em um
pedido da Princesa Isabel”.
Deixo, por fim, ainda algumas palavras de dom Luiz: “D.
Maria Pia teve a honra de avistar-se pessoalmente com o Papa São Pio X, e
conservou do encontro, com profunda veneração, uma foto dedicada do Pontífice,
hoje em minhas mãos”. Bonita atitude filial de dois católicos, o neto e a avó,
merece registro. Com esteio em ensinamentos de São Pio X, Dom Luiz, muito
oportunamente, termina a saudação de Natal reiterando sua fidelidade à
civilização cristã, que deseja ver fulgurando no Brasil.
Por que o título simples deste artigo, só com a palavra
simplicidade? Reconheço, pode parecer estranho, pois haveria multidão de
títulos a escolher. Fiquei com simplicidade, chamou-me a atenção na foto, mas
teve ainda razão mais ampla, o conceito expressa a união harmônica de virtudes.
Evoco o ensinamento do Doutor Angélico. Na Suma escreveu São Tomás de Aquino: “Em
sentido contrário, Agostinho [santo] afirma: ‘Deus é verdadeira e sumamente
simples’. […] Para nós, os compostos são melhores do que os simples, porque a
perfeição da bondade da criatura não se encontra em um único simples, mas em
muitos; ao passo que a perfeição da bondade divina se encontra em um único
simples, como se verá (q. 4, a.2).”
Faz falta enorme para o progresso social (para o de cada um
de nós também) o tipo de personalidade da qual D. Maria Pia foi grande exemplo.
Dom Luiz tem razão: a avó não deve ser esquecida.
Então Amitra falou novamente e
disse: “E que nos dizes do Matrimônio, mestre?”
E ele respondeu, dizendo:
“Vós nascestes juntos, e juntos
permanecereis para todo o sempre.
Juntos estareis quando as brancas
asas da morte dissiparem vossos dias.
Sim, juntos estareis até na memória
silenciosa de Deus.
Mas que haja espaços na vossa
junção.
E que os ventos do céu dancem entre
vós.
Amai-vos um ao outro, mas não
façais do amor um grilhão:
Que haja, antes, um mar ondulante
entre as praias de vossa alma.
Enchei a taça um do outro, mas não
bebais na mesma taça.
Dai do vosso pão um ao outro, mas
não comais do mesmo pedaço.
Cantai e dançai juntos, e sede
alegres; mas deixai cada um de vós estar sozinho.
Assim como as cordas da lira são separadas e, no entanto, vibram na
mesma harmonia.
Dai vossos corações, mas não os
confieis à guarda um do outro.
Pois somente a mão da Vida pode
conter vossos corações.
E vivei juntos, mas não vos aconchegueis
demasiadamente;
Pois as colunas do templo erguem-se
separadamente,
E o carvalho e o cipreste não
crescem à sombra um do outro.
--------------
Os Filhos
E uma mulher que carregava seu
filho nos braços disse: “Fala-nos dos Filhos”.
E ele disse:
“Vossos filhos não são vossos
filhos.
São os filhos e as filhas da Ânsia da
Vida por si mesma.
Vêm através de vós, mas não de vós.
E embora vivam convosco, não vos
pertencem.
Podeis outorgar-lhes vosso amor,
mas não vossos pensamentos,
Porque eles têm seus próprios
pensamentos.
Podeis abrigar seus corpos, mas não
suas almas;
Pois suas almas moram na mansão do
amanhã, que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.
Podeis esforçar-vos por ser como
eles, mas não procureis fazê-los como vós;
Porque a vida não anda para trás e
não se demora com os dias passados.
Vós sois os arcos dos quais vossos
filhos são arremessados como flechas vivas.
O Arqueiro mira o alvo na senda do
infinito e vos estica com toda Sua força, para que Suas flechas se projetem,
rápidas e para longe.
Que vosso encurvamento na mão do
Arqueiro seja vossa alegria:
Pois assim como Ele ama a flecha que
voa, também ama o arco quepermanece
estável.”
