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domingo, 5 de abril de 2020

NÃO PODEMOS VIVER E ANDAR CAMBALEANDO


A pandemia chegou e as escolas fecharam.

Todos os Enzos e Valentinas estão em casa, assim como seus pais (na maioria das casas, só a mãe).

Tem mãe cobrando da escola que tenha, de uma hora para outra, estrutura para dar videoaula para crianças de 6 anos. Porque Enzo não pode parar o processo de alfabetização.

Tem pai reclamando da mensalidade e já montou grade e contratou dois professores porque Valentina não pode perder o ano, vai fazer provas de “vestibulinho” no final do ano e tem que aprender física quântica só para garantir.

Tem professora em casa surtando, porque de uma hora para outra precisa mudar totalmente a metodologia e dar conteúdo digital sem a interação social. Ela precisa de acesso à internet, computador, silêncio e muitas, muitas vezes ela está dando conta dos seus próprios Enzos e Valentinas que ficavam na escola em horário integral e agora precisam comer, correm e sujam a casa.

Tem família chorando porque não está dando conta da demanda mental de fazer deveres por 4h todo dia porque tem que fazer comida, limpar, lavar e cuidar da avó, ir ao mercado com medo e pensar que não vai ter dinheiro porque a lojinha está fechada.

Tem professor universitário que dá aula para alunos que ele SABE que estão trabalhando e não vão ter condição de acompanhar aula on-line, que não tem computador, impressora, internet e ele precisa dar aula ainda assim, sabendo que vai ter que aprovar esse aluno por justiça sem ter absorvido qualquer conteúdo.

Tem mulher sofrendo tentando ser empregada, baba, cozinheira e animadora de casa de festa sem estrutura e ainda tem que manter as crianças quietas porque o pai está trabalhando em casa e precisa de silêncio e de manter o trabalho que bota comida em casa.

Tem casa com um único computador, com pai e mãe trabalhando de casa e dois adolescentes precisando fazer aula on-line no mesmo horário.

Muito mais que falar em homeschooling, é preciso falar sobre escolarização precoce, cobranças excessivas e demandas curriculares desnecessárias.

Tem professor ficando sem salário.
Tem mãe ficando sem saúde mental.
Tem adolescente com medo.
Tem criança tendo crise de ansiedade.

Gente...
Sabem o que vai acontecer quando acabar a pandemia?
Uma sociedade esgotada e ainda mais adoecida mentalmente.

COBREM MENOS.
De todos: de você, da escola, do seu filho.
Abracem mais, riam mais, assistam filmes.
Já tá difícil demais passar por isso, sem toda essa carga extra.
Cuidem-se, lave, as mãos e não saiam de casa.


(Recebi via WhatsApp, sem menção de autoria)
  
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sábado, 4 de abril de 2020

INFORMAÇÃO VINDA DE UMA ENFERMEIRA QUE ESTÁ A TRABALHAR DIRECTAMENTE COM PACIENTES INFECTADOS PELO VÍRUS.



Tenho visto muitas recomendações sobre medidas a tomar para a prevenção do vírus. Lavar bem as mãos, práticas de higiene pessoal e distância social. Mas não tenho visto recomendações sobre o que fazer se por acaso for infectado pelo vírus. 
Como enfermeira, deixo algumas sugestões


1.coisas que realmente precisa de comprar:

- Kleenex

- paracetamol

- qualquer xarope de tosse disponível nas farmácias (prestar atenção no rótulo para não duplicar no paracetamol)

- limão e mel funciona da mesma maneira;

-vicks vaporub para o peito também é uma boa opção.


- se tiver um umidificador, use no seu quarto quando for dormir, se não tiver pode ligar o chuveiro na água quente e ficar na casa de banho fechado inalando o vapor da água

2- se tem um historial do asma, assegure-se que a sua bomba de asma não está fora do prazo, ou compre uma nova;

3- tenha muita sopa congelada no frigorífico.

