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quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

SÃO FRANCISCO DE SALES


24 de Janeiro de 2019

Bispo de Genebra, Confessor e Doutor da Igreja, fundador de Ordens religiosas e diretor de incontáveis almas. Animado de profundo amor de Deus, dotado de bondade e suavidade excepcionais no trato, sólida cultura e ortodoxia.

São Francisco de Sales [festividade celebrada no dia 24 de janeiro]

♦  Plinio Corrêa de Oliveira

“Legionário”, 23 de janeiro de 1938, Nº 280

Apontando-nos os santos como exemplo, a Igreja Católica destrói, sem argumentar, a pretensa ignorância e humildade de condição dos que seguem os ensinamentos de Nosso Senhor Jesus Cristo. Encontramos de fato, entre eles, muitos que se dedicaram durante a vida a misteres mais humildes, e que muitas vezes desdenharam a instrução para cultivarem apenas a verdadeira sabedoria, que é o amor de Deus. Porém, ao lado deles e em não menor número, se acham reis, rainhas, nobres e sábios, relembrando quotidianamente, e com a força irrecusável dos fatos, que para seguir Nosso Senhor Jesus Cristo nada mais se exige do que a boa vontade.

A condição social e a ciência são, separadamente, os dois obstáculos que os incrédulos julgam existir para a difusão da Igreja. E a Igreja responde-lhes com a vida de um São Francisco de Sales (1567–1622), que aliava à nobreza de sua família uma ciência invulgar, adquirida com brilhantismo nos melhores colégios de França.

São Francisco foi enviado pelo pai a Paris para estudar. Sua mãe, no entanto, que temia pela virtude do filho assim abandonado numa grande cidade, despediu-se dele recomendando-lhe insistentemente a frequência aos Sacramentos, afirmando preferir vê-lo morto a saber que um dia tivesse cometido um pecado mortal.

São Francisco progrediu rapidamente nos estudos, fazendo-se admirado pelos professores e colegas; não só pela sua inteligência, como pela virtude que conseguia manter no meio de tantos perigos, recebendo frequentemente os Sacramentos.

Amor de Deus, sem esperar recompensa

Nosso Senhor desejava, no entanto, grandes coisas de São Francisco, e por isso submeteu-o a uma aridez completa, com a ideia de que estava predestinado ao inferno, de nada lhe valendo todo o esforço empregado para se salvar. Obcecado por essa ideia, um dia ele se ajoelhou aos pés de Nossa Senhora, e entre lágrimas rezou a oração de São Bernardo (o “Lembrai-vos”), acrescentando-lhe: “Ó minha Senhora e Rainha, sede minha intercessora junto de vosso Filho, perante o qual não me atrevo a comparecer. Queridíssima Mãe, se eu tiver a infelicidade de não amar a Deus no outro mundo, alcançai-me a graça de amá-lo o mais possível enquanto aqui estou!”.

Desde esse dia cessou completamente essa tentação. Nossa Senhora ouvira a oração belíssima de quem se entregava completamente à sua vontade, a ponto de não titubear em amar a Deus e servi-Lo neste mundo sem nenhuma recompensa no outro.

Grande conversor de hereges

Relíquia do Santo

Terminados os estudos, São Francisco foi ordenado apesar da oposição do pai, e o Papa nomeou-o Bispo Auxiliar de Genebra, que era o centro da heresia calvinista. Desdobrou-se em atividades, procurando por todas as formas destruir a heresia. Trouxe de volta para o seio da Igreja Católica 72 mil calvinistas.

Quando a diocese passou para suas mãos, pela morte do Bispo de Genebra, visitou-a inteira a pé, exortando os fiéis à perseverança e procurando mostrar aos hereges os seus erros. Por vinte anos dirigiu-a, apesar das ciladas que armavam os calvinistas para retirar do seu caminho quem, apenas com a palavra, a mansidão e o exemplo, abria tantos claros em suas fileiras.

Aos 56 anos entregou a Deus sua alma, e 23 anos depois o Papa Alexandre VII inseriu o seu nome no catálogo dos santos. Em 1933 foi declarado Doutor da Igreja e Padroeiro da imprensa e dos jornalistas.

Pecaminosa cumplicidade da imprensa

Retrato do Papa Alexandre VII
Giovanni Battista Gaulli, séc. XVII.
Walters Art Museum, Baltimore (EUA).

São Francisco de Sales foi durante a vida um verdadeiro lutador da Igreja contra a heresia, e hoje em dia a imprensa católica tem também a obrigação de empreender o mesmo combate, pois o mundo se abisma cada vez mais na heresia e na dissolução dos costumes, com a cumplicidade da chamada imprensa neutra.

Só a imprensa católica se oporá a essa onda; e só o espírito de sacrifício, que animava o Bispo de Genebra a combater a heresia calvinista em sua própria sede, poderá fazê-la vencer a indiferença que a cerca. O combate à imprensa neutra deve ser eficiente, pois ela esconde atrás de sua suposta neutralidade um verdadeiro ódio à Igreja de Nosso Senhor.

Que São Francisco de Sales interceda junto a Nosso Senhor, conseguindo d’Ele a graça sem a qual nada poderá ser feito, e dando a todos os jornalistas católicos o espírito de sacrifício necessário para sua obra.

NOBREZA E SANTIDADE

Tendo Catolicismo já abordado em números anteriores a biografia de São Francisco de Sales (vide edições de janeiro/1999 e janeiro/2014), cuja festa se celebra no dia 24 de janeiro, decidimos apresentar aos prezados leitores os comentários acima, em que o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira mostra as insignes qualidades e a atuação do grande santo, padroeiro dos jornalistas católicos.

Um aspecto pouco conhecido desse baluarte da contrarreforma, mencionado pelo autor, é que ele descendia de família nobre. Aproximando este aspecto de outros, muito mais divulgados, o autor ressalta a importância da nobreza na formação de uma sociedade católica.

Também de autoria do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira é o próximo texto sobre o grande número de nobres canonizados ou beatificados pela Igreja, que transcrevemos do seu importante livro Nobreza e elites tradicionais análogas nas alocuções de Pio XII ao Patriciado e à Nobreza romana (Livraria Civilização Editora, Portugal, 1993, p. 323)

Ser nobre e levar vida de nobre é incompatível com a santidade?

