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quarta-feira, 8 de abril de 2020

MENSAGEM DO CARDEAL BURKE PARA A SEMANA MAIS SANTA DO ANO


7 de abril de 2020

Caros amigos,

Desde o início de meu ministério como bispo de uma diocese, parecia que todos os anos, à medida que as celebrações do Natal e da Páscoa se aproximavam, havia um evento profundamente triste na diocese ou uma crise difícil de enfrentar pelo bem da diocese. Assim, enquanto eu antecipava com alegria as celebrações dos grandes mistérios de nossa salvação, algo acontecia que, do ponto de vista humano, colocava uma nuvem negra sobre as celebrações e questionava a alegria que elas inspiravam. Certa vez, quando comentei com um irmão bispo sobre essa experiência terrivelmente angustiante, ele simplesmente respondeu: “É Satanás, tentando roubar sua alegria”.

Faz sentido que Satanás, a quem Nosso Senhor descreve como um “homicida desde o principio, […] mentiroso e o pai da mentira” (Jo 8, 44), queira esconder de nossos olhos as grandes realidades da Encarnação e da Redenção, queira distrair-nos dos ritos litúrgicos através dos quais não apenas celebramos essas verdades, mas também recebemos as graças imensuráveis ​​e incessantes que elas conquistaram para nós. Satanás quer nos convencer de que a perda de um ente querido e a morte, a tristeza e o medo que naturalmente as acompanham mostram que Cristo é falso, falsificam a sua Encarnação redentora e mostram nossa fé e a alegria que ela naturalmente inspira como mentirosas.

Quem é falso é Satanás. Ele é o mentiroso. Cristo, Deus Filho, de fato tornou-se homem, sofreu a mais cruel Paixão e Morte a fim de redimir nossa natureza humana, restaurar-nos a verdadeira vida, a vida divina que supera os piores sofrimentos e até a própria morte, e conduzir-nos com certeza e segurança para o nosso verdadeiro destino: a vida eterna com Ele.

São Paulo, diante de tantas provações profundamente desencorajadoras ao longo de seu ministério apostólico, culminando com seu martírio em Roma, escreveu aos cristãos de Colossos: “Agora me alegro nos sofrimentos suportados por vós. O que falta às tribulações de Cristo, completo na minha carne, por seu corpo que é a Igreja” (Col 1, 24). Para ele, como deveria ser também para nós, sofrer com Cristo pela Igreja, pelo amor de Deus e ao próximo, é a fonte inatacável e infalível de nossa alegria. É a mais alta expressão de nossa comunhão com Cristo, Deus Filho Encarnado, compartilhando com Ele o mistério do amor divino de Deus — Pai, Filho e Espírito Santo. A vida de Cristo, a graça do Espírito Santo derramada do Coração de Cristo para habitar em nossos corações, inspira e fortalece-nos a abraçar a perda de alguém e a morte com o seu amor que os conquista e os transforma em ganho eterno e vida sem fim. Nossa alegria, então, não é um prazer ou emoção superficial, mas o fruto do amor que é ‘forte como a morte’, que “as torrentes não poderiam extinguir […] nem os rios o poderiam submergir” (Ct 8, 6-7).

Nossa alegria não tira o aguilhão agudo da perda e da morte, mas, com confiança e coragem, as enfrenta como parte do combate ao longo da vida do amor que somos chamados a travar durante esta vida — afinal, pela graça de Deus, somos verdadeiros soldados de Cristo (2 Tm 2, 3) — na certeza da vitória da vida eterna. Assim, no fim de sua vida, São Paulo poderia escrever a seu filho espiritual e companheiro no pastoreio do rebanho, São Timóteo: “Quanto a mim, estou a ponto de ser imolado e o instante da minha libertação se aproxima. Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé. Resta-me agora receber a coroa da justiça, que o Senhor, justo Juiz, me dará naquele dia, e não somente a mim, mas a todos aqueles que aguardam com amor a sua aparição” (2 Tm 4, 6-8 ).

Amamos Nosso Senhor, amamos a Encarnação redentora pela qual Ele está vivo por nós na Igreja, e, portanto, estamos felizes por lutar o bom combate com Ele, em continuar a corrida, não importando as provações que enfrentamos, e em manter a fé quando o Pai da Mentira nos tenta a duvidar de Cristo e até a negá-Lo.