4- faça um stock dos seus líquidos favoritos para poder variar, mas água é chá são preferíveis.


O QUE FAZER QUANDO COMEÇAR A TER OS SINTOMAS


1- se tiver febre acima dos 38°C, é melhor tomar paracetamol em relação ao ibuprofeno; paracetamol 1000 - 1 comprimido de 8/8 h.

2- HIDRATE, porque o vírus acomoda-se mais rápido em garganta seca;

3- descanse muito! Não deve sair de casa mesmo se começar a se sentir melhor, porque estará infectado durante 14 dias.
Não contacte com pessoas idosas ou com problemas de saúde.

4- peça a amigos e familiares que deixem o necessário do lado de fora da sua porta para evitar contacto.

Se a febre aumentar acima dos 39°C e não a conseguir controlar ou tiver dificuldade respiratória, contactar a Saúde.

Fiquem calmos, e preparem-se de maneira racional que tudo ficará bem.


OBS: Não seja egoísta, partilhe com os outros e seja solidário para salvar vidas


(Recebi via WhatsApp)


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sexta-feira, 3 de abril de 2020

O REGIME CHINÊS E SUA CULPABILIDADE MORAL PELO CONTÁGIO GLOBAL — COVID-19

3 de abril de 2020

Declaração do Cardeal 
Charles Bo — Arcebispo de Yangon Myanmar

Cardeal Charles Bo

Na sexta-feira passada, o Papa Francisco estava diante de uma Praça de São Pedro vazia, falando com milhões de pessoas em todo o mundo, assistindo através de transmissões e online. A praça estava vazia, mas em toda parte os corações estão cheios não apenas de medo e de tristeza, mas também de amor. Em sua bela homilia Urbi et Orbi, ele nos lembrou que a pandemia de coronavírus uniu nossa humanidade comum. “Percebemos que estamos no mesmo barco, todos frágeis e desorientados, mas importantes e necessários ao mesmo tempo, todos fomos chamados a remar”, disse ele.

Nenhum canto do mundo está intocado por essa pandemia, nenhuma vida não afetada. Segundo a Organização Mundial da Saúde, quase um milhão de pessoas foram infectadas até agora e mais de 40.000 morreram. Quando isso acabar, estima-se que o número global de mortes será de milhões.

Vozes internacionais estão se levantando contra a atitude negligente demonstrada pela China, especialmente por seu despótico Partido Comunista Chinês (PCCH) liderado por seu homem forte Xi. O London Telegraph (29 de março de 2020) disse que o Ministro da Saúde local acusou a China de esconder a verdadeira escala de coronavírus. Com choque, relatou a reabertura dos mercados “úmidos”, que foram identificados como a causa da propagação do vírus. James Kraska, um estimado professor de direito, escrevendo na última edição da War on Rocks (23 de março de 2020), diz que a China é legalmente responsável pelo COVID-19 e que poderiam ser feitas reivindicações em trilhões.

Um modelo epidemiológico da Universidade de Southampton descobriu que se a China tivesse agido mais rapidamente e de maneira responsável apenas uma, duas, ou três semanas, o número de afetados pelo vírus teria sido reduzido em 66%, 86% e 95%, respectivamente. Seu fracasso desencadeou um contágio global matando milhares.

Em meu país, Myanmar [mapa], somos extremamente vulneráveis. Na fronteira com a China, onde o COVID-19 começou, somos uma nação pobre, sem os recursos de saúde e assistência social dos países mais desenvolvidos. Centenas de milhares de pessoas em Mianmar são deslocadas por conflitos, vivendo em campos no país ou em nossas fronteiras, sem saneamento, medicamentos ou cuidados adequados. Nesses campos superlotados, é impossível aplicar as medidas de “distanciamento social”que estão sendo implementadas por muitos países. Os sistemas de saúde nos países mais avançados do mundo estão sobrecarregados, então imaginem os perigos em um país pobre e cheio de conflitos como Mianmar.

