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sábado, 12 de outubro de 2019

PRÊMIO NOBEL DA PAZ 2019


Abiy Ahmed Ali, primeiro-ministro da Etiópia, ganha Nobel da Paz 2019

Vencedor do 100º Nobel da Paz contribuiu decisivamente para colocar fim ao conflito de 20 anos do seu país com a Eritreia, no leste da África.

Por G1
11/10/2019

Abiy Ahmed Ali em foto de 15 de setembro deste ano — Foto: Michael Tewelde/AFP

O primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed Ali, ganhou o Nobel da Paz 2019 por sua iniciativa decisiva para resolver o conflito de fronteira com a vizinha Eritreia, no leste da África. O anúncio do 100º Prêmio Nobel da Paz foi feito na manhã desta sexta-feira (11), em Oslo, na Noruega.

Em estreita cooperação com o presidente da Eritreia, Isaias Afwerki, o premiê de 43 anos rapidamente elaborou os princípios de um acordo para acabar com o longo impasse "sem paz, sem guerra" entre os dois países. O tratado colocou formalmente fim a 20 anos de uma guerra que deixou mais de 80 mil mortos.

"O Comitê Nobel espera que o prêmio da Paz reforce o primeiro-ministro Abiy em seu trabalho a favor da paz e da reconciliação. É um reconhecimento e também um estímulo a seus esforços. Somos conscientes de que resta muito por fazer", afirmou a presidente do Comitê Norueguês do Nobel, Berit Reiss-Andersen.


Como primeiro-ministro, Abiy Ahmed "procurou promover a reconciliação, a solidariedade e a justiça social". Ele iniciou importantes reformas que "dão a muitos cidadãos a esperança de uma vida melhor e de um futuro melhor".

O Comitê do Nobel também reconhece com esse prêmio todos que trabalham pela paz e reconciliação na Etiópia e nas regiões leste e nordeste da África. O trabalho do presidente da Eritreia, Isaias Afwerki, foi destacado.

"A paz não é alcançada apenas com as ações de uma única pessoa. Quando o primeiro-ministro Abiy estendeu a mão, o presidente Afwerki aceitou e ajudou a dar forma ao processo de paz entre os dois países", afirmou o comitê.

'Prêmio para a África'

Primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed Ali, e o presidente da Eritreia, Isaias Afwerki, comemoram a reabertura da Embaixada da Eritreia na Etiópia, em Adis Abeba, em 16 de julho de 2018 — Foto: Michael Tewelde / AFP

No telefonema em que foi informado do prêmio, o premiê afirmou ter recebido humildemente a premiação e que ficou emocionado:

"É um prêmio dado à África, dado à Etiópia, e posso imaginar como os outros líderes da África serão incentivados a trabalhar no processo de construção da paz em nosso continente. Estou muito feliz e emocionado com a notícia. Muito obrigado, é um grande reconhecimento", afirmou o laureado.

Após o anúncio, o gabinete de Abiy afirmou que o prêmio é um testemunho "dos ideais de unidade, cooperação e convivência mútua que o primeiro-ministro sempre defende". O governo etíope anunciou que o país está orgulhoso pelo prêmio.

O prêmio significará um impulso para o governante, que enfrenta uma onda crescente de violência entre diferentes grupos em seu país, onde estão previstas eleições legislativas em maio de 2020.

Entenda o conflito entre Etiópia e Eritreia — Foto: Rodrigo Sanches/G1

Biografia

Abiy nasceu em uma família muito pobre, em Zona Jima, no sul da Etiópia, em 1976. Ele é filho de pai muçulmano Oromo e mãe cristã Amhara. Ele ingressou na política em 2010, como membro da Organização Democrática do Povo de Oromo.

Posteriormente, ele foi eleito membro do parlamento. Nessa época, ocorreram fortes disputas entre católicos e muçulmanos e ele teve a iniciativa de criar o "Fórum Religioso pela Paz", uma solução duradoura para o problema.

