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terça-feira, 27 de agosto de 2019

O BRASIL JÁ É UM PAÍS DIFERENTE - J. R. Guzzo


”O jornalista José Roberto Guzzo, colunista da Exame, produziu uma das mais lúcidas análises sobre o presente e o futuro do governo do Presidente Jair Bolsonaro.
Sob o título, "O Brasil já é um país diferente", o renomado jornalista desenvolveu a seguinte reflexão:


”O presidente da República pode ser ruim, ou muito ruim, conforme a definição que deixar o leitor mais confortável.

Também pode ser bom, caso se leve em conta a opinião dos que acham que ele está sempre certo.

Na verdade, para simplificar a conversa, o presidente pode ser o que você quiser.

Mas os fatos que podem ser verificados na prática estão dizendo que seu governo, depois dos primeiros sete meses, é bom — ou, mais exatamente, o programa de governo é bom, possivelmente muito bom.

Esqueça um pouco o Jair Bolsonaro que aparece em primeiríssimo plano no noticiário, todo santo dia, em geral falando coisas que deixam a maioria dos comunicadores deste país em estado de ansiedade extrema.

Em vez disso, tente prestar atenção no que acontece.

O que acontece, seja lá o que você acha de Bolsonaro, é que seu governo está conseguindo resultados concretos.

Mais:
É um governo que tem planos, e tem a capacidade real de executar esses planos.

Enfim, é um governo que tem uma equipe muita boa fazendo o trabalho que lhe cabe fazer.

O ministro Paulo Guedes tem um plano, e seu plano está sendo transformado em realidades — a começar pela aprovação de uma reforma da Previdência que todos os cérebros econômicos do Brasil julgavam, até outro dia, ser uma impossibilidade científica.

A reforma tributária virá; seja qual for sua forma final, ela deixará um país melhor.

Uma bateria de outras mudanças, basicamente centradas no avanço da liberdade econômica e na faxina administrativa para melhorar a vida de quem produz, está a caminho — diversas delas, por sinal, já foram feitas e estão começando a funcionar.

Guedes é um ministro de competência comprovada, e sua equipe, que ele deixa em paz para trabalhar, tem qualidade de país desenvolvido.

É bobagem, simplesmente, apostar contra ele.

Os ministros Tarcísio de Freitas, da Infraestrutura, Bento Albuquerque, de Minas e Energia, e Tereza Cristina, da Agricultura, são craques indiscutíveis — e estão mudando, em silêncio, o sistema nervoso central das estruturas de produção do país.

Há mais.

O ministro Sérgio Moro, que seria destruído numa explosão nuclear, está mais vivo do que nunca.

Há todo um novo ambiente, voltado para as realidades e para a produção de resultados, em estatais como a Petrobras ou a Caixa Econômica Federal, a Eletrobras ou o BNDES.

As mudanças, aí e em muitos outros pontos-chave do Estado nacional, estão colocando o Brasil numa estrada oposta à que vem sendo seguida desde 2003 — e é claro que a soma de todos esses esforços, por parciais, imperfeitos e deficientes que sejam, vai criar um país diferente.

Os avanços são pouco registrados na mídia?
São.

O governo comete erros, frequentemente grosseiros?
Comete.

Suas propostas sofrem deformações, amputações e alterações para pior?
Sofrem.

O presidente é uma máquina de produzir atritos, problemas de conduta e confusões inúteis?
É.

Mas nada disso tem impedido, não de verdade, que o governo esteja conseguindo obter a maioria das coisas que quer.

Já conseguiu uma porção delas em seus primeiros sete meses.

Não há fatos mostrando que vá parar de conseguir nos próximos três anos e meio.

O governo Bolsonaro é ruim?

De novo, dê a resposta que lhe parecer melhor.

Mas sempre vale a pena lembrar que a maioria das coisas só é ruim ou boa em comparação com outras da mesma natureza.

O atual governo seria pior que o de Dilma Rousseff ou de Lula?

E comparando com o de Fernando Collor, então, ou o de José Sarney?

Eis aí o problema real para quem não gosta do Brasil do jeito que ele está — o governo Bolsonaro não vai ser um desastre.

A possibilidade de repetir o que houve nos períodos citados acima é igual a zero.

Impeachment?

Sonhar sempre dá.

Mas onde arrumar três quintos contra Bolsonaro no Congresso?

