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sexta-feira, 25 de outubro de 2019

MUDANÇA DE VENTOS - Merval Pereira


Embora o que não esteja nos autos do processo não exista tecnicamente, advogados, juízes e promotores são influenciados pelo que veem, pelo que leem, pelo que conversam com amigos ou mesmo na família.

A faísca que desencadeou um processo de reversão de expectativas no mundo jurídico e político contra a Operação Lava Jato foi provocada pelas conversas roubadas do celular do procurador-chefe da Lava Jato Deltan Dallagnol publicadas pelo site The Intercept Brasil.

As mensagens entre Dallagnol e o então juiz Sérgio Moro não revelam nenhuma ilegalidade, mas a proximidade entre partes do processo, que comum no cotidiano da Justiça, dá margem aos que já tinham a tendência de criticar os procuradores de Curitiba, por razões de poder ou política, pretexto para darem a suas críticas ares de verdade.

Vimos na semana passada três ministros do Supremo em contato fora da agenda com o presidente Bolsonaro, às vésperas do julgamento mais importante do ano, sobre o fim da prisão em segunda instância. Dois deles, ministros Dias Toffoli e Gilmar Mendes, tomaram decisões recentes que beneficiaram diretamente o senador Flavio Bolsonaro, filho do presidente, reduzindo a possibilidade de investigações criminais financeiras.

Como já ressaltei aqui na coluna, há anos, desde o julgamento do mensalão, advogados de defesa dos acusados de corrupção tentam manobras jurídicas para beneficiar seus clientes. O então ex-ministro da Justiça, Marcio Thomas Bastos, foi o coordenador das manobras que pretendiam levar para a primeira instância da Justiça os réus do mensalão que não tinham foro privilegiado. O relator Joaquim Barbosa defendeu a tese de que os crimes eram conectados, e foi vitorioso, driblando uma tradição da Justiça brasileira de desmembrar os processos.

Nos julgamentos do petrolão, diversas táticas foram tentadas pelos advogados de defesa, mas nos primeiros anos, com o apoio popular da Lava-Jato no auge, não houve ambiente para que teses diversas fossem aceitas. Só recentemente, a partir das revelações do Intercept, o vento mudou, passaram a ser aceitas teses que abrandaram a situação dos réus.

As diversas instâncias que existem de recursos, mesmo em países de arraigada tradição garantista dos direitos individuais, não impedem o cumprimento da pena, às vezes até mesmo na primeira instância.

O jurista e cientista político Christian Edward Cyrill Lynch, editor da revista “Inteligência”, lembra que o se discute agora é se a Constituição, quando fala que “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado da sentença condenatória”, está ou não querendo dizer “ninguém cumprirá pena de prisão decretada na sentença de primeira instância até o trânsito em julgado da sentença condenatória”.

A provável mudança de maioria do plenário do Supremo, a favor da prisão apenas ao final do processo, tem a ver com esse novo ambiente político que está sendo revertido por um esquema profissional que envolve grandes escritórios de advocacia, políticos poderosos, empresários já atingidos pela Lava Jato ou que temem vir a ser, num trabalho de desmonte do novo espírito de aplicação do Direito que veio sendo aprofundado desde o julgamento do mensalão até agora no petrolão.

Os últimos cinco anos foram intensos na implantação de uma nova visão da aplicação da Justiça que pretende dar consequência prática aos processos envolvendo criminosos do colarinho branco, que voltarão a ser protegidos se prevalecer o estado de coisas anterior ao mensalão.

Também os políticos aprenderam a se defender, através de legislações como a lei de abuso de autoridade, e a retórica de que os promotores e Moro estão “criminalizando a política”. Trata-se, ao contrário, de denunciar e punir a utilização da política para praticar crimes.

É provável que haja um retrocesso, mas o resultado das pesquisas mostra que a opinião pública continua com sede de Justiça. O ministro Sérgio Moro continua o mais popular ministro do governo Bolsonaro e vence todos os adversários num hipotético segundo turno para a presidência da República.

