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domingo, 24 de março de 2019

PALAVRA DA SALVAÇÃO (123)


3º Domingo da Quaresma – 24/03/2019

Anúncio do Evangelho (Lc 13,1-9)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, vieram algumas pessoas trazendo notícias a Jesus a respeito dos galileus que Pilatos tinha matado, misturando seu sangue com o dos sacrifícios que ofereciam. Jesus lhes respondeu: “Vós pensais que esses galileus eram mais pecadores do que todos os outros galileus, por terem sofrido tal coisa? Eu vos digo que não. Mas se vós não vos converterdes, ireis morrer todos do mesmo modo.
E aqueles dezoito que morreram, quando a torre de Siloé caiu sobre eles? Pensais que eram mais culpados do que todos os outros moradores de Jerusalém? Eu vos digo que não. Mas, se não vos converterdes, ireis morrer todos do mesmo modo”. E Jesus contou esta parábola: “Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha. Foi até ela procurar figos e não encontrou. Então disse ao vinhateiro: ‘Já faz três anos que venho procurando figos nesta figueira e nada encontro. Corta-a! Por que está ela inutilizando a terra?’
Ele, porém, respondeu: ‘Senhor, deixa a figueira ainda este ano. Vou cavar em volta dela e colocar adubo. Pode ser que venha a dar fruto. Se não der, então tu a cortarás’”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

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Ligue o vídeo abaixo e acompanha a reflexão do Pe. Roger Araújo:

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O círculo infernal da culpa
James Tissot

“Pensais que eram mais culpados do que todos os outros moradores de Jerusalém?” (Lc 13,4) 

O evangelho deste domingo, exclusivo de Lucas, apresenta uma reflexão sobre a conversão, em forma de parábola, a partir de dois acontecimentos trágicos que causaram comoção no povo judeu. O relato traz à tona este eterno problema: é o mal consequência de um pecado? Assim pensavam os judeus no tempo de Jesus e assim continuam pensando a maioria dos cristãos hoje. Ou seja, uma “visão distorcida” de Deus, leva a acreditar que tudo o que acontece é manifestação de sua vontade. Os males são considerados castigos e os bens são considerados prêmios.

Para entender a “novidade” da resposta de Jesus, é preciso saber que, na mentalidade judaica, a enfermidade e o mal, em geral, eram consequência do próprio pecado. A ausência do mal, pelo contrário, era considerada sinal da benção divina. Por isso, aqueles que sofriam qualquer calamidade ou enfermidade se convertiam automaticamente em objeto de juízo condenatório por parte dos outros; diante do olhar preconceituoso e julgador, eles se sentiam acuados por um angustiante sentimento de culpabilidade e desesperança. A desgraça os limitava; a culpabilidade os afundava.

Jesus se declara completamente contra essa maneira de pensar. Ele se distancia dessa ideia tradicional, desatando o nó “religioso” entre sofrimento e pecado, entre culpa e o mal. Para Jesus, a relação de Deus conosco se situa numa dimensão mais profunda. Devemos deixar de interpretar como atuação de Deus aquilo que é próprio das forças da natureza ou consequência da maldade e violência humana. Nenhuma desgraça que possa nos alcançar devemos atribui-la a um castigo de Deus.

Devemos romper com essa ideia de Deus, senhor ou patrão soberano que, a partir de fora nos vigia e exige seu tributo. De nada serve camuflá-la com estas sutilezas: “Pode ser que Deus não castigue nesta vida, mas castigará na outra vida”; “Deus nos castiga, mas é por amor e para salvar-nos”; “Deus castiga só os maus”; “Merecemos o castigo, mas Cristo, com sua morte, nos livrou dele”. Pensar que Deus nos trata à base de pancadas e prêmios, é ridicularizar a Deus e ao ser humano.