Na última vez que a Câmara votou uma questão essencial, a reforma da Previdência, deu 74% dos votos para o governo.

Melhor pensar em outra coisa — ou aceitar o fato de que o homem vai estar aí pelo menos até 2022."“


#GoBolsonaro #SeNaoVaiAjudarEntaoNaoAtrapalhe #EsquerdoidesDeixemOHomemTrabalhar #BrasilAcimaDeTudoDeusAcimaDeTodos

 (Recebi via WhatsApp)

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José Roberto Guzzo, mais conhecido como J.R. Guzzo, jornalista brasileiro, diretor editorial do grupo EXAME e colunista das revistas Exame e Veja.

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segunda-feira, 26 de agosto de 2019

FRAGILIDADES DO “GIGANTE” ASIÁTICO – Marcos Machado


21 de agosto de 2019
Marcos Machado

Em artigo intitulado “China encontra dificuldades para vender seus produtos”, publicado em 16 de julho no “The New York Times” e reproduzido por “O Estado de S. Paulo”, Keith Bradsher confirma mais uma vez indícios, rumores e fatos sobre a fragilidade do castelo de cartas chinês.

Bombada pela mídia e favorecida por gigantesca injeção de investimentos e fábricas do capitalismo ocidental (EUA e Europa) e asiático (sobretudo Japão), a China veio a se tornar a segunda economia do mundo.

Entretanto, observadores mais argutos sempre apontaram que a economia da China não era saudável. É notório, pois ela não tem agricultura nem pecuária suficientes para alimentar sua população, dependendo, portanto, de vultosas compras de alimentos. A China vive da importação de matéria prima para suas fábricas produzirem e exportarem seus produtos; sem matéria prima ela vai à falência.

Mais uma fragilidade
“A China tem fábricas demais que produzem bens demais. Em consequência da guerra comercial punitiva deflagrada pelos Estados Unidos, o seu maior cliente no exterior não está mais comprando como antes. Por isso, a China procura novos clientes, entretanto, esta também poderá revelar-se uma façanha difícil. No mês passado, o país retomou os seus esforços para criar uma zona de livre comércio na região da Ásia-Pacífico, com o improvável objetivo de conseguir algum acordo até novembro. Se for bem-sucedido, o pacto poderá abrir mercados da Austrália à Índia.
“Pequim tenta também manter vivas complexas conversações tríplices que reduziriam as barreiras comerciais entre China, Japão e Coreia do Sul. Em termos gerais, o país está reduzindo unilateralmente suas próprias tarifas sobre produtos procedentes do mundo todo, e ao mesmo tempo, em caráter de retaliação, aplica tarifas mais altas sobre os bens produzidos nos EUA.”

Em jogo, a saúde da economia chinesa
“A China está assoberbada pelo excesso de capacidade de produção de itens básicos no comércio global.
“O que está em jogo é a saúde da economia chinesa. No mês passado, a China informou que o seu crescimento encolheu registrando o seu menor ritmo dos últimos 30 anos, aproximadamente, em parte porque a guerra comercial com o governo Trump começou a afetar o seu crucial setor de exportações. As companhias multinacionais agora tentam transferir suas operações para outros países a fim de evitar uma guerra comercial que poderia estender-se por muito tempo. A China precisa de novos mercados para o que ela produz” [Destaques nossos].

Impacto das tarifas americanas
Continua o NYT: “É difícil substituir os EUA […]. Nenhum país tem condições de absorver o enorme volume de tudo o que a China vende aos clientes americanos. Os seus vizinhos regionais competem contra ela em diversos setores.

“O país registra um excesso de capacidade na fabricação de automóveis, aço e outros produtos fundamentais para o comércio global.

“Uma nova redução da produção e o fechamento de fábricas poderão levar à perda de empregos e frear ainda mais o crescimento econômico. Diante da possibilidade de potenciais problemas econômicos, Pequim procura abrir novos mercados”.1

Cresce a importância do Brasil
O NYT afirma que a China procura novos parceiros comerciais com 10 países da Associação das Nações do Sudeste Asiático mais Austrália, Índia, Japão, Nova Zelândia e Coreia do Sul.
Além disso, centenas de fábricas estão saindo da China, priorizando o Vietnã, Índia, Tailândia etc.