Talvez Satanás nunca tenha tido uma ferramenta melhor do que o coronavírus para roubar nossa alegria de celebrar os dias mais sagrados do ano, os dias em que Cristo ganhou para nós a vida eterna. Como ele gostaria de extirpar a santidade da única semana do ano que é conhecida simplesmente como Semana Santa! A atual crise sanitária internacional causada pelo coronavírus (COVID-19) continua sua trágica colheita de mortes, gerando profunda tristeza e medo no coração humano. Certamente, Satanás está usando o sofrimento que assolou tantos lares, bairros, cidades e nações a fim de nos fazer duvidar de Nosso Senhor e da Fé, da Esperança e da Caridade, que são seus grandes presentes para nós em nossa vida diária. O efeito da intenção assassina de Satanás e de suas mentiras aumenta quando estamos mais distantes do Senhor, quando consideramos sua vida dentro de nós como assegurada, quando até O abandonamos ao buscar prazeres, interesses ou sucessos mundanos.

Na própria Igreja, temos sido testemunhas da omissão em ensinar, sobretudo, a Cristo como Senhor. Quantos hoje sofrem profundamente de um medo inútil porque esqueceram ou até rejeitaram o Reinado do Coração de Jesus em seus corações e lares. Lembrem-se das palavras de Nosso Senhor a Jairo, que procurou a ajuda de sua filha moribunda: “Não temas; crê somente” (Mc 5, 36). Quantos hoje estão sem esperança, porque acham que a vitória sobre o mal do coronavírus (COVID-19) depende totalmente de nós, porque se esqueceram de que, embora devamos fazer tudo o que podemos humanamente para combater um grande mal, somente Deus pode abençoar nossos esforços e nos dar a vitória sobre as privações de todo tipo e a morte. É tão triste ler documentos — mesmo documentos da Igreja — que pretendem tratar das dificuldades mais importantes que enfrentamos e não encontrar neles nenhum reconhecimento do Senhorio de Cristo, da verdade que dependemos completamente de Deus para nosso ser, por tudo o que somos e tudo o que temos, e que, portanto, a oração e o culto divino constituem o nosso primeiro e mais importante meio de combater qualquer mal.

Alguns dias atrás, um jovem católico me disse, como se fosse uma evidência, que este ano ele não celebraria a Páscoa por causa do coronavírus. Se as alegrias da celebração da Páscoa fossem simplesmente uma questão de sentir-se bem, entenderia o sentimento dele. Mas a alegria da Páscoa está enraizada na verdade eterna, na vitória de Cristo sobre o que claramente se parecia com a Sua aniquilação, a vitória conquistada em sua natureza humana para obter a mesma vitória em nossa natureza humana, quaisquer que sejam as dificuldades que possamos estar sofrendo. Se crermos em Cristo, se confiarmos em suas promessas, devemos celebrar com alegria sua grande obra da Redenção. Celebrar os mistérios de Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo não é uma falta de respeito ao sofrimento de tantos hoje, mas reconhecer que Cristo está conosco para superar nossos sofrimentos com seu amor. Nossa celebração é um farol de esperança para aqueles cujas vidas são severamente provadas e os convida a depositar sua confiança em Nosso Senhor.

Sim, a Semana Santa deste ano é muito diferente para nós. O sofrimento associado ao coronavírus levou a uma situação em que muitos católicos, durante a Semana Santa, não terão acesso aos Sacramentos da Penitência e à Sagrada Eucaristia, que são os nossos extraordinários, mas também ordinários encontros com Cristo ressuscitado, de maneira que Ele possa nos renovar e fortalecer com sua vida. Mas continua sendo a Semana mais santa do ano, pois comemora os eventos pelos quais vivemos em Cristo, pelos quais a vida eterna nos pertence, mesmo diante de uma pandemia, de uma crise sanitária mundial. Peço-lhes, portanto, que não cedam à mentira de Satanás, que deseja nos convencer de que este ano não temos nada para comemorar durante a Semana Santa. Não, temos tudo para celebrar, pois Cristo nos precedeu em todos os sofrimentos e agora nos acompanha em nossos sofrimentos, para que permaneçamos fortes em seu amor, o amor que vence todo mal.

Hoje celebramos o Domingo de Ramos, quando Cristo entrou em Jerusalém, conhecendo plenamente a Paixão e Morte que O esperava. Jesus sabia quão efêmera era a sua acolhida, uma acolhida apropriada ao Rei do Céu e da Terra, mas superficial, porque aqueles que a estenderam tinham apenas uma compreensão mundana da salvação que Ele veio trazer para nós. Eles não estavam prontos para ser um com Cristo no estabelecimento de seu Reino eterno através dos eventos de sua Paixão e Morte. Após o Domingo de Ramos, cada dia da Semana Santa é justamente chamado de santo porque é um episódio da firmeza de Cristo ao abraçar a sua missão salvadora rumo ao seu ponto culminante.