São Luís, Rei da França (no centro),
conduz a Coroa de Espinhos
para a Sainte Chapelle, em Paris.

A incompreensão existente nos nossos dias em relação à nobreza e às elites tradicionais análogas resulta, em larga medida, da propaganda hábil, se bem que destituída de objetividade, que contra elas fez a Revolução Francesa.

Tal propaganda — alimentada continuamente ao longo dos séculos XIX e XX pelas correntes ideológicas e políticas sucedâneas àquela Revolução — tem sido combatida com crescente eficácia pela historiografia séria. Mas há setores de opinião nos quais ela perdura obstinadamente.

Segundo os revolucionários de 1789, a nobreza era constituída essencialmente por gozadores da vida, detentores de privilégios honoríficos e econômicos insignes, os quais lhes permitiam viver regaladamente dos méritos e galardões alcançados por longínquos antepassados. Podiam permitir-se o luxo de viver apenas desfrutando as delícias da existência terrena; e, o que é pior, especialmente as do ócio e da volúpia.

Essa classe de gozadores era apresentada, além disso, como altamente onerosa para a Nação, com prejuízo das classes pobres — estas sim, laboriosas, morigeradas e úteis ao bem comum. Segundo d’Argenson, “La Cour était le tombeau de la Nation” [a Corte era o túmulo da Nação].

Isso tudo levou à noção de que a vida própria de um nobre, com o realce e a largueza que normalmente deve comportar, convida de si mesma a uma atitude de relaxamento moral, muito diversa da ascese reclamada pelos princípios cristãos.

Grande número de nobres elevados à honra dos altares

Sem contestar que esta versão tenha algo de verdadeiro, pois na nobreza e nas elites análogas dos fins do século XVIII já se faziam sentir os sinais precursores da terrível crise moral dos nossos dias, é preciso acentuar que essa versão, nociva ao bom renome da classe nobre, tinha muito mais de falso que de verdadeiro.

Prova-o a própria história da Igreja. Entre outras coisas, pelo grande número de nobres que Ela elevou à honra dos altares, atestando por esta forma que praticavam em grau heroico os Mandamentos e os conselhos evangélicos. Por isso São Pedro Julião Eymard pôde afirmar: “Os anais da Igreja demonstram que grande número de santos, e dos mais ilustres, ostentavam um brasão, possuíam um nome, uma família distinta: alguns até eram de sangue real”.1

Vários desses santos abandonaram o mundo para mais seguramente alcançarem a virtude heroica. Outros, porém, como os Reis São Luís de França e São Fernando de Castela, permaneceram no fastígio da sua situação e alcançaram a virtude heroica vivendo inteiramente na altíssima condição nobiliárquica que lhes era própria.

Para tornar mais cabal o desmentido a estas versões que pretendem denegrir a nobreza, bem como os costumes e os estilos de vida que a sua condição comporta, ocorreu indagar qual a proporção de nobres entre os que a Santa Igreja cultua como santos. Não foi possível, no entanto, encontrar um estudo específico sobre este assunto. Alguns investigadores abordaram tal matéria, não tendo feito sobre ela uma pesquisa específica e exaustiva. Fundamentaram-se eles para os seus cálculos em elencos que apresentam como não completos.

Merece particular atenção um estudo feito por André Vauchez, Professor da Universidade de Rouen, intitulado La Sainteté en Occident aux derniers siècles du Moyen Âge,2 baseado nos processos de canonização e nos documentos hagiográficos medievais [vide quadro abaixo].
Apresenta ele uma estatística de todos os processos ordenados pelos Papas “de vita, miraculis et fama” entre 1198 e 1431. Estes totalizaram 71, dos quais 35 conduziram à conclusão de que os personagens sobre os quais versavam mereciam ser elevados à honra dos altares pela Igreja, o que esta efetivamente realizou ainda na Idade Média.3


Processos de canonização ordenados entre 1198 e 1431 (71 casos)
Nobres                                                62,0%
Classe Média                                     15,5%
Povo                                                    8,4%
Origem social desconhecida           14,1%

Santos canonizados por um Papa da Idade Média (35 casos)
Nobres                                                60,0%
Classe Média                                     17,1%
Povo                                                    8,6%
Origem social desconhecida           14,3%


Início do culto aos santos na Igreja Católica

Estes dados, apesar de muito interessantes, não podiam satisfazer o desejo de um quadro mais completo, pois diziam respeito a um número muito reduzido de pessoas e a um espaço de tempo relativamente curto. Tornava-se necessária uma pesquisa que abrangesse um número mais vasto de pessoas e um tempo mais amplo, sem, entretanto, pretender esgotar o tema.

Para tal tarefa, no entanto, algumas dificuldades ponderáveis surgiram. Antes de tudo, a inexistência de uma lista oficial dos santos cultuados como tais na Igreja Católica. Dificuldade, aliás, muito explicável, pois a inexistência de tal lista relaciona-se com a própria história da Igreja e o progressivo aperfeiçoamento das suas instituições.

O culto dos santos teve início na Igreja Católica com o culto prestado aos mártires. As comunidades locais honravam alguns dos seus membros, vítimas das perseguições. Dos milhares que nos primeiros séculos da Igreja verteram seu sangue para testemunhar a Fé, só nos chegaram algumas centenas de nomes, ora através das atas dos tribunais — redigidas pelos pagãos, que transcreviam os processos verbais — ora através dos relatos feitos por testemunhas oculares dos martírios.

Além de não existirem documentos deste gênero a respeito de todos os mártires, muitas destas atas — cuja leitura inflamava a alma dos primeiros cristãos e lhes dava o exemplo para suportar novas tribulações — foram destruídas durante diversas perseguições, sobretudo a de Diocleciano.4 Torna-se assim impossível conhecer todos os mártires que foram objeto de culto pelos fiéis nos primeiros séculos da Igreja.