1 - Ao enumerar as diversas instâncias recursais do Antigo Regime na coluna de sexta-feira, inclui o Supremo Tribunal de Justiça como uma quarta instância. Na verdade, o STJ foi criado em 1828 para substituir a Casa de Suplicação. A quarta instância era o desembargo do Paço.

2 – Saio por uns dias e volto a escrever no dia 5.

O Globo, 20/10/2019


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quinta-feira, 24 de outubro de 2019

DANDO AS COSTAS PARA SÃO PIO X – Péricles Capanema


23 de outubro de 2019
Péricles Capanema

Vou tratar tema relevante, que já não transita nas manchetes. Justifico-me, o assunto tem importância perene, vale mais que notícias palpitantes, tantas vezes irrelevantes e efêmeras. Mais ainda, no Brasil tem atualidade candente, por baixo desde uns 40 anos, infelizmente para vergonha, desgraça e tristeza dos católicos.

Com efeito, CNBB, CPT, CIMI e entidades afins têm sido pertinazes companheiros de viagem das mais radicais correntes revolucionárias que sem trégua trabalham para arruinar o Brasil. As entidades acima referidas, nascidas no seio da Igreja Católica, de há muito bamboleiam pateticamente atrás das bandeiras de luta do PT, PC do B, MST. Lá na ponta, se tiverem êxito, vão conseguir transformar o país numa Cuba, numa Venezuela, numa Coréia do Norte, paraísos, como todos sabem, dos pobres (e dos quais, por razões desconhecidas, lutam por todos os meios para escapar).

Tem muito de misterioso essa obstinação de amplos, por vezes decisivos, setores eclesiásticos por causas gritantemente ateias e flagelo contínuo para os pobres. Presenciamos décadas de terrificante opção preferencial pela miséria (moral e material). Não espanta, muitos anos atrás, Paulo VI denunciou que a Igreja padecia “misterioso processo de autodemolição” (1968) e que “por alguma fresta, a fumaça de Satanás” (1972) havia penetrado n’Ela.

Vou tratar de tema relevante, disse acima, está no sermão de 12 de outubro último, proferido por Dom Orlando Brandes, arcebispo de Aparecida. As palavras do Arcebispo, permitam-me o desabafo, despejadas sobre os ouvintes em cambulhada, são um charivari desconexo. Em nada evocam o Padre Antônio Vieira, “o imperador de nossa língua”, na bonita afirmação de Fernando Pessoa, nem ecoam os ditos do inteligente e culto Dom Geraldo Penido, cuja mesa frequentei, antecessor seu na sede episcopal.

Recordam contudo, é quase forçoso o paralelo, a confusão mental da ex-presidente Dilma Rousseff quando se metia em improvisos. Aqui vai uma proposta dela, exposta em Nova York, para auditório que a ouvia com horror divertido. “Até agora, até agora, a energia hidroelétrica é a mais barata. Em termos do que ela dura, da sua manutenção e também pelo fato da água ser gratuita. I da genti podê istocá. Cê, o vento podia sê isso também, mas ocê num conseguiu ainda tecnologia pra istocá vento. Então se a contribuição dos outros países, vamos supô que seja, desenvolver uma tecnologia que seja capaz de na eólica istocá, ter uma forma docê istocá, porque o vento ele é diferente em horas do dia, então vamos supô que vente mais à noite, cumé queu faria pra istocá isso. Hoje nós usamos as linhas de transmissão, cê joga de lá pra cá, de lá pra lá, pra podê capturá isso, mais si tivé uma tecnologia desenvolvida nessa área, todos nós nos beneficiaremos, o mundo inteiro”

Transcrevo alguns extratos do sermão do arcebispo de Aparecida para não pensarem que exagero (a íntegra está na rede): “Primeira leitura: órfã, adotada, pobre e principalmente, vivendo fora do seu país, exiliada, e se tornou rainha, esperança para os pobres. […] Pequenina, eu sou a pequena serva do Senhor, se tornou então rainha do Brasil. […] . Mãe Aparecida, precisamos sim da vida ecológica, da vida natural, da casa comum, bendito seja o Sínodo da Amazônia, que está pensando na vida daquelas árvores, daqueles rios, daqueles pássaros, mas principalmente daquelas populações. […] A mãe quer vida intrauterina, porque ela é a Imaculada Concepção.” Chega, né?