*   *   *
Apliquemos ao Brasil. É conhecida a habilidade diplomática do Itamaraty, que saberá portar-se à altura de nossas tradições numa guerra comercial entre EUA e China. O Brasil é hoje um dos grandes exportadores de alimentos — do que a China é carente. Temos também uma abundância de matéria prima da qual a China é dependente.
Somos, portanto, nós, brasileiros, que damos as cartas. Saibamos manter nossa independência, nossa soberania e nossa honra em face dos convites da China (comunista) que a mídia nacional e internacional apresenta como poderosa, mas que de fato é totalmente dependente do exterior para alimentar sua população, suas fábricas e sua exportação, que cambaleia perante a guerra comercial.
O “gigante” asiático não é tão forte assim; o Brasil, sim, está numa posição de força.
E aguardamos que o governo chinês peça desculpas e se retrate das ameaças que fez ao Brasil caso nos aproximássemos dos EUA.
Em 31 de outubro, em editorial, o “China Daily” — jornal que funciona como porta-voz informal do governo — trouxe uma advertência clara: um eventual giro da política externa brasileira para uma submissão aos Estados Unidos pode representar um “custo econômico duro para a economia brasileira”.2
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Notas;
2.https://www.brasil247.com/pt/247/mundo/374232/Embaixador-da-China-visita-Bolsonaro-para-conter-movimentos-hostis.htm

 Comentário:
Luiz Guilherme Winther de Castro

21 de agosto de 2019

Onde impera o comunismo, mais que em quaisquer regimes políticos ou de governo e sistemas de economia, a corrupção é bem maior e só os que mandam têm privilégios. Acontece tal fato em qualquer país, o vil metal sempre fala mais alto, mas, nos países comunistas é bem pior.
O povo chinês, civilização antiga e criadora, inventora, com medicina antiga, etc., é um povo que não merecia estar dominado pelo comunismo. Mas, infelizmente, está!
A indústria chinesa pode fabricar produtos muito bons, mas, também, fabrica verdadeiras porcarias e as espalha pelo mundo, inclusive o Brasil. Lembro-me agora de um filme, dos EUA para variar, em que um menino instalou-se na casa de um casal que não conseguia ter filhos e procurou ajudar o seu pai adotivo a se livrar da falência. Esse menino era um “anjo” e num determinado momento em que instruía seu pai para não quebrar a fábrica de brinquedos que possuía, ele se refere às “tranqueiras fabricadas pela China”.
Espero que o Brasil não se torne um país submisso à China e nem também aos EUA, sendo este último um aliado melhor, até porque, com a influência da Rússia, a tentativa de comunizar o Brasil será sempre uma ameaça.



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'DIA DO FOGO' QUEIMA A LÍNGUA DOS COMUNO-FASCISTAS – Geraldo Maia

O ‘DIA DO FOGO’ (10 de agosto) confirma que Bolsonaro diz a verdade a respeito de ONGs e petralhas infiltrados no ICMBio tão aparelhado como toda a administração atual, os verdadeiros culpados pelo fogo na floresta Amazônica.

 Mas quando se fala de aparelhagem petralha a imprensa toda faz de conta que não ouviu, não viu e não diz nada. A reportagem da Globo mostra e prova que o ICMBio mais alguns fazendeiros e ONGs foram os verdadeiros responsáveis pelos incêndios criminosos na Amazônia. A ponto de a própria rede Globo, inimiga cruel do governo e de Bolsonaro, em mais um milagre de Deus, publicar reportagem confirmando a fala do presidente e mostrando para todo mundo quem realmente tocou fogo na floresta. 

E não precisamos do bandido Macron nem de europeu nenhum para cuidar da nossa floresta amazônica, e nem outra floresta nossa qualquer. A Amazônia pertence ao Brasil e aos outros países que compõem a região amazônica. 

Perguntinha: Com que cara vão ficar os que, como Marina Silva (grande decepção ao aliar-se aos comuno-fascistas extremistas), tentaram "queimar" Bolsonaro e o Brasil para o resto do mundo?

Espero que as outras mídias façam como a Globo nesse episódio e pelo menos uma vez na vida publiquem a verdade.

Se preciso for, pegaremos em armas para defender nossa soberania. Ficou claro, Macron e Cia?


Geraldo Maia - Estudou Jornalismo na instituição de ensino PUC-RIO (incompleto) Estudou na instituição de ensino ESCOLA DE TEATRO DA UFBA. Coordenou Livro, Leitura e literatura na empresa Fundação Pedro Calmon. Trabalha na empresa Folha Notícias. Filho de Itabuna/BA/BRASIL, reside em Louveira /SP.