Com o fim das perseguições, e ainda durante muito tempo, os santos foram venerados por grupos restritos de fiéis, sem uma investigação prévia e sem um julgamento da autoridade eclesiástica. Depois, com o aumento da participação da autoridade na organização das comunidades católicas, cresceu também o papel desta na escolha dos que deviam receber culto. Os Bispos passaram a permitir o estabelecimento de um determinado culto, e muitas vezes o ratificaram a pedido dos fiéis, fazendo a elevação e transladação das relíquias de um novo santo.

Só no fim do primeiro milênio o Papa passou a intervir, de vez em quando, na consagração oficial de um santo. Com efeito, à medida que o poder dos Pontífices Romanos se ia afirmando, e que os contatos com os mesmos se tornavam mais frequentes, os Bispos passaram a solicitar aos Papas a confirmação dos cultos, ocorrendo isso pela primeira vez em 993.

Mais tarde, em 1234, pelas Decretais tornou-se necessário o recurso à Santa Sé, e o direito de canonização ficou reservado ao Pontífice. Entretanto, no período que medeia entre estas datas, muitos Bispos continuaram a proceder às transladações de relíquias e à confirmação de culto, segundo os antigos costumes.

A partir de 1234, pouco a pouco, os processos para a determinação do culto a um santo tornaram-se cada vez mais aperfeiçoados. Desde o final do século XIII a decisão pontifícia baseia-se numa instrução prévia, levada a cabo por um colégio de três cardeais especialmente encarregado desta tarefa. E assim permaneceu até 1588, quando as causas foram confiadas à Congregação dos Ritos, instituída no ano anterior pelo Papa Sixto V.

No século XVII esta evolução atingiu o seu termo. Urbano VIII, em 1634, com o Breve Cœlestis Jerusalem Cives, estabeleceu as normas para a canonização de uma pessoa, que essencialmente permanecem as mesmas até os nossos dias.

Tendo em vista os Servos de Deus, que por tolerância receberam culto público depois do pontificado de Alexandre III, as Constituições de Urbano VIII previam a confirmação de culto ou canonização equipolente, “sentença pela qual o Soberano Pontífice ordena honrar como Santo, na Igreja universal, um Servo de Deus para o qual não se introduziu um processo regular, mas que desde tempo imemorial se acha na posse de um culto público”.5 Esse procedimento foi válido também para casos semelhantes ocorridos após as Constituições de Urbano VIII.

Dificuldade em determinar a origem social de um santo

Altar dos Reis – Catedral de Puebla, no México.
Seu nome se deve a que nele se encontram
imagens de reis e rainhas canonizados.
Entre eles São Luís IX da França,
Santa Isabel da Hungria,
Santo Eduardo da Inglaterra,
São Fernando III de Castela, Santa Helena,
mãe do Imperador Constantino,
e Margarida, Rainha da Escócia.

Assim, a partir de 993 — data da primeira canonização papal — é possível estabelecer uma lista dos santos definidos pela Santa Sé. Esta lista, entretanto, ainda não é completa, faltam documentos de períodos extensos. Além disso, a lista não contém todos os santos, pois entre 993 e 1234, como já se disse, os Bispos continuaram a ratificar o culto. Por isso muitos indivíduos foram objeto de um culto público independentemente de uma intervenção de Roma, que era solicitada muitas vezes — mas nem sempre — alguns séculos depois. Somente a partir do início do século XVI pode-se estar certo de que a lista de santos e bem-aventurados (distinção consagrada pela legislação de Urbano VIII) não contém lacunas.6

Além da dificuldade para estabelecer uma lista completa dos santos, outra era saber quais deles pertenceram à nobreza. Com efeito, nem sempre é fácil estabelecer com certeza a origem nobre de uma pessoa. A própria elaboração do conceito de nobreza foi progressiva e sumamente orgânica, condicionado às características dos diversos povos e lugares, por vezes dificultando determinar quem pertencia ao estamento da nobreza. Há também a dificuldade de determinar com precisão os antepassados de uma pessoa. Isso levou, leva e continuará a levar muitos a dedicarem longos períodos à investigação das origens genealógicas de personagens diversos. Todos esses empecilhos tornam difícil determinar a origem social de alguns santos.

Tendo em vista estas dificuldades, tratava-se de escolher fontes de pesquisa tão completas quanto possível, mas ao mesmo tempo inteiramente fidedignas, para elaborar uma estatística aproximativa do número de nobres no rol dos santos.

Optou-se então pelo Index ac Status Causarum,7 uma publicação oficial da Congregação para a Causa dos Santos, sucessora da antiga Congregação dos Ritos. Trata-se de uma “edição extraordinária e amplíssima, feita para comemorar o IV Centenário da Congregação, incluindo todas as causas a ela apresentadas desde 1588 até 1988, e também as mais antigas conservadas no arquivo secreto vaticano”.

A obra inclui ainda vários apêndices, dos quais três interessam mais especialmente. No primeiro são enunciadas as confirmações de culto a partir do Index ac Status Causarum redigido em 1975 pelo Pe. Beaudoin, acrescentados alguns nomes e subtraídos outros de bem-aventurados que posteriormente foram incluídos no catálogo dos santos. No segundo apêndice enumeram-se apenas os que foram beatificados a partir da instituição da Sagrada Congregação dos Ritos e ainda não canonizados. No terceiro apêndice estão enumerados os santos cujas causas foram tratadas pela Sagrada Congregação dos Ritos, incluindo os casos de canonização equipolente.

Com essa relação de nomes em mãos, foram consultadas as respectivas biografias na obra intitulada Bibliotheca Sanctorum,8 para saber quais deles pertenciam às fileiras da nobreza. Esta obra — dirigida pelo Cardeal Pietro Palazzini, ex-Prefeito da Congregação para a Causa dos Santos — é considerada o elenco mais completo de todos os que receberam culto, desde o início da Igreja.

Como a Bibliotheca Sanctorum não põe sua atenção principal em fornecer a origem social das pessoas mencionadas, mas sim os assuntos relacionados com o seu culto, muitas vezes é impossível saber quem foi ou não nobre, por falta de dados. Além disso, e para manter um critério estrito, adotou-se como princípio só computar como nobres aqueles de quem a obra afirma serem nobres ou descendentes de tais. Não foram incluídos na lista quando consta apenas que pertenceram a famílias “importantes, conhecidas, antigas, poderosas, etc”.
Preferiu-se assim incluir pessoas cuja origem nobre se pode presumir com seriedade ou até ter certeza, com base em outras fontes, a fim de evitar casos duvidosos.