Coloco agora o texto que desejo em particular reproduzir e comentar rapidamente: “A segunda leitura mostrou o dragão. É claro que nas escrituras o dragão é o demônio, é o dragão, é o diabo, é o mal que se organiza no mundo. […] Temos o dragão do tradicionalismo. A direita é violenta, é injusta, estamos fuzilando o Papa, o Sínodo, o Concílio Vaticano Segundo. Parece que não queremos vida, o Concílio Vaticano segundo, o evangelho, porque ninguém de nós duvida que está é a grande razão do sínodo, do concílio, deste santuário, a não ser a vida, como já falei.” Como se vê, o orador empilha numa montoeira confusa várias realidades distintas, mas o objetivo fica claro: odeia o tradicionalismo, odeia a direita.

Contrasto o texto perturbador do confuso arcebispo de Aparecida com a clareza apaziguadora de um bispo como ele — São Pio X (1835-1914) — que ascendeu ao Trono de São Pedro e de lá iluminou o mundo com seus ensinamentos e santidade: “De todos os tempos, a Igreja e o Estado, em feliz acordo, suscitaram para isto organizações fecundas; que a Igreja, que jamais traiu a felicidade do povo em alianças comprometedoras, não precisa livrar-se do passado, bastando-lhe retomar, com o auxílio de verdadeiros operários da restauração social, os organismos quebrados pela Revolução, adaptando-os, com o mesmo espírito cristão que os inspirou, ao novo ambiente criado pela evolução material da sociedade contemporânea; porque os verdadeiros amigos do povo não são revolucionários, nem inovadores, mas tradicionalistas”. Constam da “Notre Charge Apostolique”, orientação atemporal para todos os fiéis, em especial para os católicos franceses.

Os revolucionários, adverte o Papa santo, não são amigos do povo, oportuna lembrança para a CNBB. O Pontífice não queria ver os bispos traindo a “felicidade do povo em alianças comprometedoras”. A admoestação seguinte contrasta com o que proclamou Dom Orlando Brandes: “os verdadeiros amigos do povo não são revolucionários, nem inovadores, mas tradicionalistas”. Contudo, para decepção nossa, parece que Dom Orlando deu as costas para São Pio X.

Termino. Tema relevante? Da maior importância. Tivéssemos entre nós vivo o ensinamento do santo Pontífice e, para felicidade do povo, seria inteiramente outra a história do Brasil.




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ABL HOMENAGEIA OS 100 ANOS DE NASCIMENTO DOS ACADÊMICOS ANTONIO OLINTO E SERGIO CORRÊA DA COSTA EM MESA-REDONDA ESPECIAL