Ao examinarmos o dano causado à vida em todo o mundo, devemos perguntar quem é o responsável? É claro que críticas podem ser feitas às autoridades em todos os lugares. Muitos governos são acusados ​​de não se terem preparado quando viram o coronavírus surgir em Wuhan.

Mas há um governo que tem responsabilidade primária, como resultado do que fez e do que deixou de fazer, e esse é o regime do Partido Comunista Chinês (PCCH) em Pequim. Deixem-me esclarecer: o responsável foi o PCCH — não o povo da China —, e ninguém deve responder a esta crise com ódio racial contra os chineses. De fato, o povo chinês foi a primeira vítima desse vírus e vem sendo há muito tempo a principal vítima de seu regime repressivo. Ele merece nossa simpatia, nossa solidariedade e nosso apoio. Os responsáveis são a repressão, as mentiras e a corrupção do PCCH.

Quando o vírus surgiu, as autoridades da China suprimiram a notícia. Em vez de proteger o público e apoiar os médicos, o PCCH silenciou os denunciantes. Pior do que isso, médicos que tentaram acionar o alarme —como o Dr. Li Wenliang [foto] no Hospital Central de Wuhan, que emitiu um aviso aos colegas médicos em 30 de dezembro — receberam ordens da polícia para “parar de fazer comentários falsos”. Li, um oftalmologista de 34 anos, foi informado de que seria investigado por “espalhar boatos” e foi forçado pela polícia a assinar uma confissão. Mais tarde, ele morreu após contrair coronavírus.

Jornalistas jovens cidadãos que tentaram denunciar o vírus desapareceram. Li Zehua, Chen Qiushi e Fang Bin estão entre os que se acredita terem sido presos simplesmente por dizerem a verdade. O jurista Xu Zhiyong também foi detido após publicar uma carta aberta criticando a resposta do regime chinês. 

Uma vez que a verdade se tornou conhecida, o PCCH rejeitou ofertas iniciais de ajuda. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA foi ignorado por Pequim por mais de um mês, e até a Organização Mundial da Saúde, embora colabore estreitamente com o regime chinês, foi inicialmente marginalizada.

Além disso, há uma profunda preocupação de que as estatísticas oficiais do regime chinês estejam subestimando significativamente a escala de infecção na China. Ao mesmo tempo, o PCCH acusou o exército dos Estados Unidos de causar a pandemia. Mentiras e propaganda colocaram em perigo milhões de vidas em todo o mundo.

A conduta do PCCH é sintomática de sua natureza cada vez mais repressiva. Nos últimos anos, vimos uma intensa repressão à liberdade de expressão na China. Advogados, blogueiros, dissidentes e ativistas da sociedade civil foram presos e desapareceram. Em particular, o regime lançou uma campanha contra a religião, resultando na destruição de milhares de igrejas e cruzes e no encarceramento de pelo menos um milhão de muçulmanos uigures em campos de concentração. Um tribunal independente em Londres, presidido por Sir Geoffrey Nice, QC, que processou Slobodan Milosevic, acusa o PCCH de extração forçada de órgãos de prisioneiros de consciência. E Hong Kong — que já foi uma das cidades mais abertas da Ásia — viu suas liberdades, direitos humanos e estado de direito sofrerem uma enorme deterioração.

Através de seu tratamento desumano e irresponsável do coronavírus, o PCCH provou o que muitos pensavam anteriormente: que é uma ameaça ao mundo. A China como país é uma grande e antiga civilização que contribuiu muito para o mundo ao longo da História, mas esse regime é responsável, por negligência e repressão criminais, pela pandemia que hoje varre as nossas ruas.

O regime chinês liderado pelo todo poderoso Xi e pelo Partido Comunista Chinês (PCCH) — não pelo seu povo — nos deve um pedido de desculpas e uma compensação pela destruição que causou. No mínimo, deve amortizar as dívidas de outros países para cobrir os custos do Covid-19. Pelo bem de nossa humanidade comum, não devemos ter medo de responsabilizar esse regime. Os cristãos acreditam nas palavras do Apóstolo Paulo, de que “a verdade vos libertará”. Verdade e liberdade são os pilares gêmeos sobre os quais todas as nossas nações devem construir fundamentos mais seguros e fortes.