Somos tecidos pela culpa desde o nascimento; somos acompanhados por ela durante toda a vida. Ela nos prende facilmente em suas teias, impedindo a manifestação da força vital que há em nós. Sabemos que o sentimento de culpa pode ser paralisante, ameaçador, freio e obstáculo tanto para o desenvolvimento de uma comunidade humana quanto para o crescimento de uma pessoa; esta, centrada no próprio eu, fica “ruminando” seus limites e fracassos, caindo no desespero e não percebendo nenhuma saída para sua situação.

O sentimento de culpa causa sérios danos que acabam afundando existencialmente as pessoas: isso gera a irresponsabilidade que infantiliza, a passividade que leva ao fanatismo, a atrofia da criatividade, o medo paralisante, o sentimento de indignidade... Também a imagem do Deus Amoroso, do Deus vivo e prazeroso, do Deus livre e libertador, fica diminuída segundo o tamanho de nossa consciência e inconsciência, marcadas pela culpabilidade. 

Por obra e força da culpa, “Deus” converte-se em “deus” de morte, em “deus” oprimido e opressor, em “deus onivigilante”, que investiga morbidamente nossa interioridade para captar e julgar qualquer desvio. A este “deus” nada escapa: ele vê tudo, escuta tudo, controla tudo... A mensagem alegre do Evangelho se perverte e a vivência cristã deixa-se invadir por um mal-estar difuso, uma tristeza, uma angústia, um pesar... que muitas vezes tornam difícil reconhecer no anúncio de Jesus uma mensagem da Boa Nova.  “Assim como Deus nos libertou do pecado... torna-se urgente libertar Deus da culpa” (Dominguez Morano). Um “Deus de vida” nos foi revelado, mas nossa culpa o transformou num “Deus de morte”. “Libertar Deus da culpa” significa “deixar Deus ser Deus”, abrir espaço para que Ele manifeste sua presença providente e amorosa. 

A atitude sadia, portanto, é a da responsabilidade, como sentimento maduro de quem entende a vida como “resposta” (essa é sua etimologia) coerente com as diferentes situações que se apresentam. É a responsabilidade que desperta pesar e dor nas ocasiões em que, afastando-nos da fidelidade ao melhor de nós mesmos, provocamos dano aos outros ou ao nosso meio. Mas esse pesar doloroso, diferente da culpabilidade, não paralisa nem afunda, senão que mobiliza para a mudança. 

A consciência responsável, de modo especial, nos move para a cura, a reparação; ao longo da experiência, com a ajuda da Graça e em constante discernimento, poderemos experimentar a contrição que leva à  mudança, à busca de alternativas melhores de comportamentos e atitudes, a assumir modos de agir que tornem possível uma vida mais plena e amorosa. Só quando tomamos consciência do dano feito é possível restaurar as condições que favoreçam logo um viver mais feliz e pleno. 

É esta responsabilidade que podemos associá-la com a conversão, pedida pelo evangelho de hoje. Porque o “perecer” de que fala não deve ser entendido em chave de ameaça nem castigo, mas simplesmente como a consequência de uma atitude e um comportamento desajustados. “Se não vos converterdes, todos perecereis”. A expressão não traduz adequadamente o grego “metanoia”, que significa “mudar de mentalidade, ver a realidade a partir de outra perspectiva”. 

Jesus não diz que aqueles que morreram nas duas tragédias não eram pecadores, mas que todos somos igualmente pecadores e precisamos mudar de rumo. Sem uma tomada de consciência de que o caminho que fazemos nos leva ao abismo, nunca estaremos motivados para evitar o desastre. Se somos nós que vamos caminhando para o abismo, só nós podemos mudar de rumo.

Todos devem assumir a responsabilidade de suas ações. Não somos marionetes nas mãos de Deus, mas pessoas, ou seja, seres autônomos que devemos assumir nossa responsabilidade. A melhor tradução seria: “se não aprendes, inclusive com os erros, perecerás”. Dizendo de um modo mais simples: se não somos responsáveis, se não respondemos humanamente aos diferentes desafios que a vida nos apresenta, estaremos fechando a saída, alimentando infelicidade para nós mesmos, tornando a convivência impossível e destruindo o planeta; ou seja, estamos provocando nosso próprio desastre.

