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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

O SÍNODO SOBRE A AMAZÔNIA E A SOBERANIA NACIONAL – Fernando Oliveira Diniz


13 de Fevereiro de 2019
   Fernando Oliveira Diniz

Acabou acontecendo. Sendo o Brasil um Estado que se declara laico, está agora envolvo num turbilhão internacional de fundo religioso que poderá custar sua soberania sobre a Amazônia.

E quem brande a ameaça não é o poderio militar da Rússia ou da China, mas a força institucional de um Estado com 0,44 km² de território e uma população estimada em 1.000 habitantes.

Tempo houve em que o Brasil não tinha nada a temer do Vaticano. Mas agora sopram por lá ventos da mais bem articulada e virulenta esquerda do planeta, a qual possui a arma mais mortífera até hoje descoberta: a capacidade de mover as consciências.

E o fato está consumado. Sob o poder de Francisco, realizar-se-á em Roma, entre os dias 6 e 29 de outubro próximo, o Sínodo sobre a Amazônia.

Que orientação terá esse Sínodo? A depender do quadro de seus organizadores, a predominância será a da Teologia da Libertação. E a partir dela, uma orquestração internacional envolvendo o Vaticano, a ONU, a União Europeia, as ONGs do mundo inteiro, que clamariam pela internacionalização da Amazônia.

Seria o lançamento de uma nova catequese, onde catequizar seria secundário e até supérfluo, porque, segundo tal catequese, os índios já vivem as bem-aventuranças: eles não conhecem a propriedade privada, o lucro, a competição. Então, para quê Pátria, se o verdadeiro seria a apologia do coletivismo tribal?

Estaríamos, portanto, diante de uma “Igreja-Nova” de inspiração comunista, onde a propriedade é a heresia e o proprietário o herege, e a vida selvagem a plena realização do ideal humano.

Quem quiser conhecer os desígnios dessa teologia em matéria indigenista, leia o livro Tribalismo indígena, ideal comuno-missionário para o século XXI. Escrito em 1977 pelo renomado presidente do Conselho Nacional da TFP, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, o livro previa esse ataque da nova missiologia e enunciava as teses que, ainda com mais radicalidade, serão certamente defendidas no Sínodo de outubro de 2019 e abrirão caminho para o pedido de internacionalização da Amazônia.

Em sua época, esse livro foi um sucesso de venda. Ele teve nove edições, num total de 82 mil exemplares. Caravanas de propagandistas da TFP levaram-no a 2.963 cidades, em todos os quadrantes do Brasil.

Reeditado em 2008, ele foi acrescido de uma segunda parte, na qual os jornalistas Nelson Ramos Barretto e Paulo Henrique Chaves contam o que viram na reserva Raposa-Serra do Sol, em Roraima, e o que pesquisaram em Mato Grosso e em Santa Catarina. Eles transcrevem reveladoras entrevistas com várias personalidades e confirmam em tudo as teses sustentadas pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 1977.

Expressiva repercussão do alcance desse livro veio do Ministro Marco Aurélio de Mello, do Supremo Tribunal Federal, que em sua declaração de voto durante o julgamento da polêmica demarcação das terras indígenas da reserva Raposa-Serra do Sol, afirmou:

“Também vale registrar que o professor Plinio Corrêa de Oliveira, autor de ‘Tribalismo Indígena — Ideal Comuno-Missionário para o Brasil no Século XXI’, diante dos trabalhos de elaboração da Carta de 1988, advertiu: ‘O Projeto de Constituição, a adotar-se em uma concepção tão hipertrofiada dos direitos dos índios, abre caminho a que se venha a reconhecer aos vários agrupamentos indígenas uma como que soberania diminutae rationis. Uma autodeterminação, segundo a expressão consagrada (Projeto de Constituição angustia o País, Editora Vera Cruz, São Paulo, 1987, p. 182; e p. 119 da obra citada). Proféticas palavras tendo em conta, até mesmo, o fato de o Brasil, em setembro de 2007, haver concorrido, no âmbito da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, para a aprovação da Declaração Universal dos Direitos dos Indígenas” (cfr. Catolicismo n° 700, abril de 2009).