A Academia Brasileira de Letras realiza Mesa-Redonda especial, intitulada Centenários, com palestras dos Acadêmicos Arnaldo Niskier e Carlos Nejar, que irão homenagear os 100 anos de nascimento dos Acadêmicos Antonio Olinto (1919-2009) e Sergio Corrêa da Costa (1919-2005). Sob a coordenação do Acadêmico Alberto Venancio, o evento será realizado na terça-feira, dia 29 de outubro, às 16h, no Salão Nobre do Petit Trianon, Avenida Presidente Wilson, 203 – Castelo, Rio de Janeiro. Entrada franca.
Os Acadêmicos
Arnaldo Niskier é membro da Academia Brasileira de Letras desde 1984, tendo sido presidente da ABL em dois mandatos. Professor aposentado de História e Filosofia da Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Doutor em Educação pela UERJ, foi membro do Conselho Federal de Educação, do Conselho Estadual de Educação e do Conselho Nacional de Educação, Secretário de Estado do Rio de Janeiro por quatro vezes. Sócio correspondente da Academia das Ciências de Lisboa, é autor de mais de 100 livros, especialmente sobre educação. Presidente do CIEE/RJ é colaborador com artigos publicados em vários jornais do país.
Carlos Nejar, gaúcho, de Porto Alegre, considerado “poeta da condição humana”, Porto Alegre, considerado “poeta da condição humana”, por inúmeros estudiosos, e um dos 37 escritores chaves do século, entre 300 autores memoráveis, no período compreendido de 1890-1990, segundo livro do ensaísta suíço Gustav Siebenmann (Poe-sia y poéticas del siglo XX en la América Hispana y El Brasil, Gredos, Biblioteca Románica Hispánica, Madrid, 19970). Inventor de cosmologias , segundo César Leal. Também é ficcionista e crítico, sendo autor da História da Literatura Brasileira ( em 3ª edição) . Publicou toda a sua poesia em dois volumes, A Idade da Noite e A Idade da Aurora (Ateliê editorial), com ampliação em 2009, A Amizade do mundo e a Jovem Eternidade (editora Novo Século). Editou vários romances, entre eles,Carta aos Loucos, Riopampa ( ou o Moinho das Tribulações), Prêmio Machado de Assis, de ficção,da Fundação da Biblioteca Nacional,(2001), O Evangelho Segundo o Vento , A Engenhosa Letícia do PontalO Poço dos Milagres( Prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte), Matusalém de Flores e O Feroz Círculo do Homem. No ano de 2016, editou O Monumento ao Rio Doce, a maior tragédia ecológica do Brasil, em poema único. E pela Bem-te-vi, Quarenta e nove casidas e um amor desabitado. Com várias traduções no Exterior, estudado nas universidades, pertence à Academia Brasileira de Letras, à Academia Brasileira de Filosofia, ao Pen Clube do Brasil, além de Membro Honorário da Academia de Letras de Brasília.

INSCRIÇÕES
Garanta sua participação nesta Mesa-redonda especial. 


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quarta-feira, 23 de outubro de 2019

MISSÃO AD GENTES – Dom Ceslau Stanula


Bom dia...

Voltemos ainda ao mês extraordinário das Missões.

Muito se fala na Igreja sobre a missão ad gentes. O que isto significa? É a missão junto aos NÃO cristãos no contexto sócio cultural deles.

Isto implica viver no meio destes povos, falar língua deles, e compartilhar o Evangelho com a vida e com palavras, promovendo a vida e a esperança.

A palavras Jesus: "vão portanto e façam discípulos todos os povos: (Mt 28,29) constituem o programa desta missão primordial da Igreja. Rezemos por estes missionários que se predispõem   a esta missão. 


Colonização e Evangelização

Continuando...

A missão ad gentes encontra hoje dois grandes obstáculos vinculados ao: tempo e espaço. Primeiro ao tempo, porque,  infelizmente  associa‐se a evangelização com a colonização.

O passado marcou as regiões tanto das Américas como Ásia, África, com esta marca de parte dos europeus, com as suas consequências graves.

Quantos missionários(as) resistiram às potências coloniais e suas políticas, mas não conseguirem  mudar este conceito. A missão ainda hoje alguns identificam com a colonização. Já o Papa Bento XV denunciou isto, na carta Apostólica   sobre a Missão, chamando atenção que a missão direciona á pátria celestial e não alarga influência do país da origem do missionário.