Consigam um tempo para meditar sobre a acolhida verdadeiramente régia que ofereceram a Cristo em seu coração e em seu lar. Leiam novamente o relato da entrada d’Ele em Jerusalém e de como, depois de sua entrada triunfante, Ele chorou sobre Jerusalém com estas palavras: “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas aqueles que te são enviados! Quantas vezes eu quis reunir teus fi­lhos, como a galinha reúne seus pintinhos debaixo de suas asas… e tu não quiseste!” (Mt 23, 37).

Se vocês ou seus lares estiverem longe de Nosso Senhor, recordem-se de como Ele deseja estar perto de vocês, ser o hóspede constante de seu coração e de seu lar.

Permaneçam com Cristo durante toda a Semana Santa. De maneira particular, façam da Quinta-feira Santa um dia de profunda gratidão pelos sacramentos da Sagrada Eucaristia e pelo Santo Sacerdócio instituído por Nosso Senhor na Última Ceia. Façam da Sexta-feira Santa um dia de silencio, durante o qual sejam praticados atos penitenciais para entrar mais profundamente no mistério do sofrimento e da morte de Cristo. Na Sexta-feira Santa, encham-se de gratidão pelos sacramentos da penitência e pela unção dos enfermos. No Sábado Santo, façam vigília com Nosso Senhor, louvando-O e agradecendo-Lhe pelo dom de sua graça em nossas almas através da infusão do Espírito Santo a partir de seu glorioso Coração trespassado. Meditem especialmente como sua graça está dentro de suas almas pelos Sacramentos do Batismo, da Confirmação e da Sagrada Eucaristia. Durante todos esses dias, reflitam e agradeçam a Deus pelo dom do Sacramento do Santo Matrimônio e seus frutos, a família — a “Igreja doméstica” ou pequena igreja do lar —, o primeiro lugar em que aprendemos a conhecer a Deus, a oferecer-Lhe a oração e o culto e a disciplinar nossas vidas de acordo com sua Lei.

Se não puderem participar dos ritos litúrgicos nesses dias mais sagrados, o que é realmente uma grande privação, pois nada pode substituir o encontro com Cristo através dos sacramentos durante esses dias, esforcem-se em seus lares para participar na Liturgia Sagrada através do desejo de estar na companhia de Nosso Senhor, especialmente no mistério de sua obra salvadora. Nosso Senhor não espera de nós o impossível, mas que façamos o melhor que pudermos para estar com Ele durante esses dias de sua graça eficaz.

Existem muitas maravilhosas ajudas para nutrir esse santo desejo. Antes de tudo, há um rico tesouro de oração na Igreja. Por exemplo, a leitura das Escrituras Sagradas, os Salmos Penitenciais, especialmente o Salmo 51 [50] e o relato da Paixão de Nosso Senhor nos quatro Evangelhos, a devoção ao Sagrado Coração de Jesus, a meditação sobre os mistérios da nossa fé através da recitação do Santo Rosário, especialmente dos Mistérios dolorosos, as Ladainhas do Sagrado Coração de Jesus, da Santíssima Virgem (de Loreto), de São José e dos santos, a Via Sacra — que também pode ser feita em casa usando as imagens das catorze estações estampadas em um livro de orações ou sobre um objeto sagrado —, o Terço da Divina Misericórdia, visitas a santuários, grutas e outros lugares consagrados a Nosso Senhor e aos mistérios da Encarnação Redentora, e a devoção aos santos que foram poderosos para nos ajudar, especialmente São Roque, protetor contra as pestilências.

Em nossa época, temos o privilégio de ter acesso, através dos meios de comunicação, aos ritos sagrados e aos atos públicos de devoção, enquanto são celebrados em certas igrejas, especialmente nas igrejas de mosteiros e conventos nos quais toda a comunidade religiosa está participando. Observar um rito sagrado que é transmitido não é evidentemente o mesmo que participar diretamente dele, mas se é tudo o que nos é possível fazer, certamente é agradável a Nosso Senhor, que nunca deixará de nos encher com sua graça em resposta ao nosso humilde ato de devoção e amor.