Libertados do “círculo infernal da culpa”, agora sim, podemos aderir à novidade do Reino, na plenitude da alegria e da festa. Temos diante de nós a nobre missão de transformar a realidade em Reino, e isso não será possível enquanto vivermos aprisionados nas malhas da culpa; enquanto a lei, o pecado e a culpa nos enredarem, não será possível perceber a novidade do Reino, que conduz à própria liberdade e à dos outros, à própria aceitação de si mesmo e à aceitação e ao amor aos outros.

O “Deus de Jesus” é Aquele que nos descentra e nos lança à realidade, com toda a dureza que esta pode nos apresentar em muitos momentos de nossa existência; em lugar de solucionar os problemas, Ele prefere nos dinamizar para que nós mesmos trabalhemos na busca de soluções. Deus é a plenitude de todas as aspirações humanas. Não há porque temer o Deus de Jesus. 

Texto bíblico:  Lc 13,1-9 

Na oração: Examinar com cuidado a origem dos sentimentos de culpa, pode produzir um grande avanço no caminho da saúde interior e espiritual. Esclarecer, desmascarar a culpa, pode ser muito libertador, pois fortalece nossa atitude esperançosa; nossa relação com Deus, com o mundo e com os outros revela-se mais transparente e otimista.

- Sua relação com Deus tem a marca da confiança amorosa ou está carregada de culpa paralisadora?

Pe. Adroaldo Palaoro sj

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sábado, 23 de março de 2019

NEM TUDO SÃO LAGRIMAS


18/03/2019


"Chega ao fim uma semana difícil marcada por tragédias que comoveram muito. Felizmente, nem tudo são lágrimas. Essa semana também teve quatro excelentes notícias sobre as quais você não deve ter lido muito, mas que terão grande impacto sobre sua vida no futuro próximo:

1. O presidente assinou o decreto 9.723/19 que simplifica a apresentação de documentos em processos federais. A partir de agora, ninguém precisa mais ir ao banco, cartório, ou qualquer outra agência levando um carrinho de mão cheio de papéis, basta o CPF.

2. Na quinta feira o presidente assinou decreto que extingue 21.000 cargos comissionados, funções, e gratificações na esfera federal, gerando economia de 195 milhões de reais anuais ao Tesouro, dando um golpe certeiro na prática de aparelhamento do governo.

3. Na sexta-feira foram arrecadados 2,377 bilhões de reais em outorga no leilão de aeroportos, superando a expectativa, o que foi considerado por especialistas um sucesso para a retomada de investimentos em infraestrutura no país - setor essencial para o crescimento da economia brasileira.

4. Otimista com os rumos e as perspectivas da economia, na sexta-feira o índice Bovespa subiu e atingiu nível recorde de 99 mil pontos pela primeira vez em sua história.

Essas notícias, que deveriam ter virado manchetes de primeira página em letras garrafais, foram relegadas a notas de rodapé porque fazem parte de uma pauta proibida. Existe um pacto silencioso na grande imprensa para desconstruir a reputação do novo governo com a promoção, difusão e ampliação apenas de notícias ruins ou constrangedoras".


(Recebi via WhatsApp)

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RELAÇÕES BRASIL-EUA - Marcos Machado


23 de março de 2019
Na visita de Bolsonaro ao Túmulo do Soldado Desconhecido no Cemitério de Arlington (EUA), homenagem também ao Brasil 


O que pensava Plinio Corrêa de Oliveira a respeito de tais relações que tanto incomoda a esquerda mundial?


A recente visita oficial do presidente Bolsonaro acompanhado de vários Ministros aos EUA, a distinção e acolhida norte-americana proporcionada à delegação brasileira, os acordos estabelecidos ou em andamento produziram desconcerto da esquerda nacional e internacional.

Uma esquerda míope e canhestra, antibrasileira antes de tudo, procura desfocar um dos objetivos da viagem que é a aproximação de dois gigantes de orientação antissocialista.