Em abril de 2018, ele assumiu o cargo de premiê da Etiópia, a segunda maior população da África, e introduziu reformas liberalizantes, que tiveram forte impacto no país. Ali libertou da prisão milhares de ativistas da oposição, pediu desculpas pela brutalidade do Estado e permitiu que dissidentes exilados voltassem para casa.

Mais importante ainda, ele assinou o acordo de paz com a Eritreia em julho de 2018.

Conflito Etiópia x Eritreia

Soldados etíopes comemoram após tomar o controle da cidade de Zala Anbesa, em maio de 2000 — Foto: Alexander Joe / AFP

A Eritreia declarou independência da Etiópia em 1993. Isaias Afwerki se tornou o presidente (e até hoje o único) da nova nação. Afwerki, que controla o país com mão de ferro, e Meles Zenawi, então premiê etíope, eram primos. A relação ia bem, mas, cinco anos depois, as duas nações entraram em confronto por questões fronteiriças.

De 1998 a 2000, Etiópia e Eritreia travaram uma guerra que deixou mais de 80 mil mortos, principalmente devido a divergências sobre a fronteira. O confronto eclodiu na cidade fronteiriça de Badme (Eritreia).

O confronto foi apelidado pela mídia local de "guerra louca" no Chifre da África. Ele parecia resultar de nada mais do que rivalidade entre familiares - cada lado exigia "respeito" e alegava não estar recebendo.

Além das milhares de vidas perdidas, as duas nações investiram bilhões de dólares em um conflito aparentemente sem importância estratégica para nenhum dos lados, de acordo com a CNN.

Um acordo de paz chegou a ser assinado em 2000, mas não foi colocado em prática. Em 2002, a Etiópia se recusou a aceitar uma proposta de uma comissão independente, liderada pela Organização das Nações Unidas (ONU), para a demarcação da fronteira entre os dois países e manteve a animosidade.

Em agosto de 2012, Meles morreu e, aparentemente, esse fato contribuiu para a posterior resolução do conflito.

Em 9 de julho de 2018, Abiy Ahmed Ali e Isaias Afwerki assinaram o acordo que restabelecia as relações diplomáticas entre os dois países.

“Uma nova era de paz e amizade começa. Os dois países se abrem para promover uma estreita cooperação, nos setores da cooperação, nos setores da política, da economia, do social, da cultura e da segurança”, dizia o documento.

A partir de então, o comércio, os transportes e as telecomunicações entre as duas nações foram retomadas.

Premiê etíope, Abiy Ahmed (centro), de mãos dadas com o presidente da Eritreia, Isaias Afwerki, falam ao público na capital da Etiópia — Foto: Mulugeta Ayene/AP

O vencedor do Nobel receberá um prêmio de 9 milhões de coroas suecas (R$ 3,72 milhões). A cerimônia de entrega acontecerá no dia 10 de dezembro, aniversário da morte do idealizador do prêmio, o industrial e filantropo sueco Alfred Nobel (1833-1896).

O Comitê Nobel registrou neste ano 301 candidaturas, sendo 223 pessoas e 78 organizações. Criada pelo industrial sueco Alfred Nobel, o inventor da dinamite, a premiação foi concedida pela primeira vez em 1901.

Veja os vencedores de 2019

Literatura: Olga Tokarczuk ganhou o prêmio referente ao ano de 2018, quando a academia cancelou a premiação após um escândalo sexual. Já Peter Handke levou o deste ano.

Química: John B. Goodenough, M. Stanley Whittingham e Akira Yoshino foram premiados pelo desenvolvimento de baterias de íons de lítio.

Física: James Peebles, suíços Michel Mayor e Didier Queloz foram premiados por suas contribuições para a compreensão do universo e pela descoberta do primeiro planeta fora do Sistema Solar que orbita uma estrela semelhante ao Sol.

Medicina: William Kaelin, Gregg Semenza e Sir Peter Ratcliffe ganharam o prêmio pelo estudo sobre como as células detectam e se adaptam à disponibilidade de oxigênio.

O ganhador na categoria Economia será conhecido na segunda-feira (14).