Em qualquer caso, a Semana Santa não pode ser para nós como outra semana qualquer, mas deve ser marcada pelos sentimentos mais profundos de fé em Cristo, que é a nossa única salvação. Os sentimentos de fé durante os dias mais sagrados são igualmente sentimentos de profunda gratidão e amor. Se a gratidão e o amor não puderem ter sua expressão mais alta através da participação na Sagrada Liturgia, que eles a encontrem na devoção de seus corações e de seus lares. Comemorando com Cristo, com sua Mãe Santíssima e com todos os santos os eventos do Tríduo Sagrado, contemplamos o mistério de sua vida dentro de cada um de nós. Todo o tempo gasto em oração e devoção diárias, meditando sobre a Paixão de Nosso Senhor, nos ajudará a estar unidos da melhor forma possível a Ele durante esses dias mais sagrados. Quanto o sofrimento do tempo presente deve nos ensinar sobre o dom incomparável que é a Sagrada Liturgia e os Sacramentos!

Para encerrar, quero assegurar-lhes que suas intenções estão hoje em minhas orações e permanecerão nelas durante toda a Semana Santa, de modo especial durante o Tríduo Sagrado da Quinta-feira, Sexta-feira e Sábado Santos. Que todos nós possamos fazer companhia a Cristo com a mais profunda fé, esperança e caridade, ao celebrarmos os dias mais sagrados nos quais Ele sofreu, morreu e ressuscitou dentre os mortos para nos libertar do pecado e de todo mal e obter para nós a vida eterna. Que nossa observância da Semana Santa este ano seja nossa arma poderosa no contínuo combate ao coronavírus (COVID-19). Em Cristo, a vitória será nossa. “Não temas; crê somente” (Mc 5, 36).

Raymond Leo Cardeal BURKE
5 de abril de 2020, Domingo de Ramos
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(Tradução do inglês por Hélio Dias Viana).

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terça-feira, 7 de abril de 2020

PANGOLIM É ANIMAL-CHAVE NA TRANSMISSÃO DO CORONAVÍRUS

Mamífero em extinção é um dos animais estudados para entender como o novo vírus chegou aos humanos

Por AFP
07/02/20 
Pangolim, mamífero em extinção, atrai a atenção por ter o corpo coberto por escamas

Foto: ROSLAN RAHMAN/AFP

O pangolim, um pequeno mamífero conhecido por suas escamas e ameaçado de extinção, pode ser um animal-chave na transmissão ao homem do novo coronavírus, que já matou mais de 600 pessoas na China. Pesquisadores da Universidade de Agricultura do Sul da China identificaram o pangolim como um possível “hospedeiro intermediário” que facilitou a transmissão do vírus, informou a instituição em um comunicado, sem detalhes. 

Um animal que hospeda o vírus sem ficar doente e pode transmiti-lo para outras espécies é chamado de “reservatório”. No caso do novo coronavírus, o reservatório provavelmente é o morcego. De acordo com um estudo recente, os genomas desse vírus e os que circulam nesse animal são 96% idênticos. O vírus do morcego não é, porém, capaz de se fixar em humanos receptores e precisa passar por outra espécie – o hospedeiro intermediário – para infectar o ser humano.

https://www.otempo.com.br/interessa/pangolim-e-animal-chave-na-transmissao-do-coronavirus-1.2295208

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ITABUNA CENTENÁRIA REFLETINDO: A Covid-19 nos fez enxergar que...


A Covid- 19 nos fez enxergar que


... a China venceu a Terceira Guerra Mundial sem disparar um míssil e ninguém percebeu. 

... a pessoa se volta para Deus somente no momento de sua necessidade. 

... a prevenção salva mais vidas do que agir no último momento. 

... os profissionais de saúde valem muito mais que os jogadores de futebol.

... as crianças ocupam um lugar privilegiado na natureza. 

... o petróleo não vale nada em uma sociedade sem consumo. 

... a morte não distingue raça, cor ou status social. 

... o ser humano pode ser oportunista e desprezível.

... a mídia social nos aproxima, mas é também o meio de criar pânico. 

... agora sabemos como os animais se sentem nos jardins zoológicos.

... as crianças de hoje não sabem mais brincar sem internet ou TV. 

... alguns ganham milhões e não servem à humanidade. 

... muitos profissionais de saúde estão sozinhos, abandonados e esquecidos. No entanto, eles nunca desistem. 

... as crianças agora, estão sendo educadas pelos seus próprios pais. 

... começamos a apreciar o grande gesto de confiança que significa apertar as mãos.

... o planeta se regenera rapidamente sem humanos. 

... não estamos prontos para uma pandemia.

... os políticos sempre aproveitam qualquer oportunidade para puxar o tapete do rival. 

... precisamos investir mais em saúde, em vez de investir em bancos falidos. 

... os caminhoneiros valem mais que qualquer um esportista.

... hospitais são mais importantes do que estádios de futebol. 

... armas não combatem um vírus.

... é preciso investimento em pesquisas científicas.

