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sexta-feira, 20 de setembro de 2019

ABL APRESENTA “A COMÉDIA DA PANELINHA”, DE PLAUTO, NA LEITURA DRAMATIZADA DE SETEMBRO


Em 2019, uma parceria entre a Academia Brasileira de Letras e a Escola Técnica Estadual de Teatro Martins Pena promove apresentações teatrais da peça “A comédia da Panelinha”, entre outras, adaptadas para o formato de leitura dramatizada.
O evento será realizado no dia 25 de setembro, quarta-feira às 15h00, no Teatro R. Magalhães Jr. localizado na Academia Brasileira de Letras, Av. Presidente Wilson, 203 – Castelo. A entrada é francaFaça sua reserva!
A leitura
O enredo central envolve a história do velho Euclião, que possui uma panela cheia de ouro herdada por gerações. Por medo de perder tal riqueza, entretanto, o personagem vive como um pobretão, atordoado com a possibilidade de descobrirem o seu tesouro escondido. Numa trama cheia de peripécias e mal-entendidos, o autor propõe a pergunta sempre atual: dinheiro traz felicidade?
Com um pouco mais de uma hora de duração, jovens e adultos poderão se encantar com uma divertida história que tem como tema central esconder de todos a sua fonte instantânea de riqueza. A apresentação é realizada pelo grupo de alunos e ex-alunos da Escola, com direção da professora Christiane Messias e tradução de Aída Costa.
O autor
Plauto foi um grande dramaturgo romano que viveu durante o período republicano. A obra "A comédia da Panelinha" de Plauto serviu de inspiração para outros renomados escritores ao longo dos séculos, como ShakespeareMolière e Ariano Suassuna.

INSCRIÇÕES
Garanta sua participação gratuita para esta sessão exclusiva. Lugares limitados.


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quinta-feira, 19 de setembro de 2019

BEM-VINDO AO SÉCULO XXI – Jhanis Saadi

"Bem-vindo ao século XXI

Aqui o sexo é livre e o amor se tornou um bolso cheio de notas.

Onde perder o celular é pior do que perder os teus valores. Onde a moda é fumar e beber, e se não fizer isso, você está obsoleto. Onde o banheiro se tornou estúdio para fotos e a igreja, o lugar perfeito para check in.

Século XXI, onde homens e mulheres temem uma gravidez muito mais que HIV. Onde o serviço de entrega de pizza chega mais rápido do que a ambulância.

Onde as pessoas morrem de medo de terroristas e criminosos muito mais do que temem a Deus. Onde as roupas decidem o valor de uma pessoa e ter dinheiro é mais importante do que ter amigos ou até mesmo família.

Século XXI, onde as crianças são capazes de desistir dos seus pais pelo seu amor virtual. Onde os pais esquecem de reunir a família à mesa para um jantar harmonioso, conversando sobre o dia a dia pois estão entretidos no seu trabalho ou celular.

Onde homens e mulheres muitas vezes, só querem relacionamentos sem obrigações e seu único 'compromisso' se torna posar para fotos e postar nas redes sociais jurando amor eterno. Onde o amor se tornou público ou uma peça de teatro.

Onde o mais popular ou o mais seguido com mais curtidas em fotos é aquele que aparenta esbanjar felicidade; aquele que posta fotos em lugares legais e badalados rodeados por 'amizades vazias' com 'amores incertos' e 'famílias desunidas'.

Onde as pessoas se esqueceram de cuidar do espírito, da alma vazia e resolveram cuidar e cultuar os seus corpos. Onde vale mais uma lipoaspiração para ter o corpo desejado do 'mundo artístico' do que um diploma universitário.

Onde uma foto na academia tem muito mais curtidas do que uma foto estudando ou praticando boas ações.

Século XXI, aqui você só sobrevive se jogar com a 'razão', e você é destruído se agir com o teu coração!"


Jhanis Saadi 




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RETROCESSO NA INGLATERRA – Péricles Capanema


17 de setembro de 2019
Péricles Capanema

Não vou tratar aqui do imbróglio Brexit. Deixo suas ameaças e incompreensões para eventual outro artigo. O caso pode provocar enorme retrocesso em várias frentes. É de outra regressão, menos imediata, certamente mais funda, o que esmiúço nas linhas abaixo.