Comentou o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira a conservadores americanos que visitaram a TFP brasileira na década de 80: “desejamos um certo teor de relação entre EUA e a América do Sul; nós achamos que esse teor de relação está comprometido por duas péssimas manobras: no Brasil, uma ação anti norte-americana, [que tomou toda a sua força hostil nos governos petistas]; nos Estados Unidos, pela ignorância e pelo desinteresse em relação à América do Sul”.

Soam nesse sentido as recentes palavras do Presidente e a do Chanceler Ernesto Araújo: “a integração latino-americana era considerada algo para blindar a América Latina da influência dos Estados Unidos. Claramente, nós não queremos que o Mercosul se torne um instrumento contra os Estados Unidos, como ocorreu em governos recentes no Brasil”*

Como acentuou o Prof. Plinio, auguramos também que cesse, nos Estados Unidos, essa “ignorância e desinteresse em relação à América do Sul”.

A pressão da China e da Rússia comunistas na América Latina, lançando aqui seus tentáculos envenenados, só faz clamar por essa estreita relação Brasil-EUA.

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Não somos políticos, nem diplomatas, nem empresários. Nossa especialização é cultural, nossas raízes são cristãs, nossa orientação político-social é antissocialista e anticomunista baseada no ensinamento tradicional dos Papas.

Vemos, pois, com o maior interesse essa nova aproximação Brasil-EUA. Esse é o ponto de incidência que as esquerdas procuram silenciar ou denegrir; nós, pelo contrário, vamos somar as qualidades e formar um bloco coeso, tradicional e antissocialista. O que só engrandece nosso País!

A Virgem de Guadalupe, Padroeira das Américas ilumine, abençoe e dê forças a nossos dirigentes rumo à nossa gloriosa missão.

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sexta-feira, 22 de março de 2019

CARVALHOSA EXPLICA OS 9 MOTIVOS PARA O IMPEACHMENT DE GILMAR

28.04.18
O jurista Modesto Carvalhosa, na Veja, explica os nove motivos para o impeachment de Gilmar Mendes:

1. Gilmar telefonou espontaneamente a Silval Barbosa, ex-governador de Mato Grosso, horas antes preso em flagrante na Operação Ararath, hipotecando-lhe solidariedade e prometendo interceder a seu favor junto ao ministro Toffoli, que relatava o inquérito. Silval Barbosa é, nas palavras do ministro Luiz Fux, o protagonista de uma delação monstruosa.

2. Gilmar votou contra a prisão do secretário da Casa Civil e da Fazenda desse mesmo ex-governador. Éder de Moraes Dias, segundo a Polícia Federal, foi o principal operador do esquema de corrupção descoberto na Ararath.

3. Gilmar teve inúmeros encontros privados com o presidente Michel Temer, fora da agenda oficial, alegando velha amizade, e, ainda assim, com voto de minerva no Tribunal Superior Eleitoral, absolveu a chapa Dilma-Temer de abuso de poder político e econômico na última campanha, de maneira a preservar o mandato do amigo. Nesse processo, a ex-mulher de Gilmar, Samantha Ribeiro Meyer-Pflug, emitiu parecer favorável a Temer, que depois viria a nomeá-la conselheira da Itaipu Binacional, sem contar que o presidente ainda tornou um primo de Gilmar, Francisval Dias Mendes, diretor da Agência Nacional de Transportes Aquaviários.

4. Gilmar, agindo como verdadeiro soldado do PSDB, a despeito de ser o relator de quatro entre nove inquéritos contra Aécio Neves, aceitou o pedido deste para convencer o senador Flexa Ribeiro a seguir determinada orientação no tocante a projeto de lei de abuso de autoridade.

5. Gilmar, desprezando o fato de que sua atual mulher trabalha no escritório que defendia os interesses do notório Eike Batista, mandou libertá-lo da prisão.

6. Gilmar, por três vezes, livrou do cárcere Jacob Barata Filho, milionário do setor de transportes do Rio de Janeiro, cuja filha se casou com o sobrinho de Guiomar Mendes, mulher do ministro. Mais: Francisco Feitosa, irmão de Guiomar, é sócio de Barata.