... os pais agora sabem o valor de um professor. 

... o ser humano sentiu a necessidade de ajudar seu semelhante. 

... a família ‍‍‍ ficou mais próxima. ‍‍‍

... muitos começaram a dar valor aos seus idosos.


(Recebi via WhatsApp, sem menção de autoria)

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segunda-feira, 6 de abril de 2020

ORAÇÃO AO SANTÍSSIMO CRUCIFIXO (de Roma)



No séc. XVI, enquanto uma praga dizimava Roma, foi organizada uma peregrinação pelas ruas da cidade com um Crucifixo considerado milagroso. Enquanto a procissão ia avançando, a praga ia regredindo. Esta é a oração que se reza ao Santíssimo Crucifixo:


Ó Jesus, que pelo Vosso amor ardente por nós quisestes ser crucificado e derramar o Vosso Sangue para redimir e salvar as nossas almas, vede-me aqui prostrado aos Vossos pés confiado na Vossa misericórdia.

Pelas Vossas dores e pelos méritos da Vossa Santa Cruz e morte, dignai-Vos conceder-me a graça que ardentemente Vos peço... (dizer a graça que se pede - pedir, neste momento, pelo fim da epidemia e pela nossa saúde da alma e do corpo).

E Vós, minha Mãe, Virgem das Dores, escutai a minha oração, intercedei por mim junto do Vosso divino Filho e pedi-Lhe que me conceda os favores e as graças que Lhe peço. Amém.

Pai Nosso, Avé Maria, Glória ao Pai

Jaculatória: «Misericórdia, Santíssimo Crucifixo».





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REFLEXÕES PARA A MAGNA SEMANA — A SEMANA SANTA


Publicado em 6 de abril de 2020


“Mas ele [Jesus] foi castigado por nossos crimes e esmagado por nossas iniquidades; o castigo que nos salva pesou sobre Ele; fomos curados graças às suas chagas”.
(Isaías, 53, 5)
....

“Jesus foi desprezado e coberto de ignomínia quando estava na cruz. Seu rosto foi velado e maltratado a fim de que o poder divino se ocultasse sob o corpo humano”.

(São Jerônimo)
....

“Se a tua mente não se eleva à contemplação desse Homem-Deus crucificado, volta atrás e, começando desde o início até o fim, rumina todos os caminhos da Paixão e da Cruz do Homem-Deus vilipendiado. E se não podes retomar e falar de novo destas coisas com o coração, repete-as frequentemente e amorosamente com os lábios, porque aquilo que se repete com frequência com os lábios dá calor e fervor ao coração”.
(Santa Ângela de Foligno)



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domingo, 5 de abril de 2020

PALAVRA DA SALVAÇÃO (177)


Domingo de Ramos – 05/O4/2020

Anúncio do Evangelho (Mt 27,11-54)

Narrador 1: Paixão de nosso Senhor Jesus Cristo, segundo Mateus: Naquele tempo, Jesus foi posto diante de Pôncio Pilatos, e este o interrogou: “Tu és o rei dos judeus?” Jesus declarou:
— “É como dizes”.

Narrador 1: E nada respondeu, quando foi acusado pelos sumos sacerdotes e anciãos. Então Pilatos perguntou: “Não estás ouvindo de quanta coisa eles te acusam?” Mas Jesus não respondeu uma só palavra, e o governador ficou muito impressionado. Na festa da Páscoa, o governador costumava soltar o prisioneiro que a multidão quisesse. Naquela ocasião, tinham um prisioneiro famoso, chamado Barrabás. Então Pilatos perguntou à multidão reunida: “Quem vós quereis que eu solte: Barrabás, ou Jesus, a quem chamam de Cristo?”

Narrador 2: Pilatos bem sabia que eles haviam entregado Jesus por inveja. Enquanto Pilatos estava sentado no tribunal, sua mulher mandou dizer a ele: “Não te envolvas com esse justo, porque esta noite, em sonho, sofri muito por causa dele”. Porém, os sumos sacerdotes e os anciãos convenceram as multidões para que pedissem Barrabás e que fizessem Jesus morrer. O governador tornou a perguntar: “Qual dos dois quereis que eu solte?” Eles gritaram:
— “Barrabás”

Narrador 2: Pilatos perguntou: “Que farei com Jesus, que chamam de Cristo?” Todos gritaram:
— “Seja crucificado!”

Narrador 2: Pilatos falou: “Mas, que mal ele fez?” Eles, porém, gritaram com mais força:
— “Seja crucificado!”