Antígua e Barbuda, Austrália, Belize, Barbados, Canadá, Granada, Jamaica, Nova Zelândia, Papua Nova Guiné, São Cristóvão e Nevis, Santa Lúcia, São Vicente e Granadinas, Ilhas Salomão, Bahamas, Tuvalu. British Commonwealth. O Reino Unido é composto de quatro nações, Inglaterra, Gales, Escócia e Irlanda do Norte. Inglaterra, Gales e Escócia formam a Grã-Bretanha. Também British Commonwealth. Constituem todos, repito, a British Commonwealth, cuja tradução, entre várias, poderia ser comunidade das nações britânicas. Têm um só chefe de Estado, a rainha Elisabeth II. Ligados por vários laços construídos pacientemente ao longo das centúrias, esses países constituem uma liga de mútuos bons ofícios, abertura e benevolência recíprocas. Um pouco distante, olhando para a mesma direção, encontram-se Estados Unidos, Índia, Paquistão. De tal comunidade de povos, ligados por tantos laços, e ressalto, os do afeto, consideração e respeito, advêm enormes vantagens comerciais mútuas, facilidades de viagens, de estudos, proteção militar, tanta coisa mais.

Bandeiras dos países-membros da British Commonwealth
No centro, uma pequena ilha, poucas riquezas naturais, governada por séculos com espantosa continuidade operosa. A realidade empurra o observador a se inclinar diante do senso político extraordinário ali incrustado senso de governo que faz lembrar, e quem sabe os supera, os romanos das idades clássicas.

Senatus Populusque Romanus — o Senado e o Povo Romano. Chamo a atenção agora para a palavra Senatus. E para a realidade, conselho formado por pater famílias, os chefes das famílias patrícias. Depois a ela volto.

Os primeiros-ministros de cinco membros da Commonwealth de 1944 em uma Conferência da Commonwealth. Churchill no centro.

Um salto para a História contemporânea. Corria 1937. Winston Churchill, então no ostracismo, carreira encerrada, tudo o indicava, pois era rejeitado no seu partido devido à oposição feroz que fazia ao nazismo e a seu armamentismo, foi convidado para ir à embaixada alemã em 21 de maio, onde o esperava o embaixador Joachim von Ribbentrop, depois ministro do Exterior do Terceiro Reich. Foi-lhe apresentada a proposta de um pacto entre a Alemanha nazista e a Inglaterra. O político inglês a rejeitou prontamente. Então Ribbentrop virou as costas bruscamente e disse: “Sendo assim, não há saída. A guerra é inevitável. Hitler está resolvido. Nada o deterá, nada nos deterá”. Winston Churchill, calmo, disse ao chefe nazista mais ou menos o seguinte: “Não subestime a Inglaterra e de modo especial não a julgue pelas atitudes do presente governo. Ela é muito inteligente. Se vocês nos afundam em outra grande guerra, ela coligará o mundo inteiro contra vocês, como fez na última vez”. Ribbentrop redarguiu: “A Inglaterra pode ser muito inteligente, mas desta vez não coligará o mundo inteiro contra nós”. Churchill foi embora. Veio a guerra, a Inglaterra coligou o mundo contra Hitler, venceu-a, é o mesmo senso político em atividade.

Em 1955, a Rainha Elisabeth II com Winston Churchill no centro

As realidades políticas duradouras estão enraizadas em realidades sociais, delas recebem a seiva. A classe política inglesa em boa medida é reflexo da vida, no campo e na cidade, de famílias que em graus muito diferentes marcaram a história inglesa. Winston Churchill era desse meio. E mesmo os políticos que dali não vieram respiraram tais ares, moldam seu comportamento pelos valores e costumes que pautam as relações entre esposos, filhos, parentela e conhecidos das famílias antigas do Reino Unido. É valor social, para ficar por aqui, de enorme valia. Mais precisamente, tem enorme função social. A Câmara dos Comuns, a Câmara dos Lordes, a própria realeza, sem essa realidade humana que as embasa, seriam corpos de vida anêmica. Têm elas na Inglaterra papel análogo ao Senado romano.