Últimos ganhadores do Nobel da Paz

2018: ex-escrava sexual do grupo extremista Estado Islâmico Nadia Murad e o médico Denis Mukwege ganharam o prêmio pela luta contra o uso do estupro como arma de guerra.


Os vencedores do prêmio Nobel da Paz, o médico congolês Denis Mukwege e a yazidi Nadia Murad, ex-escrava de extremistas, posam com suas medalhas de vencedores do Nobel da Paz 2018, em cerimônia em Oslo, na Noruega — Foto: Haakon Mosvold Larsen/NTB Scanpix via AP

2017: A Campanha Internacional para a Abolição das Armas Nucleares (Ican, sua sigla em inglês) foi premiada por chamar a atenção para as consequências catastróficas do uso de armas nucleares e pelos seus esforços inovadores para conseguir a proibição do uso dessas armas.

2016: Juan Manuel Santos, então presidente da Colômbia, conquistou o prêmio pelo esforço de pacificação do país. Naquele ano, o governo conseguiu fechar um acordo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) após uma guerra civil que já durava mais de 50 anos.

Juan Manuel Santos, ex-presidente da Colômbia, em imagem de arquivo — Foto: AP Photo/Ronald Zak

2015: Quarteto de Diálogo Nacional da Tunísia ganhou o prêmio por sua decisiva contribuição para a construção de uma democracia pluralista no país durante a revolução de 2011.

2014: os vencedores foram o indiano Kailash Satyarthi e a paquistanesa Malala Yousafzay, "pela sua luta contra a supressão das crianças e jovens e pelo direito de todos à educação". A estudante do Paquistão se tornou a mais jovem ganhadora do prêmio.


2013: Organização para a Proibição das Armas Químicas, entidade que supervisiona destruição do arsenal químico na Síria em guerra.

Malala Yousafza durante visita a Salvador, em imagem de arquivo — Foto: Egi Santana/G1

2012: União Europeia ganhou por ter contribuído para pacificar um continente devastado por duas guerras mundiais.

2011: Ellen Johnson Sirleaf, Leymah Gbowee (Libéria) e Tawakkol Karman (Iêmen) ganharam por sua luta não violenta em favor da segurança das mulheres e seus direitos a participar dos processos de paz.

2010: Chinês Liu Xiaobo (China), dissidente detido, "por seus esforços duradouros e não violentos em favor dos Direitos Humanos na China".

2009: O então presidente americano Barack Obama foi premiado "por seus esforços extraordinários com o objetivo de reforçar a diplomacia internacional e a cooperação entre os povos".

Barack Obama, em imagem de arquivo — Foto: AFP

2008: Martti Ahtisaari (Finlândia) foi premiado por suas numerosas mediações de paz em todo o mundo.

2007: Al Gore (EUA) e o Painel Intergovernamental sobre as Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU ganharam o prêmio por seus esforços para aumentar o conhecimento sobre as mudanças climáticas.

2006: O prêmio foi para Muhammad Yunus (Bangladesh) e seu banco especializado no microcrédito, o Grameen Bank, porque "uma paz duradoura não pode ser obtida sem que uma parte importante da população encontre a maneira de sair da pobreza".



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sexta-feira, 11 de outubro de 2019