(O PROFETA)
Gibran Khalil Gibran
--------------------
UM LIVRO QUE INSPIRA E RECONFORTA
NUMA ÉPOCA DE PERPLEXIDADE
Poucos livros têm alcançado o
sucesso de O Profeta.
No ano de sua publicação,
em Nova Iorque, em 1923, venderam-se dele apenas 1.100 exemplares. E o editor,
Alfred A. Knopf, considerou esgotadas as possibilidades de um livro
estranhamente místico no ambiente pragmático e mecanizado dos Estados Unidos.
Mas, para sua admiração, as vendas
começaram a aumentar. Alcançaram 8.500 exemplares em 1926; 60.000 em 1944; e,
enquanto outras obras, lançadas com êxito estrondoso, se fanavam em alguns
meses, apesar dos esforços da propaganda. O Profeta continuava sua marcha
triunfal sem qualquer propaganda. Dele se vendem atualmente, tão somente nos
Estados Unidos, uns 5.000 exemplares por semana. No Brasil integra regularmente
a lista dos “best-sellers”. E centenas de milhares de pessoas, incluindo a
rainha da Grécia e muitas outra celebridades em todos os cantos do mundo, o
adotaram como seu livro de cabeceira.
Até mesmo os escritos medíocres de
Gibran estão sendo traduzidos e reeditados, graças à fórmula mágica que lhes
orna a capa: “Pelo autor do O Profeta”.
Caro Sidarta Ribeiro, nem imagina como foi bom participar de
uma live com você. Há instantes em nossa vida em que, se estivermos abertos,
descobrimos que algo se passou e continuamos a viver um pouco diferentes. Ao
longo da vida, criamos cracas, assim como as antigas caravelas viviam cheias
delas agarradas ao casco e que diminuem a velocidade na navegação. É preciso
limpeza de tempos em tempos. Você, de cara, me conquistou ao contar que meu
romance Não Verás País Nenhum te abalou aos 12 anos. Pronto, me
entreguei. Conversar contigo durante hora e meia, na live promovida pelo
Fernando Quintino e pelo Daniel Brandão, meu filho, foi um upgrade para mim.
Sabia quem você era quando me convidaram, te vi no Roda
Viva, um dos melhores dos últimos anos. Minha falha foi ainda não ter lido seu
livro O Oráculo da Noite, mas já encomendei. Mas veja que curioso. Tenho
83 anos e você 49. Portanto 34 anos nos separam, o que é bastante nestes tempos
em que tudo gira em velocidade. Durante nossa conversa deveria ter dito uma
coisa, não disse. Mas teríamos tido mais assunto. Quando você nasceu em 1971 eu
tinha 35 anos e começava a preparar a edição brasileira da revista Planeta,
cujos direitos Luis Carta tinha comprado da França. A Planète foi
criação de Louis Pauwels e Jacques Bergier, que criaram o realismo fantástico
em um livro que viralizou no mundo, O Despertar dos Mágicos.
Do que se ocupava a revista? O poder da mente dos povos
primitivos, a transmissão pelo pensamento, a neurociência, o movimento do
pensamento alquímico, as civilizações desaparecidas, o universo paralelo, o
poder dos raios, os extraterrestres, a existência das fadas, alucinógenos, LSD,
o poder da plantas, xamãs, religiões orientais, as medicinas alternativas, a
mescalina, as portas da percepção (Huxley), a expansão da consciência, câmeras
que fotografavam o passado, a vida artificial, mistérios da água. Durante sete
anos editei a revista que foi um assombro, porque tratava de assuntos
insólitos, alguns proibidos. Lembre-se, era plena ditadura Médici.