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domingo, 25 de agosto de 2019

REALIZE SEUS SONHOS - Antônio Nunes de Souza


Sonhar é nada mais nada menos que projetar em nossas mentes (dormindo ou acordado) todos os desejos que queremos que sejam realizados.

O homem nasce com uma finalidade de vida determinada pela sociedade, onde precisa ser culto, razoavelmente poderoso, muito saudável, tremendamente feliz e bastante forte. Conquistando essas cinco coisas, certamente poderá dizer que realizou o seu sonho, integralmente, perante o mundo e a comunidade que vive.
E conquistar tudo isso é fácil?

Claro que não! É tão difícil que, na maioria das vezes, as pessoas nem tentam. Entregam-se nas mãos do destino, esperando que o que tem que ser será e, achando que as soluções cairão do céu, não dando conta que nós é que traçamos e somos responsáveis pelas trajetórias dos nossos destinos.

Por que digo que a realização dos nossos sonhos não é fácil?
Simplesmente baseado nos fatos do cotidiano, experiência de vida e a observação que constantemente faço com pessoas que conheço e convivo.

Por exemplo: O primeiro item que acho primordial é ser culto e bem informado! Como admirar as coisas belas sem saber os seus significados e suas origens?  Impossível! E cultura e conhecimentos aprendem-se frequentando boas escolas, lendo-se bons livros, frequentando bons ambientes, tendo amigos com bons níveis intelectuais, fazendo viagens, etc. E, para conseguir fazer isso, precisa que você seja bem nascido e tenha por trás de si um respaldo financeiro para apoiá-lo, senão você não passará de um medíocre alfabetizado, vivendo iludido pensando que sabe das coisas, ou conformado em ter adquirido o saber do “feijão com arroz”, limitando sua visão do que seja, verdadeiramente, o mundo.

O segundo parece ser até dispensável aos olhos dos tolos, mas, na verdade, é de uma importância brutal para uma boa sobrevivência em qualquer comunidade que você viva. Isto porque, por mais que você não queira admitir, o homem é mais respeitado pelo mal que pode fazer, do que pelo bem que pode realizar. É um raciocínio torpe, porém verdadeiro. E, tendo você um pouco de poder, as pessoas o olham com mais atenção e contam até dez antes de invadir os seus direitos. E como se pode ser razoavelmente poderoso, não tendo-se uma situação financeira definida? Creio que nunca!

O terceiro é literalmente vital: Ser saudável! Ter saúde é uma questão genética, entretanto mantê-la é o mais difícil, pois, para tanto, importante é que você tenha uma boa alimentação, frequente médicos e dentistas periodicamente, disponha de remédios quando forem necessários, possa hospitalizar-se quando preciso for e, basicamente, morar em uma casa que lhe ofereça condições adequadas de conforto e higiene. E como se consegue tudo isso?  Tendo-se condições financeiras compatíveis.

O quarto é para mim, talvez o mais difícil de todos os preceitos para a realização do nosso sonho. Simplesmente porque para se sentir bastante feliz, precisa-se de todos os outros itens e, às vezes, você tem todos os outros e não consegue alcançar a tão desejada felicidade. Como também, consegue-se a felicidade e a falta dos outros complementos, fazem com que ela seja tão rápida e efêmera que nos torna infelizes pela frustração de não termos condições de mantê-la. Quem pode sentir-se bastante feliz sem cultura, sem algum poder ou sem uma boa saúde, se essas coisas dependem categoricamente de dinheiro?   Portanto, mais uma vez a estabilidade financeira interfere em nossos sonhos, sendo que, desta feita, com força brutal, atingindo o que nos deixa mais fragilizado, que é nosso equilíbrio emocional.