O MENINO E A BOLA - Cyro de Mattos


O Menino e a Bola
         Cyro de Mattos


- Abra essa porta, menino.
- Não quero não.
- O que é que você tem?
- Não sei.
- Por que você não acaba com esse choro?
- Não posso não.
- Você vai ficar trancado aí dentro o tempo todo?
- Vou.
- E sua mãe, seu pai?
- Eu não quero ver ninguém.
- Jura?
- Não quero.
- E seus brinquedos?
- Dê pro Tonico.
- Deixe de bobagem, Vilinho. Tudo já passou.
- Eu não vou esquecer.
- Esqueça tudo, Vilinho. Você já é um homem.
- Não posso.
- Mas que coisa mais esquisita!
- Ainda dói, tio.
- O quê?
- Dói muito, aqui no lado esquerdo.
- Você foi o vencedor?
- Fui.
- E então? O que é que você mais queria?
- Isso não importa.
- Como não importa?
- Eu já disse que nunca vou esquecer.
- Tire, menino, tire logo essas bobagens da cabeça.
- Não posso.
- E por que você não pode?
- Tio, por favor...
- Olhe, o Tonico e o Dudu estão aqui fora.
- Eles ainda estão aí? E por que não vão embora?
- Eles estão dizendo que você tinha razão, foi provocado primeiro.
- Eu não queria.
- Hein?
- Não queria brigar não.
- Mas isso tinha que acontecer um dia.
- Eu já disse que não queria.
- Aconteceu também comigo quando eu tinha a sua idade.
- Antes eu tivesse dado a bola a ele.
- Ele quem?
- O Armando, que quis tomar minha bola.
- O filho do juiz?
- Ele mesmo.
- Mas ele é maior que você!
- É.
- E você ganhou mesmo a briga?
- Ganhei.
- No duro?
- Ganhei.
- Fale a verdade.
- Estou falando.
- Você bateu muito nele?
- Bati.
 - Então por que todo esse choro? Por que ficar trancado aí dentro o tempo todo?
- Eu não tive outro jeito.
- O que mesmo?
- Não tive outro jeito.
- Abra essa porta, menino!
- Não abro.
- Vai abrir ou não vai?
- Acredite, tio, só bati nele pra me defender.
Um choro agudo irrompeu dentro do quarto.
- Abra essa porta, Vilinho. Por que você não quer abrir?
- Não posso.
- Abra logo. O Tonico e o Dudu estão querendo falar com você.
- Não me interessa falar com ninguém.
- Por que você não quer?
- Porque não quero.
- Quer que eu mande chamar seus pais?
- Não.
- Tem certeza?
- Tenho.
- E o que é que você quer que eu faça?
- Tio, por favor, vá embora... me deixe aqui em paz.

E o choro agudo continuou dentro do quarto.

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Cyro de Mattos é autor de mais de 50 livros, de diversos gêneros. Também editado no exterior, Do Pen Clube do Brasil e Academia de Letras da Bahia. Doutor Honoris Causa da Universidade Estadual de Santa Cruz (Bahia). Premiado no Brasil, Portugal, Itália e México.

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Jornal da Manhã - 11/10/19

ITABUNA CENTENÁRIA PELA SUA SAÚDE: Água de Coco


Depois que souber disto, você vai querer beber água de coco todos os dias!



Ah, se as pessoas soubessem o poder da água de coco…
Infelizmente, a maioria nem imagina o quão poderosa é essa bebida.
Inclusive as que moram em regiões tropicais, como o Nordeste brasileiro, onde é muito mais fácil conseguir uma água de coco fresquinha e saborosa.

Sim, porque não estamos falando daquelas que vêm na caixinha e são vendidas em supermercados, pois elas contêm algumas substâncias químicas, como conservantes.

Estamos falando da água vinda da própria fruta, o que não é difícil encontrar no Brasil.


Você conhece os benefícios?

Para começo de conversa, ela é de baixíssima caloria, gordura e colesterol.

Além disso, contém quatro vezes mais potássio do que a banana.

Se você é atleta, pode investir nesta bebida, sem medo.

Faça um teste: consuma água de coco diariamente no período de sete dias.
Quanto mais fresca, melhor.
Basta esse curto período para você obter muitos benefícios.

Conheça alguns deles:

1. Melhora a pele
A água de coco hidrata e nutre nossa pele com importantes minerais, contribuindo para uma face mais jovem e radiante.

2. Elimina excesso de peso
Como não há gordura na água de coco, você pode beber sem culpa e estará saciando a fome.

3. Fortalece o sistema imunológico
Além disso, atua contra vírus e bactérias.

4. Aumenta a energia
Ela melhora a produção de hormônios da tireoide, aumentando a resistência física.

5.  Combate doenças renais
Ela limpa a bexiga e todo o sistema urinário.

6. Hidrata
A água de coco hidrata o corpo melhor do que qualquer outra bebida indicada para atletas.

7. Reduz a pressão sanguínea
Ela pode equilibrar a pressão arterial, graças à boa quantidade de eletrólitos.​

8. Fortalece a tireoide
A água de coco ajuda a estimular a glândula tireoide e o metabolismo.
Como consequência, facilita o emagrecimento.