Pareceu ainda conveniente, para maior precisão na estatística, distinguir as seguintes categorias, conforme o Index ac Status Causarum:

Santos canonizados após um processo regular;
Bem-aventurados beatificados após um processo regular;
Os que tiveram o seu culto confirmado;
Os Servos de Deus cujos processos de Beatificação ainda estão em curso.

Apresentam-se [no quadro ao lado] as porcentagens obtidas, tendo o cuidado de discriminar, em cada uma das categorias, os que foram objeto de uma investigação individual e os que formam parte de um grupo que teve o seu processo analisado em conjunto, como, por exemplo, os mártires japoneses, ingleses, vietnamitas, etc.

________________________________________
Santos
Pessoas       Nobres           %
Processos individuais           184                 40                  21,7
Processos coletivos (11)       364                 12                  3,3
Total                                         548                 52                  9,5
Bem-aventurados
Pessoas       Nobres           %
Processos individuais           182                 22                   12,0
Processos coletivos (26)       1074               46                   4,3
Total                                         1256               68                   5,4
Confirmações de Culto
Pessoas       Nobres           %
Processos individuais           336                 107                 31,8
Processos colectivos (24)     1087               10                   0,9
Total                                         1423               117                 8,2
Processos de Beatificação em Curso
Pessoas        Nobres           %
Processos individuais          1331               149                 11,2
Processos coletivos (146)    2671*              13                   0,5
Total                                        4002*              162                 4,0
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(*) O Index ac Status Causarum não traz o número preciso das pessoas consideradas em alguns destes processos, tornando-se pois impossível dar um número exato, sendo as cifras aproximativas.

A porcentagem de nobres é consideravelmente maior

Para ressaltar as ponderáveis porcentagens de nobres nestes vários quadros, convém saber qual a porcentagem média de nobres em relação ao resto da população do respectivo país. Limitamo-nos a dois exemplos, tão diversos quanto significativos. Segundo o conceituado historiador austríaco J. B. Weiss, baseado em dados de Taine, a nobreza na França, antes da Revolução Francesa, não chegava a 1,5% da população.9

G. Marinelli, no tratado de Geografia universal La Terra,10 baseando-se na obra de Peschel-Krümel, Das Russische Reich (Leipzig, 1880), fornece uma estatística da nobreza na Rússia, segundo a qual — somada a nobreza hereditária à nobreza pessoal — esta classe não passava de 1,15% do total da população. Afirma a mesma obra de Marinelli que Rèclus apresentara em 1879 uma estatística semelhante, chegando à porcentagem de 1,3%; e van Lehen chegou ao mesmo resultado de 1,3% em 1881.

Dependendo do tempo e do lugar, obviamente estas porcentagens sofrem pequenas variações não significativas.

Os dados acima apresentados fazem ver que, em cada uma das categorias (santos, bem-aventurados, confirmações de culto e processos ainda em curso), a porcentagem de nobres é consideravelmente maior que no conjunto da população de um país.11 Isto fala em sentido oposto ao das calúnias revolucionárias sobre a pretensa incompatibilidade entre a prática habitual da virtude e o fato de pertencer ao estado nobre, transcorrendo toda a vida nesse estado.
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Notas:
1. Mois de Saint Joseph, le premier et le plus parfait des adorateurs – Extrait des écrits du P. Eymard, Desclée de Brouwer, Paris, 7ª ed., pp. 62.
2. École française de Rome, Palais Farnese, 1981, 765 pp.
3. Várias outras foram canonizadas posteriormente.
4. DANIEL RUIZ BUENO, Actas de los Martires, BAC, Madrid, 1951.
5. ORTOLAN, verbete “Canonisation”, in Dictionnaire de Théologie Catholique, Letouzey et Ané, Paris, 1923, tomo II, 2ª parte, col. 1636.
6. ANDRE VAUCHEZ, La Sainteté en Occident aux derniers siècles du Moyen Âge, École française de Rome, Palais Farnese, 1981; JOHN F. BRODERICK S.J., A census of the Saints (993-1955) in “The American Ecclesiastical Review”, Agosto de 1956; PIERRE DELOOZ, Sociologie et Canonisations, Martinus Nijhoff, La Haye, 1969; DANIEL RUIZ BUENO, Actas de los Martires, BAC, Madrid, 1951; Archives de Sociologie des Religions, publicado pelo Grupo de Sociologia das Religiões, Editions du Centre National de la Recherche Scientifique, Paris, Janeiro-Junho de 1962.
7. Congregatio pro Causis Sanctorum, Città del Vaticano, 1988, 556 pp.
8. Instituto João XXIII da Pontifícia Universidade Lateranense, 12 vol. (1960-1970); Apêndice (1987).
9. Historia Universal, vol. XV, t. I, Tipografia la Educación, Barcelona, 1931, p. 212.
10. La Terra – Trattato popolare di Geografia Universale, Casa Editrice Francesco Vallardi, Milão, 7 vol., 8450 pp.
11. Nota-se, nos diversos quadros, uma diferença apreciável entre a porcentagem de nobres nos processos de beatificação individuais e a porcentagem de nobres nos processos coletivos. Isto se explica, principalmente por dois motivos. Em muitos desses processos a Bibliotheca Sanctorum faz apenas menção aos nomes, sem fornecer dados biográficos que permitam saber se são ou não nobres; por outro lado, a maior parte dos processos coletivos refere-se a grupos de mártires. Ora, é normal que as perseguições se dirijam contra toda a população católica, independentemente da classe social, sendo natural que a proporção de nobres entre os mártires seja semelhante à dos nobres na população.



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quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

PLANO CÓSMICO - El Morya Khan

Não pode haver mero acaso num Universo onde tudo é Ordem e Ritmo, até nas fases aparentemente caóticas da Manifestação. A velha civilização esgotou suas energias nas disputas pessoais, revoluções, guerras, doenças, fome. Poderá ser perguntado: nós fazemos terremotos? Tenhamos pois presente que os mesmos ventos que produzem tufões, movem moinhos; as mesmas águas que causam inundações, acionam as turbinas hidroelétricas...