Prevenido o Brasil foi. Resta agora esperar que a diplomacia brasileira saiba, com todo o respeito devido às autoridades eclesiásticas, mas também com toda a firmeza necessária, fazer conhecer ao Vaticano e aos padres sinodais que o Brasil não aceitará pressões de governos, nem de nenhum organismo internacional, no sentido de fazer ingerências descabidas no governo de seu próprio território.

Segundo a doutrina católica, não está na missão da Igreja defender — conforme o fez D. Erwin Krütler (cfr. “O Estado de S. Paulo, 10-2-19), bispo emérito do Xingu, no Pará — o bioma ameaçado, nem definir se é supérfluo ou não fiscalizar as ONGs, ou saber se o governo mudou ou não mudou a demarcação das áreas indígenas. Também não cabe aos bispos fiscalizar se o governo cumpre ou não cumpre a Constituição.

O que sobretudo o Estado brasileiro não poderá de nenhum modo aceitar é a renúncia à sua soberania sobre a Amazônia. Ele terá todo o direito e todo o dever de garantir a integridade territorial brasileira.

Para terminar, uma reflexão que se impõe.

Do atual governo podemos esperar uma política eficaz de defesa da integridade do nosso território. O que seria impensável se ainda estivesse no poder o Partido dos Trabalhadores, que coadjuvaria o Sínodo sobre Amazônia no desmantelamento do Brasil…


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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

MANUEL ANTONIO DE ALMEIDA, Um romântico fora do esquema



            MANUEL ANTÔNIO DE ALMEIDA nasceu no Rio de Janeiro, e, 1831 e morreu no naufrágio do vapor “Hermes”, nas costas da Província do Rio de Janeiro, em 1861. Pobre e órfão, estudou Desenho e Medicina. Para sobreviver, trabalhava no jornal Correio Mercantil como revisor, e escrevia, para o mesmo jornal, um suplemento literário chamado “A Pacotilha”, de caráter mundano. Neste suplemento é que saíram, em folhetins, os capítulos de sua obra “Memórias de um Sargento de Milícias”, com o pseudônimo “um brasileiro”. Tinha então 21 anos. Como administrador da Tipografia Nacional, conheceu Machado de Assis, ainda aprendiz de tipógrafo. Convidado para a política quando era oficial do Ministério da Fazenda, candidatou-se a deputado, vindo a falecer, pouco depois, num naufrágio.

            Sua obra surgiu quando o público era dominado pelas obras de Macedo e de Alencar, sendo por isso logo esquecido, embora seja das mais importantes do período romântico.

            Dada a sua despreocupação em fazer obra literária, visto que escrevia apenas para sobreviver, seu estilo foge das esquematizações românticas, sendo considerado um precursor do Realismo.

            Sua linguagem é direta e irreverente. Suas ideias são satíricas e atingem todas as camadas sociais do Rio de Janeiro na época colonial.

            “Era no tempo do rei”: assim ele começa uma série de crônicas de costumes, sem aquele heroísmo dos protagonistas da época.

            A descrição dos personagens deixa sempre entrever o sabor da ironia, do deboche e da caricatura. As peripécias do anti-herói Leonardo levam o leitor a entrar em contato com os mais variados tipos e costumes do Rio. “Memórias de um Sargento de Milícias”, além de seu valor histórico, é uma crítica social cômica que bem retrata uma sociedade intermediária entre o colonialismo e o industrialismo burguês.

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    MEMÓRIAS DE UM SARGENTO DE MILÍCIAS

           
            Leonardo Pataca, descontente com seus negócios em Portugal, resolve vir ao Brasil. Encontra Maria-da-hortaliça e, para chamar-lhe a atenção, dá-lhe uma pisadela no pé e é correspondido com um beliscão na mão. O relacionamento é rápido e completo. Vêm juntos para o Brasil e depois de sete meses nasce o fruto da pisadela e do beliscão: um menino forte, guloso e chorão, o Leonardinho. Depois de sete anos de traquinagens, surras e gulodices, Leonardo é abandonado pelos pais nas mãos do barbeiro, seu padrinho.  Isto porque Leonardo Pataca viu confirmadas suas dúvidas de que estava sendo traído. Surra Maria e esta foge com um capitão de navio.

            O padrinho, idoso e solitário, dá rédeas soltas ao menino, que põe em prática todas as ideias demoníacas de que é capaz. O padrinho achava graça e, elogiando sua inteligência, queria fazê-lo padre. Na escola, Leonardo foi um fracasso; nas festas religiosas, mais perturbava que acompanhava. Tornou-se um perfeito vadio.