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quinta-feira, 10 de outubro de 2019

A CONCEPÇÃO CATÓLICA TRADICIONAL DAS MISSÕES


10 de outubro de 2019
Fundação da cidade de São Paulo – Oscar Pereira da Silva, 1909. Pinacoteca do Estado de São Paulo.

No post de ontem deste site reproduzimos a introdução do livro de Plinio Corrêa de Oliveira “Tribalismo Indígena – Ideal comuno-missionário para o Brasil no século XXI”, no post de hoje segue praticamente a íntegra do primeiro capítulo desta obra, da qual podemos dizer que é um prognóstico do atual Sínodo Pan-Amazônico.

Plinio Corrêa de Oliveira

• Como fim, evangelizar.
• Evangelizando, civilizar.
• Civilizando, fazer o bem.

          O“diálogo” que o leitor acaba de ler corresponde, na sua maior parte, a textos emanados de fontes missionárias “atualizadas”, e delineia uma radical modificação na doutrina das missões. Tal modificação penetrou largamente, de algum tempo para cá, em ambientes missionários brasileiros, onde se propaga com a discrição e a rapidez da mancha de azeite. Como se verá, esta transformação não interessa apenas a especialistas, mas afeta profundamente o futuro da Igreja e da Pátria.

         Assim, devem estar atentos para ela todos os brasileiros. Pois ela visa estender uma perigosa ondulação no mundo das selvas incultas. E, ainda mais, conectar esta ondulação com outra maior, a ser efetuada no mundo dos campos cultivados e das cidades.

         Selvas incultas, campos cultivados, cidades em franca expansão: é bem o Brasil inteiro que assim pode ser atingido…

1. Conceito de Missão

         Na doutrina missiológica da Igreja, velha de cerca de vinte séculos, o conceito de Missão católica, seus fins e seus métodos, está perfeitamente definido. E coincide com o modo de ver e de sentir do leitor brasileiro médio. Por isto pode-se estar certo, de antemão, que os próximos parágrafos não chocarão ninguém. Pelo contrário, parecerão tudo quanto há de mais normal.

         Missão vem do vocábulo latino missio, de mitto, isto é, eu envio. O missionário é pois um enviado (Bispo, Sacerdote — e, por extensão, também uma Religiosa ou um leigo).

Enviado, o missionário o é pela Igreja, em nome de Jesus Cristo, a Quem representa junto a povos não católicos, com o fim de os trazer para a verdadeira Fé.

2. Fim supremo da Missão – a glória de Deus e a bem-aventurança eterna

         Ensina a Igreja que a via normal para o homem se salvar consiste em ser batizado, crer e professar a doutrina e a lei de Jesus Cristo.

Trazer os homens para a Igreja é, pois, abrir-lhes as portas do Céu. É salvá-los. É este o fim da Missão.

Esta salvação tem por supremo fim a glória extrínseca de Deus. Salva-se a alma que tenha conseguido assemelhar-se a Ele pela observância da Lei, nos embates desta vida. E assim Lhe dará glória por toda a eternidade.

Toda semelhança é, em si, um fator de união. A alma dessa maneira unida a Deus alcança a plenitude da felicidade.

3. Efeitos da Missão na vida temporal

a) A ordem
         A glória de Deus e a perpétua felicidade dos homens são fins missionários da mais alta transcendência. Isto não impede que a Missão tenha efeitos terrenos, também dos mais elevados.
Com efeito, Deus criou o universo numa ordem sublime e imutável. Sendo o homem o rei do universo, tal ordem é sobretudo admirável no que toca a ele.

         Os preceitos da ordem natural se exprimem nos Dez Mandamentos da Lei de Deus (cfr. Santo Tomás, Suma Teológica, Ia. IIae., q. 100, aa. 3 e 11), confirmados por Nosso Senhor Jesus Cristo (“não vim dissolver a lei, mas cumpri-la” – Mt 5, 17), e por Ele aperfeiçoados (Mt 5, 17 a 48; Jo 13, 34).