A Rainha na abertura do Parlamento, em 2014

Embora já não se possa falar em sociedade de ordens, referir-se ao fato em comento apenas como sociedade de classes seria apressado, superficial e deformante. À vera, ainda permanece no ar o perfume da sociedade de ordens, continua tendo vitalidade o senso do bem comum, não morreram comportamentos que tiveram seu auge nas épocas de esplendor da cavalaria cristã. Com tais balizas, a benéfica mobilidade social, para cima e para baixo, assimilações e decadências, respeitam a estabilidade, fazem-se enfim sem lesar o bem comum. Estou escondendo os possíveis abusos, deformações, favoritismos injustificáveis? Não, apenas não os estou colocando no quadro para que o essencial seja visto em primeiro lugar. Do mesmo modo que faria ao analisar a situação do bombeiro, de evidente relevância social, sem de início aludir a profissionais corruptos, relapsos e omissos.

Por que coloquei no título retrocesso na Inglaterra? Para não deixar passar batida uma involução, um sintoma dela aponto no próximo parágrafo, que pode, com o tempo, perenizar fossilização regressiva, tantas vezes característica de sociedades igualitárias.

A Editora Debrett publica desde 1769 um anuário, hoje intitulado Peerage and Baronetage, [na foto a edição deste ano — a última], espécie de almanaque da nobreza e aristocracia inglesas. Todos os títulos ali constantes têm sua história, muito deles de grande ressonância, significam a justo título muito no mundo saxão, mas não representam a essência do fenômeno (são dele reflexo) que aqui coloco na lupa: o miolo é o cultivo amoroso da excelência, no caso, a social, por boa parte do público. Isso é motor do avanço em qualquer sociedade.

Informa Vivian Oswald no jornal “Globo”, a edição impressa de 2019 do Peerage and Baronetage, a 150º, será a última. Razão decisiva, o álbum de dois volumes dá prejuízo. São muito altos os custos de produção, distribuição e estocagem do artístico e informativo trabalho, capa de couro, cerca de três mil páginas. A publicação continua na internet, com consulta paga. A propósito, esta última edição, preço promocional, sai por 405 libras.

Em resumo, parece, o público já não se interessa o suficiente para ser lucrativo manter em circulação um dos símbolos da grandeza da Inglaterra. Acostumou-se com horizontes mais acanhados, em que aparece menos a atração pela excelência, no caso, um marco do apreço pela perfeição social. É rota para o atraso, fenômeno que pode ter efeitos mais fundos que o imbróglio Brexit.



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quarta-feira, 18 de setembro de 2019

A SALVAÇÃO DA LAVOURA! - Antonio Nunes de Souza


Depois de uma manhã bastante trabalhosa, para descansar as escondidas do administrador, o trabalhador rural procurou uma grota numa pirambeira para relaxar, deitou-se e dormiu tranquilamente, depois de tomar uma cachacinha e saborear sua farofa com carne seca.

Passadas algumas horas, com um grande susto, foi acordado com uma pancada da cabeça, por algo que despencara da árvore.

Pulou assustado, olhou para o chão e viu um grande ovo de chocolate, rachado em duas partes. Em princípio ficou apavorado e procurou em sua volta quem havia atirado tal objeto. Mas, não vendo ninguém, olhou para cima e, muito espantado, viu que o cacaueiro estava carregado de ovos de páscoa (desembrulhados, é claro!). Ele, mais assustado ainda, esfregou os olhos para dar uma maior firmeza a sua visão, tornando a olhar para cima, constatou a árvore coberta de ovos, não só em seu tronco, como em diversos galhos.

-Meu Deus, será que estou doido ou é um milagre? Exclamou ele em voz alta, ainda não acreditando no que via.

Meio desconfiado, pegou um pedaço do ovo que havia caído em sua cabeça e, com certo medo, enfiou na boca para experimentar o sabor e constatar a realidade. E, para sua maior surpresa, o gosto era uma delícia, com uma textura de alta qualidade.

Já desfeito o susto inicial, deu um pequeno sorriso e ficou a matutar o que teria acontecido com aquele cacaueiro, pois os outros estavam todos normais, somente aquele apresentava uma frutificação tão saborosa e estranha. Curiosamente, aquele pedaço de roça fora ele mesmo que havia plantado tempos atrás, mas, pela localização ser muito acidentada, nunca tinha voltado ali para verificar o crescimento ou desenvolvimento daquelas mudas que lhe foram mandadas pelo patrão. Mas, o curioso é que todas as mudas foram iguais e somente aquele tinha degenerado com relação aos frutos.