            Enquanto isso, seu pai, o velho Leonardo, viu-se envolvido num romance escandaloso com uma cigana, a qual o abandonou para ficar com o padre mestre-de-cerimônias.

            A comadre e o compadre frequentavam a casa de uma amiga comum, muito rica, D. Maria, senhora idosa que tinha a mania das demandas, e sobre este assunto conversava durante horas. E foi vencendo uma demanda contra um compadre de seu irmão que D. Maria conseguiu a tutoria de sua sobrinha Luisinha, que veio morar com a tia. Em uma das visitas do compadre à casa de D. Maria, Leonardo conheceu Luisinha. A princípio achou-a engraçada, mas depois começou a interessar-se por ela, acabando completamente apaixonado. Passou a desejar com ansiedade as visitas que antes detestava, só para conversar com a menina.

            Porém como sua sorte sempre terminava em desventuras, apareceu outro personagem: José Manuel, um velhaco falante, conhecido de D. Maria e interessado em Luisinha, que ele esperada ser a única herdeira da tia.

            O barbeiro pediu ajuda à comadre para interceder pelo rapaz junto a D. Maria. A boa madrinha de Leonardo começou a depreciar José Manuel diante de D. Maria, acabando por desacreditá-lo perante a amiga, que afastou José Manuel de sua casa.

            Ocorreu então que o padrinho de Leonardo vem a falecer, tendo este que ir morar com o pai. Depois de muitos desentendimentos com a companheira do pai, Leonardo fugiu de casa. Encontrou um amigo, antigo companheiro dos tempos de sacristão e amigo de travessuras, com uma súcia de malandros, e juntou-se a eles.

            Com seu temperamento amoroso, apaixona-se por Vidinha, que lá morava, provocando ciúmes em dois primos que o denunciaram como vadio ao Vidigal. O major prendeu-o, mas ele conseguir fugir, deixando o major furioso. A comadre lhe consegue um emprego para livrá-lo das garras da lei, mas este não durou muito, e o rapaz voltou a cair nas mãos do Vidigal. Enquanto isso, Luisinha, que pensava ter sido abandonada por Leonardo, aceitara as propostas de José Manuel.

            Leonardo reaparece como soldado, porque o major obrigara-o a sentar praça, depois de havê-lo prendido novamente.

            A comadre, madrinha de Leonardo, juntou-se com D. Maria e mais uma amiga do Vidigal e foram até ele interceder pelo rapaz. O major atendeu aos pedidos das mulheres, libertando Leonardo e promovendo-o a sargento. Nesse ínterim, Luisinha fica viúva e, encontrando-se com Leonardo, casa-se com ele.


(NOVO HORIZONTE - Português Vol.II)
Izaías Branco da Silva & Braz Ogleari – Companhia Editora Nacional

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INSPIRAÇÃO – Oscar Benício dos Santos


Meu pensamento livre perambula,
perdido entre os labirintos da mente,
em busca de algo que ainda não sente,
mas que já pressente, pois o estimula.


Enlaça-o amplamente e o oscula,
em um beijo de amante envolvente
que se sente do seu amor carente
e, agora, unido a ele, confabula.


É a deusa do poeta, a Inspiração,
que, leviana, dorme com os estetas,
mas, somente sonha com os poetas.


E, ao despertá-los de um sonho lindo,
versos dispersos vai imprimindo
na sua mente em forma de canção.


 Oscar Benício Dos Santos

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terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

ITABUNA CENTENÁRIA REFLETINDO: O Dr. Abraham - Uma resposta de Deus












O Dr. Abraham, conhecido especialista em câncer, 
já estava a caminho de uma importante conferência 
em outra cidade, onde receberia um prêmio no campo
da pesquisa médica.
 Ele estava animado com o prêmio e assim embarcou 
em um avião para o local.
No entanto, duas horas depois de o avião decolar, 
fez um pouso de emergência
no aeroporto mais próximo devido a um problema técnico.

Com medo de não conseguir chegar a tempo da 
conferência, ele foi imediatamente
à recepção para fazer perguntas. Ele descobriu que 
teria que esperar dez horas
pelo próximo voo até o seu destino! 
Ele alugou um carro e dirigiu-se à cidade da conferência, 
que ficava a quatro horas de distância.