         Ora, a observância da ordem, em qualquer esfera do universo, é a condição não só para a conservação desta, como para seu progresso, o que é sobretudo verdadeiro para os seres vivos, e mais especialmente para o homem.

b) A grandeza e o bem-estar dos povos

         Daí decorre que a Lei de Deus é o fundamento da grandeza e do bem-estar de todos os povos (cfr. S. Agostinho, Epist. 138 al. Ad Marcellinum, cap. II, n. 15).

Cristianizar e civilizar são, pois, termos correlatos. É impossível cristianizar seriamente sem civilizar. Como, reciprocamente, é impossível descristianizar sem desordenar, embrutecer e impelir de volta rumo à barbárie.

Primeira Missa no Brasil – Victor Meirelles, 1860. Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro.

4. Missão e índios

a) O contato com Jesus Cristo
         Ser missionário, no Brasil, é principalmente levar o Evangelho aos índios. É levar-lhes também os meios sobrenaturais para que, pela prática dos Dez Mandamentos da Lei de Deus, alcancem seu fim celeste. É persuadi-los de que se libertem das superstições e dos costumes bárbaros, que os escravizam em sua milenar e infeliz estagnação. Em consequência, é civilizá-los.

         Cabe insistir: enquanto é próprio ao homem cristianizado e civilizado progredir, sempre no reto e livre exercício de suas atividades intelectuais e físicas, o índio é escravo de uma imobilidade estagnada, a qual desde tempos imemoriais lhe tolhe todas as possibilidades de reto progresso.

Apresentando-se ao índio, está o missionário de Jesus Cristo no direito de lhe dizer: “cognoscetis veritatem, et veritas liberabit vos – conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (Jo 8, 32).

b) O contato com o neopaganismo moderno
         Bem entendido, o contato com os missionários traz forçosamente, para o índio, o contato com a civilização. Não com uma civilização quimérica, descida das nuvens, mas com a civilização ocidental como ela é concretamente. Na medida em que esta possui ainda fermentos autenticamente cristãos, a civilização será rica, para os indígenas, em benefícios espirituais e até materiais. E na medida em que nela trabalhem os germes de decadência e do neopaganismo, há o risco de que ela seja ocasião para os índios se poluírem na alma e no corpo.

c) Problema desconcertante
         Essa circunstância cria para as missões contemporâneas dificuldades desconcertantes. Como podem elas evitar que, levando Jesus Cristo aos índios, não lhe siga o passo muito de perto o Anticristo, ou seja, o neopaganismo moderno?

5. Para o missionário, uma solução impossível: abster-se

a) O poder de Nosso Senhor Jesus Cristo sobre as almas retas
O problema, por mais intrincado que seja, não pode servir de razão para o missionário não ir aos índios. Não lhes levar Nosso Senhor Jesus Cristo, sob a alegação de que o Anticristo moderno virá logo após Ele, é ignorar o poder e a bondade do Salvador. Em todas as almas retas, e entre os índios obviamente, Nosso Senhor Jesus Cristo é infinitamente mais poderoso do que o Anticristo.

b) O contato com a civilização ocidental
         Ao tratar da presente temática, é preciso não confundir grosseiramente o neopaganismo moderno com a civilização ocidental. Esta última foi cristã durante mais de mil anos; e embora por desdita já não se possa dela dizer tal, ainda conserva muito do caráter cristão de outrora. Da mesma forma que certos edifícios de pedra que, expostos ao dardejar do sol durante o dia inteiro, depois de entrada a noite conservam o calor acumulado. Assim também a civilização ocidental — sem mais poder dizer-se cristã, e a despeito da decadência onímoda em que se vai afundando — ainda está quente da ação benfazeja que, durante os séculos da antiga fidelidade, recebeu do Sol de Justiça (Ml 4, 2) que é Nosso Senhor Jesus Cristo.