O quinto e último é a característica predominante em qualquer circunstância de todos os itens, principalmente para aqueles que conseguem alcançar todos os outros. Pois, não sendo forte (refiro-me a fortaleza de caráter e a capacidade de receber as cacetadas da vida e levantar sempre para lutar), não consegue manter-se na lista daqueles que realizaram os seus sonhos. Isso porque deixou desmoronar-se rapidamente pela falta de competência de administrá-los. Esse fato ocorre muito com aqueles bem nascidos que já encontraram tudo praticamente pronto e não souberam o que fazer para continuarem bem. Vale dizer que, a característica de ser forte é nata em todos nós. Em alguns, para procurarem sempre sobreviver de bem com a vida. E em outros, para apanharem constantemente, achando que é isso mesmo, e é assim porque Deus quer e determinou. Esses últimos são os que têm grandes capacidades de serem fortes suficientes para serem mediocremente fracos.
Como se pode ver claramente, a situação financeira de todos está ligada, radicalmente, à realização dos nossos sonhos. Pode parecer que a minha conceituação seja dinheirista, mas, se você analisar com sensatez e frieza, no seu julgamento verá que, infelizmente, sem o vil metal pouco ou nada se consegue na nossa gloriosa vida. Terminamos passando por ela pensando que o mundo é somente o que está em nossa volta.

Na verdade, o dinheiro não é o mais importante de tudo, entretanto, a falta dele nos priva das coisas mais significativas que o mundo oferece. Eu, particularmente, detesto dinheiro. Todas as poucas vezes que ele chega a minhas mãos, imediatamente troco-o por coisas que me deixa mais culto e bem informado, respeitosamente poderoso, mais saudável, muitíssimo feliz e suficientemente forte.
Portando, não espere nada cair do céu!  Rale muito, engula sapos, saiba escolher aquilo que melhor lhe oferece oportunidades e, com certeza, realizará seus sonhos.
Espero que você faça uma reflexão sobre essas regras básicas, coloque como primordial em sua vida a independência (sem essa você não é ninguém) e, dentro em breve, possa dizer sorrindo: Como está sendo bom realizar os meus sonhos!


Antonio Nunes de Souza, escritor
Membro da Academia Grapiúna de Letras-AGRAL


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PALAVRA DA SALVAÇÃO (145)


21º Domingo do Tempo Comum, 25/08/2019

Anúncio do Evangelho (Lc 13,22-30)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, Jesus atravessava cidades e povoados, ensinando e prosseguindo o caminho para Jerusalém. Alguém lhe perguntou: “Senhor, é verdade que são poucos os que se salvam?”
Jesus respondeu: “Fazei todo esforço possível para entrar pela porta estreita. Porque eu vos digo que muitos tentarão entrar e não conseguirão. Uma vez que o dono da casa se levantar e fechar a porta, vós, do lado de fora, começareis a bater, dizendo: ‘Senhor, abre-nos a porta!’
Ele responderá: ‘Não sei de onde sois’.
Então começareis a dizer: ‘Nós comemos e bebemos diante de ti, e tu ensinaste em nossas praças!’
Ele, porém, responderá: ‘Não sei de onde sois. Afastai-vos de mim todos vós que praticais a injustiça!’
Ali haverá choro e ranger de dentes, quando virdes Abraão, Isaac e Jacó, junto com todos os profetas no Reino de Deus, e vós, porém, sendo lançados fora. Virão homens do oriente e do ocidente, do norte e do sul, e tomarão lugar à mesa no Reino de Deus. E assim há últimos que serão primeiros, e primeiros que serão últimos”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

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Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Pe. Padre Roger Araújo:

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“Fazei todo esforço possível para entrar pela porta estreita” (Lc 13,24) 

Segundo o relato de Lucas, um desconhecido interrompe o caminho de Jesus e lhe faz uma pergunta, tão frequente naquela sociedade religiosa: “Senhor, é verdade que são poucos os que se salvam?”  Tal pergunta, no fundo, é uma ofensa ao amor de Deus e, por detrás dela, já percebemos uma falsa imagem d’Ele, como se Deus fosse aquele que põe travas à salvação e não quer que este dom chegue a todos. Por isso, Jesus não responde diretamente à pergunta. O importante não é saber quantos se salvarão; não lhe interessa especular sobre este tipo de questões estéreis, mas vai diretamente ao essencial e decisivo: viver com atitude lúcida e responsável para acolher a salvação do Deus que é suma bondade e quer que todos se salvem. Quem está disperso e distraído não está em sintonia com o dom da salvação, perde a oportunidade de acolhê-la e deixar-se inspirar por ela. Por isso, Jesus insiste: “Fazei todo esforço possível para entrar pela porta estreita”. 