7. Gilmar mandou soltar o ex-presidente da Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Rio Lélis Marcos Teixeira, cliente, como Barata, do escritório de advocacia integrado pela esposa do ministro.

8. Gilmar votou no processo de anulação da delação premiada dos proprietários do grupo J&F, a despeito de a JBS haver patrocinado com 2,1 milhões de reais eventos do Instituto de Direito Público (IDP), empresa da qual o ministro é sócio.

9. Gilmar determinou a soltura do ex-presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso José Riva, conhecido como “o rei da ficha suja no Brasil”, que foi defendido por Rodrigo Mudrovitsch, não só professor do IDP mas também advogado do ministro em outra causa.”


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GANHAVA AS BATALHAS COM OS OLHOS – Péricles Capanema


21 de março de 2019

Péricles Capanema

Guerra se vence com soldados, canhões, estratégia, boas alianças, propaganda, dinheiro. Repito aqui constatações conhecidas da sabedoria convencional. Sob outro ângulo, no período da descolonização (o pós-guerra) apareceu o dito: “A guerra nas colônias se ganha nas metrópoles”. Não era só aquilo posto acima, havia mais. De outro modo, em muitas ocasiões a guerra se vence sobretudo nos embates da opinião pública. Assim foi com os Estados Unidos, perderam a guerra do Vietnam nas suas grandes cidades. De quase nada adiantou o poderio técnico e o heroísmo dos soldados nos campos de batalha do sudeste asiático. Assim foi com a França. Assim foi com a Inglaterra.

Napoleão Bonaparte punha outro fator na dianteira: “Raramente tirei a espada, porque ganhava as batalhas com os olhos e não com minhas armas”. Era a presença do Corso, e nela o olhar, galvanizando as energias dos batalhões que então se lançavam com frequência irresistivelmente ao ataque. Mudou a história da Europa, até do mundo. Em geral para o mal, infelizmente.

Sun Tzu, quatro séculos antes de Cristo, ensinou em “A Arte da Guerra”: “Os que conseguem que se rendam impotentes os exércitos inimigos sem lutar, são os melhores mestres da arte da guerra. Um verdadeiro mestre das artes marciais vence forças inimigas sem batalha, conquista cidades sem assediá-las. A vitória completa se produz quando o exército não luta, a cidade não é assediada”. Curto, a guerra se ganha ou se perde no dinamismo das convicções e propensões interiores, antes que nas armas.

Presenciei fato que tem analogias com as realidades acima ventiladas. Foi há uns 15 anos em sala festiva; não darei os nomes, pois as pessoas estão por aí. Era comemoração, sentava-me distraído atrás de um ex-presidente da República e de seu antigo ministro da Justiça. Falava o homenageado, episódios da vida na empresa, plateia entretida. O antigo ministro da Justiça sussurrou nos ouvidos do ex-presidente: “Está explicado o sucesso da construtora, o homem tem estilo”. Para o político ladino, o grande êxito do empresário não vinha do dinheiro, não vinha dos técnicos, não era marketing: “o homem tem estilo”.

Pode parecer outro pulo, mas continuo no mesmo rumo. Corria março de 1958 (três meses antes da Copa do Mundo), jogo simples entre o América do Rio e o Santos. Pelé tinha 17 anos, relativamente pouco conhecido, era apenas um entre vários no campo. Nelson Rodrigues, na crônica da partida, intitulada “A realeza de Pelé”, comentou: “Anda em campo com uma dessas autoridades irresistíveis e fatais. Dir-se-ia um rei. Do seu peito, parecem pender mantos invisíveis. O que nós chamamos de realeza é, acima de tudo, um estado de espírito. E Pelé leva sobre os demais jogadores uma vantagem considerável — a de se sentir rei, da cabeça aos pés. Com Pelé no time ninguém irá para a Suécia com a alma dos vira-latas. Os outros é que tremerão diante de nós”. O Brasil, três meses depois, pela primeira vez ganhou a Copa.