         De onde se deve concluir que seria irrefletido, simplista e até fanático pretender que, em contato com a civilização ocidental, os índios só têm a perder e nada a lucrar.

c) Influência do verdadeiro Sacerdote

         Quando vive na civilização atual, o verdadeiro Sacerdote tem por missão a luta. Luta a favor de tudo quanto procede de Jesus Cristo e a Ele conduz. Luta contra tudo que procede do mal e afasta de Jesus Cristo.

Se o índio nota no missionário esta atitude valorosa, de discernimento e de luta, terá as graças e o bom exemplo para beneficiar-se dessa civilização, sem nela se corromper.

d) Problema bizantino
          Ademais, na realidade concreta em que vivemos seria perfeitamente bizantino discutir sobre se convém aos índios receber, com a presença dos missionários, também a influência de nossa civilização. Esta, em seu vertiginoso desenvolvimento técnico, os estará alcançando a todos muito em breve, com ou sem missionários. E melhor será para os índios que, junto com a civilização neopagã, vão também os missionários de Jesus Cristo.

e) O agitador comunista, missionário de Satã
         Aonde a civilização neopagã for, o mais das vezes levará consigo o que ela tem de pior, isto é, o agitador comunista, o “missionário” de Satã.

O exemplo da África mostra quanto o comunismo internacional se empenha em tirar proveito das tribos aborígines. Quem poderá garantir que, hoje ou amanhã, ele não empreenderá o mesmo entre os índios não civilizados, ou os que venham a sê-lo?

Mais ainda — e quanto dói dizê-lo! — como se poderá garantir que, utilizando a infiltração ideológica em meios católicos, o comunismo não aproveite para a infiltração esquerdista entre os índios os Bispos, Padres ou religiosos cuja simpatia e cooperação tenha conquistado?

Em consequência, convém que vá ao índio o bom missionário, por todas as razões. Até mesmo para prevenir contra o “missionário” comunista.



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PRÊMIO NOBEL DE LITERATURA 2018 E 2019


Olga Tokarczuk e Peter Handke ganham prêmio Nobel de Literatura

Academia Sueca escolheu entregar o prêmio de 2018 junto ao de 2019. Premiação foi cancelada no ano anterior após o dramaturgo Jean-Claude Arnault ter sido acusado de abuso sexual.

Por G1
10/10/2019

Vencedores dos prêmios Nobel de Literatura de 2018 (Olga Tokarczuk) e 2019 (Peter Handke) — Foto: Reprodução/Twitter Nobel Prize

A polonesa Olga Tokarczuk e o austríaco Peter Handke ganharam o prêmio Nobel de Literatura. O comunicado foi feito nesta quinta-feira (9) pela Academia Sueca.
O prêmio entregue a Olga Tokarczuk foi referente ao ano de 2018, quando a academia cancelou a premiação após um escândalo sexual. No início de 2019, a instituição anunciou a decisão de conceder dois prêmios em 2019 para tentar recuperar seu prestígio.

O prêmio para cada um dos ganhadores é de 9 milhões de coroas suecas (o equivalente a cerca de R$ 3,7 milhões).

Segundo a academia, o prêmio entregue a Olga foi "por uma imaginação narrativa que, com paixão enciclopédica, representa o cruzamento de fronteiras como uma forma de vida." Antes da premiação, a expectativa era que ao menos uma mulher levasse o prêmio, e a polonesa estava entre os nomes cotados, junto com a chinesa Can Xue, a russa Lyudmila Ulitskaya e a americana Joyce Carol Oates.

Durante o anúncio, a academia explicou que Peter Handke foi nomeado "por um trabalho influente que, com ingenuidade linguística, explorou a periferia e a especificidade da experiência humana".

Olga Tokarczuk
Olga Tokarczuk nasceu em 1962, em Sulechów, na Polônia, e hoje vive em Breslau, também na Polônia. Ela estreou como escritora de ficção em 1993 com "Podróz ludzi Księgi" ("A jornada do povo do livro", em tradução livre).