(Aqui a minha experiência pessoal: chegando em 1966 a Argentina como missionário ‐ depois, em 1972, ao Brasil) um velho missionário e amigo me disse: Ceslau, tu vais ser o bom missionário, mas tem que passar primeiro pela morte mística.  Não entendi o que me quis dizer. Depois me explicou: esqueça o que foi na Polônia e  assuma a realidade e costumes locais. Isto é, inculture-se, assume a cultura do seu povo com quem estas vivendo... isto procurei fazer sempre como o missionário, por isso me sinto em casa. (Desculpem o acento tão pessoal).

A missão não é colonização. É propor ao povo o Cristo e a sua mensagem.

Com a bênção e oração. Dom Ceslau.

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Dom Ceslau Stanula, bispo emérito da Diocese de Itabuna/BA, escritor, membro da Academia Grapiúna de Letras-AGRAL

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SADIO MANÉ: Grande ser humano


Exemplo de ajuda humanitária e desprendimento de bens materiais

“PARA QUE QUERO DEZ FERRARIS? EU PASSEI FOME. HOJE POSSO AJUDAR”, DISPARA MANÉ”

Há muitas histórias bonitas pelo mundo para serem repassadas como exemplo de ajuda humanitária, desprendimento, humildade e desapego a bens materiais. A história de Mané, jogador do Liverpool é uma delas. Uma das principais armas do técnico Jürgen Klopp no Liverpool revela que prefere ajudar seu povo a gastar dinheiro com acúmulo de luxúrias.

Sadio Mané, atacante senegalês do Liverpool, se tornou um dos atacantes mais importantes da última temporada, quando a equipe inglesa venceu a Champions League. Uma das peças essenciais do time, Mané se mostrou, em entrevista ao site TeleDakar, um jogador diferente da maioria após uma forte declaração.

“Para que quero dez Ferraris, 20 relógios com diamante e dois aviões? O que faria isso pelo mundo? Eu passei fome, trabalhei no campo, joguei descalço e não fui ao colégio. Hoje posso ajudar as pessoas. Prefiro construir escolas e dar comida ou roupa às pessoas pobres”, disparou Mané.

O atacante revelou o que costuma fazer com o dinheiro que ganha nos gramados ingleses. “Construí escolas, um estádio, proporcionamos roupa, sapatos e alimentos para pessoas em extrema pobreza. Além disso, dou 70 euros por mês a todas as pessoas em uma região muito pobre de Senegal para contribuir com sua economia familiar.”

Com contrato até o meio de 2023 com o Liverpool, o senegalês é avaliado pelo site Transfermarkt em 120 milhões de euros.


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SADIO MANÉ
Jogador de futebol

Descrição
Sadio Mané ou simplesmente Mané, é um futebolista senegalês que joga como ponta-esquerda. Atualmente joga pelo Liverpool. 


Nascimento: 10 de abril de 1992 (idade 27 anos), Sédhiou, Senegal
Nacionalidade: Senegalês
Altura: 1,75 m
Peso: 69 kg

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terça-feira, 22 de outubro de 2019

LEIA POESIA - Antônio Baracho

Leia Poesia



Recentemente, caminhando na Avenida Cinquentenário, encontrei um amigo conterrâneo que não via há muito tempo, que logo em seguida me abordou, sem hesitação, dizendo que tinha admiração dos poemas que escrevia, da minha paixão pela quietude que exprimia, pela grandeza das coisas íntimas, desimportantes. Confesso que fiquei um pouco sem jeito com o elogio que recebi, mas chegamos à conclusão que não se faz poeta, nasce poeta.

A poesia tem que ser leve, agradável. Mas leia sentindo, vibrando, buscando entender a vista de uma paisagem ou do oceano - o aspecto enfim da natureza. Casar assim o pensamento com o entendimento - a ideia com a paixão. Colorir tudo isto com a imaginação.

Recomenda-se que leia poesia como se fosse uma medicação saborosa que você sabe que vai curá-lo.

Na boa poesia, encontramos a harmonia da percepção do poeta. Poeta também é médico. Um médico diferente. Tem que saber misturar as substâncias certas, para fazer a medicação necessária, para o mundo que chamamos poesia. Portanto, harmonia e saúde caminham juntas.