Narrador 1: Pilatos viu que nada conseguia e que poderia haver uma revolta. Então mandou trazer água, lavou as mãos diante da multidão, e disse: “Eu não sou responsável pelo sangue deste homem. Este é um problema vosso!” O povo todo respondeu:
— “Que o sangue dele caia sobre nós e sobre os nossos filhos”.

Narrador 1: Então Pilatos soltou Barrabás, mandou flagelar Jesus, e entregou-o para ser crucificado. Em seguida, os soldados de Pilatos levaram Jesus ao palácio do governador, e reuniram toda a tropa em volta dele. Tiraram sua roupa e o vestiram com um manto vermelho; depois teceram uma coroa de espinhos, puseram a coroa em sua cabeça, e uma vara em sua mão direita. Então se ajoelharam diante de Jesus e zombaram, dizendo:
— “Salve, rei dos judeus!”

Narrador 2: Cuspiram nele e, pegando uma vara, bateram na sua cabeça. Depois de zombar dele, tiraram-lhe o manto vermelho e, de novo, o vestiram com suas próprias roupas. Daí o levaram para crucificar. Quando saíam, encontraram um homem chamado Simão, da cidade de Cirene, e o obrigaram a carregar a cruz de Jesus. E chegaram a um lugar chamado Gólgota, que quer dizer “lugar da caveira”. Ali deram vinho misturado com fel para Jesus beber. Ele provou, mas não quis beber. Depois de o crucificarem, fizeram um sorteio, repartindo entre si as suas vestes. E ficaram ali sentados, montando guarda. Acima da cabeça de Jesus puseram o motivo da sua condenação:
— “Este é Jesus, o Rei dos Judeus”.

Narrador 1: Com ele também crucificaram dois ladrões, um à direita e outro à esquerda de Jesus. As pessoas que passavam por ali o insultavam, balançando a cabeça e dizendo: ”Tu, que ias destruir o Templo e construí-lo de novo em três dias, salva-te a ti mesmo! Se és o Filho de Deus, desce da cruz!” Do mesmo modo, os sumos sacerdotes, junto com os mestres da Lei e os anciãos, também zombavam de Jesus: ”A outros salvou... a si mesmo não pode salvar! É Rei de Israel... Desça agora da cruz! E acreditaremos nele. Confiou em Deus; que o livre agora, se é que Deus o ama! Já que ele disse: Eu sou o Filho de Deus”.

Narrador 2: Do mesmo modo, também os dois ladrões que foram crucificados com Jesus, o insultavam. Desde o meio-dia até as três horas da tarde, houve escuridão sobre toda a terra. Pelas três horas da tarde, Jesus deu um forte grito:
— “Eli, Eli, lamá sabactâni?”

Narrador 2: Que quer dizer:
— “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?”

Narrador 2: Alguns dos que ali estavam, ouvindo-o, disseram:
— “Ele está chamando Elias!”

Narrador 2: E logo um deles, correndo, pegou uma esponja, ensopou-a em vinagre, colocou-a na ponta de uma vara, e lhe deu para beber. Outros, porém, disseram:
— “Deixa, vamos ver se Elias vem salvá-lo!”

Narrador 2: Então Jesus deu outra vez um forte grito e entregou o espírito. (Todos se ajoelham.). E eis que a cortina do santuário rasgou-se de alto a baixo, em duas partes, a terra tremeu e as pedras se partiram. Os túmulos se abriram e muito corpos dos santos falecidos ressuscitaram! Saindo dos túmulos, depois da ressurreição de Jesus, apareceram na Cidade Santa e foram vistos por muitas pessoas. O oficial e os soldados que estavam com ele guardando Jesus, ao notarem o terremoto e tudo que havia acontecido, ficaram com muito medo e disseram:
— “Ele era mesmo Filho de Deus!”

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

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Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Padre Roger Araújo:

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Este é o profeta Jesus, de Nazaré da Galileia” (Mt 21,11)

A vida de Jesus é uma grande subida a Jerusalém; e nesta subida, segundo os relatos evangélicos, Ele desconcertou a todos. Evidentemente, desconcertou as pessoas mais religiosas e observantes da religião judaica: fariseus, escribas, sacerdotes, anciãos... Não só Jesus foi a pessoa mais desconcertante de toda a história, mas nele aconteceu algo também desconcertante. Ele desencadeou na história da humanidade um “modo de viver” que quebrou toda estrutura petrificada, sobretudo religiosa, constituindo um “movimento” ousado, que colocava o ser humano no centro.

Um movimento alternativo às instituições romanas e à organização sacerdotal do judaísmo; um movimento “marginal” que dava prioridade aos pobres, aos deslocados, aos doentes e excluídos, aos perdedores... e que não tinha nada a ver com uma organização fundada no poder, no prestígio, na riqueza...