Brasão do Cardeal 
Charles Bo, 
Arcebispo de 
Yangon Myanmar

Tradução: Hélio Dias Viana

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quinta-feira, 2 de abril de 2020

VAI DAR TEMPO - Joaquim Falcão


Sempre que o Presidente Trump aparece na televisão, está acompanhado de médicos e cientistas. Ele fala e depois cede para eles o microfone. O Primeiro Ministro Boris Johnson decide com ajuda dos cientistas do Imperial College. Quando informado, muda, inclusive, sua política. Cede aos cientistas. Antes contra, agora a favor da quarentena.

O governador João Doria está sempre acompanhado de grandes médicos e cientistas. Angela Merkel decide consultando cientistas alemães. Aqui mesmo, no início, o Presidente Bolsonaro aparecia acompanhado do entusiasmado e confiante ministro Mandetta. Agora nem tanto.

O que significa este visível ritual, união entre poder político e conhecimento científico?

A autoridade constitucional máxima da nação, seja Primeiro Ministro ou Presidente, qualquer uma, diz aos telespectadores mais ou menos o seguinte: “Eu sou a autoridade política e legal máxima de meu país. A última palavra é minha.  Mas estou baseando esta autoridade máxima na ciência”.

A aplicação da constituição não é apenas pacto ou arena de interesses sociais competitivos. Que ganham ou perdem a cada interpretação do Supremo. Ou nova lei do Congresso.

Como dizia o prof. Portella Nunes, da Academia Nacional de Medicina: ao interpretar a vida temos que partir sempre de uma verdade básica.

Os cientistas são como legisladores também. A ciência inspira a aplicação da constituição.

O problema é que a ciência não tem um só rumo certo e eficiente. Nem hoje sabe com exatidão para onde nos mandar. Nos salvar.

Não existe ainda o tratamento, os remédios, a vacina redentora. Que faria da verdade básica a verdade completa. Ainda que efêmera. O que fazer então? Seguir quem e para onde?

Existe claro vácuo. Que não pode ser apropriado pela anticiência, pelas trevas da ignorância. Solta no ar do voluntarismo autoritário.

Disse o Prêmio Nobel Jacques Monod:  o acaso da evolução do mundo cria as necessidades. Como enfrentar novo acaso?

Primeiro. Se precisamos de isolamento social, precisamos também de união científica. É o que corre nível mundial. Cientistas, professores e alunos juntos.

No Brasil o Sírio-Libanês, LACC, Einstein, Hcor e dezenas de universidades, laboratórios privados têm se unido para trocar informações, bancos de dados, novos softwares e algoritmos. Uns com os outros. Fundação Oswaldo Cruz no Rio sempre à frente.

Imaginar e experimentar todas as hipóteses possíveis. Mesmo nesta época onde a ciência avança tanto como arte combinatória, quanto pelas hipóteses dedutíveis. Descobrir é experimentar.

Estranho, porém, é que nos trilhões de dólares que os governos estão distribuindo esta prioridade não esteja explícita: reforçar as instituições públicas e privadas, seus projetos e seu pessoal.

Sem eles teremos vida precária. Nem mesmo vida econômica, alerta o Presidente Sarney: sem comprador e vendedor. Fim.

Nosso ministro de Ciência e Tecnologia, o astronauta Marcos Pontes precisa defender seu setor.  Com a coragem que tem, tanto na terra como nos céus.

Segundo. A vacina é igualitária. Não é discriminatória, como a economia, a política, o direito e a educação. Cura um, cura todos. Não distribui privilégios. O acesso é que não pode ser desigual.