A manada que ao estourar espalha a destruição, é a mesma que serve à lavoura. A diferença, em cada caso, é a existência ou não, de uma Vontade e de uma Direção, ou Comando. O direcionamento dos propósitos da humanidade é cooperação e não competição; paz e não guerra; amor e não ódio; a vontade dirigida para o bem geral e não para o bem pessoal e egoísta... ...É o que abrirá caminho para a solução do problema das relações humanas, talvez o mais grave, atualmente, e também se resolvido, o mais promissor, na sociedade atual.

A Terra é para ser salva por mãos terrenas, e as Forças Celestiais estão enviando o melhor maná; mas se não for colhido, ele é transformado em orvalho. Por isso, sem permitir que as mentes sejam invadidas pelo pânico ou desânimo, procura-se explicar as razões das dificuldades mundiais da atualidade, resultante desta fase de grande transição entre duas civilizações (e as que ficaram pendentes no caminho), que resulta da entrada do sistema solar na Era de Aquário, saindo do signo de Peixes.

As novas energias que assim começam a atuar sobre o planeta  fazem com que todas as instituições humanas que limitem a Liberdade, a expressão da consciência e o progresso evolutivo da humanidade desmoronem. Através do uso ordenado da Vontade é possível atrair Energias mais elevadas e pô-las a serviço da humanidade. Também, é um dever ajudar os que estejam em nível inferior, a se elevarem ao nível de consciência que outros já tenham alcançado.

O trabalho em si propõe a cada discípulo um “ritual” de disciplina voluntária e individual; a obediência à Lei do Ritmo; a persistência no esforço ordenado e constante; a aspiração aos Caminhos Superiores. A Lei do Ritmo é uma Lei Cósmica tanto na pulsação cardíaca como no movimento respiratório; tanto na sucessão dos dias e das noites,  quanto no movimento das marés; desde o nascimento até o fim da manifestação de um astro; em tudo, observa-se ordem, disciplina, seqüência, períodos de atividade e repouso.

Assim é o Ritmo Cósmico. Paz é a coroa da cooperação. Esta função leva ao entendimento e unificação. Cada agente unificador está sujeito ao perigo pessoal. Cada pacificador é difamado. Cada trabalhador é ridicularizado.. Cada construtor é chamado de louco. Assim, os servos da dissolução tentam afastar da face da Terra a Bandeira da Iluminação. O companheirismo sincero pode curar facilmente as feridas de um amigo mas é necessário desenvolver a arte de pensar em nome de Deus.

A trajetória da humanidade não se faz ao acaso: há um Plano Cósmico do qual todos nós participamos. Da cooperação e da Boa Vontade de homens e mulheres chamados “Servidores do Mundo”, depende o sucesso desse Plano. Os líderesdesses grupos são conhecidos por suas qualidades construtivas e inclusivas. Modelam a opinião pública, tendo por traz desses líderes e cooperadores os “Guardiões do Plano” a Sociedade de Mestres Iluminados, Mestres da Sabedoria que compõem o “Governo Espiritual do Planeta”. 

Alguns trabalhos dos Mestres consistem em treinar alunos e discípulos para serem utilizados em grandes eventos, como a vinda do Instrutor do Mundo e outros, para que possam ser úteis  no estabelecimento das novas raças e reconstrução das presentes condições mundiais. A Hierarquia Espiritual está procurando exteriorizar-se e restaurar os mistérios  para a humanidade a quem eles verdadeiramente pertencem. 

Para que a tentativa seja bem sucedida é bastante que todos que perceberam a visão do Plano traçado voltem a se dedicar ao serviço da humanidade, empenhando-se no trabalho de ajudar até o limite de sua capacidade (meditem sobre estas palavras e descubram o seu significado). A necessidade e a oportunidade são grandes e todos os possíveis ajudantes estão sendo chamados para a frente de batalha. Nas meditações dos períodos lunares, de Lua Nova para Lua Cheia, é hora de intensificar, absorver e acrescentar. Da Lua Cheia para a Lua Nova é tempo de assimilar e distribuir maior progresso real sobre um longo período que pode ser alcançado pela observação desta Lei Cíclica.

De outra maneira pode-se tornar o apóstolo da Ética Viva, se não se puder provar, de maneira pessoal, dos bens e da generosidade do Ensinamento, se os que seguem não o aplicarem em sua vida diária? Os que praticam o Ensinamento da Vida não agirão corretamente se cederem à depressão, desânimo e se se deixarem invadir pela dúvida. Eles vivem para o futuro e trabalham para realização do infinito, e sabem que nenhuma tentativa, sem nenhum esforço rítmico e contínuo, ficou sem resultado. Dá-se conta, de fato, que somente seu desejo de fazer o bem, e seus esforços consagrados a cada tarefa, são à base de todas as realizações. Trabalhai pela unificação dos colaboradores! 

Uma promessa nos é feita: unidade, coragem e realização. É com estas qualidades do Fogo que o Mundo Novo se edifica e que o direito de entrar na Fortaleza do Grande Conhecimento se conquista! Um olhar intrépido se elevará até o Sol da Hierarquia. Portanto, não seria prudente lançar um barco à água, sem leme. Mas o Piloto é predestinado e a criação do coração não se precipita no abismo. Como marcos numa estrada luminosa, os Irmãos da Humanidade, sempre vigilantes, montam guarda, prontos para conduzir o viajante na cadeia da ascensão. Perguntarão: “porque primeiro INFINITO, depois HIERARQUIA e somente então CORAÇÃO? Vem primeiro a direção, depois as correspondências, depois os meios.

Não se deve deixar a dúvida destruir esta ajuda sagrada. Ela é destrutiva da qualidade e túmulo do coração. Nada podemos fazer sem a qualidade. Nada podemos compreender sem o coração. Não existe nenhum resultado sem a beleza de uma Vontade amorosa ou de um Amor consciente!