Logo depois que ele saiu, o tempo mudou e uma 
forte tempestade começou. O aguaceiro tornou difícil 
para ele ver, então ele perdeu  uma curva que 
deveria fazer.

Dirigindo na chuva pesada em uma estrada deserta, 
sentindo fome e cansado, ele, freneticamente começou 
a procurar por qualquer sinal de civilização.

Ele se deparou com uma pequena casa e bateu na porta. 
Uma bela dama abriu a porta. Ele explicou sua situação 
e queria usar o telefone, mas a moça disse que não tinha.
Ela, no entanto, pediu-lhe para entrar e esperar até que 
o tempo melhorasse. O médico que estava com fome 
e exausto aceitou a oferta. A senhora ofereceu-lhe algo 
para comer e beber.

Ela pediu-lhe que se juntasse a ela em suas orações, 
mas ele recusou. Ele disse que acreditava em trabalho duro, 
não em orações!
Sentado à mesa e tomando seu chá, o médico observou 
a mulher rezar muitas vezes ao lado do berço de um bebê. 
Sentindo que a mulher poderia precisar de ajuda, 
o médico perguntou-lhe se ela precisava de alguma coisa. 
Ela lhe disse que precisava de Deus e ele perguntou 
se Deus alguma vez havia ouvido suas orações.

Quando ele perguntou sobre a criança no berço, 
a mulher explicou que seu filho estava com câncer. 
E eles tinham sido aconselhados a consultar um médico 
chamado Abraham, que poderia curá-lo,  mas ela 
não tinha dinheiro suficiente para pagar seus honorários. 
Ela disse que Deus ainda não havia respondido 
suas orações, mas disse que Deus criaria alguma saída um dia. 
Ela acrescentou que não permitiria que seus medos 
superassem sua fé!

Atordoado e sem palavras, o Dr. Abraham começou a chorar!
Ele foi forçado a dizer em voz alta: "Deus é grande" 
e se lembrou da mulher, toda a sequência de eventos ruins: 
mau funcionamento no avião, uma tempestade e 
como ele se perdeu. 
Tudo isso aconteceu porque Deus respondeu as orações.
Queria dar a ele uma chance de sair de sua escravidão 
na carreira materialista e dedicar algum tempo a uma pobre 
mulher indefesa que não tinha nada além de ricas orações!

Oh! Que Deus!

Deus pode não responder às suas orações do seu jeito,
mas ele sempre responderá do Seu jeito.

Nos bastidores, ele moverá os homens, o clima, eventos, 
circunstâncias, etc., a fim de obter o melhor para você!

Não pare de confiar!
Não pare de esperar!

Deus está ocupado planejando sua mudança este ano!

Aguente!
Aguarde!

Procure-O diariamente!
 .................

(Recebi via WhatsApp. Autor não mencionado)

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VALE — privatização de mentirinha


10 de Fevereiro de 2019
♦  Péricles Capanema
Sublinhada pelo encontro dos corpos soterrados na lama e pelo escoar lento do Paraopeba tóxico, a tragédia em Brumadinho (MG) lembra doloridamente ao Brasil enlutado a necessidade contínua de medidas de prevenção, de nada deixar ao acaso, de ter sempre diante dos olhos a possibilidade pior. Em suma, retirar de cada fato ou princípio, até o fim, suas decorrências lógicas e agir segundo elas; é criar o hábito da responsabilidade.

Nosso hábito é outro, namoramos o desleixo, a imprevidência, a inconsequência, brincamos inconsideradamente com a lógica. Tudo leva a crer, Brumadinho, encaixada no contexto de Mariana, boate Kiss, alojamento do Flamengo, incêndio no Museu Nacional, é prenúncio de outras tragédias.

No âmago da catástrofe, repito, está o hábito de nada levar até suas últimas consequências lógicas. Vou dar um exemplo gritante, relacionado com o que acima comentei. Muita gente, qual urubu na carniça, aproveitou-se de a VALE estar no miolo do drama que desabou sobre Brumadinho, para criticar a privatização da empresa, e por ricochete, a política de privatização em geral. O novo rumo teria diminuído preocupações sociais e cuidados com o meio ambiente. Prejudicaria o povo, favoreceria os ricos; em suma, seria antissocial.