Terceiro. A verdade básica produzida pela ciência a inspirar a constituição não é verdade absoluta e final. Estática. É o último conhecimento disponível que mais nos aproxima da verdade. No caso, da cura. Da vacina.

Diz, faz décadas, o professor Cláudio Souto, jurista do Recife. Toda constituição deveria estabelecer que a interpretação judicial e a criação legislativa deveriam estar de acordo, partir do conhecimento científico disponível.

Esta conjugação desideologizante da política, da administração pública e do direito e sobretudo da constituição, já tem inspirado decisões judiciais igualitárias.

Sobre gênero, raça, aborto, transplante de medula, pena de morte e tanto mais.

Com ajuda da matemática e da estatística, o último conhecimento científico global testado é: o isolamento social contribui sim para o combate ao vírus.

Confiar na ciência, no exercício do poder político, jurídico e econômico.

Vai dar tempo.

O Globo, 29/03/2020


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Joaquim Falcão - Sexto ocupante da Cadeira nº 3 da ABL, eleito em 19 de abril de 2018, na sucessão de Carlos Heitor Cony e recebido em 23 de novembro de 2018 pela Acadêmica Rosiska Darcy de Oliveira.

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EPIDEMIAS E PANDEMIAS, ONTEM E HOJE – Carlos Sodré Lanna


31 de março de 2020

Carlos Sodré Lanna

As palavras que distinguem as várias amplitudes das epidemias são oriundas do grego. Endemia é uma doença contagiosa que atinge grande número de pessoas de uma região. Epidemia tem caráter transitório e atinge uma ou mais localidades. Pandemia é uma epidemia que se propaga em uma área geográfica internacional, afetando parte da população mundial.

Da Antiguidade até os nossos dias, as epidemias e pandemias foram quase tão comuns como as guerras e os conflitos políticos. Os registros mais antigos remontam ao século V a.C., por ocasião da guerra do Peloponeso. São pouco conhecidas várias epidemias, sobretudo de populações colonizadas pelos europeus nas regiões da América e da África.

A Organização Mundial de Saúde (OMS), de franca orientação esquerdista, é o único órgão credenciado a declarar a existência de uma pandemia. Depois de alguma relutância, esse rótulo já foi aplicado à pandemia do novo Coronavírus, que recebeu o nome de Covid-19.

Essa pandemia vem sobressaltando o mundo inteiro, a ponto de transformar as perspectivas para a vida normal em um “antes e depois”. Muito se tem dito e escrito sobre ela, sobretudo na grande mídia, gerando um sensacionalismo com eco em inúmeros governos. Tudo isso parece obedecer a uma palavra de ordem, e não se pode fugir à impressão de que em algum posto de comando prevalece o desejo de prolongar o seu ciclo.

Para quê? Talvez a fim de testar o grau de preparação da humanidade para aceitar uma nova ordem social. Os primeiros indícios dessa intenção apontam para uma sociedade futura centralizadora, submissa à vigilância onipresente e aos comandos de informática. E já se pode prever também que ela seria diametralmente oposta à civilização cristã. É bom lembrar, a propósito, que a história da humanidade esteve sempre pontuada por doenças infecciosas que espalharam seus tentáculos pelo mundo, e muitas delas alteraram o curso dos acontecimentos.

Indicaremos a seguir algumas outras pandemias, que deixaram impressão duradoura.

1. Praga de Justiniano (541-544)

Um dos sintomas da Praga de Justiniano era a necrose das mãos

Seu nome é uma alusão ao imperador Justiniano I do Império Bizantino, também conhecido como Império Romano do Oriente. Considerada a primeira pandemia da História, ela teve sua origem na Etiópia, de onde se espalhou por todo o império, causando uma das maiores mortandades epidêmicas. Segundo estimativas, 60 milhões de pessoas morreram nesse período. A esse surto de 541 seguiram-se vários outros nos dois séculos seguintes. Assim como a peste bubônica, a de Justiniano também foi causada pela bactéria Yersinia pestis, disseminada por roedores cujas pulgas estavam infectadas com a bactéria. Esses ratos viajavam em navios comerciais ao redor do mundo e faziam circular a infecção, que era transmitida aos seres humanos pela picada de pulgas infectadas. Geneticistas indicam que tal bactéria tem sua origem na China.