Segundo o Nobel, a verdadeira inovação de Tokarczuk veio com seu terceiro romance, "Prawiek i inne czasy" ("Primitivo e Outros Tempos"), de 1996. O romance é "um excelente exemplo de nova literatura polonesa após 1989", disse o comitê do prêmio.

"A obra prima de Olga Tokarczuk, até agora, é o impressionante romance histórico 'Księgi Jakubowe' 2014 ('Escrituras de Jacó'). Ela mostrou neste trabalho a capacidade suprema do romance de representar um caso quase além da compreensão humana", acrescentou o comitê.

Em 2018, a escritora ganhou o Man Booker International do Reino Unido pelo romance "Flights", que reúne uma série de histórias, como um conto do século 17 sobre o anatomista holandês Philip Verheyen, que dissecou e desenhou detalhes de sua perna amputada, e uma história do século 19 sobre o coração do finado Chopin, que viajou oculto de Paris a Varsóvia.

No Brasil, foi publicado em 2014 apenas um título em português da escritora, chamado "Os Vagantes" ("Bieguni", no título original em polonês).


Peter Handke
Handke, de 76 anos, nasceu em 1942, na vila de Griffen, na região de Kärnten, no sul da Áustria, mesmo local que sua mãe, que pertencia à minoria eslovena do lugar.

O romance de estreia dele, Die Hornissen, ("As Vespas", em tradução livre), foi publicado em 1966. A obra, junto com a peça '"Ofendendo o Público", de 1969, são citadas como responsáveis por deixar a marca do escritor no cenário literário.

"Mais de cinquenta anos depois do lançamento de seu primeiro livro, tendo produzido um grande número de obras em diferentes gêneros, o laureado de 2019, Peter Handke, estabeleceu-se como um dos escritores mais influentes da Europa após a Segunda Guerra Mundial", disse o comitê do Nobel.

Denúncias de abuso sexual

O prêmio de 2018 foi cancelado após acusações contra o marido de uma das integrantes da Academia Sueca. O dramaturgo Jean-Claude Arnault foi acusado cometer abusos sexuais dentro de uma instituição cultural que recebia dinheiro da academia e de vazar o nome de vários ganhadores do prestigiado prêmio.

Segundo a agência AFP, o comitê do Prêmio Nobel -- composto normalmente por cinco membros que recomendam um laureado ao resto da academia -- decidiu incluir em 2019 e 2020 "cinco especialistas externos", especialmente críticos, editores e autores de entre 27 e 73 anos.

Depois do escândalo, estas nomeações externas foram impostas pela Fundação Nobel, que financia o prêmio. "As mudanças foram muito frutíferas e temos esperança para o futuro", declarou à AFP o novo secretário permanente, Mats Malm, dias antes do anúncio dos premiados.

Nobel da Literatura em números

Desde 1901, foram 116 laureados em 112 premiações. Isso porque eu quatro delas, dois nomes foram anunciados como vencedores no mesmo ano. Até hoje, ninguém foi premiado mais de uma vez no Nobel.

Rudyard Kipling foi o mais jovem vencedor do prêmio. Em 1907, quando foi nomeado, tinha 41 anos de idade.

Já a mais velha foi Doris Lessing, que estava com 88 anos quando foi premiada em 2007.

Vencedores do prêmio Nobel de Literatura, anunciado nesta quinta-feira (10) — Foto: Reprodução/Twitter Nobel Prize

As mulheres do Nobel de Literatura

Até então, o Prêmio Nobel de Literatura havia sido concedido a apenas 14 mulheres entre uma centena de homens desde sua criação, em 1901. Com o nome de Olga, o número sobe para 15.

1909 – Selma Lagerlöf
1926 – Grazia Deledda
1928 – Sigrid Undset
1938 – Pearl Buck
1945 – Gabriela Mistral
1966 – Nelly Sachs
1991 – Nadine Gordimer
1993 – Toni Morrison
1996 – Wislawa Szymborska
2004 – Elfriede Jelinek
2007 – Doris Lessing
2009 – Herta Müller
2013 – Alice Munro
2015 – Svetlana Alexievich
2018 – Olga Tokarczuk


NOBEL 2019




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