Leia a poesia que escrevi inspirado nas “Mulheres de Ipanema” e que cito o grande mestre compositor Tom Jobim.

 Em Ipanema,
As mulheres, com o seu doce jeitinho,
Vão brincar de amor, depois vão ao cinema...

E depois do cinema,
Aonde irão vocês, mulheres de Ipanema?

Esperem um pouco,
Para eu ver o que é isso,
Que milagroso feitiço
Existe no seu olhar.

Eu quero em versos cantar
O que tem o seu sorriso,
O que tem o seu olhar...

Vinícius as cantou,
Tom, no seu tom, as louvou,
E Chico as endeusou...
Passarão vocês à posteridade
Palmilhando a passarela do sonho.

Absorto, as contemplo,
Com ciúme de todos os que as veem como as vejo,
Mulheres de Ipanema!
Para vocês, eu não existo,
Porque sou, apenas, um menino que sonha.

O importante é que a vida continua... Lembrando que a poesia é “Fruto da Lavra Artística Nordestina”.


ANTONIO BARACHO – Poeta, psicólogo.
Membro da Academia Grapiúna de Letras- AGRAL, ocupante da cadeira nº 11.
Tel. (73) 99102-7937 / 98801-1224

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“TODOS OS DEUSES DOS PAGÃOS SÃO DEMÔNIOS” - Oscar Vidal


13 de outubro de 2019
Oscar Vidal

Fundamentos da fé católica estão sendo contestados no Sínodo Pan-Amazônico, como a pretensão de se redefinir o ministério eclesiástico, de se permitir a ordenação sacerdotal de índios casados e a inclusão de mulheres na celebração de liturgias exclusivas dos sacerdotes.

Participantes do Sínodo pregam que não se deve mais catequizar os índios, mas deixá-los com suas “tradições” (leia-se costumes selvagens) e não celebrar segundo a liturgia católica, mas segundo os “rituais aborígenes” (leia-se cultos fetichistas).

Nesse sentido, logo na abertura do Sínodo — e no dia de Nossa Senhora do Rosário — esse tipo de ritual e pajelanças de magia foram realizadas nos jardins do Vaticano na presença do Papa Francisco, de Dom Claudio Hummes e outros cardeais [foto acima].

Em vez de levarem uma imagem da Santa Mãe de Deus — por exemplo de Nossa Senhora de Guadalupe, que veio à Terra para converter os indígenas, livrando-os do paganismo — eles levaram, sobre uma canoa, a imagem da Pachamama — a “Mãe grávida terra”, cultuada como deusa por certas tribos dos Andes e, mais recentemente, até por ecologistas radicais.

Quem poderia imaginar uma imagem pagã demoníaca num ritual nos jardins do Vaticano? E com a seguinte agravante: tal “divindade” foi depois levada à Basílica de São Pedro… Sempre é bom relembrar que “S” (Todos os deuses dos pagãos são demônios), afirma a Sagrada Escritura (Salmos 95, 5).

Rezemos em reparação a Nossa Senhora de Guadalupe, Padroeira das Américas, e também para que Ela conduza ao mais completo fracasso o projeto de se abandonar os indígenas em seus cultos pagãos.

Como se sabe, a Virgem de Guadalupe apareceu no ano de 1531, no México, ao índio asteca Juan Diego [ao lado, desenho representando a aparação], deixando impressa a sua imagem, com os símbolos da Imaculada Conceição, no avental do índio.

Neste episódio, mostrou Nossa Senhora uma predileção particularmente maternal para com os indígenas. Predileção essa que bem se refletiu no zelo de tantos missionários tradicionais. As conversões de aborígines operadas ante a Imagem foram incontáveis.

É que a misericórdia d´Ela consistia em converter os índios, e não em os deixar jazendo nas trevas do paganismo, como pleiteiam os missionários progressistas adeptos da “Teologia da Libertação”.



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