2. Peste bubônica (1343-1353)

Conhecida como Peste negra, e também causada pela Yersinia pestis proveniente da Ásia, foi uma doença terrivelmente mortal, que se espalhou por toda a Europa entre os anos 1333-1351, através de ratos infestados de pulgas. Quando chegou à Europa, a peste negra causou grande mortandade, dizimando em poucos meses a metade da população de Florença, na Itália. As infecções se espalhavam pelo sangue e por meio de partículas transportadas pelo ar. Cerca de 80% dos pacientes morriam seis a dez dias após serem infectados. A taxa de mortalidade foi superior a 70%, ceifando a vida de mais de 50 milhões de pessoas em toda a Europa.

Soldados de Fort Riley, Kansas, doentes de gripe espanhola, sendo tratados em uma enfermaria de Camp Funston.

3. Influenza ou gripe espanhola (1918-1920)


“Gazeta de Notícias”, jornal carioca, em 15-10-1918
 A “gripe espanhola”, também chamada pandemia de gripe de 1918, foi uma das mais letais do século XX. Mais de 500 milhões de pessoas em todo o mundo foram afetadas pelas três ondas dessa epidemia. O número de mortos é estimado em 50 milhões, em dois anos de expansão do influenzavirus (H1N1), sendo a segunda ocorrida em 2009.

Essa pandemia recebeu o nome de “gripe espanhola”, mas, apesar de atingir fortemente a Espanha — acometendo até mesmo o rei Afonso XIII —, alguns epidemiológicos afirmam que ela surgiu num hospital de campanha no norte da França; outros estudiosos, como o historiador Alfred W. Crosby, garantem que teve origem em Kansas (EUA), num campo de treinamento de tropas destinadas ao front da Primeira Guerra Mundial; outros ainda especulam que ela originou na China, como defendeu o Prof. Claude Hannoun, o principal especialista em gripe espanhola do Instituto Pasteur.

Doentes da gripe espanhola numa enfermaria do Rio em 1918 
Seja como for, tal pandemia se espalhou pela Europa e Estados Unidos, antes de alastrar-se pela Ásia e outras partes do mundo. No Brasil (então contando com apenas 30 milhões de habitantes), aproximadamente 30 mil pessoas morreram da “gripe espanhola” — vitimando inclusive o então presidente eleito, Rodrigues Alves. Durante esse período não houve nenhum medicamento ou vacina capaz de combater essa gripe mortal, o que resultou no fechamento completo das cidades.

4. Vírus Ebola (descoberto em 1976)

No Congo, senhora atingida pelo ebola sendo levada para isolamento

O vírus da doença infecciosa Ebola foi descoberto no fim da década de 70. Seus sintomas mais comuns são dor de garganta, dores musculares, vômitos, diarreia, sangramentos internos e externos. Matou mais de 11.000 pessoas, e sua simples lembrança ainda hoje causa arrepios. Sua origem é atribuída ao morcego-da-fruta que propaga o vírus. Propaga-se pelo contato com fluidos corporais, como saliva, e também por sangue humano ou de outros animais infectados. A epidemia originou-se na África, primeiramente numa região do Sudão e no Zaire (atual República Democrática do Congo) e se espalhou para Espanha, Alemanha e Estados Unidos. Tem alta taxa de mortalidade, que atinge quase a metade das pessoas que infecta. Demorou dois anos para ser vencido, e suas conseqüências ainda preocuparam o mundo.