Depois de pensar bastante o que fazer, se colheria para ele e ficaria calado ou se contava ao administrador. Então, colocou a memória para funcionar, procurando lembrar-se do dia em que fez o tal plantio. Caboclo de boa memória, num sobressalto, lembrou-se que, no dia em que estava enterrando às mudas, ele encontrou uma galinha morta bem no pé da cova e aproveitou para empurrá-la para dentro, fazendo o plantio e a ave serviria de adubo.

-Só pode ter sido isso! Disse ele em voz baixa. E ao mesmo tempo pensou: Houve uma mistura das características da galinha com a do cacau e o resultado foi a árvore produzir ovos de páscoa. Vou imediatamente passar essa minha experiência para o pessoal da Ceplac e lá eles poderão aprimorar, colocar papel de seda e uma fitinha, pois aí os ovos já sairão embalados e prontos para vender. E ainda tem mais, se os cientistas forem expertos, já nos saquinhos das mudas colocarão castanhas, passas, amendoins, frutas cristalizadas, farinha de trigo, etc. e, quem sabe se não teremos mudas que produzam, além dos ovos de páscoa com vários sabores, alguns deliciosos panetones?

Esse trabalhador rural fez uma carta para o departamento de genética do órgão, já se passaram dois anos e ninguém foi na fazenda para comprovar o fato e colocar em prática esse novo tipo de clone. Talvez essa seja a solução para todos os nossos problemas regionais.

Infelizmente não posso declinar o nome do trabalhador, mas, posso afirmar que ele nunca mais comprou ovos de páscoa, manda para os amigos e guarda a sete chaves, bem camuflado, seu cacaueiro encantado.

  
Antonio Nunes de Souza, escritor
Membro da Academia Grapiúna de Letras-AGRAL
                                     
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ACADÊMICO CARLOS NEJAR LANÇA SEU NOVO ROMANCE “OS DEGRAUS DO ARCO-ÍRIS”


O Acadêmico e poeta Carlos Nejar lança o seu mais novo romance, Os degraus do arco-íris, pela Editora Cepe, no dia 19 de setembro, quinta-feira, a partir das 19h00 na Livraria da Travessa em Ipanema (R. Visconde de Pirajá, 572 - Rio de Janeiro).
O Acadêmico
O acadêmico construiu uma obra importante em vários gêneros – na poesia, no romance, no teatro, no conto e na criação para o público infantojuvenil. Em seu Esconderijo da Nuvem, um eu lírico retorna ileso de cada confronto com o mistério da morte.
É considerado pelo crítico Gustav Siebenmann um dos 37 escritores-chave do século do período compreendido entre 1890 a 1990.
Entre as dezenas de livros publicados, Riopampa - O Moinho das Tribulações recebeu o Prêmio Machado de Assis pela Fundação Biblioteca Nacional e O poço dos milagres o Prêmio da Associação Paulista de Críticos de Artes de Prosa Poética.
Escritor, poeta, tradutor, crítico e ficcionista gaúcho, traduzido em várias línguas, é estudado nas universidades do Brasil e do exterior.

05/09/2019



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terça-feira, 17 de setembro de 2019

ESCRITORA MARISA LAJOLO FAZ PALESTRA NA ABL DANDO CONTINUIDADE AO CICLO DE CONFERÊNCIAS “CADEIRA 41”