Existe, às vezes benéfica, por ocasiões maléfica, indefinível força interior, constatada por todos ou, quando menos pelo que sabem ver, impressionante, decisiva, que se exprime no estilo, atitude, olhar, passo, conduta, porte, segurança, carisma. No jeitão. As vitórias e derrotas humanas, mais que o dinheiro, os ótimos silogismos e a organização, devem-se a fatores imponderáveis (ou muito dificilmente ponderáveis e explicitáveis), como os relatados acima. O que são? Impulsos potentíssimos, não raro bafejados pela graça ou pela tentação. Contra eles, quando aviventam o mal, existe reação possível? É difícil, mas o começo está na temperança, cabeça fria e raciocínios claros.

Pretendia falar sobre a situação do Brasil. O que estará nos esperando na esquina, já agora maquinado debaixo de nossos narizes? Daqui a quatro anos, o que supor que enfrentaremos? Pensando bem, tratei da situação brasileira, ainda que tenha deixado de lado no momento a corrupção, privatização, estatismo, reforma da Previdência, posição da alta magistratura, Lava-Jato, articulação da esquerda (CNBB, PT, PSOL, sei lá mais o quê), avanço da China, Venezuela, pingos ácidos de desmoralização sobre correntes antipetistas. Reconheço, sem nenhuma reserva, são assuntos fundamentais, reclamam análise urgente, embebida de discernimento. Mas ficam para próximo texto, meu espeço acabou.

Guerra se vence com soldados, canhões, estratégia, boas alianças, propaganda, dinheiro. Com olhos. Não nos esqueçamos, no panorama podem estar atuando fatores pouco notados, enormemente importantes ­— fatos, pessoas, modas, estímulos, proibições tácitas. Espero, o texto terá o condão de atrair, ainda que brevemente, a atenção sobre eles. Dar-me-ia por satisfeito.


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quinta-feira, 21 de março de 2019

ACIDENTE DE PERCURSO! - Antonio Nunes de Souza


Com a zoada peculiar de suas sirenes, chegavam carros da polícia, já com bastante atraso para pegar os ladrões assassinos que assaltaram o Motel “Amor a Dois” e, por uma grande infelicidade, fui chamada pela direção, uma vez que a pessoa assassinado pelos bandidos era o meu querido e estimado marido Miguel!

Eu chorava com pena do coitado e, ao mesmo tempo, com raiva de ter sido traída pelo cretino, homem boníssimo, excelente pai de família, marido exemplar, cidadão respeitável na sociedade, sem defeitos nenhum aparentes e, de uma hora pra outra me vejo com ele morto em função de estar transando e me enganando num motel. Não sabia se tomava providencias para que fosse levado o corpo o mais rápido possível para o necrotério, ou se abandonava aquele lugar desprezando o marido que eu amava e confiava seriamente. Mas, decepcionada com o vil comportamento!

Já em casa, confortada por amigos e parentes, nossos dois filhos ainda pequenos, não entendiam o âmago da questão, providenciei o velório, sepultura e enterro, uma vez que, mesmo traída, era a pessoa indicada para tomar a frente de toda situação!

Passados uns 15 dias fui chamada pelo banco Bradesco, pois, sem que eu soubesse, havia um seguro por morte que meu marido havia feito, no valor astronômico de um milhão de reais, colocando-me como a beneficiária. Isso me fez chorar novamente de alegria e raiva, pois preferia que ele estivesse vivo e continuasse sendo o homem maravilhoso da minha vida!

Herdei também a sua loja de tecidos e vestuários, muito bem equipada, excelente estoque, dinheiro em caixa e nenhum débito nem pendente, nem a vencer. Ele era um ótimo empreendedor e negociante de primeira linha. Porém, um traidor de qualidade impecável, pois, jamais me deu pistas ou razões para desconfianças!