"Gotas de Crystal" gotasdecrystal@gmail.com

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MADURO JÁ ERA O bicho pegou pro lado de Nicolás Maduro! Milhões de Venezuelanos tomam ...

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

SIMPLICIDADE E EMOÇÃO DO CONTISTA ALEILTON FONSECA – Cyro de Mattos


          Baiano nascido em Firmino Alves (1959), município do Sul da Bahia,   criado em Ilhéus, Aleilton Fonseca reside há anos na  cidade de Salvador. Graduado em Letras pela Universidade Federal da Bahia,  fez mestrado na Universidade Federal da Paraíba e Doutorado  na Universidade de São Paulo. É professor titular Pleno da Universidade Estadual de Feira de Santana, onde leciona Literatura Brasileira. Já publicou  25 livros, entre volumes de  poesia, ensaio, conto e romance. Na galeria de suas criações figuram os romances   Nhô Guimarães (2006), O pêndulo de Euclides (2009) e o livro de ensaio O arlequim da pauliceia (2012), entre outros.   Faz parte de várias antologias do conto, poesia e ensaio, no Brasil e exterior.  Entre outras premiações, obteve o Terceiro Lugar no Prêmio da Fundação Cultural do Estado da Bahia, com Jaú dos bois e outros contos, em 1977,  e o Prêmio   Nacional Herberto Sales,  da Academia de Letras da Bahia, com O canto de Alvorada, em 2001.

            Um de seus volumes de contos,  O desterro dos mortos (2001),  apresenta doze histórias revestidas de calor humano, que oferecem uma leitura prazerosa, pontuada com uma linguagem simples e plena de camadas líricas no seu conteúdo  Nhô Guimarães”, a primeira delas,   embrião do romance homônimo, conta a história  de “um homem de sobejas importâncias. Um distinto doutor, do sertão e da cidade, duas vezes lugareiro, muito conhecedor das estradas gerais.”  Fica visível que a narrativa, de apelos aos falares da gente rural no interior mineiro, retrabalhada em sua entonação cantante,   foi motivada pelo propósito de homenagear o  estupendo escritor e ficcionista Guimarães Rosa. A figura do escritor mineiro vai sendo erguida pouco a pouco com sua humanidade  no texto que flui com sabores na fala, usando para isso o contista das lembranças  e entretantos que afloram do personagem Manu e sua mulher, além dos amigos do homenageado. As histórias “O sorriso da estrela”, “O avô e o rio” e “Jaú dos Bois”  reaparecem em  O desterro dos mortos,  vindas do pequeno volume  Jaú dos bois e outros contos.

            Não é preciso ser íntimo das questões estéticas, crítico com  formação acadêmica, para perceber que os contos de Aleilton Fonseca possuem como singularidades a marca da simplicidade na escrita para externar a emoção,  qualidades que se aderem ao texto  infiltradas  de esperança e ternura.  Essa relação inseparável entre o discurso simples, sem experimentalismos, penetrado de afetividades,  é  posta   com sabedoria pelo contista  na escrita para que se faça a leitura da vida tocada com rapidez e visibilidade, impregnada de emoção causada pela cena.

            Na relação inseparável de que se vive e morre, sempre, aflições  e solidões são ultrapassadas,  ternuras  nos ritos de passagem  informam como as estações  amadurecem a infância,   existem noutras terras conduzidas pela morte  sob o peso do enigma. Histórias  urdidas pela chama do amor  em  adolescentes  irrompem para o voo de anjos terrenos alçados às nuvens, paixões de adultos  resvalam por entre fissuras e rupturas em suas verdades pungentes, impondo a separação amarga sem volta.
  
           Afirma-se que literatura é a matéria verbal que expõe  uma experiência de vida. Esse conceito ajusta-se aos contos de Aleilton Fonseca de maneira eficaz e sóbria.  Em O desterro dos mortos,  a  matéria verbal disposta  para dizer do imaginário configura significados colhidos  através de uma experiência colhida pelo contista no teatro da vida. Expressa    histórias que nos remetem ao real imaginado, em alguns momentos  com sensações semelhantes a que se tem nos contos tradicionais de reis,   tanto é  o encantamento  provindo do estado psicológico dos personagens,  o   surgimento da paz no final sempre bem achado,  indicativo   de uma janela que se abre para a luminosidade da vida.
   
            De outro viés, entre a dor e o amor, a paz que irá emergir de  momentos agudos  mostra como a vida é um sofrido aprendizado. O personagem depara-se com as incompreensões absurdas da morte, como é visto  nos contos “O sorriso da estrela”,  “Para sempre”  e  O desterro dos mortos”, nas relações  passionais que  atritam e separam,   na fumaça que ativa a doce lembrança da infância,   para que  saiba quanto  a dor   é capaz de reverter   momentos contrários em  sonos serenos  sob luares de relva.

            Nota-se que o instrumental teórico de base acadêmica não interfere na luminosidade que se espraia nas criações do contista. Não força  a prosa  que  apresenta    maneiras suaves   de horizontes longínquos e próximos em seu dizer cativante.  Há um modo sempre oportuno   de  o contista dizer o drama,  uma solidariedade que dignifica o comportamento marcado  para designar os  quadros da morte, da solidão  que o tempo impõe em rigor de atitude   que  comanda.

            Vale ressaltar que uma  harmonia, a porejar sensibilidades e cargas emotivas na escrita,  decorre  de   situações vividas pelo personagem sob o choque das descobertas, relevâncias existenciais, cortes extraídos  no difícil gesto de viver. Olhares lançados pelo contista sobre  os personagens buscam  desvendar  para o mundo estados interiores, incompreensões do tangível e do que não se explica,  aclarar a situação conflituosa no drama.  Como conversa ao pé do ouvido puxa o leitor para dentro do texto,  remetendo-se ao contista  Machado de Assis, mestre  nessa atitude de aproximar a história de  quem a lê para assim torná-la mais verossímil na sua dinâmica.
 