A Academia Brasileira de Letras realiza sua terceira palestra do Ciclo de Conferências Cadeira 41, com a participação da escritora Marisa Lajolo. O tema será Na classe, com Mestre Candido. A coordenação do Ciclo é da Acadêmica Ana Maria Machado. O evento está programado para quinta-feira, dia 19 de setembro, às 17h30, no Teatro R. Magalhães Jr., Avenida Presidente Wilson, 203 - Castelo, Rio de Janeiro. Entrada franca.
A intitulação Cadeira 41 remonta aos tempos de fundação da ABL, em 20 de julho de 1897. Criada nos mesmos moldes da Academia Francesa, o número máximo de Acadêmicos era 40, o que continua até os dias de hoje. Este Ciclo, no entanto, pretende apresentar quatro nomes que poderiam ocupar, em suas épocas, uma dessas Cadeiras e que, por razões diferentes e individuais, não se tornaram membros da Academia.
 A Acadêmica e escritora Ana Maria Machado é a coordenadora geral dos Ciclos de Conferências de 2019.
 Os Ciclos de Conferências, com transmissão ao vivo pelo portal da ABL, têm o patrocínio da Light.
Serão fornecidos certificados de frequência.
O Ciclo Cadeira 41 terá mais uma palestra, que será realizada no dia 26, quinta-feira, no mesmo local e horário, e terá como palestrante o Acadêmico Cacá Diegues e como tema Com Jorge de Lima no coração.
 A Conferencista
Marisa Lajolo é formada em Letras pela USP, onde também defendeu Mestrado e Doutorado. Desenvolveu Pós-doc na Brown University. É autora de vários livros e tem textos incluídos em muitos outros. Com Regina Zilberman, publicou várias obras sobre literatura no Brasil.
O livro que organizou com J. L. Ceccantini, Monteiro Lobato livro a livro - obra infantil (Edunesp/Imprensa Oficial)  ganhou o Prêmio Jabuti  e foi considerado o  "Livro do Ano" de 2008. Sua biografia romanceada de Gonçalves Dias, O Poeta do Exílio (FTD)   ganhou o prêmio de Melhor Obra de Literatura Infantojuvenil da Academia Brasileira de Letras em 2011. Com Lilia Moritz Schwarcz, acabou de publicar Reinações de Monteiro Lobato: uma biografia (Cia das Letrinhas). É professora aposentada da Unicamp e leciona atualmente na Universidade Presbiteriana Mackenzie.
Leitura complementar
Biblioteca Rodolfo Garcia disponibiliza seu acervo para pequisa e leitura de obras relacionadas ao tema desta conferência, como "O que é literatura""Formação da literatura brasileira : (momentos decisivos)" e "Iniciação à literatura brasileira : (resumo para principiantes)".
Para consultar mais materiais como os citados, acesse o link abaixo e visite os "Levantamentos bibliográficos" realizados para este evento.
 12/09/2019
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LEMBRANDO ALTINO SERBETO - Antonio Baracho


           

            H
á alguns dias revendo o antigo classificador, com recortes de alguns jornais, encontrei um artigo sobre Altino Serbeto de Barros, no jornal da Capital, e confesso que fiquei comovido. Foi no período que, morando na Capital, conheci o ilustre advogado através do meu inesquecível padrinho Josafá Lopes de Almeida. Ambos se nutriam uma sincera admiração e cordialidade, pautando uma vida de bons exemplos. São algumas linhas para lembrar um dos mais insignes cultores do direito do país, aquele que faleceu aos 91 anos de idade bem vividos, na sublimidade do sacerdócio advocatício. Percorreu os mais longínquos e inóspitos rincões da Bahia, montado em lombo de burro, que era o comum transporte da época; pelos sertões, passando por Juazeiro, Caetité, Ilhéus, Barreiras, Itabuna de um a outro extremo do Estado, numa faina incansável, semeando a justiça, como os jesuítas semeavam a fé.


            Na sua passagem pela comarca de Ilhéus, na década de 30, enfrentou as ameaças dos coronéis, mas em pouco tempo pôs ordem nas coisas, deste jeito conquistando admiração e respeito de toda a população.

            Na Capital, frequentava o Fórum Rui Barbosa, diariamente, onde os funcionários o tratavam com singular reverência. Mantinha o seu escritório de advocacia na Avenida Sete de Setembro. Possuía uma vasta biblioteca que doou à Ordem dos Advogados.

            Eis um pequeno excerto feito pelo seu discípulo apanhado do seu feliz artigo:

"Homem simples, bondoso, corretíssimo, de profundos conhecimentos jurídicos e vasta cultura. Ruísta incondicional. Compreensivo com as fraquezas humanas, mas inflexível no cumprimento dos deveres: " Ao consultório médico vão levar as misérias físicas; ao, do advogado, as misérias morais...” Defendia com intransigência os interesses dos bem-nascidos, e, com o mesmo empenho, os humildes e deserdados da vida, que nele encontravam o mais fiel escudeiro nas lutas contra injustiças, do que deixou exemplos memoráveis."

            Sem dúvida, foi um grande advogado, um ilustre filho da nossa Bahia mas ficou esquecido pelos homens. Pois, nem sequer uma simples rua da cidade perpetua-lhe o nome.

            "É que vivemos tempos de ingratidão, de profunda inversão de valores. Afinal, como supremo consolo, a todos nos resta a vala comum, niveladora mãe inexorável do final do destino dos homens e de suas vaidades".


Membro da Academia Grapiúna de Letras- AGRAL, ocupante da cadeira nº 11.
Tel. (73) 99102-7937 / 98801-1224

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