Nunca me esqueço do artigo O Homem Vai Sobreviver?, de
José Maria Domènech, publicado em 1973, quando você tinha 2 anos. Ele indagava:
O homem vai conseguir chegar ao terceiro milênio? Respondia que sim, com a
ciência, a expansão dos microscópios e telescópios cada vez mais potentes, a
descoberta das chaves dos códigos genéticos, as ondas sonoras nas frequências
de hiperciclagem, as futuras descobertas científicas e as tecnológicas trazidas
pelas pesquisas cada vez mais amplas com recursos colossais poderão mudar o
panorama. Quase 50 anos depois, as perguntas continuam a ser feitas. A live da
qual participamos ligou uma chave entre passado e futuro para mim. E me fez
perguntar: e agora, Ignácio?
Este fui eu, Sidarta. E veja você. O primeiro Sidarta – ou
Buda – que me fez a cabeça foi o do Herman Hesse. Éramos muito jovens quando
lemos Hesse, Sidarta, Demian, O Lobo da Estepe. Depois, parece
que fiquei meio parado, quando devia ter continuado. Agora nos encontramos e
você me dá uma sacudida semelhante à que tive quando fiz Planeta e li
Hesse, Krishnamurti, Blavatsky e descobri planetas novos no conhecimento.
Aquela pergunta de 1973 na Planeta está sendo respondida. E o meu
descrédito no futuro do homem me deixou constrangido. Pessimista não sou. Mas
tinha pouca fé. Também lembro de uma frase de Curt-Meyer Clason, meu tradutor
para o alemão, quando me dizia que o “pessimista é um otimista com
experiência”.
Passo rápido pela velha discussão sobre acasos ou
coincidências – ou conectividades – sempre levantados. Neste momento, terminei
de escrever um longuíssimo depoimento que me fez refletir sobre nosso tempo e a
vida que levamos. É biografia de Hiroshi Ushikusa, psicoterapeuta que foi
cirurgião gastro e descobriu que mais eficaz do que o seu bisturi eram as
conversas e o entendimento de que as doenças de seus pacientes não eram físicas
e, sim, estavam no íntimo, na profundidade do espírito. Hiroshi é o quê? Um espiritualista,
praticante da Mahikari.
Na pergunta de nossos âncoras no final da live, você me
alertou, ou ensinou, que há novas ciências, novos processos de pesquisas, novas
mentalidades e possibilidades ao nosso alcance, com elementos tirados da
natureza, destinados à expansão do conhecimento e da consciência. Uma ciência
natural que pode afastar o homem dos caminhos a que ele está sendo conduzido
até agora, um tempo de depressões, traumas, aflições, medo, pesadelos,
martírios. Ciências e técnicas que nos afastarão do torpor a que estamos sendo
conduzidos por drogas sintéticas que nos escravizam, anestesiam e nada
resolvem. Sem falar dos sistemas políticos. Você me deu um grito: acorde. Você
vem dando esse grito: acordemos todos.
PS: Você percebeu que nem um minuto, um segundo, falamos de
política?
Imaculado Coração da Virgem Maria – Sábado, 21/06/2020
Evangelho (Lc 2,41-51)
— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo
Lucas.
— Glória a vós, Senhor.
Os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém, para a festa
da Páscoa. Quando ele completou doze anos, subiram para a festa, como de
costume. Passados os dias da Páscoa, começaram a viagem de volta, mas o
menino Jesus ficou em Jerusalém, sem que seus pais o notassem. Pensando
que ele estivesse na caravana, caminharam um dia inteiro. Depois começaram a
procurá-lo entre os parentes e conhecidos. Não o tendo encontrado,
voltaram para Jerusalém à sua procura. Três dias depois, o encontraram no
Templo. Estava sentado no meio dos mestres, escutando e fazendo perguntas.
Todos os que ouviam o menino estavam maravilhados com sua
inteligência e suas respostas. Ao vê-lo, seus pais ficaram muito admirados
e sua mãe lhe disse: “Meu filho, por que agiste assim conosco? Olha que teu pai
e eu estávamos, angustiados, à tua procura”. Jesus respondeu: “Por que me
procuráveis? Não sabíeis que devo estar na casa de meu Pai?” Eles, porém,
não compreenderam as palavras que lhes dissera. Jesus desceu então com seus
pais para Nazaré, e era-lhes obediente. Sua mãe, porém, conservava no coração
todas estas coisas.