Este movimento, desencadeado na Galileia, chega agora às portas da “cidade santa”, Jerusalém.

Aquele homem que movia multidões por todo o país, por sua pregação e milagres, não é um revolucionário violento. E, no entanto, nem por isso deixa de ser inquietante, transgressor e perigoso.

Jesus foi assim e assim Ele viveu; todo o resto lhe sobrava (leis, culto, templo, estrutura religiosa...). 

Em nome de um Deus que a todos acolhe e chama, que é Pai-Mãe de todos, Jesus transgrediu a estrutura que sustentava uma sociedade fechada, fundada na lei do mais forte e na violência de quem detém o poder.

Jesus foi um transgressor porque rompeu as fronteiras que foram traçadas pelos poderosos, abrindo um caminho de humanidade a partir de baixo, do lado dos excluídos...
Ele não veio para sancionar uma ordem existente, deixando cada um com sua exclusão, senão para oferecer a todos um caminho de humanidade.

Um transgressor consequente, a serviço da vida e dos últimos.

Como transgressor subiu a Jerusalém; e por isso sua morte será tramada por aqueles que se sentiam ameaçados e sua vida acabará destroçada pelas mãos dos profissionais da morte.

Em Jesus acontece algo totalmente novo; Ele desencadeou um “movimento de vida”; Ele trouxe uma nova maneira de viver e de comunicar vida que não cabia nos esquemas daqueles que estavam petrificados em suas posições e visões.

A novidade de Jesus consistia, justamente, em afirmar que existe um caminho para encontrar a Deus que não passa pelo Templo, pela pompa dos ritos e pela observância estrita das leis. Desse modo, reconhece-se a vida como lugar privilegiado da Sua Presença.

Quem entra em comunhão de vida com Ele, conhece uma vida diferente, de qualidade nova, expansiva...

Isso implica: acolher outras vidas na nossa própria vida, abrir espaços para que as histórias dos excluídos e diferentes encontrem morada nas nossas entranhas, na nossa memória e no nosso coração; descer de nossa montaria, como bons samaritanos, para nos aproximar e cuidar das vidas feridas... 

A entrada de Jesus em Jerusalém é um chamado à vida. Ele é a Vida que abre caminho por aqueles espaços urbanos, carregados de poder e morte. Vida despojada de vaidade e prestígio, conduzida por um jumentinho.

Jesus se apresenta sem coroa e sem ornamentos; não tem outra coisa a compartilhar a não ser o amor e o serviço; não vem para governar e impor sua vontade, mas fazer-se irmão de todos. Jesus não busca grandes aclamações, nem aplausos, mas tão somente busca o sentido e a razão de viver.

“Quando Jesus entrou em Jerusalém, a cidade inteira ficou agitada” (v.10).

“Agitar”: este verbo não traduz bem a realidade: na verdade, a cidade ficou abalada, como se fosse um tremor de terra. Quando Jesus entrou, como Rei messiânico em Jerusalém, a cidade tremeu, como aconteceu com o anúncio do seu nascimento (Mt 2,3) e como será na hora da sua morte (Mt 27,51).

Jesus, com sua presença surpreendente, sacudiu a cidade de sua “normalidade doentia”, de sua letargia, de seu ritualismo comandado por aqueles que eram os poderosos traficantes da dor e da morte.

Jesus é a Vida verdadeira, a Vida que deseja despertar vida nos outros, para romper com tudo aquilo que a limita. Por isso, o relato deste Domingo de Ramos quer expressar o encontro de uma cidade com Aquele que é Vida e que é fonte de vida em crescente amplitude. Jesus, o “biófilo”, também sonhava com uma Jerusalém acolhedora, espaço da convivência e da paz.

Quando Jesus quer entrar no coração humano, não busca fazer espetáculos. Busca a simplicidade.

O povo lançava ao solo seus mantos. O que deveríamos pôr como tapete para que Jesus venha até nós caminhando sobre ele? Em vez de mantos, talvez pudéssemos cobrir o solo com tudo aquilo que nos sobra

e outros necessitam; também deveríamos forrar o chão com nossas debilidades, com nossas resistências, com nossas carências... Porque também nossas pobrezas podem cobrir de festa o caminho. O caminho de Jesus que vem a nós é também caminho de libertação e cura. 

A liturgia deste dia também nos recorda que o “espaço urbano” é, certamente, área de missão da Igreja e dos cristãos. Sua principal preocupação deve ser a defesa integral da vida e de seu sentido último, o mundo dos valores éticos que iluminam o homem e a mulher na sua ação no mundo.