Vamos devagar, começando por recordar alguns marcos, o que poderá evitar que muita gente continue saudosa do atraso e agarrada nos enredos do retrocesso. A VALE (antiga “Vale do Rio Doce”), criada empresa estatal em 1942 por Getúlio Vargas, foi privatizada em maio de 1997 durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. Em números redondos, é empresa privada há 22 anos, uma vida. Quem manda em empresa privada são os acionistas. Certo? Na VALE, em termos. Acionistas, sim, grandes, mas não privados.

Trago à baila trechos da delação de Joesley Batista, um dos donos do grupo JBS, que não é grande acionista da VALE, divulgada em maio de 2017. Em conversa com o megaempresário o então senador Aécio Neves lhe garantiu que já não conseguiria nomear o presidente da VALE (desejo dele), mas Joesley Batista poderia indicar um outro diretor e seria atendido. A contrapartida eram os dois milhões de reais na mão para, afirmava o senador, pagar despesas de advogado. Coisa de comparsas, Joesley Batista, hoje condenado, teria garantido até 40 milhões se conseguisse sentar alguém de sua confiança na presidência da VALE. Palavras de Joesley Batista constantes do material da delação: “Aí ele [Aécio] falou, ‘não pode porque eu já nomeei’. Parece que a Vale tem uma governança pra ter uma independência pra escolher presidente, mas parece que eles têm algum jeito de fraudar esse troço e virar presidente alguém com nomeação política. Ele [Aécio] me explicou isso, disse ‘nós fizemos um treco lá que em tese é independente, mas na prática o candidato da gente acaba ganhando’. Ele disse que eu poderia escolher qualquer uma das quatro diretorias, que eu escolhesse e que ele botava quem eu quisesse, se fosse o Dida, ele botava o Dida”. O Dida é Aldemir Bendine, hoje condenado e preso por corrupção.

Lauro Jardim, cerca de dois meses antes da divulgação do material acima, já informava que a escolha do presidente da VALE vinha de “uma triangulação da qual participaram os acionistas (Bradesco à frente), Michel Temer e Aécio Neves. Quando oficialmente a Vale contratou a Spencer Stuart para encontrar o nome do sucessor de Ferreira, foram agregados pela empresa duas dezenas de nomes aos de Schvartsman”.

Fundos de pensão de estatais e BNDES (controlados pelo governo) são grandes acionistas da VALE. O que dá aos políticos enorme ingerência na empresa. A coerência da política de privatizações mandaria o governo entregar a empresa à iniciativa privada. Não o fez; saiu pela porta da frente e entrou pela porta dos fundos. E a situação geradora de lambanças está assim há mais de 20 anos.

Existe pior. Boa parte das empresas privatizadas depois de 1997 hoje se encontra nas mãos de estatais chinesas (ou, por outra, nas mãos do Partido Comunista Chinês) e também nas mãos de estatais de países ocidentais.

Vai abaixo o que divulguei em dezembro de 2015, ainda no governo Dilma, no artigo “Desnacionalização suicida”, serve para hoje, espero que não valha no futuro: “Nunca fui nacionalista; vejo com simpatia a presença de empresas estrangeiras entre nós. Mas o caso agora é outro. Em 25 de novembro último, o governo colocou à venda concessões por 30 anos para as usinas de Ilha Solteira, Jupiá, Três Marias, Salto Grande, 29 hidrelétricas no total. Ganharam o leilão CEMIG (estatal), COPEL (estatal), CELG (estatal), CELESC (estatal), ENEL (forte presença do governo italiano) e THREE GORGES (estatal chinesa). A estatal chinesa ficou com 80% da energia e pagou R$13,8 bilhões pela outorga. Vejam esta falácia lida por milhares, quem sabe milhões, ilustra como os meios de divulgação vêm tratando o caso: ‘Com os ativos recém-adquiridos, a CTG [China Three Gorges, a estatal chinesa] atinge capacidade instalada de 6.000 W, tornando-se a segunda maior geradora privada do país’”.

Privada? Capitais do Estado chinês, dirigido tiranicamente por um partido imperialista e totalitário. Temos no caso estatismo agravado, mais danoso que o estatismo brasileiro, com suas roubalheiras e incompetências. A dizer verdade, o programa de desestatização brasileiro, em vários de seus aspectos importantes, é uma enganação monstruosa e vergonhosa. Chega até a ameaçar a segurança nacional.