Para entender corretamente o apelo a “entrar pela porta estreita”, é preciso recordar as palavras de Jesus encontradas no evangelho de João: “Eu sou a porta; quem entrar por mim será salvo” (10,9). Entrar pela “porta estreita” é fazer caminho com Jesus, aprender a viver como Ele, revestir-se do modo de ser e de viver d’Ele... O que Jesus pede não é rigorismo legalista, mas amor radical a Deus e aos outros. Por isso, seu chamado é fonte de exigência e não de angústia. Jesus é uma porta sempre aberta, para que, ao passar por ela, vivamos em plenitude. Ninguém pode fechá-la; só não conseguimos atravessá-la quando nos fechamos em nosso legalismo e moralismo. 

Ao longo da história da espiritualidade cristã esta frase – “esforçai-vos por entrar pela porta estreita” - foi entendida como “sacrifício”, “mortificação”, “renúncia”... Uma leitura mais serena destas palavras, no entanto, nos faz ver que não se pode confundir “porta estreita” com “conquista de méritos e recompensas”, inflando um “ego religioso e perfeccionista”. Não conhecemos nenhum mestre espiritual que tenha dito que a porta que conduz à Vida seja cômoda ou ampla. Espaçosa e plena é a própria Vida, mas a porta é estreita. A rigor, é tão estreita, que só pode ultrapassá-la quem está disposto a esvaziar sua pequena identidade egóica.

Sabemos que, um “ego inflado”, compulsivo, cheio de si, obeso...não tem como passar pela “porta estreita”. Para entrar por ela é preciso despojar-se de tudo aquilo que foi sendo acumulado ao longo da vida: posses, honras, consumismo, vaidades, poder, prestígio... “Entrar pela porta estreita” é desapropriação do ego, é desinflar-se, deixar transparecer a verdadeira identidade do próprio ser.

Para fazer o caminho com Jesus não se pode ter excesso de gorduras nas ideias, no coração, nas atitudes... Ser peregrino com Ele supõe leveza, flexibilidade, mobilidade... As portas do Reino estão sempre abertas; e estão abertas para todos. Mas, muitos “egos” vivem cheios de si mesmos e ocupam todo o espaço da entrada da porta. Eles não entram, porque estão bloqueando a porta, mas também não deixam entrar aqueles que querem passar por ela. Os “egos inflados” acreditam estar dentro, quando na realidade estão fora; acreditam ser donos da porta; não se atrevem a entrar por medo à verdade e preferem ter um pé dentro e outro fora.

Numa perspectiva psicológica, conhecemos a imagem da porta nos nossos sonhos. Quando sonhamos com uma porta trancada, isso significa que perdemos o contato com nosso interior, com nosso coração, com nossa essência e vivemos apenas na exterioridade. 

No evangelho deste domingo, as pessoas que o dono da casa afirma não conhecer, vivem apenas na superfície de si mesmas. Elas não têm uma vida ruim, mas tudo o que fazem acontece apenas no mundo exterior e não tem nenhuma relação com seu coração. Até mesmo sua fé é meramente exterior. Elas vão à Igreja, são rígidas com as leis morais e cumprem com os deveres religiosos. Mas ao fazer isso não entram em contato com seu coração. Elas até se lembram que seguem Jesus, dizem ter comido e bebido com ele e ter ouvido seu ensinamento. Mas seu coração está fechado. A proposta de vida plena, apresentada por Jesus, não desperta ressonância no “eu profundo” delas. 

O dono da casa ao dizer -“não sei quem sois” - simplesmente está afirmando que tais pessoas não se parecem em nada com Ele. A dureza destas palavras ressoa como um chamado realista a nos despertar para reconhecer-nos na Vida. Quem não entra em contato com sua dimensão mais profunda, não participa da vida, aquela revelada pelo  “Reino do Pai”. Afinal, “o Reino de Deus está dentro de vós” Lc 17,21). Portanto, a parábola deste domingo nos convida a fazer a travessia do exterior para o interior, restabelecendo o contato com nosso coração. Na verdade, a porta estreita conduz a um horizonte mais amplo; atravessá-la significa alcançar a harmonia conosco e fazer emergir o que é mais nobre em nós: recursos, dons, criatividade... Se nos contentarmos em seguir o modo de viver dos outros, não viveremos a verdade de nós mesmos. Nosso processo de humanização só poderá se ampliar se encontrarmos nossa porta pessoal e passarmos por ela.