Como seguidores(as) de Jesus, é preciso voltar a pôr o coração de Deus no coração da grande cidade, para renová-la a partir de dentro.

Faz-se necessário uma opção por adentrar e viver imersos, com todas as consequências, no interior dos grandes centros urbanos, em seu coração, para aí descobrir o verdadeiro coração de Deus que pulsa ao ritmo dos despossuídos, dos excluídos, dos sofredores  e dos sedentos por uma vida mais digna.

No meio das cidades encontramos homens e mulheres “especiais” que carregam alegremente, e muitas vezes com um profundo sentido crítico e político, a dor da humanidade, e se convertem assim em fator essencial de esperança para um futuro humanizador; são pessoas que prestam sua vida, sua acolhida e seus cuidados aos doentes, aos moradores de rua, aos deficientes, aos anciãos e solitários...

Neste tempo de pandemia do “coronavírus”, devemos expressar nossa especial gratidão aos “profissionais da saúde” que arriscam suas vidas para que outros possam fazer a “travessia” sem piores consequências.

Somos convidados a viver a mística dos profetas nas grandes cidades. O místico não se cansa de ser sinal de esperança e testemunha do Deus da Vida no meio das contradições da cidade. Na cidade somos chamados a abrir nossas casas e estarmos sempre prontos para receber os desafios que vem da rua.

A ação profética é sempre a busca permanente do outro, além das paredes da própria casa.
  
Texto bíblico: Mt 21,1-11
Na oração: preparar-se para fazer o “caminho da fidelidade” de Jesus, vivendo intensamente os mistérios da Semana Santa, através das celebrações, do silêncio solidário e do compromisso com aqueles que, na Jerusalém de hoje,  prolongam a Paixão de Jesus.

Pe. Adroaldo Palaoro sj

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NÃO PODEMOS VIVER E ANDAR CAMBALEANDO


A pandemia chegou e as escolas fecharam.

Todos os Enzos e Valentinas estão em casa, assim como seus pais (na maioria das casas, só a mãe).

Tem mãe cobrando da escola que tenha, de uma hora para outra, estrutura para dar videoaula para crianças de 6 anos. Porque Enzo não pode parar o processo de alfabetização.

Tem pai reclamando da mensalidade e já montou grade e contratou dois professores porque Valentina não pode perder o ano, vai fazer provas de “vestibulinho” no final do ano e tem que aprender física quântica só para garantir.

Tem professora em casa surtando, porque de uma hora para outra precisa mudar totalmente a metodologia e dar conteúdo digital sem a interação social. Ela precisa de acesso à internet, computador, silêncio e muitas, muitas vezes ela está dando conta dos seus próprios Enzos e Valentinas que ficavam na escola em horário integral e agora precisam comer, correm e sujam a casa.

Tem família chorando porque não está dando conta da demanda mental de fazer deveres por 4h todo dia porque tem que fazer comida, limpar, lavar e cuidar da avó, ir ao mercado com medo e pensar que não vai ter dinheiro porque a lojinha está fechada.

Tem professor universitário que dá aula para alunos que ele SABE que estão trabalhando e não vão ter condição de acompanhar aula on-line, que não tem computador, impressora, internet e ele precisa dar aula ainda assim, sabendo que vai ter que aprovar esse aluno por justiça sem ter absorvido qualquer conteúdo.

Tem mulher sofrendo tentando ser empregada, baba, cozinheira e animadora de casa de festa sem estrutura e ainda tem que manter as crianças quietas porque o pai está trabalhando em casa e precisa de silêncio e de manter o trabalho que bota comida em casa.

Tem casa com um único computador, com pai e mãe trabalhando de casa e dois adolescentes precisando fazer aula on-line no mesmo horário.

Muito mais que falar em homeschooling, é preciso falar sobre escolarização precoce, cobranças excessivas e demandas curriculares desnecessárias.

Tem professor ficando sem salário.
Tem mãe ficando sem saúde mental.
Tem adolescente com medo.
Tem criança tendo crise de ansiedade.

Gente...
Sabem o que vai acontecer quando acabar a pandemia?
Uma sociedade esgotada e ainda mais adoecida mentalmente.

COBREM MENOS.
De todos: de você, da escola, do seu filho.
Abracem mais, riam mais, assistam filmes.
Já tá difícil demais passar por isso, sem toda essa carga extra.
Cuidem-se, lave, as mãos e não saiam de casa.


(Recebi via WhatsApp, sem menção de autoria)
  
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