O ser humano amadurece no confronto entre desejo e medo. Não
há medo sem um desejo escondido e não há desejo que
não traga consigo um medo. O desejo e o medo estão
profundamente ligados.
É constitutivo, na natureza humana, a tendência natural de
tentar ultrapassar o imediato, de arriscar novos
horizontes, de enfrentar perigos, de buscar, de criar, de se aventurar; mas, em
seu interior, está também presente a tendência oposta, ou seja, poupar-se e
acautelar-se, a necessidade inata de evitar o perigo, de se afastar dos
obstáculos, de se acomodar no passado, no conhecido, no que dá segurança...
Há, em todos nós, um desejo de plenitude e o medo
do fracasso. No nosso processo de crescimento humano, o medo não
superado e o desejo bloqueado vão gerar frustrações; de outro lado,
o medo superado e o desejo desbloqueado vão permitir que
sejamos mais ousados e criativos.
O evangelho deste domingo nos revela que Jesus é um profundo
conhecedor do coração humano; ele sabe de quê somos feitos e o que se passa no
mais profundo de cada um de nós. Ele conhece profundamente as inseguranças e os
medos que nos habitam.
Por isso, do seu humano coração, marcado com as fibras da
coragem, brota este apelo: “Não tenhais medo!” Esta expressão está
situada no contexto do envio dos discípulos em missão. Jesus acaba de dizer a
seus seguidores que eles serão perseguidos e encarcerados.
Se Jesus nos convida a não ter medo, não é porque nos
prometa um caminho de rosas. Não se trata de confiar em que não nos acontecerá
nada desagradável, ou, se algo mal nos acontece, alguém nos livrará do perigo.
Trata-se de uma segurança que permanece intacta em meio às dificuldades,
sabendo que os contratempos não podem atrofiar nosso ser essencial. Deus não é
a garantia de que tudo irá bem, mas a segurança de que Ele estará aí presente,
em qualquer situação que estivermos envolvidos.
O apelo de Jesus também pode ser aplicado a todas as
situações de medo paralisante que podemos encontrar na vida. Por detrás de
numerosos comportamentos destrutivos – o consumo compulsivo, a
dependência, o ódio, o racismo, a intolerância, a indiferença, a suspeita, a
violência, a competição, a exclusão, a prepotência, o abuso de poder ...
- se oculta o medo. O medo continua enchendo
nosso planeta de vítimas anônimas, impedindo que a humanização e a harmonia,
nossa vocação última, se expressem.
No atual momento, toda a humanidade está atravessada por um
terrível medo: a contaminação pelo convid-19. Mas, os grandes medos não
aparecem com freqüência; são os pequenos medos, que surgem dos encontros
diários com a realidade, que roubam da pessoa sua vitalidade e dinamismo.
O medo inibe o pensamento, impede a concentração e é, portanto, muito
responsável por se fazer as coisas de modo medíocre, sem valor, abaixo das
possibilidades e contra as próprias expectativas.
O medo não é um ato moral nem uma omissão. Sem ser
convidado, ele cresce no coração humano. Em tal atmosfera de medo, a imaginação
e todas as energias criativas se atrofiam.
O medo é um câncer que ameaça a fé, o amor e a
esperança de pessoas e instituições; ele corrói as fibras humanas, asfixia
talentos, esvazia a vida e mata a criatividade. O medo encolhe o ser
humano, inibe a decisão e bloqueia os movimentos em direção ao “mais”. Sua
intensidade pode anular a capacidade de reação das pessoas ou das instituições;
ele impede o discernimento e a busca da solução mais inteligente para os
problemas; longe de resolvê-los, pode agravá-los a médio e longo prazo.