Indubitavelmente, passar pela “porta estreita” significa uma experiência de “morte” àquilo que não somos para que possa viver o que somos. Só assim nossa vida, ao atravessar a porta, se expandirá. E essa morte não acontece sem dor: ao ego lhe dói morrer a seus apegos, suas gratificações, suas necessidades, suas expectativas; ao ego lhe dói fazer uma “lipoaspiração” de suas gorduras; ao ego lhe dói deixar o que lhe dá uma sensação de segurança. Por isso, quando ele se sente frustrado, começam a aparecer sensações degradáveis e uma série de mecanismos de defesa entram em ação. 

Com sua mensagem forte, Jesus nos convida a procurar e encontrar a chave para abrir a porta da casa do nosso “eu verdadeiro”, a entrar em contato com nosso coração, o lugar onde habitam os aspectos benéficos da nossa personalidade, as boas tendências, as qualidades positivas, os dons naturais, as riquezas do ser, as beatitudes originais, as aspirações de grande fôlego, as ideias-força, os dinamismos da vida... O “tesouro do ser”, ainda que pareça esquecido, permanece armazenado e pode tornar-se a força que orienta toda a vida, um lugar de fecundidade, de criatividade, fonte de renovação... 

O símbolo da “porta” não se define em si como um espaço, não é um lugar, mas é o “limite” entre um lugar e outro, é o interstício entre dois espaços, é o que divide dois modos de ser e viver. “Passar a porta” significa ir ao encontro do novo, do futuro, do diferente, do “fora do normal”... O “outro lado” é um espaço não conhecido, é um lugar ainda não explorado. 

Somos “seres de travessia”; é próprio do ser humano ousar, romper, ir além... Para isso é preciso arriscar para viver uma experiência transformadora, aproximando-nos do diferente: abrir portas de mundos que desconhecemos; viver situações às quais não estávamos acostumados; sentir coisas que nunca havíamos sentido; conhecer segredos que tornarão mais autêntica nossa vida... 

Texto bíblico:  Lc 13,22-30 

Na oração: A porta estreita que atravessamos representa a nossa porta pessoal, que precisamos encontrar e atravessar, para deixar o rastro da nossa própria vida neste mundo. A porta espaçosa representa a que todos usam; a porta estreita é a passagem original que Deus preparou para cada um de nós: ela aponta para nossa identidade única e é por ela que Deus acessa ao nosso interior. É nas fendas de nossos limites e fragilidades que Deus encontra mais facilidade para entrar em nosso coração e não pela porta da perfeição.

- A “porta” da sua vida dá acesso ao novo e diferente ou está travada pelo medo e preconceito? 

Pe. Adroaldo Palaoro sj

* * * 

sábado, 24 de agosto de 2019

ITABUNA CENTENÁRIA UM POEMA: Fim - Bráulio de Abreu


FIM

(Para minha musa morta)


Tu partiste e eu fiquei sofrendo a vida,
Pois nosso amor morreu. A desventura
Tomou conta de mim, alma possuída
Pela desesperança que amargura.

Nosso amor foi manhã, quando nascida,
E hoje, que se acabou, é noite escura,
Ave que tomba pela dor ferida,
Sonho que não é berço: é sepultura.

Nosso amor floresceu em campo aberto...
Hoje, sem mais florir, lembra um deserto
Que de lembranças imortais se junca.

Tudo acabou, depois de tantos anos.
Resta, além de silêncio e desenganos,
Minha saudade que não morre, nunca.


Bráulio de Abreu 
Fundador da Revista Samba, o poeta e alfaiate Bráulio de Abreu dialogou com os literatos da Academia dos Rebeldes – que reunia figuras como Jorge Amado e Sosígenes Costa – e juntos movimentavam a vida cultural e literária baiana. Lançou uma de suas obras poéticas em 1996: Alma Profana.

* * *

O “SUICÍDIO ASSISTIDO” DA IGREJA E DA SOCIEDADE – Roberto de Mattei


22 de agosto de 2019

Roberto de Mattei *

Toda a atenção destes dias na Itália está concentrada na crise política. Mas há outra crise, mais grave e mais extensa, que constitui o âmago profundo da crise política: é a crise religiosa e moral do Ocidente. A crise política é visível, entra através de nossa mídia em nossas casas, e até mesmo um olho ou ouvido distraído a percebe. A crise religiosa e moral só a percebem aqueles que têm uma sensibilidade espiritual desenvolvida. Quem está imerso no materialismo da vida contemporânea possui uma capacidade refinada para captar o prazer dos sentidos, mas fica espiritualmente obnubilado, se não completamente cego. A crise religiosa e moral é uma crise que ocorre quando o homem perde de vista seu objetivo final e os critérios que devem orientar suas ações. A sociedade mergulha no agnosticismo, se dissolve e morre.