5. AIDS – HIV (de 1981 até os presentes dias)

Vítima da AIDS em 1989

         A AIDS (Síndrome da Imunodeficiência adquirida — em inglês: Acquired immunodeficiency syndrome) é uma doença infecto-contagiosa que ataca o sistema imunológico. Transmite-se por fluidos corporais, e se espalhou por relações sexuais e agulhas infectadas por usuários de drogas. Desde que foi identificado em 1981, o HIV (vírus causador da AIDS) foi classificado como um dos problemas de saúde mais graves do mundo, pois ainda não se encontrou sua cura. No mundo, contraíram AIDS cerca de 75 milhões de pessoas, das quais cerca de 35 milhões morreram, aproximadamente 40 milhões de pessoas vivem hoje com o vírus. Segundo vários cientistas, o vírus passou dos primatas aos humanos.

6. Outras pandemias pelo mundo

Dezenas de outras epidemias poderiam ser citadas. Por questão de espaço, limitamo-nos a enumerar algumas das mais conhecidas: praga de Atenas (429 a.C.); peste de Antonino (165 a.C.); epidemia de Cocoliztli, no México (1545); grande praga de Milão (1629); grande praga de Londres (1664); gripe de Marselha (1720); pandemia de cólera (1846); gripe russa (1889); poliomielite (1908); gripe asiática (1956); gripe de Hong Kong (1968); surto do SARS (2002); gripe suína (2009).



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quarta-feira, 1 de abril de 2020

FREI JOAQUIM CAMELI - Antonio Carlos Saadi



Hoje, dia 01 de abril,

nosso querido Frei Joaquim estaria completando 90 anos de idade.

Como não lembrar com muitas saudades e muitas alegrias,

pelos momentos passados com ele.

Quanta generosidade,

quanta dedicação para com as comunidades por onde ele passou

num trabalho apostólico-social.

Às vezes fico a imaginar

o bairro de São Caetano sem a nossa Paróquia que foi idealizada e construída por ele.

Que visão contemporânea ele teve há 52 anos

e construir um convento que abrigou e abriga aos nossos queridos Freis

e uma Igreja que recebe todos os paroquianos e convidados,

com muito amor e carinho num abraço Fraternal.

Muito obrigado Frei Joaquim,

por tudo que o senhor fez por todos nós.


Antonio Carlos Saadi
Itabuna/BA


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CASTIGOS TERRÍVEIS AMEAÇAM A HUMANIDADE - Plinio Corrêa de Oliveira


1 de abril de 2020
Diante da ameaça do vírus chinês, o Vaticano fecha suas portas…

Para esses dias de pandemia, é muito útil para a meditação este trecho do artigo Fátima: explicação e remédio da crise contemporânea, publicado por Plinio Corrêa de Oliveira em Catolicismo (edição de maio de 1953).

 Plinio Corrêa de Oliveira

Em Fátima, Nossa Senhora apresenta os motivos da crise; e ao mesmo tempo explica e indica o seu remédio, profetizando a catástrofe caso os homens não A ouçam. As revelações de Fátima, tanto pela natureza do conteúdo como pela dignidade de quem as fez, sobrepujam sob todos os pontos de vista tudo quanto a Providência tem dito aos homens na iminência das grandes borrascas da História.

Nas revelações, os diversos pontos relativos a este tema constituem propriamente o elemento essencial das mensagens. Não há uma única aparição em que não se insista sobre este fato: os pecados da humanidade se tornaram de um peso insuportável na balança da justiça divina. Esta é a causa recôndita de todas as misérias e desordens contemporâneas. Os pecados atraem a justa cólera de Deus. Os castigos mais terríveis ameaçam, pois, a humanidade; e para que eles não sobrevenham, é preciso que os homens se convertam; e para que se convertam, é preciso que os bons orem ardentemente pelos pecadores e ofereçam a Deus toda sorte de sacrifícios expiatórios.

Vemos que o pensamento constante de todas as mensagens é este: o mundo está a braços com uma terrível crise religiosa e moral; os incontáveis pecados cometidos são a verdadeira causa da desolação universal; e o modo mais acertado para remediar seus efeitos consiste na oração e na reparação.



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