O fato é que devemos nos preparar para os acidentes de percursos, pois podem acontecer inesperadamente, nos deixando perplexos e boquiabertos, além de uma série de descontentamentos. Sendo pior quando além da tragédia, ainda aparecem quantidades enormes de pepinos e dívidas acumuladas. No caso que estamos tratando tudo foi de benefícios, deixando apenas a sequela da inesperada traição!

Nunca deixe de estar preparada pra essas e outras surpresas que podem despontar em sua calma e suave vida, todos nós estamos passivos de tais angústias e desesperos!


Antonio Nunes de Souza, escritor
Membro da Academia Grapiúna de Letras-AGRAL

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DEUS É CULPADO?

Ligue o vídeo abaixo:




Finalmente a verdade foi dita na TV Americana.

A filha de Billy Graham estava sendo entrevistada no Early Show e Jane Clayson perguntou a ela: 'Como é que Deus teria permitido algo horroroso assim acontecer no dia 11 de Setembro?'

Anne Graham deu uma resposta profunda e sábia: 'Eu creio que Deus ficou profundamente triste com o que aconteceu, tanto quanto nós. Por muitos anos temos dito para Deus não interferir em nossas escolhas, sair do nosso governo e sair de nossas vidas. Sendo um cavalheiro como Deus é, eu creio que Ele calmamente nos deixou.

Como poderemos esperar que Deus nos dê a sua bênção e a sua proteção se nós exigimos que Ele não se envolva mais conosco?' À vista de tantos acontecimentos recentes; ataque dos terroristas, tiroteio nas escolas.

Eu creio que tudo começou desde que Madeline Murray O'hare (que foi assassinada), se queixou de que era impróprio se fazer oração nas escolas Americanas como se fazia tradicionalmente, e nós concordamos com a sua opinião. Depois disso, alguém disse que seria melhor também não ler mais a Bíblia nas escolas. A Bíblia que nos ensina que não devemos matar, roubar e devemos amar o nosso próximo como a nós mesmos. E nós concordamos com esse alguém.

Logo depois o Dr. Benjamin Spock disse que não deveríamos bater em nossos filhos quando eles se comportassem mal, porque suas personalidades em formação ficariam distorcidas e poderíamos prejudicar sua auto estima (o filho dele se suicidou) e nós dissemos: 'Um perito nesse assunto deve saber o que está falando'. E então concordamos com ele.

Depois alguém disse que os professores e diretores das escolas não deveriam disciplinar nossos filhos quando se comportassem mal. Então foi decidido que nenhum professor poderia disciplinar os alunos (há diferença entre disciplinar e tocar).

Aí, alguém sugeriu que deveríamos deixar que nossas filhas fizessem aborto, se elas assim o quisessem. E nós aceitamos sem ao menos questionar.

Então foi dito que deveríamos dar aos nossos filhos tantas camisinhas, quantas eles quisessem para que eles pudessem se divertir à vontade. E nós dissemos: 'Está bem!'

Então alguém sugeriu que imprimíssemos revistas com fotografias de mulheres nuas, e disséssemos que isto é uma coisa sadia e uma apreciação natural do corpo feminino. E nós dissemos: 'Está bem, isto é democracia, e eles tem o direito de ter liberdade de se expressar e fazer isso'. Depois uma outra pessoa levou isso um passo mais adiante e publicou fotos de crianças nuas e foi mais além ainda, colocando-as à disposição na internet.

Agora nós estamos nos perguntando porque nossos filhos não têm consciência e porque não sabem distinguir o bem e o mal, o certo e o errado; porque não lhes incomoda matar pessoas estranhas ou seus próprios colegas de classe ou a si próprios.

Provavelmente, se nós analisarmos seriamente, iremos facilmente compreender: nós colhemos só aquilo que semeamos!
É triste como as pessoas simplesmente culpam a Deus e não entendem porque o mundo está indo a passos largos para o inferno.
É triste como cremos em tudo que os Jornais e a TV dizem, mas duvidamos do que a Bíblia diz.
É engraçado como somos rápidos para julgar, mas não queremos ser julgados.

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