Na Itália, por exemplo, a crise do governo nos faz esquecer um compromisso importante. Está prevista para 24 de setembro uma audiência do Tribunal Constitucional a fim de julgar a legitimidade do artigo 580 do Código Penal, que pune o crime de instigar ou ajudar o suicídio. O supremo corpo jurídico do Estado italiano convidou o Parlamento a promulgar uma nova lei até essa data, caso contrário será o próprio Tribunal que definirá o roteiro. Mas a Corte já declarou que em alguns casos o suicídio pode ser admitido (e, portanto, “assistido” no nível médico e administrativo), porque “a proibição absoluta da ajuda ao suicídio acaba limitando a liberdade de autodeterminação do paciente na escolha de terapias, incluindo as destinadas a libertá-lo do sofrimento” (Portaria nº 207, de 16 de novembro de 2018). A autodeterminação do indivíduo é a regra suprema de uma sociedade que ignora a existência de uma lei moral inscrita no coração de cada homem, à qual os homens e as sociedades devem obedecer se quiserem evitar a autodestruição.

A crise política em curso parece excluir a possibilidade de que o Parlamento possa enfrentar a questão do suicídio até setembro e, portanto, é provável que o Tribunal Constitucional inflija um novo e sério golpe ao direito à vida, rumo a uma completa liberalização da eutanásia. Após o testamento biológico, um novo passo adiante será dado no caminho da cultura da morte que caracteriza a sociedade contemporânea.

O suicídio assistido é a ajuda médica, psicológica e burocrática aos que decidiram morrer. É um crime moral como a eutanásia. A lei natural e divina proíbe o suicídio porque o homem não é o dono de sua vida, como não o é da vida dos outros. O suicídio é um ato supremo de rebelião contra Deus porque, como ensina a filosofia tradicional, não pode haver ato de maior domínio do que querer destruir algo que não nos pertence (Victor Cathrein SJ, Philosophiamoralis, Roma, Herder 1959, p. 344). No suicídio parece realizar-se o destino do homem moderno, incapaz de se elevar além do horizonte terrestre de sua própria existência, prisioneiro de sua própria imanência. O homem destrói a si mesmo quando rejeita o peso da própria existência, que todos são chamados a suportar.

O suicídio é praticado não só pelos homens, mas também pelas nações, pelas civilizações, e intentado até mesmo pela Igreja, considerada na humanidade dos homens que a compõem. A Igreja vive há mais de 50 anos um processo suicida que Paulo VI definiu como “autodemolição” (discurso no Seminário Lombardo de Roma em 7 de dezembro de 1968). Essa autodemolição hoje poderia ser chamada de verdadeiro “suicídio assistido” da Igreja. Assistido porque induzido e favorecido por aqueles fortes poderes que sempre combateram a Igreja.

O documento preparatório do Sínodo dos Bispos sobre a Amazônia, com o culto da Natureza substituindo o da Santíssima Trindade, a abolição do celibato eclesiástico e a negação do caráter sacramental e hierárquico do Corpo Místico de Cristo, é o último exemplo desse suicídio assistido causado pelos líderes da Igreja e encorajado por seus inimigos. O Instrumentum laboris sobre a Amazônia, disse o cardeal Walter Brandmüller, “acusa o sínodo dos bispos e, em última análise, o Papa de uma grave violação do ‘depositum fidei’, o que significa, como consequência, a autodestruição da Igreja”.

Os católicos minimalistas propõem como alternativa ao suicídio assistido a sedação profunda, através da qual a morte do paciente é alcançada indiretamente, mas de modo também inexorável. Nós não pertencemos a este grupo. Não somos capazes, por conta própria, de salvar os doentes, porque só há um médico que pode fazê-lo em qualquer momento: Aquele que fundou a Igreja, que A dirige e prometeu que Ela não perecerá. Este doutor de almas e corpos é Jesus Cristo (Mateus 8, 5-11). A Igreja e a sociedade Lhe pertencem e nenhum renascimento é possível fora do retorno à Sua lei.
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(*) Fonte: “Corrispondenza romana”, 21-8-2019. Matéria traduzida do original italiano por Hélio Dias Viana.


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