           O contista sabe dosar com medidas certas o necessário para que o leitor seja envolvido  com ternuras e esperanças no assunto crítico vivido pelo personagem.  Em suas  reações tristes, situações de tormento,  o personagem desterra   pensamentos quando se vê com dificuldade para entender a vida.  Certa melodia,  que acompanha a altura do ritmo, a intensidade e  a dimensão dos  gestos, em perfeito equilíbrio enquanto duram no texto,   não dá chance para que o  vulgar e a pieguice descaracterizem  a escrita conduzida com simplicidade e emoção.

             O proseado que escorre do discurso enunciado com afetividades  contagia no seu ritmo, torna  o leitor  íntimo da problemática existencial do indivíduo.  Na escrita  apoiada em medidas rítmicas harmoniosas,  os significados e significantes formam unidades cadenciadas pelos  toques poéticos da vida sob os olhares líricos do narrador. Cenas marcadas de controvérsias,  contrapontos dos conflitos  são  construídos com pausas e respirações, breves e oportunas, para evitar que o vulgar nos fluxos e refluxos circule nas zonas do coração.

            As histórias de Aleilton Fonseca fornecem a  sensação  de que  entram pelos ouvidos e ficam  com seriedade ritmadas dentro de nós  sob puro  lirismo. Assim são construídas  com seus tremores e amores, como  feixes acesos  de humanidades múltiplas determinam simpatia entre o real e o sonho. Não precisam de questionamentos profundos nas razões de ser dos outros no mundo, e  porque dotadas de puro lirismo  simplesmente o coração as aceita, pulsam amores em atitudes e sentimentos. 

Referência
FONSECA, Aleilton. O desterro dos mortos, contos, Relume Dumará, Rio de Janeiro, 2001.
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*Cyro de Mattos é ficcionista e poeta. Autor de 48 livros pessoais. É também editado no exterior. Membro efetivo da Academia de Letras da Bahia. Doutor Honoris Causa da UESC. Premiado no Brasil, Portugal, Itália e México.

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DISCURSO DE JAIR BOLSONARO NO FÓRUM ECONÔMICO DE DAVOS



Ligue o vídeo abaixo:
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Leia na íntegra

“Boa tarde a todos!
Muito obrigado, professor Schwab!

Agradeço, antes de mais nada, o convite para participar deste fórum e a oportunidade de falar a um público tão distinto.

Agradeço também a honra de me dirigir aos senhores já na abertura desta sessão plenária.

Esta é a primeira viagem internacional que realizo após minha eleição, prova da importância que atribuo às pautas que este fórum tem promovido e priorizado.

Esta viagem também é para mim uma grande oportunidade de mostrar para o mundo o momento único em que vivemos em meu país e para apresentar a todos o novo Brasil que estamos construindo.

Nas eleições, gastando menos de 1 milhão de dólares e com 8 segundos de tempo de televisão, sendo injustamente atacado a todo tempo, conseguimos a vitória.

Assumi o Brasil em uma profunda crise ética, moral e econômica.

Temos o compromisso de mudar nossa história.

Pela primeira vez no Brasil um presidente montou uma equipe de ministros qualificados. Honrando o compromisso de campanha, não aceitando ingerências político-partidárias que, no passado, apenas geraram ineficiência do Estado e corrupção.

Gozamos de credibilidade para fazer as reformas de que precisamos e que o mundo espera de nós.

Aqui entre nós, meu ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, o homem certo para o combate à corrupção e o combate à lavagem de dinheiro.

Vamos investir pesado na segurança para que vocês nos visitem com suas famílias, pois somos um dos primeiros países em belezas naturais, mas não estamos entre os 40 destinos turísticos mais visitados do mundo. Conheçam a nossa Amazônia, nossas praias, nossas cidades e nosso Pantanal. O Brasil é um paraíso, mas ainda é pouco conhecido!

Somos o país que mais preserva o meio ambiente. Nenhum outro país do mundo tem tantas florestas como nós. A agricultura se faz presente em apenas 9% do nosso território e cresce graças a sua tecnologia e à competência do produtor rural. Menos de 20% do nosso solo é dedicado à pecuária. Essas commodities, em grande parte, garantem superávit em nossa balança comercial e alimentam boa parte do mundo.

Nossa missão agora é avançar na compatibilização entre a preservação do meio ambiente e da biodiversidade com o necessário desenvolvimento econômico, lembrando que são interdependentes e indissociáveis.

Os setores que nos criticam têm, na verdade, muito o que aprender conosco.

Queremos governar pelo exemplo e que o mundo restabeleça a confiança que sempre teve em nós.

Vamos diminuir a carga tributária, simplificar as normas, facilitando a vida de quem deseja produzir, empreender, investir e gerar empregos.

Trabalharemos pela estabilidade macroeconômica, respeitando os contratos, privatizando e equilibrando as contas públicas.

O Brasil ainda é uma economia relativamente fechada ao comércio internacional, e mudar essa condição é um dos maiores compromissos deste Governo.

Tenham certeza de que, até o final do meu mandato, nossa equipe econômica, liderada pelo ministro Paulo Guedes, nos colocará no ranking dos 50 melhores países para se fazer negócios.

Nossas relações internacionais serão dinamizadas pelo ministro Ernesto Araújo, implementando uma política na qual o viés ideológico deixará de existir.

Para isso, buscaremos integrar o Brasil ao mundo, por meio da incorporação das melhores práticas internacionais, como aquelas que são adotadas e promovidas pela OCDE.

Buscaremos integrar o Brasil ao mundo também por meio de uma defesa ativa da reforma da OMC, com a finalidade de eliminar práticas desleais de comércio e garantir segurança jurídica das trocas comerciais internacionais.

Vamos resgatar nossos valores e abrir nossa economia.

Vamos defender a família e os verdadeiros direitos humanos; proteger o direito à vida e à propriedade privada e promover uma educação que prepare nossa juventude para os desafios da quarta revolução industrial, buscando, pelo conhecimento, reduzir a pobreza e a miséria.

Estamos aqui porque queremos, além de aprofundar nossos laços de amizade, aprofundar nossas relações comerciais.

Temos a maior biodiversidade do mundo e nossas riquezas minerais são abundantes. Queremos parceiros com tecnologia para que esse casamento se traduza em progresso e desenvolvimento para todos.