Fecho. A irresponsabilidade tem raiz na falta de lógica, no hábito de conviver com a incoerência. Agora vitimou Brumadinho. Antes, causou outras desgraças. No futuro, provocará tragédias parecidas. Se não forem expulsas a incoerência e a ilogicidade, alimentadoras do descaso, do desleixo e da irresponsabilidade.



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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Sínodo da Amazônia 2019: "Da Igreja para a Igreja > novos caminhos para a evangelização da Amazônia".

LOURDES — a aparição que confirmou um dogma


11 de Fevereiro de 2019

Em meio ao “dilúvio de males” que atualmente inunda a Terra, podemos tocar com as mãos um “pedaço” do Céu. Trata-se de Lourdes, um dos maiores centros de peregrinação do mundo, onde se realizam inúmeros milagres e maravilhas da graça, por intercessão d´Aquela que ali afirmou: “Eu sou a Imaculada Conceição”.
Para o centenário das aparições de Nossa Senhora em Lourdes, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira escreveu artigo especial publicado na revista Catolicismo (edição de fevereiro/1958 – link abaixo).
Seguem trechos dessa matéria para rememorarmos Lourdes neste ano em que se completam 161 anos das aparições.

Primeiro marco do ressurgimento contra-revolucionário

A 11 deste mês de fevereiro, transcorrerá o centenário da primeira das aparições de Lourdes.

“O fato, na singeleza de suas linhas mais essenciais, ninguém o ignora. Em 1854, pela Bula Ineffabilis, o grande Papa Pio IX [quadro ao lado] definia como dogma a Imaculada Conceição de Nossa Senhora. Em 1858, de 11 de fevereiro a 16 de julho, Nossa Senhora aparecia 18 vezes, em Lourdes, a uma filha do povo, Bernadette Soubirous [foto abaixo], declarando ser a Imaculada Conceição. A partir dessa ocasião, tiveram início os milagres. E a grande maravilha de Lourdes começou a brilhar aos olhos de todo o mundo, até nossos dias. O milagre confirmando o dogma, eis em resumo a relação entre o acontecimento de 1854 e o de 1858.

 Século XIX: problemas análogos aos de nosso século

“O que, entretanto, é menos conhecido pelo grande público é a relação desses dois grandes fatos com os problemas dos meados do século XIX, tão diversos dos de hoje, mas ao mesmo tempo tão e tão parecidos com eles.

“Ao definir o dogma da Imaculada Conceição, o Papa Pio IX despertou em todo o orbe civilizado repercussões ao mesmo tempo díspares e profundas.

“De um lado, em grande parte dos fiéis, a definição do dogma suscitou um entusiasmo imenso. Ver um Vigário de Jesus Cristo erguer-se na plenitude e na majestade de seu poder, para proclamar um dogma em pleno século XIX, era presenciar um desafio admiravelmente sobranceiro e arrojado ao ceticismo triunfante, que já então corroía até as entranhas a civilização ocidental […].

“Mas, para glorificar ainda melhor sua Mãe, Nosso Senhor fez mais. Em Lourdes, como estrondosa confirmação do dogma, fez o que nunca antes se vira: instalou no mundo o milagre, por assim dizer, em série e a título permanente. Até então, o milagre aparecera na Igreja esporadicamente. Mas em Lourdes, as curas mais cientificamente comprovadas e de origem mais autenticamente sobrenatural se dão, há cem anos, a bem dizer a jato contínuo, à face de um século confuso e desnorteado […].

Hora de castigo – hora de misericórdia

“Estamos vivendo uma terrível hora de castigos. Mas esta hora também pode ser uma admirável hora de misericórdia. A condição para isto é que olhemos para Maria, a Estrela do Mar, que nos guia em meio às tempestades.

“Durante 100 anos, movida de compaixão para com a humanidade pecadora, Nossa Senhora tem alcançado para nós os mais estupendos milagres. Esta piedade se terá extinguido? Têm fim as misericórdias de uma Mãe, e da melhor das mães? Quem ousaria afirmá-lo? Se alguém duvidasse, Lourdes lhe serviria de admirável lição de confiança. Nossa Senhora há de nos socorrer”.
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