Enfim, o medo obscurece o sentido e a direção da
vida, tira o brilho tão próprio do amor e seca as fontes da esperança; ele nos
acovarda e nos enterra na acomodação mesquinha.
No evangelho, que acabamos de escutar, Jesus faz referência
ao medo que pode vir de fora, provocado por aqueles que se fecham e
resistem frente à novidade do anúncio do Reino. Mas, também podemos considerar
o apelo de Jesus – “Não tenhais medo!” – em chave de interioridade; esta
expressão se refere a um acontecimento interior, pois o medo é o inimigo de
nosso eu original.
Quando o inimigo é uma força externa, nem sempre há motivos
para alimentar o medo. Mas quando os inimigos se encontram no nosso próprio
interior (traumas, recalques, frustrações, fracassos...), provocando medos
paralisantes, é preciso ter a coragem para desvelá-los, conhecer a raiz de onde
brotam, entrar em diálogo e reconciliar-nos com tudo aquilo que foi rejeitado e
que continua envenenando nossa vida.
Podemos ser presa fácil de um medo que foi
introjetado pelas experiências de insegurança e frustração do passado, e que
impede deslanchar todas as nossas potencialidades humanas. Tal medo nos
aniquila, pois mina toda possibilidade de alimentar a fé-confiança em nós
mesmos, nos outros, e sobretudo n’Aquele que nunca provoca medo, com ameaças de
inferno, julgamentos...
No fundo, o medo é a ignorância com respeito a nós mesmos;
vivemos a cultura da superficialidade e esquecemos o caminho que dá acesso ao
nosso coração. Se conhecêssemos nosso verdadeiro ser, não ha-veria lugar para o
medo, que nos mantém confinados na prisão de nossa interioridade doentia. Se
experimentássemos, por nós mesmos, a realidade que nos fundamenta, estaríamos
sempre tranquilos e em paz.
Uma sadia interioridade supõe mobilizar o coração para a
imprevisível revelação de um Deus Outro, que faz de nosso ser sua morada.
Isso implica adentrar-nos com os pés descalços, despojando-nos de nosso
afã de domínio, de controle, “deixando Deus ser Deus”: amor,
mistério, surpresa, desconcerto, noite...
Todos nós já tivemos a oportunidade de perceber as
consequências funestas quando levamos uma vida dispersa, agitada, ansiosa,
evasiva, inquieta...; e, ao contrário, o que sentimos e saboreamos quando
entramos no espaço interior, mesmo que seja por poucos instantes: a paz do
coração, a serenidade prazerosa, a percepção do sussurro amável, a brisa que
nos envolve quando permanecemos submergidos na certeza de saber que somos
amados, sem dependência e nem fragmentação.
Alguns testemunhos confirmam e dão crédito a esta
experiência interior: “Fizeste-nos para ti, e inquieto está nosso
coração até que descanse em ti” (S. Agostinho). “Nada te perturbe,
nada te espante, quem a Deus tem, nada lhe falta, só Deus basta” (S.
Teresa de Jesus)
Sem a superação cotidiana desse medo, nossa missão estará
comprometida; perderá sua força inovadora, garantida pela novidade do Projeto
de Deus. O compromisso com o Reino requer de todos uma forte dose de coragem e
uma alma ágil, animada e vivificada pelo sabor da aventura e da novidade.
Nada de medo nesta terra sobre a qual Jesus pisou
e nos corações que Ele visita diariamente.
O velho medo não vigora onde os olhos se abrem
para a suprema realidade do mundo como criação de Deus, e da vida como um
presente d’Ele.
Vencido o medo, nós nos tornaremos autênticos(as),
criativos(as) e audazes seguidores(as) de Jesus.
“Quem for medroso e tímido
volte para trás” (Jz. 7,3).
Texto bíblico: Mt. 10,26-33
* Jesus conhece a necessidade de intervir no mais escondido
de cada um dos seus discípulos; ali estão alojados
os mais diferentes medos, que minam a força e a coragem do
seguimento.