Nossas ações, tenham certeza, os atrairão para grandes negócios, não só para o bem do Brasil, mas também para o de todo o mundo.

Estamos de braços abertos. Quero mais que um Brasil grande, quero um mundo de paz, liberdade e democracia.

Tendo como lema “Deus acima de tudo”, acredito que nossas relações trarão infindáveis progressos para todos.

Muito obrigado.”



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segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

FEMINISTA – Ruth Manus


“Semana passada fui dar aula sobre assédio sexual num curso de pós graduação, em São Paulo. Cheguei na sala, composta predominantemente por advogados, e perguntei “Quem aqui se considera feminista?”. Silêncio. Uma moça levanta timidamente o braço. Dois ou três caras fazem comentários baixinho e riem.

Disse “Ok. Vou fazer duas leituras rápidas para vocês”. Continuei.

“Dicionário Houaiss da língua portuguesa: FEMINISMO: teoria que sustenta a igualdade política, social e econômica de ambos os sexos.

Dicionário Jurídico da Professora Maria Helena Diniz: FEMINISMO: movimento que busca equiparar a mulher ao homem no que atina aos direitos, emancipando-a jurídica, econômica e sexualmente.”

Esperei um pouquinho e mudei a pergunta “Quem aqui pode me dizer que NÃO se considera feminista?”. Ninguém levantou a mão.

Pois é. Tenho a sensação de que 99% do mundo não entendeu até agora o que é feminismo. Porque se as pessoas entendessem, quase todo mundo teria orgulho de se dizer feminista. E o melhor: dizer “eu não sou feminista” seria considerado algo mais feio do que dizer “eu não gosto de filhote de golden”.

Não vou perder tempo aqui dizendo que feministas não são mulheres que não se depilam, não usam soutien e não transam. Primeiro porque ser feminista não tem a ver com ser mulher, tem a ver com ser humano. Segundo porque nunca entendi que raio que os pelos têm a ver com posicionamentos ideológicos. Terceiro porque soutien serve para sustentar peitos, não para sustentar ideias. E quarto porque eu já vi gente deixar de transar por causa da igreja, por causa de promessa, por falta de opção, por infecção ginecológica, problemas de ereção… Mas por feminismo nunca vi. Alguém já viu?

Enfim. Acho que ser feminista não é bom ou ruim. Ser feminista é necessário. Uma vez ouvi uma amiga dizer “a mulher que diz que nunca foi discriminada é apenas uma mulher muito distraída”. É simples assim. Não precisamos ir até o Oriente Médio. Não precisamos ir até tribos africanas. Não precisamos ir ao sertão do nordeste. Não precisamos ir até a periferia de São Paulo. Não precisamos sair dos nossos bairros. O machismo que limita, que agride, que marginaliza, que ofende, que diminui, mora ao lado, dorme por perto.

E agora, quem poderá nos defender? O feminismo. O mesmo feminismo que nos tornou civilmente capazes e independentes perante a lei. O mesmo feminismo que nos possibilitou votarmos e sermos votadas. O mesmo feminismo que segue lutando diariamente por uma sociedade mais justa para mulheres, homens, mães, pais, filhas, filhos, trabalhadoras e trabalhadores.

No século XIX, as brilhantes irmãs Brontë escreviam através de pseudônimos masculinos por saberem que suas obras não seriam aceitas na sociedade se soubessem que as autoras eram mulheres. Se não fosse o feminismo eu provavelmente também não estaria escrevendo aqui neste momento. Pelo menos não como Ruth.

Nós precisamos falar sobre feminismo. Com nossos amigos, nossos pais, nossos filhos, grandes ou pequenos. É hora de falar sobre igualdade entre meninos e meninas. É hora de falar que meninas podem jogar bola e ter carrinhos e que meninos podem cuidar de bonecas. Quem não quer ter um filho feminista? Quem não quer que eles vivam num mundo de igualdade, no qual nem meninos nem meninas sejam massacrados pela truculência do machismo?

Nesse domingo, o tema da redação do Enem foi a violência contra a mulher. Milhões de jovens tiveram que parar para pensar sobre isso. Que avanço lindo. Pensar é sempre o primeiro passo. Perceber que a questão existe, que o tema não é antiquado e que, infelizmente, as questões de gênero estão muito longe de serem superadas. A violência persiste, a discriminação no ambiente de trabalho persiste, a desigualdade salarial persiste, a discriminação com as tarefas domésticas persiste, as pequenas (e não menos graves) agressões machistas do dia a dia persistem. Então a luta tem que persistir.

O feminismo não é de esquerda nem de direita. Não é só para mulheres nem é só para homens. Não é ameaça. Não é um estranho. Mas perceba que quando você trata os feministas na terceira pessoa do plural, excluindo-se deste rol, você está afirmando não fazer parte do grupo que prega a igualdade de oportunidades entre homens e mulheres. Pense bem de que lado você quer estar.

Se você percebeu que é feminista, fique tranquilo. Nós não contaremos para ninguém. Mas, sabe? Se eu fosse você, eu sairia contando para todo mundo. Porque ser feminista é lindo, é importante, é sinal da inteligência e da decência de qualquer ser humano. Como diz o lindo livrinho da nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie (leiam, ele é pequenino e indispensável): Sejamos todos feministas. 

E o mundo será melhor a cada dia. Pode apostar.


Ruth Manus, professora universitária

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QUEM AQUECEU O CLIMA NO PERÍODO MEDIEVAL?



21 de Janeiro de 2019

O Período Quente Medieval atingiu todo o planeta, alcançando seu auge nos anos 1000-1200.

Estudo da Universidade de Hamburgo (Alemanha) confirmou o aquecimento do clima na América do Sul durante a Idade Média, embora ele não possa ser atribuído aos seres humanos, pois os índios só possuíam técnicas primitivas de sobrevivência.

O relatório se limita a confirmar que o clima planetário tem ciclos de aquecimento e resfriamento.

A contração das geleiras e ascensão da vegetação em zonas andinas, o abreviamento do inverno e a redução dos lagos resultaram de mudanças sem causa humana, mas o esquerdismo ambientalista insiste em nos fazer acreditar que o homem é sempre o responsável pelo aquecimento.



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