* Dar nomes aos medos pessoais: são reais?
Imaginários?
O jurista Evandro Pontes foi entrevistado pela colunista Ana
Paula Henkel, para falar sobre os recentes fatos envolvendo o Supremo Tribunal
Federal e os atos de seus ministros que levaram a uma enxurrada de pedidos de
impeachment. Mestre e doutor em Direito Societário pela USP, Evandro Pontes
defendeu que há um golpe de Estado em curso. De fato, Pontes defende que o
golpe já ocorreu.
Pontes iniciou a entrevista afirmando que “estamos
assistindo a uma quebra constitucional irreversível. O STF já cruzou linhas que
constituem verdadeira atividade paraestatal”. Após uma explicação de como se
define um golpe de Estado, ele afirmou: “Ora – para mim é claro e mais do que
óbvio que esse golpe já ocorreu. Na medida em que o STF age a latere do
sistema, age de forma a violar a própria constituição, o próprio STF já
consolidou um verdadeiro golpe de estado em que todos os poderes foram
criminosamente usurpados pela Corte: ela julga, ela investiga, ela legisla, ela
manda abastecer navios, ela atua como executivo e impede a extinção de
conselhos, ela impede o executivo de enxugar a máquina – enfim, o golpe de
estado já foi dado diante de nossos olhos e ninguém simplesmente não fez nada
para restaurar a ordem”.
Em resposta à surpresa da entrevistadora, que questionou se
não se trataria de atos isolados de alguns ministros, com crimes isolados de
responsabilidade, Evandro Pontes respondeu:
“Adoro o professor Carvalhosa, a quem tenho como Mestre
muito querido, mas neste ponto eu discordo de meu Mestre sob o ponto de vista
estratégico. Veja: quando uma ordem do STF é emanada por um Ministro usando
papel timbrado da corte e todos os demais se calam, não há dúvida que esse
silêncio integra a decisão ilegal dada pelo colega. O silêncio da corte quando
um sistema paraestatal é montado e levado a plena operação, significa
exatamente que a ilegalidade contaminou irremediavelmente a atuação dos demais
ministros. Exemplo contrário disso foi o do Desembargador Favretto: ao tentar
lançar mão de um expediente ilegal, a Corte como um todo se insurgiu e impediu
que a ordem ilegal saísse com o timbre do TRF4. Os demais colegas preservaram a
integridade institucional da Corte. Se o STF não faz o mesmo e aceita que
ordens sejam emanadas em nome da Corte, a responsabilidade é sim colegiada e
recai sobre aqueles que preferem reclamar na imprensa (que não é função de um
juiz) e deixam de agir como juízes impedindo que um sistema paraestatal seja
colocado em operação.
O STF é hoje, sem a menor sombra de dúvida (por isso não
falo das pessoas, falo da corte mesmo, pois no caso da decisão da transferência
do Lula, em que houve supressão de instância, a Corte integrou a decisão com 10
votos favoráveis; pense-se também no caso do Inquérito de Censura à Crusoé: foi
claramente um ato institucional da própria Corte e não de ministros
isoladamente), uma entidade de poder suprema e de atuação paraestatal. Suas
decisões sequer são respaldadas em seus próprios precedentes (um indício de que
o seu histórico foi completamente abandonado), nem mesmo na Constituição: basta
ler as decisões que citei e procurar o dispositivo constitucional que serve de
base para a decisão – não há, simplesmente não há. São atos de puro
totalitarismo gestados a latere. Desta forma, Ana, o golpe já foi dado. Tudo o
que decorrer dele é mera consequência de um golpe, jamais será uma resposta em
ato isolado ou um golpe a parte ou contragolpe. Já estamos na marcha da
história para recobrar o sistema que já foi rompido por iniciativa clara e
desabrida do STF (e, repito, a responsável por isso é a corte sim e não os
ministros isoladamente) ou simplesmente aceitá-lo.